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4 de nov. de 2014

Cosmovisão Reformada na Família

Por Cláudio Marra
Texto Básico: Dt 6.1-25
 Introdução
A palavra “cosmovisão” refere-se a um conceito antigo, mas seu uso em nosso meio é recente. Quem leu Calvinismo, de Kuyper, publicado por esta editora, lembra-se da abordagem dessa questão pelo autor logo no começo do livro. E olhe que as Palestras Stone, origem do texto do livro – foram proferidas no início do século 20. Mas eu cresci na Igreja Presbiteriana, nunca ouvi a expressão e tampouco fui exposto ao conceito. Afinal, do que se trata? Cosmovisão tem a ver com concepção de vida ou perspectiva da realidade. É “a resposta de uma pessoa às principais questões da vida”.1 Por exemplo:
  • Existe Deus? Quem ou o que ele é?
  • Qual é a realidade última?
  • É possível conhecer o mundo?
  • Existe certo e errado? Como saber?
  • O que é o ser humano? Do que ele se compõe? Ele é essencialmente bom? Ele é livre?
Diferentes cosmovisões
Protágoras de Abdera (Abdera, 480 a.C.–Sicília, 410 a.C.) foi quem cunhou a frase “o homem é a medida de todas as coisas”. Se o homem é a medida de todas as coisas, então coisa alguma pode ser medida para os homens, ou seja, as leis, as regras, a cultura, tudo deve ser definido pelo conjunto de pessoas, e aquilo que vale em determinado lugar não deve valer, necessariamente, em outro. O ser humano é a medida da realidade. O resultado dessa posição foi o relativismo.
Séculos depois de Protágoras, e num momento histórico em que o Cristianismo oficial já estava bastante descaracterizado, a proposta do Catolicismo foi que a Igreja determinaria o que era verdade, ela seria a medida de todas as coisas. Mas, apesar da linguagem religiosa e de se bradar Deus o quer, essa foi, no fim das contas, uma proposta humanista, porque quem afinal decidia era o Papa ou eram os Concílios, muitas vezes a partir de pressões militares, políticas ou populares.
A Renascença (séculos 16 e 17) foi a volta ao Humanismo secularista (o homem volta a ser a medida de todas as coisas), mas a Reforma (século 16) promoveu o retorno às Escrituras e o reconhecimento da Soberania de Deus. Sola Scriptura, bradaram os reformadores, contra o humanismo renascentista e contra a pretensa autoridade de papas e concílios. Mas os tempos haveriam de se tornar ainda mais difíceis. A radicalização do humanismo desembocou no Racionalismo, para o qual a Razão humana determina o que é verdade: é o homem sentado no topo da torre de Babel. Resultaram daí o Modernismo e no Comunismo.
Para Kuyper (em pronunciamento do início do século 20, como anotamos), “O Modernismo está comprometido em construir um mundo próprio a partir de elementos do homem natural, e a construir o próprio homem a partir de elementos da natureza” (Calvinismo:19). Imaginou-se, primeiro, um deus fora do universo, incapaz de interferir aqui, mas depois chegou-se à idéia de que não precisamos de Deus de modo algum. Com a Teoria da Evolução, nem um Criador distante é mais necessário. Foi decretada a morte de Deus.
Filho do Racionalismo, o Comunismo ateu propunha que a matéria é “Deus” e a origem de todas as coisas. Para o Comunismo, Pecado é a propriedade privada e Redenção é a Revolução do proletariado, retomando o poder para as massas. No Comunismo, o Estado é a medida de todas as coisas. Mas os dirigentes substituíram os proprietários na dominação violenta. O Comunismo era mesmo utopia e sua derrocada marcou o fim do Racionalismo arrogante. O Modernismo saiu de moda. Esta é a era do Pós-modernismo.
Para o Pós-modernismo não há uma verdade absoluta e cada pessoa constrói sua própria realidade a partir de suas experiências e interpretações. Por isso, o Pós-modernismo rejeita o Racionalismo (que afirmava poder-se chegar à verdade pela Razão) e rejeita o Cristianismo (que reconhece Cristo como a verdade).
O Pós-modernismo é representado pelo Existencialismo, mas aí as definições não procedem de um conjunto de pessoas, como entendia Protágoras. No Existencialismo elas procedem de cada indivíduo:
  • O aborto é certo se a mãe achar que é certo.
  • Relações sexuais antes do casamento serão certas se o casal entender assim.
  • Homossexualidade será certa se a pessoa assim achar (ainda que nossa cultura diga que isso não é questão de escolha pessoal).
  • Eutanásia será certa se a pessoa o desejar.
  • Qualquer religião será certa para quem assim pensar.
A proposta do Cristianismo tal como resgatada pela Reforma a partir da Escritura
Aprendemos da Escritura que Deus é espírito, criou todas as coisas, mas existe além da sua criação. Porém, mesmo assim ele pode ser conhecido porque sustenta a sua criação, se autorevela e comunica ao homem a sua vontade quanto ao que o homem deve crer e fazer. Aprendemos que pecado é qualquer falta de conformidade com a vontade revelada de Deus, que resulta em separação de Deus, condenação, mas que, para salvar o seu povo, o Senhor providenciou a Redenção por meio da morte substitutiva de seu Filho.
Então, ao contrário do que afirma o Pós-modernismo, existe a verdade absoluta e ela independe do ser humano, mas pode ser conhecida por ele com a revelação e iluminação divinas. A verdade abrange todas as áreas da vida porque procede de Deus, que é Soberano sobre todas as coisas. O Cristianismo reconhece que Deus é a origem e o sentido de toda a realidade, a medida de todas as coisas. Ele é a realidade última.
Mas, como Deus se vê e como vê ele a realidade? Aprendemos na Escritura que:
  • Deus é único e Salvador (Is 45.22).
  • Deus é criador, sustentador e incompreensível (Is 40.28).
  • Deus se revela (Sl 19.7).
  • Deus é misericordioso (Mq 7.20).
Mas a misericórdia de Deus é exercida principalmente no contexto da Aliança (Êx 2.24). O SENHOR é o Deus da Aliança. E isso nos traz para o âmbito da família, porque Deus criou a família, que deveria cumprir os mandatos da Criação. Não há, pois, melhor (nem anterior) lugar onde esses conceitos devam ser aprendidos.
 O ensino na família dos mandatos ou relacionamentos da criação
A família é a agência designada por Deus como ponto de partida e base para a educação (Dt 6). Na família cada pessoa precisa começar a aprender sobre a cosmovisão bíblica, isto é, na família cada pessoa precisa adquirir primeiro uma perspectiva da realidade tal como Deus a vê. Os pais farão isso ensinando aos filhos os mandatos da criação, antes de qualquer discurso ou sermão, servindo eles mesmos de modelo para os seus filhos.
A. O mandato espiritual – Refere-se ao andar com Deus de nossos primeiros pais (e agora o nosso), tal como Deus andava com eles (Gn 17.1). Fala de um relacionamento de temor e obediência e isso se aprende em casa:
1. Os pais serão modelo de relacionamento com Deus e assim ensinarão que Deus existe. Deus é soberano; Deus deseja andar conosco e nos procura. Nós desejamos andar com ele e o buscamos, o louvamos e adoramos. Nós obedecemos à sua vontade, que encontramos em sua Palavra, estudada e refletida no lar.
2. Os pais serão modelo de restauração após a queda. A desobediência separa, afasta, rompe o relacionamento. Na Queda, Adão e Eva se esconderam de Deus. O Senhor os procurou, anunciou a execução da punição prometida, mas anunciou também o caminho da redenção. As vestimentas providenciadas por Deus para o casal e a anunciada semente da mulher previam a restauração. Os filhos verão tudo isso em seus pais.
Os pais serão modelo para seus filhos deixando-os ver quando buscam o Senhor após pecar, confessando seu pecado e confiando na redenção por meio de Cristo. Pais “perfeitos” não podem ensinar arrependimento a seus filhos. Os pais serão modelo para seus filhos pedindo-lhes perdão quando pecam contra eles.
Os pais conduzirão os seus filhos ensinando-os a confessar eles mesmos os seus pecados, aos pais e irmãos, e a Deus, confiando no sacrifício de Cristo para terem os seus pecados perdoados.
3. Os pais serão modelo de retorno à Aliança. O Deus da Aliança retoma o relacionamento com os rebeldes arrependidos e contritos (Mq 7.19). Pais que retomam o louvor, a adoração, a oração, o estudo da Palavra e a obediência, dão para os seus filhos testemunho do perdão, da misericórdia e da fidelidade de Deus à Aliança. Ensinam que o relacionamento espiritual foi restabelecido.
4. Os pais respeitam o desenvolvimento dos filhos. Tudo isso leva tempo e exige dedicação, sensibilidade e paciência. “Leite vos dei a beber, não vos dei alimento sólido; porque ainda não podíeis suportá-lo. Nem ainda agora podeis, porque ainda sois carnais” 1Co 3.2), foi a reação de Paulo em relação aos crentes fracos de Corinto. Eles já deviam ter amadurecido, mas o apóstolo respeitou a limitação deles. Com essa preocupação, decidiremos o quê, quando e como ensinar. Os pais não haverão de desistir jamais, porque Deus não desiste (Fp 1.6).
B. O mandato social  Refere-se à vida em família, ao deixar o homem pai e mãe e unir-se à sua mulher, para serem os dois uma só carne e se multiplicarem.
A família foi designada por Deus como base na Criação, base para toda a sociedade (Gn 1.27; 5.1-3). Para cumprir o propósito divino, Adão precisava de ajuda. Para vivermos como Deus quer e para exercer o nosso papel na criação de Deus precisamos de nossas famílias. Na família temos:
> O pai, modelo de autoridade, mas também de sujeição e de entrega (Ef 5.22-29). O pai é a cabeça da casa, como Cristo é a cabeça da Igreja, seu Corpo. Mas Cristo deu a sua vida pela Igreja. O mesmo ato deve fazer o marido e pai. Seu amor deve ser declarado, mas principalmente praticado, para ser visto pelos filhos.
> A mãe, modelo de sujeição (a Igreja a Cristo, Ef 5.22-24), mas também de cuidado e proteção. Os filhos aprenderão que a Igreja deve sujeitar-se a Cristo, mas também aprenderão com ela que Deus cuida de nós e nos consola (Mt 23.37; Is 66.13).
>O casal, modelo de união – Os dois serão uma só carne (Gn 2.24). Formarão um laço ou vínculo (Ez 20.37, trad. brasileira). Isso apontará, na Deidade, para a união da Trindade. E na humanidade, e primeiro no lar, ensinará respeito (reconhecer o outro) e cortesia (fazer concessões ao outro).
> O casal, modelo de distinção e complementaridade. “Criou Deus … homem e mulher” (macho e fêmea, Corrigida) (Gn 1.27). O próprio casal deixará bem clara a idéia de macho e fêmea, oposta à androginia da moda. O papai é o macho e a mamãe é a fêmea. A educação sexual (anatomia, funcionamento, relacionamento – verdade e dignidade) começarão em casa, e não nas pagãs aulas de (des)educação sexual nas escolas.
> O casal, modelo de fidelidade à Aliança que simboliza a Aliança. “… o SENHOR foi testemunha da aliança entre ti e a mulher da tua mocidade … o SENHOR, Deus de Israel, diz que odeia o repúdio…” (Ml 2.14-16). Os pais levarão a sério a sua aliança, para ensinar os filhos a honrar a aliança de Deus. Divórcio nem passa pela cabeça de um casal crente.
C. O mandato cultural – O Senhor determinou que o ser humano deveria, sob Deus, dominar a terra e desenvolver o seu potencial (Gn 1.26). Assim como o Senhor dominava o universo, o homem refletiria esse senhorio do Criador exercendo domínio sobre todas as criaturas da terra. Como um tipo de mediador entre o Criador e o cosmos, o homem estava entre o mundo animal e o mundo espiritual; entre o pó da terra e o fôlego de vida, com o propósito exclusivo de glorificar de modo inteligente o Senhor Deus.
Outro aspecto desse domínio, base do mandato cultural, é que era um domínio responsável. O homem havia de trabalhar no jardim (Gn 2.15). Aqui o homem reflete a providência de Deus. Cuidando e preservando as plantas que foram criadas por Deus, o homem responde como administrador, um vice-gerente do jardim de Deus.
O mandato cultural nunca foi cancelado. O descrente o ignora quando se põe como senhor da criação. O crente o ignora quando espiritualiza suas responsabilidades. E a família é o primeiro lugar para o desenvolvimento dos aspectos culturais, nas áreas da Política, trabalho, negócios, dinheiro, administração, entretenimento e educação. Tudo isso será trabalhado e desenvolvido pela igreja e pela escola, mas a base deve ser lançada no lar, sob o senhorio e soberania de Deus. Alguns cuidados serão necessários:
1. Enfatizar apropriada e coerentemente o senhorio de Deus;
2. Não isolar os filhos da cultura, mas ensiná-los a desenvolver senso crítico. A doutrina da Depravação Total nos ensina que todas as áreas da vida humana foram afetadas pela Queda. Mas a doutrina da Graça Comum nos garante que o mundo não é tão mal quanto poderia, e manifestações da Graça podem ser encontradas à nossa volta, ainda que em um meio não regenerado. Por isso, vamos, estimular nossos filhos à participação em atividades culturais variadas, evitando o desequilíbrio (concentração exagerada ou exclusiva em esportes, ou artes, ou estudos, ou relacionamentos, ou trabalho).
Conclusão
Tudo começou com a família. A Aliança começou e continuou na família. Cada família deve espelhar o relacionamento entre Jesus e a Igreja, portanto, a Nova Aliança. Precisamos verificar que estamos ali vivendo e ensinando os mandatos da criação, os relacionamentos da Aliança. Isso integrará a vida toda sob Deus, numa perspectiva da realidade que o Senhor mesmo nos ensina em sua Palavra. Isso é uma cosmovisão bíblica ou, como dizemos, reformada.
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Autor da Lição: Cláudio Marra
Estudo publicado originalmente pela Editora Cultura Cristã, na revista Servos Ordenados, n. 9.

Fonte: Ultimato

Os Problemas do Pensamento Liberal



Jesus salva; fé, não

Por Scott Swain

Jesus é o “agente” da salvação. Fé é o “instrumento” da salvação. Nós não devemos confundir os dois.

Jesus é o agente que alcanças todas as graças salvíficas por nós e em nós.  Jesus “salva”, “justifica”, “santifica” e “glorifica” seu povo em cumprimento do soberano propósito do seu Pai e por meio do poder do Espírito. Seu nome é “Jesus” porque ele salva seu povo dos seus pecados (Mt 1.21).

Fé é o instrumento que recebe Jesus o salvador (Jo 1.12). Fé é o meio fraco e indefeso pelo qual Jesus concede suas bênçãos salvadoras para pobres e miseráveis pecadores como eu e você (Rm 4.16-21). Fé não é a obediência que Jesus exige quando nós ficamos aquém de suas exigências mais difíceis. Fé é uma alternativa para as exigências de Jesus (Rm 4.4-5). De fato, fé é a raiz da qual toda obediência grata a Jesus nasce (Gl 5.6). Mas Jesus é o solo que nutre essa raiz e a água vivificante que a leva a dar fruto (Ef 3.17).

Quando a fé se tornar o agente da salvação, nos depararemos com vários problemas. Nós começaremos a imaginar se e quando realmente cremos, e se estamos crendo com sinceridade suficiente, força suficiente e consistência suficiente.

Quando Jesus torna-se o instrumento da salvação, também nos deparamos com sérios problemas. Em vez de confiar nele para completar a boa obra que ele iniciou em nós (Fp 1.6) e guardar sua Palavra para cumpri-la (Jr 1.12), nós começamos a pensar nele como um espectador passivo da nossa salvação, alguém que precisamos manipular por meio de atividades religiosas para que ele desperte e nos dê o que precisamos ou o que achamos que precisamos.

Jesus e fé andam lado a lado. Mas eles o fazem em ordem e relacionamento definidos. Confunda essa ordem e relacionamento e você – assim como aqueles que escutam sua confusão – terão sérios problemas espirituais. Entenda corretamente e você começará a pensar e falar muito mais sobre Jesus e seus atos salvíficos e muito menos sobre fé. E isso é algo bom: porque Jesus é um salvador espetacular e somente ele – não sua fé – é digno de sua confiança.
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Fonte: Reforma 21

3 de nov. de 2014

Cante a Palavra e somente a Palavra


Por Luciana Barbosa

“Mas Deus escolheu as coisas loucas do mundo para envergonhar os sábios, e escolheu as coisas fracas do mundo para envergonhar as fortes. Ele escolheu as coisas insignificantes do mundo, as desprezadas e as que nada são, para reduzir a nada as que são, para que ninguém se vanglorie diante dele. É, porém, por iniciativa dele que vocês estão em Cristo Jesus, o qual se tornou sabedoria de Deus para nós, isto é, justiça, santidade e redenção, para que, como está escrito: "Quem se gloriar, glorie-se no Senhor".

1Co1:27-31

Quando refletimos sobre este tema, percebemos que os louvores ou as músicas cantadas hoje nas igrejas evangélicas em sua maioria estão bem distantes do tema proposto acima. Os louvores de antigamente eram a Bíblia cantada. Passagens inteiras eram citadas nos louvores de grupos como: Vencedores por Cristo, grupo Logos, Leni Silva, onde o foco, o centro era Cristo, a glória, a exaltação, a honra, o poder, tudo girava em torno Dele. Hoje os louvores são antropocêntricos, onde o homem faz e acontece, e tudo é para o homem. Nos livre Senhor dos valores invertidos! Com base nessa temática vamos tentar entender em três tópicos o que significa a centralidade da cruz nos louvores.

A centralidade de Cristo nas músicas – e aqui está a maior dificuldade que encontramos nos louvores cantados nas igrejas, pois, o genuíno louvor é aquele que glorifica a Cristo por meio da Palavra. Esse é o grande problema, pois, hoje canta-se de tudo menos a Palavra; os louvores tem que ter base bíblica, isto é, texto. Desafio você a encaixar essas músicas em algum texto bíblico: “diante de ti da vontade de pular, dançar, gritar” (Is.6:5); “eu escolho Deus” (Jo.15:16); “bater a porta na cara de Deus”; “Jesus crucificado e o inferno em festa se alegrou” (Mt.4); “ restitui EU QUERO DE VOLTA O QUE É MEU”; “vem assim como estás para adorar”; “ sabor de mel”. Essas são apenas algumas das milhares de músicas que o centro é o homem, tudo é para o homem, e Cristo é o servo do homem.  Deus não recebe esses louvores, pois, não há Sua Palavra neles. NÃO HÁ VERDADEIRO CULTO SE CRISTO NÃO FOR O CENTRO.

Existem várias canções que exaltam a pessoa de Cristo e, muitas delas são textos extraídos. Vejamos alguns exemplos:

“Porque Dele ,Por Ele”

Ó profundidade da riqueza, tanto da sabedoria como do conhecimento de Deus! Quão insondáveis são os seus juízos, e quão inescrutáveis, os seus caminhos! Quem, pois, conheceu a mente do Senhor? Ou quem foi o seu conselheiro? Ou quem primeiro deu a ele para que lhe venha a ser restituído? Porque dele, e por meio dele, e para ele são todas as coisas. A ele, pois, a glória eternamente. Amém! Rm11:33-36

“Quem nos separará”

Quem nos separará do amor de Cristo? Será tribulação, ou angústia, ou perseguição, ou fome, ou nudez, ou perigo, ou espada? Como está escrito: Por amor de ti, somos entregues à morte o dia todo, fomos considerados como ovelhas para o matadouro. Em todas estas coisas, porém, somos mais que vencedores, por meio daquele que nos amou. Porque eu estou bem certo de que nem a morte, nem a vida, nem os anjos, nem os principados, nem as coisas do presente, nem do porvir, nem os poderes, nem a altura, nem a profundidade, nem qualquer outra criatura poderá separar-nos do amor de Deus, que está em Cristo Jesus, nosso Senhor. Rm.8:36-39

“Celebrai com júbilo ao Senhor”

Celebrai com júbilo ao SENHOR, todas as terras. Servi ao Senhor com alegria; e entrai diante dele com canto. Sabei que o Senhor é Deus; foi ele que nos fez, e não nós a nós mesmos; somos povo seu e ovelhas do seu pasto. Entrai pelas portas dele com gratidão, e em seus átrios com louvor; louvai-o, e bendizei o seu nome. Porque o Senhor é bom, e eterna a sua misericórdia; e a sua verdade dura de geração em geração. Sl.100

A centralidade de Cristo em nossa adoraçãoadorar é reconhecer o que o Senhor é: Senhor, salvador, eterno, bondoso, poderoso, justo, fiel e adorar a Sua obra,ou seja, tudo o que Ele fez e faz por nós. Essa música de Leni Silva faz um belo relato que antecede a crucificação de Cristo, a maior obra que Ele nos concedeu que foi a salvação; e o melhor é que essa canção é a narração de Lucas 22:39- 23.

Silêncio fazia lá no Jardim,
Quando Jesus orou assim,
Oh meu Pai, oh meu Pai,
Passa esse cálice de mim se possível for,
Faça-se a tua vontade.
Dali Jesus foi conduzido a presença de Pilatos
E a turba gritava crucificai-o
Como um cordeiro não se queixou,
A crueldade Ele aceitou
Sofrendo por mim com grande amor.
A TERRA TREMEU, O SOL ESCURECEU, NÃO PODE CONTEMPLAR.
A terra estremeceu o sol não deu, o sol não deu,
O sol não deu o seu calor,
O véu do templo se rasgou de alto a baixo protestou
Jesus deu o brado e expirou.
A TERRA TREMEU, O SOL ESCURECEU, NÃO PODE CONTEMPLAR.
Deus meu, Deus meu, Deus meu, Deus meu por que me desamparaste?
NEM MESMO DEUS DOS ALTOS CÉUS PODE CONTEMPLAR.
Elohim, Elohim, Elohim, Elohim, Lama sabactani,
NEM MESMO DEUS DOS ALTOS CÉUS PODE CONTEMPLAR.
Deus meu, Deus meu, Deus meu, Deus meu,
Lama sabactani
Por que me desamparaste? Por que me desamparaste?
Por que me desamparaste?
“As misericórdias do Senhor são a causa de não sermos consumidos, porque as suas misericórdias não têm fim; Novas são cada manhã; grande é a tua fidelidade.”

Lm 3:22,23

Você sabe o que significa misericórdia? Misericórdia é Deus não nos dá o que merecemos, ou seja, o inferno! Reflita nas canções que você canta, independente de ter um ritmo ou uma melodia gostosa de se ouvir; cante a Palavra e somente a Palavra.

Sou filho de Deus e irmão de Jesus, será que sou fraco?

Por Morgana Mendonça dos Santos

Quando estou dirigindo sempre me deparo com adesivos desse tipo estampados em carros. O engraçado é que a parte mais evidente - em letras maiúsculas - são essas: "SERÁ QUE SOU FRACO?" (exatamente assim). Não parece ser tão importante o fato de ser filho de Deus e irmão de Jesus. O que vemos nessa frase é mais uma vez a super valorização do homem acima de Deus e Sua obra.

Quando me refiro ao adesivo, crítico a forma como fica deturpado o ensino bíblico nesses movimentos "gospeis". A antropologia precisa ser analisada pelo crivo das Escrituras, e diante desse padrão nem todos são filhos de Deus e nem irmãos de Jesus, portanto o adesivo é de fato questionável. No entanto, meu objetivo está na ênfase dada ao que somos, quando somos filhos de Deus e irmãos de Jesus. A intenção do autor (desconhecido) nessa frase seria afirmar que somos "fortes", ou seja, se sou "isso" e "aquilo" sou o "cara". A ideia egocêntrica continua, por exemplo: "meu valor é outro", "meu nível é outro", "eu sou o bom".

Essa frase adesivada em vários carros, de cristãos e não cristãos, têm muito a dizer em relação ao que entendemos sobre o que somos antes e depois de Cristo. A doutrina da depravação total nos ensina e nos humilha perante o Criador, quando de fato conhecemos quem somos entendemos quem Deus é. Quando conhecemos quem somos compreendemos a obra de Cristo. Antes da regeneração somos conforme diz Romanos 3:

"como está escrito: Não há justo, nem sequer um. Não há quem entenda; não há quem busque a Deus. Todos se extraviaram; juntamente se fizeram inúteis. Não há quem faça o bem, não há nem um só." Romanos 3.10-12.

Como todos podem ser filhos de Deus e irmãos de Jesus? Está claro que não há ninguém que busque a Deus, ninguém que faça o bem, a situação é de extravio e inutilidade, não de filiação e irmandade. Sem a obra da regeneração somos como Paulo continua a dizer, pecadores e distantes completamente de Deus!

"Porque todos pecaram e destituídos estão da glória de Deus" Romanos 3.23.

Logo, nem todos são filhos de Deus e irmãos de Jesus, a razão é pelo fato de que isso não depende de nós, não é por obras e sim pela graça mediante a fé, que é dom de Deus. Paulo escrevendo para a igreja em Éfeso diz:

"Ele vos vivificou, estando vós mortos nos vossos delitos e pecados, nos quais outrora andastes, segundo o curso deste mundo, segundo o príncipe das potestades do ar, do espírito que agora opera nos filhos de desobediência, entre os quais todos nós também antes andávamos nos desejos da nossa carne, fazendo a vontade da carne e dos pensamentos; e éramos por natureza filhos da ira, como também os demais.Efésios 2.1-3. 

Aqui o sujeito que muda a situação de morte do homem é Deus (Ele). Nossa condição de morte impede qualquer atitude de ser alguma coisa sem que Cristo nos vivifique. Éramos por natureza filhos de Deus? Não! O texto diz: "filhos da ira". Aqui o texto diz que a nossa vida era "segundo o curso deste mundo", "segundo o príncipe das potestades do ar". Não segundo Deus, nem Cristo. Portanto, sem Cristo você e eu estamos mortos, sem vida, condenados a ira de Deus. (João 3.36) No entanto, pela graça de Deus mediante a fé, Deus nos vivifica, nos tornando membros de sua família.

"Assim, pois, não sois mais estrangeiros, nem forasteiros, antes sois concidadãos dos santos e membros da família de Deus". Efésios 2.19. 

Nos Evangelhos observamos um momento da vida de Cristo que Ele declara algo sobre ser membro da família de Deus. A questão é que somente a obra de Deus nos impeli a obediência da Sua palavra.

"Vieram, então, ter com ele sua mãe e seus irmãos, e não podiam aproximar-se dele por causa da multidão. Foi-lhe dito: Tua mãe e teus irmãos estão lá fora, e querem ver-te. Ele, porém, lhes respondeu: Minha mãe e meus irmãos são estes que ouvem a palavra de Deus e a observam." Lucas 8.19-21.

Deus nos reconcilia com Ele, em Cristo nossa situação não é mais a mesma, passamos da morte para a vida, fomos justificados por Cristo na Sua morte, selados por Ele e redimidos.

"A vós também, que outrora éreis estranhos, e inimigos no entendimento pelas vossas obras más, agora contudo vos reconciliou no corpo da sua carne, pela morte, a fim de perante ele vos apresentar santos, sem defeito e irrepreensíveis". Colossenses 1.21-22.

A grande questão desse adesivo é que se Deus nos escolheu para adoção, nos chamou como filhos amados, em obediência a palavra somos membros do seu corpo, sua família e seu povo, o que deveríamos declarar era: "Sou filho de Deus e irmão de Jesus, será que eu mereço?" Porque de fato, a questão não é "se sou fraco" no sentido "sou o cara", mas a verdadeira ênfase é no que Deus é e o que Ele faz.

Calvino, nas Institutas, no capítulo I.2 declara que o conhecimento de Deus nos conduz ao conhecimento de nós mesmo e vice-versa:

"Por outro lado, é notório que o homem jamais chega ao puro conhecimento de si mesmo até que haja antes contemplado a face de Deus, e da visão dele desça a examinar-se a si próprio. Ora, sendo-nos o orgulho a todos ingênito, sempre a nós mesmos nos parecemos justos, e íntegros, e sábios, e santos, a menos que, em virtude de provas evidentes, sejamos convencidos de nossa injustiça, indignidade, insipiência e depravação. Não somos, porém, assim convencidos, se atentamos apenas para nós mesmos e não também para o Senhor, que é o único parâmetro pelo qual se deve aferir este juízo. Pois, uma vez que somos todos por natureza propensos à hipocrisia, por isso qualquer vã aparência de justiça nos satisfaz amplamente em lugar da real justiça. E porque dentro de nós ou a nosso derredor nada se vê que não seja contaminado de crassa impureza, por todo tempo que confinamos nossa mente aos limites da depravação humana, aquilo que é um pouco menos torpe a nós nos sorri como coisa da mais refinada pureza. Exatamente como se dá com um olho diante do qual nada se põe de outras cores senão o preto: julga-se alvíssimo o que, entretanto, é de brancura um tanto esfumada, ou até mesmo tisnado de certa tonalidade fosca".

Em suma, devemos conhecer a Deus e seremos confrontados com quem realmente nós somos, agradecidos por não merecer tal filiação e menos ensoberbecidos de nos considerar acima Dele ou de alguém, não somos merecedores, no entanto Ele nos escolheu. Por isso, devemos ser santos e irrepreensíveis, pois, somos membros de Sua família!

A Deus toda glória, Rm 11.36.

Você pode ser um John Piper

Por Thiago Oliveira

Ei, psiu, você pode ser um John Piper! Você conhece o John Piper, não é? Bem, se você é cristão, no mínimo já ouviu falar sobre este pastor e escritor de vários livros aclamados, muitos deles, publicados em nosso idioma. Piper é pastor da Bethlehem Baptist Church, desde 1980 e também fundou o ministério Desiring God. Como pastor, ele é hoje, indiscutivelmente, um dos mais respeitados líderes cristãos dos Estados Unidos. Seus sermões e vídeos no You Tube recebem milhões e milhões de acessos, e ele tem o privilégio de ser lido e ouvido por um elevado número de cristãos espalhados ao redor do mundo.

Uau! Ouvido e lido no mundo inteiro? Sim. Não é incrível? Pois é isso... O John Piper é um líder que tem prestígio ministerial e influencia bastante gente. Recentemente, publicamos aqui no Electus uma lista de indicação com nomes de teólogos reformados. Um dos nossos articulistas, Fred Lins, que também é pastor na igreja que congrego, falou que ao ler um de seus livros (Supremacia de Deus na Pregação) ficou boquiaberto com o que havia ali descoberto e isto, de certa forma, moldou a sua maneira de pregar, edificando a si mesmo e aos demais membros de sua igreja.

Um outro amigo, desses que conheci através da grande rede de computadores, Pedro Pamplona, teve contato com os sermões de John Piper aos 16 anos e isso fez com que ele se tornasse um jovem cristão mais dedicado a Palavra, levando-o a estudar Teologia alguns anos depois. Hoje, ele e sua noiva (também impactada por Piper, onde o conheceu através do Facebook) mantém o blog Vida de Graça, e lá, ensinam o Evangelho no ciberespaço, edificando muita gente.  

Daí você reflete: Ok então, eu entendi que John Piper é “o cara”. Mas o que eu tenho a ver com isso? Eu não tenho suas habilidades, não sou portador de uma excelente oratória e não me dou bem quando tento falar em público. Piper e eu não temos nada a ver um com o outro.

Será mesmo? Lendo um livro intitulado “O Pastor como Mestre e o Mestre como Pastor”, onde Piper divide a autoria com seu amigo e respeitado teólogo D.A. Carson, deparei-me com as seguintes declarações autobiográficas:

“(...) logo soube que não seria um pregador, porque em minha pré-adolescência não conseguia falar diante de qualquer grupo. Eu ficava paralisado de ansiedade enquanto a isso, tremia tão intensamente e ficava tão completamente embaraçado, que era fisicamente impossível eu ler ou falar diante de um grupo de qualquer tamanho. Não imagine uma pessoa normal cheia de apreensão e nervosismo. Imagine impossibilidade física. Portanto, pregação e o pastorado foram totalmente excluídos de meus sonhos”[1]

“Até hoje, não posso ler mais rápido do que posso falar. Alguma coisa obstrui minha capacidade de perceber com exatidão o que está na página, quando tento ir mais rápido – talvez alguma forma de dislexia. Essas duas incapacidades – paralisia diante das pessoas e leitura terrivelmente lenta –, eu sabia, me deixariam fora de qualquer profissão que exigisse grande quantidade de leitura e qualquer fala pública”.[2]

Ora, ora. Quantos de nós não pensamos do mesmo jeito? Diante de algumas dificuldades, jogamos a toalha e pensamos: “tal serviço não dá para mim. Vou tentar algo mais simples”. Como um adolescente extremamente introvertido, John Piper nunca imaginaria que Deus o conduziria por um caminho inverso aos seus pensamentos. O jovem de leitura vagarosa, tornou-se erudito, com direito a doutorado na Alemanha e uma carreira de professor universitário (somente isso!). O rapazinho que tremia feito vara verde (nunca entendi bem este provérbio), tornou-se um dos pastores mais ouvidos de sua geração. Rompendo até as fronteiras do seu país. Agora me responda: Há algo impossível para Deus?

Vemos na Bíblia, homens que também pensavam assim. Moisés é um claro exemplo. Ele  não queria ser o interlocutor de Deus no Egito. Ele disse ao Senhor que por ter uma dificuldade na fala, não estaria apto para cumprir com o seu chamado. Eis a resposta de Deus para Moisés:

E disse-lhe o Senhor: Quem fez a boca do homem? ou quem fez o mudo, ou o surdo, ou o que vê, ou o cego? Não sou eu, o Senhor? Vai, pois, agora, e eu serei com a tua boca e te ensinarei o que hás de falar.” Êxodo 4:11-12.

Obviamente que eu não escrevi esse texto para que você, após a leitura, começasse a imitar o “jeitão Piper de ser”. Usei-o apenas como uma boa referência. Note que o título do texto traz um artigo indefinido. Você deve ser você, e não “o” John Piper. Pode até ser como “um”, no sentido de ser semelhante, mas sem se parecer com um clone. Ele, Paul Washer, Kevin DeYoung, Tim Keller e outros tantos são homens comuns, porém, usados por Deus apesar de suas limitações. Deus, ao chamar quem quer chamar, não o chama antes de viabilizar as ferramentas necessárias para capacitação daquele que será seu enviado. Você pode ser tímido, gago, dislexíco, ou o que quer que seja. Se o Senhor te chamar, Ele irá pôr as palavras na sua boca e te ensinará o que falar e como se portar. Deus, através do Santo Espírito que habita em nós, opera tanto o querer quanto o realizar (Fl 2.13).

Gostaria de encerrar esse pequeno texto com a seguinte oração:

Querido Deus, reconheço a minha incapacidade diante de uma série de fatores. Sei que sozinho não posso fazer nada bom. Quero ser um cooperador do teu Reino e servir ao Senhor com devoção e gratidão. Não quero fazer nada por vanglória; que eu diminua e Cristo cresça. Confio na tua providência e sei que o Espírito que está em mim é maior do que o que está no mundo. Em ti sou capaz de realizar a obra que o Senhor tem preparado para que eu realize. Confio plenamente em teus desígnios. Assim eu oro, em nome de Jesus. Amém.”

[1] Página 28.
[2] Página 32. 

2 de nov. de 2014

A Segurança Eterna da Salvação em Cristo

Por Thomas Magnum

"As minhas ovelhas ouvem a minha voz, e eu as conheço, e elas me seguem; eu lhes dou a vida eterna, e jamais perecerão; e ninguém as arrebatará da minha mão."
João 10.27,28

Uma grande verdade das Escrituras é a segurança eterna dos santos, nesse texto do evangelho de João, lemos essa maravilhosa promessa da parte do Senhor. Embora tal ponto seja controvertido para muitos arminianos, que afirmam que o calvinismo toma por base a lógica do seu sistema de pensamento e dogmatiza sua dedução com pressupostos infundados, esse argumento prova por si mesmo que não é isso que o calvinismo diz. Iremos nos ater nesse texto de João e em alguns outros da Escritura para mostrar que a perseverança dos santos é um ensino genuinamente bíblico e que o Senhor Jesus nos ensinou com tamanha clareza que é impossível contradizer isso.

Ao examinarmos outros textos do Novo Testamento notaremos que o ensino da perseverança dos santos é transmitido de forma abundante por Paulo como também pelos apóstolos. O arminianismo assegura que um crente pode perder sua salvação, seu livre arbítrio pode ser usado para a rejeição da fé. No entanto o pensamento calvinista nos mostra com maior substancialidade bíblica e teológica que a doutrina da segurança eterna é ensinada nas escrituras de forma clara e enfática.

E os que predestinou, a eles também chamou; e os que chamou, a eles também justificou; e os que justificou, a eles também glorificou. Romanos 8.30

Paulo nos diz aqui que o Deus que predestina, chama, e o que chama, justifica, o que justifica, glorifica. Note que o tempo verbal aqui demonstra um ato já realizado, Deus glorificou seus eleitos, essa passagem nos mostra que a segurança de nossa salvação não depende da força que seguramos a mão de Deus, mas em sua mão que nos sustenta. Paulo continua:

Portanto, que poderemos dizer diante dessas coisas? Se Deus é por nós, quem será contra nós? Aquele que não poupou nem o próprio Filho, mas, pelo contrário, o entregou por todos nós, como não nos dará também com ele todas as coisas? Quem trará alguma acusação contra os escolhidos de Deus? É Deus quem os justifica; quem os condenará? Cristo Jesus é quem morreu, ou, pelo contrário, quem ressuscitou dentre os mortos, o qual está à direita de Deus e também intercede por nós. Quem nos separará do amor de Cristo? Será tribulação, ou angústia, ou perseguição, ou fome, ou privação, ou perigo, ou espada? Como está escrito: Por amor de ti somos entregues à morte todos os dias; fomos considerados como ovelhas para o matadouro, Mas em todas essas coisas somos mais que vencedores, por meio daquele que nos amou. Pois tenho certeza de que nem morte, nem vida, nem anjos, nem autoridades celestiais, nem coisas do presente nem do futuro, nem poderes, nem altura, nem profundidade, nem qualquer outra criatura poderá nos separar do amor de Deus, que está em Cristo Jesus, nosso Senhor. Romanos 8.31-39

Aqui nós podemos tirar alguns pontos interessantes sobre nossa segurança em Cristo.

1. O Sacrifico de Cristo é suficiente para nos sustentar e santificar e glorificar, Ele nos dará todas as coisas.

2. Em Cristo temos a justificação dos nossos pecados. Ninguém condenará os eleitos, ninguém terá triunfo sobre nossa salvação, para nos tirar da presença de Deus.

3. E que nada nos separará do amor de Cristo, nenhuma circunstância ou adversidade.

4. Cristo nos torna mais que vencedores.

No Evangelho de João

Podemos constatar isso em outras passagens, vejamos:

Mas aquele que beber da água que eu lhe der nunca terá sede, porque a água que eu lhe der se fará nele uma fonte de água que salte para a vida eterna.
João 4.14

Na verdade, na verdade vos digo que quem ouve a minha palavra, e crê naquele que me enviou, tem a vida eterna, e não entrará em condenação, mas passou da morte para a vida. João 5.24

Todo o que o Pai me dá virá a mim; e o que vem a mim de maneira nenhuma o lançarei fora. Porque eu desci do céu, não para fazer a minha vontade, mas a vontade daquele que me enviou. João 6.37-38

Porquanto a vontade daquele que me enviou é esta: Que todo aquele que vê o Filho, e crê nele, tenha a vida eterna; e eu o ressuscitarei no último dia. João 6.40

Eu sou o pão vivo que desceu do céu; se alguém comer deste pão, viverá para sempre; e o pão que eu der é a minha carne, que eu darei pela vida do mundo. João 6.51

Eu sou o pão da vida. João 6.48

Podemos ver com esses textos que a vida eterna depende unicamente de Deus, não do homem, temos a expressa confirmação disso em João 1.13.

Os quais não nasceram do sangue, nem da vontade da carne, nem da vontade do homem, mas de Deus. João 1.13

Quem nos garante a vida eterna é o próprio Cristo, quanto aos afirmam que a salvação poderá ser perdida, estão invalidando as promessas e os decretos de Deus, Que mediante a fé estais guardados na virtude de Deus para a salvação, já prestes para se revelar no último tempo. 1 Pedro 1.5

Estou convencido de que aquele que começou boa obra em vocês vai completá-la até o dia de Cristo Jesus. [1] Nos diz ainda o profeta Jeremias:

E farei com eles uma aliança eterna de não me desviar de fazer-lhes o bem; e porei o meu temor nos seus corações, para que nunca se apartem de mim.
Jeremias 32.40

Voltemos agora para nosso texto base.

As minhas ovelhas ouvem a minha voz, e eu as conheço, e elas me seguem; eu lhes dou a vida eterna, e jamais perecerão; e ninguém as arrebatará da minha mão. João 10.27,28

 D.A. Carson comenta essa passagem:

"Jesus, então, dá vida eterna para suas próprias ovelhas. Em termos de metáfora das ovelhas, Jesus já disse que Ele dá para elas vida plena (v.10); agora Ele afirma claramente que essa vida é sua própria vida eterna, frequentemente oculta no evangelho sob as figuras de água, luz, bom pastor. A consequência de Ele conhecer suas ovelhas e de lhes dar a vida eterna é que elas jamais perecerão [...] Mesmo assim, o foco não é o poder da vida em si mesmo, mas o poder de Jesus: ninguém as poderá arrancar da minha mão, nem lobo (v.12), nem ladrões, nem os assaltantes (vv.1, 8), nem ninguém. Pensar de outra forma acarretaria a conclusão que Jesus tinha fracassado na explicita atribuição dada a ele pelo Pai, de preservar a todos que foram dados a Ele. A segurança definitiva das ovelhas de Jesus baseia-se no bom pastor". [2]

Fica evidente nessa passagem que a atribuição para a segurança da fé, depende do pastor, operando eficazmente em suas ovelhas. Note que no texto de Paulo a Bíblia nos diz que nada nos separaria de Cristo, na fala de Jesus no evangelho de João nos diz que ninguém nos separaria dele.

A confissão de Fé de Westminster

I. Os que Deus aceitou em seu Bem-amado, os que ele chamou eficazmente e santificou pelo seu Espírito, não podem decair do estado da graça, nem total, nem finalmente; mas, com toda a certeza hão de perseverar nesse estado até o fim e serão eternamente salvos.

Fl. 1. 6; Jo 10. 28-29; I Pe. 1.5, 9.

II. Esta perseverança dos santos não depende do livre arbítrio deles, mas da imutabilidade do decreto da eleição, procedente do livre e imutável amor de Deus Pai, da eficácia do mérito e intercessão de Jesus Cristo, da permanência do Espírito e da semente de Deus neles e da natureza do pacto da graça; de todas estas coisas vêm a sua certeza e infalibilidade.

II Tm. 2.19; Jr. 31.3; Jo 17.11, 24; Hb 7.25; Lc. 22.32; Rm. 8.33, 34, 38-39; Jo 14.16-17; I João 2.27 e 3:9; Jr. 32.40; II Ts. 3.3; I Jo 2.19; João 10.28. [3]

Essa certeza é que nos move a uma vida santa na presença do Senhor, buscamos a santidade não para sermos salvos, mas, porque fomos salvos e temos o profundo desejo gerado em nós pelo Espirito Santo de sermos mais parecidos com Cristo.

Como diz o Hino de H.M. Wright, 423, do hinário Salmos e Hinos:

Segurança do Crente

Oh! Quão preciosa e Rica promessa
De Jesus Cristo, celeste Rei!
Ao que confia na sua graça
Diz Ele: “Nunca te deixarei!”
Oh! Não temas! Oh, não temas!
Pois Eu contigo sempre serei.
Oh, não temas! Oh, não temas!
Porque Eu nunca te deixarei!
________________________________ 
[1] Filipenses 1.6- Bíblia Sagrada
[2] O Comentário de João, D.A. Carson- Ed. Vida Nova
[3] A Confissão de Fé de Westminster – Ed. Cultura Cristã.

1 de nov. de 2014

Viver, Renunciar e Caminhar


Por Samuel Alves


Tenho aprendido ao longo dos anos que o cristianismo é a religião do coração. Existe um relacionamento entre Deus e o homem e neste relacionamento Deus sonda e conhece seu coração (Sl. 139). Não tem como usar uma mascara como os fariseus, se esconder na mais alta montanha ou na mais profunda caverna, pois Deus esta lá também. Ao lermos o Breve Catecismo de Westminster em sua primeira pergunta: Qual é o fim principal do homem? O fim principal do homem é glorificar a Deus, e gozá-lo para sempre. Vivemos em eterno relacionamento com Deus, onde nossa finalidade é glorificar a Deus e gozá-lo para sempre, fica claro que neste relacionamento não existe espaço para o humanismo que exalta e centraliza o homem, ao contrário, renunciamos a nós mesmos e pegamos nossa cruz e seguimos nosso caminho como peregrinos em terra estranha. 

Não existe outro fundamento, vivemos para renunciar a nossas paixões e adorar a Deus, renunciamos ao nosso ego que adora massagens diárias. As palavras de João “É necessário que Ele cresça e que eu diminua (Jo 3:30),” mostram claramente nossa posição neste relacionamento com Deus. Grande tem sido nossa luta em manter nosso status quo, afinal de contas vivemos e lutamos para defender nossa imagem e muito mais importa a opinião do homem do que a visão de Deus sobre nós é ai que vejo como meu coração é tão obstinado, centrado em meu egoísmo e minha mente afetada pelos efeitos noéticos da queda. Abaixo listo alguns princípios:

1 – Devemos oferecer nosso corpo como sacrifício vivo e agradável a Deus (Rm 12.1) 

Devemos não nos acomodar a aparência deste mundo, mas que nos transformemos pela renovação de nossa mente, a fim de provar qual é a vontade de Deus. Daí a grandiosidade de estarmos consagrados a Deus, pois o sagrado não pode ser aplicado a usos profanos. É imperativo que o homem se afaste de si, para aplicar toda a força de seu intelecto ao serviço de Deus.

2- Devemos buscar as coisas que são da vontade do Senhor

Não temos como adorar a Deus e gozá-lo para sempre se as nossas vontades são primordiais, somos instados biblicamente a nos empenharmos em fazer a vontade de Deus, é preciso entender que o compromisso com Deus é eterno. 

3- Devemos renunciar à impiedade e as concupiscências mundanas.

“A graça salvadora de Deus, manifestou-se a todos os homens, ensinando-nos a renunciar a impiedade e as concupiscências do mundo”. Segue o desafio, viver de maneira digna do evangelho, como peregrinos em terra estranha, viver na esperança da manifestação da gloria de Deus. Tendo a consciência que a graça de Deus é tudo que precisamos para renunciar as paixões de nossa mocidade, sabendo que a impiedade inclui também as superstições, mas compreende também tudo o que luta contra o verdadeiro temor a Deus, aliás, o temor a Deus é o princípio da sabedoria. Mas como não é fácil ignorar as imposições da carne e negar os desejos mais secretos, devemos nos dedicar a Deus e meditar em sua santa Palavra.

4- Devemos cumprir nosso dever e buscar servir o próximo

Confesso que abandonar todo egoísmo que reina em nosso coração que sofreu os efeitos noéticos da queda não é fácil, no entanto, aquele que não ama o seu próximo não conhece a Deus. Isso não quer dizer que devemos viver no utilitarismo, mas que o amor é o maior dos dons. O evangelho é radical, se não amamos, logo, não conhecemos a Deus, pois Deus é amor. Em suma se temos que dever alguma coisa a nosso irmão, devamos amor de um coração puro e sincero.

5- Devemos não nos deixar esmorecer de fazer o bem

Às vezes cansa fazer o bem em meio a tanto aproveitadores e sugadores, todavia, devemos fazer tudo como se fosse para Deus. Deus é nosso alvo de adoração. O amor que as Escritura nos ensina é o amor paciente, que tudo espera e tudo suporta. O perigo que caímos muitas vezes é dar esperando algo em troca. Mas o princípio é este: “É melhor dá do que receber”. O desafio é olhar os “desafetos” como imagem e semelhança de Deus, amá-los e abraçá-los.

Portanto, enquanto buscamos fama e comodidade a Bíblia nos ensina a viver uma vida de renuncia, entregando a nós mesmos ao Senhor, confiando em seu domínio como servos dele. Estamos debaixo da tutela de Cristo, somos suas ovelhas, Ele nos dará alimento, curará nossas feridas, Ele é a nossa providência. A Regra de viver uma vida piedosa é esta: Só a Mão de Deus é arbitra e moderadora da boa ou da má fortuna; e ela não atua por um ímpeto inconsiderado, mas reparte nossos bens e nossos males ao mesmo tempo, segundo a mais ordenada justiça. Segue o desafio: Viver, renunciar e caminhar... Por que o fim principal do homem é adorar a Deus e gozá-lo para sempre.

Soli Deo Glória

O que dizer da Teonomia?

Palmer Robertson

O avanço da antiga aliança para a nova aliança também é parcialmente negado por aqueles que têm grande respeito pelas leis civis de Israel. Chamadas de “teonomistas”, essas pessoas são impressionadas pela equidade e sabedoria das leis que governaram o Estado de Israel – e corretamente. Particularmente quando comparadas com as leis impostas pelo Estado secular atual, a ordem civil do Estado de Israel, sob a antiga aliança, amplia as glórias de um Deus santo.

No entanto, deve ser conhecido o valor limitado do Estado de Israel da antiga aliança como um modelo tipológico do Reino de Deus. Seu domínio era definido espacialmente pelas fronteiras, a terra devia ter uma divisão cívica mediante a distribuição entre os descendentes físicos das doze tribos de Israel.

Nunca houve a pretensão de estabelecer essa legislação no território da Assíria ou do Egito (para pensar apenas nos vizinhos mais próximos de Israel). Embora planejada para revelar a equidade de Deus na distribuição da terra, essa legislação era temporal em sua aplicação, limitada ao tempo da presença de Israel como uma nação organizada na Palestina, sob as provisões da antiga aliança.

Na colonização inicial da América, foram feitos alguns esforços para reinstituir os códigos civis de Israel. As leis da Nova Inglaterra, como impressas em 1641, foram estabelecidas segundo os direitos territoriais tribais do antigo Israel; desse modo, as propriedades normalmente tinham de ser vendidas a outras pessoas que já habitavam uma cidade (mantendo, desse modo, a terra designada dentro da “tribo”). As filhas que herdavam terra deviam se casar dentro do distrito eleitoral da cidade ou pagar um imposto de aluguel para o tesouro público da cidade. Porém, esses esforços de transferir uma teocracia organizada de modo tribal para a moderna comunidade civil envolvem uma grande quantidade de esforço imaginativo. Conquanto o princípio geral de equidade possa ser transferido, as leis de natureza civil da antiga aliança não podem ter o efeito obrigatório das dez palavras.

Particularmente em razão da coação da verdadeira religião mediante autoridades cívicas segundo a lei mosaica, torna-se claro que a legislação da antiga aliança prevê um governo teocrático, que não se ajusta às intenções de Deus para a expansão do evangelho na presente era. De acordo com Deuteronômio 13.5, o profeta que promove uma falsa religião deve morrer. Segundo Deuteronômio 13.6-11, se qualquer pessoa, até mesmo em sua própria casa, propuser secretamente a adoração de outro deus, ela deve morrer. Conforme Deuteronômio 13. 12-18, se toda comunidade propuser a adoração de um falso deus, toda comunidade deve ser destruída.

Essas práticas devem ser úteis para descrever a eficácia do julgamento final. Elas podem fornecer uma base para a excomunhão da igreja de Cristo. Porém, pedir ao Estado secular atual – até mesmo um Estado cristianizado – para impor essas leis somente conduziria a sociedade uma vez mais aos horrores das guerras religiosas dos séculos passados.

Mediante a graça comum de Deus, os poderes civis atuais podem realizar uma função limitada de restringir o mal entre a humanidade caída. Por essa razão, eles merecem a honra que pertence apropriadamente à autoridade do Estado. Porém, as glórias do modelo da antiga aliança não devem ser confundidas com as funções limitadas do Estado na era atual. O Senhor da nova aliança reconheceu pessoalmente o lugar do Estado atual como distinto do seu próprio reino, quando declarou “Dai, pois, a César o que é de César e a Deus o que é de Deus” (Mt 22.21).

Um dia a verdadeira religião será imposta pelo verdadeiro Estado. Porém, esse dia virá apenas com o retorno de Cristo em glória, quando ele estabelecerá o reino eterno de Deus. Enquanto isso, o cristão não deve se deixar cegar pelas glórias da revelação da antiga aliança, falhando em ver a glória maior da graça da nova aliança, no modo que ela é manifesta aos homens de todas as nações.

O reino da nova aliança é superior ao tipológico da época da antiga aliança. Graça maior é mostrada a todas as nações. Concentração maior é colocada na permanente duradoura lei moral de Deus. Glória maior é encontrada na pessoa de Cristo, o Rei Ungido, que derramou o seu Espírito sobre toda carne.
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Extraído do livro Alianças (Ed. Cultura Cristã), pág 65-66. 

Jesus Pressupôs a Lógica

Por John Piper

Veja agora Lucas 12. Meu argumento neste ponto é que Jesus supôs que a mente humana usa a lógica e considerou as pessoas responsáveis por usarem bem a sua lógica. Às vezes, pessoas me dizem que a lógica aristotélica é ocidental e grega, não hebraica ou bíblica, e, portanto não tem lugar na apresentação do evangelho.

Explicarei o que quero dizer ao falar em lógica aristotélica. Todos sabemos o que é um silogismo. Premissa número 1: Todos os homens são mortais. Premissa número 2: Platão é um homem. Conclusão: Platão é mortal. Isso é um silogismo. Aristóteles é famoso por notar isso. E, creio, isso veio de Deus.

Ora, você tem que decidir: Deus nos considera responsáveis por pensarmos com esse tipo de clareza? Deus ficaria satisfeito se você usasse um silogismo como este: Vacas tem quatro patas. Meu cachorro tem quatro patas. Portanto, meu cachorro é uma vaca? Acho que Deus não ficaria satisfeito se você pensasse dessa maneira. Isso é lógica horrível. É o tipo de lógica que bandidos usam para colocar você na prisão de um ditador e não lhe oferece nenhum recurso para “argumentar”.

É claro que você deve se importar pouco com minha opinião sobre lógica. Mas deve se importar muito com a opinião de Jesus sobre lógica. Então, ouça cuidadosamente Lucas 12. 54-57:

E dizia [Jesus] também à multidão: Quando vedes a nuvem que vem do ocidente, logo dizeis: Lá vem chuva, e assim sucede. E, quando assopra o sul, dizeis: Haverá calma; e assim sucede. Hipócritas, sabeis discernir a face da terra e do céu; como não sabeis então discernir este tempo? E por que não julgais também por vós mesmos o que é justo?

Observe o silogismo implícito no versículo 55. Jesus estava dizendo aquelas pessoas: vocês são realmente bons em usar a mente em assuntos como o clima. Então, aqui está o silogismo. Premissa número 1: Sempre fica quente quando sopra o vento sul. Premissa número 2: um vento sul está soprando. Conclusão: será quente hoje.

Ora, isso é lógica aristotélica, que eu creio, sendo corretamente construída, vem da mente de Deus e foi confirmada pelo exemplo de Jesus, que considerou aquelas pessoas responsáveis por usá-la bem.

O que vocês acham que Jesus quis dizer no versículo 57? “E por que não julgais também por vós mesmos o que é justo?” A mente de vocês é tão eficaz quando lida com as coisas naturais! Mas, quando a mente de vocês é aplicada às coisas espirituais, vocês não pensam com clareza, de maneira alguma! Isso é semelhante à condição de pessoas contemporâneas que são capazes de fazer coisas cientificas admiráveis – criar remédios, criar computadores, colocar pessoas no espaço. O homem secular, sem o evangelho, usa sua mente de maneiras admiráveis. Acho que Jesus diria a uma pessoa secular educada na universidade: “Porque você não usa essa mente brilhante para entender-me e conhecer-me?” É para isto que a mente existe – conhecer a verdade e despertar afeições para com Deus que correspondam à sua grandeza.

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Extraído do livro "O Pastor como Mestre e o Mestre como Pastor". Pág 66,67 e 68.