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8 de ago. de 2016

Religião, Cultura e Redenção

Por Herman Bavinck

Entre todos os povos do mundo, encontramos uma noção de pecado e miséria, e todos sentem a necessidade e a esperança de redenção. O otimismo é impotente para rejeitar o primeiro fato e reconciliar completamente os seres humanos consigo mesmos e com o mundo. O pessimismo, porém, nunca foi bem sucedido em desfazer o segundo fato e em erradicar  a esperança para o futuro do coração do humano. Além disso, vimos anteriormente que a expectativa de uma redenção vindoura está ligada, em muitas religiões, a uma pessoa vindoura e especificamente baseada no aparecimento de um rei. 

Aqui podemos acrescentar que a ideia de redenção está quase sempre associada à de reconciliação. Redenção, devemos dizer, é primariamente um conceito religioso e, portanto, ocorre em todas as religiões. Admito que os seres humanos têm à sua disposição muitos meios para se manterem na luta pela existência e para se protegerem contra a violência. Eles não estão sozinhos, mas vivem em comunidades. Eles têm mentes com as quais pensar, mãos com as quais trabalhar e podem, pelo trabalho e pelo esforço, conquistar, estabelecer e expandir um lugar para si mesmos no mundo. É digno de nota, porém, que todas essas ajudas e suportes não são suficientes para eles. Por mais que as pessoas se desenvolvam culturalmente, elas nunca ficam satisfeitas com isso e não alcançam a redenção pela qual pela qual estão ansiosas, pois ao mesmo tempo em que a cultura satisfaz suas necessidades, incentiva a ter orgulho no grande progresso que fizeram, por outro, elas lhes dá uma noção progressivamente mais clara do longo caminho que ainda precisam percorrer. Na medida em que as pessoas colocam o mundo sob seus pés, elas se sentem mais e mais dependentes daquelas forças celestiais contra as quais, com medida em que resolvem problemas, vêem os mistérios do mundo e da vida se multiplicarem e aumentarem em complexidade. 

Enquanto sonham com o progresso da civilização, ao mesmo tempo vêem abrir diante de si a instabilidade e a futilidade do mundo existente. A cultura tem grandes, até mesmo incalculáveis vantagens, mas também traz consigo seus próprios inconvenientes e perigos peculiares. Quanto mais abundantemente os benefícios da civilização escorrem por nosso caminho, mais vazia a vida se torna. É por isso que em adição à cultura, em toda parte, teve origem e alcançou maturidade sob a influência da religião. Se os males da humanidade foram causados pela cultura, certamente eles poderiam ser curados de nenhuma outra forma a não ser pela cultura. Mas os males que temos em mente são oriundos do coração humano, que sempre  permanece o mesmo, e a cultura somente os realça. Com toda a sua riqueza e poder, ele apenas mostra que o coração humano, no qual Deus colocou a eternidade (Ec 3.11), é tão grande que nem todo mundo pode satisfazê-lo. Os seres humanos estão em busca de uma redenção melhor do que aquela que a cultura pode lhes dar. Eles estão procurando felicidade duradoura, um bem eterno. Eles estão ansiosos por uma redenção que os salve física e também espiritualmente, para  o tempo e também para a eternidade, e isso somente a religião, e nada mais, pode lhes dar. Somente Deus pode lhes dar isso, não a ciência ou a arte, a civilização ou a cultura. Por essa razão, a redenção é um conceito religioso, é encontrada em todas as religiões  e é quase sempre associada à ideia de reconciliação, pois a redenção que os seres humanos procuram e precisam é uma redenção na qual são erguidos acima de todo o mundo e inseridos  em comunhão com Deus. 

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Fonte: Dogmática Reformada. Ed. Cultura Cristã, Volume 3, p.331-32.

26 de fev. de 2016

Aliança da Redenção

Por Michael Horton

Quase todas as alianças bíblicas são pactos históricos feitos por Deus com suas criaturas. A aliança da redenção, porém, é um pacto eterno entre as pessoas da Trindade. O Pai elege um povo no Filho, como seu mediador, que será levado à fé salvadora por meio do Espírito. Assim, a aliança feita pela Trindade na eternidade já leva em conta a queda da raça humana. Escolhidos dentre a massa condenada da humanidade, os eleitos não são melhores ou mais bem qualificados que o restante. Deus simplesmente escolheu, de acordo com a sua própria liberdade, demonstrar a sua justiça e a sua misericórdia, e a aliança da redenção é o ato de abertura desse drama da redenção.

Já podemos ver como uma estrutura pactual desafia a ideia de um déspota solitário. O Pai elege um povo no Filho por meio do Espírito. Nossa salvação, portanto, surge primeiro pela solidariedade das pessoas da divindade. A alegria de dar e receber, experimentadas pelo Pai, pelo Filho e pelo Espírito Santo derrama-se, por assim dizer, sobre o relacionamento Criador-criatura. Na aliança da redenção, o amor do Pai e do Espírito pelo Filho é demonstrado na dádiva de um povo que o terá como sua cabeça viva. Ao mesmo tempo, o amor do Filho pelo Pai e pelo Espírito é demonstrado pelo seu compromisso de redimir essa família a um grande custo pessoal.

É por isso que não devemos procurar o decreto secreto de Deus na predestinação ou tentar encontrar evidência dela em nós mesmos, mas, como insistia Calvino, ver Cristo como o “espelho” de nossa eleição. A predestinação de Deus nos é escondida, mas Cristo não é. O desvendar do mistério oculto em eras passadas, a pessoa e a obra de Cristo, torna-se o único testemunho confiável da nossa eleição. Aqueles que confiam em Cristo pertencem a Cristo e são eleitos em Cristo.

Até aqui ofereci algumas definições, mas ainda não apresentei qualquer defesa bíblica. Essa aliança da redenção é produzida por especulação teológica ou por cuidadosa interpretação bíblica?

Em resposta a essa pergunta, devemos observar primeiro que alguns teólogos reformados contemporâneos sugerem que a Escritura é silenciosa sobre essa aliança eterna. Contudo, esse mesmos escritores afirmam a doutrina reformada tradicional da eleição: Deus escolheu muitos da raça condenada de Adão para estarem em Cristo, à parte de qualquer coisa pertencente ou prevista naqueles que foram escolhidos e de acordo somente com a livre graça de Deus. Se nos ativermos simultaneamente à doutrina da Trindade e da eleição incondicional, não fica claro que objeção poderia ser feita, a princípio, para descrever esse decreto divino em termos do conceito de uma aliança eterna entre as pessoas da Divindade. Segundo, não contamos apenas com argumentos a partir do silêncio. No ministério de Cristo, por exemplo, o Filho é representado (especialmente no quarto Evangelho) como tendo recebido do Pai um povo (Jo. 6:39; 10:29; 17:2,4-10; Ef. 1:4-12; Hb. 2:13 citando Is. 8:18), que é chamado e guardado pelo Espírito Santo para a consumação da nova criação (Rm. 8:29,30; Ef. 1:11-13; Tt.3:5; 1 Pe. 1:5). Na verdade, afirmar a aliança da redenção é algo mais que afirmar que a auto-entraga do Filho e a obra regeneradora do Espírito foram a execução do plano eterno do Pai. Não somente fomos escolhidos em Cristo “antes da fundação do mundo” (Ef. 1:4), mas também o próprio Cristo é referido como “o Cordeiro que foi morto desde a fundação do mundo” (Ap. 13:8).

A aliança da redenção destaca a soberania e a liberdade de Deus na graça eletiva, como também o caráter trinitariano e especificamente cristocêntrico desse propósito divino. Tudo acontece “em Cristo”; assim a ênfase na teologia da aliança sobre o tema de “Cristo, o mediador”. Mesmo antes da criação e da queda, os eleitos estavam “em Cristo” em termos do propósito divino para a História, ainda que não na História em si. Longe de ser resultado de especulação abstrata, esse conceito da aliança da redenção é um ensinamento revelado da Escritura e a melhor defesa contra essa especulação. Sempre que a soberania de Deus na predestinação for fortemente defendida fora de um arcabouço de aliança, a revelação concreta de nossa eleição em Cristo, de acordo com a promessa do evangelho, cede a debates teóricos que nos levam a especulações sem fim sobre os conselhos escondidos de Deus.

Apesar desse consenso passado, teólogos reformados em nossos dias não estão unanimemente persuadidos que o decreto eterno pode ser formalizado como uma aliança com base na exegese. Por exemplo, O. Palmer Robertson reconhece o decreto eterno:

Mas afirmar o papel da redenção nos conselhos eternos não é o mesmo que propor a existência de uma aliança pré-criação entre Pai e Filho. Um sentido de artificialidade tempera o esforço de estruturar em termos pactuais os mistérios dos conselhos eternos de Deus. A Escritura simplesmente não diz muito sobre o formato pré-criação dos decretos de Deus. Falar concretamente sobre uma “aliança” intertrinitariana [sic] com termos e condições entre Pai e Filho, mutuamente aprovados antes da fundação do mundo, é estender os limites da evidência das Escrituras além do que é próprio [1].

Além do mais, como uma “disposição soberana” poderia ser verdadeira no caso da Trindade?

Aqui vemos novamente os perigos inerentes a uma definição estreita demais de aliança. Nas passagens citadas acima, parece claro que as pessoas da Trindade estavam envolvidas numa disposição “pré-temporal” de alguma espécie: a eleição de um povo dado ao Filho como mediador a ser preservado pelo Espírito. Nessas passagens, especialmente no Evangelho de João, Jesus fala repetidas vezes de “aqueles que tu me deste” (17:6,9,11,12). A própria noção de mediação soteriológica requer alguma espécie de concordância de juramento. Na verdade, é exatamente essa aliança trinitariana que é capaz de contrabalancear uma tendência hipercalvinista de soteriologia unitariana em que “Deus” (isto é, o Pai) soberanamente decreta a salvação e reprovação sem ser pela operação do Filho e do Espírito. Uma soteriologia trinitariana emerge necessariamente dessa ênfase. “Assim como a bênção de Deus existe na relação livre das três Pessoas do Ser adorável, do mesmo modo, o homem encontrará bênção no relacionamento pactual com Deus”, escreve Vos [2].

Parte da dificuldade para os intérpretes é que essas passagens não identificam especificamente o decreto como uma aliança. No entanto, como já vimos, a aliança davídica só foi reconhecida como tal pelos profetas muito mais tarde (Sl. 89 e 132). Apesar de sua acusação de que essa doutrina de aliança é especulativa, o próprio Robertson introduz alianças antes jamais ouvidas. Além das alianças com Noé, Abraão, Moisés e Davi, ele acrescenta “uma aliança de começo” (com Adão pós-lapsariano) e uma “aliança de consumação” (Cristo) , nenhuma das quais é identificada especificamente como aliança na Escritura. Certamente a Escritura não reconhece o tipo de tratado de suserano-vassalo entre as Pessoas da Trindade. Afinal, cada pessoa é igualmente divina: não há senhores e servos no relacionamento trinitariano eterno. Além do mais, não existe uma estrutura formal de tratado nessa aliança da Escritura – nenhum prólogo histórico, nem estipulações, nada de sanções, e assim por diante. Já vimos, porém, que nem todas as alianças bíblicas se encaixam no estilo de suserania. Só uma definição exageradamente restrita de aliança poderia justificar a ideia de que a aliança da redenção é especulativa e não bíblica.

Portanto, a aliança da redenção é tão claramente revelada na Escritura quanto a Trindade e o decreto eterno de eleger, redimir, chamar, justificar, santificar e glorificar um povo para o Filho. Ao mesmo tempo, esse propósito eterno teria permanecido escondido de nós se não tivesse sido realizado em nosso tempo e espaço. É aí que se dá maior atenção bíblica. Enquanto a aliança da redenção é eterna e tem como participantes as pessoas da Divindade, as alianças da criação e da graça se desenrolam na história humana e tem como parceiros o Criador e criatura.

Uma das declarações mais sucintas desse esquema das duas alianças históricas se encontra no capítulo sete da Confissão de Fé de Westminster:

A distância entre Deus e a criatura é tão grande que, embora as criaturas racionais lhe devam obediência como seu Criador, nunca poderiam fruir nada dele, como bem-aventurança e recompensa, senão por voluntária condescendência da parte de Deus, a qual agradou a ele expressar por meio de um pacto. O primeiro pacto feito com o homem era um pacto de obras; nesse pacto foi a vida prometida a Adão e, nele, à sua posteridade, sob condição de perfeita e pessoal obediência. Tendo-se o homem tornando, pela sua queda, incapaz de ter vida por meio desse pacto, o Senhor dignou-se a fazer um segundo pacto, geralmente chamado de pacto da graça; nesse pacto da graça ele livremente oferece aos pecadores a vida e a salvação por meio de Jesus Cristo, exigindo deles a fé nele, para que sejam salvos, e prometendo o seu Santo Espírito a todos os que estão ordenados para a vida, a fim de dispô-los e habilitá-los a crer.
___________

[1] Robertson, Christ of the Covenants, 54
[2] Vos, Redemptive History and Biblical Interpretation, 245

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Trecho do livro O Deus da Promessa - Introdução à Teologia da Aliança. Ed. Cultura Cristã

30 de abr. de 2015

Livre-se do fardo da culpa


Por Thiago Oliveira

Existem duas coisas que são prejudiciais em nossa jornada por esta vida passageira. A primeira é ser cínico ao ponto de achar que a prática do pecado é normal e não mais se importar com o ato de pecar, pecando assim constantemente e com uma mentalidade tão cauterizada ao ponto de não sentir culpa e não se confessar diante de Deus. A segunda está num outro extremo, é a culpabilidade exacerbada que não é capaz de reconhecer o alcance e a dimensão do perdão que Cristo oferece ao pecador arrependido. É sobre este último aspecto que eu tratarei neste breve texto.

27 de abr. de 2015

Cristo cumpriu os Dez Mandamentos

Por Mark Jones
Adão quebrou os Dez Mandamentos no Éden. Mas Cristo guardou os dez mandamentos no “deserto”, sob circunstâncias muito mais intensas do que aquelas às quais Adão foi submetido.
Guardou o primeiro mandamento. Ele trouxe glória a Deus o Pai enquanto esteve na terra (Jo 17.4). Temeu, creu, e confiou em seu Pai (Hb 2.13; 5.7; Lc 4.1-12). Cristo zelou pela glória de seu Pai (Jo 2.17) e foi constantemente grato ao seu Pai (Jo 11.41). Ele prestou completa obediência ao Pai em todas as coisas (Jo 10.17; 15.10).

20 de out. de 2014

Porque o Diabo é nosso inimigo?

Por Thiago Oliveira

Sei que pode parecer uma pergunta estranha. Mas, você já parou para pensar o porquê que o Diabo é nosso inimigo? Antes de você achar que estou ocioso o bastante para este tipo de elucubração, peço encarecidamente que releia a pergunta e reflita sobre as implicações que resultarão da resposta.

Pois bem, se o Diabo não fosse nosso inimigo, ele seria nosso aliado. Este seria um problema muito grave. Sabemos que Satanás se rebelou contra Deus e que por isso tornou-se o seu opositor. Por não ter condições de intentar contra o Senhor dos Senhores, o Inimigo devota todo o seu furor para perseguir e destruir os crentes em Cristo Jesus que formam a Santa Igreja Universal. Devemos glorificar a Deus por termos Satanás como o nosso arquirrival.

Glorificar a Deus por isso? Como assim? Calma que tem uma explicação. E ela se encontra no primeiro livro da Bíblia, aquele mesmo que relata a nossa origem e a origem das coisas criadas: o Gênesis. Lá, no relato da Queda, veremos que a nossa inimizade com o Diabo, a antiga serpente, faz parte do plano gracioso da redenção. Deus por sua providência criou esta inimizade. Tudo faz parte do seu decreto eterno e imutável de eleger para si um povo exclusivamente seu. Isso mesmo, a nossa inimizade com o Príncipe das Trevas tem a ver com a nossa Eleição.

Vejamos o que diz Genesis 3:15:

Porei inimizade entre você e a mulher, entre a sua descendência e o descendente dela; este ferirá a sua cabeça, e você lhe ferirá o calcanhar".

A Serpente tentou Eva. Esta por sua vez convenceu Adão e ambos caíram em desgraça quando comeram do fruto da árvore proibida. Ali, homem e mulher, morreram espiritualmente e desfiguraram a Imago Dei (Imagem e Semelhança Divina). Deus, como de praxe, caminhava pelo Éden e o primeiro casal ao ouvir os seus passos procurou fugir da sua presença. Eles sabiam muito bem o que tinham feito...Deus os chama e Adão responde: “Nos escondemos de ti, estávamos nus”. O Criador retruca: “Quem lhes revelou isso? Por acaso vocês comeram do fruto da árvore que eu proibi que comessem?” Logicamente Deus já sabia de tudo o que acontecera, afinal, Ele é soberano. Mas ali ele dá uma oportunidade para que Adão confesse a sua culpa. Todavia, Adão estava envolto pelo pecado e transfere a culpa para Eva. A mulher faz a mesma coisa e coloca a culpa na Serpente. Que desastre!

Mas é aqui que encontramos a misericórdia de Deus de uma maneira vívida e clara. Ao invés de destruir aquele primeiro casal rebelde e obstinado, o Senhor, vai separar aquela aliança maldita para preservar a humanidade de ter o mesmo destino derrotado de Satanás. Note que Gênesis 3:15 diz que:

1. Foi Deus que pôs em lado oposto a Serpente e a Mulher. Senão fosse esta iniciativa Divina, o primeiro casal ainda estaria em oposição contra o seu Criador e Senhor.

2. A inimizade se perpetuará através da descendência da Serpente e da descendência da Mulher. Serão dois “exércitos” opostos que vão ter enfrentamentos até a consumação do mundo.

3. Da descendência da Mulher virá aquele que esmagará a cabeça da Serpente, ou seja, destruirá definitivamente as obras malignas de Satanás.

Aqui temos a primeira promessa messiânica. Gênesis 3:15 aponta para Cristo e sua obra redentora. Se há homens e mulheres que tem Satanás por inimigo, apesar da associação natural com a causa satânica, isto só é possível porque Deus fez uma aliança com aquele primeiro casal e separou uma linhagem para si. Esta linhagem que surge da semente da mulher está desde aquele episódio guerreando contra a semente do pecado. Uma semente provém de Deus, a outra provém de Satanás. Uma é a semente da degeneração (Adão) e a outra é a semente da redenção (Cristo).
Isto é observável desde Caim e Abel, passando por egípcios e hebreus, Davi e Golias e etc. De um lado aqueles que são do “exército do mundo ou do Diabo”. Do outro temos os soldados do “exército de Deus”. Não existe meio termo nesta batalha. É por isso que o próprio Jesus vai dizer em Lucas 11:23: “Quem não é comigo é contra mim; e quem comigo não ajunta, espalha”. Escrevendo aos efésios, Paulo diz que éramos integrantes das hostes do Inimigo (Ef 2.2), satisfazendo nossos desejos carnais e não a vontade de Deus (Ef 2.3) e que apenas por ter sido Deus misericordioso (Ef 2.4) ele nos deu uma nova vida por meio de Cristo nos salvando sem merecermos (Ef 2.5). Isto é graça!
Tudo o que acontece no mundo pode ser explicado por este prisma. Como não existe ninguém neutro, os que não servem a Cristo são servos de Satanás e fazem o que lhe agrada. Se sofremos com os ataques do vil tentador, devemos nos lembrar que só sofremos tais investidas por conta do beneplácito do Senhor que nos colocou em oposição a Serpente. Também temos a nosso favor o registro da vitória mediante a Cristo. Fincados nele somos mais-que-vencedores (Rm 8.37). Os nossos sofrimentos presentes não se comparam com o que nos será revelado no porvir (Rm 8.18).
Em Apocalipse 12, uma visão dada ao apóstolo João nos assegura a vitória concreta e certa. O Dragão (a antiga Serpente) foi derrotado e a Igreja triunfou sobre eles por meio de Cristo. O Dragão, o que acusava incansavelmente os cristãos, foi derrubado (v.10). A Igreja vence não pelos seus recursos humanos, mas como está escrito: “E eles o venceram pelo sangue do Cordeiro e pela palavra do seu testemunho” (v.11). Reitero que devemos nos regozijar pelo fato de sermos oponentes desse Dragão, pois isso revela que fomos selados para estarmos com Deus por toda Eternidade. Ser inimigo do Diabo é ter a evidência de que fomos salvos pela graça.

Louvado seja Deus!