1509725595914942

22 de mai de 2015

Agora é só vitória, a luta acabou e a prova foi embora (#SQN)

Por Thiago Azevedo

Em certa ocasião, ao adentrar em certo ambiente, ouvi uma dita canção evangélica cuja refrão dizia o seguinte: “agora é só vitória (repetida 4 vezes), a luta acabou, a prova foi embora, agora é só vitória”. A pergunta básica é a seguinte: qual personagem bíblico pode ter motivado tal canção? Na Bíblia não há uma só personagem que tenha vivido tamanha mentira. Adão e Eva tiveram nos primórdios que administrar um fratricídio entre seus filhos, não foi só vitória e ausência de lutas na vida do primeiro casal. E quem perde um filho nessas condições deve saber que a luta não acaba nem tão cedo, e olhe lá se acaba. O normal são os pais abençoarem os filhos, mas Noé sente a necessidade de amaldiçoar um filho, situação difícil não? Abraão já idoso com sua esposa Sara recebe uma promessa de ainda gerar um filho. Após a mesma se cumprir, o Senhor solicita a vida do único filho do casal. A luta acabou? Foi só vitória na vida do pai da fé? Na condução do povo hebreu pelo deserto, após atravessar o mar vermelho e festejarem tal feito, Moisés adentra em Mara – região que possuía as águas amargas –, motivo suficiente para que o povo voltasse a murmurar contra o Senhor. Nesta ocasião o povo hebreu estava com sede e fatigado por conta da fuga do Egito. Será que a luta acaba mesmo? Será que chega um estágio na vida terrena do cristão que é só vitória?

Na realidade, os cristãos são peregrinos em terra estranha, nossa morada não se resume neste plano (Salmos 119:19) e os mandamentos do Senhor são nossos mapas. Além disso, um peregrino está exposto aos riscos do percurso. Nas estradas antigas havia muitos riscos eminentes: salteadores, escassez de mantimento, falta de rumo, etc. A luta nunca acaba para um peregrino, ele nunca chega ao estágio de ter só vitória. Pois tudo isso ocorrerá na sua “terra natal”, “seu destino final” – céu. Quem já leu o grande clássico da literatura inglesa e mundial “O peregrino” de John Bunyan, sabe o que Cristão – personagem principal da trama –  passou até chegar ao seu destino final. Poderíamos passar o resto dos dias escrevendo exemplos bíblicos que não se encaixam na letra citada. Mas, ficaremos por fim com o maior exemplo de todos – Cristo.

Enquanto esteve na terra, nem Ele mesmo alcançou tamanho triunfo. Cristo foi caluniado, perseguido, afrontado e morto na cruz. Recebeu a mais terrível punição do império romano que só os meliantes e revoltosos políticos recebiam. A vida de Cristo terrena não foi só vitória e sua luta nunca findou. Se deparou com endemoniados, tempestades, multidão faminta, etc. Tudo isso é luta, dificuldade e ausência de um período só de vitórias. Logo, a letra desta canção não pode ter sido baseada em Jesus. Ora, se não temos um exemplo de personagem bíblico que fundamente a referida letra, quem foi sua “expiração” então? Não sei! Deve ter sido baseada na vida do próprio(a) compositor(a). O grande problema das letras evangélicas atuais é que elas não são confeccionadas a partir da Bíblia, mas sim da mente insana das pessoas. O estado que a música destaca, ou seja, uma vida sem lutas e só de vitórias, os verdadeiros cristãos terão, mas na glória e não aqui na terra. Portanto, a música visa que as pessoas entendam e cream numa realidade que estas nunca viveram na terra, numa mentira, num engano, numa falsidade – nenhuma dessas características condiz com o cristianismo, assim, a música citada não é nada mais que uma proposta ilusória.

Por fim, é necessário que se alerte as pessoas cristãs de algo. Se sua luta acabar, se você estiver vivendo um estado plenamente de vitórias na terra, você é um cristão bem diferente de todos que já existiram. Não se iluda, pois a luta do cristão só finda na eternidade com Cristo, lá sim seremos vitoriosos perenemente e nossa luta se extinguirá por completo. É preciso que se diga que ao compor uma música dessas, as pessoas, mesmo sem saber, estão fazendo apologia a teorias ideológicas materialistas. Ou seja, estas teorias pregam um estado soteriológico terreno, uma proposta antibíblica. Numa perspectiva terrena, só há uma possibilidade de esta realidade ocorrer, a saber: cantando a mentirosa letra desta canção e inflando o ego do pai da mentira.

Um comentário:

Cris Guimarães disse...

Você é bem crítico hein?! não me parece alguém disposto a debater, esclarecer, lançar luz por meio da Palavra...parece alguém amargurado e azedo, disposto a falar mal de tudo e de todos, custe o custar. Ninguém te agrada não? Espero que Deus te agrade. E que ele não seja tão rígido com você quanto você é com os demais.