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20 de set. de 2015

Divórcio e Novo Casamento

Por Luiz Sayão

O divórcio tem sido uma das questões mais complexas da atualidade. Muita gente tem até receio de discutir o assunto abertamente – todavia, não se pode esquivar-se deste tema, que tem afetado a Igreja Evangélica.

De um lado, os mais conservadores rejeitam o divórcio em toda e qualquer situação, mesmo nos casos de infidelidade conjugal. De outro, os liberais fazem uma releitura dos textos bíblicos que tratam da questão, sob a justificativa de que os tempos são outros e que ninguém deve ser obrigado a sofrer para sempre ao lado de quem não gosta. Diante de tanta polarização, é preciso lançar luz bíblica sobre a questão.

20 de dez. de 2014

A Adolescência não é um Bicho de Sete Cabeças

Por Luiz Sayão

A adolescência é marcada por crises. É a fase entre a criança e o adulto: ora o adolescente é criança, ora “sabe” mais que os pais. Mas essa idade “rebelde e difícil” é normal. Nossos filhos terão de ser eles mesmos, e não poderão ser o que fomos. Até certo ponto, as respostas malcriadas, as críticas e as opções diferentes devem ser vistas como parte do processo natural do adolescente. A verdade é que temos tanta dificuldade quanto eles para nos adaptarmos à nova fase. E talvez sejamos mais inflexíveis do que imaginamos. O fato é que precisamos monitorar as crises normais da adolescência em vez de nos desesperarmos. Se tivermos a expectativa correta, será mais fácil lidar com as crises.

HOJE É DIFERENTE!

Na história humana, todas as culturas enfrentaram o desafio de passar valores para a nova geração. Até certo ponto, o desafio tem sido vencido com sucesso. Todavia, na sociedade contemporânea isso já não ocorre. O fato é que o mundo mudou muito, complicando o processo. Há pelo menos duas diferenças significativas entre o nosso tempo e o dos nossos antepassados que merecem destaque: O Pluralismo de Idéias e a Velocidade das Mudanças Sociais.

O desenvolvimento tecnológico recente permitiu uma veiculação de informações sem precedentes por meios como Rádio, tv, cinema e internet. Além disso, a facilidade de intercâmbio entre diversas culturas é enorme. Essas mudanças, aliadas a outros fatores, levaram o homem de hoje a uma convivência com as mais diversas ideologias. Antigamente, uma pessoa nascia e crescia quase que numa visão cultural monolítica. Hoje, um jovem vê um clip dos “Raimundos” na MTV de manhã, encontra um muçulmano no metrô, “troca ideia” com um “punk” na escola, assiste a aula de arte de uma professora mística, “new-age”, discute com o professor de química ateu e termina o dia escutando a ladainha proselitista de um “dinossáurico” marxista, que afirma que Cuba não é tão ruim; e dependendo das circunstâncias, antes de dormir, na TV a cabo, ainda assiste “Os Três Patetas”. Como se vê, a convivência com idéias contraditórias é uma realidade hoje. A verdade é que o adolescente atual pensa de modo diferente. Ele convive tranqüilo com idéias opostas, sem se preocupar com isso. É a pós-modernidade! Muito do desentendimento familiar procede da diferença sem pais e filhos que percebam que cada um funciona num “sistema” distinto: Os pais só “funcionam em AM”, enquanto que os filhos “têm sintonia em FM”.

Além disso, a velocidade das mudanças hoje é rápida demais. As mudanças de hábitos e de idéias antes do mundo da mídia eram bem mais lentas. Hoje, alguém de 25 anos de idade está totalmente “por fora” do que “rola” na cabeça da “galera” de 15 anos. Há 40 anos nossos avós namoravam na frente dos pais e quando pegavam na mão era “o máximo”. Hoje, há adolescente crente que pergunta se há algum problema em “ficar” com alguém. O abismo entre as gerações é enorme. Isso prejudica, e muito, a mútua compreensão entre as duas partes. Isso mostra que é necessário um esforço maior por parte dos pais para compreender seus filhos.

OS PERIGOS DO MUNDO ATUAL

A adolescência é preciosa, pois nela se tomam decisões importantes na vida. Especialmente hoje, uma escolha errada nessa época da vida pode ser fatal. Vivemos em tempos difíceis. A violência juvenil atinge números alarmante, o sexo virou mercadoria barata e fácil. Um “pequeno erro” pode custar a vida de um jovem. As drogas estão por toda parte e produzem danos irreparáveis. Grupos de extremistas, revoltados, fanáticos, etc. lutam pelas cabeças de nossos filhos. Aborto, homossexualismo e amor livre viraram “papo cabeça” da “galera sem preconceito”. O que precisamos entender é que se bobearmos, nossos filhos podem tomar uma direção errada; e hoje os riscos são mais sérios do que os do passado. É preciso ter bom senso, pois muita liberdade pode ter conseqüências terríveis. Por outro lado, proibição sem diálogo e convivência tranqüila também não darão resultado.

O QUE FAZER? 

1. COMEÇANDO CEDO.

“Corrija os seus filhos enquanto eles têm idade para aprender” (Pv 19.18a – BLH). Essa lição é muito esquecida pelos pais brasileiros. Um dos defeitos do brasileiro é tentar resolver tudo “de última hora”. Só começamos a pensar na adolescência, quando os filhos já estão nela. Temos uma fé ingênua de que no fim tudo “dará certo”. Por isso, enquanto os filhos têm entre 9-12 anos não nos preocupamos, pois tudo está sob controle (afinal, eles são uma gracinha, não são?). Todavia, é nessa época que se prepara o filho para a adolescência, antes que ela vire “aborrecência”. Mas, em muitos casos, conversamos pouco com os filhos, desconhecemos seus gostos e interesses, pouco sabemos sobre o “papo” deles com os amigos, e sobre seus sonhos. Se eles são comportados, e nós lhes damos comida, roupa, escola, sabemos que tudo está indo bem. O fato é que o segredo de uma boa adolescência está no trabalho feito antes que ela chegue.

2. EVITANDO A RUPTURA

“Enganoso é o coração, mais do que todas as coisas, …; quem o conhecerá?” (Jr 17.9). Muitos conhecem o texto e gostam de aplicá-lo aos outros! Mas será que paramos para pensar sobre como o nosso coração nos engana?

Quando nos tornamos pais e passamos a criar os filhos não sabemos fazê-lo automaticamente, nem resolvemos todos os problemas. A verdade é que a maioria empreende tal tarefa sem ter idéia da complexidade da mesma. Muitos são os perigos que enfrentamos nessa jornada; às vezes nem os percebemos:
Tendemos a repetir inconscientemente os erros de nossos pais. Corremos o risco de agir e reagir conforme o padrão presenciado e vivido por nós mesmos.

Dificilmente tratamos os filhos de modo igual. Muitas vezes a semelhança física ou psicológica com um filho pode levar um dos pais a protegê-lo. Às vezes, a ruptura entre os pais favorece a polarização dos filhos. O problema é pior quando o filho liga-se demais à mãe, e a filha, ao pai.

O pai brasileiro tende a ser distante dos filhos (pois assim foi criado), entendendo que deve trabalhar e “pôr dinheiro em casa”.

A mãe corre o risco de ser muito “tolerante” e proteger os filhos nos conflitos com o pai. Muitos filhos têm a mãe como confidente, e o pai como adversário.
Os pais frustrados no casamento inconscientemente transformam os filhos num foco de realização pessoal, já que a relação fracassou.

Esses são alguns dos problemas que podem ocorrer. Precisamos encará-los, procurar resolvê-los sob a graça de Cristo, não permitindo que se tornem uma “herança maldita” para os filhos. É na adolescência que surge a ruptura entre pais e filhos, mas a raiz existe antes. Quando o filho começa a fazer tudo diferente dos pais, ou a agir para chocar e chamar a atenção, a coisa está grave. Muitas vezes um dos pais tem uma ruptura acentuada com um filho, enquanto que o outro o defende.

Às vezes a diferença não é problema. Os pais mal preparados desconfiam demais dos filhos, fazem muita crítica, não reconhecem qualidades. Há casos em que o pai é médico, o filho quer ser músico; o pai não aceita. A mãe é bióloga, a filha quer ser alpinista; a mãe se decepciona. A frustração pode transformar-se em “pequenas vinganças” contra os filhos que não fazem a vontade dos pais; e a ruptura aumenta. Precisamos detectar quaisquer sinais de ruptura e com humildade corrigir o problema enquanto há esperança.

3. IDÉIAS CRIATIVAS E REALISTAS

Muitos pais acordam tarde e começam a reclamar dos sintomas de problemas maiores. O choque é grande: Pastor, meu filho quer usar brinco; minha filha quer ir num “baile evangélico”; meus filhos estão ouvindo músicas de louco; o Júnior não sai da internete; minha filha é louca pelo Ricky Martin; será que o Ricky Martin é a Besta?, ou besta é quem gosta das músicas dele?

Nossos filhos jamais reproduzirão exatamente o que somos. Antes dos Beatles, as pessoas passeavam de terno e gravata! Hoje ninguém acha estranho usar tênis, jeans e mascar chicletes. Tudo isso já foi marca de rebeldia. Muitos evangélicos falam mal da “música mundana”, especialmente do rock, e depois copiam tais ritmos e melodias e as tornam “santas”. Por que tal contradição? Há várias maneiras de ser contemporâneo no mundo atual. Nós precisamos descer ao nível de nossos filhos, saindo de nossa “fossilização” para ajudá-los a fazer escolhas razoáveis. Não adiante sonhar com Bach e Chopin como alvos do futuro. Sejamos práticos:

Sabendo que meus filhos estão entrando na adolescência e que vão se interessar por música popular, eu preciso começar a ouvir essas música e conversar com eles. Uma coisa é gostar de Toquinho, outra coisa é “curtir” o Tchan. É muito diferente ouvir um Dairy Straits e um Sepultura. Não existe apenas “música mundana”. Existem músicas boas e ruins, construtivas e destrutivas. Se formos amigos de nossos filhos nessa fase, eles farão boas escolhas. Fale a língua deles: “quem gosta disso aí tá por fora, isso é baixaria pura “.

O mesmo ocorre com os filmes e outras atividades. É preciso manter o diálogo constante e franco com os filhos. Encerrando, gostaria de deixar dicas importantes que não podem ser esquecidas:

* Nunca perca a comunicação com os filhos. É melhor ser ofendido por um filho franco do que perdê-lo.

* Mantenha vigilância constante sobre uma possível ruptura com seu filho.
Não critique com raiva e amargura o esposo (a) para os filhos.

* Assista e ouça aquilo de que seus filhos gostam.

* Fuja da contradição. Mães “noveleiras” e pais “fanáticos por futebol e filmes violentos” não têm moral para criticar.

* Comece a trabalhar cedo nos filhos.

* Seja espiritual e espirituoso. Mostre seu cristianismo de maneira natural. Não tenha espiritualidade fabricada. Seja descontraído e aprenda a ser brincalhão e amigo dos seus filhos, sem perder a autoridade.

13 de dez. de 2014

Louve com Sobriedade e Sensibilidade

Por Luiz Sayão

Vivemos na era da música digital. Os muitos sons nos fazem delirar. Foi muita mudança tecnológica, rítmica e cultural que revolucionou e modificou o cenário evangélico na área de louvor e adoração. Diante do novo contexto, as opiniões se dividem. O louvor contemporâneo é melhor do que o antigo dos hinários? As mudanças foram para bem ou para mal?

A mudança da hinódia das igrejas tradicionais foi nítida nos últimos vinte e cinco anos. Durante décadas as igrejas tradicionais (batistas, presbiterianas, metodistas e assembleianas) usaram quase que exclusivamente os hinários com seus hinos bicentenários em sua maioria. Apesar de muitos aspectos excelentes e positivos dos antigos hinários, como a organização temática, a teologia saudável e equilibrada há também aspectos que facilitaram uma rejeição gradual dos mesmos, aliada a uma crescente aceitação de cânticos e hinetos mais recentes. Por que tantos belos hinos caíram em desuso? Algumas das principais razões podem ser aqui mencionadas:

1. Os hinos eram estrangeiros: A grande maioria dos hinos das igrejas tradicionais foram compostos nos EUA, na Inglaterra e na Alemanha há pelo menos mais de um século. Com o tempo, foram aumentando sua estranheza cultural para os ouvidos tupiniquins. Para muitos brasileiros, tais hinos passaram a soar como algo pouco atraente para as novas gerações.

2. Os hinos tornaram-se repetitivos: Hinos célebres como “Morri na Cruz por Ti”, “Oh, Quão Cego eu Andei” e “Vencendo vem Jesus” eram cantados com muita freqüência. O fato é que poucos hinos tradicionais eram muito cantados, repetindo-se muitas vezes a mesma melodia. Começou a faltar criatividade e os hinos amados tornaram-se enfadonhos.

3. Anacronismo:  Com o passar do tempo, a nova geração não conseguiu adaptar-se aos hinos mais antigos e buscou novas formas de expressão musical. Muitos dos hinos usavam uma linguagem mais difícil e melodias anacrônicas, perdendo capacidade de comunicação para os mais jovens. Um dos hinos antigos, por exemplo, dizia em sua primeira estrofe: “Numa orgia nefanda o rebelde Belsazar”.

4. A grande revolução litúrgica que pegou desprevenidos os grupos tradicionais e pentecostais clássicos no Brasil teve lugar a partir da década de 1950. A chegada da Igreja Quadrangular e o surgimento de igrejas como o Brasil para Cristo, Igreja Nova Vida e Igreja Deus é Amor mudaram o perfil litúrgico nacional. Foi por meio da nova onda carismática que o cenário mudou. Que tipo de mudança tivemos?

1. Instrumentação e ritmo: Os novos grupos carismáticos e, depois, os neopentecostais romperam com a hinódia tradicional (inclusive pentecostal – Harpa Cristã), compondo hinetos mais simples, mais curtos, repetitivos, acompanhados de palmas e instrumentos comuns (tidos como “menos sacros” como o órgão e o piano). O momento do louvor deixou de ser reflexivo e meditativo e passou a ser mais corporal e efusivo.

2. A Nacionalização: Os novos hinetos carismáticos foram, na maioria, compostos por brasileiros e em ritmos populares nacionais ou em ritmos importados mais comuns em nosso contexto. A verdade é que as novas igrejas eram autenticamente brasileiras. Não tinham necessidade de honrar uma tradição estrangeira. Cânticos em ritmo de samba e marchinha passaram e proliferar, acompanhados das criticadas palmas!

Que dizer dessa nova tendência? Os mais tradicionais sempre a criticaram, afirmando que a qualidade musical diminuiu (o que é fato), que as músicas se tornaram mundanas e que estávamos diante de cânticos impróprios para um culto verdadeiro. No entanto, é preciso ressaltar aspectos positivos da nova tendência.

- A Alegria Comemorativa: Enquanto os tradicionais cantavam “bendita a hora de oração”, de olhos bem fechados, os novos grupos começaram a “fazer festa”, pulando, movendo braços e pernas e até dançando! Por mais que se possa questionar tal atitude, há de se entender que ela tem força de apelo para o contexto brasileiro e para a nova geração. Além disso, condiz também com a maneira judaica de expressar fé. Por isso, muitos cânticos hebraicos começaram a invadir igrejas mais tradicionais a partir da década de 80, como “exaltar-te-ei, ó, Deus meu e rei”.

- Uma Adoração Contemplativa: Nos novos cânticos houve uma busca intensa pela presença divina. Esta adoração contemplativa é sempre acompanhada de imagens que nos convidam a estar “diante de Deus”, ”perante o trono”, “na presença do Senhor”. Houve um processo de “pictorialização” da relação com Deus. Em vez de enfatizar os feitos de Deus ou elementos teológicos importantes, ressaltou-se muito a transcendência divina, que deveria ser buscada, e sentida.

- A Retomada do Antigo Testamento: Os novos hinetos apresentaram uma forte tendência ao Antigo Testamento, enfatizando uma idealização de Israel. Querendo expressar uma fé mais concreta, os novos grupos encontraram nos Salmos e no Antigo Testamento muito de sua inspiração, muitas vezes sem qualquer transposição cristã, fundamentada na interpretação teológica do Novo Testamento. Além disso, especialmente sob a influência da escatologia pré-milenista, enfatizou-se muito o povo de Israel como fonte de inspiração. Motivos judaicos invadiram o mundo evangélico. Candelabros, estrelas de Davi, óleo de Jerusalém, etc. passaram a fazer parte do cotidiano evangélico.

No entanto, o novo cenário litúrgico também mostrou diversas fragilidades e problemas. Desde os dias do louvor ao som do iê-iê-iê dos anos 60 até o chamado louvor profético ou ungido (unção de inspiração animal), muitos problemas precisam ser mencionados.

1. Heresias: Como são compostos por gente sem boa formação teológica, muitos cânticos afirmam verdadeiras tolices: Ouvimos coisas como “eu navegarei no oceano do Espírito”, “(no céu) não entram irmãs que usam saia acima do joelho!”, “a casa de Deus, onde flui o amor”, e etc. Infelizmente muitas igrejas cantam diversos cânticos apenas porque gostam da melodia, sem observar se a letra tem ou não o mínimo fundamento bíblico e teológico.

2. Pobreza de Letra: Ainda que não seja o caso de todos, há cânticos que não chegam a dizer nenhuma heresia, porque não tem nada a dizer! Vários são os cânticos que trazem frases simplistas, quase sem nenhum conteúdo. Esses cânticos geralmente possuem bastante ritmo e algumas poucas frases são repetidas continuamente. Não é possível que se possa louvar a Deus com entendimento, usando letras tão pobres e vazias de conteúdo. Além disso, devemos reconhecer que se queremos oferecer um louvor a Deus, precisamos fazê-lo com mais qualidade.

3. Abuso do Ritmo: Todos têm consciência de que é possível e perigoso fazer manipulação emocional. Isso é diferente de louvar a Deus com as emoções. Quando momentos de louvor chegam a quase uma hora, quase sempre repletos de cânticos eufóricos, o público fica emocionalmente desequilibrado. O fato é que depois de tanto tempo, muita gente já nem é capaz de fazer uma crítica do que está acontecendo. A grande maioria dos cânticos de reuniões como essas são bem ritmados e repetitivos. A verdade é que em alguns casos a repetição de hinetos torna-se quase hipnótica. O público fica muito eufórico, chega a suar, alguns até manifestam certa sensualidade e acabamos tendo uma massa de pessoas altamente manipulável. Parece-nos claro que tal procedimento não trará edificação. Muitos são os casos de pessoas que são muito “animados” na hora do “louvorzão”, mas que nada manifestam em sua própria vida. Alguma coisa está errada neste tipo de louvor.

4. O uso incorreto do Antigo Testamento: Há uma crença generalizada de que podemos cantar todo e qualquer texto bíblico, pois estamos cantando a Palavra de Deus. É exatamente nesse ponto onde vemos a necessidade do estudo da hermenêutica (interpretação bíblica). Não podemos cantar qualquer versículo por diversas razões: às vezes o versículo traz uma ideia incompleta (veja At 15.1); às vezes o texto traz as palavras de Satanás (Jó 1.9-10), dos fariseus (Jo 8.48); apresenta uma teologia ultrapassada pelos ensinos cristãos (Nm 15.32,36); traz declarações que precisam ser corretamente interpretadas (Sl 137.9). Os cânticos que não tenham base bíblica e teológica não podem ser aceitos. Não devemos cantar: “persegui os inimigos e os alcancei, persegui-os e os atravessei” (Sl 18.37.38), quando o Senhor Jesus ordena que devemos perdoar e amar os nossos inimigos (Mt 5.44,45). Não podemos exaltar a guerra, a vingança, o templo, a cidade santa, pois tudo isso é teologia ultrapassada, conforme os ensinos do Novo Testamento. Temos ouvido um grande número de cânticos que usam direta ou indiretamente textos (ou a teologia) do Antigo Testamento indevidamente. Isso precisa mudar.

Diante do cenário descrito, é importante ter bom senso e equilíbrio. É claro que precisamos de uma renovação permanente de nossa hinódia. No entanto, não se pode mudar por mudar, prejudicando a igreja e seu futuro. No meio dessa situação conturbada, parodiando a banda Skank, não podemos “perder a cabeça, nem perder a amizade”. Por isso, louvemos ao Senhor com bastante sobriedade, sem perder, porém, a sensibilidade.