1509725595914942
Mostrando postagens com marcador Presciência. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Presciência. Mostrar todas as postagens

23 de set. de 2014

Interpretando 1 Pedro 1.1-2

Por Sam Storms
1 Pedro 1.1-2

Pedro, apóstolo de Jesus Cristo,

Aos eleitos de Deus, peregrinos dispersos no Ponto, na Galácia, na Capadócia, na província da Ásia e na Bitínia, escolhidos de acordo com a pré-conhecimento de Deus Pai, pela obra santificadora do Espírito, para a obediência a Jesus Cristo e a aspersão do seu sangue:

Graça e paz lhes sejam multiplicadas.

A passagem de 1 Pedro 1. 1-2 afirma que somos eleitos “de acordo com a pré-conhecimento de Deus Pai”. Como já vimos, a presciência de Deus é o deleite especial ou a afeição graciosa com a qual Ele nos vê. Mais uma vez, um bom sinônimo é “amar primeiro”. Precisamos também interpretar a força da proposição traduzida por “de acordo com” (kata).

A maioria concorda que a palavra kata nessa passagem tem o sentido de “em conformidade com”. Em outras palavras, a presciência de Deus ou seu amor eterno por nós era o padrão ou norma à luz da qual seu ato eletivo foi realizado. Contudo, como sugerido por M.J. Harris, é quase como se a noção de conformidade fosse “totalmente deslocada, passando kata adenotar ‘fundamento’. Assim, a eleição é fundamentada na (kata) presciência de Deus Pai, realizada pela (en) obra santificadora do Espírito, tendo como objetivo ou conquista (eis) a obediência e a aspersão constante do sangue de Cristo”.

Precisamos ser cautelosos para não fundamentar uma grande parte da nossa teologia nas nuances das preposições gregas. Entretanto, não podemos nos dar ao luxo de ignorar as preposições como se elas não tivessem qualquer importância. Um exemplo relacionado a ignorar as preposições é a tentativa de Norman L. Geisler de contornar a doutrina da eleição incondicional. Geisler insiste em que, segundo 1 Pedro 1. 1-2, a eleição e a presciência são atos simultâneos, que nenhum se baseia no outro, seja cronológica ou logicamente. Mas dizer que a eleição é “de acordo com” a presciência (que é a interpretação de Geisler) não é a mesma coisa que dizer que a eleição é “concomitante” ou “simultânea” à presciência. A exegese de Geisler tem duas falhas graves. Primeira: ele pensa erroneamente que a presciência se refere a não mais do que a onisciência divina, o atributo em virtude do qual Deus conhece todas as coisas. E a segunda: ele lê na preposição kata um significado estranho ao Novo Testamento.

Em suma, o argumento de Pedro é o mesmo que o de Paulo. Em conformidade com o amor, ou talvez com base nele e na afeição graciosa pré-temporais de Deus pelos pecadores, Ele nos predestinou à fé e à vida.
____________
Extraído do livro Escolhidos: Uma Exposição da Doutrina da Eleição.
Compre aqui o seu, recomendamos. 

18 de set. de 2014

Eleitos segundo a Presciência


Por Joel Beeke

Os eleitos são escolhidos “segundo a presciência de Deus Pai”, disse Pedro. Ao usar o termo “presciência”, ele não estava se referindo somente ao intelecto e à onisciência de Deus ou ao seu conhecimento de eventos futuros, incluído seu conhecimento de que certas pessoas creriam. William Perkins escreveu: “Não somos eleitos… quer por nossa fé, quer de acordo com nossa fé, mas para a nossa fé; ou seja, eleitos para que creiamos”.¹ Pedro estava se referindo à presciência referente ao decreto, à determinação de Deus quanto àqueles que ele salvaria graciosamente da condenação justa. A presciência de Deus é inseparável de seu plano e propósitos soberanos (At 2:23), incluindo sua predestinação de pecadores para serem conformados a Cristo. Como diz Romanos 8:29:

“Aos que de antemão conheceu, também os predestinou para serem conformes à imagem de seu Filho”.

A eleição de Deus não é impessoal, nem caprichosa. Sabemos que isso é verdade porque, nas Escrituras, a ideia de conhecimento é mais afetiva do que intelectual; e isso é particularmente verdadeiro no conhecimento de Deus. Para Deus, conhecer verdadeiramente é amar verdadeiramente.  Em Amós 3:2, Deus declarou Israel: “De todas as famílias da terra, somente a vós outros vos escolhi”. Isso não significa que Deus ignorava tudo que estava acontecendo na Babilônia ou no Egito. Deus sabe tudo que se passa no mundo, incluindo a queda de cada pardal. Mas o conhecimento de Deus é inseparável de seu amor paternal e especial para com seu povo eleito. Esse amor, por sua vez, é inseparável da seleção e aprovação de Deus. Essa é a razão por que Cristo, embora onisciente, poderá dizer aos impenitentes no Dia do Juízo: “Nunca vos conheci. Apartai-vos de mim, os que praticais a iniquidade” (Mt 7:23). É claro que eles sabe tudo a respeito dos incrédulos impenitentes; ele os conhece por completo, mas não os conhece afetivamente.

A eleição de Deus quanto a seu povo é o seu selo de que os ama. Visto que Deus os elegeu, ele os amará em Cristo, seu Salvador, o qual os ama de tal modo que os chama de sua noiva. Além disso, havendo Jesus ido à cruz, para morrer por sua noiva, tomou sobre si mesmo todos os débitos dela. A presciência de Deus quanto a seu povo é como o amor de um homem por sua esposa. A presciência de Deus significa que ele ama tão apaixonada e intimamente seu povo, que ofereceu seu próprio Filho para ir ao Calvário por eles.

Assim, Deus, o Pai, elege seu povo com base em seu amor eterno, constrangedor e soberano por eles. Por que ele os ama? Porque escolheu fazer isso. Amor soberano e imutável é a alegria e a realidade crucial do universo. É o alicerça da graça redentora de Deus. Não podemos ir além desse amor soberano, para chegarmos a qualquer outra coisa. O amor é a realidade essencial em Deus mesmo. Deus é amor.

A presciência de Deus significa que ele tem sempre amado o seu povo. Ele os ama desde a eternidade. Assim como um cristão que crê na Bíblia não pode imaginar que Deus não existe, não é eterno, não é trino, assim também ele não pode pensar que Deus não ama o seu povo e não exerce esse amor por meio de seu gracioso plano de salvação. Henry Law disse:

“O amor eterno elaborou o plano; a sabedoria eterna traçou o modelo; a graça eterna veio ao mundo para realizá-lo”.²

O amor de Deus é espontâneo, seletivo e gracioso. Oh! Que glória é compreendemos que Deus é sempre assim! Ele sempre amou sua noiva, a igreja, e sempre foi intensamente apaixonado por sua salvação. Querido crente, permita que esta verdade admirável aprofunde-se em sua alma: Deus escolheu-nos porque ele sempre nos conheceu de antemão, significando que sempre nos amou.

Divulgação: Canal Sal e Luz
________________
¹ Citado em John Blanchard, The Complete Gatherded Gold, p. 163.
² Henry Law, Christ is All: The Gospel in the Pentateuch (Stroke-on-Trent, U.K.: Tentmaker Publications, 2005), p.253.
Texto retirado do Livro Vivendo para a Glória de Deus: Uma Introdução a Fé Reformada, de Joel R. Beeke. Editora Fiel.
- See more at: http://canalsaleluz.com.br/eleitos-segundo-a-presciencia-joel-beeke/#sthash.KXju0nnz.dpuf