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19 de nov de 2015

Um conselho aos produtores de filmes, novelas e seriados bíblicos e aos seus telespectadores

Por Thiago Azevedo

Não surpreende mais ninguém ver as histórias bíblicas sendo reconstruídas mundo afora. Muitos produtores de filmes se aventuraram em reconstruir as histórias encontradas nas páginas da Bíblia. Foi assim com Mel Gibson, Darren Aronofsky, Ridley Scott e outros. Respectivamente falando, eles produziram “A Paixão de Cristo”, “Noé” e “Êxodo: Deuses e reis”. Tive a oportunidade de ver os três, e o que se aproximou mais do que a Escritura relata fora o primeiro dessa lista. Os outros dois distorcem e muito o texto bíblico, e sem dúvidas, não teríamos como mencionar todas as incoerências ali encontradas.

Por exemplo, no filme, “Noé”, quando o comparamos com a Bíblia, há algumas pessoas a mais na arca. A primeira pessoa é Tubalcaim, que adentra na arca por sua lateral. Uma vez lá dentro, o indivíduo mata alguns animais e tenta induzir um dos filhos de Noé a matar o próprio pai. Isso sem falar numa filha adotiva que Noé leva consigo no interior do grande barco. No que tange ao filme “Êxodo: Deuses e Reis”, as incoerências são também inúmeras, portanto, não temos como destacar todas, mas sim algumas. Primeiro, a infantilização da pessoa divina nas aparições de Deus. Parece-nos que Deus fora retratado de forma tendenciosa como sendo malévolo, mimado e mal-humorado – tendencioso demais. Quando faraó aparece com seu primogênito morto em mãos fica claro que a intenção é de mostrar um Deus perverso e mal. Porém, naquela época, havia diversas divindades pagãs que exigiam crianças sacrificadas em sua liturgia – Moloch é um bom exemplo. Outra aberração foi quando a praga das águas transformadas em sangue se deu por meio de ataques de crocodilos – essa não merece nem ser comentada. E por fim, a passagem de Israel pelo mar vermelho se dá em proveito de uma maré baixa. A Bíblia é clara e nos informa que Israel passou pelo mar vermelho a pés enxutos, pois este se abriu formando grandes muros d’água.

A Rede Record de Televisão já se aventurou muito na reconstrução de diversas histórias bíblicas; “José”, “Os Milagres de Jesus”, “O rei David” foram apenas algumas das minisséries que a emissora reconstruiu e extraiu das páginas da Bíblia. No presente momento a emissora está apresentando a telenovela intitulada “Os Dez Mandamentos”. A trama aborda a vida do patriarca Moisés e sua vida no antigo Egito. Evidentemente que se olharmos a programação da televisão brasileira como um todo, e se alguém não tiver outro recurso que lhe forneça uma programação mais diversificada e saudável como filmes, minisséries ou documentários, a telenovela “Os Dez Mandamentos” ainda é de grande proveito. Porém, isso não significa dizer que não devamos assisti-la sem as lentes das Escrituras Sagradas e sob o crivo de 1 Tessalonicenses 5:21 para pormos tudo a prova. Em dado capítulo da telenovela, Moises teve seu cajado roubado! Isso mesmo! A pergunta que vem à mente é clássica: onde há essa informação na Bíblia? O problema de tudo é que ao se tentar remontar uma história bíblica, as adaptações se fazem necessárias, pois as informações que foram registradas da época bíblica são escassas. E é justamente neste momento que habita todo perigo – as adaptações dizem algo que a Bíblia não diz. Em um dos mais recentes capítulos, e diríamos que o principal até agora, se retratou a abertura do mar vermelho, onde todo o povo israelita passou a pés enxutos e o séquito de faraó padeceu submerso. Porém, faraó contemplou do alto de uma colina toda destruição de seu exército. Por sinal, essa interpretação acerca de faraó e da travessia do mar vermelho, a qual sempre faraó fica vivo, não é “privilégio” da telenovela “Os Dez Mandamentos”. Na maioria dos filmes que tentam remontar essa história, faraó sempre sai com vida. Porém, precisamos abordar este fato de acordo com A Bíblia. Vejamos alguns textos:

Êxodo 9: 15-16

“Porque eu já poderia ter estendido a mão, ferindo você e o seu povo com uma praga que teria eliminado você da terra. Mas eu o mantive de pé exatamente com este propósito: mostrar-lhe o meu poder e fazer que o meu nome seja proclamado em toda a terra”

Entendemos que havia alguns propósitos divinos para o período em que faraó viveu. Um dos principais propósitos era que o nome de Deus fosse anunciado em toda a terra. Faraó serviria como uma espécie de mola propulsora do povo israelita e do próprio Deus, o próprio Deus o levantou para este fim. Outro detalhe é que Deus deixa claro, que se quisesse, já teria eliminado da terra faraó.

Êxodo 14: 17-18

“Eu, porém, endurecerei o coração dos egípcios e eles os perseguirão. E serei glorificado com a derrota do faraó e de todo o seu exército, com seus carros de guerra e seus cavaleiros. Os egípcios saberão que eu sou o Senhor quando eu for glorificado com a derrota do faraó, com seus carros de guerra e seus cavaleiros".

Deus está alegando por meio de Moisés que se gloriará na derrota de faraó, essa informação  ocorre duas vezes nos dois versículos. Logo, uma derrota de faraó sem morte, não seria uma derrota completa. Mas, todo o problema recai sobre a palavra derrota, ela não significa, necessariamente, que faraó morreu afogado.

 Êxodo 14:23

E os egípcios os seguiram, e entraram atrás deles todos os cavalos de Faraó, os seus carros e os seus cavaleiros, até ao meio do mar.

O texto diz que todos os cavalos de faraó entraram no mar, logo se todos os cavalos de faraó entraram no mar, então o cavalo de faraó também entrou no mar. E sendo assim, quem estaria usando o cavalo de faraó se não o próprio? Porém, muitos ainda podem dizer que não fica claro e evidente que faraó morreu afogado.

Salmos 136:15

“Mas lançou o faraó e o seu exército no mar Vermelho; O seu amor dura para sempre”.  

Será que agora restam dúvidas quanto à morte de faraó na passagem do mar vermelho? Utilizamos aqui o texto da NVI, noutra tradução temos o seguinte: “Derrubou a faraó com seu exército no mar vermelho” (Grifo nosso). A palavra utilizada no hebraico é נִעֵר que possui a mesma raiz da palavra “rugir”, do leão. De acordo com suas modalidades verbais, significa também “lançar para fora”, “sacudir”, “jogar fora”. Neste caso, a NVI se aproxima mais do original. A palavra encontra-se na forma passiva, faraó sofre a ação junto com todo seu exército (a mesma palavra é usada em Êxodo 14: 27 no texto da travessia do mar vermelho em que os egípcios foram lançados e sacudidos no mar). Os produtores dos “Dez Mandamentos” se ativeram apenas ao texto de Êxodo e se esqueceram de que a Bíblia é um conjunto literário que se completa – A própria Bíblia se responde.

Nosso conselho aos que se aventuram numa tentativa de remontar as histórias bíblicas em filmes, novelas ou seriados, diretores e produtores, internacionais ou nacionais, aconselhamos que leiam a única fonte que vocês podem usar como base para tais produções, a saber, A Bíblia. Procurem ser fiéis aos relatos ali contidos e não as suas próprias imaginações férteis e marcadas pelos interesses visionários lucrativos da atualidade. Sabemos que os interesses hollywoodianos visam tão somente os lucros, e como o Brasil é a caixa receptora de tudo isso, o perigo se faz eminente. Outro conselho que damos se direciona ao público que acompanha a telenovela “Os Dez Mandamentos” ou qualquer outra produção desta natureza. A importância da leitura do texto sagrado. Nada será melhor e mais importante que este procedimento. Ver estas produções é até um exercício salutar para aqueles que leem e conhecem o texto Bíblico, assim se tornará mais fácil identificar as possíveis desconexões. O entretenimento possui uma sutileza em enganar, alterar e adulterar um fato. Mas, geralmente, sem ser percebido pelo telespectador desatento.

Por fim, há de fato um caráter pedagógico intrínseco às imagens; filmes, seriados, telenovelas etc., porém você pode estar aprendendo algo errado e que não existiu. Você pode está se nutrindo de informações desconexas com da fonte principal que é A Bíblia. Moisés nunca teve seu cajado roubado e faraó morreu na travessia do mar vermelho. Noé nunca levou uma filha adotiva na arca e nem a praga das águas, transformadas em sangue no antigo Egito, se deu por meio dos ataques de crocodilos. A Bíblia não mostra Deus como uma criança mimada, até mesmo porque a Deus não se aplica as fases da vida – criança, adulto e idoso –, tudo Isso não passa de invenção!

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