1509725595914942

19 de out de 2016

Uma Palavra Pastoral aos Desigrejados

Por Samuel Alves

Já faz algum tempo que tenho me aproximado de alguns “desigrejados” e só após algumas conversas surgiu esse texto. A conclusão que cheguei ao me aproximar deste movimento de pessoas que bateram de frente com um sistema eclesiástico e se frustraram, é que eles não perceberam o que é a Igreja de Cristo a luz das Escrituras. Confesso que não é fácil ouvir alguns depoimentos de pessoas que se feriram e se frustraram com o “sistema”. Eles reclamam bastante da falta de base bíblica de muitos pastores e igrejas, mas se esquecem que viver fora da comunhão dos santos também não tem base bíblica. Relatam dos abusos de muitos falsos líderes (e isto é um fato), todavia, esquecem que Deus deu pastores a sua igreja (Efésios 4). Igreja saudável não quer dizer perfeita, igreja saudável é aquela que é bíblica, acredito que este seja o ponto que muitos desigrejados não perceberam. A evangelização de desigrejados demostra o grande desafio que temos neste tempo, e além desses problemas temos alguns mitos também:

a) Mito da igreja oculta: Muitos desigrejados alegam que não pertencem a nenhuma igreja física, que não precisam ir à igreja, pois eles são “templo e morada do Espírito Santo”. Tal afirmação é perigosa e sem base bíblica, estão fazendo da filiação em Cristo um assunto particular, místico, um relacionamento separado de qualquer prática, instituição ou cerimônia terrena.

b) O mito da igreja como prédio: Dizem que Bíblia jamais faz uso da igreja em relação a um prédio físico, uma denominação ou influência na sociedade.

c) Mito da igreja primitiva: Esta visão é deturpada pelo primitivismo, muitos alegam que a igreja de Atos é a única verdadeira e modelo para as igrejas de hoje. É preciso lembrar que a igreja de Atos também tinham pecadores e que a mesma também tinha problemas, é só lembrar de Ananias e Safira. O texto de Atos 2.42,47 nos fornece uma base necessária para pesarmos sobre igreja e como devemos agir como comunidade local, mas, a igreja primitiva também tinha seus problemas, igreja saudável não quer dizer perfeita.

d) Mito da igreja doutrinária: Essa visão fica obscurecida pelo intelectualismo e também é uma distorção, a igreja precisa de ortodoxia (doutrina correta), ortopraxia (ação correta) e ortopatia (sentimento correto).

Podemos perceber que esses problemas e mitos acabam influenciando o desenvolvimento saudável da igreja local. Muitas influencias acabam entrando e se hospedando dentro das igrejas e são uma grande ameaça à saúde da igreja. Onde podemos encontrar um padrão estabelecido para regimento da Igreja de Cristo? Na Bíblia! Sola Scriptura.

I – O QUE É A IGREJA SEGUNDO AS ESCRITURAS?

Esse é um ponto onde toda igreja precisa se ater. Toda definição sobre a igreja de Cristo deve ser oriunda de sua revelação. A Bíblia é a comunicação de Deus que declara sua verdade e doutrinas, e nosso dever é cumprir a vontade do Dono da igreja. Há dois aspectos a se observar na igreja: ela é uma associação de crentes, em contraposição aos indivíduos crentes, é representada nas Escrituras sob dos aspectos 1) é o “corpo de Cristo”. Acaba aqui toda individualidade defendida pelos desigrejados, nenhum cristão solitário pode dizer que é corpo de Cristo. Podemos dizer que a igreja e não indivíduos é que são o corpo de Cristo, então a habitação de Cristo em sua igreja capacita de dons, graças e poderes que nenhum crente individualmente possui. 2) A igreja é também habitação do Espírito Santo, é verdade que o Espírito Santo habita em cada crente individualmente, fazendo o corpo e alma como seu templo, mas num sentido mais elevado não leva o verdadeiro cristão a viver uma vida de individualidade. James Bannerman[1] faz o seguinte comentário sobre essa questão:

Como o corpo do Filho de Deus, como o lugar da habitação terrena do Espírito de Deus, a igreja, mais do que o cristão – a associação mais do que o indivíduo – nos é apresentada como a mais alta e a mais gloriosa personificação e manifestação do poder divino e da graça sobre a face da terra. E é à associação, e não aos indivíduos que compõe – à igreja e não aos seus membros individuais – que muito da linguagem bíblica se dirige.

Uma verdadeira teologia bíblica sobre a igreja é a única solução para termos uma igreja saudável, o ensino correto da doutrina levará aqueles que estão pensando ser desigrejados a se arrependerem, é perceptível em nosso tempo a falta de identidade de muitas comunidades locais, tudo isso é um afastamento das Escrituras - nossa regra de fé e prática.

1.1 A Igreja definida nas Escrituras

Nosso ponto de partida será a partir de uma eclesiologia numa estrutura pactual, compreendendo o desenvolvimento da revelação progressiva, dentro do processo de criação, queda, redenção e consumação. Abaixo segue tabela comparativa entre o Israel do A.T e a Igreja do N.T[2].

O ISRAEL do AT e a IGREJA de Deus do NT
Santos
Nm 16:3; Dt 33:3
Santos
Ef 1:1; Rm 1:7
Eleitos
Dt 7:6, 7; 14:2
Eleitos
Cl 3:12; Tt 1:1
Amados
Dt 7:7; 4:37
Amados
Cl 3:12; Ts 1:4
Chamados
Is 41:9; 43:1
Chamados
Rm 1:6, 7; 1 Co 1:2
Assembleia
Sl 89:5; Mq 2: 5; At 7:38; Hb 2:12
Assembleia
Ef 1:1; At 20:28
Rebanho
Ez 34; Sl 77:20
Rebanho
Lc 12:32; 1 Pe 5:2
Nação Santa
Ex 19:5, 6
Nação Santa
1 Pe 2:9
Reino de sacerdotes
Ex 19:5, 6
Reino de sacerdotes
1 Pe 2:9
Propriedade exclusiva
Ex 19:5, 6
Propriedade exclusiva
1 Pe 2:9
Povo de Deus
Os 1:9, 10
Povo de Deus
1 Pe 2:10
Povo Santo
Dt 7:6
Povo Santo
1 Pe 1:15, 16
Povo da propriedade
Dt 7:6
Povo da propriedade
Ef 1:14
Tabernáculo de Deus
Lv 26:11
Tabernáculo de Deus
Jo 1:14
Deus anda entre eles
Lv 26:12
Deus anda entre eles
2 Co 6:16-18
Doze patriarcas – liderança do povo de Deus na antiga Aliança
Is 54:5; Jr 3:14; Os 2:19; Jr 6:2; 31:32
Doze Apóstolos – liderança do povo de Deus na nova Aliança
Ef 5: 22; 23; 2 Co 11:2

Diferente do pensamento dispensacionalista[3] defenderemos uma continuidade do povo de Deus, o interesse principal da Bíblia é o povo de Deus na terra. Somos instados a nos unir a comunidade visível de Deus neste planeta e promover seu avanço. Primeiro em Israel e depois na igreja cristã, é possível ver o desenvolvimento da história bíblica mostrando unidade entre o povo de Deus e uma comunidade visível – a Igreja. Nas palavras de Bruce L. Shelley[4] podemos ver o seguinte:

Esta comunidade é especial justamente por causa de Jesus Cristo. A frase “igreja de Deus” (ekklesia theou) ou “igreja de Cristo” (ekklesia Christou) revela o significado essencial da igreja. A palavra (ekklesia) por si só não significa mais do que simplesmente “reunião”. Mas, “igreja de Deus” indica que o caráter desta assembleia não está em seus membros mas em seu cabeça. É assembleia ou reunião de Deus.

Uma eclesiologia sustentada pela ideia da unidade do pacto, além de ser mais clara, à luz das Escrituras, nos mostra seu desenvolvimento dentro da revelação progressiva e nos mostra onde estamos como povo de Deus, podemos ver nas palavras de Jonathan Leeman[5] a seguinte afirmação:

Com efeito, não é preciso olhar além da estrutura pactual da Bíblia para ver o elemento corporativo da nossa conversão. É verdade que todas as alianças do Antigo Testamento encontram o seu cumprimento no descendente (singular) de Abraão. Jesus é o novo Israel. Contudo, é também verdade que todos aqueles que são unidos a Cristo por meio da nova aliança também se tornam o Israel de Deus e os descendentes (plural) de Abraão (Gl 3.29; 6.16). [...] Não é surpreendente que as promessas do Antigo Testamento acerca de uma nova aliança tenham sido feitas a um povo: “Não ensinará jamais cada um ao seu próximo, nem cada um ao seu irmão, dizendo: Conhece ao SENHOR, porque todos me conhecerão, desde o menor até ao maior deles, diz o SENHOR. Pois perdoarei as suas iniquidades e dos seus pecados jamais me lembrarei” (Jr 31.34). A nova aliança promete perdão (vertical) assim como promete uma comunidade de irmãos (horizontal).

É dentro da estrutura do pacto que podemos ver a sustentação e preservação do povo de Deus, é no texto de Efésios 2 que podemos que o povo de Deus, judeus e gentios se tornam um “Porque ele é a nossa paz, o qual de ambos fez um; e, tendo derribado a parede da separação que estava no meio, a inimizade” Efésios 2.14. Podemos encontrar nas Escrituras algumas definições de Igreja:

Igreja invisível e católica: Corpo de crentes que estejam no céu ou na terra, que já estão ou que serão unidos a Cristo como seu unigênito salvador. É uma associação que nenhum homem pode contar ou identificar por sinais exteriores, não pode ser restringida geograficamente e não pode ser visível aos olhos humanos. (Associação dos eleitos, igreja espiritual e invisível, esposa de Cristo, templo do Espírito Santo, corpo de Cristo).

Igreja Visível e católica: Grupo de eleitos que professam visivelmente a fé em Cristo, essa igreja visível conhecida pelos homens tem uma confissão de fé, pratica as ordenanças e é externamente unida a Cristo por causa da igreja invisível. O livro de Atos 2.47 “enquanto isso acrescentava-lhes o Senhor, dia a dia, os que iam sendo salvos”. A Bíblia sempre descreve este grupo visível de cristãos e o descreve como igreja (União viva e união morta).

Tratando de igreja visível e invisível temos um comentário da confissão de fé de Westminster[6]:

I. A Igreja Católica ou Universal, que é invisível, consta do número total dos eleitos que já foram, dos que agora são e dos que ainda serão reunidos em um só corpo sob Cristo, seu cabeça; ela é a esposa, o corpo, a plenitude daquele que cumpre tudo em todas as coisas.
Ef. 1: 10, 22-23; Col. 1: 18.

II. A Igreja Visível, que também é católica ou universal sob o Evangelho (não sendo restrita a uma nação, como antes sob a Lei) consta de todos aqueles que pelo mundo inteiro professam a verdadeira religião, juntamente com seus filhos; é o Reino do Senhor Jesus, a casa e família de Deus, fora da qual não há possibilidade ordinária de salvação.

I Cor. 1:2, e 12:12-13,; Sal .2:8; I Cor. 7 :14; At. 2:39; Gen. 17:7; Rom. 9:16; Mat. 13:3 Col. 1:13; Ef. 2:19, e 3:15; Mat. 10:32-33; At. 2:47.

III. A esta Igreja Católica Visível Cristo deu o ministério, os oráculos e as ordenanças de Deus, para congregamento e aperfeiçoamento dos santos nesta vida, até o fim do mundo, e pela sua própria presença e pelo seu Espírito, os torna eficazes para esse fim, segundo a sua promessa.
Ef. 4:11-13; Isa. 59:21; Mat. 28:19-20.

IV. Esta Igreja Católica tem sido ora mais, ora menos visível. As igrejas particulares, que são membros dela, são mais ou menos puras conforme neles é, com mais ou menos pureza, ensinado e abraçado o Evangelho, administradas as ordenanças e celebrado o culto público.
Rom. 11:3-4; At. 2:41-42; I Cor. 5:6-7.

Igreja que adora a seu Deus: Na Palavra de Deus podemos ver claramente um grupo de crentes, em qualquer lugar que se reúne para adoração a Deus.

Igreja como pluralidade de congregações: Grupo de congregações associadas a um governo comum.

1.2 Igreja Instituição Divina e Espiritual
Outro ponto de grande destaque e que dá um norte é saber que Cristo é o dono e fundador da igreja, e a comunidade de cristãos não é feita de acordos humanos, mas pela determinação de Deus, o problema de muitos pastores e líderes é que olham para a igreja com lentes do marketing e da administração e se esquecem de seu caráter espiritual. Bannerman[7] faz o seguinte comentário sobre esta natureza de relacionamento espiritual entre o cristão e Cristo:

A íntima e misteriosa união que se estabelece pela fé entre o crente e o seu salvador é uma união que o liga por meio desse salvador a todos os outros cristãos. Ao torna-se um com Cristo, ele ao mesmo tempo também se torna um, em certo sentido, com todos aqueles que são de Cristo. A comunhão espiritual que o crente goza com seu Redentor não é alegria solitária nem egoísta, mas uma alegria que ele não tem como manter sozinho ou a parte de outros crentes.
           
O uso da cosmovisão cristã nos fará a olharmos para a igreja de Cristo como instituição divina, e é neste ponto que somos exortados e somos conduzidos a repensar nossa eclesiologia como Deus revelou em sua Palavra. É da natureza do evangelho não ser uma religião solitária, mas uma religião social (não estou falando e nem defendo a TMI[8]). A associação de crentes é uma criação divina e espiritual, mesmo que aos olhos humanos possa se perceber apenas um grupo de pessoas, ela uma instituição divina. Alguns pontos para reflexão:

Igreja não é uma mera empresa: Muitos pensam que a igreja tem a fundação apenas quando a ata de fundação é lavrada e dão entrada no CNPJ da igreja, pelo fato de muitos considerarem a igreja como um clube ou lugar de encontro social. Isso não é a igreja visível de Deus.

Igreja não é uma criação do Estado: O fato da igreja como organização ter um CNPJ, ter contador, ter tesoureiro, está debaixo de algumas regulamentações, não faz dela igreja visível. A igreja de Cristo não costuma receber nenhum benefício do Estado, senão perseguição e derramamento de sangue.

Igreja é uma instituição Divina: Logo, a visão correta é que Cristo é seu criador e mantenedor.

Sendo a igreja de Cristo uma instituição também espiritual, no seu DNA principal ela é um meio espiritual para operar o bem estar espiritual nos homens. E é por este motivo que podemos perceber ao longo da história da igreja as grandes operações do Espírito Santo no ceio da igreja de Deus. A ordenança bíblica é que a igreja continue sempre a ser distinta dos reinos desse mundo, a igreja saudável distingue bem entre as coisas civis e as coisas espirituais.

II – O QUE É UMA IGREJA SAUDÁVEL E POR QUE DEVEMOS NOS UNIR A ELA?

O único instrumento capaz de aferir a qualidade de uma igreja e determinar se é saudável é a Bíblia, a Palavra de Deus revelada. Não são as estratégias e métodos de crescimento como muitos pensam e como é amplamente divulgado. Uma igreja saudável busca sempre adorar a Deus e glorificar seu nome entre os povos, na proclamação fiel do evangelho, Deus salvará os perdidos. Este é um dos maiores objetivos da igreja local. Buscando apoio nas palavras do grande reformador João Calvino[9], podemos observar o seguinte:

Eis então de que modo a face da igreja se manifesta ante nossos olhos: onde a Palavra de Deus é sinceramente pregada e ouvida, e vemos que os sacramentos são administrados segundo a instituição de Cristo, não podemos de modo algum duvidar de que ali está uma igreja de Deus.

O pensamento central é que para a igreja ser verdadeira e saudável a pregação tem que obrigatoriamente ser “verdadeira e sincera”, e não vãs opiniões. Muitas igrejas neopentecostais pregam um suposto evangelho e administram os sacramentos, mas não são igrejas de Cristo. E neste ponto que alinhamos com a confissão Belga[10]

ARTIGO 29

Cremos que se deve discernir diligentemente e com muito cuidado, pela Palavra de Deus, qual é a verdadeira igreja, visto que todas as seitas, que atualmente existem no mundo, se chamam igreja, mas sem razão l. Não falamos aqui dos hipócritas que, na igreja, se acham entre os sinceros fiéis; contudo, não pertencem à igreja, embora sejam membros dela 2. Mas queremos dizer que se deve distinguir o corpo e a comunhão da verdadeira igreja, de todas as seitas que se dizem igreja.

As marcas para conhecer a verdadeira igreja são estas: ela mantém a pura pregação do Evangelho 3, a pura administração dos sacramentos 4 como Cristo os instituiu, e o exercício da disciplina eclesiástica para castigar os pecados 5. Em resumo: ela se orienta segundo a pura Palavra de Deus 6, rejeitando todo o contrário a esta Palavra 7 e reconhecendo Jesus Cristo como o único Cabeça 8. Assim, com certeza, se pode conhecer a verdadeira igreja; e a ninguém convém separar-se dela.

[...] Quanto à falsa igreja, ela atribui mais poder e autoridade a si mesma e a seus regulamentos do que à Palavra de Deus e não quer submeter-se ao jugo de Cristo 15. Ela não administra os sacramentos como Cristo ordenou em sua Palavra, mas acrescenta ou elimina o que lhe convém. Ela se baseia mais nos homens que em Cristo. Ela persegue aqueles que vivem de maneira santa, conforme a Palavra de Deus, e que lhe repreendem os pecados, a avareza e a idolatria 16.

É fácil conhecer estas duas igrejas e distingui-las uma da outra.

1 Ap 2:9. 2 Rm 9:6. 3 Gl 1:8; 1Tm 3:15. 4 At 19:3-5; 1Co 11:20-29. 5 Mt 18:15-17; 1Co 5:4,5,13; 2Ts 3:6,14; Tt 3:10. 6 Jo 8:47; Jo 17:20; At 17:11; Ef 2:20; Cl 1:23; 1Tm 6:3. 7 1Ts 5:21; lTm 6:20; Ap 2:6. 8 Jo 10:14; Ef 5:23; C1 1:18. 9 Jo 1:12; 1Jo 4:2. 10 Rm 6:2; Fp 3:12. 11 1Jo 4:19-21. 12 Gl 5:24. 13 Rm 7:15; G1 5:17. 14 Rm 7:24,25; 1Jo 1: 7-9. 15 At 4:17,18; 2Tm 4:3,4; 2Jo :9. 16 Jo 16:2.

O Art. 29 da confissão Belga mostra a distinção entre a igreja verdadeira (sadia) e a igreja falsa, e este é o grande ponto para reflexão contextual, mesmo tendo diferenças doutrinárias entre as comunidades, a marca fundamental é a profissão de fé em Cristo, esta marca deve ser peculiar e comum a verdadeira igreja. Neste ponto buscando um apoio confessional nos símbolos de fé de Westminster[11] podemos ver o seguinte:

CAPÍTULO XXV DA IGREJA

V. As igrejas mais puras debaixo do céu estão sujeitas à mistura e ao erro; algumas têm degenerado ao ponto de não serem mais igrejas de Cristo, mas sinagogas de Satanás; não obstante, haverá sempre sobre a terra uma igreja para adorar a Deus segundo a vontade dele mesmo.

I Cor. 1:2, e 13:12; Mat. 13:24-30, 47; Rom. 11.20-22; Apoc. 2:9; Mat. 16:18.

Neste ponto destacamos a importância do constante autoexame que a comunidade local deve submeter-se a luz das Escrituras. A Bíblia é inerrante, todas as coisas mudam, mas, a Palavra de Deus é eterna, aqueles que abandonaram a comunhão dos santos não enxergaram na igreja o seu caráter espiritual, ainda existem muitas igrejas fieis no Brasil, e é bem verdade que também existem muitas sinagogas de Satanás. O que alguém que está pensando em abandonar a comunidade local deve considerar? As Escrituras!

Soli Deo Gloria





[1] Bannerman, James. A Igreja de Cristo – um tratado sobre a natureza, poderes, ordenanças, disciplina e governo da igreja cristã (vols. 1 e 2). Recife, PE: Ed. Os Puritanos, 2014. p.25.
[2] Tradução: Rev. Ewerton B. Tokashiki
[3] O dogma fundamental é que a Igreja não é Israel. Essa declaração quer dizer várias coisas, mas a mais importante é o ensino dispensacionalista que a igreja, ou corpo de Cristo, consiste somente daqueles crentes salvos entre o Pentecoste e o Arrebatamento. Os santos do Antigo Testamento não são parte da Igreja, o corpo de Cristo (http://www.monergismo.com/textos/dispensacionalismo/igreja-israel-Deus_mathison.pdf)
[4] Shelley, L. Bruce. A Igreja o Povo de Deus. São Paulo – SP. Edições Vida Nova. 2016. P.17.
[6] CFW, XXV.2 http://www.monergismo.com/textos/credos/cfw.htm acesso em: 04/10/2016.
[7] Bannerman, James. A Igreja de Cristo – um tratado sobre a natureza, poderes, ordenanças, disciplina e governo da igreja cristã (vols. 1 e 2). Recife, PE: Ed. Os Puritanos, 2014. p.40,41.
[8] Teologia da Missão integral, defendida por René Padilha e outros.
[9] Calvin, Jean, 1509-1564. A instituição da religião cristã, tomo IV. São Paulo: Editora UNESP, 2009. p. 474.

Um comentário:

Anônimo disse...

Sou (quase ex-)membro de uma igreja reformada. Nosso pastor é pos-graduado em teologia. Já tivemos estudos excelentes sobre doutrina da igreja, e não é isso que vai mudar minha decisão de cruzar os braços e ver o circo pegar fogo. Quando se fala em desigrejados, o tema recorrente são as bizarrices neopentecostais e o culto-espetáculo dos emergentes. Na real, o problema é outro.
Primeiro, o mais gritante, uma liturgia engessada, só com canções do VPC e do grupo Logos- pra essa gente, tudo que se faz hoje é lixo. NUM FUTURO PRÓXIMO, ESSA IDOLATRIA AO PASSADO VAI TER CONSEQUÊNCIAS, especialmente entre os jovens.
Segundo, NUNCA VI UM CRENTE TÃO DESCOMPROMISSADO COM A ORAÇÃO E A PALAVRA QUANTO OS REFORMADOS. Em uma igreja de 180 membros, uma média de 2 ou 3 na Escola Bíblica e no Dia de oração é um convite ao fracasso.
Terceiro, mundanismo. Dia de cinema, churrasco e futebol, a igreja esvazia. Tem até onibus fretado e planilha (estou falando sério) pra organizar tudo. Nao que eu seja contra diversão, pelo contrário.
Quarto, poucos carregam o fardo da igreja. Decoração, limpeza, cozinha nos eventos... sempre as mesmas 12 a 15 pessoas para servir outras 160.
Quinto, clubismo. Tem presbítero que nao frequenta o culto de oracao nem a EBD há uma década (!). Tem casais convertidos há uma década que nunca frequentaram os cursos e cultos dirigidos aos casais. E, por serem parte da mesma panelinha da liderança, nunca podem ser questionados.
Sexto, covardia da liderança. Doutrina sem disciplina não funciona. É ridículo ver pessoas que passam o culto inteiro discutindo a Copa América e a novela das oito levantando a voz em uma assembléia porque não gostaram desse ou daquele pregador de fora. Contextualização? Evangelismo? Nem se fala.
Já são 20 anos da graça de Cristo em minha vida, duas décadas de igreja, e os últimos 5 anos só de batalhas perdidas - contra fariseus hipócritas que tomaram conta da minha casa, que ajudei a construir, orando e cavando os alicerces, literalmente. Cansei, cara. Ninguém vive só de doutrina ou de oração (não me entenda mal). Nossa vida espiritual também depende da presença de crentes maduros nos influenciando. A Bíblia diz para exortarmos e apoiarmos uns aos outros. Cadê os outros? Na Igreja? Fala sério.
Ass.: Otto Grael