1509725595914942
Mostrando postagens com marcador Pedro Pamplona. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Pedro Pamplona. Mostrar todas as postagens

26 de jan. de 2017

Teologia do Coaching: A Substituta da Teologia da Prosperidade

Por Pedro Pamplona

A teologia da prosperidade já apanhou demais. Seus grandes ícones já foram expostos e desmascarados. Infelizmente ela ainda faz vítimas pela falta de conhecimento do povo, principalmente nas periferias, público alvo desse tipo de “teólogos”. Felizmente ela está cada vez mais marginalizada e ficando limitada a determinadas igrejas. Um bom números de crentes tem um grande repúdio por esse tipo de abordagem “evangélica”. Pois bem, eis que temos uma substituta para a tal da teologia da prosperidade (TP). Eu a chamo de teologia do coaching (TC). Usareis as siglas a partir de agora.

A Cultura do Coaching

Sou formado em administração. Cursei quatro anos de faculdade e fiz outros cursos na área. Na época o coaching não era tão conhecido como hoje. Sempre valorizei cursos com conteúdos práticos como finanças, marketing e recursos humanos. Nunca fomos ensinados que precisaríamos de pessoas nos acompanhando para ensinar, direcionar, motivar e cobrar. Nós mesmos faríamos isso. Então a cultura do coaching chegou. Vá a uma seção de administração e negócios de uma livraria hoje e você perceberá o que estou dizendo. Nunca me dei bem com ela para ser sincero. E quero explicar a razão usando duas citações do Instituto Brasileiro de Coaching. Primeiro, o que é o coaching?

Um mix de recursos que utiliza técnicas, ferramentas e conhecimentos de diversas ciências como a administração, gestão de pessoas, psicologia, neurociência, linguagem ericksoniana, recursos humanos, planejamento estratégico, entre outras visando à conquista de grandes e efetivos resultados em qualquer contexto, seja pessoal, profissional, social, familiar, espiritual ou financeiro”¹

Agora pergunto: como o coaching acontece?

Conduzido de maneira confidencial, o processo de Coaching é realizado através das chamadas sessões, onde um profissional chamado Coach tem a função de estimular, apoiar e despertar em seu cliente, também conhecido como coachee, o seu potencial infinito para que este conquiste tudo o que deseja”²

Antes de continuar deixe-me dizer algo para que fique claro. Acredito na liberdade de trabalho honesto. Se você gosta ou trabalha honestamente com isso, ok, é a sua escolha. Por mais que eu tenha críticas a essa prática, aqui entrarei na relação do coaching com a igreja. Usarei essas duas respostas dadas para analisar biblicamente o que chamo de TC. Minha argumentação será essa: Igreja e evangelho não combinam com o coaching e não devem se misturar jamais. Quando isso acontece temos uma nova TP com uma roupagem mais humanista e existencialista.

Junto com o coaching cresceu o chamado empreendedorismo de palco (EP). São aqueles profissionais que trabalham com palestras motivacionais e grandes palestras de coaching. Esse mercado tem crescido assustadoramente e também tenho sérias dificuldades com ele. Aqui se aplica a mesma observação que fiz aos profissionais de coaching. Mesmo assim indico um ótimo texto escrito por Ícaro de Carvalho chamado Por que o empreendedorismo de palco irá destruir você. O autor começa com uma afirmação que capta bem o ponto onde quero chegar:

O empreendedorismo é a nova religião do homem moderno. Materialista e secular, ele substituiu os Santos do seu altar por fotografias de homens bem sucedidos; os seus Evangelhos são livros como “O sonho grande” e “A força do Hábito”. Ele acredita, de alguma maneira, que tudo aquilo irá aproximá-lo do seu objetivo principal: sucesso, fama e dinheiro…de preferência agora!”³

Essa cultura construída em torno do coaching e do EP é em sua maioria materialista. O objetivo de muitos é o sucesso financeiro, e isso significa enriquecer. Com um fator especial: o mais rápido possível. É comum ler e ouvir grandes promessas e ensinamentos sobre como trabalhar menos e ganhar mais. O foco está no esforço intelectual e físico daquele que está buscando seu lugar ao sol. É dessa cultura de palco, sonhos, riquezas e promessas que estou falando. Já viu onde isso vai chegar na igreja? Vamos falar disso agora!

O Coaching na Igreja

Eu já vi palestras de coaching acontecendo onde deveria haver uma pregação da Palavra. Isso mesmo, em pleno culto público. Infelizmente essa cultura chegou em muitas igrejas. E se eu já não me dou bem com ela no mercado de trabalho, na igreja não tenho medo de dizer que ela é minha inimiga. Assim como repudio a TP também o faço com essa nova onda da TC. Em alguns sentidos essa segunda chega a ser pior do que a primeira. Vamos analisar três pontos que constroem a TC.

Humanismo: O coaching utiliza de técnicas humanas num indivíduo que é o centro de tudo para que este alcance seus objetivos humanos. Muitos pastores e líderes tem enveredado por esse caminho. Tratam suas pregações como palestras motivacionais da fé que confundem fé com força e vontade, evangelho com motivacionismo e Cristo com um palestrante. O foco está naquilo que o homem pode fazer através da sua fé pessoal. Fé essa que passa por Cristo, mas que tem seu objeto na própria pessoa e nos seus esforços dirigidos. Muitas “pregações” tem o mesmo objetivo do coaching, ou seja, estão “visando à conquista de grandes e efetivos resultados em qualquer contexto, seja pessoal, profissional, social, familiar, espiritual ou financeiro”. O apelo pode ser até espiritual, mas ainda assim Você já deve ter escutado muito coisas do tipo “como ser o melhor marido”, “como atrair e fidelizar pessoas para o reino”, “alcançando sucesso através da fé.”. Tudo isso travestido de espiritualidade…

Materialismo: há um desejo enorme em conquistar coisas. Sejam elas produtos do mercado como carros, casas, roupas, viagens ou algo mais “espiritual” como paz, pessoas, bom casamento, filhos educados, castidade, etc. As pessoas querem conquistar, possuir e avançar, sendo tudo isso fruto não da humilhante auto confrontação e negação de si mesmo, mas da auto-afirmação. O papel do pastor se tornou muito parecido com o do coach: “estimular, apoiar e despertar em seu cliente (ovelha)… o seu potencial infinito para que este conquiste tudo o que deseja”. É exatamente isso que essa mistura humanista-materialista busca: o potencial infinito de cada ser humano para conquistar aquilo que ele deseja. Há uma conexão com o existencialismo, onde o indivíduo e sua busca pessoal por significado em si mesmo passa a ser o centro do pensamento filosófico.

Ceticismo: Humanismo e materialismo são marcas de seres céticos. A crença no Deus da Bíblia é cada vez mais fraca onde esse tipo de cultura se manifesta. Como eu já disse, a TC busca descobrir o potencial de cada pessoas para que ela alcance seus próprios objetivos. Dependência de Deus é algo apenas fantasiado. Orações são feitas apenas para que Deus abençoe nossos planos e para que Ele nos dê apoio em nossa própria empreitada. O sobrenatural é esquecido e Deus vai ficando cada vez mais distante. Na TC o soberano é o indivíduo com suas decisões de fé e sucesso. Em muitas igrejas tudo que você vai encontrar nos púlpitos são mensagens sobre o que os homens podem fazer para serem alguma coisa melhor do que já são. Até a mistura com conteúdos de coaching, marketing pessoal e psicologia você encontrará. Aliás, tem sido comum pastores e líderes entrarem nesses cursos e palestras para serem mais persuasivos, contagiantes e teatrais (pra não usar manipuladores). O Espírito Santo não tem muito espaço na TC, mesmo que usem seu nome.

São por esses motivos principais que digo que a TC está substituindo a TP. Esse discurso tem atraído jovens, empresários, profissionais liberais, e todo o tipo de gente, principalmente na classe média. E aqui está a transição entre as duas abordagens. A TP faz uma barganha com Deus crendo que Ele efetuará milagres para benefício material e espiritual do homem. A TC eliminou a barganha ao deixar Deus de longe, mas passou a ter no próprio homem a força “milagrosa” para seu benefício material e espiritual. Na TP ainda há uma certa dependência de Deus e seu agir sobrenatural, enquanto na TC o homem declarou sua independência. O relacionamento de barganha foi substituído para o relacionamento de platéia. O Deus da TC está assistindo e torcendo pelos grandes empreendedores no palco da fé. Talvez você ache ruim o uso do palavra coaching, mas pelo que você entenda a expressão completa “teologia do coaching” que estou usando para definir esse tipo de abordagem.

Essa é uma teologia mais sutil, que parece mais humilde, mas na verdade transborda soberba ainda mais do que a tenebrosa TP. Seu ambiente menos escandaloso e mais conformado a cultura secular permite que esse tipo de abordagem lote igrejas e obtenha grande aceitação. Geralmente se fala o que as pessoas querem ouvir e pecados são tratados como pedra e obstáculos no caminho que devem ser superados. A pregação fica até mais dinâmica, com uso de mídias, frases de efeito e motivação mútua. Tudo isso associado com o desejo material dos nossos dias só contribuem para que a TC ganhe terreno. Logo logo nós teremos grandes problemas com ela e talvez ela chegue ao mesmo patamar da TP. Que Deus nos livre e proteja disso!

O que Jeremias e Tiago Diriam?

Não quero tornar esse texto num texto longo demais. Portanto, encerrarei apenas com três passagens bíblicas (quem sabe um artigo completo poderá sair em breve sobre o tema). Compare com as ideias da TC e veja como a Bíblia é contrária a isso. Jeremias profetizou para um povo orgulho e que confiava em suas próprias forças e em sua “tradição espiritual”. Contra isso Deus falou por meio do profeta:

Assim diz o Senhor: “Não se glorie o sábio em sua sabedoria nem o forte em sua força nem o rico em sua riqueza, mas quem se gloriar, glorie-se nisto: em compreender-me e conhecer-me, pois eu sou o Senhor, e ajo com lealdade, com justiça e com retidão sobre a terra, pois é dessas coisas que me agrado”, declara o Senhor” (Jeremias 9:23,24)

Num momento mais a frente ele resume bem sua mensagem ao povo:

Assim diz o Senhor: Maldito é o homem que confia nos homens, que faz da humanidade mortal a sua força, mas cujo coração se afasta do Senhor… Mas bendito é o homem cuja confiança está no Senhor, cuja confiança nele está” (Jeremias 17:5-7)

Encerro com a passagem de Tiago, um verdadeiro balde de água fria na teologia do coaching:

Ouçam agora, vocês que dizem: “Hoje ou amanhã iremos para esta ou aquela cidade, passaremos um ano ali, faremos negócios e ganharemos dinheiro”. Vocês nem sabem o que lhes acontecerá amanhã! Que é a sua vida? Vocês são como a neblina que aparece por um pouco de tempo e depois se dissipa. Ao invés disso, deveriam dizer: “Se o Senhor quiser, viveremos e faremos isto ou aquilo”. Agora, porém, vocês se vangloriam das suas pretensões. Toda vanglória como essa é maligna.” (Tiago 4:13-16)

TP e TC, ambas são maléficas e distantes do cristianismo bíblico que leva o homem a negar a si mesmo, humilhar-se diante de Deus e depender dele em tudo. Ter sucesso profissional e conquistar riquezas não é pecado em si, mas isso não pode ser um dos pontos centrais de nossa espiritualidade cristã. Cuidado para não substituir a teologia da prosperidade pela teologia do coaching, em ambas o deus que adoram é o mesmo: o homem.

***

¹ Retirado de http://www.ibccoaching.com.br/portal/coaching/o-que-e-coaching/ Acesso em 28/12/2016

²Ibid


³ Ícaro de Carvalho. Por que o empreendedorismo de palco irá destruir você. Acesso em 28/12/2016

3 de ago. de 2016

Stranger Things e a Amizade Cristã

Por Pedro Pamplona

Se existe um valor nítido e marcante na série Stranger Things, esse é a amizade. E uma bela amizade, daquelas bonitas de acompanhar. Daquelas que faz você lembrar dos seus amigos e das coisas que já passaram juntos. Daquelas que nos faz lembrar que a amizade é um dos grandes presentes que Deus nos deu, principalmente (não somente) as amizades cristãs. Fora ser amigo de Deus, poderíamos tranquilamente cantar que "não existe nada melhor do que ter amigos de Deus".

Falando nesse tipo de amizade, creio que alguns conceitos errados podem surgir de vez em quando. O primeiro deles é achar que o fato de termos a Jesus substitui nossas amizades terrenas. O segundo é achar que o cristianismo é contra a ideia de termos melhores amigos (isso não seria exclusivismo?). Nenhuma das duas é verdadeira. Eu poderia citar alguns textos bíblicos, mas para isso aqui não virar um textão ainda maior fiquemos apenas com Jesus. Ele tem um relacionamento perfeito entre o Pai e o Espírito na Trindade e mesmo assim teve amigos na terra. Em segundo lugar, Jesus teve amigos mais próximos, como os 12 apóstolos, e dentro desses teve ainda aqueles melhores amigos, João, Pedro e Tiago. Problema resolvido.

Agora vamos pensar em três características fundamentais de uma amizade cristã. Meu objetivo é diferenciar essa amizade das outras e mostrar porque nossos melhores amigos (não os únicos) devem ser companheiros da fé. Stranger Things nos ajudará com as ilustrações.

1. A amizade cristã é construída em torno de Cristo: Isso significa que nossas amizades tem um propósito especial. Assim como o grupo de amigos em Stranger Things se reúne para salvar o quinto amigo desaparecido, nós temos um propósito em comum. Exaltar a Cristo. Esse é um elemento que não está presente em outros tipos de amizade. John Piper falou sobre isso de uma maneira excepcional: "Cristo sempre pretendeu que o seu relacionamento com Ele fosse o pulsar da sua amizade com outros".[1]

2. A amizade cristã tem um código: Nossa amizade é dirigida por um código de honra. Todas as amizades são, ou de forma implícita ou explícita. Alguns amigos deixam claro as regras de convivência, o que acho muito bacana. Nosso grupo de amigos de Stranger Things também faz isso. Durante uma briga esse código é citado. Aquele que começou a briga deveria estender a mão e se desculpar primeiro. E o mais interessante, aquele que desobedecesse o código seria afastado do grupo. Nós temos um código de honra chamado Bíblia. E é esse código que permite a amizade ser construída para exaltar a Cristo. Portanto, se o código leva a amizade até o seu propósito supremo, temos que concluir que ele é mais importante do que os participantes da amizade. A amizade cristã não pode existir fora do código. E esse é o principal erro que cometemos.

3. A amizade cristã custa caro: Não estamos fazendo amigos apenas em busca de prazer e satisfação própria. Aqueles amigos de Stranger Things colocaram a vida em risco pela amizade. Cristo fez ainda mais quando entregou a si mesmo para a morte pela vida dos seus amigos. Jen Thorn escreveu um pequeno texto sobre os custos da verdadeira amizade[2]. Ele enumerou 6: custará sua conveniência pessoal, seu tempo, sua intimidade, seu conforto, suas orações e seu amor. Tudo isso deverá ser derramado em sacrifício na vida dos seus verdadeiros amigos. Parece lindo na teoria, mas poucos estarão dispostos a gastar tudo isso com você. Identifique-os e retribua.

A imagem que ilustra o post, com os três amigos num único abraço, não foi usada por acaso. A amizade trina e eterna entre o Pai, Filho e Espírito Santo é o grande padrão para nossas amizades. Estude sobre isso!

"Para que todos sejam um, Pai, como tu estás em mim e eu em ti. Que eles também estejam em nós..." (Jo 17:21)

Quero encerrar dizendo que Cristo morreu para reunir um povo, sua igreja. E é nesse povo que encontraremos esse tipo de amizade. O melhor lugar para encontrar e cultivar suas melhores amizades é na sua igreja local. Não existe elo de amizade mais forte do que entre dois ou mais eleitos do Senhor, pois são unidos pelo agir soberano, salvífico e cristológico de Deus através do seu Espírito.

Aos meus grandes amigos.

Soli Deo Gloria!

***

29 de jul. de 2016

Stranger Things e o Ministério de Jovens

Por Pedro Pamplona

Usei meu último dia de folga para assistir com minha esposa a série mais comentada nesses últimos dias, Stranger Things. Gostamos muito de séries e do Netflix. Foram 8 episódios muito interessantes que prederam nossa atenção e imaginação. Como a expectativa criada em torno da produção foi grande, ela não foi superada, mas é uma excelente série. Como é de se esperar (pelo nome) coisas estranhas acontecem nessa ficção científica. Na verdade, coisas bem estranhas e inesperadas por todos. A história [LEVE SPOILER] gira em torno da possibilidade da existência e de interação com um mundo ou dimensão paralela. Assistam!

Um mundo paralelo com coisas estranhas e inesperadas... O que isso me lembraria? Se você pensou em ministério de jovens, acertou! Foi isso que veio a minha cabeça no dia seguinte. Acompanhe meu raciocínio inicial. Ao meu ver o direcionamento de muitos ministérios de jovens é criar um mundo paralelo ao mundo do restante da igreja. É como se os jovens necessitassem viver na mesma vida, mas numa dimensão diferente, só para eles. E nessa visão o que difere as dimensões são exatamente as coisas estranhas que permeiam nossa juventude. Espero me tornar mais claro com os pontos a seguir.

Um deus estranho

O primeiro aspecto de um mundo paralelo no ministério de jovens é um deus estranho. Se Ele é o criador e a fonte de toda realidade, um mundo diferente começa com um Deus diferente. No deserto Deus deu ao seu povo hebreu um ambiente (o tabernáculo), uma forma de louvor (o sistema sacrificial) e uma forma de ensino e comportamento (a lei). O Deus único instituiu uma maneira de ser adorado. Seu povo o adorava como Ele queria. Isso quer dizer que a adoração a outro deus seria diferente (ex: bezerro de ouro) ou que outros povos não saberiam adorar a Deus corretamente, isso porque nem o conheciam.

Realmente me parece que o deus de boa parte dos jovens é estranho às Escrituras e ao restante da igreja. Costumam pensar num deus menos irado e mais complacente com o pecado. Num deus mais camarada com irreverente. Ou talvez um deus que não se importe tanto com as normas que Ele mesmo criou. O jovem costuma ver a Deus como o tiozão descolado, não como pai. Os filósofos atenienses convocaram Paulo a falar por acharem que ele ensinava coisas estranhas (At 17.20), mas o apóstolo começa dizendo que a razão pela qual acham seu ensino estranho está no fato de que adoram a um deus desconhecido (At 17.23), não o Deus único e verdadeiro de Paulo.

Não é novidade vermos jovens achando ensinos bíblico estranhos. Temo que isso se deve ao desconhecimento de Deus por conta do deus estranho que constroem em suas mentes. E isso afeta todo o resto.

Um ambiente estranho

Se temos um Deus estranho, provavelmente teremos um ambiente estranho de vida e adoração. Isso é perceptível em muitos ministérios de jovens. Existe uma grande tentativa de criar um ambiente "diferentão", uma outra dimensão da igreja. Por exemplo, sabemos que o Deus da Bíblia é um Deus de decência e ordem (1 Co 14.40), não sabemos? Por que então tanta desordem e indecência no meio dos jovens? A resposta: a visão de Deus estranha às Escrituras. Pense num culto normal de domingo de uma igreja e pense naquele culto de jovens badalado da sua cidade. Por que eles são tão diferentes. Por que as coisas valorizadas no culto dominical normal não são valorizadas no sábado a noite.

Um ambiente de jovens paralelo não se justifica. Nenhum ministério tem a prerrogativa bíblica de criar um ambiente estranho. O que estou querendo dizer com isso? Não me oponho a contextualização de linguagem e roupagem, mas tudo deve ser feito dentro do limite bíblico. Esse mundo totalmente diferente e paralelo acaba viciando os jovens e o mantendo preso a um formato. Muitos não crescem, não gostam de ir a igreja aos domingos e querem continuar mimados pelo deus estranhos dos jovens. E o grande problema é esse: a criação de uma realidade jovem paralela ao restante da igreja é a busca por tornar o ministério mais parecido com o presente século.

Um louvor estranho

No culto de domingo as luzes estão acessas, no de sábado apagadas. No de domingo a música está num volume agradável onde podemos ouvir os demais irmãos cantando, no sábado o volume é máximo. No domingo a liturgia segue normal, no sábado ela é substituída pelo entretenimento. No domingo temos um pregador bem vestido, normalmente, no sábado temos alguém fantasiado ou com roupas que não usaríamos no domingo. No domingo fazemos uma adoração voltada para os crentes, no sábado um show voltado para os incrédulos. Por que duas realidades diferentes? Só podemos encontrar resposta numa visão de Deus diferente.

Deus deixou claro um padrão de louvor ao seu nome. Seria enorme a defesa bíblica de cada passagem, mas podemos resumir e ficar com o princípio de que Ele está procurando adoradores em "Espírito e em Verdade" (Jo 4.24), ou seja, cristãos verdadeiros adorando através da verdade aplicada pelo Espírito. No mundo paralelo dos ministérios de jovens a verdade nas letras musicais pouco parecem importar diante da forma de apresentação. Aliás, as letras estranhas que cantam por ai é a maior expressão do deus estranho que pregam por ai.

Uma pregação estranha

Falando em pregação... quanta coisa estranha é feita com ela no meio dos jovens. Não vou nem falar de reduzir o tempo, eu bem queria que fosse apenas isso. Deus nos deixou um modelo de pregação (ver Atos), nos deixou um conteúdo de evangelização e exortação (Ler Jesus e Paulo) e nos disse como Ele chama pessoas a fé (Rm 10.13-17). Por que o restante da igreja tenta seguir essas verdades e o ministério de jovens parece ter descoberto uma forma mais legal de fazer?

A pregação estranha é a propagação e perpetuação do mundo estranho paralelo. A realidade bíblica da pregação expositiva (por passagem ou temas) é substituída por coisas estranhas do tipo motivacional, humorística, entretenimento, graça barata, loucuras, e secularismo. Como disse Hernandes Dias Lopes, quando a teologia é ruim (estranha), quanto mais se prega pior fica. O monstro da realidade paralela se alimenta de pregações estranhas às Escrituras.

Um comportamento estranho

Tudo isso que acabei de citar gera um relacionamento estranho. Nesse mundo paralelo a lei de Deus se faz também estranha. Jovens homens estão cada vez mais ameninados e jovens mulheres cada vez mais sensualizadas. É comum ver um palavreado estranho (entenda palavrões), vestes estranhas e brincadeiras estranhas. E o que é pior, esses jovens pensam que podem transitar o tempo todo entre as duas realidades sem nenhum desgaste ou prejuízo. Nesse caso esses ministérios de jovens são piores do que o misterioso centro de pesquisas de Hawkins.

Aqui fica a lição que até a série pode nos ensinar. O contado entre essas duas realidade e o trânsito entre elas é perigo e pode se tornar devastador. Ao passar dos episódios encontramos um professor de ciências afirmando que é necessário uma grande quantidade de energia para abrir portais entre as duas dimensões. E é triste ver tantos líderes e jovens gastando inutilmente uma grande quantidade de energia justamente para viverem num mundo paralelo cheio de coisas estranhas por conta de uma visão estranha de Deus (Os 4.6)

Como fechamos esse portal?

A resposta é: não dividamos a realidade da igreja em duas. Só existe uma realidade e uma das piores coisas que podem acontecer numa igreja é ver esse mundo paralelo jovem se tornar tão forte ao ponto de engolir toda a verdadeira dimensão eclesiástica. Jovens não precisam de um mundo paralelo, ninguém precisa. Aqui estão alguns pontos para lutarmos contra essa dupla dimensão:

- Elime o foco no entretenimento
- Centralize o culto em Deus, não nos visitantes
- Envolva os jovens com os mais velhos da igreja (incentive esses momentos)
- Utilize o mesmo padrão de liturgia (bíblico) em todos os cultos
- Pregue com a mesma seriedade em todos os cultos
- Não vista o ambiente jovem com a roupagem do mundo
- Cante músicas com letras bíblicas em todos os cultos
- Não se importe tanto com a quantidade de pessoas

Voltemos ao ambiente bíblico de culto, ao louvor bíblico, a pregação bíblia e ao comportamento bíblico. Voltemos a realidade que tem sua expressão máxima na verdade encarnada (Cristo) e escrita (Bíblia). Deixemos as “stranger things” apenas no Netflix.

16 de mar. de 2016

O Que a Minha Salvação Tem a Ver Com o Lulopetismo?

Por Pedro Pamplona*

O vocábulo “Lulopetismo” está em grande uso no Brasil. Há tempos ele foi criado, mas diante dos fatos recentes a palavra ganhou notoriedade. Já está, inclusive, na Wikipédia. A junção dos nomes de Lula e do Partido dos Trabalhadores traz a ideia de uma devoção ao partido por meio do seu principal representante. E é isso mesmo que acontece em nosso país. Hoje vemos um grande dualismo. Os petistas estão cada vez mais envolvidos pelo lulopetismo, enquanto o resto dos brasileiros estão cada vez mais enojados disso. Mas o que falar de nós que fomos salvos, ou melhor, regenerados para uma nova vida, coração e cosmovisão? Sim, cristãos regenerados estão se deixando envolver por esse culto político-religioso. A pergunta enfim é essa: o que minha salvação tem a ver com o lulopetismo?

O lulopetismo não é só uma opção política

Infelizmente essa visão ultrapassa as urnas. A devoção ao partido através de Lula transcende o ambiente eleitoral. Ele está impresso nos corações dos adeptos. O PT é tratado como uma religião e Lula como o salvador. Algumas semelhanças são nítidas e não podem ser negadas. Primeiro, as palavras de Lula são tratadas como verdades quase que absolutas. Para os lulopetistas não importa o que diz a justiça, a polícia, o povo, a mídia ou a oposição, Lula é infalível. Segundo, as promessas de Lula são objeto de uma fé extremamente forte por parte dos adeptos. Os lulopetistas creem de toda alma, mente e coração que o mundo será melhor através dele e de suas promessas. E terceiro, os lulopetistas são apologetas incríveis. Estão prontos a defender todos os argumentos contrários e incrédulos. Eles realmente construíram uma religião social. E o pior, uma religião cega, carente de verdades e bases racionais e históricas. Uma religião construída pelo culto marxista à personalidade. O que isso tem a ver com a fé para qual fomos regenerados? Nada!

O lulopetismo parte de uma antropologia mentirosa

Como eu citei, o lulopetismo é um culto marxista. E assim tem sua base filosófica no marxismo cultural. O que diz essa base sobre o homem e a religião? Vou deixar meu amigo Thiago Oliveira responder:

o marxismo tem características de religião. Uma religião secularizada – é bem verdade – pois tem sua base no materialismo. Marx era estudioso e admirador do materialismo de Epicuro. Este filósofo grego acreditava que o mundo era composto de átomos que do vazio (espaço) se movem verticalmente para baixo. É o desvio do movimento dos átomos que dá origem as coisas. O homem, fruto desse desvio, é um combinado de átomos pesados e leves, que formam respectivamente o corpo e a alma. Os epicuristas entendiam que a alma é mortal e não eterna, uma vez que todo composto atômico é dissolúvel. Epicuro rejeitava a ideia da eternidade dos corpos celestes, e pretendia livrar os homens das amarras da superstição religiosa. Embora não seja um determinismo, pois o desvio dos átomos aponta para uma gama de possibilidades não determinadas, o atomismo epicureu mantém as suas bases mecanicistas, sendo o homem e toda realidade material fruto da casualidade do movimento atômico. O jovem Marx manteve essa base ontológica para fundamentar o seu materialismo histórico. André Bieler esclarece assim o conceito materialista marxiano: “[...] conforme as suas concepções, é o material que precede e determina o espiritual, e não o contrário, como o ensina a ética cristã. [1]

Em outras palavras, o homem é fruto do acaso e busca sua realização e religião a partir do materialismo. O que isso tema ver com a fé para qual fomos regenerados? Nada!

O lulopetismo chega a uma soteriologia mentirosa

O Marxismo assume que o homem cria a religião para consolar a si mesmo diante das situações sociais opressoras. De novo, o materialismo é a gênese da religião. Isso é exatamente o que Marx fez e Gramsci melhorou. Eles criaram uma soterilogia (salvação) baseada no materialismo e na fuga dessa opressão social. Para eles a salvação está no fim da luta de classes e da relação opressor x oprimidos. E claro, eles definiram quem está de cada lado. E claro, eles querem acabar com a classe opressora. Mais uma vez Thiago Oliveira comenta muito bem:

Marx, junto com Engels, criou uma soteriologia ao anunciar o fim da opressão quando o proletariado se rebelar contra a burguesia e tomar o poder político e econômico, controlando os modos de produção e a máquina estatal. É um enredo religioso-escatológico […] Ora, isso frustra os marxistas que pregam o Reino dos Céus na terra, algo que não funcionará enquanto o pecado dominar o coração humano. [2]

Se pararmos para pensar, todo cristão lulopetisma está numa situação de soteriologias incompatíveis. Ele crê no reino de Deus descrito nas Escrituras e partindo do princípio do “já e ainda não” ou crê no ideal terreno do marxismo? Pergunto de novo: o que isso tem a ver com a fé para qual fomos regenerados? Nada!

Nem as manifestações de ontem [DOMINGO] me impressionaram mais do que a cegueira ideológica dos crentes da seita Lulopetista, esforçando-se com textões, comentários a torto e a direito e memes mentirosos para desqualificar a movimentação popular. Pior ainda, cristãos fazendo isso e igualando-se, na teimosia, aos “fascistas” que tanto temem (e com isso, dando infelizmente uma bela e inadvertida mãozinha a eles). Uma vergonha. [3]

Nossa regeneração é para uma renovação da mente

Romanos 12:2 nos lembra que a salvação, através da regeneração, é uma mudança de mente. Crer em Deus é crer de acordo com a cosmovisão revelada por Deus. E isso exclui o lulopetismo. As promessas de Deus a respeito da regeneração no antigo testamento falam que Deus imprimirá suas leis (intelectuais e práticas) na mente e nos corações do seu povo (DT 30:6, Jr 31:33, Ez 36:26-27). Fomos regenerados para uma antropologia e soteriologia cristãs. O lulopetismo não faz parte da agenda da nossa salvação. Ele não se encontra em lugar nenhum na pós-regeneração da ordo salutis. Um culto cego marxista ao PT por meio de Lula é uma religião idólatra. E para que não haja reclamações. Termino ampliando essa afirmação. O culto cego de qualquer ideologia secular a qualquer partido político por meio de qualquer personalidade divinizada é uma religião idólatra. Deixemos isso em nome de Jesus, o único pelo qual fomos regenerados para uma viva esperança eterna.

Se sabeis que ele é justo, sabeis que todo aquele que pratica a justiça é nascido dele.” 

1 João 2:29

P.S. Estou dizendo que todos o que se dizem crentes e que apresentam marcas do lulopetismo não são regenerados? Não. Estou dizendo que esse regenerados estão em pecado nessa área. E como todos os outros pecado há esperança no arrependimento por meio de Jesus.
 ________
[2]Ibid
[3]Perfil no Facebook do Guilherme de Carvalho

6 de out. de 2015

Trabalhar Para Deus Vai Além da Santidade

Por Pedro Pamplona

Nesse último domingo o quadro “Chefe Secreto” do Fantástico mostrou um bom testemunho cristão por parte de um funcionário. A ideia do quadro é inserir o diretor da empresa disfarçado entre seus funcionários. A proposta é realmente excelente, ajudando a diretoria a perceber como seus funcionários trabalham e podem ser melhor ouvidos. Assista ao vídeo nesse link. Em meio ao disfarce o patrão ouviu um conselho sincero de um colega de profissão:Quando vocês forem fazer alguma coisa procura fazer como vocês tivessem fazendo pra Deus. Você vai fazer sempre o seu melhor”. (tempo do vídeo 11:12)

4 de set. de 2015

O Cristão deve participar de greves?

Por Pedro Pamplona

Numa situação econômica e moral como a que o nosso país se encontra, as greves parecem brotar do chão por todos os lados. São inúmeras as reclamações e paralisações por motivos diversos. E claro, nós cristãos estamos inseridos nesse contexto. Seria relevante pararmos para pensar em como o cristão deve se relacionar com tais greves? Muitos diriam que não. Creio que muitos achem um assunto tão “normal” que não possui implicações religiosas.

5 de ago. de 2015

A Fraude da Preguiça

Por Pedro Pamplona

A preguiça é um mal presente em todas as esferas da vida, mas no trabalho esse pecado parece ser ampliado. O trabalhador brasileiro, apoiado em ideologias e "direitos" têm armado a rede da preguiça em cada local de trabalho. A seguir veremos cinco características do preguiçoso e a triste consequência desse mal social, tudo extraído dos conselhos sábios do livro de Provérbios*. Você se identifica?

8 de jun. de 2015

Eu não tenho 1 minuto. Eu tenho mais que 1 minuto!

Por Pedro Pamplona e Thiago Oliveira

O cantor Thalles Roberto é uma figura controversa entre os evangélicos. Ele tem uma legião de fãs entre os irracionais que dão a cara do evangelicalismo brasileiro. Irracionais no sentido de não refletirem sobre aquilo que consomem, seja na música, na literatura ou noutro tipo de produção cultural. Esse tipo de evangélico, que engloba a maior fatia, não discerne as coisas tendo a Bíblia por base. Mas, há um grupo menor  que apresenta um senso mais crítico. Estes questionam tudo com base no antigo lema reformado “Somente a Escritura”. Figuras como o Thalles não são celebradas nesse segundo grupo.

1 de jun. de 2015

Jonathan Edwards e a Arrogância Espiritual

Por Pedro Pamplona

Nessas últimas semanas fui surpreendido na internet com dois vídeos curiosos que transbordavam arrogância em nome de Deus pela tela do meu notebook. Em um deles o “apóstolo” Agenor Duque testava seu próprio caráter diante de Deus e amaldiçoava seus críticos (Veja). No outro o cantor Thalles Roberto fazia algo parecido. De boné, óculos escuro, cheio de anéis de ouro nos dedos, chamando seus críticos de fariseus na maior arrogância, batendo no peito e dizendo que é homem de Deus e fazendo uma pose estranha no final pra mostrar os anéis, Thalles falou sobre seus projetos e pediu para descurtirem a página dele, caso não gostassem do seu trabalho (Veja).

29 de abr. de 2015

Livros indicados para jovens cristãos


Nossa Equipe, agora reformulada, continua com a tradição de indicar livros. Desta vez, o alvo é a juventude cristã brasileira. Visando a edificação de nossos jovens, cada membro do Electus recomendou uma obra que auxiliará o jovem cristão em sua caminhada. A Bíblia ainda é a autoridade máxima, todavia, é sempre bom ler obras de autores bíblicos e piedosos. Pois bem, leia cada indicação, tome nota e vá as compras. 

11 de abr. de 2015

7 Contradições e Mentiras do Thalles e Sua Bíblia

Por Pedro Pamplona
Acho que todo mundo já sabe do novo lançamento gospel no Brasil. A polêmica em torno da tal Bíblia do cantor Thalles Roberto já é grande pelas redes sociais, infelizmente. Digo infelizmente porque esse produto não deveria ser nem tema de discussão entre nós. Seríamos bem mais sensatos se todos recusassem esse tipo de coisa instantaneamente. Pena que não é assim. Muitos, milhares, gostam desse tipo de produto e discurso. Já que o cenário não é, nem de perto, o ideal, a polêmica se faz necessária pelo menos pra dizer que também existem milhares que não apoiam esse tipo de “auto promoção canonizada”. Talvez você ainda não tenha visto o vídeo em que Thalles divulga sua Bíblia, mas eu o encorajo a vê-lo (aqui). Sei que você tem a mente voltada para a palavra e não se deixará levar pelas contradições da fala do cantor. E se isso acontecer, leia o resto do texto abaixo. Rapidamente farei uma análise daquilo que foi dito. São dois minutos de contradições, mentiras e uma pitada de prepotência. Com vocês, Thalles Roberto: 

20 de nov. de 2014

Teologia é bem mais importante do que dizem por aí


Por Pedro Pamplona

A igreja em Colossos estava cercada de teologia. Péssima teologia. Naquela época quatro tendências assolavam a igreja cristã: o gnosticismo, o legalismo, o misticismo e o ascetismo. Na cidade dos colossenses predominavam as religiões helênicas de mistério e o culto ao imperador romano, além de sinagogas judaicas. Nesse meio urbano altamente religioso surgiu uma heresia perturbadora para a igreja cristã. Essa era a preocupação de Epafras, companheiro de Paulo e natural de Colossos. Ao levar o problema para o apóstolo, Epafras o motiva a escrever a carta aos colossenses com uma boa teologia cristã contra os maus ensinamentos da cultura da cidade. Muito se especula, mas não se sabe ao certo qual seria a heresia que rondava os colossenses. Pelo seu caráter singular e misterioso muitos a tem chamado de a Heresia de Colossos. Sobre ela o Dr. Augustus Nicodemus comenta:

"Ela deve ter sido de origem judaica e começado nas sinagogas. No entanto, era sincrética, pois absorvia e incluía elementos de outras religiões. Também continha elementos cristãos, visto que falava a respeito de Cristo, da salvação e de Deus. Havia incorporado ainda elementos de crenças pagãs, especialmente das religiões de mistério – e, em particular, ideias que mais tarde dariam origem ao gnosticismo. Ao fazer isso, absorveu também o conceito grego do dualismo, que era muito comum naquela época

O cenário teológico não era nada bom. Paulo percebeu o grave problema e escreveu a carta para combater essa heresia com boa teologia. Aliás, teologia é bem mais importante do que dizem por ai. Vejamos a oração de Paulo no capítulo 1:

Por essa razão, desde o dia em que o ouvimos, não deixamos de orar por vocês e de pedir que sejam cheios do pleno conhecimento da vontade de Deus, com toda a sabedoria e entendimento espiritual. E isso para que vocês vivam de maneira digna do Senhor e em tudo possam agradá-lo, frutificando em toda boa obra, crescendo no conhecimento de Deus e sendo fortalecidos com todo o poder, de acordo com a força da sua glória, para que tenham toda a perseverança e paciência com alegria, dando graças ao Pai, que nos tornou dignos de participar da herança dos santos no reino da luz. Pois ele nos resgatou do domínio das trevas e nos transportou para o Reino do seu Filho amado, em quem temos a redenção, a saber, o perdão dos pecados. (Colossenses 1:9-14)

Cheios do pleno conhecimento da vontade de Deus, com toda a sabedoria e entendimento espiritual

Paulo está orando por teologia, uma boa teologia. Seu desejo é que os colossenses sejam cheios do conhecimento de Deus e da sua vontade, ou seja, teologia. Não temos, felizmente, como escapar dela. Paulo sabe que todo cristão é um teólogo nesse sentido. E ele sabe ainda mais: que se você não for um bom teólogo será um mau teólogo, e isso pode destruir uma igreja. Num ambiente rodeado de perigosa heresia a boa teologia era o principal pedido de paulo. É isso mesmo, Paulo está orando por teologia! Mais do que por unidade, mais do que por amor, mais do que por paz. Ele sabe que sem o conhecimento de Deus essas coisas são inúteis. Você já orou por boa teologia ou tem falado mal dela?

Para que vocês vivam de maneira digna do Senhor e em tudo possam agradá-lo, frutificando em toda boa obra

O primeiro objetivo da boa teologia é a glória de Deus. E como o glorificamos melhor? Vivendo de maneira digna e agradando-o. Não podemos agradar alguém sem conhecê-lo. Muitas boas intenções são desperdiçadas por más teologias. O desejo de Paulo é que a igreja de Colossos agrade a Deus da maneira correta. É importante lembrar que a consequência de uma boa teologia num coração regenerado é uma vida que frutifica em boas obras. Boa teologia se manifesta em uma vida piedosa. Como está a sua?

Crescendo no conhecimento de Deus e sendo fortalecidos com todo o poder, de acordo com a força da sua glória

Um cristão está em constante crescimento para estar mais parecido com Cristo. Para ter mais conhecimento de Cristo. A teologia é importante para o crescimento saudável da igreja, fortalecendo o homem não pela força humana, mas por aquele que está na glória de Deus. Paulo está clamando por esse crescimento para a igreja dos colossenses e sabe que uma boa teologia serve como alimento sólido para o crente. Você tem gasto mais tempo com boa teologia ou criticando as más?

Para que tenham toda a perseverança e paciência com alegria

Além de crescimento uma boa teologia gera um crescimento seguro e alegre. A teologia é importante para manter a raiz da igreja forte e inabalável. Aquela péssima teologia da heresia de Colossos acabaria com a igreja se não fosse combatida. Por outro lado, a teologia de Paulo fortificou a igreja e a protegeu da apostasia. Nós devemos muito aos bons teólogos cristãos. Você tem agradecido por eles ou apenas desprezado-os?

Dando graças ao Pai, que nos tornou dignos de participar da herança dos santos no reino da luz.

A boa teologia gera humildade e gratidão, pois aponta para o Deus triúno como o único salvador e sustentador soberano. Ela nos protege da arrogância destrutiva em que o corpo de Cristo pode entrar. Muitos falam contra a teologia afirmando que ela gera crentes arrogantes, mas a culpa não é dela e sim do coração endurecido do homem. Na verdade, aqueles que são contra a teologia caem na arrogância quando dizem não a necessidade do conhecimento de Deus. A verdadeira humildade está em conhecer mais a Deus e dar graças somente a Ele. O conhecimento de Deus humilha o nosso.

Pois ele nos resgatou do domínio das trevas e nos transportou para o Reino do seu Filho amado, em quem temos a redenção, a saber, o perdão dos pecados

Finalmente, toda boa teologia está alicerçada numa única coisa: na obra redentora de Jesus Cristo na sua vida, morte e ressurreição. O evangelho verdadeiro é o centro. A cruz é o ponto de partida de toda boa teologia. Nosso fundamento é Cristo! Jesus não é um grande teólogo, Ele é a própria teologia encarnada (Rm 14:7-11). Rejeitar o conhecimento de Deus é rejeitar aquele que foi a máxima expressão desse conhecimento.

Depois de orar por uma boa teologia Paulo apresenta aos colossenses a total supremacia de Cristo sobre todas as coisas. Esse é o nosso fundamento! Foi essa teologia que protegeu aquela igreja da perigosa heresia sincrética da época. É importante dizer que o gnosticismo, misticismo, legalismo e sincretismo ainda assolam e muito a igreja nos dias de hoje. No restante da carta Paulo está justamente desenvolvendo uma boa teologia contra esses falsos ensinamentos. A boa teologia sempre terá seu lugar de suma importância para a igreja.

A teologia destrói ou protege a igreja. De que lado você está? A teologia é bem mais importante do que dizem por aí. Pergunte aos colossenses…

Soli Deo Gloria!

________________
¹A Supremacia e a Suficiência de Cristo – Editora Vida Nova – Pag 15.