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30 de jan. de 2017

Livros para você ler no presente ano


Olá pessoal!

Janeiro acaba hoje, mas o ano de 2017 ainda tem mais onze meses. Então se você está chateado por não ter começado suas leituras, ainda dá tempo de ler um bocado. E visando ajudar as pessoas dando algumas indicações, nossa equipe se juntou novamente para recomendar livros que já leram e que consideram importantes. A lista está bem diversificada, com livretos, livros mais densos e até mesmo obra não teológica. 

Sem mais delongas, vamos as indicações!

Thomas Magnum recomenda Oração - Experimentando intimidade com Deus


Timothy Keller é um dos grandes escritores evangélicos do nosso tempo. Seu ministério em Manhattan na Redeemer Presbyterian Church, onde é pastor, tem gerado frutos pelo mundo todo. Seu trabalho como escritor reflete muito do seu trabalho como pastor. Esta obra que indico é um dos mais recentes lançamentos do autor em português da Editora Vida Nova. Um livro que com certeza vale a leitura pela sua característica devocional e teológica. O autor como é de costume em seus livros, inicia falando sobre a realidade e necessidade da oração no coração de todos os homens e empreende uma pesquisa sobre o fator oração com dados interessantes. Depois passa a desenvolver a temática com maestria. Keller trabalha os ensinos bíblicos sobre o assunto, citando  Agostinho, Lutero e Calvino também.

Luciana Barbosa recomenda Evangelização


O livro de J. Mack Stiles é parte integrante da série 9Marcas construindo igrejas saudáveis Seu subtítulo instigante é “como criar uma cultura contagiante de evangelismo na igreja local”. Um livreto de 136 páginas, no entanto gigantesco em conteúdo. Ele o motiva como igreja a anunciar as boas novas de salvação como de fato a Escritura nos ordena a fazer.

Morgana Mendonça recomenda São Basílio - Carta aos jovens sobre a utilidade da literatura pagã




Indico com grande entusiasmo o livro da editora Ecclesiae. Seguido de duas homilias sobre o desapego das coisas mundanas e sobre a humildade. Um livro pequeno, contudo é carregado por uma nobreza admirável. São Basílio foi um grande estudioso, tornou-se bispo de Cesaréia (370), mordomo de uma mente brilhante, seus escritos tem como propósito marcar nosso coração, consequentemente nossa vida. Sua pena desenvolve com maestria argumentos em favor da utilidade da leitura dos clássicos gregos que sofriam muitas críticas devido aos seus elementos contrários à doutrina cristã. Ele ensina como devemos tirar proveito, isto é, reter o que é bom e relevante para a doutrina bíblica. Conselhos virtuosos, princípios morais e grandiosos exemplos de virtudes, tudo isso é apontado por Basílio como sólido conhecimento para o jovem estudioso. Recomendo a leitura, inclusive analítica, desse livro.

Felipe Duarte recomenda Sola Scriptura e o Princípio Regulador de Culto


Brian M. Schwertley é Mestre em Divindade e disserta nesta obra sobre o padrão cúltico reformado à luz das Escrituras. Em outras palavras, segundo o pastor, o Princípio Regulador do Culto abrange não uma maneira entre tantas de cultuar o verdadeiro Deus, nem a melhor ou principal delas. Mas aponta para a única forma de cultuá-lo. Assim, “... os verdadeiros adoradores adorarão o Pai em espírito e em verdade; porque são estes que o Pai procura para seus adoradores.” João 4.23

Hugo Wagner recomenda Igreja Intencional


É um livro fruto do ministério 9Marcas do qual Mark Dever é diretor Executivo. O mesmo reflete a atividade ministerial prática da igreja Batista de Capitol Hill, da qual o Mark pastoreia na cidade de Washington, D.C. O livro teve a sua primeira edição em português em 2008, com o titulo “Deliberadamente igreja”, sendo essa a tradução mais fiel ao titulo em Inglês, tendo uma nova edição no ano de 2015 com o titulo supracitado. Nós recomendamos esse livro a todos os lideres e pastores, principalmente aqueles que estão começando o ministério. Entendemos que o mesmo não é uma formula para o sucesso da igreja; mas um manual prático de como administrar a igreja local de forma saudável em todas as suas atividades diárias, tendo sempre e unicamente as Escrituras como fonte e alicerce de todo trabalho. O texto nos conduzirá a um aprofundamento de como devemos organizar e tratar a estrutura da igreja, o seu caráter, a sua forma, o seu conselho Eclesiástico, a sua membresia, a sua adoração e a sua missão proclamadora. Eu entendo que esse livro é um texto necessário para os que desejam uma igreja comprometida com o padrão bíblico, e que querem vivenciar de forma prática e saudável um verdadeiro crescimento.

Thiago Oliveira recomenda Invasão Vertical dos Bárbaros


O livro do filósofo Mário Ferreira dos santos é um manifesto, e denuncia o projeto que busca solapar a cultura através de uma invasão na própria cultura - onde o barbarismo se camufla de civilizado e propaga seus baixos ideais. Dentre o que se denuncia, o autor - que publicou a obra nos idos dos anos 60 - já alertava sobre a exploração da sensualidade, a valorização do corpo em detrimento da mente, a disseminação do mau gosto (como se a estética não tivesse relação com a ética), as acusações contra o cristianismo, as blasfêmias, a leniência com relação aos criminosos, o aumento da juventude transviada, a desvalorização da inteligência, a repetição e a desumanização do homem. Enfim, obra essencial que precisa ser lida e disseminada.

Samuel Alves recomenda A Bíblia e o Futuro


Indico esta obra do Anthony A. Hoekema, editado pela Cultura Cristã, por ser um livro que esclarece alguns temas escatológicos de acordo com a revelação bíblica. Como diz o pastor Jonas Madureira, este é um daqueles livros que você não pode passar dessa vida sem ler.

24 de jan. de 2017

O que é humildade, o que não é, mas muitos pensam que é


Por Thiago Oliveira
Ser humilde é virtuoso. As Escrituras dizem muito sobre a humildade. Provérbios 15.33, diz que a humildade precede a honra. Nas bem-aventuranças, os humildes — disse Jesus — herdarão a terra (Mateus 5.5). O próprio Cristo é o nosso paradigma para sermos humildes, tal como ele foi. Ele diz: “Aprendei de mim que sou manso e humilde” (Mateus 11.29). O apóstolo Paulo tratando sobre o tema nos conclama para que tenhamos o mesmo sentimento de Cristo (Filipenses 2.11).
Humildade, segundo os padrões bíblicos, é não alimentar um conceito elevado acerca de si mesmo (vide Romanos 12.3). E o porquê disto? Porque somos seres criados, limitados e desde que o pecado entrou no mundo, imperfeitos. Não somos a medida de todas as coisas e dependemos de Deus para tudo, desde o respirar ao abrir os olhos, pois somos suas criaturas. É partindo dessa cosmovisão que poderemos compreender melhor o que é ser humilde e evitar erros comuns, pois muitos chamam de humildade aquilo que ela não é. Vejamos:
Humildade não é falsa modéstia
A Bíblia nos ensina a não termos um conceito elevado sobre nós, mas isso não significa que devemos negar as nossas qualidades. Se o Lionel Messi falasse que se considera um jogador mediano e que está no mesmo nível dos demais atacantes da Europa, ele não estaria sendo humilde, mas sim falseando algo que é óbvio: seu futebol está num nível acima da imensa maioria dos jogadores em atividade. E ser falso é ir de encontro com a verdade, portanto, é uma agressão aos padrões morais de Deus. Negar as nossas qualidades não nos faz humildes, a humildade reside em saber que tais qualidades são bênçãos que o SENHOR graciosamente nos concede, e que, portanto, não são provenientes de nós mesmos. Assim sendo, não devemos nos vangloriar. Também não devemos humilhar aqueles que não possuem os mesmos talentos que portamos. Uma maneira efetiva de sermos humildes seria utilizarmos nossas habilidades em prol do bem estar alheio, i.é., servindo uns aos outros.
Deus nos concede dons e talentos, negá-los é o mesmo que negar a autoria da fonte divina. Nenhuma pessoa possui todas as aptidões, consequentemente, compartilhar o que temos para ajudar os que não têm é algo nobre. Lembrando que também seremos servidos por aqueles que portam as habilidades que nos faltam.
Humildade não é baixa autoestima
Semelhantemente a falsa modéstia, a baixa autoestima é uma negação de quem você realmente é, obviamente, não pelo mesmo motivo, mas que na prática também desagrada ao SENHOR. A Bíblia diz que o conceito acerca de nós mesmos deve ser equilibrado (Romanos 12.3). Portanto, o desequilíbrio pende para mais ou para menos. Se colocar no pedestal é censurável, mas cavar um buraco para enterrar a si mesmo é passível de igual censura.
Tendo Cristo como nosso paradigma, conforme dito anteriormente, vejamos como ele se portou no episódio em que lavou os pés dos discípulos. Na ocasião, ele executou uma tarefa que era própria de um escravo. Seus discípulos acharam aquela cena humilhante, todavia, Cristo diz aos mesmos que ele é Mestre e Senhor daqueles homens (João 13.13). E mesmo executando um labor serviçal, não deixa Pedro fazer a sua vontade — nem ditar as regras. De maneira imperativa, Jesus faz com que Pedro se submeta a ter os pés lavados (João 13.6–10). O Cristo era, ou seja, a sua posição, não dependia da avaliação crítica dos apóstolos ou de quem quer que fosse.
Muitas vezes, a baixa autoestima reflete a estima alheia, no entanto, devemos manter um conceito equilibrado. Nunca somos tão bons ou tão maus como dizem que somos (No segundo caso é mais comum sermos ainda mais vis do que nos apontam). Quem nos conhece de fato é o próprio SENHOR, e é em sua palavra que podemos entender que apesar de pecadores, limitados e imperfeitos, fomos lavados e remidos. Em Cristo somos mais que vencedores e abençoados com toda a sorte de bênçãos espirituais (Romanos 8.37 e Efésios 1.3). Equilíbrio aqui é reconhecer que somos, conforme a máxima de Lutero, “simultaneamente justos e pecadores”. O que passa disso é puro equívoco de identidade.
Humildade não é “saber menos”
Existe uma mentalidade enraizada na cultura brasileira de que a intelectualidade leva à soberba e a ignorância acaba exaltada como uma virtude associada ao “ser humilde”. A mentalidade anti-intelectual é falsa e, em muitos casos, maquila a arrogância. Pois, ir atrás do saber, isto é, estudar, remete a ir atrás de algo que assumidamente não se sabe, e com isso, o aprendiz curvar-se perante o portador do saber, deixando-se por ele ser guiado — tal qual Dante foi guiado por Virgílio na obra A Divina Comédia.
A disposição para o aprendizado é mais humilde do que a pré-disposição de permanecer na ignorância. Requer disciplina, respeito e a prontidão em tomar conselhos com os mestres que nos cercam. É feliz o homem que obtém conhecimento (Provérbios 3.13), todavia, a Bíblia chama de insensato os que desprezam a sabedoria e a disciplina (Provérbios 1.7).
Se o temor do Senhor é o princípio da sabedoria, logo é ponto de partida para que seus filhos se arvorem pelos meandros dos saberes a fim de compreender melhor o mundo criado — e na medida em que conhecem, contemplam e veneram a sabedoria do Altíssimo que fez tudo harmônico e belo, para o louvor da sua glória. Ao desprezarmos o conhecimento, deixamos de prestar esta veneração e ficamos embotados.
Humildade não é pobreza
Geralmente, o termo humilde para se referir à pessoa pobre denota simplicidade. Por razões econômicas, uma pessoa mora numa casa feita de materiais baratos e muitas vezes, construída com objetos improvisados e em lugares improvisados. Daí se diz que “fulano habita numa casinha humilde”.
Mas há quem confunda a pobreza com a humildade no sentido em que estamos trabalhando nesse texto. Geralmente, quem faz tal confusão é o ideólogo que vislumbra no pobre a imagem sacrossanta do bem. A pobreza como situação econômica embora possa exercer certa influência não pode ser vista como fator determinante para a moralidade. Há vileza em pobres e ricos. De igual modo há altivez, arrogância e por incrível que pareça esnobismo em muitos moradores de periferia. Há aqueles que se consideram melhor do que os das classes mais altas pelo simples fato de serem desprovidos de fortuna. Isso é uma ruptura do princípio bíblico referente à humildade. Lembremos que o humilde é aquele que não alimenta um conceito elevado sobre si mesmo.

13 de jan. de 2017

O Cristão e a fruição do Belo

Por Thiago Oliveira

No finzinho de 2016, a cantora Clarice Falcão lançou o clipe da música “Eu Escolhi Você”. Tratava-se de um vídeo-close nos órgãos genitais de homens e mulheres, portando neles alguns adereços baratos. O clipe foi removido do You Tube por conta da nudez explícita, e causou certo burburinho. Clarice, que até compõe com boa dose de perspicácia, disse (via rede social) que se não fosse para causar, seria melhor não lançar nada. Mas daí surge a indagação: A arte do artista se resume em “causar”? E que tipo de “causar” seria esse? Para lançar algo que “causa” não se leva em conta o belo? Pois, o tipo de arte que se advoga em nosso meio, onde a estética é trocada por panfletagem é, como diria Rookmaaker, a prostituição do conteúdo artístico. Até sei que mesmo a nudez foi retratada por pintores e escultores ao longo dos séculos, todavia, eles tinham preocupação estética e não limitavam a beleza da obra pelo retrato das genitálias. Por influência do pensamento platônico, era a beleza do corpo humano reverenciada pela contemplação e não para o desfrute (O que não significa que eu concorde com a nudez artisticamente retratada).

A forma como a nudez é explorada em nosso meio é apenas a banalização do corpo humano que instiga — previsivelmente — a luxúria das pessoas que consomem determinados produtos, não por apreciação da estética e do conteúdo, mas porque querem ver peitos, bundas e órgãos sexuais. Por que vocês acham que quando há nudez em algum filme, divulga-se que o ator/atriz ficaram nus, esquecendo–se do personagem? Seja a empresa que está por trás de arrecadação de dinheiro, seja o artista que deseja “causar” para ter muitos views e ser assunto do dia: É prostituição da arte. O resultado disso não é a fruição do belo, mas sim carne oferecida perante o altar da lascívia. O clipe da Clarisse Falcão é feio por objetivar o corpo humano, que focado nos órgãos genitais não capta o semblante, coisificando as pessoas, reduzindo-as a sua genitália, como disse o filósofo britânico Roger Scruton: “Luxúria traz a feiura, a feiura da relação humana onde a pessoa trata a outra como um objeto indispensável. Para alcançar a fonte de beleza devemos abandonar a luxúria”[1].

Mas como alcançar a beleza? Como podemos fruir de seus encantos sem profaná-la? Aqui se faz necessário a cosmovisão cristã. A beleza emana do Divino e por isso transcende a subjetividade estética. É um valor tal como a verdade, por isso é importante e não deve ser minimizada. Infelizmente o pós-modernismo faz troça do belo e propaga feiura, fazendo com que qualquer manifestação criativa, propagandista e “autêntica” seja chamada de arte e seja exposta em galerias do mundo todo. Desse jeito, se qualquer porcaria é tida por arte, nada é arte. É assim que matamos os verdadeiros talentos de nossa geração, que vão se misturar a uma classe de artistas que se tornou uma geleia geral, pois, sem distinção, o efêmero engole o que é artístico. Assim sendo, temos um problema que vai além do material, pois “através da beleza somos trazidos a presença do sagrado”[2]. O teólogo Francis Schaeffer já dizia que como cristãos, temos que nos apropriar da arte para glorificarmos a Deus. Ele afirma que “Uma obra de arte pode ser, em si, uma doxologia”[3].

Uma obra de arte glorifica a Deus por se tratar de uma manifestação da imago Dei. A arte manifesta a criatividade do homem, que tem capacidade criativa por ter sido feito a imagem e semelhança de Deus, que assim o criou de maneira secular. A diferença é que o homem cria uma obra mimética através da imaginação e do que visualiza, enquanto que a criação Divina não cria a representatividade do ente, mas o ente em si. Sobre isso, Kuyper discorre que “em todas as artes encontramos uma imitação da habilidade criadora de Deus”. [4]

Sendo o impulso artístico algo intrínseco as criaturas divinas portadoras de sua imagem, a beleza não é mero detalhe. “Não satisfeita com a beleza da natureza, a arte busca por uma beleza mais sublime, mais rica, uma beleza que há de vir somente com o reino da glória, mas que já no presente nos oferece lampejos proféticos”[5]. Para sermos consistentes com a cosmovisão cristã, não podemos subjetivar o belo e deixa-lo apenas no campo do gosto pessoal. Se Deus é o criador da beleza, ela possui princípios objetivos. Esse é um axioma que o mundo despreza, principalmente a nossa classe de artistas que quase sempre vivem numa vida de degradação moral em nome de uma liberdade boêmia. Mas, o mais incrível é que até mesmo estes sujeitos podem reproduzir algo que expresse beleza. Isso se deve ao que Kuyper e os neocalvinistas chamam de graça comum, o que em suma seria um recurso Divino que atenua os efeitos noéticos do pecado. É por isso que mesmo não estando mais no Éden, o homem encontra coisas absurdamente lindas neste mundo caído. E o senso de beleza que os homens carregam é — em certa medida — nostálgico, pois remete a beleza do paraíso quando não havia sido maculada pelo pecado.

À Guisa de conclusão, o cristão deve fruir do belo e se portar criticamente com relação a arte. Schaeffer estabelece um critério de avaliação partindo de um quadrinômio interessante para julgarmos uma obra: 1) Excelência técnica, um padrão de julgamento que independe de concordância com a mensagem do artista. 2) Validade, que seria o julgamento acerca da honestidade do artista com sua cosmovisão. 3) Conteúdo, que seria a manifestação da cosmovisão do artista. 4) Integração entre o conteúdo e veículo, que trata da adequação do meio utilizado pelo artista para comunicar sua mensagem ao mundo.[6] Acredito que estes quatro pilares são suficientemente adequados para que possamos consumir o grande leque de produções artísticas e assim glorificar a Deus mediante a contemplação do que é bonito, pois, tudo que emana formosura, é um vislumbre de Sua excelsa glória.

***

[1] Excerto do documentário produzido pela BBC Why Beauty Matters (Por que a beleza importa?), disponível em https://www.youtube.com/watch?v=bHw4MMEnmpc.
[2] Ibdem.
[3] A Arte e a Bíblia. Voçosa-MG. Ultimato, 2010, p.19.
[4] Sabedoria e Prodígios: Graça Comum na Ciência e na Arte. Brasília-DF, Monergismo 2016, kindleversion posição 2188.
[5] Ibdem, posição 2217.

[6] A Arte e a Bíblia. Voçosa-MG. Ultimato, 2010, p.53.

29 de dez. de 2016

O que nossos editores leram (e recomendam) em 2016


Queridos leitores,
Agradecemos por mais um ano em que vocês nos acompanham, e queremos encerrar nossas atividades auxiliando vocês indicando alguns livros lidos por nossos editores Thiago Oliveira e Thomas Magnum no decorrer de 2016 (Thiago falando: Thomas é um monstro, leu a imensa maioria). Que algumas destas 60 obras listadas (não rankeadas) possam despertar-lhes o gostinho para serem adquiridas e devoradas em 2017. Acreditamos que são leituras de extremo proveito.
Que Deus os abençoe!

***

A Lista
1. Imaginação totalitária - Francisco Razzo (Ed. Record)
2. Contra a Escola - Fausto Zamboni (Ed. Vide Editorial)
3. Esquizofrenia intelectual - Rousas John Rushdoony (Ed. Monergismo)
4. Gender | Quem és tu? Sobre a ideologia de gênero - Olivier Bonnewijn (Ed. Vide Editorial)
5. O Conhecimento dos Valores - Alfonso López Quintás (Ed. É Realizações)
6. Filosofia e Cosmovisão - Mário Ferreira dos Santos (Ed. É Realizações)
7. Contra a Idolatria do Estado - Franklin Ferreira (Ed. Vida Nova)
8. Quem controla a escola governa o mundo - Gary DeMar (Ed. Monergismo)
9. Em defesa da teologia - Gordon H. Clarck (Ed. Monergismo)
10. Teologia Sinfônica - Vern S. Poythress (Ed. Vida Nova)
11. O Pastor como teólogo público - Kevin Vanhoozer e Owen Strachan (Ed. Vida Nova)
12. Introdução à metodologia das ciências teológicas - Hermisten Maia (Ed. Cruz)
13. Cosmovisões em Conflito - Ronald Nash (Ed. Monergismo)
14. Deus e o mal: Problema resolvido - Gordon H. Clark (Ed. Monergismo)
15. Oração: Experimentando intimidade com Deus - Timothy Keller (Ed. Vida Nova)
16. Economia e Política na Cosmovisão Cristã - Wayne Grudem e Barry Asmus (Ed. Vida Nova)
17. A pobreza das nações - Wayne Grudem e Barry Asmus (Ed. Vida Nova)
18. Invasão vertical dos Bárbaros - Mário Ferreira dos Santos (Ed. É Realizações)
19. Questões últimas da vida - Ronald Nash (Ed. Cultura Cristã)
20. O resgate da fé cristã - Carl F. H. Henry (Ed. Monergismo)
21. Uma visão cristã dos homens e do mundo - Gordon Clark (Ed. Monergismo)
22. Deleitando-se na Trindade - Michael Reeves (Ed. Monergismo)
23. A Religião Civil do Estado Moderno - Nelson Lehmann da Silva (Ed. Vide Editorial)
24. De Magistro -  Santo Agostinho (Ed. Vozes)
25. A Beleza salvará o mundo - Gregory Wilde (Ed. Vide Editorial)
26. Discurso da Reforma do Homem interior - Cornelius Jansenius (Ed. É Realizações)
27. Poesias - T. S. Eliot (Ed. Nova Fronteira)
28. Crime e Castigo - Fiódor Dostoiévski (Ed. 34).
29. Presbiterianos X Pentecostais - José Roberto (Ed. Fonte Editorial)
30. Discipulado - Dietrich Bonhoeffer (Ed. Mundo Cristão)
31. Introdução à Teologia Evangélica - Karl Barth (Ed. Sinodal)
32. O Elogio do Conservadorismo - João Camilo de Oliveira Torres (Ed. Arcadia)
33. Marxismo Desmascarado - Ludwig Von Mises (Ed. Vide Editorial)
34. O Pastor como Pregador - Org. John MacArthur (Ed. Peregrino)
35. O Rosto de Deus - Roger Scruton (Ed. É Realizações)
36. Diário do subsolo - Fiódor Dostoiévski  (Ed. Martin Claret)
37. Criação do Ocidente - Crhistopher Dawson (Ed. É Realizações)
38. Introdução à Filosofia Moderna - Roger Scruton (Ed. Zahar)
39. A Ideia Cristã de Cultura e outros escritos - T.S. Eliot (Ed. É Realizações)
40. As origens gregas da filosofia - Marcos Sandrini (Ed. Vozes)
41. Filosofia para corajosos - Luiz Felipe Pondé (Ed. Planeta)
42. Amado Timóteo - Org. Tom Ascol (Ed. Fiel)
43. Como Adam Smith pode mudar sua vida – Russ Roberts (Ed. Sextante)
44. Conhecendo o Deus Trino – Tim Chester (Ed. Fiel)
45. Ministérios de Misericórdia – Timothy Keller (Ed. Vida Nova)
46. Desafios da Liderança Cristã – John Stott (Ed. Mundo Cristão)
47. O que você faz no Domingo – Sammy Anderson (Ed. Z3)
48. A Primeira Igreja Protestante do Brasil – Jaquelini de Souza (Ed. Mackenzie)
49. Reformando o Casamento – Douglas Wilson (Ed. Clire)
50. Um Trabalho de Amor – J. Stephan Yuille (Ed. Puritanos)
51. O Deus da Promessa – Michael Horton (Ed. Cultura Cristã)
52. A Trindade, As Escrituras e a função do Teólogo – Kevin Vanhoozer (Ed. Vida Nova)
53. O Evangelho e o Marxista – Comissão Lausanne (Ed. ABU)
54. O Evangelho para os filhos da aliança – Joel Beeke (Ed. Puritanos)
55. O Homem Bíblico – Stuart Scott (Ed. Nutra Publicações)
56. Surpreendido pelo Sentido – Alister McGrath (Ed. Hagnos)
57. Os Dez Mandamentos – Cornelius Van Til (Ed. O Estandarte de Cristo)
58. Disciplina na Igreja – Jonathan Leeman (Ed, Vida Nova)
59. Igreja Sinfônica – Org. Pedro Dulci (Ed. Mundo Cristão)
60. A Lei Moral – Ernest Kevan (Ed. Puritanos)

23 de dez. de 2016

O Exemplo de Amor e Humildade vistos na Encarnação de Cristo

Por Thiago Oliveira*

Introdução

Mesmo em decorrência da celebração do Natal, gostaria de continuar com a exposição de Filipenses que começamos em nossa igreja, dando início ao segundo capítulo, que não por acaso fala sobre a encarnação de Cristo, ou seja, do seu nascimento. Fiquemos atentos à palavra que o Senhor nos entregou e que toda meditação seja orientada pelo Santo Espírito, para que esta palavra se aplique em nossos corações.

A Deus toda glória!

Exposição (Filipenses 2.1-11)

1-4 Se por estarmos em Cristo, nós temos alguma motivação, alguma exortação de amor, alguma comunhão no Espírito, alguma profunda afeição e compaixão, completem a minha alegria, tendo o mesmo modo de pensar, o mesmo amor, um só espírito e uma só atitude. Nada façam por ambição egoísta ou por vaidade, mas humildemente considerem os outros superiores a si mesmos. Cada um cuide, não somente dos seus interesses, mas também dos interesses dos outros.

O começo do capítulo 2 dá continuidade ao que foi dito anteriormente, no final no capítulo 1. O apóstolo Paulo continua exortando a igreja em Filipos a permanecer unida. A união fraternal em Cristo é um indicativo de que aquela igreja goza de saúde espiritual, pois, existe uma impossibilidade de se estar em Cristo e viver em desunião com nossos irmãos de fé. A motivação e a exortação em amor para que vivamos em unidade são procedentes do próprio Senhor. Ele encoraja cada crente a viverem as benesses da vida em comunidade, exercitando conjuntamente a fé que temos nele. E o Espírito Santo, que habita dentro de todo aquele que por Deus foi salvo em Cristo Jesus é o condutor da comunhão entre os membros da igreja.

Notem que a Trindade é responsável para que o amor fraterno seja vivenciado. O encorajamento que Cristo oferece para vivermos juntos, somado ao agir do Espírito na Igreja, é o que torna possível a comunhão, isto é, o amor de uns para com os outros. Paulo ainda menciona que este amor deve ser experimentado em profunda afeição e misericórdia. O termo profundo remete as entranhas, algo que os filipenses, por terem uma cultura helênica, conheciam. Nós costumamos dizer que amamos do fundo do coração, os gregos diziam amar do fundo de suas entranhas. Já o termo misericórdia (ou compaixão - como traduz a NVI) remete a nos colocarmos no lugar de outrem e sentir as suas dores e aflições como se fossem nossas dores e nossas aflições.

Então, se estamos em Cristo, como raciocina o apóstolo, devemos ter uma unidade de pensamento e atitude. Pois, estamos ligados no mesmo amor e no mesmo Espírito. Na prática, isso deveria extirpar todo egoísmo e vaidade do meio do povo de Deus. Paulo afirma que o correto é considerar os outros acima de nós mesmos e assim, pautar a nossa vida para não focar apenas na busca das realizações pessoais. Uma vida cristã genuína e saudável é altruísta. O cuidado com o próximo e o interesse do seu bem estar devem ser uma prioridade.

Mas aí vêm os queixumes: “é difícil proceder dessa maneira. Como faremos isso?”. O modelo a quem Paulo vai apelar é o de Cristo, e aqui veremos como que o Senhor dos Senhores se humilhou, e o fez por amar a sua Igreja e zelar por sua unidade.

5-8 Seja a atitude de vocês a mesma de Cristo Jesus, que, embora sendo Deus, não considerou que o ser igual a Deus era algo a que devia apegar-se; mas esvaziou-se a si mesmo, vindo a ser servo, tornando-se semelhante aos homens. E, sendo encontrado em forma humana, humilhou-se a si mesmo e foi obediente até à morte, e morte de cruz!

Paulo sempre apela para figura de Cristo ao nos exortar sobre o que devemos fazer. E aqui ele insta para que a nossa atitude seja a mesma do nosso Redentor. Devemos imitá-lo, não na sua tarefa redentiva e vicária, apenas o Cristo foi imbuído com esta missão salvadora. Todavia, devemos imitar o espírito de humildade e abnegação que levaram o Filho de Deus a abrir mão de seu estado de glória para se fazer o servo sofredor que pagaria pelos nossos pecados.

Cristo, nesse maravilhoso texto doutrinário, é apresentado como Deus. Antes de sua encarnação ele já era divino, igual ao Pai, desde a eternidade. A sua forma, isto é, a sua essência, é de um ser não-criado. Na verdade, ele é o Criador de todas as coisas e por meio dele e para ele, tudo subsistindo nele (Cl 1.16-17). Mas, Cristo não se valeu desta condição de uma maneira egoísta. Ele não se apega ao fato de que por ser Deus tinha muitos privilégios para gozar, satisfazendo a si mesmo. O esvaziamento do Filho de Deus, termo usado por Paulo para deixar claro o grande referencial de humildade significa que Cristo abdicou, não de sua essência, mas da glória e dos privilégios correspondentes à sua divindade. Ele se fez servo e assumiu uma forma humana. Não trocou a divindade pela humanidade, mas aderiu a sua natureza divina, uma natureza humana e dentro de um útero se desenvolveu como qualquer criança. Isto é assombrosamente lindo!

Outro fator importante é que Jesus não veio ao mundo como alguém que pertenceu à elite de sua época. Não foi um homem que viveu em palácios e se valeu de poder temporal. Cristo foi pobre, sem ter onde reclinar a cabeça. Nasceu num estábulo que não era dele e nem de sua família terrena. E assim foi até seu sepultamento, quando o túmulo que recebeu seu corpo também era emprestado. Ele veio a este mundo para morrer na cruz, e foi obediente a este plano.

Logo, notemos que tendo todo o direito de desfrutar da sua majestade celestial, servido e venerado pelos anjos, Cristo abre mão desta condição, pois não é egoísta. Para salvar os seus eleitos, Cristo não podia salvar a si mesmo e não experimentar do cálice da ira divina. Ele foi para cruz e se entregou sacrificialmente num ato de amor. Este deve ser o nosso parâmetro ético. Ao invés de nos inflamarmos vaidosamente, devemos nos despojar de tudo que nos torna orgulhosos. Devemos nos esvaziar de nós mesmos, sacrificando o nosso ego. Viver só para si não é a vida que Cristo viveu e nem é a que ele quer que vivamos.

9-11 Por isso Deus o exaltou à mais alta posição e lhe deu o nome que está acima de todo nome, para que ao nome de Jesus se dobre todo joelho, no céu, na terra e debaixo da terra, e toda língua confesse que Jesus Cristo é o Senhor, para a glória de Deus Pai.

Após ter se humilhado, Cristo não ficou relegado a uma posição de pobre coitado. Sua breve vida terrena e sua morte considerada vexatória na cruz não consistiram num fim trágico de um homem bom. Cristo não foi derrotado na cruz e o sepulcro não o segurou. O que se seguiu após ter sido crucificado foi a demonstração da maior de todas as vitórias e conquistas. Cristo venceu sobre os principados e potestades e foi exaltado por Deus Pai, colocado acima de tudo e de todos. Seu nome ganha proeminência e toda a humanidade, até mesmo os governantes desta terra, são seus súditos, estando debaixo de seu poderio.

Quando Cristo for visto entre as nuvens, no advento de sua vinda definitiva, todos verão um ser distintamente glorioso. Seu aspecto será inigualavelmente majestoso e diante de toda demonstração visível de seu estado de glória, toda a humanidade se curvará reconhecendo que ele é o soberano Senhor. Alguns farão este reconhecimento para sua própria condenação, pois não creram em sua mensagem e zombaram do Evangelho. Outros - os que foram remidos - professarão com alegria o que já diziam antes pela fé, pois, não apenas falavam, mas viviam como servos do Senhor dos Senhores. Quem tem ouvidos ouça: em Cristo está a salvação para vossas almas! É preciso crer e confessar que ele detém o senhorio de todas as coisas. Se esta confissão não for feita antes de sua vinda, depois dela será feita de todo jeito, mas a aplicação da confissão não será para a vida, será (de maneira justa) para a morte.

Conclusão/Aplicação

Gostaria de concluir, e ao mesmo tempo, aplicar esta mensagem elencando alguns pontos:

1. Em meio a um estilo de vida materialista, buscamos satisfazer os apelos midiáticos e consumistas. E nisso, a vaidade e o orgulho são fisgados pelas propagandas que estimulam a competitividade. Mas será que esta vida esta é conformidade com o que Cristo nos ensinou? O que você tem feito com seus dias? Tem corrido atrás de realizar seus sonhos materiais e esqueceu de que importar-se com o próximo é seu dever como cristão? Cuidado com a ganância, os que ambicionam riquezas caem em muitas tentações e podem se desviar da fé (1 Tm 6.9-10).

2. Ter a atitude de Cristo e ser humilde é algo que precisa ser demonstrado na prática. Quando Paulo afirma que devemos considerar os outros superiores a nós mesmos, isso remete a honrarmos essas pessoas. Ora, você não pode honrar a ninguém de um modo secreto. Você tem demonstrado amor na prática? Tem buscado a auto-glorificação ou busca honrar os outros? Aproveite esse tempo de festas de fim de ano para honrar alguém fazendo-lhe uma visita especial, convidando para cear em sua casa, dando-lhe algum singelo presente ou até mesmo um cartão, externando o quanto essa pessoa é importante para você.

3. Considerando que Jesus Cristo é o Senhor, que possamos conduzir as nossas vidas debaixo de seu senhorio. Como isso pode ser feito? Buscando viver em conformidade com a sua Palavra. E como dito pelo apóstolo Paulo, buscando a unidade fraternal da igreja. Invista seu tempo em estudar a Bíblia, doutrina é importante e toda ela tem sua aplicação prática. Hoje mesmo vimos que Paulo através de um tratado teológico sobre a divindade e a encarnação de Cristo aplicou estas verdades para exortar a igreja a viver em plena união.


4. Agora me direciono aqueles que não professaram a fé em Cristo. Gostaria de dizer que a mensagem foi clara o suficiente para que vocês saibam que quem não crê no Filho de Deus está condenado (Jo 3.18). Dobrem agora, não apenas os vossos joelhos, mas também os vossos corações para que Cristo reine e os salvem da ira vindoura. Se hoje ele nascer dentro de vocês, confessem isso publicamente. Saibam que “todo aquele que invocar o nome do Senhor será salvo”. (Ro10.13). Um novo nascimento é uma bela forma de se celebrar o natal. 

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* Esse texto foi base do sermão pregado por Thiago Oliveira na igreja em que pastoreia: Ig. Evangélica Livre em Itapuama -PE. 

14 de nov. de 2016

Soli Deo Gloria: Um lema para a vida

Por Thiago Oliveira

*Texto Base: Salmo 96

INTRODUÇÃO

Soli Deo Gloria, que quer dizer: Somente a Deus glória, é um dos lemas da Reforma Protestante.  O intuito dos reformadores com este lema foi endossar que apenas o SENHOR deve ser exaltado em tudo o que fizermos. Como nos diz o apóstolo Paulo “Assim, quer vocês comam, bebam ou façam qualquer outra coisa, façam tudo para a glória de Deus”. (1 Coríntios 10:31).

O pastor norte-americano John Piper costuma abordar o tema de quanto Deus ama a sua glória e de que nós também devemos amá-la e exaltá-la. Uma de suas frases mais famosas e mais repetidas é “Deus é mais glorificado em nós quando estamos mais satisfeitos nele”. Por isso, devemos desejar Deus e fazer desse desejo o nosso estilo de vida. Nascemos para adorá-lo e devemos fazer isso em Espírito e em verdade. Se não glorificamos o Deus bendito com palavras e ações, logo, nos alienamos de nós mesmos e não viveremos uma vida plena. Não encontraremos satisfação em nada se não nos satisfizermos com a gloriosa presença do Deus trino.

Todavia, muitos se questionam se Deus não é egoísta ou narcisista ao querer ser glorificado e adorado entre os homens. Obviamente, Deus não é uma coisa e nem outra. Expondo o Salmo 96, que parece ser um resumo de um cântico de Davi (1 Crônicas 16) para alguma festa solene em celebração ao SENHOR no período pós-exílico, veremos o porque Devemos dar a Deus somente toda honra e toda glória.

EXPOSIÇÃO

1.Cantem ao Senhor um novo cântico; cantem ao Senhor, todos os habitantes da terra! 2. Cantem ao Senhor, bendigam o seu nome; cada dia proclamem a sua salvação! 3. Anunciem a sua glória entre as nações, seus feitos maravilhosos entre todos os povos!

Os versículos iniciais reforçam o louvor a Deus dando ênfase para que se cante em adoração ao SENHOR. Percebam que “cantai” aparece três vezes nos versículos iniciais do salmo. Um cântico novo não necessariamente seria uma música inédita. O próprio salmo é uma compilação de um texto composto por Davi para que os levitas entoassem no tabernáculo. Aqui, segundo a tradição rabínica e muitos comentaristas bíblicos, o cântico seria usado na inauguração do segundo templo, construído após um remanescente migrar do cativeiro babilônico para reconstruir Jerusalém. Mas então porque o canto se faz novo? Ora, ele se torna novo na disposição de nosso coração, quando cantamos com disposição e alegria para o enaltecimento do nome do Altíssimo. A novidade está na dinâmica de nossa adoração, que não pode ser mecânica, como se estivéssemos no “piloto automático”. E é justamente essa dinâmica que move o adorador a proclamar as maravilhas que vem de Deus. Observem que o canto não fica estático, ele vai se propagando por toda a terra na medida em que o nome do Senhor se torna bendito entre as nações e a sua salvação é proclamada. Isso é apregoar boas novas, o que nos remete a evangelização, termo que os tradutores gregos da Septuaginta usaram e que em nosso idioma foi traduzido por “proclamação”.

Anunciar a sua glória e a sua maravilha é compartilhar de quem Deus é e o que Ele faz para os que são seus. Este anúncio é o que cumprimos na grande comissão, quando pregamos a todos os homens sobre o que Deus Pai fez através de seu filho Jesus Cristo. A dinâmica da evangelização faz com que os adoradores aumentem e isso redunda em mais glória para Deus. Por isso que a adoração não pode ficar confinada ao culto, mas deve mover-se para fora, em busca de aumentar o coro que em muitas vozes cantará a majestade do Deus Todo-Poderoso.

4. Porque o Senhor é grande e digno de todo louvor, mais temível do que todos os deuses! 5. Todos os deuses das nações não passam de ídolos, mas o Senhor fez os céus. 6. Majestade e esplendor estão diante dele, poder e dignidade, no seu santuário.

E porque louvar ao Senhor? Seria Ele um egoísta? Como dito na introdução desta mensagem, a resposta é não. A tentativa de alguns ateus e inimigos da fé de pintar Deus com traços de Narciso é patética, pois, eles partem de um referencial humano para atribuir a Deus o sentimento egoísta. Deus é desde a eternidade, o que significa que não teve começo e não terá fim. Ninguém o criou e ninguém está acima do SENHOR. Ele é autossuficiente e seu deleite se encontra em seus próprios atributos. Ele é grande, maior do que a criação, que já imensa. Paremos para pensar na dimensão do planeta Terra e nos deparemos com o fato de que diante do vasto universo, nosso planeta é um pontinho azul entre bilhões de galáxias. Isso é a grandeza da coisa criada. Imaginemos então quão grande é o Criador. Só este fato deveria ser suficiente para reverentemente glorificarmos ao Deus dos céus e da terra.

O que você faria ao encontrar algo belo e grandioso que lhe conferisse um sentido de propósito? Com toda certeza você amaria tal coisa, a enalteceria com todas as suas forças e se entregaria por completo. Este algo existe e é o Criador que nos criou para si. Deus não pode se deleitar em nada fora dele mesmo, pois nada se equipara a sua grandeza. Por ser autossuficiente, tem paixão pela sua glória, que é a manifestação de seus santos atributos. Assim, pequeno e limitado que é o homem, necessita se conectar com Aquele que lhe confere um sentido para sua existência. O homem precisa de Deus, pois é Deus quem o confere a verdadeira humanidade. Por isso que C.S. Lewis nos diz que “em mandar-nos glorificá-lo, Deus está nos convidando a gozá-lo”. Portanto, quando adoramos a Deus e lhes rendemos glória, estamos fazendo aquilo que nos foi impresso na criação. Todo homem é um adorador por carregar dentro de si a imagem do Criador. Ao nos ordenar que lhe rendamos graças e louvor, Deus está nos dando o privilégio de sermos inteiramente satisfeitos e felizes, e a fonte que nos sacia por completo não é outra senão o próprio Iavé.

Por não glorificar a Deus, o homem sempre arruma um substituto para exercer veneração. Este é o cerne da idolatria, e o salmo deixa claro que todos os deuses não passam de ídolos criados. Eles são vazios e não possuem a majestade e o esplendor do Deus vivo, ao invés disso, são desprovidos de valor. Ao adentrar o santuário, o judeu deveria se deslumbrar não com a prata, não com o ouro e não com as pedras polidas e cravadas. O deslumbramento devia ocorrer diante da gloriosa presença do Deus que é santo. Sendo assim, que nós ao nos reunirmos com Igreja, sabendo que o SENHOR se faz presete, sejamos maravilhados com a beleza e com o esplendor de sua glória em nosso meio.

7. Dêem ao Senhor, ó famílias das nações, dêem ao Senhor glória e força. 8. Dêem ao Senhor a glória devida ao seu nome, e entrem nos seus átrios trazendo ofertas.

Por causa da grandeza de Deus, a adoração deve se estender a todos. As famílias precisam louvar a Deus juntas. Pais e Filhos. Irmãos e irmãs. Gente de toda classe social, seja de qualquer nação, falando qualquer língua. O nome do SENHOR deve receber a glória que é devida. As ofertas que se traziam ao Templo eram para render louvores ao Deus de Israel. Aqui necessitamos entender que não devemos adorar na intenção de receber favores. A adoração se dá como gratidão e serviço por tudo que Deus é e por tudo que Ele tem feito por nós e em nós. Que possamos fazer de nossa própria vida uma oferta toda vez que nos reunimos para engrandecer o nome do Santíssimo.

9. Adorem ao Senhor no esplendor da sua santidade; tremam diante dele todos os habitantes da terra. 10. Digam entre as nações: "O Senhor reina!" Por isso firme está o mundo, e não se abalará, e ele julgará os povos com justiça. 11. Regozijem-se os céus e exulte a terra! Ressoe o mar e tudo o que nele existe! 12. Regozijem-se os campos e tudo o que neles há! Cantem de alegria todas as árvores da floresta, 13. cantem diante do Senhor, porque ele vem, vem julgar a terra; julgará o mundo com justiça e os povos, com a sua fidelidade!

O salmo vai se encaminhando para o fim sem perder de vista a conclamação a adoração ao Divino. O verso 9 enaltece a santidade do SENHOR, o que é visto como motivo para reverentemente tremermos diante do Santo dos Santos. Todos os que estão na presença de Deus devem reverência pelo fato dEle ser santo e sua santidade contrastar com a nossa pecaminosidade. O profeta Isaías se encheu de temor ao se deparar com a santidade divina (vide Isaías 6). Ele não ficou com vontade de pular ou dançar, mas automaticamente se prostou. Essa é a reverência que cabe ao Rei dos reis e Senhor dos Senhores.

Deus reina e o mundo é sustentado pelo cetro de seu poderio. Isso precisa ser dito entre as nações. Os governantes do mundo precisam saber que estão debaixo do poder dAquele que tudo governa. O mundo é dEle, criado por Ele e para Ele mesmo se deleitar. Por isso que a conclamação para o regozijo é geral, englobando todos os seres criados. De uma forma hiperbólica, até mesmo seres inanimados são convocados para enaltecerem o Criador. O louvor aqui é oferecido a um Rei que governará com justiça. Juíz, no texto, é aquele que governa, e seu governo será justo, pois a sua base está na fidelidade de quem não é homem para que minta e nem filho do homem para que se arrependa (Números 23.19).

CONCLUSÃO/APLICAÇÃO

Para que essa palavra seja aplicada em nossa vida, podemos responder a nós mesmos a algumas perguntas:

1. Se eu preciso glorificar ao Senhor em todas as coisas, em que área eu tenho sido negligente e não a vivo para o louvor do meu Deus?

2. A quem tenho proclamado sobre a grandeza do meu Deus? Estaria a minha adoração se restringindo apenas aos momentos de culto congregacional ou privado?

3. Diante do governo dos homens e de tanta instabilidade política e financeira, estamos louvando ao Rei dos reis na expectativa de participarmos de seu reino de justiça?


Que o Senhor nos ache no meio de seus adoradores. A Ele a glória, pra sempre e amém!