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24 de fev. de 2015

Temos que ser Um - A importância da Unidade na Igreja

Por Thiago Oliveira

Texto Base: João 17. 20-26

20 "Minha oração não é apenas por eles. Rogo também por aqueles que crerão em mim, por meio da mensagem deles, 21 para que todos sejam um, Pai, como tu estás em mim e eu em ti. Que eles também estejam em nós, para que o mundo creia que tu me enviaste. 22 Dei-lhes a glória que me deste, para que eles sejam um, assim como nós somos um: 23 eu neles e tu em mim. Que eles sejam levados à plena unidade, para que o mundo saiba que tu me enviaste, e os amaste como igualmente me amaste. 24 "Pai, quero que os que me deste estejam comigo onde eu estou e vejam a minha glória, a glória que me deste porque me amaste antes da criação do mundo. 25 "Pai justo, embora o mundo não te conheça, eu te conheço, e estes sabem que me enviaste. 26 Eu os fiz conhecer o teu nome e continuarei a fazê-lo, a fim de que o amor que tens por mim esteja neles, e eu neles esteja".

O texto que lemos é a oração de Jesus em seus momentos finais. Dentro de algumas horas ele iria passar pela agonia do seu sacrifício expiatório. Na cruz ele toma para si as nossas culpas e prova do amargo cálice da Ira Divina. Só que antes disso ele ora. Jesus sempre estava orando e deixando essa prática (que negligenciamos frequentemente) como um exemplo para que assim também fizéssemos. A singularidade dessa prece do Filho Unigênito ao seu Pai é o registro de que ele orou por todos os crentes que seriam enxertados na Igreja por meio do ministério dos seus apóstolos. Não é preciso muito esforço para entender que a oração de Cristo foi por mim e por você. Isso não é maravilhoso?

De fato, saber que Jesus rogou por nós naquele momento de aflição é algo arrebatador. Mas não podemos perder de vista o motivo de sua oração por nós. O Senhor pediu ao Pai que nós fôssemos um. Unidade é o tema central de seu pedido. Mas porque devemos, como Igreja, manter a unidade? Pode parecer uma pergunta boba, pois, redunda em obviedade. No entanto, com um elevado número de dissenções que vemos por aí, acho que respondê-la não seria de todo o mal.

Primeiro ponto: Temos que ser um apenas pelo fato de Cristo ter orado por isso. Diante de tantos assuntos, tantas coisas para pedir, unidade foi o escolhido pelo nosso Salvador. Se fosse algo desimportante ele não teria feito disso o tema central de sua prece em relação a nós. Por isso, sempre que alguém promove picuinhas, partidarismo e sectarismo na congregação, esta pessoa não está alinhada com a vontade do nosso Senhor. É até irônico ver muitos de nós se perguntando como cumprir a vontade de Deus para nossas vidas. A resposta é muito simples: Obedeça aquilo que está revelado na Escritura e procure viver em plena comunhão no Corpo de Cristo. Ao invés de tentarmos adivinhar o futuro, vivamos por fé, tendo uma só mente e um só propósito como Igreja do SENHOR.

Segundo ponto: Temos que ser um porque Cristo nos outorgou o direito de participar da união que Ele tem com o Pai desde a eternidade. Pai e Filho (juntos com o Santo Espírito omitido aqui nesse texto) são desde sempre e possuem a mesma substancia. Um sem o outro não é possível. Deus só é Deus existindo em comunidade. A divindade também é uma família e se relaciona como tal. A tradição nos legou o termo Trindade para nomear essa unidade que é diversificada, porém indivisível. Cristo nos revela que da mesma forma que ele e o Pai formam uma unidade, nós como Igreja também formamos e estamos inseridos nesse vínculo de amor eterno. Leia atentamente o versículo 22: Dei-lhes a glória que me deste, para que eles sejam um, assim como nós somos um”. Aqui temos base para dizer que a união da Trindade não está sendo usada como um comparativo pra falar acerca da unidade dos crentes. Pensar assim é um erro. Nessa fala de Cristo, ele nos diz que a sua união eterna é o fundamento da nossa. Só podemos viver em comunhão, amando uns aos outros, se estivermos unidos com o Deus Pai, Filho e Espírito Santo. Só dessa maneira somos levados, isto é, aperfeiçoados até atingirmos à plena união (v. 23). Por isso, ser um crente ranheto e causador de discórdias diz muito mais a seu respeito do que se possa imaginar. As implicações da nossa conduta remetem aquilo que somos no plano espiritual. A glória a que Cristo se refere é a sua habitação em nós. Da forma como o Pai se manifestou nele, ele também se manifesta em e através de nós. Somos sua morada. Portanto, amemos os componentes da Igreja e tenhamos uma só fé. Isso é bem mais do que um princípio ético. É vital.

Terceiro Ponto: Temos que ser um para que o mundo reconheça o poder de Cristo. Se andarmos em unidade, não iremos ganhar os louros. O mundo irá creditar a nossa união, o nosso relacionamento pautado pelo amor, à pessoa de Jesus. Ele é a fonte de toda boa dádiva. Quando a Igreja está unida num só propósito, o impacto que ela causa no mundo é gritante. Cristo orou pela nossa unidade por saber que ela redundaria em glória para si mesmo. Este é o nosso objetivo de vida: fazer tudo para glória de Deus (1 Co 10.31)! Essa ênfase é notória na forma como Jesus ora. Nos versículos 21 e 23 o Redentor fala que a nossa união é “para que o mundo creia/saiba que tu me enviaste”. Sendo assim, é fácil concluirmos que a unidade da Igreja é a melhor ferramenta evangelística que possuímos. Se ela for evidente, pessoas serão atraídas para o convívio dos santos. Assim acontecia com a congregação de Jerusalém nos seus primeiros anos de existência (Leia At 2. 42-47). O contrário também é verdadeiro: Uma Igreja facciosa desperta a antipatia do mundo. Este não compreende o abismo entre ortodoxia e ortopraxia, isto é, ensino correto e prática correta. Logo, sejamos coerentes e vivamos em união para que esta seja a grande evidência do poder transformador de Cristo Jesus sobre nós. Isso faz com que os integrantes do mundo anelem pelo nosso SENHOR: “para que todos sejam um, Pai, como tu estás em mim e eu em ti. Que eles também estejam em nós, para que o mundo creia que tu me enviaste”.

A forma como Jesus termina a sua oração (versículos 25 e 26) relaciona a unidade com a revelação. Ou de outro modo: O amor tem a ver com o conhecimento sobre Deus. Ora, não é isso que o apóstolo João nos diz em sua primeira carta? Claro que é: “Quem não ama não conhece a Deus, porque Deus é amor (1 Jo 4.8)”. Antes que existisse mundo, e tudo o que nele habite (e isso nos inclui), Deus já amava. Ele passou a ser nosso Criador e Regente quando criou todas as coisas, conforme lemos no primeiro capítulo de Gênesis. No entanto, bem antes disso, ele já era amor. Para ser mais correto: Ele é, sempre foi e sempre será amor. Aqui encerro a resposta a minha pergunta boba. Ainda nos resta dúvida sobre o porquê de sermos um? Então, mãos a obra!

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