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5 de ago. de 2016

A Trindade em essência (ontológica) e a Trindade no trabalho (econômica)

Por Leandro Lima

Dentro da Trindade existe absoluta igualdade de essência, logo, não existe qualquer grau de subordinação, nem mesmo de honra. O Pai não é maior em essência do que o Filho e nem o Filho maior do que o Espírito Santo. O Pai não deve ser mais adorado do que o Espírito, ou o Espírito mais do que o Filho. Entretanto, há características próprias em cada uma das pessoas da Trindade, as quais não encontramos nas demais. Estamos falando da Paternidade da Filiação e da Processão.

A paternidade é uma característica exclusiva do Pai. Nesse sentido não podemos chamar o Logos de Pai e nem o Espírito de Pai. A paternidade do Pai é diferente da que os homens concebem, por ser eterna. Não houve um tempo em que Deus não fosse Pai. Desde toda a eternidade ele é o Pai do Filho. O Pai se difere do Filho e do Espírito Santo por não ser gerado e nem proceder de ninguém, e por ser o único que gera.

O Filho possui a característica exclusiva de ser gerado. Somente o Filho é filho do Pai. Não houve um tempo em que o Filho não existia (Mq 5.2), ele é eternamente gerado da essência do Pai. A igreja tem historicamente afirmado que a geração do Filho é desde toda a eternidade como um ato atemporal. Se o Pai gerou o Filho em algum momento da história, então, isso significa que ele mudou de essência e que o Filho não é eterno em essência. A geração do Filho não cria uma nova essência na Trindade, pois é a mesma essência que é compartilhada tanto pelo Pai quanto pelo Filho. A Geração é uma comunicação da essência do Pai ao Filho, num ato atemporal, que faz com que tanto o Pai, quanto o Filho tenham vida em si mesmos (Jo 5.26). Em geral, os argumentos mais usados para dizer que Cristo não é eterno são os textos de Colossenses 1.15 e Apocalipse 3.14, que falam respectivamente de Jesus como "primogênito" e o "princípio" da criação de Deus. Dizem os unitários, especialmente as Testemunhas de Jeová, que esses termos colocam Cristo como a primeira criatura de Deus, não sendo portanto, eterna. Em Colossenses 1.15 "primogênito" da criação não pode se referir ao primeiro ser criado, pois subentenderia que Cristo é o primeiro filho da própria Criação e isso não faz sentido. A interpretação mais provável é que Cristo é o herdeiro de toda a Criação de Deus. Do mesmo modo, em Apocalipse 3.14, falar de Cristo como o primeiro por causa da palavra "princípio" não faz justiça ao uso dessa palavra no próprio livro do Apocalipse, pois o próprio Deus é chamado de princípio (Ap 1.8; 21.6; 22.13). Faz muito mais sentido pensar que o texto está falando de Cristo como o mais proeminente de toda a criação, o principal, o mais importante, o chefe (Ver Cl 1.18).

O Pai gera o Filho, o Filho é eternamente "gerado" do Pai, e o Espírito Santo "procede" eternamente do Pai e do Filho. Nas línguas grega e hebraica as palavras "pneuma" e "ruach", que são traduzidas como "espírito", derivam de raízes que significam "soprar, respirar, vento". Daí a ideia do Espírito ser soprado por Deus (Jo 20.22). A doutrina de que o Espírito "procede" do Pai e do Filho levou algum tempo para ser formulada pela igreja, sendo que somente em 589 no Sínodo de Toledo, foi formulada a seguinte declaração de fé: "Cremos no Espírito Santo, que procede do Pai e do Filho". A base bíblica de que o Espírito procede do Pai e do Filho é João 15.26 e os textos nos quais o Espírito é chamado de Espírito de Cristo ou de Espírito do Filho (Rm 8.9; Gl 4.6; Fp 1.19; 1Pe 1.11).

A Trindade no Trabalho (econômica)

Uma maneira interessante de ver a Trindade é entender a forma como a Trindade age, não em relação a si mesma, mas em relação à criação. Quando falamos em essência, vimos que, embora haja características próprias em cada pessoa da Trindade, não existe qualquer grau de subordinação entre elas. Porém, quando falamos em trabalho (economia) da Trindade, percebemos que há uma ordem como Deus trabalha. Isso nos revela bastante do caráter Trinitário. Jesus fez algumas declarações que, certamente, poderiam nos deixar confusos, se não entendêssemos a diferença de Trindade em essência (ontológica) e Trindade econômica. Já vimos que ele disse ser um com seu Pai, porém, em outros textos, ele afirmou ser submisso ao Pai, como por exemplo, João 6.38: "Porque desci do céu não para fazer a minha própria vontade; e, sim, a vontade daquele que me enviou. E também noutra ocasião ele disse: "O Pai é maior do que eu" (Jo 14.28). Já dissemos que de acordo com a Bíblia, há igualdade absoluta entre as pessoas da Trindade, mas, então, por que Jesus disse que o Pai era maior do que ele? Certamente porque se referia à sua encarnação e à obra que precisava fazer. Ele foi submisso ao Pai nesse sentido e, portanto, inferior em função, mas não em essência. Estamos agora, falando das obras que se realizam, não dentro do ser divino, mas em relação à criação, providência e redenção. Vemos nas Escrituras algumas obras sendo mais atribuídas a uma das pessoas da Trindade do que a outra. Entretanto, devemos tomar o cuidado para não exagerarmos nas distinções, pois de certa forma, a Trindade participa conjuntamente de todas as obras externas.

Não precisamos temer falar de uma subordinação econômica de Filho ao Pai, desde que entendamos que não há nenhuma subordinação de essência. É por isso que Paulo diz: "Quero, entretanto, que saibais ser Cristo o cabeça de todo o homem, e o homem, o cabeça da mulher, e Deus, o cabeça de Cristo" (1Co 11.3). No contexto ele está tratando da diferença que existe entre o homem e a mulher, e da subordinação que a mulher deve ao homem. Ele não está dizendo que a mulher é inferior ao homem, mas que deve ser submissa e guardar as diferenças proporcionais. Da mesma forma, o Pai é o cabeça de Cristo, mas isso não quer dizer que ele é superior, pois a essência é a mesma. A questão está nas funções que são diferentes.

Devemos evitar a formulação simplista de que o Pai é o responsável pela Criação, o Filho pela Redenção, e o Espírito pela Santificação, pois a Trindade participa conjuntamente de tudo isso. A distinção que podemos fazer é a seguinte: Ao Pai pertence mais o ato de planejar, ao Filho o de mediar, e ao Espírito o de agir. Isso pode ser visto no relato da criação. No texto de Gênesis 1.1-3, as três pessoas da Trindade estão agindo. O texto diz: "No princípio criou Deus os céus e a terra" (Gn 1.1). Note que a criação é atribuída a Deus. Entretanto, em seguida veja algumas manifestações diferentes desse Deus: "A terra, porém, era sem forma e vazia, e o Espírito de Deus pairava sobre as águas" (Gn 1.2). Aí está a Terceira Pessoa, o "Espírito de Deus". A maioria dos comentaristas concorda que o Espírito Santo está numa função de "energizar" a matéria, sendo, portanto, o ponto de contato entre Deus e a matéria. Mas, e onde está o Filho? O Filho é a "palavra" de Deus. Foi João quem chamou Jesus de o "verbo" de Deus (Jo 1.1). Ele é a palavra proferida, o "haja luz", é o instrumento através do qual todas as coisas foram criadas. A Bíblia afirma isso categoricamente: "Pois, nele, foram criadas todas as coisas, nos céus e sobre a terra, as visíveis e as invisíveis, sejam tronos, sejam soberanias, quer principados, quer potestades. Tudo foi criado por meio dele e para ele" (Cl 1.16). Portanto, podemos dizer que na obra da criação, o Pai fala, o Filho é a Palavra falada - Mediador, e o Espírito Santo é o agente direto sobre a matéria. Em termos semelhantes, a Trindade trabalha na Redenção, cada pessoa executando uma tarefa particular. O Texto de 1Pedro 1.2 é claro nesse sentido, pois diz que os crentes são: "Eleitos segundo a presciência de Deus Pai, em santificação do Espírito, para a obediência e a aspersão do sangue de Jesus Cristo". Aqui também o Pai é o idealizador da salvação, pois a ele pertence o ato de escolher os que devem ser salvos. Nesse sentido, o Pai é o autor da eleição. O Filho está novamente na função de Mediador, ele possibilita a obediência a Deus através da aspersão do seu sangue. Já ao Espírito Santo é indicada a tarefa de santificar, ou seja separar para si os eleitos. Então, o Pai elegeu, o Filho salvou e o Espírito aplicou a salvação. Na verdade essa ordem de funções pode ser vista por toda a Escritura: O Pai planejando a salvação (Jo 6.37-38) e escolhendo os eleitos (Ef 1.3-4), o Filho executando o plano de Deus (Jo 17.4; Ef 1.7), e o Espírito Santo confirmando essa obra sobre os crentes (Ef 1.13-14). De fato, como declara Lloyd-Jones, "essa é uma ideia atordoante, ou seja, que estas três bem-aventuradas Pessoas, na bem-aventurada santíssima Trindade, para minha salvação quiseram dividir assim o trabalho".

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20 de set. de 2014

Sete coisas que Deus não pode fazer


Por Don Fortner

A despeito de crermos e pregarmos fortemente a soberania total de Deus, nós não pressionamos, e não devemos pressionar, a questão da soberania de Deus além dos limites da Sagrada Escritura, à exclusão de ou em contradição do que Deus tem revelado em Sua Palavra. Aqui estão sete coisas que o santo e soberano Senhor Deus não pode fazer.

1. Deus não pode mudar ou ser mudado (Malaquias 3:6; Tiago 1:17). Seu Ser é imutável. Seus propósitos são inalteráveis. Os objetos de Seu amor e a medida do Seu amor por eles são sempre os mesmos.

Malaquias 3:6: “Porque eu, o SENHOR, não mudo; por isso, vós, ó filhos de Jacó, não sois consumidos”.

Tiago 1:17: “Toda boa dádiva e todo dom perfeito vêm do alto, descendo do Pai das luzes, em quem não há mudança, nem sombra de variação”.

2. Deus não pode mentir (Tito 1:2. Isto não coloca nenhuma limitação no Todo-poderoso. É simplesmente a necessidade do Seu caráter. Se Deus tive dito algo, prometido algo, ou ameaçado algo, você pode confiar nisso. Deus não pode mentir. E Paulo nos diz claramente que Deus prometeu vida eterna para algumas pessoas antes do mundo ser criado.

Tito 1:2: “Em esperança da vida eterna, a qual Deus, que não pode mentir, prometeu antes dos tempos dos séculos”.

3. Deus não salva um pecador sem um sacrifício agradável (Hebreus 9:22). Ele não pode perdoar pecado sem uma expiação com sangue. E a expiação não pode ser feita sem um sacrifício agradável. O único sacrifício agradável é aquele realizado por um inocente, um homem de nossa natureza, e um homem de mérito infinito, que é o próprio Deus (João 1:14).
Hebreus 9:22: “E quase todas as coisas, segundo a lei, se purificam com sangue; e sem derramamento de sangue não há remissão”.

João 1:14: “E o Verbo se fez carne e habitou entre nós, e vimos a sua glória, como a glória do Unigênito do Pai, cheio de graça e de verdade”.

4. Deus não pode levar para o céu alguém que não seja perfeitamente justo à Sua vista (Mateus 5:20; Hebreus 12.14). Ele é tão puro de olhos que não pode contemplar a iniqüidade. “A pessoa deve ser perfeita para ser aceita”. “O Deu santo requer perfeita santidade. Cristo é nossa justiça, santidade e santificação” (Romanos 5:19). Nós somos completos nEle (Colossenses 1:12; 2:10).

Mateus 5:20: “Porque vos digo que, se a vossa justiça não exceder a dos escribas e fariseus, de modo nenhum entrareis no Reino dos céus”.

Hebreus 12.14: “Segui a paz com todos e a santificação, sem a qual ninguém verá o Senhor”.
Romanos 5:19: “Porque, como, pela desobediência de um só homem, muitos foram feitos pecadores, assim, pela obediência de um, muitos serão feitos justos”.

Colossenses 1:12: “Dando graças ao Pai, que nos fez idôneos para participar da herança dos santos na luz”.

Colossenses 2:10: “E estais perfeitos nele, que é a cabeça de todo principado e potestade”.

5. Deus não pode mandar para o inferno alguém por quem Cristo sofreu e morreu no Calvário (Isaías 53:11; Romanos 8:33-34). “Deus não pode demandar um duplo pagamento, primeiro da mão sangrenta do meu Fiador, e depois novamente da minha!”. Sua sabedoria, amor, bondade e justiça não permitiriam isso!

Isaías 53:11: “O trabalho da sua alma ele verá e ficará satisfeito; com o seu conhecimento, o meu servo, o justo, justificará a muitos, porque as iniqüidades deles levará sobre si”.
Romanos 8:33-34: “Quem intentará acusação contra os escolhidos de Deus? É Deus quem os justifica”.

6. Deus não pode salvar um pastor aparte da pregação do evangelho. Ele não pode porque Ele não quer (1 Coríntios 1:21-24; Tiago 1:18; 2 Pedro 1:23-25). Eu ouço os homens dizerem: “Deus pode salvar homens com o uso de meios, e sem o uso de meios, ou a despeito dos meios usados. Ele é soberano. Ele pode fazer o que quiser”. Deus é soberano. Ele pode fazer tudo o que Ele desejar fazer. Mas Deus não pode mentir. Ele não pode fazer o que é contrário à Sua Palavra. Ele não pode fazer o que Ele disse que não faria. Nem Ele pode falhar em fazer o que Ele disse que faria. E Deus disse que o evangelho de Cristo é o Seu meio ordenado de comunicar a graça salvadora a pecadores mortos. Deus não salvará ninguém aparte da pregação do evangelho (Romanos 1:15-17; 10:17). Nem Ele salvará alguém pela pregação de um falso evangelho (Gálatas 1:6-8).

1 Coríntios 1:21-24: “Visto como, na sabedoria de Deus, o mundo não conheceu a Deus pela sua sabedoria, aprouve a Deus salvar os crentes pela loucura da pregação. Porque os judeus pedem sinal, e os gregos buscam sabedoria; mas nós pregamos a Cristo crucificado, que é escândalo para os judeus e loucura para os gregos. Mas, para os que são chamados, tanto judeus como gregos, lhes pregamos a Cristo, poder de Deus e sabedoria de Deus”.

Tiago 1:18: “Segundo a sua vontade, ele nos gerou pela palavra da verdade, para que fôssemos como primícias das suas criaturas”.

1 Pedro 1:23-25: “Pois fostes regenerados não de semente corruptível, mas de incorruptível, mediante a palavra de Deus, a qual vive e é permanente. Pois toda carne é como a erva, e toda a sua glória, como a flor da erva; seca-se a erva, e cai a sua flor; a palavra do Senhor, porém, permanece eternamente. Ora, esta é a palavra que vos foi evangelizada”.

Romanos 1:15-17: “E assim, quanto está em mim, estou pronto para também vos anunciar o evangelho, a vós que estais em Roma. Porque não me envergonho do evangelho de Cristo, pois é o poder de Deus para salvação de todo aquele que crê, primeiro do judeu e também do grego. Porque nele se descobre a justiça de Deus de fé em fé, como está escrito: Mas o justo viverá da fé”.

Romanos 10:17: “De sorte que a fé é pelo ouvir, e o ouvir pela palavra de Deus”.

Gálatas 1:6-8: “Maravilho-me de que tão depressa passásseis daquele que vos chamou à graça de Cristo para outro evangelho”.

7. Deus não pode falhar em salvar qualquer pecador que confiem no Senhor Jesus Cristo, seu Filho amado (João 3:16,36). Deus, que nã pode mentir, prometeu vida eterna a todo aquele que crê. Fé em Cristo é o fruto da eleição, redenção e regeneração. E fé em Cristo é a evidência da eleição, redenção e regeneração. Você crerá agora? Você confiara no Filho de Deus?

João 3:16: “Porque Deus amou o mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para que todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna”.

João 3:36: “Aquele que crê no Filho tem a vida eterna, mas aquele que não crê no Filho não verá a vida, mas a ira de Deus sobre ele permanece”.

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Fonte: Monergismo