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13 de jun de 2016

Desfrutando da Vitalidade do Amor (1 João 3:11-24)

Por Thiago Oliveira

Texto Base: 1 João 3:11-24

11. Esta é a mensagem que vocês ouviram desde o princípio: que nos amemos uns aos outros. 12. Não sejamos como Caim, que pertencia ao Maligno e matou seu irmão. E por que o matou? Porque suas obras eram más e as de seu irmão eram justas. 13. Meus irmãos, não se admirem se o mundo os odeia. 14. Sabemos que já passamos da morte para a vida porque amamos nossos irmãos. Quem não ama permanece na morte. 15. Quem odeia seu irmão é assassino, e vocês sabem que nenhum assassino tem vida eterna em si mesmo. 16. Nisto conhecemos o que é o amor: Jesus Cristo deu a sua vida por nós, e devemos dar a nossa vida por nossos irmãos. 17. Se alguém tiver recursos materiais e, vendo seu irmão em necessidade, não se compadecer dele, como pode permanecer nele o amor de Deus? 18. Filhinhos, não amemos de palavra nem de boca, mas em ação e em verdade. 19. Assim saberemos que somos da verdade; e tranquilizaremos o nosso coração diante dele 20. quando o nosso coração nos condenar. Porque Deus é maior do que o nosso coração e sabe todas as coisas. 21. Amados, se o nosso coração não nos condenar, temos confiança diante de Deus 22. e recebemos dele tudo o que pedimos, porque obedecemos aos seus mandamentos e fazemos o que lhe agrada. 23. E este é o seu mandamento: que creiamos no nome de seu Filho Jesus Cristo e que nos amemos uns aos outros, como ele nos ordenou. 24. Os que obedecem aos seus mandamentos permanecem nele, e ele neles. Deste modo sabemos que ele permanece em nós: pelo Espírito que nos deu.


Introdução

Após falar sobre as bênçãos e os deveres dos filhos de Deus para com o seu Senhor, o apóstolo João fala acerca do amor para com o próximo. Isso nos remete aos dois maiores mandamentos, ensinados por Cristo (Mt 22:36-40), que por sua vez, remetem as duas tábuas da lei, uma que representa nosso dever para com Deus e a outra o nosso dever para com os nossos semelhantes.  Passaremos então a focalizar o amor ao próximo e deste tema discorreremos cientes de que é um assunto que não pode ser fixado em nossas mentes sem que desça até o coração e do coração faça com que as nossas mãos se disponham a auxiliar nossos irmãos.

O Amor e a Vida (11-15)

João relata que a mensagem do amor é antiga, sendo revelada desde o princípio. O próprio já havia tocado na questão e parece querer que seus leitores se lembrem disso (ver cap. 2. V 7). Em seguida, passa a comparar os que não amam com aquele que foi o primeiro assassino na história humana, a saber, Caim, que matou seu próprio irmão. Este homicídio, retratado logo após o relato da Queda, demonstra que o ódio que Caim sentiu por seu irmão o levou a cometer uma violência que ceifou a vida de Abel. João interpreta a motivação do crime: Caim odiou a Abel porque o segundo era justo, i. é., reto. A retidão do seu irmão lhe causava um sentimento repugnante, pois, ela desvelava toda a perversidade que Caim não queria que ficasse tão nítida. Vem então o verso 13 e diz que os crentes não devem se surpreender se o mundo também os odiar, pois, os santos deste mundo se assemelham a Abel e chamam para si as atenções do mundo que é mau e jaz em trevas, e por isso deseja eliminar os que iluminam e deixam à mostra sua podridão. A palavra epistolar está de acordo com o evangelho de mesma autoria: “Quem pratica o mal odeia a luz e não se aproxima da luz, temendo que as suas obras sejam manifestas”. João 3:20

Os portadores do ódio, que contrasta com o amor, estão mortos espiritualmente. Logo, quem ama tem vida. O cristão não pode pagar mal com mal. Está escrito: “Não se deixem vencer pelo mal, mas vençam o mal com o bem” Romanos 12:21. João chama todo aquele que não ama o seu próximo de assassino e lembra que este que tira a vida, também não a tem. São verdadeiras as palavras do escritor Mark Twain: “O homem não morre quando deixa de viver, mas sim quando deixa de amar”. Por isso que o amor e a vida andam de mãos dadas e não podem se divorciar. Como legítimos filhos de Deus, precisamos ter amor perante os nossos semelhantes.

O Amor e a Verdade (16-20)

Estamos acostumados a lidar com o amor de maneira romântica, sentimentalista, talvez isto seja resultado dos artefatos culturais tais como livros, filmes, novelas. Mas, para o Cristianismo o amor ultrapassa a esfera sentimental. O amor bíblico não é abstrato, mas sim, concreto. Foi o amor que fez com que Cristo se entregasse na cruz pelos que são seus. O amor deriva em ação. Por isso o exemplo é acerca do irmão que está passando por necessidade. Ora, se temos recursos para prover o próximo e não o disponibilizamos, não podemos ser hipócritas e dizer que o amamos, pois, se amássemos, agiríamos de uma forma que supriria as suas necessidades.

Amar de verdade é permanecer na presença da Verdade, e sabemos que Jesus Cristo é a verdade (Jo 14.6). O trecho que diz para nós tranquilizarmos o coração diante dEle é uma referência ao divino. A frase quer dizer que se nós amamos verdadeiramente, estaremos conectados a Cristo e isso tranquiliza o coração pelo fato de que essa conexão nos garante a vida eterna. Quando nosso coração nos acusa, isso revela mudança que advém do Santo Espírito. Deus sonda corações e sabe o que se passa em nosso íntimo. Logo, ele saberá distinguir quando o amor é da boca para fora de quando o amor flui do mais fundo recôndito do coração humano, seguindo o altruísmo encarnado de Cristo, que amava por meio de ações concretas.

O Amor e as Bênçãos (21-24)

Ainda tratando sobre a consciência, João demonstra o alento dos que possuem a consciência tranquila, e por isso, podem desfrutar de bênçãos que advém do próprio Deus. O apóstolo estimula a nos aproximarmos do SENHOR com confiança. Simon Kistemaker ao comentar o verso 21 deste texto diz o seguinte: “Se sua consciência está tranquila, a avenida para o trono da graça está aberta”. E por isso João nos brinda com a preciosa promessa de termos as nossas orações respondidas. Atentemos que aqui não há uma doutrina que estabelece que Deus nos dará tudo aquilo que pedimos. De maneira alguma Ele faria isso, pois, como nosso Pai, e nosso Senhor, sabe que nem tudo o que pedimos é bom, tanto na essência quanto na motivação. João diz que “já recebemos” e não que “receberemos”. Aquele que está em conformidade com a Palavra do Senhor é por Ele abençoado com toda sorte de bênçãos espirituais nas regiões celestiais (Ef 1.3).

Obedecer aos mandamentos não faz com que tenhamos acesso as bênçãos celestiais como se as alcançássemos por mérito. A obediência é resultante do amor e da gratidão que temos para com Deus. Dos mandamentos que devemos observar, o apóstolo João frisa duas coisas essenciais que são marcas indeléveis dos cristãos: Fé em Cristo e amor o próximo. Sem fé, é impossível agradar a Deus (Hb 11.6), mas não é apenas isso. Paulo em I Coríntios (Cap. 13) nos lembra também que sem amor, a fé não tem valor. Que cumpramos os seus estatutos sem peso, mas com júbilo. Assim procedendo, temos uma certeza: “sabemos que ele permanece em nós: pelo Espírito que nos deu”. E não existe benção maior que esta!

Aplicações

Exerço uma fé vívida que me faz amar ao meu próximo, ao ponto de sacrificar-me em prol dele?

E o meu amor tem saído da esfera abstrata, tomando forma e resultando em fazer o bem para o meu semelhante?

Tenho desfrutado do amor e da bondade do Pai celestial, ciente de que sou muito abençoado por tê-lo comigo e obedecer aos seus mandamentos?


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