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1 de jun de 2015

Jonathan Edwards e a Arrogância Espiritual

Por Pedro Pamplona

Nessas últimas semanas fui surpreendido na internet com dois vídeos curiosos que transbordavam arrogância em nome de Deus pela tela do meu notebook. Em um deles o “apóstolo” Agenor Duque testava seu próprio caráter diante de Deus e amaldiçoava seus críticos (Veja). No outro o cantor Thalles Roberto fazia algo parecido. De boné, óculos escuro, cheio de anéis de ouro nos dedos, chamando seus críticos de fariseus na maior arrogância, batendo no peito e dizendo que é homem de Deus e fazendo uma pose estranha no final pra mostrar os anéis, Thalles falou sobre seus projetos e pediu para descurtirem a página dele, caso não gostassem do seu trabalho (Veja).

Diante de tanta arrogância ficamos triste por ainda escutarmos coisas desse tipo no meio cristão. É triste ver como a doutrina neopentecostal engradece o orgulho no coração do homem. É triste ver que nesse meio a prepotência é uma das principais características do "homem de Deus".

Sobre esse assunto quero pedir ajuda do grande Jonathan Edwards. Sobre o orgulho ele disse certa vez:

“A primeira e a pior causa de erro que prevalece nos nossos dias é o orgulho espiritual. Essa é a principal porta que o diabo usa para entrar nos corações daqueles que têm zelo pelo avanço da causa de Cristo. É a principal via de entrada de fumaça venenosa que vem do abismo para escurecer a mente e desviar o juízo. É o meio que Satanás usa para controlar cristãos e obstruir uma obra de Deus. Até que essa doença seja curada, em vão se aplicarão remédios para resolver quaisquer outras enfermidades.”

Edwards foi pastor puritano no século 18 e considerado por muitos o maior teólogo da história dos Estados Unidos. Mesmo com tamanha reputação prezou por um espírito humilde. Em sua obra “Alguns Pensamentos a Respeito do Atual Avivamento Religioso na Nova Inglaterra” ele escreveu sobre esse problema naquela determinada situação história que seu país passava. É impressionante como as palavras ainda são atuais. Elas merecem ser lembradas nos dias de hoje no brasil. A seguir deixo vocês com Jonathan Edwards e seu contraste entre um coração orgulhoso e um coração humilde em Cristo.

- “A pessoa espiritualmente orgulhosa sente que já está cheia de luz, não necessitando assim de instrução. Assim, terá a tendência de prontamente rejeitar a oferta de ajuda nesse sentido. Por outro lado, a pessoa humilde é como uma pequena criança que facilmente recebe instrução. É cautelosa no seu conceito de si mesma, sensível à sua grande facilidade em se desviar. Se alguém lhe sugere que está, de fato, saindo do caminho reto, mostra pronta disposição em examinar a questão e ouvir as advertências.”

- “As pessoas orgulhosas tendem a falar dos pecados dos outros: o terrível engano dos hipócritas, a falta de vida daqueles irmãos que têm amargura, a resistência de alguns crentes à santidade. A pura humildade cristã, porém, se cala sobre os pecados dos outros ou, no máximo, fala a respeito deles com tristeza e compaixão. A pessoa espiritualmente orgulhosa critica os outros cristãos por sua falta de crescimento na graça, enquanto o crente humilde vê tanta maldade em seu próprio coração, e se preocupa tanto com isso, que não tem muita atenção para dar aos corações dos outros. Queixa-se mais de si próprio e da sua própria frieza espiritual; sua esperança genuína é que todos os outros tenham mais amor e gratidão a Deus do que ele.”

- “As pessoas espiritualmente orgulhosas falam freqüentemente de quase tudo que percebem nos outros em termos extremamente severos e ásperos. É comum dizerem que a opinião, conduta ou atitude de outra pessoa é do diabo ou do inferno. Muitas vezes, sua crítica é direcionada não só a pessoas ímpias, mas a verdadeiros filhos de Deus e a pessoas que são seus superiores. Os humildes, entretanto, mesmo quando recebem extraordinárias descobertas da glória de Deus, sentem-se esmagados pela sua própria indignidade e impureza. Suas exortações a outros cristãos são transmitidas de forma amorosa e humilde e, ao lidar com seus irmãos e companheiros, eles procuram tratá-los com a mesma humildade e mansidão com que Cristo, que está infinitamente superior a eles, os trata.”

- “O orgulho espiritual comumente leva as pessoas a se comportarem de modo diferente na sua aparência exterior, a assumirem um jeito diferente de falar, de se expressar ou de agir. Por outro lado, o cristão humilde – mesmo sendo firme no seu dever, permanecendo sozinho no caminho do céu ainda que o mundo inteiro o abandone – não sente prazer em ser diferente só para ser diferente. Não procura se colocar numa posição onde possa ser visto e observado como uma pessoa distinta ou especial; muito pelo contrário, dispõe-se a ser todas as coisas a todas as pessoas, a ceder aos outros, a se adaptar aos outros e a agradá-los em tudo menos no pecado.”

- “Pessoas orgulhosas dão muita atenção a oposição e a injúrias; tendem a falar dessas coisas freqüentemente com um ar de amargura ou desprezo. A humildade cristã, em contraste, leva a pessoa a ser mais semelhante ao seu bendito Senhor, o qual, quando foi maltratado não abriu sua boca, mas se entregou em silêncio àquele que julga retamente. Para o cristão humilde, quanto mais clamoroso e furioso o mundo se manifestar contra ele, mais silencioso e quieto ficará, com exceção de quando estiver no seu quarto de oração: lá ele não ficará calado.”

- “Um outro padrão de pessoas espiritualmente orgulhosas é comportar-se de forma a torná-las o foco de atenção. É natural que a pessoa sob a influência do orgulho tome todo o respeito que lhe é oferecido. Se outros demonstram disposição de se submeterem a ela e a cederem em deferência a ela, esta pessoa receberá tais atitudes sem constrangimento. Na verdade, ela se habituou a esperar tal tratamento e a formar uma má opinião de quem não lhe oferece aquilo que pensa merecer.”

- “Uma pessoa sob a influência de orgulho espiritual tende mais a instruir aos outros do que a fazer perguntas. Tal pessoa naturalmente assume ar de mestre. O cristão eminentemente humilde pensa que precisa de ajuda e todo o mundo, enquanto a pessoa espiritualmente orgulhosa acha que todos precisam do que ela tem para oferecer. A humildade cristã, sentindo o peso da miséria dos outros, suplica e implora; o orgulho espiritual, em contraste, ordena e adverte com autoridade.”*

Esse artigo surgiu com acontecimentos entre os neopentecostais e sua “teologia do ungido”, mas seria útil aplicarmos a nós também do meio reformado. Que possamos aprender e viver essas palavras de Edwards em nossos dias!

“A soberba precede a ruína, e a altivez do espírito precede a queda.”  Provérbios 16:18

Soli Deo Gloria
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*Fonte: http:O Orgulho Espiritual Oculto (disponível aqui)

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