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14 de mai de 2015

A negociação com a Salvação (Série: Os Sete pecados da Igreja contemporânea)

Por Daniel Clós Cesar

“Quantos aqui hoje querem aceitar Jesus no coração? Ninguém? Ninguém quer mudar de vida, ser família unida, seus filhos prósperos? Alguém? ... Vejo uma mão ali... outra mão ali... Deus quer mudar sua História, quer te fazer mais que vencedor... Outra mão ali... Você não sabe porque sua vida não dá certo, você dorme e não sabe porque seu dia foi difícil, porque seu trabalho não vai pra frente, e parece que quando as coisas começam a melhorar aparece outra tribulação... mais uma mão ali... Glória Deus, eu vejo mais uma mão... Oh Aleluias!”

Sim, você obviamente já ouviu e viu isto no final de algum culto. E não, isso não é bíblico, pelo contrário, é sem dúvida a maior falácia do Evangelho contemporâneo. Antes de começar definitivamente este texto vou firmemente propor um assertiva: “Deus não salva homens porque eles levantaram a mão em um apelo ao final do culto!”

Acontece que o apelo para a Salvação não é algo que encontramos na Bíblia, em nenhuma parte do Novo Testamento encontramos qualquer referência clara a isso, apenas alguns textos que tirados de seus contexto e que sem usados para explicar tal procedimento nas igrejas, como Romanos 10.9: “Se com a tua boca confessares ao Senhor Jesus, e em teu coração creres que Deus o ressuscitou dentre os mortos, serás salvo”.

Sendo assim, ainda que a maioria dos cristãos e pastores não façam a menor ideia de onde saiu esta ideia, ela certamente não foi uma prescrição de Pedro, João ou Paulo, e nunca apareceu entre as pregações de Cristo, que chamava os homens ao arrependimento, não a aceitarem a si mesmo. O precursor deste aberração litúrgica foi um estadunidense chamado Charles Finney que, durante o século XIX, incrementou a igreja com “Novas Medidas” que teriam como resultado novos convertidos.

Que mal há nisso?

Todo o mal que você puder imaginar pois ele distorce profundamente a Palavra de Deus, pois, para fazer novos convertidos ou novos associados, pastores abrem de pregar expositivamente a Palavra de Deus que produz verdadeiros, mas poucos cristãos, em troca de uma pregação antropocêntrica e mentirosa que produz falsos mas centenas, senão milhares de “crentes”. Talvez você pense... ok... mas isso não é todo mal... pois bem, a teologia de Charles Finney o pai  dos modelos administrativos de crescimento de igreja. E o apelo, ou como prefiro chamar, negociação da Salvação, são apenas parte de um sistema perverso que leva igrejas não ao crescimento, mas ao inchaço.

O apelo é uma prática de negociação da Salvação, pois, a pregação não expõe o pecado do homem para que ele venha ao arrependimento, mas elenca uma série de benefícios para convencer o homem de aceitar a sociedade com Cristo. No mais, não é o Criador que deve aceitar justificar e perdoar o pecador, mas o pecador tem em suas mão o poder de dizer sim ou não para Cristo. É o homem quem aceita e não o contrário. É desta perversa ideia que surge a analogia da Salvação a um presente que está estendido por Deus aos homens e cabe a ele (homem), aceitar ou não.

Certa vez vi um pastor chamar as pessoas que visitavam a igreja fossem até a frente do púlpito, prometeu-lhes uma lembrança pela sua presença no culto. Umas cinco ou seis pessoas foram à frente e quando lá chegaram, para a surpresa delas, e minha, o pastor lhes propôs uma oração. Sim, o pastor fez com que eles repetissem a “oração de arrependimento”. Ao final da oração informou aos mesmo que eles estavam salvos e que agora havia festa no céu e que eles agora faziam parte daquela “família”. Nunca mais os vi na igreja, pessoalmente acredito que foram mais expertos que eu mesmo, pois demorei ainda alguns meses até me livrar de tudo aquilo. Aquele pastor ludibriou conscientemente cinco pessoas com um único objetivo, aumentar a sua igreja em números, não importando o que isso significava para a Igreja de Cristo.

O pastor chinês Watchman Nee escreveu certa vez: "Mostre ao mundo os efeitos do cristianismo, e ele o aplaudirá, mostre-lhe o cristianismo, e ele se oporá vigorosamente”. É exatamente isso que a negociação da Salvação é ao final de cada culto. Oculta-se o verdadeiro cristianismo em benefício apenas daquilo que Deus pode fazer. Não se expõe a homem que inclusive Deus é Soberano para não fazer. A cura, a prosperidade, a saúde... são elementos vendidos em um pacote onde o vendedor (pastor/pregador) não tem qualquer gerência. Não é muito diferente de um plano de saúde que você contrata e só quando precisa de uma quimioterapia é que descobre que não possuí cobertura para este tipo de procedimento.

Se você hoje é salvo e alguma vez respondeu a um apelo, como eu mesmo fiz algumas vezes, saiba que você não foi salvo por causa do apelo, mas apesar dele.

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