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20 de jul. de 2016

Por que a ideologia é idolátrica?

Por Thomas Magnum

Introdução

Ao tratarmos de ideologia, tratamos - sem sombra de dúvida - do estabelecimento de uma cosmovisão que pretende exercer domínio sobre um grupo, religião, sociedade, país ou meramente sobre o indivíduo no claustro de si e dominado pela ideia de domínio do que o cerca por meio da construção e do empreendimento engenhoso de um conjunto de ideias e discursos autorrealizáveis beirando a profecia “auto-cumprível”.

Notemos que a ideologia como dizia Marx é um vestido de ideias que procura estabelecer um contorno determinante e religiosamente seguido para o sucesso do que foi planejado. Vemos com isso que a ideologia exerce então certa dosagem de engenharia da ideia.

Idea + Logos = Telos

Tratando de ideologia, discorremos sobre o vislumbre[1] e cumprimento de ideias estabelecidas, pois, ideologia nos fala de discurso das ideias. O logos, nos fala de articulação lógica das ideias. No sentido político, a ideologia é uma articulação lógica do que se pretende alcançar e fazer. Toda ideologia visa um telos, e para que esse telos tenha sucesso no cumprimento, ele precisa de meios e anteriormente precisa-se de ter um a priori, um pressuposto. O telos é o propósito último de uma ideia, discurso, doutrina, religião, ou qualquer que seja o ponto onde está centrado o discurso, todo discurso tem um objetivo, ainda que o objetivo seja não ter objetivo.

A Lógica na Ideologia

Temos aqui claramente a lei da contradição, um discurso não visa não pretender nada, isso é lógica (logos), a lógica pretende organizar, dinamizar e apontar para um tipo de bem a ser alcançado com o discurso, ainda que esse bem não seja para ambos – emissor e receptor. O projeto do discurso lógico na ideologia visa o cumprimento da lógica, lógica estabelecida pela ideia, que pretende chegar ao telos. Diz Olavo de Carvalho: Uma ideologia é, por definição, um simulacro de teoria científica. É, segundo a correta expressão do próprio Marx, um "vestido de ideias" que encobre interesses ou desejos[2]. 

Ainda dentro do universo ideológico concebe-se que

A estrutura interna do pensamento ideológico caracteriza-se pela compressão forçada da realidade para dentro de uma única dimensão, portanto pela recusa ou proibição de examinar os fatos e aspectos que não caibam no padrão escolhido[3].

A Estrutura Fundacional de uma Ideologia

É verdade que a ideologia monta-se em bases pseudoverdadeiras. Há falsificação de no discurso com o fim de manobrar as circunstâncias para uma montagem circunstancial que promova o cumprimento do ideal proposto no logos teleológico[4].

Em geral os fundadores de uma ideologia sabem que ela é objetivamente falsa. Não a defendem porque creem que ela descreve acuradamente a realidade, mas porque esperam que, se um número suficiente de pessoas acreditar no que dizem, a conduta delas se tornará mais previsível e manipulável na direção desejada. Toda ideologia é nesse sentido uma profecia autorrealizável: ela visa a criar as próprias condições sociais e psicológicas que lhe darão retroativamente uma aparência de veracidade. Mas no fundo a ambição dos ideólogos fundadores é transcender a distinção de aparência e realidade, fazendo com que esta copie tão bem aquela que se torne indiscernível dela e acabe por se transformar nela efetivamente. Essa ambiguidade inata do pensamento ideológico escapa geralmente à quase totalidade dos seus aderentes e seguidores, sendo uma espécie de segredo originário bem guardado pelos fundadores e só acessível, em cada geração, a uma reduzida elite de seus discípulos mais talentosos e clarividentes[5].

Ideologia, Soteriologia e Escatologia

Dadas as condições acima mencionadas para formulação da ideologia temos então um quadro interessante a ser analisado e ponderado com profunda observação não apenas por um prisma da filosofia política como por um prisma da teologia política que vai estabelecer uma base divergente no processo de exposição do bem-estar humano em contraparte com as tentativas da ideologia. A ideologia vai propor uma esperada redenção que somente se dará através da adesão ao discurso e a luta para tal instauração ideológica. A ideologia irá exigir um posicionamento no que se refere ao espectro do discurso lógico que se deflagra um “evangelho” boas novas para oprimidos e grupos minoritários, que em muitos casos se transforma de oprimido para opressor, logo a lógica da ideologia é de domínio soberano e aniquilação do inimigo que se opõe ao discurso escatológico da pauta em questão. Ainda nos diz Koyzis:

[...] vejo as ideologias como tipos modernos do fenômeno perene da idolatria, trazendo em seu bojo suas próprias teorias sobre o pecado e a redenção. Desde o início de sua narrativa, a Escritura denuncia o culto aos ídolos, falsos deuses que os seres humanos criaram. Como as idolatrias bíblicas, cada ideologia se fundamenta no ato de isolar um elemento da totalidade criada, elevando-o acima do resto da criação e fazendo com que esta orbite em torno desse elemento e o sirva. A ideologia também se fundamenta no pressuposto de que esse ídolo tem a capacidade de nos salvar de um mal real ou imaginário que há no mundo[6]

Ideologia Política e Imaginação Totalitária

A política é alvo da construção ideológica e assim compreendida de forma errada, o que era para ser voltado para o bem comum começa a girar em torno de uma facção, um grupo que articula ideologicamente para estabelecer centros de poder dominante na sociedade assim foi com os regimes socialistas na China, Alemanha e Rússia, para citar alguns países. Razzo nos diz que:

A relação entre os conceitos de política e de imaginação pode gerar uma variedade de modos de compreensão e abrir uma série interessante de perspectivas a respeito do seu significado. Quando vinculada à política, toda compreensão corre o risco de se tornar ideológica na medida que se reduz a variedade da compreensão a uma unidade inequívoca, a partir da qual se presume  ser a única forma – correta e inegociável – de atividade política[7].

Toda construção ideológica é uma caricatura e uma distorção do cristianismo. A ideologia perpetra uma redução da realidade, a ideologia se fundamenta cumprível”. Portanto há na ideologia uma soteriologia que emana do discurso axiomático que ela se vale por seu pressuposto salvífico imaginário. Com isso também se vale a ideologia de uma escatologia autocriada e buscada pela guerra cultural e ideológica. Como então pode um cristão aderir ideologias?

Percebamos que a construção de uma ideologia transita por fatores religiosos, temos estabelecida uma guerra de questões não apenas políticas, mas metafisicas e teológicas. A realidade e o futuro são objetos do empenho ideológico. O Cristianismo não convive com isso. O Cristianismo é exclusivista e possui uma cosmovisão particular e reinante. Toda ideologia é quebra do primeiro e segundo mandamentos do decálogo. É a divinização de um ídolo e a reconfiguração de uma adoração a ele. É um rompimento com o mandamento de adoração e submissão àquele que governa soberanamente. 

Ideologia e Domínio

Pelo que já vimos até aqui fica evidente que a intensão última da ideologia é o domínio de ideias contrárias a ela, estabelecendo métodos de centralização e atração de poder para si. A ideologia acaba agindo de forma totalitária tomando e estabelecendo princípios para toda a vida humana individual e em sociedade. Podemos fazer uma ligação teológica interessante no que se refere aos axiomas.

Axiomas – Ontológico e Epistemológico

A ideologia vai lidar com axiomas, quando esta estabelece um axioma ontológico que se refere ao ser, ela obstrui e substitui a divindade, ou seja, temos no cristianismo dois axiomas básicos para a compreensão filosófica da fé cristã e como isso se desenvolve no âmbito da teologia e da filosofia política por um prisma cristão. O axioma ontológico do cristianismo é Deus. O axioma epistemológico do cristianismo é a Escritura. A ideologia vai substituir esses axiomas, estabelecendo uma nova fundamentação filosófica que perpasse a vida humana e redima os flagelos e moléstias sociais. Temos então uma clara estabilização de falsos deuses para uma cosmovisão. Por isso toda ideologia é idolatria.

Conclusão

Os fundamentos da ideologia não são apenas filosóficos, são religiosos. A busca por soluções redentoras e escatológicas ultrapassam os limites da função da política no mundo. A ideologia é uma violação explicita dos dois primeiros mandamentos do decálogo o que é idolatria.





[1] No conceito de ideia temos uma busca e uma mentalização do algo que ainda não é. A idealização gera o vislumbre, o vislumbre e a idealização são inevitavelmente fundamentados por axiomas ontológicos e epistemológicos. O que vai intermediar a ideia entre os axiomas são as pressuposições.

[2] http://www.olavodecarvalho.org/semana/confronto.htm

[3] http://www.olavodecarvalho.org/semana/070910dc.html

[4] O termo que uso por logos teleológico refere-se a um discurso que se esmera a uma finalidade de cabal cumprimento, via de regra a luta para que esse cumprimento ocorra procede de regimes totalitários.

[5] http://www.olavodecarvalho.org/semana/070910dc.html

[6] Koyzis, David. Visões e Ilusões Políticas. 2014. São Paulo, ed. Vida Nova, p.18.

[7] Razzo. Francisco. A Imaginação Totalitária. Ed. Record, Rio de Janeiro. 2016, p.9.

2 de jul. de 2015

Antítese ou Síntese: O Evangelho e as demais filosofias

Por Thiago Oliveira

O Monopólio da Verdade

Antes de mais nada, não se espante com o fato do Evangelho ser definido no texto como sendo uma filosofia. O uso do termo remete, grosso modo, a um sistema que se preocupa em responder as questões fundamentais da vida, que envolvem a existência, o conhecimento, a linguajem, a verdade e a ética. Sabemos que encontramos a resposta para cada uma dessas questões quando mergulhamos nas Sagradas Escrituras. Falando nisso, a Bíblia é a fonte autoritativa do cristão e dela extraímos a nossa cosmovisão, ou seja, a nossa filosofia, e aqui filosofia alude a uma diretriz para determinada conduta.

15 de nov. de 2014

Sobre a Sexualidade, Cristianismo e Liberalismo Hipermoderno

Por Thomas Magnum

Ao tratarmos desse tema infelizmente não estamos falando de algo irreal. Na verdade o assunto é bem atual e abrangente por vários motivos. A industrialização do sexo, a facilidade de se obter material de cunho sexual, a rapidez da internet em fornecer informações pornográficas em segundos através dos milhões de sites pornográficos na rede, da cultura relativista e hegemonicamente comercial, da figura de mulheres e homens que vendem sensualidade e prazer; basicamente a questão do sexo hoje pode ser facilmente apontada como nicho de mercado.

Depois de termos essa visão social/industrial/mercadológica, não podemos deixar de falar sobre questão antiga em relação ao sexo. Em muitos povos antigos o sexo era parte do culto, no antigo Egito por exemplo. Vemos que a sexualidade não somente apontava para uma tendência natural do ser humano, mas fazia parte de uma cultura ritualística no culto aos deuses. Desde então vemos a mesma questão da corrupção sexual na Grécia antiga, e o culto voltado também à promiscuidade não somente no relacionamento de homens mais velhos com mais novos, mas também na ilha de Lesbos, onde mulheres mantinham relações sexuais, foi dali surgiu a palavra lésbica.

Por isso no mundo antigo tinham as prostitutas cultuais. Nos casos de prostituição do antigo Israel relatadas no antigo testamento não era somente prostituição espiritual, mas física também. O prazer sexual vendido pelas religiões foi mais uma consequência da queda de Adão e Eva e do engano de Satanás. A sexualidade do ser humano foi inevitavelmente afetada pelo pecado. Sob o prisma da depravação total temos um correto entendimento de que as faculdades do homem foram escravizadas pelo pecado, nisso a sua vontade também, por isso temos paixões lascivas como diz Paulo:

"Mortificai, pois, os vossos membros, que estão sobre a terra: a fornicação, a impureza, afeição desordenada, a vil concupiscência, e a avareza, que é idolatria; Pelas quais coisas vem a ira de Deus sobre os filhos da desobediência; Nas quais, também, em outro tempo andastes, quando vivíeis nelas."

Colossenses 3:5-7

E o Senhor também advertiu:

"Eu, porém, vos digo, que qualquer que atentar numa mulher para a cobiçar, já em seu coração cometeu adultério com ela."

 Mateus 5:28

Ao chegarmos a nossos ares modernos, temos grandes problemas no que se refere a compreensão do propósito do sexo na vida dos seres humanos. A Bíblia diz que o sexo é uma bênção de Deus e sua finalidade é ser desfrutado não somente para procriação, mas, para o prazer dos cônjuges como lemos no livro de Cantares. Ainda sim, soa estranho para muita gente na igreja ouvir isso. Muitos perguntam – mas o que é que tem se eu transar com minha namorada? Somos maiores de idade e podemos fazer nossas escolhas. Outro argumento é, nós iremos nos casar, então podemos manter relações sexuais. Já houveram casos de casais de namorados cristãos até orarem antes da relação sexual.

O fato é que a juventude cristã é bombardeada com liberalismo sexual diariamente, da mesma forma que o liberalismo político versa sobre o individualismo quase divinizado do homem o liberalismo sexual segue a mesma linha de raciocínio de que o homem é soberano sobre suas escolhas. Diante disso temos algumas situações; porque sexo antes do casamento é errado e se alguém manteve uma vida sexual antes da conversão como lidar com isso?

Ao falarmos sobre sexualidade cristã, falamos de indivíduos dotados de inclinações sexuais naturais, mas, falamos também que essas inclinações não necessariamente precisam ou devem ser supridas, pois, a sexualidade é restrita ao casamento. Para relações extraconjugais a bíblia denomina isso de fornicação entre solteiros e adultério para pessoas casadas que obtiveram outro parceiro sexual. Esses valores têm sido tratados por muitos dentro do cristianismo como algo ultrapassado e que agora vivemos na geração fast food, o que importa é a satisfação pessoal, como comumente ouvirmos – o importante é ser feliz. Os impulsos sexuais devem ser imediatamente saciados porque o que importa é a satisfação. Essa atmosfera que vigora sobre a sociedade moderna é fruto de uma cosmovisão hedonista, egoísta, pluralista e relativista. E esse gás tem sido distribuído no meio cristão.

Em primeiro lugar devemos pensar sobre a questão, se somos adultos o que nos impede de transarmos? Vale lembrar que estamos trabalhando nesse texto em um contexto cristão, embora o princípio bíblico é válido a todas as pessoas. A bíblia nos diz o seguinte:

"Todas as coisas me são lícitas, mas nem todas as coisas convêm; todas as coisas me são lícitas, mas nem todas as coisas edificam."

1 Coríntios 10:23

A liberdade para pecar todos tem, essa livre agencia é dada aos homens, mas a grande questão é, isso tem a aprovação de Deus? Vemos na Palavra que o casamento foi criado por Deus e o sexo foi criado para o casamento. O sexo entre homens e mulheres é uma bênção de Deus, mas, não podemos esquecer que esse relacionamento íntimo está enquadrado dentro de uma aliança, a aliança do casamento. Foi assim desde o início com Adão e Eva. Em Mateus 25 lemos a parábola das dez virgens que esperavam o noivo para as bodas, veja que elas eram virgens. A bíblia defende a virgindade, porque o sexo foi criado para o casamento. Ao iniciar uma vida sexual fora do casamento o jovem em primeiro plano está pecando contra Deus e seu propósito para sua sexualidade. Da mesma maneira quando falamos sobre a masturbação, pelo fato que tais práticas sexuais estarem fora da aliança conjugal.

Um outro problema é quando um jovem ou qualquer pessoa que não é casada se torna cristã e antes tinha uma vida sexualmente ativa, o que fazer agora? Numa primeira palavra digo que você agora é cristão e deve ser corajoso para viver como tal, deve negar-se como Jesus ensinou e deve submeter sua vontade ao Cristo Senhor. Lembre-se que a tentação vai passar, por mais dura que seja, mas o peso do pecado nos envergonha e nos afasta de Deus. Deve-se entender que agora como cristão os padrões são os da palavra de Deus e não os do mundo. Corre sempre uma história de que ficar sem sexo faz mal ao homem, onde foi provado isso cientificamente? Temos na bíblia pessoas que nunca se casaram, viveram como celibatários.

De fato sob essa pressão social, midiática erotizada que empurra novos padrões sexuais que são fruto não só de ideias pagãs antigas, mas também de que o sexo quando usado fora dos propósitos de Deus está ligado a idolatria, o sexo pode ser um ídolo e tem sido na sociedade moderna tanto quanto foi nas antigas. A diferença é que não temos mais a personificação do ídolo, mas, ele continua vivo nos corações dos homens.  A grande questão é que na nossa cultura ocidental os ídolos físicos não são comuns a todos, no entanto os ídolos ideológicos estão presentes aqui tanto quanto estiveram lá.

Uma outra questão levantada pela mídia voltada para o entretenimento é a figura erotizada da mulher, que deve se vestir sensualmente (afirmando que isso enfatiza feminilidade o que não é), humilhando a figura feminina que foi criada a imagem de Deus, colocando padrões de beleza que são estranhos as escrituras. No Brasil temos uma infeliz imagem figurada pelo carnaval, mostrando mulheres quase sem roupa, essa é uma das imagens vendidas para o exterior. Em seu clássico Casa Grande e Senzala, o antropólogo Gilberto Freire diz que nos tempos coloniais as mulheres brancas eram para casar, as índias para trabalhar e as negras para servir sexualmente seus senhores. De fato sabemos que essa cultura da mulher como objeto sexual no Brasil é fortalecida a cada dia. E o que mais impressiona é que tais mulheres se orgulham disso, esse comportamento da sexualidade humana é derivado da queda. Da mesma forma os homens que tem sua virilidade relacionada a serem garanhões e serem adúlteros, isso é motivo de orgulho para muitos (infelizmente até quem se chame cristão). Quando vemos que tais comportamentos liberais também estão relacionados à depravação total.

Gostaria de citar aqui um trecho do artigo do pastor Guilherme de Carvalho que tem por título Ideologia liberal e promiscuidade sexual: cúmplices? Ao falar de liberdade muitas vezes nem compreendemos o que é e quais são as consequências de um entendimento errado sobre isso, ao falar desse liberalismo diz Carvalho:

Mas o que significa “liberdade” numa sociedade utilitarista e consumista, que destrói sistematicamente a capacidade humana de resistir a seus desejos e sonhos de felicidade? O indivíduo hipermoderno é um fraco, incapaz de amar o que deve amar e de odiar o que deve odiar, treinado desde a infância a investir todas as suas energias na busca da satisfação emocional. É um indivíduo dependente do consumo e do entretenimento, buscando a felicidade sem virtude. Poucos colocam o problema tão bem quanto Lipovetsky:

O relaxamento dos controles coletivos, as normas hedonistas, a escolha da primeira qualidade, a educação liberal, tudo isso contribuiu para compor um indivíduo desligado dos fins comuns e que, reduzido tão-só às suas forças, se mostra muitas vezes incapaz de resistir tanto às solicitações externas quanto aos impulsos internos. [...] Por toda parte, a tendência ao desregramento de si acompanha a cultura de livre disposição dos indivíduos entregues à vertigem de si próprios no supermercado contemporâneo dos modos de vida. À medida que se amplia o princípio de pleno poder sobre a direção da própria vida, as manifestações de dependência e de impotência subjetivas se desenvolvem num ritmo crescente. O que se representa na cena contemporânea do consumo é tanto Narciso libertado quanto Narciso acorrentado.” (Lipovetsky, 2008, p. 127)".*

Com isso vale dizer que aqueles que se acham livres para viverem como querem, ao fim das contas quem dera enxerguem que o homem que vive a seu bel prazer não vive, mas está morto. Que ao sabermos que o sexo é parte da aliança do matrimônio consideremos que o que estiver fora disso é abominável diante de Deus e sua palavra (Romanos cap.1 e 1Corintios cap.6).
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*http://ultimato.com.br/sites/guilhermedecarvalho/2013/10/29/ideologia-liberal-e-promiscuidade-sexual-cumplices/