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14 de jun de 2015

Cristianismo e Música (2/4)

Por Hans Rookmaaker

Agora trataremos da questão da relação entre o cristão e a cultura não-cristã. A Bíblia ensina que não devemos ser contaminados pela iniquidade e nem seguir os seus caminhos do mundo. “Mundo” neste sentido quer dizer o mundo de pecado. Mas a Bíblia também diz que não devemos ter medo de examinar todas as coisas e guardar o que for bom. Não devemos recuar. É interessante percebermos que a Bíblia jamais fala em cultura de um modo negativo. A cultura do mundo em si não é negativa. As Escrituras não nos ensinam que tudo que é produzido por não-cristãos é intrinsecamente mau. Quando Salomão construiu seu templo, ele chamou um arquiteto de Tiro, que certamente era um pagão. Mas o homem era um bom arquiteto. Apocalipse 17 fala de Babel – personificação do mundo mau e centro de todo o anticristianismo – como uma cidade cheia de beleza e riquezas, um lugar onde as mulheres usavam belos vestidos longos. A Bíblia não diz que tudo aquilo que vem do mundo é mau. Ao invés disso ela nos ensina a ouvir e olhar a nossa volta, retendo as boas coisas.

 Paulo escreve na primeira carta aos Coríntios:

“Todas as coisas me são lícitas, mas nem todas as coisas convêm. Todas as coisas me são lícitas; mas eu não me deixarei dominar por nenhuma delas.”

Todas as coisas são permitidas, mas temos que examinar e ver se são positivas. Há uma forte ênfase na liberdade por toda a Bíblia e particularmente em Paulo. A missão da vida de Paulo foi dizer duas coisas: a salvação é obra completa de Cristo – e somente dele – e, diretamente ligado a isso, Paulo ensinou: temos liberdade. Ele verbaliza isso de maneira muito bela em Colossenses 2, quando diz:

“Tendo cuidado para que ninguém vos faça presa sua, por meio de filosofias e vãs sutilezas, segundo a tradição dos homens, segundo os rudimentos do mundo, e não segundo Cristo.” (Colossenses 2:8)

Ele dirige isso abertamente aos gnósticos. Em seguida, ele sintetiza o sentido do Evangelho: o perdão dos pecados, a renovação da vida e o triunfo sobre o mal. Em seguida, ele diz:

“Ninguém, pois, vos julgue pelo comer, ou pelo beber, ou por causa de dias de festa, ou de lua nova, ou de sábados.” (Colossenses 2:16)

Em outras palavras, Paulo diz:

“Vocês são livres!”

Ele prossegue dizendo:

“Se morrestes com Cristo quanto aos rudimentos do mundo, por que vos sujeitais ainda a ordenanças, como se vivêsseis no mundo, tais como: não toques, não proves, não manuseies . . . segundo os preceitos e doutrinas dos homens?”

Assim, não se ponham novamente sob o jugo de regras e preceitos criados por homens. Não deixem que essa preciosa liberdade seja roubada de vocês, pois isso vai contra a essência do verdadeiro evangelho!

O importante é a nossa mentalidade

Lembrando do valor da liberdade, podemos falar um pouco sobre o nosso estilo de vida. Ser cristão significa que você acredita em certas doutrinas e dogmas. Nada há a ser dito contra essas coisas; elas são importantes e têm um lugar em nossas vidas. Mas ser cristão não é apenas aderir a um sistema teológico. Ser cristão também implica ter fé, confiar, amar ao Senhor e com Ele andar. Isso é uma mentalidade e um estilo de vida que nascem do nosso amor por Ele. Cristo nunca falou sobre dogma. No Sermão do Monte, onde encontramos a essência de seu ensinamento, Ele não diz: “Se você se tornar cristão, terá que cumprir uma série de regras.” Ao invés disso, Jesus discorre sobre uma mentalidade. Vejamos alguns exemplos. Em Mateus 5, lemos “Vocês ouviram que foi dito ao homem do passado, “Ouvistes que foi dito aos antigos: Não matarás; e, Quem matar será réu de juízo.’” Jesus não diz que esse antigo ensinamento está errado, mas explica que não é suficiente. Ele prossegue: “Eu, porém, vos digo que todo aquele que se encolerizar contra seu irmão, será réu de juízo; e quem disser a seu irmão: Raca, será réu diante do sinédrio; e quem lhe disser: Tolo, será réu do fogo do inferno.” Em outras palavras, não devemos seguir um padrão legalista e pensar que cometemos um assassinato somente quando tiramos a vida de alguém; não, nós já estamos errados ao odiar  alguém, pois essa é uma mentalidade errada. O importante é a mentalidade.

Nós não somos adúlteros apenas quando compartilhamos nossa cama com a pessoa errada; não, diz Cristo, se você olhar para uma mulher de forma impura, já iniciou seu adultério. Note que Ele não diz: “E, portanto mantenha as mulheres fora da sua vista.” Jesus expõe a raiz do problema: a lascívia das pessoas. Nesse sentido, esse texto traz uma das mensagens mais libertadoras do mundo. Somente é possível haver mulheres presentes nesta sala assistindo a esta palestra por causa do que Cristo disse lá atrás. De outro modo, elas não estariam aqui. Estariam em um harém ou andariam por aí totalmente cobertas por véus, pois os homens estariam olhando para elas como objetos de sexo. Assim, a vida cristã é uma questão de mentalidade, não um conjunto de regras.

Ter fé significa escolher viver de uma maneira específica. Quaisquer que sejam suas crenças ou convicções, elas virão à tona em sua vida. Geralmente fazemos a separação entre a espiritualidade de uma pessoa e sua vida dirária. A espiritualidade do indivíduo é considerada algo particular, seja sua crença em Cristo, Buda ou Marx. Mas as crenças não são apenas particulares, elas tornam-se públicas em nossas vidas. Tenho uma metáfora para ilustrar isto. Imagine alguns copos: um com café, um com chá, um com vinho, um com refrigerante. Qual a diferença entre eles? A diferença é muito sutil, pois todos eles contêm 95 por cento de água. Apenas 5 por cento do seu conteúdo é diferente. No entanto, eles variam grandemente em sabor e coloração. Do mesmo modo, quando você é cristão, você é 95% humano e 5% cristão. Mas os 5% não são algo que possamos descartar como irrelevante, porque é nesses 5% que estão o nosso sabor e a nossa cor particular. O marxista também é 95% humano e, por todos nós sermos humanos, temos muito em comum. Ainda assim os 5% resultam em diferenças decisivas em nossos estilos de vida.
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Fonte: L'abrarte

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