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29 de out. de 2014

Expiação Limitada

Por Bruno Souza de Melo

Introdução

Quando falamos sobre o tema expiação limitada, temos pensar que primeiramente no seu conceito que é trabalhado em toda a escritura, de Gênesis a Apocalipse. Não podemos simplesmente defini-lo e jogá-lo dentro dos textos bíblicos, como se ele fosse uma conclusão de dois ou três argumentos tirados de versos isolados que vemos na bíblia. Claro, depois que analisarmos o conceito de expiação na progressão da revelação, temos como tirar conclusões lógicas, usar boa dialética para defender essa sentença tão fundamental da Escritura.    
                      
Os cinco pontos do calvinismo sistematizam com perfeição cirúrgica a situação pecaminosa da humanidade, a eleição, a expiação limitada, a graça irresistível e a perseverança dos santos. Eles são excelentes norteadores quando queremos demonstrar a lógica vinda da revelação de Deus.

Com esse pensamento queremos trabalhar o tema expiação limitada na perspectiva da progressão da revelação, ou seja, usando o escopo de análise da teologia bíblica que vê a escritura com seus temas específicos percorrendo toda a história da salvação do AT ao NT. Também veremos a importância do tema, até seu cume na chegada de Cristo. Depois disso, trataremos a questão da expiação limitada com textos próprios dos teólogos sistemáticos (Aula do Seminário Presbiteriano do Norte – Prof. de Teologia sistemática Daniel Carneiro), e por fim, refutar com alguns argumentos lógicos a tentativa frustrada dos arminianos em atacar essa doutrina. O livro usado será soberania banida de R. K. Mcgregor Wright.

Definição do termo

Expiação: É A obra de Deus em favor de pecadores para reconciliá-los consigo mesmo. Resolvendo o pecado humano, para proporcionar a comunhão com Deus. Sendo Cristo crucificado o centro da reconciliação com Deus e sua misericórdia. Sabendo que o homem está separado de Deus, a ira dele disferida sobre todos, observamos que este é um tema que se desenvolve em toda a escritura, logo, essa problemática na história da redenção remete o trabalho de Deus trazendo o sacrifício vicário desde os tipos aos antítipos. Quando falamos o temo “limitado” é que sabemos que Cristo morreu especificamente e eficazmente por um número de pessoas, ou seja, por um povo.

O conceito de expiação no AT

Quando partimos do AT para entender o conceito expiação, temos que admitir que Deus é quem garantia a eficácia expiatória do ritual prescrito. Qualquer sacrifício no AT não perdoava pecados, o sacrifício era a expressão de um coração contrito que apelava pela misericórdia de Deus Sl 51.17, esse ponto progride até Cristo que cumpre toda a exigência divina.

No AT Lv 16 o sacrifício de expiação, o rito do sacerdote no dia da expiação tinha um simbolismo vicário, a vítima do sacrifício sofria o castigo de Deus em lugar do pecador. Isto libertava o transgressor satisfazendo a ira justa de Javé. (Ez 18.4, Gn 2.17, Dt 12.23).

A expiação no NT

O NT mostra que a progressão da revelação caminhou para seu ápice, que é a morte e ressurreição de Jesus Cristo, o qual, cumpriu os tipos do AT, ou seja, toda a gama de sacrifícios expiatórios do AT eram figuras que apontavam para Cristo em sua morte sacrificial expiatória que trazem em seu bojo o justo pelo injusto, resgatando a MUITOS 1 Pe 3.18, Mc 10.45.    

Pensemos assim: Jesus paga o preço pelo pecado Rm 3.25-26, Gl 3.13. Morre no lugar de pecadores 2 Co 5.21, redimindo os pecadores pelo seu sangue Ef 1.7, liberta pecadores 1 Co 6.20, Gl 5.1, nos deu a vitória 1 Co 15.55-57, por suas feridas fomos curados 1 Pe 2.24. O NT define cruz e expiação como quase idênticos.

A importância da expiação

Devido a aproximação do juízo de Deus sobre os seres humanos e seus atos de injustiça como citamos, Jesus morre e expia o pecado eliminando a condenação, mas também faz propiciação que é o desvio da ira de Deus. Em resumo Deus prometeu condenar pecadores que não tivessem suas transgressões expiadas. A importância disto é fundamental, pois imagine que a ira de Deus não foi aplacada por um sacrifício perfeito? O que isso causaria? A conclusão é simples, estaríamos debaixo da ira de Deus, sem termos o preço do nosso pecados pagos. Logo, caminharíamos para a condenação do inferno.
                                                                                                             
Queremos enfatizar aqui que o Mitter, o centro, ou o fio que passou em toda escritura do AT ao NT desaguando em Ap 13.8 “Cordeiro morto desde a fundação do mundo” é que Deus expia o pecado mediante sacrifício em prol de um povo específico, portanto, a importância do termo expiação é basilar para nossa compreensão da salvação.

A doutrina da expiação limitada numa visão sistematizada

Entendemos o tema dentro da história da salvação, vemos que ele existe, que foi paulatinamente e pedagogicamente explanado na escritura até Cristo. Agora, vamos apontar textos prova, só que de uma forma sistematizada o que chamamos de limitação da expiação. Isto, para termos uma maior facilidade no entendimento da doutrina. Faremos como um fotógrafo que foca em textos relevantes concernentes ao assunto, diferentemente do que executamos acima, quando filmamos o movimento do conceito expiação do AT ao NT sem levarmos em conta o aspecto da limitação dessa expiação.

Queremos começar com a pergunta clássica: Cristo comprou a salvação para todos os homens? Segundo os arminianos sim, segundo os calvinistas não. Diante disso, podemos citar Arthur Pink, teólogo calvinista escreveu o seguinte sobre o assunto:

“... Se Cristo levou em seu próprio corpo, no madeiro, os pecados de todos os homens, sem exceção, nenhum deles perecerá. Se Cristo se fez maldição em favor de todos os membros da raça de Adão, ninguém sofrerá a condenação final... Mas Cristo não saldou a dívida de todos os homens sem exceção, porquanto há alguns... que “perecem no seu pecado!” (Cristo) não foi feito maldição pela totalidade da raça de Adão, porque há aqueles aos quais ainda dirá: “Apartai-vos de mim malditos.”

Um outro ponto da escritura que corrobora bem com nosso raciocínio é o texto de Paulo que descreve a morte de Cristo deixando claro que é um cancelamento de dívida (Cl 2.14). Devemos Perguntar então: O mundo inteiro está com sua dívida cancelada diante de Deus? É claro que não, caso contrário ninguém seria mandado para o inferno. A escritura deixa evidente que Cristo Morreu por Suas Ovelhas, Por Seu Povo, Por Sua Igreja, ela distingue ou divide a humanidade, metaforicamente, como ovelhas e cabritos (Mt 25.32,33, 34,41). As ovelhas são os crentes em Cristo e os cabritos são os incrédulos. Os cabritos são atirados no inferno, lugar preparado para o diabo e seus anjos. Eu pergunto: Cristo morreu pelos cabritos? É claro que não. As ovelhas resplandecerão como o sol no reino que lhes foi preparado desde a fundação do mundo. Por suas ovelhas Cristo deu sua alma (Jo. 10.14,15,26,27). Jesus tem um rebanho que é composto pelos que creram Nele, e foi por eles que Ele deu Sua vida. Observe o conselho que Paulo dá aos presbíteros de Éfeso em Atos 20.28 e o que ele escreveu em Efésios 5.25.

A oração de Jesus pelos escolhidos limita a expiação a um grupo

A oração sacerdotal de Jesus não foi um pedido de salvação pelo mundo, mas única e exclusivamente pelos Seus escolhidos, pelo Seu povo. Não faria sentido Cristo morrer pelo mundo e se negar a orar pelo mundo. Cristo não orou pelo mundo porque não morreu pelo mundo. Cristo orou por aqueles por quem daria Sua vida (Jo. 17.6-9,12,15-17,19-26). Em suma, respondendo o que propomos na sentença: Por quem Cristo Morreu? Por “Seu Povo”, Por “Suas Ovelhas”, Por “Sua Igreja”. Por ninguém mais. Este é o ensino bíblico e evidente desde o AT leiamos Is 53.11,12.

Considerações finais e lógicas do teólogo McGregor White

O livro soberania banida é contundente quando se trata do assunto expiação, ele fomenta e argumenta não deixando dúvidas quanto a limitação da mesma. Vejamos alguns pontos irrefutáveis desse belíssimo trabalho:

Argumentações que refutam textos aparentemente arminianos

1-Um texto clássico usado pelos arminianos é João 3:16 que diz: Deus amou o mundo de tal maneira que deu seu filho unigênito, para que todo o que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna.

Embasado nesse texto eles dizem que quem quiser vir a Cristo vem livremente.

Refutação: O problema é que mesmo que o ser humano venha, ocasionaria a expiação universal. Onde Cristo morreria por todos os homens, logo, mesmo sendo incrédulo ao próprio Cristo a pessoa seria salva.

2-Um outro texto é:  Porque isto é bom e agradável diante de Deus nosso Salvador, Que quer que todos os homens se salvem, e venham ao conhecimento da verdade. Porque há um só Deus, e um só Mediador entre Deus e os homens, Jesus Cristo homem. O qual se deu a si mesmo em preço de redenção por todos, para servir de testemunho a seu tempo. 1 Timóteo 2:3-6

Eles afirmam que “todos os homens” e “todos” devam significar todos os seres humanos existentes.

Refutação: O texto se refere a todos os tipos de pessoas, ou seja, Reis e autoridades. Refere-se ao verso 1 e 2 e não todos os homens. Cairíamos novamente no universalismo.

3-Passemos agora a brilhante defesa da expiação limitada ou particular, na visão de John Owen.

3.1-Cristo morreu por alguns pecados de todos os homens. Não por todos os pecados de homens específicos.

Refutação: Todos os homens tem alguns de seus pecados pagos, mas ninguém será salvo.

3.2-Cristo pagou o preço na cruz por todos os pecados de todos os homens.

Refutação: Por que então todos não são libertos da punição do pecado?

Possível resposta do arminiano: Por causa da incredulidade deles; eles não crerão.

Perguntamos: Mas essa incredulidade é pecado ou não? Se não, por que deveriam ser eles punidos por ela?

Perguntamos novamente: Se ela (incredulidade) é um pecado, então Cristo sofreu a punição devida por ela ou não?

Ainda respondemos: Se ele não morreu por esse pecado de incredulidade, então ele não morreu por todos os pecados deles.

3.3-Os argumentos dos calvinistas são lógicos e não bíblicos.

Refutação de McGregor citando J. I. Packer:

"Ninguém tem o direito de desprezar a doutrina da limitação da expiação, como se ela fosse uma monstruosidade da lógica calvinista, até que tenha refutado a prova de Owen de que ela é parte da apresentação bíblica uniforme da redenção, claramente ensinada em passagem após passagem. E ninguém fez isso ainda."

Concluímos que a prova bíblica da expiação limitada é irrefutável. Demonstramos ela na linha da história da salvação, dentro do escopo analítico da teologia bíblica. Apontamos evidências na progressão da revelação, que gradativamente trabalhou o conceito do AT ao NT alcançando a plenitude em Cristo. Ainda provamos que os argumentos dos teólogos sistemáticos são suficientes para qualquer mente equilibrada crer na particularidade da expiação. Finalizamos com a bela exposição de argumentos fortíssimos do livro Soberania banida de McGregor. Ele utiliza John Owen, que despedaça qualquer tentativa dos arminianos em ir de encontro a expiação limitada.
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Bruno Souza de Melo é Presbítero e seminarista do SPN-PE. 

Os Puritanos e a Primazia da Pregação

 
Por D.J. MacDonald

Os Puritanos entendiam por “primazia da pregação” que a pregação era a parte mais importante da vida de um ministro. Quaisquer dons, dotes ou conhecimentos que um ministro possuísse, eram para serem usados para o grande fim de fazer dele um pregador.

O Apóstolo diz, “Porque Cristo enviou-me, não para batizar, mas para evangelizar...” (I Co 1:17). Isso não significa que o batismo não seja importante, mas que a pregação é mais importante. O próprio Paulo assim afirma novamente, quando diz, “... ai de mim, se não pregar o evangelho!” (I Co 9:16). A importância da pregação e a preparação para tanto, como visto nos escritos e na prática dos Puritanos, é resumido sucintamente nas palavras de J. C. Ryle: “Alguns podem estar prontos a dizer, ‘Eu trabalhei para Deus durante a semana inteira. Eu fui à escola, visitei de casa em casa, distribuindo folhetos, e se meus sermões no dia do Senhor não são tudo o que poderiam ser, de maneira nenhuma tenho sido preguiçoso.’ Devemos nos lembrar que todas as obras nesta descrição, se interferem com a preparação dos nossos sermões, trata-se de trabalho em vão”.  Quantos de nós se contentaria em dizer, “Passamos a semana visitando de casa em casa distribuindo folhetos etc.”? Quão mundano é o que ocupa por demais a nossa mente durante a semana, como podemos fazer disso uma desculpa para a nossa falta de preparação de sermão?

Henry Smith (1550-1591), palestrante em St Clement Danes, em Londres, escreve, “Se você precisa tomar cuidado com o que ouve, então nós precisamos tomar cuidado com o que pregamos. Assim é que Paulo não apontou ninguém mais como pregadores, senão aqueles que ‘manejam bem a Palavra da verdade’ (II Timóteo 2:15), ou seja, em boas palavras e no método correto; e porque ninguém pode fazê-lo sem estudo e meditação, portanto ele ensinou a Timóteo a ‘apresentar-se à doutrina’, isto é, a fazer um estudo e batalhar por isso. Pois como Pedro disse que nas epístolas de Paulo há muitas coisas difíceis de serem entendidas, também nas epístolas de Pedro, de João e de Tiago há muitas coisas que Davi, antes, chamou de maravilhas da lei, e Paulo chamou de o mistério da salvação, e Cristo chamou de tesouro escondido no chão”. “O trigo é bom”, continua Smith, citando Amós 8:6, “mas aqueles que vendem o seu refugo são reprovados. Também a pregação é boa, mas esta recusa em pregar não passa de blasfêmia, pois um toma o nome de Deus em vão, o outro toma a Palavra de Deus em vão. Como nem todo som é música, assim nem todo sermão é pregação, mas pior do que quem o faz ler uma homilia. Pois se Tiago nos exorta a considerar o que pedimos antes de orarmos, muito mais deveríamos nós considerar antes que venhamos a pregar”.

Ao enfatizar a importância da pregação, diz Perkins, “O primeiro título de um ministro de Deus é mensageiro. Ele é o mensageiro do Senhor das multidões. Em Apocalipse os ministros de sete igrejas são chamados de anjos dessas igrejas; em outra passagem um ministro é um anjo do Senhor, e em outra, o anjo da igreja — isto é, um anjo ou mensageiro enviado por Deus à igreja. Este ponto tem ampla aplicação”:

Primeiramente, para os próprios ministros. Você deve compreender a sua tarefa. Ministros são mensageiros: esta é a própria natureza do seu chamado. Portanto você deve pregar a Palavra de Deus e entregá-la exatamente como a recebeu. Embaixadores não portam sua própria mensagem, mas a mensagem dos seus senhores e mestres, que os enviaram. Similarmente, ministros portam a mensagem do Senhor das multidões e são, portanto, obrigados a entregá-la como sendo a mensagem do Senhor, e não sua própria. A Palavra de Deus é pura. Deve ser, portanto, estudada e entregue de maneira pura. Que todos aqueles que são anjos de Deus — e desejam ser honrados como Seus anjos e Seus embaixadores — devem cumprir com a responsabilidade de um anjo de Deus, de forma que, como muitos homens desfiguram uma boa estória pela forma como a contam, eles não tirem o poder e a majestade da Palavra de Deus pela forma como a entregam!”.

“Em segundo lugar, se ministros são os anjos de Deus, eles devem pregar a Palavra de Deus de tal forma que ela expresse e demonstre o Espírito de Deus. Pregar na demonstração do Espírito de Deus é pregar com tal simplicidade, todavia com poder tal, que mesmo aquele menos dotado intelectualmente reconheça não ser um homem, mas Deus, quem o está ensinando. E ainda assim, a consciência do mais poderoso possa sentir que não um homem, mas Deus o está reprovando através do poder do Espírito. É tido com grande admiração aos olhos do mundo, quando dizem de um pregador: ‘Ele é um sábio de fato’, porque ele tem erudição, lê bastante, tem uma boa memória e uma boa exposição. Mas o que recomenda um homem ao Senhor seu Deus e à sua própria consciência é que ele prega com uma sinceridade adequada à habilidade, e tão poderosamente à consciência do pecador, que este percebe que Deus está presente no pregador”.

“Em terceiro lugar, há uma aplicação importante aos ouvintes. Eles são ensinados que se os seus ministros são anjos enviados a eles por Deus, então devem ouvi-los prazerosamente, de bom grado, reverentemente e obedientemente, porque eles são enviados por Deus, e é a Sua mensagem que eles entregam. Todos Cristãos devem fazê-lo, não somente quando a doutrina que é pregada os satisfaz, mas também quando ela corta de lado a lado nossa corrupção e é completamente contrária às nossas disposições. Pode ser altamente desagradável e ferir nossos desejos naturais, mas desde que seja uma mensagem do nosso Deus e Rei e o pregador seja o mensageiro daquele Deus, ambos, ele e a mensagem, devem ser recebidos com respeito e com uma obediência que venha dos nossos corações e almas. Esta é a razão porque respeito e honra devem ser prestados por todos Cristãos aos ministros de Deus, especialmente quando eles adornam o seu alto chamado com uma vida santa: eles são os anjos de Deus, entregando as mensagens e as cargas que eles receberam de Deus”.

“O ministro de Deus é também um intérprete. Ele é alguém que é capaz de entregar a reconciliação feita entre Deus e o homem; isto é, primeiro, ele é alguém que pode expandir e explicar o pacto da graça, e corretamente estabelecer como a reconciliação é alcançada. Segundo, ele é alguém que pode aplicar, precisa e apropriadamente, os meios do operar externo da reconciliação. Em Apocalipse, João recebe diretamente de Cristo. Ele deve tomar o livro — isto é, a Escritura — e comê-lo. Então, após tê-lo comido, ele deve ir e pregar aos povos, línguas e nações (Apocalipse 10:8 – 11). Através de João, Cristo ensina à Sua Igreja de forma permanente que ministros não são capazes de pregar a nações e a reis, até que tenham comido o Livro de Deus, ou seja, até acima e além de todo o aprendizado que o homem possa transmitir, eles também são ensinados pelo Próprio Espírito de Deus. É o seu ensino que faz de um homem um verdadeiro intérprete. Sem isso ele não pode ser um intérprete. Como pode alguém ser intérprete de Deus para o Seu povo, a menos que ele conheça a mente do Próprio Deus? E como pode ele conhecer a mente de Deus, exceto pelo ensinamento do Espírito de Deus?”.

“O que estou enfatizando é isto: um ministro deve ser um intérprete divino, um intérprete do que Deus tem a dizer. Portanto, ele não deve somente ler o livro, mas comê-lo. Ele deve não somente ter o conhecimento das coisas divinas fluindo em seu cérebro, mas gravado em seu coração e impresso em sua alma pelo dedo espiritual de Deus. Para tanto, além de todo o seu próprio estudo, meditação e uso de comentários e outros auxílios humanos, ele deve orar como Davi, “Abre tu os meus olhos, para que veja as maravilhas da Tua lei” (Salmo 119:18).

“Além disso, uma vez que ministros são intérpretes, eles devem aspirar santificação e santidade em suas próprias vidas. Na profecia de Isaías, o Reino da Assíria é dito ser santificado, ou separado, para destruir os inimigos de Deus. Se um certo tipo de santificação é necessário para a obra de destruição, quanto mais é a verdadeira santificação necessária para a grande e gloriosa obra de edificação da Igreja de Deus ”.

Fonte: Revista Puritanos

Os Fundamentos da Religião

Por Herman Bavinck

O significado da Religião cristã pode ser determinado a partir da disputada etimologia da palavra “religião”. A Bíblia não dá uma ideia geral de religião, mas apresenta a revelação de Deus de forma pactual como seu objetivo e o temor do Senhor como lado subjetivo. Deus deve ser honrado e sua revelação deve ser crida e obedecida. A religião bíblica é, em primeiro lugar, um assunto do coração: ela nunca é esgotada pela observação.

De acordo com Tomás de Aquino, a religião não é uma questão de virtudes teológicas (fé, esperança, caridade), que têm Deus como seu objeto direto, mas de virtudes morais (prudência, justiça, firmeza e temperança), das quais Deus é o fim. O real objeto da religião aqui é a devoção obedientemente oferecida a Deus. A religião pertence à virtude da justiça, é a virtude pela qual os seres humanos oferecem a Deus a devoção e a adoração a Ele devidas.

Os teólogos reformados distinguem mais claramente a piedade como o princípio e a adoração como o ato da religião. A piedade é, antes de tudo, um estado de existência, um hábito e uma disposição que levam os seres humanos a adorar a Deus. Schleiermacher até mesmo definiu a religião em termos de piedade, como “sentimento absoluto de dependência”. Embora essa definição seja inadequada, ela também contém elementos de verdade. Nós, criaturas humanas, somos radicalmente dependentes de Deus. Subjetivamente, isso é conhecido como fé, a fé que nos leva ao serviço, a atos de obediência e ao amor. A verdadeira religião consiste na confiança absoluta em Deus e em um sincero desejo de viver em obediência a Ele.

A era moderna deus origem a um estudo comparativo cientifico, histórico ou psicológico de todas as religiões. Embora todas as religiões tenham similaridades  formais (revelação, culto, dogma), não existe uma religião genérica, apenas religiões concretas, todas com alegações conflitantes. Os esforços para se chegar a essência da religião em geral levaram a resultados magros com proposições vagas, e a pesquisa deve ser considerada um impasse. Não há como escapar da necessidade de julgar o conteúdo de religiões especificas como “verdadeiro” ou “falso”. Os juízos dogmáticos não podem ser evitados.

Antropologicamente, qual é o lugar da religião na psique humana? A religião é primariamente conhecimento, moralidade ou sentimento? Grande parte do pensamento moderno, notavelmente o idealismo, tem uma interpretação intelectualista da religião. Para Hegel, todo o mundo é um desdobramento da mente. A religião é uma forma de conhecimento substituído somente pela filosofia. A tradição kantiana, contudo, define a religião voluntaristamente como conduta moral e localiza e localiza sua sede na vontade humana. Outros, como Schleiermacher, influenciados pelo romantismo, consideram a religião como primariamente estética e localizada no sentimento humano. Embora intelecto, moralidade e sentimento desempenhem papéis importantes na verdadeira religião, ela não deve ser reduzida a uma só faculdade. A verdadeira religião é central para todos os atos culturais e produtos humanos: ciência, moralidade e arte.

Cientificamente, tentativas históricas para explicar a origem da religião não dão certo. Nem o temor, nem a ilusão sacerdotal, nem a fraqueza humana, nem a busca da felicidade, nem a ignorância é uma explicação satisfatória. Tentativas de considerar a religião como uma “auto-afirmação da vida do Espírito” fazem com que Deus e a religião sejam uma criação humana, inventada para satisfazer a necessidade humana, Deus é um servo da humanidade.

Finalmente, o estudo científico, histórico, das religiões não pode encontrar resposta  para a origem da religião – somente a revelação pode fazer isso. A religião não pode ser entendida sem Deus e, para que possamos conhecê-lo, ele tem de se revelar a nós. A revelação é o princípio externo do conhecimento da religião. A revelação e a religião não são estranhas à natureza humana. Em vez disso, como portadores da imagem de Deus, os seres humanos são, por natureza, religiosos. Portanto, a religião é uma realidade universal. Somos criados por Deus. A religião existe porque Deus é Deus e quer ser honrado. Para esse fim ele se revela a nós e faz com que sejamos subjetivamente aptos a conhecê-lo.

Fonte: Dogmática Reformada – Vol. 1, cap.8, p.235,236

Eleição Incondicional

Por Thiago Oliveira

Lutero, Calvino, Knox, Owen, Edwards, Spurgeon e muitos outros cristãos reformados ensinaram que a salvação é uma ação soberana de Deus e que o Livre-Arbítrio não existe. As Escrituras deixam isso claro:

Efésios 1: 3-5 –“Bendito o Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo, o qual nos abençoou com todas as bênçãos espirituais nos lugares celestiais em Cristo; Como também nos elegeu nele antes da fundação do mundo, para que fôssemos santos e irrepreensíveis diante dele em amor; E nos predestinou para filhos de adoção por Jesus Cristo, para si mesmo, segundo o beneplácito de sua vontade.”

Gostaria de reiterar o posicionamento reformado que tem sido ao longo dos séculos um mergulho na Palavra afim de que o Deus Trino revelado nos escritos sagrados seja glorificado entre os homens. O ponto central de toda controvérsia é a Predestinação ou Eleição Incondicional. Segundo a Bíblia, e não Calvino, como muitos pensam, Deus elegeu aqueles que seriam salvos antes da fundação do mundo. Ao aceitarmos tal ensinamento admitimos que nada feito por nós gerou algum resultado capaz de nos levar a Cristo e adquirir a bendita salvação. Nada! Toda boa dádiva provém do Pai das Luzes que de maneira soberana e irresistivelmente graciosa, trouxe os Seus de volta para Si. As correntes contrárias dizem que o homem tem participação no que tange a salvação. Será mesmo? Vamos um pouco mais fundo.

Para elucidar essa questão precisamos entender que lá no Éden o homem pecou ao ser induzido pela serpente a comer do fruto proibido. Esse evento é chamado de “Queda”. Os arminianos, isto é, aqueles que defendem o Livre-Arbítrio, precisam entender que ao cair a humanidade morreu, e não apenas se machucou. O homem não quebrou uma de suas pernas e mesmo manquejando ou se arrastando consegue ir até a presença de Deus e lá O adora. Efésios 2: 1 é taxativo: Estávamos mortos em nossos delitos e pecados.

Todos nós temos que concordar num ponto: Morto não toma decisões, é impossibilitado de fazer escolhas. No entanto, e se o homem tornar a viver? É possível isso? Para Deus sim. Como está escrito: Ele nos vivificou (Ef 2:5). Não é à toa que quando Jesus é interrogado por Nicodemos sobre o que fazer para herdar a vida Eterna, o Messias responde: Necessário é nascer de novo (leia o capítulo 3 do Evangelho de João e medite sobre essa conversa entre Cristo e o Mestre da Lei). Novo Nascimento é reviver transformado pela atuação sobrenatural do Espírito. É como na visão do profeta Ezequiel que viu Deus dar vida ao vale de ossos secos. Louvado seja o Senhor!

Quando falamos em Queda, estamos nos referindo ao evento mais trágico da história da humanidade, pois, a partir dele surgiram os males que nos assolam até o presente momento. O relato dessa desgraça se encontra em Gênesis 3 e, sobre ele, o já citado reformador - Calvino ¹ - escreve:

“Neste capítulo, Moisés explica que o homem depois de ter sido enganado por Satanás se rebelou contra o seu Criador, tornou-se totalmente mudado e degenerado, a ponto de a imagem de Deus, no qual ele tinha sido formado, ter sido destruída. Ele, então, declara que o mundo inteiro, que tinha sido criado para o bem do homem, caiu junto com ele da sua posição primária, e que neste estado muito de sua excelência natural foi destruída”.

O Apóstolo Paulo em Romanos 3:23 sentencia: Todos pecaram! E o pecado nos destituiu da Glória de Deus. O que isso quer dizer? Que fomos derribados de Sua presença. Expulsos de convivermos com Ele no Paraíso. Só que o apóstolo Paulo não acaba aqui a sua explanação e agora nos apresenta a boa notícia:

Romanos 3:24-26- “Sendo justificados gratuitamente pela sua graça, pela redenção que há em Cristo Jesus. Ao qual Deus propôs para propiciação pela fé no seu sangue, para demonstrar a sua justiça pela remissão dos pecados dantes cometidos, sob a paciência de Deus; Para demonstração da sua justiça neste tempo presente, para que ele seja justo e justificador daquele que tem fé em Jesus.”

A redenção da Cruz nos torna justos e assim escapamos da Ira e da condenação. Isso não nos dá nenhum mérito. Tudo fez parte da Providência, não dando espaço para nos vangloriarmos de coisa alguma. O texto de Romanos segue:

Romanos 3:27-28- “Onde está logo a jactância? É excluída. Por qual lei? Das obras? Não; mas pela lei da fé. Concluímos, pois, que o homem é justificado pela fé sem as obras da lei.

No céu ninguém vai te abordar dizendo: “Fui salvo por orar 5 horas todos os dias e pelo sopão que entregava toda sexta. E você?” Esqueça a meritocracia e aceite a sua condição miserável de não achegar-se a Deus sozinho. Essas são as palavras de Jesus (Jo 6:44): “Ninguém pode vir a mim, se o Pai que me enviou o não trouxer; e eu o ressuscitarei no último dia.”

Mesmo correndo o risco de ser redundante, quero aqui elencar os seguintes pontos:

1. POR QUE NÃO ESCOLHEMOS A DEUS?

a) Porque estávamos mortos espiritualmente. Quem nos revela essa condição terrível é a própria Escritura. Anteriormente falamos da tragédia que foi a Queda e o seu resultado tenebroso. Não reconhecer essa condição de “mortos espiritualmente” não é uma refutação endereçada aos calvinistas, mas sim um agravante erro teológico, além de ser fruto de um coração obstinado e orgulhoso que se rebela contra a soberania divina no ato de salvar (Ef 2:1 e 5; Gn 2:17).

b) Nosso estado era de depravação total. Nossa consciência estava cativa aos desejos carnais. Vivíamos acorrentados pelos prazeres mundanos e não dávamos um passo sequer na direção de Deus. Estávamos imundos e nos sujávamos ainda mais. O Altíssimo em Sua Glória olhou para a humanidade e não encontrou ninguém capaz de fazer o bem. Entre milhões de milhões e milhares de milhares não havia um único justo (Ef 2:3; Rm 3:12; Jo 8:34).

2. POR QUE DEUS NOS ELEGEU?

a) Porque Ele é rico em misericórdia. O ato de eleger e salvar pecadores depravados é uma atitude graciosa. Graça é receber aquilo que não merecíamos. A Ira e o Inferno eram nosso devido pagamento, só que ao invés disso recebemos de Cristo o Perdão e o Céu (Ef 2:4 e 5; Rm 9:16).

b) Porque Ele é Soberano. Quem é o homem para questionar a Deus? Onde ele estava quando tudo foi criado? Que conselhos deu o homem a Deus? Tudo que o Senhor faz é perfeito. Ele em Sua infinita sabedoria planejou todas as coisas e não há nada que escape do Seu senhorio. Não devemos esquecer que Deus é onipotente, onisciente e onipresente e nós não passamos de verme (Jó 25:6; Rm 9: 18; Fl 2:13).

c) Ninguém tem motivos para se orgulhar diante Dele. Paulo é bem claro quando diz que a salvação não é por obras para que ninguém se glorie. Quando chegarmos perante o Justo Juiz, nada poderemos dizer que seja favorável a nossa sentença. Na Eternidade não vai haver alguém dizendo: Eu fui salvo por orar 3 horas por dia e distribuir “sopão” toda sexta-feira. E você, fez o que para estar aqui? Não fizemos nada para merecer o status de co-herdeiros com Cristo. Toda honra seja dada a Jesus. Porque d’Ele, por Ele e para Ele são todas as coisas (Rm 11:36; Ef 2:9; Rm 3:27).

A dificuldade em aceitarmos a Predestinação é a nossa natureza caída e totalmente inflada. Queremos porque queremos ter algum mérito, todavia a Palavra nos diz que só vão até a Cristo aqueles a quem o Espírito Santo revelar. Se você ainda não está convencido de que essa é uma doutrina genuinamente bíblica, e objeta que esse é um conceito paulino, vejamos que ela está presente no ensino de Cristo e dos apóstolos:

João 6:65 – “Ninguém pode vir a mim, se o Pai que me enviou o não trouxer; e eu o ressuscitarei no último dia.”

João 15:16 – “Não me escolhestes vós a mim, mas eu vos escolhi a vós, e vos nomeei, para que vades e deis fruto, e o vosso fruto permaneça; a fim de que tudo quanto em meu nome pedirdes ao Pai ele vo-lo conceda.”

Atos 13:48 – “E os gentios, ouvindo isto, alegraram-se, e glorificavam a palavra do Senhor; e creram todos quantos estavam ordenados para a vida eterna.”

2 Tessalonicenses 2:13 – “Mas devemos sempre dar graças a Deus por vós, irmãos amados do Senhor, por vos ter Deus elegido desde o princípio para a salvação, em santificação do Espírito, e fé da verdade.

Tiago 1:18 – “Por sua decisão ele nos gerou pela palavra da verdade, para que sejamos como que os primeiros frutos de tudo o que ele criou.”

1 Pedro 1:1 – “Pedro, apóstolo de Jesus Cristo, aos eleitos de Deus, peregrinos dispersos no Ponto, na Galácia, na Capadócia, na província da Ásia e na Bitínia.”

Jesus, Lucas, Paulo, Tiago e Pedro estão afinados quanto ao ensino da Eleição Incondiconal. Mas caso alguém ainda tenha objeções a fazer, me adianto respondendo as mais comuns:

E para que serve então os Mandamentos?

Resposta: Para nos revelar a condição do pecado (Rm 3:19-20).

E a responsabilidade humana?

Resposta: No Éden, o homem feito à imagem e semelhança de Deus, no exercício de sua liberdade, escolheu pecar (Rm 5:12).

Seria injusto?

Resposta: Não. Pois, Deus não escolhe dentre inocentes, mas dentre pecadores culpados e indesculpáveis. Se não fosse a Eleição, todos pereceriam, pois todos merecem a Ira, ou seja, a punição por seus delitos (Ef 2:3).

Tudo me foi dado por Cristo. Sou justo, remido, Filho, co-herdeiro, mais-que-vencedor e nenhuma dessas qualidades me conferem honra. A única coisa que sei é que morri na queda e fui ressuscitado pelo Senhor Jesus. A iniciativa parte d’Ele, em amor. Louvado seja Deus. Finalizo aqui com uma citação de Martinho Lutero ²:

“Não existe tal coisa como mérito humano aos olhos de Deus, sem importar se esse mérito é grande ou pequeno. Ninguém merece ser salvo. Ninguém pode ser salvo através das obras. Paulo exclui todas as supostas obras do “livre-arbítrio”, estabelecendo em seu lugar apenas a graça divina. Não podemos atribuir a nós mesmos a menor parcela de crédito para nossa salvação; ela depende inteiramente da graça divina.”
______________
NOTAS:
1.CALVINO, João. Commentary on Genesis. 
(http://www.ccel.org/ccel/calvin/calcom01.html).

2. LUTERO, Martinho. Nascido Escravo.Editora Fiel.

Fonte: Cristianismo Simples

28 de out. de 2014

Por que orar se Deus conhece nossas necessidades?



Casar ou não casar? Eis a questão!

Por Wallace Jaguaribe

Casar é uma bênção concedida por Deus, não é bom que o homem esteja só, isto é uma verdade. Mas, também é verdade que a vida a dois não é fácil, por isso Paulo afirmou "aqueles que se casarem enfrentarão muitas dificuldades na vida" 1 Coríntios 7:28. Assim, é preciso muita comunhão com Deus, muita renúncia, para que o casamento seja uma bênção.
Devemos entender que o casamento é a única opção de Deus para a prática do sexo. E o casamento deve ser monogâmico e heterossexual, observe: "por causa da imoralidade, cada um deve ter sua esposa, e cada mulher o seu próprio marido" 1 Coríntios 7:2.
Mas, algumas pessoas recebem uma capacidade de poder vencer seus impulsos sexuais e seguir com uma vida santa, pura, optando por não casar. Repito, optando por uma vida de solteiro, ou seja, uma vida de castidade, de santidade, uma vida de celibato. Vejam as palavras do apóstolo Paulo: "Gostaria que todos os homens fossem como eu; mas cada um tem o seu próprio dom da parte de Deus; um de um modo, outro de outro. Digo, porém, aos solteiros e às viúvas: é bom que permaneçam como eu. Mas, se não conseguem controlar-se, devem casar-se, pois é melhor casar-se do que ficar ardendo de desejo". 1 Coríntios 7:7-9.
Paulo permanecia sem fazer-se acompanhar de esposa, seguia sozinho, principalmente pela vida perigosa de missionário que levava. Então, quando refere-se a "permaneçam como eu", está querendo dizer, permaneçam solteiros e em santidade. Com a expressão "Cada um tem o seu próprio dom da parte de Deus" Paulo está se referindo à capacidade de casar ou ficar em celibato voluntário.
Realmente há pessoas com muita dificuldade de harmonizar-se com outro numa relação de casamento. Dificuldade de compartilhar, de ceder espaço, dificuldade de enfrentar uma vida a dois... Casam e vivem como se fossem solteiros, tornam o relacionamento um verdadeiro inferno. Bem, "andarão dois juntos se não houver entre eles acordo?". Esta pergunta cabe bem para quem ainda não casou. É por isso que a avaliação precisa ser feita antes do casamento. Se você sente a necessidade de casar, então prepare-se para viver objetivando fazer seu cônjuge feliz, Observando os mandamentos bíblicos para um casamento saudável.
Agora, não se deve pressionar as pessoas para arranjarem namorados ou namoradas. Deixa chegar o tempo. E se você quer uma vida financeira equilibrada antes do casamento, então deixa para namorar mais próximo deste equilíbrio, pois um namoro muito extenso pode gerar dificuldades tanto quanto um namoro muito curto. E quando falo namoro, estou dizendo período de conhecimento intelectual, emocional, social, apenas, pois a prática do sexo só deve acontecer no casamento ou se constituirá em fornicação, caso em que os dois são solteiros, ou adultério, caso de relacionamento sexual fora do casamento.
Enfim, biblicamente, o casamento ou o celibato voluntário e em santidade, são opções válidas. Cada um deve avaliar bem e com muita oração para decidir corretamente. No entanto, o povo de Deus não deve pressionar as pessoas nesta área. Devemos ajudar os irmãos a não despertarmos o amor antes que eles o queiram. Certamente, muitos estariam mais felizes se estivessem solteiros. Como a questão é muito pessoal e séria, a igreja faz melhor se orar, orientar, e não pressionar em qualquer destas direções. Que Deus os abençoe.

27 de out. de 2014

Depravação Total

Por Morgana Mendonça dos Santos

A Total Depravação antes de ser o primeiro ponto da TULIP, é um ensinamento bíblico, uma verdade que contrasta efusivamente com a visão que a grande maioria tem do ser humano. A visão influenciada pela ideia (Pelagiana) de que o homem precisa de uma receita apenas, pois o problema dele é temporário ou remediável vem nos forçar a ir contra as Escrituras. Uma enfermidade moral resultando uma parcialidade corrompida, isto é, podendo ainda ser “ele” responsável pelas suas escolhas e decisões. Estamos convictos que esse pensamento é uma heresia, não pós-moderna, pelo contrário, bem antiga.

“A expressão ‘pecado original’ não significa que o pecado faça parte da natureza humana como tal, pois ‘Deus fez o homem reto’ (Ec 7.29). Mais exatamente, ‘pecado original’ significa que a pecaminosidade marca a cada um desde o nascimento, na forma de um coração inclinado para o pecado, antes de quaisquer pecados de fato cometidos. Essa pecaminosidade íntima é a raiz e a fonte desses pecados atuais. Ela nos foi transmitida por Adão, nosso primeiro representante diante de Deus. A doutrina de pecado original nos diz que nós não somos pecadores porque pecamos, mas pecamos porque somos pecadores, nascidos com uma natureza escravizada ao pecado.” [1]

Segundo o autor Gise Van Baren [2]:

"O que nós devemos entender por 'depravação total'? 'Depravação' significa perversidade, corrupção, o mal inato do homem não regenerado. Adicionar a palavra 'total' a depravação, é enfatizar sem nenhuma sombra de dúvida, a verdade que não há absolutamente nenhuma bondade no homem natural, no homem que é nascido do Adão caído."

As Escrituras Sagradas afirmam com clareza a condição humana caída.

Efésios 2.1 "Ele vos vivificou, estando vós mortos nos vossos delitos e pecados”.

Colossenses 2.13 "e a vós, quando estáveis mortos nos vossos delitos e na incircuncisão da vossa carne, vos vivificou juntamente com ele, perdoando-nos todos os delitos”.

O Apóstolo Paulo é claro, oferecendo a realidade do nosso estado antes da regeneração ou novo nascimento. Estávamos mortos, isto é, mortos por conta dos nossos pecados, corrompidos totalmente, de fato, depravados. Todavia, esse homem foi criado à imagem (Ec 7.29) e semelhança de Deus (Gn 1.26-27). Deus deu uma ordem (Gn 2.16-17) ao homem e através dessa obediência o homem poderia obter vida. De forma consciente o homem falhou desobedecendo a Deus (Gn 3.6), rebelando-se contra o seu Criador. Pecado esse conhecido como a "Queda do Homem", trazendo uma trágica realidade: o homem está morto espiritualmente e sofreu uma ruptura na ligação da sua alma com Deus o que mais adiante resultou em morte física.

Romanos 5.12 "Portanto, como por um homem entrou o pecado no mundo, e pelo pecado a morte, assim também a morte passou a todos os homens por isso que todos pecaram”.

Adão como representante de toda a raça humana, afetado pelo pecado e pelo pecado a morte, condicionando assim toda a humanidade a um estado de destituição para com o Criador. Com isso tornando o homem objeto da justa ira de Deus, e por conta desse pecado a morte passa a todos os homens. A humanidade recebeu essa herança da culpa do pecado e por isso todos nascem totalmente depravados e espiritualmente mortos. Significando uma natureza má, não de forma intensiva e sim extensiva, no que se define todo o nosso ser, isto é, intelecto, emoções e vontades, no qual, estão corrompidos pelo pecado.

Romanos 3.10-18 "Como está escrito: Não há um justo, nem um sequer. Não há ninguém que entenda; Não há ninguém que busque a Deus. Todos se extraviaram, e juntamente se fizeram inúteis. Não há quem faça o bem, não há nem um só. A sua garganta é um sepulcro aberto; Com as suas línguas tratam enganosamente; Peçonha de áspides está debaixo de seus lábios; Cuja boca está cheia de maldição e amargura. Os seus pés são ligeiros para derramar sangue. Em seus caminhos há destruição e miséria; E não conheceram o caminho da paz. Não há temor de Deus diante de seus olhos".

Eclesiastes 7.20 "Pois não há homem justo sobre a terra, que faça o bem, e nunca peque”.

Salmos 14.1-3 “Diz o néscio no seu coração: Não há Deus. Os homens têm-se corrompido, fazem-se abomináveis em suas obras; não há quem faça o bem. O Senhor olhou do céu para os filhos dos homens, para ver se havia algum que tivesse entendimento, que buscasse a Deus. Desviaram-se todos e juntamente se fizeram imundos; não há quem faça o bem, não há sequer um”.

Compare com o salmo 53 e perceba que é o único Salmo que se repete, gerando uma inabilidade total para reconciliar-se com o Seu Criador, esse homem depravado, por si só, é completamente incapaz de crer em Cristo verdadeiramente. Vejamos o que mais uma vez Paulo diz:

Romanos 3.23 "Porque todos pecaram e destituídos estão da glória de Deus".

Esse estado "destituído" do homem para com Deus o torna eternamente morto, se Deus não tomar a iniciativa de salvá-lo, ele continuará assim. Impossível ao homem fazer algo de si mesmo que contribua para a sua salvação. Essa doutrina chamada por alguns da incapacidade humana ensina que de fato, torna-se impossível que um pecador escolha a Deus. Devendo isso preceder a obra vivificadora e regeneradora do Espírito Santo. O próprio Cristo afirma que a eleição é incondicional, a graça é irresistível.

João 6.44 “Ninguém pode vir a mim, se o Pai que me enviou o não trouxer; e eu o ressuscitarei no último dia”.

Essa obra chamada "regeneração" antecede o arrependimento, confissão e crença genuína no Evangelho. O próprio Espírito Santo cumpre a sua função de convencer o homem do pecado, da justiça e do juízo. (João 16.8)

Na Confissão de Fé de Westminster [3], encontramos a seguinte afirmação:

"O homem, por sua queda em um estado de pecado, perdeu completamente toda a capacidade de desejar qualquer bem espiritual que acompanhe a salvação; portanto como homem natural inteiramente contrário ao bem e morto em pecado, ele não é capaz, por sua própria força, de converter-se ou mesmo preparar- se para isso”.

"Quando Deus converte um pecador e o transfere para o estado de graça, Ele o liberta de sua natural escravidão ao pecado, e somente por Sua graça, Ele permite que ele livremente deseje e faça o que é espiritualmente bom [...]".

No Catecismo de Heidelberg [4] observamos:

“Somos então tão corruptos ao ponto de sermos totalmente incapazes de fazer qualquer bem que seja, e inclinados para todas as perversidades?

 Resposta: Certamente nós somos, exceto se formos regenerados pelo Espírito de Deus”.

Na Confissão Belga [5] há uma declaração:

"Tornando- se ímpio, perverso e corrupto em todas as suas práticas, ele perdeu todos os dons excelentes, que tinha recebido de Deus. Nada lhe sobrou destes dons, senão pequenos traços, que são suficientes para deixar o homem sem desculpa."

As Escrituras Sagradas, inerrante e suficiente, afirma fazendo assim das confissões e catecismo relevante:

Tito 3.3-5 "Porque também nós éramos outrora insensatos, desobedientes, extraviados, servindo a várias paixões e deleites, vivendo em malícia e inveja odiosos e odiando-nos uns aos outros. Mas quando apareceu a bondade de Deus, nosso Salvador e o seu amor para com os homens, não em virtude de obras de justiça que nós houvéssemos feito, mas segundo a sua misericórdia, nos salvou mediante o lavar da regeneração e renovação pelo Espírito Santo."
Ao declarar a depravação em sua totalidade, queremos afirmar três coisas:

 Primeiro, todos os homens, exceto Cristo, são depravados e transgressores (Sl 142.3; Sl 53.2-3)

Segundo, em cada parte, são depravados. Seus atos, emoções, vontades, corações, pensamentos são comprometidos pela sua condição diante de Deus.

Terceiro, de forma completa em cada parte, os homens são depravados. Não há uma parcialidade, cada parte do homem é totalmente depravada e não há nenhum bem em parte alguma.

Com isso veremos a necessidade da Cruz, revelação da Sua Graça, que impossibilita o homem a fazer qualquer coisa para concertar sua real situação para com o Criador de todas as coisas, para a Sua Glória.
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NOTAS:

[1] Bíblia de Estudo de Genebra, Editora: Cultura Cristã.
[2] BAREN, Gise Van. Depravação Total. Fireland Missions: janeiro de 2013
[3] Confissão de Fé de Westminster - Capítulo IX: III-IV.
[4] As três formas de Unidade das Igrejas Refromadas – A Confissão Belga, O catecismo de Heidelberg e Os Canones de Dort. Editora: Puritanos, 2009. (Parte 1, Dia do Senhor 3, Pergunta 8. Ref.: Gn 6.5; Jó 14.4; Is 53.6; Jó 3.3-5.)
[5] As três formas de Unidade das Igrejas Refromadas – A Confissão Belga, O catecismo de Heidelberg e Os Canones de Dort. Editora: Puritanos, 2009. (Confissão Belga - artigo XIV.)

Os Cânones de Dort

Por Thomas Magnum

Muitos crentes têm pavor do termo calvinismo. Muitos nunca sequer leram nada, mas, sabem que não são calvinistas. É interessante como a igreja no decorrer da história abandonou suas raízes doutrinárias e abraçou uma série de pensamentos que estão distantes dos ensinos das Escrituras Sagradas. Nossa história começa no século XVI com os documentos produzidos por consequência da Reforma Protestante essas confissões iniciadas pelo catecismo de Heidelberg até chegarmos ao século XVII.

Os cânones de Dort são de especial importância a igreja reformada no século XVII, mais precisamente em 1619. Em 1588 Jacó Armínio que tinha estudado com Teodoro Beza, começou a questionar e discordar da doutrina da predestinação ensinada pelo calvinismo. Em 1602 se tornou professor em Leyden, onde encontrou um oponente chamado Francisco Gomaro.

A polêmica prolongou-se até 1609 quando Armínio morreu de tuberculose. No ano que seguiu sua morte seus seguidores escreveram um documento chamado Remonstrância. Vejamos o que diz Duane Edward Spencer:

Pelo fato de as igrejas dos Países Baixos, em comum com as principais Igrejas Protestantes da Europa, subscreverem as Doutrinas Reformadas da Bélgica e as Confissões de Heidelberg, os arminianos resolveram fazer uma representação ao Parlamento Holandês. Este protesto contra a Fé Reformada, cuidadosamente escrito, foi submetido ao Estado da Holanda, e, em 1618, um Sínodo Nacional da Igreja reuniu- se em Dort para examinar os ensinos de Arminius à luz das Escrituras. Depois de 154 calorosas sessões, que consumiram sete meses, Os Cinco Pontos do Arminianismo foram considerados contrários ao ensino das Escrituras e declarados heréticos. Ao mesmo tempo, os teólogos reafirmaram a posição sustentada pelos Reformadores Protestantes como consistente com as Escrituras, e formularam aquilo que é hoje conhecido como Os Cinco Pontos do Calvinismo (em honra do grande teólogo francês, João Calvino).[1]

Os cinco pontos do Arminianismo são:

Vontade Livre
Eleição condicional
Expiação universal
A graça pode ser impedida
O homem pode cair da graça

A resposta aos argumentos arminianos estudadas no sínodo e Dort formam o acrostico TULIP. Apresentados como os cinco pontos do Calvinismo:

Total Depravity (Depravação Total)
Unconditional Election (Eleição Incondicional)
Limited Atonement (Expiação Limitada)
Irresistible Grace (Graça Irresistível)
Perseverance of Saints (Perseverança dos Santos)

Dessa refutação aos ensinos arminianos surge os cânones de Dort . Nesse pequeno ensaio estaremos abordando biblicamente os cinco pontos do calvinismo, demonstrando a diversidade de textos bíblicos que dão suporte a teologia reformada e que o arminianismo está errado em sua teologia que diminui a glória da graça de Deus e centraliza o homem e seu “livre arbítrio”.


O Pacto e a Predestinação

Por Herman Hoeksema 

A reprovação está imediatamente conectada com a eleição, mas não pode ser colocada a par com a eleição. A reprovação segue a eleição, e a reprovação serve à eleição. A reprovação tem o seu motivo na vontade divina de realizar o pacto na forma antitética de pecado e graça. A plenitude da deidade habita no Cristo ressurreto. Da profundeza de miséria e morte, Cristo entra na glória da plena vida pactual de Deus. Esse caminho do sofrimento à glória, do pecado à justiça do reino dos céus, da morte para a vida, a igreja deve seguir. À medida que a igreja segue esse caminho, a casca réproba do organismo humano serve à igreja em Cristo. Na casca da reprovação o núcleo eleito se torna maduro. Por essa razão, a reprovação não pode ser colocada na mesma linha da eleição. 

A eleição é a pré-ordenação divina da igreja, com seus milhões de eleitos, para a salvação da vida do pacto de Deus em Cristo. A igreja serve a Cristo. A igreja eleita é dada a Cristo como o seu corpo. Ela deve servir para manifestar e radiar numa forma multiforme a glória que está em Cristo Jesus, que é a glória de Deus. Por essa razão, os eleitos são aqueles que são dados pelo Pai a Cristo. Aqueles que são dados formam uma unidade. Todo aquele (no singular) que o Pai me dá, esse virá a mim; e aqueles (no plural) que vêm a mim, de modo nenhum os lançarei fora (João 6:37, versão do autor). 

Esse é o ensino da Escritura. Novamente, essa apresentação tem sido objetada que a palavra eleição é uma tradução do grego ἐκλογή, que na verdade significa “escolher dentre”. Disso é argumentado que se é possível falar de eleição ou escolha dentre, então a multidão da qual a escolha é feita deve ser pressuposta existir. Aplicado à eleição eterna, isso significaria que no decreto de Deus a multidão de homens dentre a qual Deus elege seu povo deve preceder a própria eleição. Conclui-se então que no conselho de Deus o decreto de criação e a permissão da queda certamente devem preceder o decreto de predestinação. Por conseguinte, Deus escolheu dentre uma multidão de homens caídos.

Por detrás dessa apresentação reside indubitavelmente a boa intenção de não fazer de Deus o autor do pecado. Podemos observar, primeiro, que de fato deve estar longe de nós o fazer de Deus o autor do pecado. Contudo, é uma questão inteiramente diferente se Deus deve ou não ser apresentado como a causa decretadora do fato da queda e do fato do pecado. Se não queremos destronar Deus e apresentar Deus e o pecado como um dualismo, certamente devemos manter que Deus é a causa decretadora do fato do pecado. 

Segundo, o infralapsariano, a despeito de todas as suas boas intenções, não resolve no final das contas o problema do pecado em relação a Deus mais que o supralapsariano o faz. O infralapsariano também terá que dar ao pecado um lugar no decreto de Deus. 

Com respeito à argumentação a partir da palavra ἐκλογή (eleger), podemos dizer que ela reside num mau entendimento.  Esse equívoco é que a pessoa aplica a Deus o que é aplicável somente aos homens. Quando os homens elegem, nada vem à existência por causa disso. Os homens podem apenas fazer distinção e separação. Por conseguinte, quando os homens escolhem, aquilo dentre o qual a escolha é feita deve existir primeiro. Mas com Deus é exatamente o oposto. Com ele a eleição é causal, criativa e divina. 

Essa distinção é a mesma daquela entre a palavra divina e a palavra humana. A palavra de Deus é criativa. Essa palavra vem primeiro. A coisa que vem à existência por meio da palavra vem em seguida. A palavra do homem pode ser apenas uma imitação da palavra de Deus. Antes que o homem possa falar, a coisa criada deve primeiro ter vindo à existência pela palavra de Deus. O mesmo é verdade da eleição. Quando Deus em seu decreto escolhe dentre, então por meio desse decreto a diferenciação ou a multidão diferenciada vem à existência. Em outras palavras, a eleição de Deus é primeiro de tudo pré-ordenado para a salvação e para a glória da vida pactual em Cristo. 

Assim é na Escritura. Em outra conexão já apontamos o fato que a Escritura fala de uma eleição antes da fundação do mundo: “Nos elegeu nele antes da fundação do mundo” (Ef. 1:4). Isso não significa que esse “antes da fundação do mundo” é simplesmente antes do mundo ou da fundação do mundo no tempo. A eternidade, na qual reside o decreto de Deus, não precede o tempo, mas está muito acima do tempo; ela não é tempo. 

Além disso, a Escritura frequentemente fala do fato que Deus conhece o seu povo: 

Porque os que dantes conheceu, também os predestinou para serem conformes à imagem de seu Filho, a fim de que ele seja o primogênito entre muitos irmãos. E aos que predestinou, a esses também chamou; e aos que chamou, a esses também justificou; e aos que justificou, a esses também glorificou (Rm. 8:29, 30). 

Em 1 Pedro 1:2 lemos: “Eleitos segundo a presciência de Deus Pai, em santificação do Espírito, para a obediência e aspersão do sangue de Jesus Cristo”. 

Esse pré-conhecimento de Deus não pode e não deve ser explicado de uma forma humana, como o arminiano deseja explicá-lo. Então pegamos a idéia de uma presciência de Deus, de um ver desde a eternidade quem irá e que não irá crer em Cristo e perseverar até o fim, e de uma eleição baseada sobre esse pré-conhecimento. De acordo com tal apresentação, o que é aplicável somente ao conhecimento humano é aplicado a Deus. Antes, esse pré-conhecimento de Deus é um conhecer criativo de amor, pelo qual o objeto vem a estar diante de Deus, e a corrente de amor soberano jorra dele. Somente nessa luz podemos entender uma passagem como Isaías 43:4 (ARA): “Visto que foste precioso aos meus olhos, digno de honra, e eu te amei, darei homens por ti e os povos, pela tua vida”. Devemos ver na mesma luz Isaías 49:16: “Eis que, na palma das minhas mãos, te tenho gravado; os teus muros estão continuamente perante mim”. 

Essa, então, é a conclusão do assunto concernente ao pacto de Deus: Deus quer revelar sua vida pactual gloriosa a nós; como o Deus triúno ele ordena seu Filho para ser Cristo e Senhor, o primogênito de toda a criação, o primogênito dentre os mortos, o glorificado, em quem habita toda a plenitude da divindade; para esse fim ele ordena a igreja e lhe dá a Cristo, e ele elege por seu nome todos aqueles que na igreja terão um lugar para sempre, para que a plenitude (πλήρωμα) de Cristo possa cintilar numa variação multiforme na igreja para o louvor de sua glória. Ao redor desse Cristo e sua igreja e desse propósito da revelação da glória da vida pactual de Deus, todas as coisas no tempo e na eternidade duradoura se concentram. O fim disso tudo é que nos prostremos em adoração perante esse glorioso Deus soberano e exclamemos.

"Ó profundidade das riquezas, tanto da sabedoria, como da ciência de Deus! Quão insondáveis são os seus juízos, e quão inescrutáveis, os seus caminhos! Porque quem compreendeu o intento do Senhor? Ou quem foi seu conselheiro? Ou quem lhe deu primeiro a ele, para que lhe seja recompensado? Porque dele, e por ele, e para ele são todas as coisas; glória, pois, a ele eternamente. Amém!" (Rm. 11:33-36). 
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Fonte: Reformed Dogmatics – Volume 1, Herman Hoeksema, 
Reformed Free Publishing Association, pg. 477-80.

Tradução: Felipe Sabino de Araújo Neto.