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25 de nov. de 2015

Lendo o jornal com Habacuque

Por Erik Raymond  

Estou pregando no livro de Habacuque, e isso tem sido muito instrutivo para mim. Uma área de muito encorajamento tem sido a relação entre os eventos correntes e o plano redentivo de Deus. Penso que isso pode ser particularmente útil quando pensamos nos eventos dos dias de hoje.

Se você não está familiarizado com o livro, deixe-me te ajudar. Israel está em uma posição complicada no Século 7 a.C. A Assíria havia lhe dado alguns chutes, deportando muitos dos seus e dominando quem restou. Por conta da rebelião do povo contra a Palavra de Deus, eles estão sofrendo sob o domínio sufocante de uma nação pagã. Habacuque olha ao redor e vê as coisas piorando, ao invés de melhorarem. Ele clama a Deus no capítulo 1, declarando que está fatigado e um tanto frustrado com o que ele vê. Ele quer respostas, tanto quanto quer salvação.

2 de mar. de 2015

As Lições Teológicas de um Vestido azul e preto

Por Thiago Oliveira

Sim, o vestido é azul e preto. Não importa se você - assim como eu - enxerga-o branco e dourado. A polêmica que quase parou a internet sobre as cores de um vestido postado numa rede social por uma escocesa de 21 anos, serviu para divertir, mas também instruir. Enquanto milhares de pessoas brigavam sobre quem teria razão sobre as cores, descobrimos que, na verdade, uma leve variação nos receptores de cor provocou este rebuliço. Quem distingue a cor não são os olhos, mas sim o cérebro. É o córtex cerebral que distingue a pigmentação a partir das frequências de luz capitadas pelas células do olho. Nem todos tem a mesma quantidade de células receptoras e isso faz com que enxerguemos as cores de maneira diferenciada. Algo Normal. Vale lembrar que a foto do vestido estava num ambiente em que a luminosidade provocou uma espécie de filtro que deixou o fundo saturado, por conta disso, foi maior a “ilusão de ótica”.

Passado o caso, o meu lado “teólogo” começou a fervilhar. Tive uma sacada e relacionei a polêmica das cores com o conhecimento sobre Deus. Parece bobagem, mas acredite: há uma correlação. Assim como o vestido é preto e azul e alguns enxergavam de outra forma, de igual modo, Deus é de determinada maneira, só que muitos O enxergam com outro viés. Embora alguns tenham dito que quem vê branco e dourado não estaria vendo errado, eu discordo veementemente. Se foi provado que o vestido é azul e preto, e uma outra publicação da escocesa fez todos verem as cores originais, logo, bater o pé e defender uma outra coloração que não seja a do vestido, é um erro. Semelhantemente, enxergar Deus de uma forma que Ele não é, ou seja, como Ele não se revelou a nós, é ilusório e compromete a realidade dos fatos.

De todo esse escarcéu, tirei algumas lições acerca de como Deus é, queria você pense, sinta ou enxergue diferente, nada pode mudar os fatos que estão registrados na Escritura, a principal fonte revelacional. Quer conhecer a Deus? Leia a Bíblia. É cristão? Tenha a Bíblia como verdade e autoridade final. Não temos permissão para editar a mensagem que Deus nos legou sobre Si mesmo, temos que ser fieis e repassar com exatidão aquilo que diz o Texto Sagrado. Vamos às lições:

1. Deus é soberano e governa tudo e todos

Alguns teimam em aceitar isso como verdade. Que tipo de crentes estas pessoas são? Bem, são crentes que querem suavizar a mensagem cristã para que essa soe mais atrativa para este mundo pós-moderno. Para elas, é inadmissível que Deus possa matar, ferir, mandar pessoas para o inferno e etc. Deus é amor gritam aos quatro ventos. Mas não negamos que Ele é amor, assim também como não negamos que ele é justo e bom. Mesmo quando Deus faz coisas que nos parecem cruéis ou até mesmo injustas, precisamos lembrar que Ele é SENHOR e não possui sombra de variação. Volúveis somos nós, humanos caídos.

O governo de Deus abarca todas as coisas, tudo foi decretado segundo o propósito de Sua vontade, até mesmo o ímpio para o dia do juízo (Pv 16.4). O Senhor tem contados todos os nossos dias (Sl 39.4). O profeta Isaías falando da parte do SENHOR não nos deixa dúvida de que Deus é soberano: “Eu formo a luz e crio as trevas; faço a paz e crio o mal; eu, o Senhor, faço todas estas coisas” (Is 45.7). Se lermos passagens como Números 14.11-12, I Samuel 16.14 e 1 Crônicas 21.14, veremos que Deus utiliza-se de calamidades quando bem lhe aprouver. Aceitar isso e continuar crendo que o nosso SENHOR é reto em todos os seus caminhos é a Fé que precisamos e que evidencia o nossa regeneração em Cristo.

2. Deus escolhe os que são salvos e não o contrário     

Enquanto tem gente cantando “Eu escolho Deus, eu escolho ser amigo de Deus, eu escolho Cristo todo dia”, a Bíblia nos ensina o oposto. O próprio Jesus disse aos doze: “Não me escolhestes vós a mim, mas eu vos escolhi a vós, e vos nomeei, para que vades e deis fruto, e o vosso fruto permaneça; a fim de que tudo quanto em meu nome pedirdes ao Pai ele vo-lo conceda.” (Jo 15.16). Em outro dito seu, também registrado por João, Jesus arremata: “Ninguém pode vir a mim, se o Pai que me enviou o não trouxer; e eu o ressuscitarei no último dia.” (Jo 6.44).

A dificuldade em aceitarmos a Predestinação é a nossa natureza caída e totalmente inflada. Queremos porque queremos ter algum mérito, todavia a Palavra nos diz que só vão até a Cristo aqueles a quem o Espírito Santo revelar. Muitos vão objetar dizendo que seria injusto da parte de Deus e que a própria bíblia ensina que ele não faz acepção de pessoas (At 10.34). Primeiro: Não é injusto, pois, Deus não escolhe dentre inocentes, mas dentre pecadores culpados e indesculpáveis. E não é uma acepção, pois esta prática se baseia em qualidades, ou melhor, atratividade, e em nós não havia nada que pudesse chamar a atenção do SENHOR de uma forma positiva. Queira você ou não, a salvação não tem mérito nenhum da sua parte. Deus está do começo aos fim gerenciando esse processo. Negar a doutrina da Eleição e apelar para o livre-arbítrio é permanecer vendo “branco e dourado”, sendo que a realidade já constatada “azul e preto”.

3. Deus faz tudo para Seu louvor

No mundo humanista em que vivemos, há uma exaltação da figura humana presente em quase tudo. Esse humanismo adentrou sutilmente na Igreja. Há quem exalte a “raridade” do homem. Todavia, o Cristianismo humilha o homem e glorifica a Deus. Ele faz todas as coisas para Sua glória. Até mesmo a nossa salvação foi postulada para o louvor da divindade (leia Ef 1.11-14). Aos colossenses, o apóstolo Paulo diz que: “nele foram criadas todas as coisas nos céus e na terra, as visíveis e as invisíveis, sejam tronos ou soberanias, poderes ou autoridades; todas as coisas foram criadas por ele e para ele”. (Cl 1.16).

Tudo procede dEle, por meio dEle e para Ele (Rm 11.36). Ei, Deus é um egocêntrico? Não! Ele é a medida de todas as coisas. Se você e eu, ou qualquer outro ser humano, buscarmos a glória pessoal, estamos arruinados. Com Deus é diferente, pois Ele é. Ponto. Não é mentira que Ele está acima de toda a criação. Quem o aconselhou na hora de criar? Ninguém! Por isso Ele pode e deve ter toda a honraria e majestade que nós devemos ofertar. Ser glorificado é o mote que torna esse mundo um lugar que, apesar de toda maldade, continua nos abençoando e permitindo que a vida aconteça.

Se você não acredita que Deus é soberano, até na hora de salvar, e que tudo nesse mundo é para exaltá-lO como aquele que era, que é e que sempre a de ser, então repense seu cristianismo, pois ele não coaduna com a Bíblia. Não confie em sentimentos, nem na sua percepção. Só o que está relevado na Escritura nos elucida de que as cores são “preta e azul” ao invés de “dourado e branco”.

Soli Deo Gloria

16 de out. de 2014

Desde a Eternidade Deus Tem Um Plano Imutável

Por A.A. Hodge

Como Criador e Governador infinitamente inteligente e providente, Deus certamente teve um propósito definido com referência à existência e destino de tudo quanto criou, compreendendo em um só sistema todo-perfeito seu fim principal nesse particular e todos os fins e meios subordinados em referência a esse fim principal. E já que ele é um Ser eterno e imutável, seu plano certamente existiu em todos os seus elementos, perfeito e imutável, desde a eternidade. Visto ser Deus uma Pessoa infinita, eterna, imutável e absolutamente sábia, poderosa e soberana, certamente que seu propósito participa dos atributos essenciais de seu próprio ser. E visto que a inteligência de Deus é absolutamente perfeita e seu plano eterno; visto que seu fim último é revelado como que almejando unicamente sua própria glória, e toda a obra da criação e da providência é observada como a formar um sistema único, segue-se que seu plano é também único — uma intenção todo-compreensiva, provida de todos os meios e condições, bem como dos fins predestinados.

O plano de Deus compreende e determina todas as coisas e eventos de todo gênero que venham suceder.

Isso se faz infalível à luz do fato de que todas as obras de Deus, da criação e da providência, se constituem num sistema.

Nenhum evento é isolado, quer no mundo físico quer no mundo moral, quer no céu quer na terra. Todas as revelações super-naturais de Deus, e cada avanço da ciência humana, corroboram para tornar esta verdade conspicuamente luminosa. Daí a intenção original que determina um evento deve também determinar todos os outros eventos relacionados a ela, como causa, condição, ou conseqüente, direto e indireto, imediato ou remoto. Por isso, o plano que determina os fins gerais deve também determinar até mesmo o elemento mais minúsculo compreendido no sistema do qual esses fins são partes. As ações livres de agentes livres constituem um elemento eminentemente importante e efetivo no sistema de coisas. Se o plano de Deus não determinou eventos dessa classe, ele não poderia ter feito nada certo, e seu governo do mundo seria feito contingente e dependente, e todos os seus propósitos, falíveis e mutáveis.

As Escrituras expressamente declaram essa verdade:

a. De todo o sistema em geral. Ele "opera todas as coisas segundo o conselho de sua própria vontade". Ef 1.11.

b. Dos eventos fortuitos. Pv 16.33; Mt 10.29,30.

c. Das livres ações dos homens. "Como ribeiros de águas assim é o coração do rei na mão do Senhor, que o inclina a todo o seu querer." Pv 21.1. "Porque somos feitura sua, criados em Cristo Jesus para as boas obras, as quais Deus de antemão preparou para que andássemos nelas." Ef 2.10. "Porque Deus é quem opera em vós tanto o querer como o efetuar, segundo sua boa vontade." Fp 2.13.

d. Das ações pecaminosas dos homens. "A este que foi entregue pelo determinado conselho e presciência de Deus, prendestes, crucificastes e matastes pelas mãos de injustos." At 2.23. "Porque verdadeiramente contra o teu Santo Filho Jesus, que tu ungiste, se juntaram, não só Herodes, mas Pôncio Pilatos, com os gentios e os povos de Israel; para fazerem tudo o que tua mão e teu conselho tinham anteriormente determinado que se havia de fazer." At 4.27-28. Compare-se Gn 37.28 com Gn 45.7-8; Is 10.5.

Deve lembrar-se, contudo, que o propósito de Deus com respeito aos atos pecaminosos dos homens e anjos réprobos, em nenhum aspecto causa o mal nem o aprova, mas apenas permite que o agente mau o realize, e então o administra para seus próprios sapientíssimos e santíssimos fins. O mesmo decreto infinitamente perfeito e autoconsistente ordena a lei moral que proíbe e condena todo o pecado, e ao mesmo tempo permite sua ocorrência, limitando e determinando o canal preciso ao qual ele se confinará, o fim preciso ao qual se dirigirá e governando suas conseqüências para o bem. "Vós bem intentastes mal contra mim; porém Deus o intentou para o bem, para fazer como se vê neste dia, para conservar muita gente com vida." Gn 50.20.

Esse propósito todo-compreensivo não é condicional, nem no todo nem em qualquer de seus elementos constituintes. Em nenhum aspecto sua presciência depende de eventos não compreendidos em e determinados por seu propósito. Ele é absolutamente soberano, dependendo somente do "sábio e santo conselho de sua própria vontade".

Uma distinção bastante óbvia deve sempre ser mantida em mente entre um evento ser condicionado a outros eventos, e o decreto de Deus, com referência a esse evento, ser condicionado. Os calvinistas crêem, como todos os homens deveriam, que todos os eventos no sistema de coisas dependem de suas causas e são pendentes de condições. Isto é, se um homem não semeou, também não colherá; se semeou, e todas as influências climáticas favoráveis agem, ele colherá. Se um homem crê, ele será salvo; se não crê, também não será salvo. Mas o propósito todo-compreensivo de Deus abarca e determina a causa e as condições, tanto quanto o evento interrompido nelas. O decreto, em vez de alterar, determina a natureza dos eventos e suas relações mútuas. Ele faz as ações livres, livres em relação aos seus agentes; e os eventos contingentes, contingentes em relação às suas condições. Enquanto que, ao mesmo tempo, ele faz todo o sistema de eventos, e muitos elementos envolvidos nele, infalivelmente futuros. Decreto absoluto é aquele que, enquanto pode determinar muitos eventos condicio-nais, determinando suas condições, ele mesmo não é interrompido em nenhuma condição. Decreto condicional é aquele que determina que certo evento acontecerá sob a condição que algum outro evento não decretado aconteça, a que evento não decretado o próprio decreto, tanto quanto o evento decretado, se acha pendente.

Os decretos de Deus são incondicionais.

Todos quantos crêem num governo divino concordam com os calvinistas em que os decretos de Deus relativos aos eventos produzidos por causas necessárias são incondicionais. O único debate se relaciona aos decretos que são concernentes às livres ações dos homens e dos anjos. Os socinianos e racionalistas mantêm que Deus não pode infalivelmente prever as livres ações, porque à luz de sua própria natureza elas são incertas até que sejam realizadas. Os arminianos admitem que ele infalivelmente as prevê, mas negam que ele as determine. Os calvinistas afirmam que ele as prevê como infalivelmente futuras, porque ele determinou que elas assim o fossem.

A veracidade do ponto de vista calvinista prova-se:

À luz do fato de que, como demonstrado supra, os decretos de Deus determinam todas as classes de eventos. Se cada evento que vem a lume é preordenado, é evidente que não há nada indeterminado sobre o qual o decreto pudesse ser condicionado.

Porque os decretos de Deus são soberanos. Isso é evidente — (a) Porque Deus é o eterno e absoluto Criador de todas as coisas. Todas as criaturas existem, e são o que são, e possuem as propriedades peculiares a elas, e agem sob as próprias condições em que agem, em obediência ao plano divino, (b) É diretamente afirmado na Escritura. Dn 4.35; Is 40.13-14; Rm 9.15-18; Ef 1.5.

O decreto de Deus inclui e determina os meios e condições dos quais os eventos dependem, tanto quanto dos eventos propriamente ditos: "Como também nos elegeu nele antes da fundação do mundo, para que fôssemos santos e irrepreensíveis." Ef 1.4. "Porque pela graça sois salvos, por meio da fé; e isso não vem de vós, é o dom de Deus." Ef 2.8. "Deus desde o princípio vos elegeu para a salvação, pela santificação do Espírito e fé da verdade." 2 Ts 2.13. No caso do naufrágio de Paulo, Deus primeiramente prometeu a Paulo que absolutamente nenhuma vida se perderia. At 27.24. Paulo, porém, disse, no versículo 31: "Se estes não ficarem no navio, não podereis salvar-vos."

As Escrituras declaram que a salvação de indivíduos está condicionada ao ato pessoal de fé, e ao mesmo tempo que o decreto de Deus com respeito à salvação dos indivíduos repousa tão-só em "o conselho de sua própria vontade", "seu próprio beneplácito". "Porque, não tendo eles ainda nascido, nem tendo feito bem ou mal (para que o propósito de Deus, segundo a eleição, ficasse firme, não por causa das obras, mas por aquele que chama)." Rm 9.11. "Sendo predestinados segundo o propósito daquele que opera todas as coisas segundo o conselho de sua própria vontade." Ef 1.11; 1.5; Mt 11.25-26.