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22 de ago. de 2016

Ana Paula Valadão e a Egolatria de uma Igreja Enferma

Por Thiago Oliveira

“Queixo pra cima, Princesa! Rainha! Senão a coroa cai”. Essa é uma frase “mantrica” que se repete numa música* cantada por Ana Paula Valadão num evento da Igreja Batista da Lagoinha. Além da sofrível melodia, que parece canção de programa infantil, a letra é terrível. Num templo que foi pintado de preto e que teve o púlpito retirado, a celebração é do homem para o homem. A líder do grupo Diante do Trono, no meio da música manda um “celebre a sua identidade, mulher”. Como se essa bizarrice não bastasse, ainda há uma coreografia no qual uma senhora é coroada e dança com aquela típica coroa de debutante. Além de deturpar o evangelho, precisa ser tão brega assim?

A grotesca egolatria evangélica, recheada de eventos em que Deus é apenas subserviente, sendo invocado para atender os caprichos de “crentelhos mimados”, chega ao seu ápice quando ao invés de utilizar o momento do louvor para bendizer o nome do SENHOR, e enaltecer seus atributos, um grupo passa a exaltar qualidades humanas. Numa parte da canção, no qual insta as mulheres a se lembrarem do que são, há uma lista de qualidades, dentre elas: bonita, inteligente, sábia, paciente, humilde, submissa, mansa, obediente, respeitadora, encorajadora e etc...etc...etc. Também se exalta o fato da mulher orar e jejuar, redundando em mais um adjetivo elogioso, que seria “fervorosa”.

Não tive como não recordar a parábola que Jesus conta sobre a oração do fariseu e do publicano. O primeiro exalta a si mesmo por conta do cumprimento de atividades religiosas. O segundo apenas bate no peito clamando por misericórdia, reconhecendo sua pecaminosidade. Cristo nos diz que foi o publicano quem saiu justificado diante de Deus (Leia a parábola em Lucas 18. 9-14). No evangelho não existe espaço para autoglorificação. Nós devemos nos lembrar de que somos pó, que nossa vida é como um sopro e ai de nós se não fossem as misericórdias do SENHOR sobre quem somos. Sendo assim, que negócio é esse de “celebre quem você é”?

O que a Ana Paula Valadão promove vai de encontro com o padrão de humildade prescrito na Bíblia. Ora, para quê essa necessidade de autoafirmação? Pelo que dá a entender, a intenção é levantar a moral de mulheres que estão deprimidas, desiludidas da vida. Precisamos ter amor por tais e procurar ajuda-las a atravessar momentos de dificuldade - talvez um surto depressivo? Sim, devemos. Mas faremos isso apoiados na Palavra, buscando exaltar o nome do Senhor ao invés do nosso. Transformar uma pessoa depressiva numa narcisista não é a solução adequada, muito pelo contrário, só aumenta o prejuízo. Uma pessoa que precisa lutar contra a depressão deve se amar, mas o amor em primazia deve ser dado a Deus. Este é o primeiro grande mandamento. Ademais, amar-se não significa viver caçando elogios ou vangloriando-se pelas suas qualidades. Assim como a humildade - segundo a Bíblia - não significa negá-las. Então, o que vem a ser uma pessoa humilde? Tim Keller responde com a seguinte afirmação:

“A pessoa verdadeiramente humilde não é aquela que se odeia ou se ama, e sim a que tem a humildade do Evangelho. É uma pessoa que se esquece de si mesma e cujo ego é igual aos dedos dos pés. Eles simplesmente exercem sua função. Não imploram por atenção”.

Ao contrário do que muitos pensam, não tenho prazer em escrever esse tipo de texto. Mas mesmo não gostando, me sinto no dever de expor o falso evangelho, até porque ele resulta numa adoração a um deus falso. Sabe qual o nome disso? Idolatria! E a igreja evangélica, de modo geral, tem se especializado em idolatrar o ser humano. Isso é resultado de uma má compreensão da Escritura, que por sua vez, resulta em púlpitos adulterados, em que apesar de ter um pastor e uma Bíblia aberta, prega mensagens moralistas e de autoajuda, massageando o ego de uma geração acomodada e materialista. Quando a pregação expositiva e fiel da Escritura e a sã doutrina são deixadas de lado, a igreja – mesmo aparentando crescimento devido ao seu aumento numérico – está desfalecendo. Está gravemente enferma.

Mulheres e homens não devem colocar queixo pra cima. O mais propício é que ele fique baixo, encostado ao peito. E com a fronte e os joelhos prostrados, nossa oração deve ser a seguinte: “Senhor, diante de ti eu sei que nada sou, mas por Tua graça, livra-me de todo mal. Inclusive, livra-me de mim mesmo e dos maus desejos que afloram de minha natureza pecaminosa. Santifica-me na verdade. A Tua palavra é a verdade, e nela quero me aprofundar. Reina em mim, senhor Jesus. Amém”.

Não queiramos ser tidos por príncipes ou reis. Almejemos o status de servos bons e fiéis, pois, são estes que estarão na presença do verdadeiro Rei, desfrutando das benesses do seu reino. Glória ao Pai, ao Filho e ao Espírito Santo. Como era no princípio, agora e sempre.
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*Veja, se estiver estômago forte: clique aqui

15 de ago. de 2015

O mercantilismo gospel brasileiro e o juízo de Deus: uma meditação no profeta Amós

Por Bruno Mathias
Hoje pela manhã, estava fazendo o meu devocional diário e comecei a meditar no livro do profeta Amós. Amós é um dos doze profetas menores do Antigo Testamento, nativo de Tecoa, Tribo de Judá (1.1), recolhedor de figos silvestres (7.14) e o seu nome significa literalmente “carga”, “carregador”. Ele profetizou durante os reinados de Jeroboão II, de Israel, e Uzias de Judá (aproximadamente no século 8 a.C.). Foi um homem de origem humilde (7.15) e trabalhador (7.14), que denunciava os maus feitos do povo de Israel em sua época (2.6-16) e os chamava para uma adoração sincera (5.1-27).

16 de jul. de 2015

O Narcisismo Gospel - O Amor de Narciso e a Religião do Ego

Por Thomas Magnum

Na sociedade de consumo, vivemos num contexto religioso que é pluriforme, que vai de cultos as imagens de escultura,  adoração de artistas, passando por ideologias filosóficas, políticas e religiosas que entronizam vários tipos de deuses e tornam seus adoradores semelhantes a eles mesmos, como diz Paulo:  “o ídolo nada é no mundo” (1Co 8.4).

22 de mai. de 2015

Agora é só vitória, a luta acabou e a prova foi embora (#SQN)

Por Thiago Azevedo

Em certa ocasião, ao adentrar em certo ambiente, ouvi uma dita canção evangélica cuja refrão dizia o seguinte: “agora é só vitória (repetida 4 vezes), a luta acabou, a prova foi embora, agora é só vitória”. A pergunta básica é a seguinte: qual personagem bíblico pode ter motivado tal canção? Na Bíblia não há uma só personagem que tenha vivido tamanha mentira. Adão e Eva tiveram nos primórdios que administrar um fratricídio entre seus filhos, não foi só vitória e ausência de lutas na vida do primeiro casal. E quem perde um filho nessas condições deve saber que a luta não acaba nem tão cedo, e olhe lá se acaba. O normal são os pais abençoarem os filhos, mas Noé sente a necessidade de amaldiçoar um filho, situação difícil não? Abraão já idoso com sua esposa Sara recebe uma promessa de ainda gerar um filho. Após a mesma se cumprir, o Senhor solicita a vida do único filho do casal. A luta acabou? Foi só vitória na vida do pai da fé? Na condução do povo hebreu pelo deserto, após atravessar o mar vermelho e festejarem tal feito, Moisés adentra em Mara – região que possuía as águas amargas –, motivo suficiente para que o povo voltasse a murmurar contra o Senhor. Nesta ocasião o povo hebreu estava com sede e fatigado por conta da fuga do Egito. Será que a luta acaba mesmo? Será que chega um estágio na vida terrena do cristão que é só vitória?

4 de mar. de 2015

Porque não canto Raridade do Anderson Freire

Por Richardson Gomes

Não coincidentemente, a música mais tocada dos últimos dias é ela, “Raridade”, campeã de solicitações nas rádios e de quantidade de vezes que é cantada nas igrejas. Feita por Anderson Freire, essa música conseguiu atingir a todo o Brasil, “impactando” os corações até de quem não professa a fé cristã. Eis aqui os motivos, frase por frase, pelos quais EU não canto essa música.

"Não consigo ir além do teu olhar, tudo que eu consigo é imaginar a riqueza que existe dentro de você."

A música começa com uma daquelas frases poéticas que você não entende o porquê dela estar ali, mas ela dá um efeito bonito – e até romântico – na música. Não me surpreendo com isso vindo de uma música feita para vender. Além disso, notamos a presença da velha e boa sacada de músicas de rádio: exaltação do homem. Sim, caro leitor, a primeira frase já começa com uma boa massagem no ego de qualquer um que a escute. E quem não gosta disso, não é verdade? E a Bíblia? O que ela diz sobre o que há dentro de nós? A Bíblia diz que o homem natural é inútil, impossibilitado de fazer o bem, pecador, e não tem temor a Deus (Is 64:6; Jo 6:44, 65; Rm 1:21-32; Rm 3:10-18, 23) Porém, você pode dizer: “Essa música foi feita para o cristão. O que há dentro dele é Jesus.” Primeiro que se fosse mesmo Jesus nesta frase, o autor não diria “tudo que eu consigo é imaginar”, a não ser que ele não saiba que Jesus pode ser conhecido na Bíblia que nos foi revelada. Segundo que o fato de Jesus habitar em mim nunca deve ser motivo para que eu me ache raro. O evangelho é tesouro em VASOS DE BARRO, para que a excelência do poder seja de Deus e NÃO DE NÓS (2 Co 4:7).

"O ouro eu consigo só admirar, mas te olhando eu posso a Deus adorar, sua alma é um bem que nunca envelhecerá."

Como se já não bastasse o fato dessa música ser totalmente antropocêntrica, muitos ainda fazem questão de colocá-la no culto congregacional (é até engraçado como alguns esquecem que o culto é PARA DEUS e não para o homem). O ouro realmente é algo raro, algo valioso. O ouro é raro justamente por ser ouro. O metal não é como o ouro. O cobre não é como o ouro. O bronze não é ouro. Ouro é raro porque é ouro. O ser humano, em si, é valioso. É a única criatura que possui a imagem e a semelhança de Deus. Nenhuma outra ganhou esse privilégio. Nem os anjos!

Mas pense comigo: se o ouro começa a deixar de ser ouro puro, ele vai perder o valor, não é? A grande questão é que o ser humano, por causa do pecado, contaminou completamente a imagem e semelhança que ele tinha de Deus. Se a ideia dessa frase é mostrar o valor que o ser humano tem por ser humano, conseguiu. Mas ela tem um probleminha crucial: Ela se refere a mim e a você: PECADORES. Ainda que regenerados, mas ainda assim pecadores. E por isso não podemos, de maneira alguma, ser intermediadores de ligação alguma do homem para com Deus. O grande e único intermediador, o único ser humano que foi PERFEITAMENTE humano, o humano que deveríamos ser foi Jesus Cristo. Nós falhamos todos os dias em sermos humanos, mas alguém venceu. É por essa vitória que podemos olhar para Ele e adorarmos a Deus. Ele sim é uma raridade. JESUS é o grande centro do Evangelho.

A nossa alma nunca envelhecerá, mas ela poderá ter dois eternos caminhos. O de morte ou o de vida. Minha alma "rara porque nunca envelhecerá", por merecimento, deveria "não envelhecer" no inferno. Somente por causa de vida de Cristo, do que Ele fez por nós, é que podemos ter vida e vida em abundância. Mas graças a Deus que nos dá a vitória por nosso Senhor Jesus Cristo. (1 Coríntios 15:57)

"O pecado não consegue esconder a marca de Jesus que existe em você. O que você fez o deixou de fazer não mudou o inicio, Deus escolheu você."

Como disse o Rev. Francisco Macena: “Em boa parte das músicas evangélicas dos nossos dias canta-se demasiadamente sobre a centralidade do homem. Em nome da necessidade de levantar a autoestima, conceitos teológicos são invertidos e adaptados para fins psicológicos. Um exemplo dessa inversão pode ser visto na canção “Raridade” interpretada por Anderson Freire.”

Existe um problema e não podemos deixar que ele ganhe espaços quando falamos de música cristã. Achamos que falar verdades já é o suficiente. Quando na verdade, deveríamos analisar uma música como um todo e que mensagem realmente ela quer passar – mesmo que contenha algumas verdades. Dito isso, eu diria que a única parte que eu cantaria em toda a música seria essa. Mas, meu convite é que façamos os que os profetas faziam: Ainda diante de boas ações, eles analisavam as MOTIVAÇÕES! Por exemplo, é verdade que o pecado não consegue esconder a marca de Jesus em nós. Uma vez justificados, nenhuma condenação pode cair sobre nós. É Deus quem nos justifica (Rm 8:1; 33-34). Mas é isso mesmo que a música que a música quer passar?

Li um artigo do pastor Aaron Menikoff sobre letras de músicas e logo após o primeiro questionamento “A letra é verdadeira?” surge este: "A letra é verdadeira, porém, enganosa?" Diante de uma música antropocêntrica, onde a raridade do homem é exaltada, demonstrando merecimento na graça de Deus, será mesmo que essa frase corresponde à verdade bíblica de que “onde abundou o pecado superabundou a graça”? A frase da música não seria um conforto para se viver no pecado? Isoladamente, tal frase seria até boa para pregarmos o evangelho a um não crente (ainda que seja bem perigoso afirmar a eleição de um ainda não convertido). Mas diante de uma música sem identidade, sem público definido, feita para vender, tão subjetiva, acho muito estranho afirmar coerência teológica nessa frase sobre a eleição em uma música que carrega o título “Raridade” direcionada ao HOMEM. É simples: troque “Deus escolheu você” por “Deus predestinou você” e o número de pessoas a cantar tal música diminuirá significativamente. As pessoas querem ser escolhidas, mas não predestinadas. Elas querem ser escolhidas por ALGO. Ainda que a letra afirme que o que eu fiz ou deixei de fazer não mudou o inicio (que é uma verdade), ela afirma que o que eu sou me fez ser escolhido. E a Bíblia rejeita isso. Deus rejeita isso. Logo, pois, [Deus] compadece-se de quem quer, e endurece a quem quer (Romanos 9:18) Porque pela graça sois salvos, por meio da fé; e isto não vem de vós, é dom de DEUS. (Efésios 2:8)

"Sua raridade não está naquilo que você possui ou que sabe fazer. Isso é mistério de Deus com você."

Novamente, aparece mais uma daquelas frases poéticas que são difíceis de entender e explicar. Sabemos que existem coisas sobre Deus que realmente não estão disponíveis para o homem, por pertencerem somente ao Senhor (Dt 29:29). Geralmente, chamamos isso de mistério, pois não nos foi revelado nas Escrituras Sagradas. Mas alguns vêm utilizando este termo quando não encontram base bíblica para sustentar posicionamentos de assuntos que, muitas vezes, estão claros na Bíblia. Talvez seja isso o que está acontecendo nesta parte da letra. A Bíblia é clara que é pela misericórdia de Deus que fomos salvos, não dependendo de alguma coisa eu faço (Rm 9:11), mas NÃO porque somos raros. Portanto, numa tentativa de mostrar que nossa raridade não é meritória, é dito que é um mistério de Deus. Oh, se fosse trocada a palavra "raridade" por "eleição" Desta forma, sim, seria bíblico. E pra piorar, dentro do que estamos vendo durante toda a letra, o autor talvez pense desta forma: "sua raridade não está naquilo que você possui ou que sabe fazer, mas sim no que você é." E como não enxergar méritos nisso?" Não sei e nem me pergunte, "isso é mistério de Deus com você".

"Você é um espelho que reflete a imagem do Senhor. Não chore se o mundo ainda não notou. Já é o bastante Deus reconhecer o seu valor."

Continuando o antropocentrismo e a exaltação humana, o refrão nos chama de espelho que reflete a imagem do Senhor. Sim, somos à imagem e semelhança de Deus, mas depois da queda, NÃO somos a perfeita imagem de Deus. Se somos um tipo de espelho, somos do tipo QUEBRADO. É evidente que devemos refletir à glória de Deus. Mas nem tudo que fazemos reflete, pois pecamos. Devemos, em tudo que fizermos, procurarmos refletir Sua imagem, enquanto somos moldados à imagem de Cristo, mas, infelizmente, não é isso que a música diz. E aí vem a pergunta: Pra quê devemos refletir a imagem do Senhor? A Bíblia nos responde: Assim resplandeça a vossa luz diante dos HOMENS, para que VEJAM as vossas boas obras e GLORIFIQUEM a vosso Pai, que está nos céus (Mt 5:16). É o mundo que devemos iluminar. Se o mundo não notou que somos diferentes, que não somos como ele, se as pessoas sem Cristo acham que somos como eles, se elas não percebem, e nem se incomodam com a santidade que estamos buscando, devemos sim chorar.

Quando a Bíblia diz que devemos falar "não como para agradar aos homens, mas a Deus, que prova os nossos corações" (1 Ts 2:4), não é sobre os homens não notarem, é sobre NÃO AGRADÁ-LOS, pois ao homem natural, a palavra do Evangelho sempre será dura e confrontadora, como se fosse loucura. O ser humano tem um grande valor pra Deus, e sua Igreja Gloriosa ainda mais. Mas você? Suas obras? Sua raridade? Deixe Deus medir o valor de suas obras, o valor sua vida longe do sacrifício de Cristo, sem a santidade que Ele, por graça dá, e veja o quão certa será sua CONDENAÇÃO (Is 64:6)!

"Você é precioso, mais raro que o ouro puro de ofir. Se você desistiu, Deus não vai desistir. Ele está aqui pra te levantar se o mundo te fizer cair."

Propositalmente, vou deixar a primeira parte da frase para o final. Como toda música "gospel", a letra termina com um daqueles jargões que quase todo artista "gospel" diz para soar espiritual e comovedor: "Se você desistiu, Deus não vai desistir." E então eu me lembro de uma célebre frase do Paul Washer: "Deus nunca desistiu de você porque ele não pôs esperança em você." O problema, é que dentro do contexto da música, podemos inferir que "se você está cansado de buscar a santidade, se você está cansado de lutar, não tem problema... Se você desistiu, Deus não vai desistir".

Lembro-me de uma pregação do Jhon Piper na qual ele fazia uma pergunta: "Você treme diante do fato de que Deus está agindo em sua vida?" Porque a grande verdade, meu amigo, é que se não há fome por santidade em você, não há ação de Deus em sua vida. E isso é um perigo, pois a justiça dEle (e não Sua misericórdia) está sobre sua vida. Se você não quer mais lutar, se você está desistindo da vida cristã, por que você diria "Não sou eu quem vivo, mas Cristo vive em mim" (Gl 2:20)? Cuidado! Essa frase pode gerar uma grande margem para uma vida em pecado com o pensamento de que "Deus não vai desistir". Deus não nos predestina para viver em pecado, "Deus nos escolheu nele antes da Criação do Mundo, para sermos santos e irrepreensíveis em sua presença" (Ef 1:4). Quando caímos, Deus nos levanta. Sim, Ele nos preserva! Até o fim. Mas não é por isso que devemos viver caindo ou e nem nos conformarmos com nossas falhas. "Que diremos pois? Permaneceremos no pecado, para que a graça abunde? De modo nenhum. Nós, que estamos mortos para o pecado, como viveremos ainda nele?" (Rm 6:1-2). Ele não está só para nos levantar. Ele está aqui para ser devidamente glorificado!

E para terminar essa análise, deixo-vos esta passagem:

"Clamai, pois, o dia do Senhor está perto; vem do Todo-Poderoso como assolação. Portanto, todas as mãos se debilitarão, e o coração de todos os homens se desanimará. E assombrar-se-ão, e apoderar-se-ão deles dores e ais, e se angustiarão, como a mulher com dores de parto; cada um se espantará do seu próximo; os seus rostos serão rostos flamejantes. Eis que vem o dia do Senhor, horrendo, com furor e ira ardente, para pôr a terra em assolação, e dela destruir os pecadores. Porque as estrelas dos céus e as suas constelações não darão a sua luz; o sol se escurecerá ao nascer, e a lua não resplandecerá com a sua luz. E visitarei sobre o mundo a maldade, e sobre os ímpios a sua iniqüidade; e farei cessar a arrogância dos atrevidos, e abaterei a soberba dos tiranos. Farei que o homem seja mais precioso do que o ouro puro, e mais raro do que o ouro fino de Ofir."

 Isaías 13:6-12

Graça e Paz.

20 de nov. de 2014

Um belo trabalho, só que não!

Por Daniel Clós Cesar 

Belo lançara seu novo álbum, Mistério, e numa das faixas cantará uma música gospel ao lado do Thalles Roberto. A canção “Mesmo sem Entender” foi composta por Thalles e segundo Belo, o objetivo de ter convidado o cantor gospel foi para levar a palavra de Deus para um outro público. Sobre isso, gostaria de fazer as seguintes colocações:

Primeiro, a Palavra afirma que não existe, que é impossível, a amizade entre luz e trevas. Também afirma categoricamente, que a amizade do mundo configura inimizade contra Deus. Se quero ser amigo do mundo (das coisas do mundo), eu estou me colocando deliberadamente contra Deus.

Segundo, um cantor cristão deveria dividir microfone com pessoas que defendem a sua mesma Fé. Isso é coerência não intolerância. Não faz sentido em um mesmo CD estar tocando uma música que fala do verdadeiro amor de Deus e ao mesmo tempo a outra faixa que fala de traição, dor de cotovelo e sexo ilícito. É imaginar que uma vela debaixo da cama iluminará a sala. Não é necessário que ela seja posta em lugar alto para iluminar todo o ambiente?

Terceiro, nenhum cristão deve evitar as amizades com aqueles que não conhecem a Cristo, a "amizade" pode ser um caminho para a pregação do Evangelho, no entanto, a Palavra afirma que as más companhias "corrompem os bons costumes"... a amizade com um não cristão deve ser cuidadosa, restrita e acima de tudo infinitamente menor do que a minha devoção a Cristo. Isto significa que, "ele é meu amigo, mas não é amigo de Deus... então... pense bem onde você vai, o que você fala e como você convive com esta pessoa que é, biblicamente, inimiga de Deus". Se você não serve para ser luz na vida dele, ele certamente servirá para ser trevas em sua vida.

No caso específico do cantor Thalles, ele repetidamente tem cometido deslizes inadequados a alguém que foi "consagrado" pastor. Ele mostra em suas repetidas atitudes, não ter nenhum compromisso com a Igreja de Cristo, e principalmente, com o Cristo da Igreja. Seu compromisso é unicamente com seus contratos com gravadoras musicais que exigem esse tipo de parceria com o mundo e esse tipo de visibilidade na mídia.

Ninguém está livre do pecado, estamos livres da escravidão que ele gera, mas ainda sim pela carne, estamos submetidos a cometer o pecado, no entanto, pela Graça nos foi dado por meio do Espírito Santo, a condução ao arrependimento.O que parece não fazer parte da ideia de cristianismo de Thalles, que vê suas ações como legítimas do pseudocristianismo que ele vive.

Nossa luta não é contra carne ou sangue. Nossa luta não é contra Thalles ou qualquer outro cantor gospel com a mente cativa neste século, todavia, como defensores de um Evangelho Simples e Verdadeiro, todo tipo de heresia e distorção do cristianismo bíblico deve ser rejeitada e denunciada. Maior é aquele que está em nós do que aquele que está no mundo! Não prestaremos contas a Thalles ou a qualquer outro religioso famoso, mas unicamente ao que se assenta sobre o Trono Branco.


Soli Deo Gloria

18 de out. de 2014

Sonhos de Deus?

Por Thomas Magnum

Uma pergunta dessas no século dezesseis seria absurda, nos anais da reforma protestante encontramos discursos, tratados, sermões, confissões, catecismos, declarações de fé, que vão dizer que Deus é soberano e que é o governador absoluto do universo. No entanto vivemos momentos estreitos nas terras tupiniquins onde Deus leva porta na cara como diz a música de uma celebridade do gospel nacional, Deus pede permissão para operar na vida de alguém. Esse não é o Deus das Escrituras. A frouxidão doutrinaria no ranço da musicalidade evangélica brasileira é repleto de heresias, desvios doutrinários e sorrateiras doses de liberalismo, libertinagem, pluralismo, hedonismo e blasfêmias a sã doutrina.

Tive o desprazer ver algumas vezes os surtos de modinhas na musica gospel no Brasil, um tempo desses todos cantavam sobre chuva, tudo era chuva. Depois apaixonados por Deus, aí todo mundo cantava que estava apaixonado. E dentre tantas modas musicais no meio gospel surge os sonhos de Deus. Eu pergunto onde está escrito que Deus sonha? Alguém que sonha é porque não tem perspectiva do futuro, não tem domínio sobre a história, tal afirmativa diminui a soberania de Deus e o coloca como um Deus frustrado que não pode agir na criação, invalida a doutrina da providência que é o cumprimento histórico dos decretos de Deus. Se Deus sonha então o cumprimento de seu sonho depende de quem para se cumprir? Alguém que sonha não tem poder em si mesmo desamparado por causas externas para cumprir o fato. Sei que quem tem cantado isso não acredita que existe um Deus acima de Deus, mas em nome muitas vezes da licença poética se ultrapassa os ensinos da sã doutrina, isso é muito perigoso.

A Confissão Fé de Westminster diz sobre os decretos de Deus:

Desde de toda a eternidade e pelo mui sábio e santo conselho de sua própria vontade, Deus ordenou livre e inalteravelmente tudo quanto acontece. ¹

A confissão de fé Belga nos diz:

Cremos que o Bom Deus, depois de ter criado a todas as coisas, não as abandonou nem as entregou ao acaso ou à sorte, mas as dirige e governa conforme sua santa vontade de tal maneira que, neste mundo, nada acontece sem a sua determinação. ²

É interessante notarmos aqui que o emprego da palavra sonho carrega nessas músicas um aparato semântico, ou seja, o significado de sonho aqui é idealização, aspiração por algo bom para o futuro. Vemos na Bíblia principalmente no Antigo Testamento alguns sonhos; o copeiro de Faraó, o próprio Faraó, Nabucodonosor. Notamos no entanto que os sonhos foram dados por Deus e também sua interpretação, os sonhos ali tinham um porque, Deus deu aqueles sonhos e deu a interpretação, porque?  Simplesmente porque ele domina a história, ele diz o que irá acontecer.
Vejamos alguns textos bíblicos:

Para que se saiba desde o nascente do sol, e desde o poente, que fora de mim não há outro; eu sou o SENHOR, e não há outro. Eu formo a luz, e crio as trevas; eu faço a paz, e crio o mal; eu, o SENHOR, faço todas estas coisas. Isaías 45.6,7

Ó profundidade das riquezas, tanto da sabedoria, como da ciência de Deus! Quão insondáveis são os seus juízos, e quão inescrutáveis os seus caminhos! Romanos 11.33

A sorte se lança no regaço, mas do SENHOR procede toda a determinação.

Provérbios 16.33

Portanto Deus não tem sonhos, porque sonhar é algo puramente humano, Deus tem decretos e planos. E a bíblia nos diz que nenhum dos seus planos pode ser frustrado (Jó 42.2). A teologia esboçada no gospel infelizmente está cheia de erros e problemas doutrinários. Infelizmente vivemos na geração que mais canta nas igrejas, mas também a mais analfabeta de Bíblia. Shows, eventos, entretenimento tomaram o lugar da meditação, do estudo, da leitura e da pregação da Palavra. Não sou contra todas as formas de entretenimento, devemos ter momentos de recreação e relaxamento isso é bom e é bíblico, mas a verdade das Escrituras não pode ser negociada, o Senhorio de Cristo deve ser a tônica do culto, das canções e de tudo que fizermos em nossa vida. Que Deus nos ajude, minha oração é que Ele levante uma geração que ama as Escrituras Sagradas e não os prazeres que as vãs filosofias oferecem.

Sola Scriptura,  Solus Crhistus, Sola Gratia, Sola Fide, Soli Deo Gloria

[1] CFW, cap 3
[2]  Confissão Belga, artigo 13