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5 de set. de 2016

Reforma: Retorno as Escrituras

Por Luciana Barbosa

Então o sumo sacerdote Hilquias disse ao secretário Safã: "Encontrei o livro da Lei no templo do Senhor". Ele o entregou a Safã, que o leu.

O secretário Safã voltou ao rei e lhe informou: "Teus servos entregaram a prata que havia no templo do Senhor e a confiaram aos trabalhadores e supervisores no templo". E o secretário Safã acrescentou: "O sacerdote Hilquias entregou-me um livro". E Safã o leu para o rei.

Assim que o rei ouviu as palavras do livro da Lei, rasgou suas vestes e deu estas ordens ao sacerdote Hilquias, a Aicam, filho de Safã, a Acbor, filho de Micaías, ao secretário Safã e ao auxiliar real Asaías: "Vão consultar o Senhor por mim, pelo povo e por todo Judá acerca do que está escrito neste livro que foi encontrado. A ira do Senhor contra nós deve ser grande, pois nossos antepassados não obedeceram às palavras deste livro, nem agiram de acordo com tudo que nele está escrito a nosso respeito". O sacerdote Hilquias, Aicam, Acbor, Safã e Asaías foram falar com a profetisa Hulda, mulher de Salum, filho de Ticvá e neto de Harás, responsável pelo guarda-roupa do templo. Ela morava no bairro novo de Jerusalém.

Ela lhes disse: "Assim diz o Senhor, o Deus de Israel: ‘Digam ao homem que os enviou a mim: Assim diz o Senhor: Eu vou trazer desgraça sobre este lugar e sobre seus habitantes; tudo o que está escrito no livro que o rei de Judá leu. Porque me abandonaram e queimaram incenso a outros deuses, provocando-me à ira por meio de todos os ídolos que as mãos deles têm feito, minha ira arderá contra este lugar e não será apagada’.

Digam ao rei de Judá, que os enviou para consultar o Senhor: ‘Assim diz o Senhor, o Deus de Israel, acerca das palavras que você ouviu:

Já que o seu coração se abriu e você se humilhou diante do Senhor, ao ouvir o que falei contra este lugar e contra seus habitantes, que seriam arrasados e amaldiçoados, e porque você rasgou as vestes e chorou na minha presença, eu o ouvi, declara o Senhor.

Portanto, eu o reunirei aos seus antepassados, e você será sepultado em paz. Seus olhos não verão toda a desgraça que eu vou trazer sobre este lugar’ ". Então eles levaram a resposta ao rei.”

2 Reis 22.8-20

Quando lemos esse texto que fala sobre o rei Josias, entendemos que este tinha conhecimento das Escrituras, pois, quando o livro que foi achado foi lido na sua presença, ele imediatamente rasgou suas vestes como sinal de arrependimento. Então diante disso devemos nos perguntar: Por que há a necessidade de se voltar a Lei de Deus? Para responder a essa pergunta gostaria de dividir a resposta em quatro pontos.

I - PORQUE SEM O CONHECIMENTO DA LEI DE DEUS, NÃO HÁ COMO PRESTAR CULTO VERDADEIRO (V. 16,17)

Quando o lugar da Escritura é trocado por outra coisa, o culto a Deus é segundo nossa própria imaginação, e se é pela nossa própria imaginação, cultuamos a outros deuses e não ao Senhor, logo há quebra do primeiro e segundo mandamento.

II - PORQUE SÓ ATRAVÉS DA LEITURA DA LEI DE DEUS CULTUAMOS O SENHOR COMO ELE É (V.11-13)

Só após ler a Lei do Senhor, Josias percebeu que o povo estava longe de Deus, pois este já conhecia e temia a Deus. Não há como conhecer a Deus sem ler (conhecer) a Sua Palavra.

III – PORQUE NECESSITAMOS RETIRAR DO NOSSO CULTO TUDO QUE NÃO AGRADA AO SENHOR (23. 4-14)

Depois que Josias tomou conhecimento do que Deus determinava em Sua Palavra fez uma varredura enorme: Derribou os postes-ídolos, tirou fora as estátuas dos deuses de outros povos, acabou com os prostitutos cultuais, matou os falsos sacerdotes, eliminou o espiritismo exercido por médiuns, adivinhadores e similares. Assim como fez o rei Josias, nós como povo exclusivo de Deus, devemos retirar do nosso culto tudo que não agrada a Deus, para que Ele venha aceitar nosso culto.

IV. PORQUE PRECISAMOS VOLTAR A ALIANÇA QUE DEUS FEZ COM SEU POVO (23.1-3)

Precisamos retornar para o lugar de onde nunca deveríamos ter saído, pois, é dentro da aliança que somos abençoados por Deus.

CONCLUSÃO

Necessitamos urgentemente retornar a Lei de Deus, necessitamos adorar somente a Deus, NÃO como achamos como Ele é, antes, como Sua palavra diz Ser o que Ele é: SANTO, JUSTO, PERFEITO, CIUMENTO e NÃO DIVIDE SUA GLÓRIA COM NINGUÉM.

“Então falou Deus todas estas palavras, dizendo: Eu sou o Senhor teu Deus, que te tirei da terra do Egito, da casa da servidão. Não terás outros deuses diante de mim. Não farás para ti imagem de escultura, nem alguma semelhança do que há em cima nos céus, nem em baixo na terra, nem nas águas debaixo da terra. Não te encurvarás a elas nem as servirás; porque eu, o Senhor teu Deus, sou Deus zeloso, que visito a iniqüidade dos pais nos filhos, até a terceira e quarta geração daqueles que me odeiam.”

Êxodo 20.1-5

20 de jan. de 2016

Jesus e o Sola Scriptura

Por Thiago Oliveira

Sola Scriptura tornou-se o lema mais conhecido da Reforma Protestante. Dele derivam outros quatro “solas”, todavia focaremos apenas neste e na sua relevância. No século 16, quando a Reforma eclodiu, a Igreja Católica Romana colocava a tradição em pé de igualdade com o texto sagrado. Assim, uma doutrina que não tivesse respaldo bíblico poderia ser aceita desde que tradicionalmente fosse adotada pelos pais da igreja, por resoluções conciliares e decretos papais. Lutero, Zuínglio, Calvino, Knox e antes deles Wycliffe e Huss, foram vozes que denunciaram esse preceito e com todas as letras declararam que somente a partir das Escrituras é que as doutrinas devem ser estabelecidas, pois, esta é a forma mais segura de se saber sobre Deus e sobre nós mesmos, afinal de contas, Deus se revelou desta maneira.  
      
A Bíblia é o nosso livro revelacional. Tudo o que sabemos sobre o evangelho de Jesus Cristo está em suas páginas. Ela fala do Salvador desde o Gênesis até o Apocalipse. O que chamamos de Antigo Testamento apresenta o Cristo como uma profecia, uma promessa, uma esperança de salvação. Já no Novo Testamento temos o cumprimento de todo o prenúncio veterotestamentário. Toda a Bíblia é inspirada e nos serve como fonte de revelação para que sejamos edificados mediante o seu conteúdo. A Escritura precisa assumir o seu lugar central em nossas vidas. Infelizmente, ela tem sido periférica até mesmo em nossos cultos, mas o lema da Reforma não foi escolhido à toa, acredito que Sola Scriptura tenha sido orquestrado pelo próprio Deus para lembrar ao seu povo de que este é o povo do livro, detentor da Palavra revelada. Desde então, em cada geração, homens tem sido levantados para bradar estas palavras latinas e defender a autoridade única da Bíblia em nos conduzir até o SENHOR dos senhores. Os homens são conduzidos à fé através da Palavra e este é o método ordinário que Deus usa para chamar os seus eleitos para Si.

Alguns cristãos cometem o equívoco de achar que os dois testamentos bíblicos são concorrentes e que o Novo tornou o Antigo obsoleto. É como se este último fosse apenas um registro do que Deus havia dito e feito para os judeus. Isso está bem longe da verdade. O Antigo Testamento é tão vívido e tão atual que é constantemente citado no Novo. C.S. Lewis, certa feita, disse que o Novo Testamento é uma colcha de retalhos feita com citações do Antigo, de tanto que Jesus e os apóstolos o citam. Até partes em que pensamos que Cristo e seus discípulos apresentaram algo novo, na verdade o que eles fizeram foi aprofundar um conceito que já estava presente no cânon hebraico. Vejamos o quanto Jesus fez uso do Antigo Testamento, que era a Escritura compilada de sua época.

- Lendo Isaías em Nazaré

Ainda no começo de seu ministério Jesus parte para Nazaré, cidade em que foi criado, onde residiam familiares e amigos. Num sábado, vai até a sinagoga e segundo o registro de Lucas (4.14-30) lê Isaías 58.6 e 61.1,2. Ao terminar de ler, devolve o rolo ao assistente e quando todos têm os olhos fitos nele, exclama: “hoje se cumpriu a Escritura que vocês acabaram de ouvir”. O texto do profeta era uma profecia messiânica, ou seja, após ler o que estava escrito (Sola Scriptura) a respeito do Cristo, Jesus afirmou ser ele o prometido a Israel. Muitos ficaram intrigados, a grande maioria rejeitou a sua mensagem, mas ele fez o que era de costume: ia até a sinagoga e através de um manuscrito do Antigo Testamento começava a ensinar que aquilo era um testemunho sobre si mesmo. Mais adiante, ao ser perseguido por causa de sua pregação, Jesus diz aos judeus: “Se vocês cressem em Moisés, creriam em mim, pois ele escreveu a meu respeito. Visto, porém, que não creem no que ele escreveu, como crerão no que eu digo? (Jo 5.46,47)”. É no Pentateuco, isto é, nos cinco primeiros livros da Bíblia que Jesus vai afirmar que estão as bases para que creiamos nele. Isso corrobora ou não com o Sola Scritura?

- Citando Deuteronômio na Tentação

Antes de ter chegado a Nazaré, o Filho de Deus havia sido tentado no deserto (ver Lc 4.1-13) e lá, diante de todas as armadilhas falaciosas de Satanás, defendeu-se usando por três vezes o livro de Deuteronômio. Na primeira resposta que deu, usou Dt 8.3, depois rebateu outra mentira diabólica com Dt. 6.13 e por fim utilizou Dt 6.16. O Diabo foi derrotado pela Palavra. Jesus poderia ter derrotado o seu adversário de qualquer outra forma, mas quis demonstrar o poderio do texto sagrado frente às tentações que o nosso vil tentador lança sobre nós. Será que nós deveríamos almejar vencer portando outra arma que não seja a Escritura?

- Ética com base no Gênesis

Quando indagado acerca do divórcio (ver Mt 19), a resposta de Jesus foi baseada em Gn 2.24. Assim, fundamentado em um princípio da Escritura, afirmou que não competia aos homens separar aquilo que tinha sido Deus quem havia juntado. O casamento tem uma base moral, é realizado mediante juramento. Logo, trata-se de uma questão ética. Os princípios éticos que devem nortear os cristãos são os encontrados na Bíblia, por isso dizemos que ela é nossa regra de fé e prática. Jesus foi abordado e questionado com argumentos que derivavam da tradição humana e respondeu com um princípio bíblico. Estamos imitando o nosso Mestre?

- Agindo sem ferir a Escritura

Jesus e os doze colhiam espigas num dia de sábado e foram repreendidos pelos fariseus (ver Mt 12). A acusação era de que eles estavam fazendo algo ilícito. A resposta dada por Jesus é novamente embasada na Escritura. Ele responde fazendo uma pergunta “Vocês não leram o que fez Davi quando ele os seus companheiros estavam com fome?”. A referência está em 1 Samuel 21 quando o Rei Davi e seus homens comeram os pães que eram destinados apenas aos sacerdotes. Obviamente os fariseus tinham lido, pois, esta era uma parte importante do seu trabalho de intérpretes da lei. Jesus estava agindo sem ferir a Escritura e diante da acusação mostrou que sua atitude era respaldada com um exemplo que vem da Bíblia. Será que em nosso meio há esta convicção? Será que nossos atos coadunam com o que está na Bíblia?

- Caminhando e Expondo o Texto Sagrado

Após morrer e ressuscitar, Jesus aborda dois discípulos que estavam caminhando na estrada para Emaús. Entristecidos e confusos, os dois discutiam enquanto andavam. Jesus se aproximou sem que eles o reconhecessem e perguntou o que estava se passando (ver Lc 24.14-35). Eles estranharam a pergunta, pois, era de conhecimento de todos o que havia acontecido com Jesus de Nazaré, mas responderam. Eles começaram a relatar os fatos e até disseram que a tumba estava vazia e que as mulheres e os apóstolos confirmavam isso, porém estavam tão atordoados que não conseguiam ligar os fatos. Cristo, ainda sem ser reconhecido, tratou de confortá-los e elucidou que tudo aquilo era cumprimento do que estava registrado no Antigo Testamento. “E começando por Moisés e todos os profetas, explicou-lhes o que constava a respeito dele em todas as Escrituras”. Isso é algo magnífico. A Palavra encarnada explicava a palavra revelada e registrada na lei e nos profetas. A Bíblia é a testemunha mais segura da pessoa e da obra de Cristo, e o próprio fazia uso com maestria desse testemunho. Quando falamos sobre Jesus em nossa evangelização, adotamos a Escritura como fonte suprema de revelação ou procuramos fontes nada confiantes para testemunharmos do Evangelho?

Finalizo esse texto enfatizando que terminei com uma pergunta em todos os tópicos acima. Se alguém não reparou, peço que releia novamente, agora com mais atenção, e procure responder todas elas. É importante que as respostas retratem uma alta estima pela Bíblia. Acredito que tenha ficado muito claro o papel central das Escrituras na vida do cristão. Vimos que o próprio Cristo deu um imenso destaque ao texto sagrado. Não poderia ser diferente, a Bíblia é o livro que foi escrito para revelar as boas novas de salvação e Cristo é a o salvador do mundo.

Soli Deo Gloria

1 de dez. de 2015

Porque o Método Histórico-Crítico de Interpretação Bíblica deve ser rejeitado?

Por Thiago Oliveira

Filho do espírito racionalista de sua época, numa sociedade pós-Iluminismo, esse método pretendeu tornar a Bíblia relevante para o homem inerente daquele período. Colocando a razão para medir o conteúdo das Escrituras, os adeptos da alta crítica (assim também é chamado o método histórico-crítico) negam bastantes coisas do relato canônico. Inclinados (conscientemente ou não) ao deísmo, creem num Deus Criador que após finalizar a criação deixou o mundo com suas leis bem estabelecidas, assim sendo, não há necessidade de intervenções transcendentais. Com isso, o relato da Queda não é visto como um fato real acontecido no espaço/tempo e todo registro de milagres é invalidado.

19 de nov. de 2015

Um conselho aos produtores de filmes, novelas e seriados bíblicos e aos seus telespectadores

Por Thiago Azevedo

Não surpreende mais ninguém ver as histórias bíblicas sendo reconstruídas mundo afora. Muitos produtores de filmes se aventuraram em reconstruir as histórias encontradas nas páginas da Bíblia. Foi assim com Mel Gibson, Darren Aronofsky, Ridley Scott e outros. Respectivamente falando, eles produziram “A Paixão de Cristo”, “Noé” e “Êxodo: Deuses e reis”. Tive a oportunidade de ver os três, e o que se aproximou mais do que a Escritura relata fora o primeiro dessa lista. Os outros dois distorcem e muito o texto bíblico, e sem dúvidas, não teríamos como mencionar todas as incoerências ali encontradas.

8 de out. de 2015

Qual é o verdadeiro Jesus?

Por Thiago Azevedo

Muito embora um só Jesus exista, nem todos sabem vê-lo como é, filósofo, poeta ou comunista, ou mesmo hippie já se disse até”.

Esta é uma pequena porção da música cantada pelo grupo Vencedores por Cristo no álbum “Nada Melhor” (1973). A pequena porção da letra nos mostra a complexidade hermenêutica que gira em torno desta personagem histórica e divina chamada Jesus de Nazaré. Jesus já foi narrado como sendo apenas um profeta, um filósofo, um comunista, e até mesmo um hippie. Existe uma corrente que mostra Jesus como sendo um mero andarilho que, fugindo da morte da cruz, foi em direção à índia e lá viveu e morreu. Neste local, existe não só seguidores deste “Cristo”, mas a cama em que Jesus morreu e a casa em que viveu etc. Aqui temos um “Cristo” que renuncia sua morte para viver uma vida eremita, nesse tipo de cristianismo não há o principal fundamento doutrinário da morte na cruz do Salvador do mundo.

15 de jun. de 2015

O que a Bíblia diz sobre nascer gay?

Por Kevin DeYoung

Essa é uma questão complicada e muito dela depende do que nós queremos dizer com essa frase. Assim, vamos lidar com a pessoa que diz “eu nasci gay” e que afirma que houve alguma causa genética para sua atração por pessoas do mesmo sexo. Eu responderia que nós podemos examinar a literatura científica mais recente, que não apoia com muita força essa conclusão. Na verdade, o discurso oficial das principais associações psiquiátricas ou psicológicas dirá que nós não sabemos ainda de uma causa definitiva e que é provavelmente uma mistura de inato e adquirido. Assim, quaisquer relatos sobre um suposto “gene gay” são grandemente exagerados. Essa é uma coisa nós poderíamos dizer.

8 de jun. de 2015

Eu não tenho 1 minuto. Eu tenho mais que 1 minuto!

Por Pedro Pamplona e Thiago Oliveira

O cantor Thalles Roberto é uma figura controversa entre os evangélicos. Ele tem uma legião de fãs entre os irracionais que dão a cara do evangelicalismo brasileiro. Irracionais no sentido de não refletirem sobre aquilo que consomem, seja na música, na literatura ou noutro tipo de produção cultural. Esse tipo de evangélico, que engloba a maior fatia, não discerne as coisas tendo a Bíblia por base. Mas, há um grupo menor  que apresenta um senso mais crítico. Estes questionam tudo com base no antigo lema reformado “Somente a Escritura”. Figuras como o Thalles não são celebradas nesse segundo grupo.

2 de mai. de 2015

Guardai-vos das distrações

Por Morgana Mendonça dos Santos

Na caminhada cristã, tenho observado como existem distrações e/ou adições irrelevantes no culto ao Senhor. Com alguns convites para pregar em várias denominações tenho observado o andamento do culto solene em várias igrejas. E sempre lembrando de uma frase que um dia escutei de um piedoso professor: "O culto ao Senhor deve ser a manifestação do Sagrado".

22 de abr. de 2015

Quando o costume fala mais alto

Por Richardson Gomes

É muito comum, nas nossas igrejas evangélicas, notarmos práticas que não tem um menor respaldo bíblico. E quando se condena algumas dessas tais práticas, a primeira coisa que dizem é: “Mas isso está lá em…” e em seguida, citam alguma passagem bíblica que justifica (pelo menos à consciência deles) o ato. O problema é acharmos que respaldo bíblico é simplesmente quando encontramos referência bíblica. Referência bíblica não é o mesmo que respaldo bíblico. Por exemplo: encontramos referências de adultério na Bíblia como em Oséias 7:4 e nem por isso devemos tomar como respaldo bíblico para que se torne aceitável diante de Deus um adultério na igreja.

Jesus, porém, respondendo, disse-lhes: Errais, não conhecendo as Escrituras, nem o poder de Deus. (Mateus 22.29)

2 de abr. de 2015

As heresias fatais do "Amor"


Por Richardson Gomes

Nesses últimos dias tenho ouvido alguns discursos de certos mestres da atualidade, frutos de uma teologia pós-modernista, que têm como base ideológica o que eles chamam de amor.  São doutrinas estranhas, porém muito conhecidas, que têm sido abraçadas e pregadas por pastores e líderes que são referências no cenário evangélico de hoje. Eloquentes, donos de excelentes oratórias, pastores como Ed René Kivitz, Caio Fábio, Ariovaldo(s), Ricardo Gondim, dentre outros, que afirmam heresias que acabam negando muitas verdades centrais de todo o cristianismo.

23 de jan. de 2015

A Escritura

Por Wayne Grudem

Todas as palavras na Escritura são palavras de Deus

Isso é o que a Bíblia declara sobre si própria. Há freqüentes declarações na Bíblia de que todas as palavras da Escritura são palavras de Deus (assim como palavras que foram escritas por homens). No AT, isso é muitas vezes visto na frase introdutória "Assim diz o SENHOR", que aparece centenas de vezes. No mundo do AT, essa frase teria sido reconhecida como idêntica na forma à frase "Assim diz o rei...", que era usada para prefaciar o edito de um rei aos seus súditos, um edito que não poderia ser desafiado ou questionado, mas que simplesmente deveria ser obe¬decido.1 Portanto, quando os profetas dizem "Assim diz o SENHOR", afirmam ser mensageiros do soberano Rei de Israel, a saber, o próprio Deus, e estão declarando que suas palavras são palavras totalmente plenas da autoridade de Deus. Quando o profeta falava no nome de Deus desse modo, cada palavra que ele falava tinha de proceder de Deus, ou ele seria um falso profeta (cf. Nm 22.38; Dt 18.18-20; Jr 1.9; 14.14; 23.16-22; 29.31,32; Ez 2.7; 13.1-16).

Além disso, é muitas vezes dito que Deus fala "por meio" do profeta (lRs 14.18; 16.12,34; 2Rs 9.36; 14.25; Jr 37.2; Zc 7.7,12). Assim, o que o profeta diz em nome de Deus é Deus quem diz (lRs 13.26 com v. 21; lRs 21.19 com 2Rs 9.25,26; Ag 1.12; cf. ISm 15.3,18). Nesses e em outros exem¬plos no AT, as palavras que os profetas falavam podem ser também referidas como as palavras que o próprio Deus falou. Portanto, descrer ou desobedecer a qualquer coisa que o profeta diz é descrer ou desobedecer ao próprio Deus (Dt 18.19; ISm 10.8; 13.13,14; 15.3,19,23; lRs 20.35,36).

Esses versículos, por si mesmos, não afirmam que todas as palavras no AT sejam palavras de Deus, porque em si mesmos estão se referindo somente a seções específicas de palavras faladas ou escritas no AT. Por força cumulativa dessas palavras, incluindo as centenas de passagens que começam com "Assim diz o Senhor", deve ficar demonstrado que dentro do AT temos registros escritos de palavras que são consideradas as próprias palavras de Deus. Essas palavras constitu¬em largas porções do AT. Quando percebemos que todas as palavras que faziam parte do "Livro da Lei de Deus" ou do "Livro da Aliança" foram consideradas palavras de Deus, vemos que a totalidade do AT afirma essa espécie de autoridade (v. Êx 24.7; Dt 29.21; 31.24-26; Js 24.26; ISm 10.25; 2Rs 23.2,3).

No NT, várias passagens indicam que todas as palavras dos escritos do AT são consideradas palavras de Deus. 2Timotéo 3.16 diz: "Toda a Escritura é inspirada por Deus e útil para o ensino, para a repreensão, para a correção e para a instrução na justiça". Aqui "Escritura" (gr. graphé) deve se referir aos escritos do AT, porque é a eles que a palavra graprê se refere em cada uma das suas 55 ocorrências no NT. Além disso, é às "Sagradas Letras" do AT que Paulo se referiu anterior¬mente no versículo 15.

Paulo aqui afirma que todos os escritos do AT são theopneustos, inspirados por Deus. Visto que são escritos que foram "inspirados", essa inspiração deve ser entendida como metáfora de falar as palavras da Escritura. Esse versículo, dessa maneira, afirma brevemente o que era evi¬dente em muitas passagens do AT: OS escritos do AT são considerados Palavra de Deus em forma escrita. Pois Deus é quem falou (e ainda fala) cada palavra do AT, embora tenha usado agentes humanos para registrar essas palavras.

Indicação similar do caráter dos escritos do AT como palavras de Deus é encontrada em 2Pedro 1.21. Falando das profecias da Escritura (v. 20), que significa ao menos as Escrituras do AT às quais Pedro encoraja seus leitores a prestar atenção cuidadosa (v. 19), Pedro diz que nenhuma dessas profecias jamais "teve origem na vontade humana", mas que "homens falaram da parte de Deus, impelidos pelo Espírito Santo". Não é a intenção de Pedro negar completamente o papel da volição ou da personalidade humana ao escrever a Escritura (ele diz que homens "falaram"), mas, em vez disso, sua intenção foi dizer que a fonte suprema de cada profecia não foi a decisão do homem a respeito do que ele queria escrever, mas, antes, a ação do Espírito Santo na vida do profeta, cumprida de modos não especificados aqui (ou, de fato, em nenhuma parte da Escritu¬ra). Isso indica a crença de que todas as profecias do AT (e, à luz dos v. 19 e 20, provavelmente inclua toda a Escritura registrada do AT) são consideradas "procedentes de Deus": a saber, elas são as próprias palavras de Deus.

Muitas outras palavras poderiam ser citadas (v.Mt 19.5; Lc 1.70; 24.25; Jo 5.45-47; At 3.18,21;4.25;13.47;28.25;Rml.2;3.2;9.17;lCo9.8-10;Hbl.l,2,6,7),mas o padrão de atribuir a Deusas palavr as da Escritura do AT deve estar muito claro. Além do mais, em diversos lugares, todas as palavras dos profetas ou as palavras da Escritura do AT levam a essa crença ou nos compelem a crer que são de Deus (v. Lc 24.25,27,44; At 3.18; 24.14; Rm 15.4).

Mas, se Paulo estava se referindo somente aos escritos do AT quando falou de "toda a Escritura" como soprada por Deus em 2Timóteo 3.16, como pode esse versículo ser aplicado aos escritos do NT também? Será que esse versículo diz alguma coisa a respeito do caráter dos escritos do NT? Para responder a essas perguntas, devemos perceber que a palavra gregagraphè ("escritura") era o termo técnico para os escritores do NT e possuía um sentido altamente especializado. Embora ela seja usada 55 vezes no NT, em cada uma delas ela se refere aos escritos do AT, não a quaisquer outras palavras ou escritos fora do cânon da Escritura. Assim, cada coisa que pertencia à catego¬ria "escritura" tinha o caráter de ser "soprada por Deus": suas palavras eram as verdadeiras palavras de Deus.

Mas em dois lugares no NT vemos os escritos do NT também serem chamados "Escritura" juntamente com os escritos do AT. Em 2Pedro 3.15,16, Pedro diz: "Tenham em mente que a paci¬ência de nosso Senhor significa salvação, como também o nosso amado irmão Paulo lhes escreveu, com a sabedoria que Deus lhe deu. Ele escreve da mesma forma em todas as suas cartas, falando nelas destes assuntos. Suas cartas contêm algumas coisas difíceis de entender, as quais os ignorantes e instáveis torcem, como também o fazem com as demais Escrituras, para a própria destruição deles".

Aqui Pedro mostra não somente a consciência da existência de cartas escritas de Paulo, mas também a clara disposição de classificar equivalentemente "todas as suas [de Paulo] cartas" com "as demais Escrituras". Isso é a indicação de que muito cedo na história da igreja todas as cartas de Paulo foram consideradas palavras de Deus em forma escrita no mesmo sentido que os textos escritos do AT. Semelhantemente, em ITimóteo 5.18, Paulo escreve:"... pois a Escritura diz: 'Não amordace o boi enquanto está debulhando o cereal', e 'o trabalhador merece o seu salário'". A primeira citação vem de Deuteronômio 25.4, mas a segunda não ocorre em nenhum lugar do AT. É, ao contrário, a citação de Lucas 10.7. Paulo aqui cita as palavras de Jesus conforme encontra¬das no evangelho de Lucas e as chama "Escritura".
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Fonte: O Calvinismo

20 de jan. de 2015

A libertação das heresias está no exame das Escrituras

Por Luiz Carlos Pereira

No mundo pós-moderno temos nos acostumado cada vez mais com um evangelho diferente do que nos foi ensinado pelos apóstolos de Cristo. Aceitamos livremente e sem grandes dificuldades, doutrinas e correntes teológicas que quase sempre destoam da própria Bíblia. Diante disto, qual seria o verdadeiro problema: O oportunismo de charlatões da fé, ou a falta de exame das Escrituras?

Tomando como exemplo a carta de Paulo à igreja de Corinto, podemos analisar com cuidado a preocupação que o apóstolo tinha de livrar a igreja dos discursos hereges dos “superapóstolos”, pessoas que usavam de linguagem similar aos verdadeiros, para ferir e minar o evangelho de Cristo. Paulo questionou severamente a igreja de Corinto quanto a aceitação rápida de tais heresias. No versículo 3, ele diz qual o seu receio: “O que receio, e quero evitar, é que assim como a serpente enganou Eva com astúcia, a mente de vocês seja corrompida e se desvie da sua sincera e pura devoção a Cristo” (2 Coríntios 11:3 - NVI)

Hoje, mesmo após milênios de anos que se passaram, tais heresias e tais ensinamentos falsos persistem nos ataques a igreja. O que temos feito contra as ações de pessoas impelidas pelo próprio Satanás, com ventos de doutrinas heréticas? Nos púlpitos vemos pregações baseadas em emoções; igrejas que se comprometem em trazer a prosperidade para sua vida, mas esquecem-se (propositalmente, é claro) de realizar estudos bíblicos sérios, e explanar a luz do evangelho. Parece que neste meio, em que vivemos debaixo de uma guerra sombria e pesada contra os hereges do evangelho, perdemos o interesse de nos proteger, ou seja, examinar as escrituras e conhecer a verdade!

Certa vez escutei o Dr. Augustus Nicodemus dizer a seguinte frase: “Quer proteger a igreja contra as ações do Diabo? Ensine a Bíblia!”. É verdade. Não existe outro meio tão eficaz quanto o estudo sério da palavra de Deus. Perdemos tempo confiando demasiadamente no que terceiro nos contam, sem ao menos ter a curiosidade de examinar com cautela as palavras lançadas.

Em Atos 17, podemos ver um exemplo de como a falta de exame bíblico tornavam os Tessalonicenses uma massa de manobra. Os judeus que não criam nas palavras de Paulo, não se contentavam em apenas não crer, mas promoviam alvoroços contra a expansão do evangelho. Aqueles que, embargados pelos fariseus, eram levados na palma da mão sem ao menos questionar ou examinar as palavras de Paulo, só agiam dessa forma por não examinarem as Escrituras. Situação diferente ocorreu em Beréia, onde os habitantes da região analisavam em tudo o que Paulo dizia (At 17:11), certificando-se da veracidade das palavras pela própria lei!

A diferença foi enorme: o exame das escrituras promoveu a libertação necessária para aquele povo. Aliás, libertação essa que se dá pelo entendimento da palavra – João 8:32; Tiago 1:25. Em Cristo, oro para que possamos avançar no entendimento correto das Escrituras, e viver de forma definitiva suas aplicações e preceitos. Que o Sola Scriptura possa ser uma verdade em nossas vidas, e não apenas um sentimento que nos mantem inertes diante do avanço de tais atrocidades.

O propósito é que não sejamos mais como crianças, levados de um lado para outro pelas ondas, nem jogados para cá e para lá por todo vento de doutrina e pela astúcia e esperteza de homens que induzem ao erro. Efésios 4:14

17 de jan. de 2015

Avivamento e Reforma? Como assim?

Por Luciana Barbosa

Hoje falamos tanto em avivamento, pedimos tanto um avivamento, mas, um avivamento que é passageiro e emocional, onde agora nós choramos, nos emocionamos, gritamos, nos “arrependemos”, prometemos tantas coisas a Deus, no entanto, daqui a pouco nos esquecemos de tudo, nos levantamos, batemos o pó e seguimos levando a mesma vida que outrora clamávamos para Deus transformar. É um avivamento sem Bíblia, sem contrição, sem arrependimento genuíno e sem mudança genuína de vida. Isso é possível? Como você vê o avivamento? Precisamos de reforma e avivamento como foram de fato no passado. Quando falamos de avivamento temos que pensar no seguinte:

“A obra do Espírito Santo no sentido de restaurar o povo de Deus a uma vida espiritual, testemunho e trabalho mais dinâmicos, mediante a oração e a Palavra, após profundo arrependimento por seu declínio espiritual. Os elementos permanentes do avivamento são a Palavra, a oração, o Espírito Santo e um Deus soberano que usa o ser humano como seu instrumento.”

A frase acima é do E.E.CairnsJá C.E.Autrey diz:

“Avivamento é a reanimação daqueles que já possuem vida. No seu sentido estrito, diz respeito ao povo de Deus. Reaviva a vida espiritual que se encontra em um estado de declínio. È um instrumento de evangelização.”

João Calvino asseverou:

“O avivamento é uma onda que varre a igreja de tempos em tempos, despertando-a, tirando-a do marasmo. É a passagem da fé menor para a fé maior, do cálice pela metade para o cálice cheio, da entrega parcial para a entrega total, da mesmice de sempre para a novidade de vida, das obras da carne para os frutos do Espírito, da posse do Espírito para a plenitude do Espírito, em suma, geralmente menos durável do que uma reforma.”

O AVIVAMENTO NAS ESCRITURAS

O princípio do avivamento está presente na Bíblia. O vemos no Antigo Testamento: na época de Josias (2 Reis 22-23), de Zorobabel (Esdras 5-6):

Porventura, não tornarás a vivificar-nos, para que em ti se regozije o teu povo?

Salmo 85.6

“Porque assim diz o Alto, o Sublime, que habita a eternidade, o qual tem o nome de Santo: Habito no alto e santo lugar, mas habito também com o contrito e abatido de espírito, para vivificar o espírito dos abatidos e vivificar o coração dos contritos

Isaías 57.15.

“Aviva a tua obra, ó Senhor, no decorrer dos anos, e no decurso dos anos faze-a conhecida”

Habacuque 3.2

Outros textos são: Salmo 19.7; 51.10; 103.5; Isaías 40.31; Sofonias 3.17.

No contexto do Novo Testamento, temos avivamento no dia de Pentecostes (Atos 2), em Antioquia da Pisídia (Atos 13.48-52), ; Romanos 12.2; Efésios 4.23.

Já a Reforma...

A reforma não busca inovar, mas restaurar antigas doutrinas ou verdades bíblicas que haviam sido esquecidas ou obscurecidas pelo tempo e pelas tradições humanas. É chamar a atenção das pessoas para um retorno a importância das Escrituras e seus grandes ensinos, especialmente no que diz respeito à salvação e à vida cristã. Para que as Igrejas Evangélicas atuais possam manter-se fiéis à sua vocação, é preciso que julguem tudo pelas Escrituras, fazendo delas a sua regra de fé e prática de fato. É sair da teoria e ir pra prática e professar e cumprir, acolhendo o que é bom e lançando fora o que é mau. Os reformadores nos mostraram que o critério da verdade não são os ensinos humanos, nem a experiência espiritual subjetiva, mas o Espírito Santo falando na Palavra e pela Palavra, onde não pode haver separação entre o Espírito e a Palavra, pois, ambos andam de mãos dadas como afirmou o reformador João Calvino.

Estou farta de ler e escutar crentes pedirem avivamento, como se avivamento fosse falar em língua estranha, gritos e giros no meio da igreja. Quanto a reforma, não consigo imaginar uma em nossos dias onde, o antropocentrismo tem “reinado” nas nossas comunidades religiosas e a Escritura está tão negligenciada nos púlpitos. Então quando viermos a pedir algo a Deus nesse sentido, devemos pedi-lo no seu real sentido.

19 de dez. de 2014

Lutero e o estudo profundo da Bíblia

Por Steven Lawson

Lutero achava essencial que o preparo de sermões incluísse a leitura diligente da Bíblia. Entendia ele que se quisesse pregar bem, teria de conhecer profundamente as Escrituras. Cada uma de suas exposições bíblicas refletia horas concentradas de leitura cuidadosa da Palavra. Thomas Harwood Pattison observa que: “O seu amor pela Escritura fez de Lutero um grande pregador bíblico. O próprio Lutero tinha fome de conhecer mais as Escrituras, como alguém a quem por muito tempo tivesse sido negado o alimento necessário”.[1] E o historiador Jaroslav Pelikan, diz: “Ele estava de tal maneira saturado pela linguagem e pelo pensamento da Bíblia que muitas vezes a citava sem estar consciente disso”.[2] Em palavras simples, Lutero devorava o texto bíblico com voraz apetite.

Continuamente, Lutero lutava com as palavras dos escritores bíblicos. Refletindo sobre suas muitas horas gastas examinando as Escrituras, ele disse:

Quando jovem, eu me familiarizei com a Bíblia. Ao lê-la vez após vez, passei a conhecer o caminho em meio a ela. Só depois disso é que consultei escritores [de livros a respeito da Bíblia]. Mas finalmente, tive de tirá-los todos de minha vista e lutar com a própria Bíblia. É melhor ver com os próprios olhos do que com olhos de outros.[3]

Em outro lugar ele escreveu: “Já há alguns anos, eu tenho lido a Bíblia inteira duas vezes no ano. Se você imagina a Bíblia como uma poderosa árvore, e cada palavrinha um pequeno galho, eu sacudi cada um desses galhos porque queria saber o que era e o que significava”.[4] Essa leitura implacável da Bíblia foi uma das principais ocupações de sua vida.

Lutero sabia que os pregadores seriam tentados a evitar a Escritura procurando os comentários, mas asseverou que a Escritura tem de ser a leitura principal. Acautelou: “A Bíblia estará enterrada sob uma massa de literatura a respeito da Bíblia, negligenciando o próprio texto”.[5] Lutero consultava muitos comentários, mas jamais negligenciou a leitura diligente da Escritura.

Lutero temia que até mesmo a leitura dos pais da igreja pudesse substituir a verdadeira leitura da Bíblia. “A leitura dos santos pais deverá ser só por curto tempo, para que por meio deles sejamos conduzidos às Sagradas Escrituras”.[6] O perigo, dizia ele, é que um homem gaste tanto tempo lendo os pais que “nunca chegue a ler as Escrituras”.[7] Lutero ainda afirmava: “Somos como homens que sempre estudam os sinaleiros e nunca viajam pela estrada. Os queridos pais desejavam que, por seus escritos, fôssemos conduzidos às Escrituras, mas nós os empregamos para nos afastar das Escrituras”.[8] Para Lutero, tinha de haver um influxo total das Escrituras antes que pudesse haver um transbordar da verdade bíblica na pregação.

Ele testemunhou a negligência da leitura bíblica pessoal da parte de muitos no ministério, e Lutero lamentou: “Alguns pastores e pregadores são preguiçosos e não servem para nada. Dependem de… livros para conseguir produzir um sermão. Não oram, não estudam, não leem, não examinam as Escrituras. Não são nada senão papagaios e gralhas que aprenderam a repetir sem entendimento”.[9] Desprezar a leitura pessoal do texto bíblico, Lutero cria, era ser subdesenvolvido no púlpito.

Considerava sua obrigação labutar diariamente na Bíblia. Quanto a isso Lutero declarou: “Somente a Escritura é nossa vinha em que todos devemos lutar e laborar”.[10] Os pregadores não devem nunca se desviar para outros campo, porém, manter-se imersos na Escritura. Ele disse: “O chamado é vigiar, estudar, estar atento para a leitura”.[11] Isso, ele sentia, era o primeiro dever do pregador.

Lutero via o poder da pregação como ligado diretamente ao compromisso do pregador com a Palavra de Deus: “O melhor pregador é aquele que melhor conhece a Bíblia; que a guarda não só na memória como também na mente; que entende seu verdadeiro significado, e o trata com efetividade”.[12] Noutras palavras, um conhecimento profundo do texto prepara o homem para se tornar grande força no púlpito, Disse ele: “Aquele que conhece bem o texto da Escritura é teólogo distinto”.[13] Essa saturação bíblica era característica de Lutero, e impactou profundamente os seus sermões.
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Notas:

[1] T. Harwood Pattison, The History of Christian Preaching (Philadelphia: American Baptist Publication Society, 1903), 135.

[2] Jaroslav Pelikan, Luther’s Works, Companion Volume: Luther the Expositor (St. Louis: Concordia, 1959), 49.

[3] Lutero, Luther’s Works, Vol 54, 361

[4] Ibid., 165.

[5]Ibid., 361

[6] Martinho Lutero, Works of Martin Luther: With Introductions and Notes, Vol 2 (Philadelphia: A. J. Holman Co., 1915), 151.

[7] Lutero, Luther’s Works, Vol 44, 205.

[8] Ibid.

[9] Martinho Lutero, D Martin Luthers Werke, Vol 53 (Weimar: Hermann Bohlaaus Nachfolger, 1883), 218, conforme citado em What Luther Says, 1110.


[10] Lutero, Luther’s Works, Vol 44, 205.

[11] LUTERO, D Martin Luthers Werke, Vol 53, as cited in Meuser, Luther the Preacher, 40–41.

[12] KERR, John, Lectures on the History of Preaching (New York: A.C. Armstrong & Son, 1889), 154–155.


[13] Martinho Lutero, D Martin Luthers Werke, Tischreden IV, 4567 (Weimar: H. Böhlau, 1912–1921), conforme citado em What Luther Says, 1355.

13 de dez. de 2014

No que eu deveria crer acerca da palavra de Deus?

Por Kevin DeYoung

No Salmo 119, vemos pelo menos três características irredutíveis e essenciais nas quais deveríamos acreditar sobre a palavra de Deus.

Primeiro, a palavra de Deus diz o que é verdadeiro.  Como o salmista, podemos confiar na palavra (v.42), sabendo que ela é inteiramente verdadeira (v.142). Não podemos confiar em tudo que lemos na internet. Não podemos confiar em tudo que ouvimos de nossos professores. Nós certamente não podemos confiar em todos os fatos dados por nossos políticos. Não podemos sequer confiar nas pessoas que checam a veracidade desses fatos! Estatísticas podem ser manipuladas. Fotografias podem ser falsificadas. Capas de revista podem ser retocadas. Nossos professores, nossos amigos, nossa ciência, nossos estudos, até mesmo os nossos olhos podem nos enganar. Mas a palavra de Deus é inteiramente verdadeira e sempre verdadeira.
  • A palavra de Deus está firmemente fixada nos céus (v.89); isso não muda.
  • Não há limite para a sua perfeição (v. 96); ela não contém nada corrupto.
  • Todas as regras justas de Deus duram para semrpe (v.160); elas nunca envelhecem e nunca se desgastam.
Se você já pensou consigo mesmo: “Preciso saber o que é verdadeiro – o que é verdadeiro sobre mim, verdadeiro sobre as pessoas, verdadeiro sobre o mundo, verdadeiro sobre o futuro, verdadeiro sobre o passado, verdadeiro sobre uma boa vida e verdadeiro sobre Deus”, então venha à palavra de Deus. Ela só ensina o que é verdadeiro. “Santifica-os na verdade”, disse Jesus, “a tua palavra é a verdade” (João 17.17).

Segundo, a palavra de Deus diz o que é justo. O salmista alegremente reconhece o direito de Deus de emitir mandamentos e humildemente aceita que todos eles são justos. “Bem sei, ó SENHOR, que os teus juízos são justos”, diz ele (v.75). Todos os mandamentos de Deus são justos (v.86). Todos os seus preceitos são justos (v.128). Algumas vezes ouço cristãos admitirem não gostar do que a Bíblia diz, mas já que é a Bíblia, eles têm que obedecê-la. Por um lado, esse é um exemplo admirável de submissão à palavra de Deus. E, ainda assim, devemos dar um passo adiante e aprender a ver bondade e retidão em tudo o que Deus ordena. Devemos amar o que Deus ama e ter prazer em tudo o que ele diz. Deus não estabelece regras arbitrárias. Ele não dá ordens para que sejamos aprisionados e infelizes. Ele nunca exige o que é impuro, sem amor, ou imprudente. Suas exigências são sempre nobres, sempre justas e sempre retas.

Terceiro, a palavra de Deus fornece o que é bom. De acordo com o Salmo 119, a palavra de Deus é o caminho da felicidade (vv. 1-2), o caminho para evitar a vergonha (v.6), o caminho da segurança (v.9), e o caminho do bom conselho (v.24). A palavra nos dá força (v.28) e esperança (v.43). Ela fornece sabedoria (vv. 98-100, 130) e nos mostra o caminho que devemos seguir (v.105). A revelação verbal de Deus, seja na forma falada na história da redenção ou nos documentos pactuais da história da redenção (ou seja, na Bíblia), é infalivelmente perfeita. Como povo de Deus, acreditamos que a palavra de Deus é confiável em todos os sentidos para falar o que é verdadeiro, ordenar o que é justo e nos fornecer o que é o bom.

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Trecho do livro Levando Deus a Sério, p.16-18.