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21 de nov. de 2016

Cinco Razões Para Abraçar a Eleição Incondicional

Por John Piper

Eu uso o termo abraçar porque a eleição incondicional não é apenas verdadeira, mas também preciosa. Obviamente, ela não pode ser preciosa se não for verdadeira. Portanto, este é o motivo principal pelo qual a abraçamos. Mas vamos começar com uma definição:

Eleição incondicional é a livre escolha de Deus antes da criação, não baseada em conhecimento prévio da fé, pela qual ele concederá fé e arrependimento a traidores, perdoando-os e adotando-os em sua eterna família de alegria.
1. NÓS ABRAÇAMOS A ELEIÇÃO INCONDICIONAL PORQUE ELA É VERDADEIRA.
Todas as minhas objeções à eleição incondicional vieram abaixo quando eu não conseguia mais sustentar minha argumentação sobre Romanos 9. O capítulo começa com a disposição de Paulo em ser amaldiçoado e separado de Cristo por amor aos seus compatriotas judeus incrédulos (verso 3). Isto implica que alguns judeus estão perecendo. E faz surgir a questão da promessa de Deus aos judeus. Falhou a promessa? Paulo responde: "não pensemos que a palavra de Deus haja falhado" (verso 6). Por que não?
Porque "nem todos os de Israel são, de fato, israelitas" (verso 6). Em outras palavras, o propósito de Deus não era inocentar cada pessoa de Israel individualmente. Era, ao invés disso, um propósito de eleição.
Então, para ilustrar a ideia da eleição incondicional de Deus, Paulo usa a analogia de Jacó e Esaú: "E ainda não eram os gêmeos nascidos, nem tinham praticado o bem ou o mal (para que o propósito de Deus, quanto à eleição, prevalecesse, não por obras, mas por aquele que chama), já fora dito a ela [Rebeca]: O mais velho será servo do mais moço" (versos 11 e 12).

Em outras palavras, o propósito original de Deus em escolher para si indivíduos dentre Israel (e todas as nações! Apocalipse 5:9) não estava baseado em nenhuma condição que eles pudessem satisfazer. Foi uma eleição incondicional. E, portanto, ele diz: "Terei misericórdia de quem me aprouver ter misericórdia e compadecer-me-ei de quem me aprouver ter compaixão" (verso 15; veja os versos 16-18 e Romanos 11:5-7).
Jesus confirma este ensinamento: "Todo aquele que o Pai me dá, esse virá a mim; e o que vem a mim, de modo nenhum o lançarei fora" (João 6:37). Achegar-se a Jesus não é uma condição que satisfazemos para nos qualificar à eleição. É o resultado da eleição. O Pai escolheu suas ovelhas. Elas lhe pertencem. E ele as dá ao seu Filho. É por este motivo que elas vêm. "Ninguém poderá vir a mim, se, pelo Pai, não lhe for concedido" (João 6:65). "Não fostes vós que me escolhestes a mim; pelo contrário, eu vos escolhi a vós outros" (João 15:16; veja também João 17:2, 6, 9 e Gálatas 1:15).
No livro de Atos, por que alguns creram e outros não? A resposta de Lucas é a eleição: "e creram todos os que haviam sido destinados para a vida eterna" (Atos 13:48). Esta "destinação" — esta eleição — não foi baseada numa fé prevista, mas foi a causa da fé.

Em Efésios 1 Paulo diz: "[Deus] nos escolheu nele [Cristo] antes da fundação do mundo... nele, digo, no qual fomos também feitos herança, predestinados segundo o propósito daquele que faz todas as coisas conforme o conselho da sua vontade" (Efésios 1:4, 11). É o "conselho da vontade de Deus" que é eternamente decisivo nesta questão.
O que você dirá para Deus no julgamento final se ele te perguntar: "Porque você creu no meu Filho enquanto outros não creram?" Você não responderá: "Porque eu sou mais inteligente." Não. Certamente você dirá: "Por causa da tua graça. Se não tivesses me escolhido, eu teria sido deixado espiritualmente morto, indiferente e culpado."
2. NÓS ABRAÇAMOS A ELEIÇÃO INCONDICIONAL PORQUE DEUS DESIGNOU-A PARA NOS FAZER DESTEMIDOS NA PROCLAMAÇÃO DE SUA GRAÇA NUM MUNDO HOSTIL.
"Se Deus é por nós, quem será contra nós? . . . Quem intentará acusação contra os eleitos de Deus?" (Romanos 8:31, 33).
3. NÓS ABRAÇAMOS A ELEIÇÃO INCONDICIONAL PORQUE DEUS DESIGNOU-A PARA NOS TORNAR HUMILDES.
"Deus escolheu as coisas loucas do mundo para envergonhar os sábios . . . a fim de que ninguém se vanglorie na presença de Deus . . . Aquele que se gloria, glorie-se no Senhor" (1 Coríntios 1:27, 29, 31).
4. NÓS ABRAÇAMOS A ELEIÇÃO INCONDICIONAL PORQUE DEUS A FEZ COMO UM PODEROSO IMPULSO MORAL À COMPAIXÃO, BONDADE E PERDÃO.
"Revesti-vos, pois, como eleitos de Deus, santos e amados, de ternos afetos de misericórdia, de bondade . . . perdoai-vos mutuamente" (Colossenses 3:12-13). Ninguém que já tenha visto ou provado verdadeiramente sua eleição não é movido por ela para se tornar bondoso, paciente e tolerante.
5. NÓS ABRAÇAMOS A ELEIÇÃO INCONDICIONAL PORQUE ELA É UM PODEROSO INCENTIVO EM NOSSO EVANGELISMO PARA AJUDAR OS INCRÉDULOS QUE SÃO GRANDES PECADORES A NÃO SE DESESPERAREM.
Quando você oferece Cristo livremente a todos os incrédulos, suponha que alguém lhe diga: "eu tenho pecado terrivelmente. Deus jamais escolheria me salvar." A coisa mais consoladora que você pode dizer é: Você percebe que Deus escolheu antes da fundação do mundo aqueles a quem ele irá salvar? E ele o fez sem basear-se em absolutamente nada em você. Antes que você nascesse ou tivesse feito qualquer coisa boa ou má, Deus escolheu te salvar ou não.
Portanto, não ouse encarar a Deus e dizer-lhe das qualificações que você não tem para ser escolhido. Não houve qualificações para ser escolhido. "O que, então, eu devo fazer?", ele pergunta. "Crê no Senhor Jesus e serás salvo" (Atos 16:31). É assim que você começa a "confirmar a vossa vocação e eleição" (2 Pedro 1:10). Se você abraçar o Salvador, você confirmará ser um eleito, e você será salvo. 
***
Fonte: Desiring God 

19 de set. de 2016

A Analogia do Endividado

Por Thiago Oliveira


Um homem simples está devendo um valor xis a um homem proeminente. O credor então cobra-lhe a dívida dando-lhe um ultimato: Ou se paga ou o fim do devedor será trágico. Ao homem endividado só resta temer o seu destino, pois ele tem o número da conta do seu credor em mãos, todavia, não conseguirá fazer nenhum depósito, ele não possui e nunca possuirá tal quantia. Quando menos se espera, um outro homem, que não tinha nada a ver com aquela dívida, deliberadamente paga o valor exato para livrar o devedor da sua severa punição.

Ao ver todo aquele dinheiro depositado em sua conta, o credor não tem mais nada para cobrar. Foi pago tim-tim por tim-tim. E o homem que estava prestes a ser arruinado, agora folga por não ter mais aquele débito. Estava livre. Agora imagine você, caro leitor, que mesmo após ver a importância depositada em sua conta, o credor mandasse um encarregado seu ir atrás de quem lhe devia e perguntasse:

- Alguém pagou a dívida para você. Agora cabe a ti aceitá-la.

Neste momento você deve estar achando improvável tal pergunta. E de fato é. Agora, imagine que além disso, a resposta do endividado fosse:

- Não, eu não quero aceitar.

Absurdo. Não há uma outra palavra para adjetivar tal desfecho. No entanto, é assim que se baseia a teologia arminiana quando diz que a Graça é resistível e que o homem pode rejeitar a oferta da salvação. Para entendermos isso de uma maneira melhor, é necessário estar ciente de outros basilares conceitos da soteriologia (doutrina da salvação) reformada. A saber: Total Depravação e Expiação Limitada.

A depravação total consiste em dizer que todos os homens estão numa situação decaída. Eles estão em rebelião contra Deus e por isso estão espiritualmente mortos (Ef 2:3; Rm 3:12; Jo 8:34). Mas, Deus em Sua soberana vontade, para o louvor de Sua glória, escolheu alguns destes pecadores mortos e os vivificou em Cristo. Por que Ele fez isso? Efésios 1 nos diz que foi para “o louvor da Sua glória” (v. 6, 12 e 14).  Seus eleitos, não tiveram mérito algum, por isso não podem se vangloriar (Ef 2:8-9, Rm 3:27). Daí o questionamento: e quanto aqueles que não se convertem quando anunciamos o sacrifício do calvário? Não estariam eles resistindo?

Aparentemente eles estão rejeitando sim. Contudo voltemos a analogia do homem endividado. Porque ele não podia negar o pagamento feito por um terceiro elemento em seu favor? Porque aquele pagamento salvaria sua pele. Por isso não há como rejeitar o sacrifício de Cristo, a não ser que este não tenha morrido por aqueles que continuam mortos. A expiação limitada ensina justamente isto: A cruz não redimiu todos os homens, apenas os eleitos. Da mesma forma, o homem de nossa estória pagou a dívida de um devedor e não de todos os devedores. Por isso, os que aparentemente rejeitam a mensagem da cruz, na verdade não foram por ela alcançados. Em outras palavras, a dívida deles não foi paga por Jesus.

Quando a Bíblia diz que o sangue de Jesus é suficiente para nos purificar de todo o pecado (Tt 2:14, 1Pd 1:18-23 e Ap 1:5), não podemos conceber a ideia de que tais homens desprezariam sua morte, tornando-a em vão. Se estes continuam na sua condição pecaminosa, é porque não receberam a fé salvífica e não foram alcançados quando Cristo expirou no gólgota. Eles são espiritualmente cegos e não enxergam que são pecadores. Obstinados continuam devendo e acham que está tudo quite. A revelação de que devíamos um exorbitante valor, e que nossa dívida foi paga, chegou até nós. Regozijamos com esta boa-nova. Porém, alguns continuam com os olhos vendados para esta realidade (2Co 4:3-4). 

Dizer que Jesus morreu por todos os homens, porém muitos não serão salvos porque vão recusá-lo é tornar os sofrimentos do Senhor inúteis, sendo necessário fazer mais alguma coisa. Restringir a cruz a vontade humana é tão absurdo como acreditar que o devedor da nossa analogia escolheria continuar devendo um débito que já havia sido quitado.

25 de jul. de 2015

O que é Salvação pela Fé Somente?

Por Augustus Nicodemus

Procurei resumir abaixo o que entendo ser o ensino bíblico acerca deste assunto, que é o mais importante e urgente para nossas vidas, e sobre o qual existe tanta confusão até mesmo entre os evangélicos.

1. Todas as pessoas são carentes de salvação, pois todas elas, sem qualquer exceção, são pecadoras. Isto significa que elas, em maior ou menor grau, quebraram a lei de Deus e se tornaram culpadas diante dele. Esta lei está gravada na consciência de todos, disposta nas coisas criadas e reveladas claramente nas Escrituras - a Bíblia. Ninguém consegue viver consistentemente nem com seu próprio conceito de moralidade, quanto mais diante dos padrões de Deus. Como Criador, Deus tem o direito de legislar e determinar o que é certo e errado e de julgar a cada um de acordo com isto.

7 de abr. de 2015

Cruz: Expressão do Amor de Deus

Por Luciana Barbosa

“Mas Deus prova o seu próprio amor para conosco pelo fato de ter Cristo morrido por nós, sendo nós ainda pecadores”.

Romanos 5:8

Analisando esse versículo que o apóstolo Paulo escreveu aos romanos, podemos tirar algumas lições para nossa vida cristã, não de soberba ou exaltação, mas de constrangimento de um ser tão pecador para com um Senhor tão Santo.

Aqui destacarei apenas três dessas lições:

1. DEUS É AMOR

Em toda a Escritura vamos ver algumas passagens que falam do amor de Deus, no entanto, antes Dele nos amar, Ele ama a si próprio e o reflexo de tão grande amor nos alcança soberanamente. Você pode estar se perguntando: Como assim? E a resposta está no versículo acima onde diz que:  Deus prova o seu próprio amor para conosco pelo fato de ter Cristo morrido por nós, sendo nós ainda pecadores. Precisa de razão maior que esta? Como o mesmo apóstolo Paulo gosta de dizer em suas cartas: DE MODO NENHUM!

4 de dez. de 2014

A Doutrina da Reprovação

Por Wayne Grudem

Quando entendemos a eleição como ação soberana da parte de Deus de escolher algumas pessoas para serem salvas, há então necessariamente outro aspecto dessa escolha, a saber, a decisão soberana de Deus de não levar em conta outras e não salvá-las. Essa decisão de Deus na eternidade passada é chamada reprovação. Reprovação é a decisão soberana de Deus, antes da criação, de não levar em conta algumas pessoas, decidindo em tristeza não salvá-las e puni-las por seus pecados, manifestando por meio disso sua justiça.

De muitas maneiras, a doutrina da reprovação é o mais difícil de todos os ensinos das Escrituras; difícil de entender e difícil de aceitar, porque trata de conseqüências horríveis e eternas para seres humanos feitos à imagem de Deus. O amor que Deus nos dá pelos outros seres humanos e também o amor que Ele ordena que tenhamos pelo próximo nos fazem recuar diante dessa doutrina, e é compreensível que sintamos tão grande terror ao contemplá-la. [23] É algo em que não iríamos querer acreditar, e não acreditaríamos, se as Escrituras não o ensinassem claramente.

Mas há passagens nas Escrituras que falam de tal decisão da parte de Deus? Certamente há algumas. Judas fala de alguns indivíduos, “os quais, desde muito, foram antecipadamente pronunciados para esta condenação, homens ímpios, que transformam em libertinagem a graça de nosso Deus e negam o nosso único Soberano e Senhor, Jesus Cristo” (Jd 4).

Além disso, Paulo, na passagem referida acima, fala da mesma maneira do faraó e de outros: “Porque a Escritura diz a Faraó: Para isto mesmo te levantei, para mostrar em ti o meu poder e para que o meu nome seja anunciado por toda a terra. Logo, tem ele misericórdia de quem quer e também endurece a quem lhe apraz.[...] Que diremos, pois , se Deus, querendo mostrar sua ira e dar a conhecer o seu poder, suportou com muita longanimidade os vasos da ira, preparados para a perdição?” (Rm 9.17-22).

Com referência aos resultados do fato de que Deus deixou de escolher alguns para a salvação, Paulo diz: “A eleição o alcançou; e os mais foram endurecidos” (Rm 11.7). Também Pedro diz a respeito daqueles que rejeitaram o evangelho: “… tropeçam na palavra, sendo desobedientes, para o que também foram postos” (1Pe 2.8). [24]

Apesar do fato de recuarmos diante dessa doutrina, devemos ter uma atitude cuidadosa diante de Deus e dessas passagens das Escrituras. Nunca devemos começar a desejar que a Bíblia estivesse escrita de outra maneira, ou que ela não contivesse determinados versículos. Além disso, se estivermos convencidos de que esses versículos ensinam a reprovação, então somos obrigados tanto a acreditar nela quanto a aceitá-la como algo legítimo e justo da parte de Deus, mesmo que ela nos faça tremer de pavor quando pensamos sobre ela. Nesse contexto podemos nos surpreender ao ver que Jesus pode agradecer a Deus tanto por ocultar de alguns o conhecimento sobre a salvação quanto por revelá-lo a outros: “Exclamou Jesus: Graças te dou, ó Pai, Senhor do céu e da terra, porque ocultaste estas cousas aos sábios e instruídos e as revelaste aos pequeninos. Sim, ó Pai, porque assim foi do teu agrado” (Mt 11.25-26).

Além disso, devemos reconhecer que de qualquer maneira, na sabedoria de Deus, a reprovação e a condenação eterna de alguns manifestarão a justiça de Deus e também resultarão em Sua glória. Paulo diz: “Que diremos, pois, se Deus, querendo mostrar a sua ira e dar a conhecer o seu poder , suportou com muita longanimidade os vasos de ira, preparados para a perdição [...]?” (Rm 9.22). Paulo também nota que tão grande punição sobre “os vasos de ira” serve para mostrar a grandeza da misericórdia de Deus para conosco: Deus fez isso “a fim de que também desse a conhecer as riquezas da sua glória em vasos de misericórdia” (Rm 9.23).

Devemos lembrar, também, que há importantes diferenças entre a eleição e a reprovação apresentadas na Bíblia . A eleição para a salvação é vista como uma causa para regozijo e louvor a Deus, que é digno de louvor e recebe todo o crédito pela nossa salvação (veja Ef 1.3-6; 1Pe 1.1-3). Deus é visto como quem nos escolhe ativamente para salvação, o que Ele faz com amor e prazer. Mas a reprovação é vista como algo que traz tristeza a Deus, não deleite (veja Ez 33.11), e a responsabilidade pela condenação dos pecadores é sempre lançada sobre as pessoas ou anjos que se rebelam, nunca sobre o próprio Deus (veja Jo 3.18-19; 5.40). Assim, pelo que as Escrituras apresentam, a causa da eleição está em Deus, e a causa da reprovação jaz no pecador. Outra diferença importante é que o fundamento da eleição é a graça de Deus, ao passo que o fundamento da reprovação é a justiça de Deus. Portanto “predestinação dupla” não é uma frase exata nem útil, porque negligencia essas diferenças entre a eleição e a reprovação .

A tristeza de Deus com a morte dos perversos (“não tenho prazer na morte do perverso, mas em que o perverso se converta do seu caminho e viva”, Ez 33.11) ajuda-nos a entender como era adequado que o próprio Paulo sentisse grande tristeza quando pensava sobre os judeus incrédulos que tinham rejeitado Cristo. Ele diz: “Digo a verdade em Cristo, não minto, testemunhando comigo, no Espírito Santo, a minha própria consciência; tenho grande tristeza e incessante dor no coração; porque eu mesmo desejaria ser anátema, separado de Cristo, por amor de meus irmãos , meus compatriotas, segundo a carne. São israelitas” [...] (Rm 9.1-4).

Nós igualmente devemos sentir essa grande tristeza, ainda mais quando pensamos a respeito do destino dos incrédulos.

Mas pode-se argumentar nesse ponto: se Deus genuinamente sente tristeza na punição dos perversos, então por que a permite ou até mesmo decreta que isso suceda? A resposta deve ser: Deus sabe que isso no final das contas resultará em maior glória para si mesmo. Assim mostrará seu poder, ira, justiça e misericórdia de um modo que de nenhuma outra forma poderia ser demonstrado. Certamente em nossa própria experiência humana, é possível fazer algo que nos cause grande tristeza, mas que sabemos resultará, a longo prazo, num bem maior. E assim, depois dessa fraca analogia humana, podemos entender até certo grau que Deus pode decretar algo que lhe cause tristeza, mas afinal promoverá sua glória.

NOTAS:

[23] - O próprio João Calvino disse com respeito à reprovação: “Decreto, certamente, horrível, confesso”. Calvino,Institutas , 3.23.7; mas deve ser notado que sua palavra latina horribilis não significa “detestável” mas, antes, “pavoroso, que inspira terror”.

[24] - Veja a discussão sobre esse versículo em Wayne Grudem, 1 Peter , p. 107-10. O versículo não diz simplesmente que Deus determinou que aqueles que desobedecessem tropeçariam, mas, antes, fala sobre Deus destinar determinadas pessoas para desobedecer e tropeçar: “para o que também foram postos”. (O verbo gregoetethesan , “foram postos”, requer um sujeito plural. )

GRUDEM, Wayne. Teologia Sistemática Atual e Exaustiva . 1ª edição. Ed. Vida Nova, São Paulo, SP, 2003. 573-576.

3 de dez. de 2014

Salvos para a Glória de Deus

Por John Piper

Eu me lembro de dar uma aula sobre Efésios 1 em janeiro de 1976 como professor visitante na Bethel College. Eu desenvolvi a aula sistematicamente ao longo dos primeiros catorze versículos de Efésios e minha mente novamente foi constantemente espantada. Isso porque três vezes nos versículos 6, 12 e 14 — Paulo diz que Deus nos escolheu em Jesus antes da fundação do mundo e nos predestinou para sermos seus filhos para o louvor da glória de sua graça.

Ele escolheu você. Por quê? Para que sua glória e graça possam ser louvadas e magnificadas. Sua salvação é glorificar a Deus. Sua eleição é glorificar a Deus. Sua regeneração é glorificar a Deus. Sua justificação é para a glória de Deus. Sua santificação é para a glória de Deus, e um dia, sua glorificação será um mergulho na glória de Deus.

Você foi criado para a glória de Deus. Isaías 43.6-7: “Trazei meus filhos de longe e minhas filhas, das extremidades da terra, os que criei para minha glória”.

Deus resgatou seu povo Israel do Egito para a sua glória. Salmo 106.7-8: “Nossos pais, no Egito, não atentaram às tuas maravilhas; foram rebeldes junto ao Mar Vermelho. Mas ele os salvou por amor do seu nome, para lhes fazer notório o seu poder”.

Em outras palavras, ele dividiu o Mar Vermelho e salvou seu povo rebelde para que ele fizesse notório o seu poder; e sua fama se espalhou até Jericó e salvou uma prostituta, de maneira que quando os israelitas chegaram lá e estavam prontos para soprar as trombetas, ela já tinha nascido de novo, pois ela disse: “Ouvimos o seu nome e o seu renome”, e uma mulher e sua família creram em um Deus teocêntrico e escaparam da destruição.

Deus teve misericórdia de Israel no deserto  para a sua glória. Deus poupou Israel no deserto diversas vezes. “A casa de Israel se rebelou contra mim no deserto”, disse Ezequiel citando Deus,“Então, eu disse que derramaria sobre eles o meu furor no deserto, para os consumir. O que fiz, porém, foi por amor do meu nome, para que não fosse profana do diante das nações” (20.13-14). Então, finalmente Deus os envia para o julgamento na Babilônia, e após 70 anos, a misericórdia começa a se aproximar deles. Ele não se divorciará da sua noiva da aliança, e ele os traz de volta, mas por quê?

Qual é o motivo enraizado no coração de Deus? Ouça a resposta de leaíae 48.9-11: “Por amor do meu nome, retardarei a minha ira e por causa da minha honra me conterei para contigo, para que te não venha a exterminar. Eis que te acrisolei, mas disso não resultou prata; provei-te na fornalha da aflição. Por amor de mim, por amor de mim, é que faço isto; porque como seria profanado o meu nome? A minha glória, não a dou a outrem”. Esse é um motivo teocêntrico para a misericórdia.

Jesus veio e morreu para a glória de Deus. Jesus veio ao mundo por qual razão? Ah, quantas vezes já citamos João 3.16, e isso é gloriosamente verdadeiro. Antes que esta mensagem termine, espero que você veja que tal ênfase (a glória de Deus) e a ênfase que você conhece há muito tempo (sua alegria) não estão em desacordo.

Mas por que Jesus veio? De acordo com Romanos 15.8-9, ele veio por esta razão: “Cristo foi constituído ministro da circuncisão, em prol da verdade de Deus, para confirmar as promessas feitas aos nossos pais; e para que os gentios glorifiquem a Deus por causa da sua misericórdia”. Jesus veio à terra, tornou se totalmente humano e morreu para que você desse glória ao seu Pai pela misericórdia. Ele veio por amor ao seu Pai. Essa é a razão principal de sua vinda: a glória do seu Pai, e sua glória alcança seu ápice no derramamento da misericórdia.

Ouça esta palavra de Romanos 3.25-26: Deus propôs a Cristo, no seu sangue, como propiciação para manifestar a justiça de Deus. Isso foi para provar, no tempo presente, que ele mesmo é justo. Foi por isso que ele morreu. Ele morreu para vindicar a justiça de Deus que havia deixado impunes pecados como os de Davi, o adultério e o assassinato.

Em algum momento você já se incomodou que Deus tenha deixado impune o adultério do Rei Davi, e Davi simplesmente continuou sendo rei? Bom, isso incomodou Paulo até às profundezas de seu ser, que Deus não seja justo e deixe pecados impunes. E não foi apenas Davi. Houve milhares de santos no Antigo Testamento (e hoje) cujos pecados Deus simplesmente esquece e ignora. E Paulo clamou: “Como tu podes ser Deus e fazer isso? Como tu podes ser justo e fazer isso? Como tu podes ser reto e fazer isso? Como tu podes ser digno de adoração e fazer isso? Se qualquer juiz aqui em Austin fizesse isso — se ele absolvesse um pedófilo, um estuprador ou um assas sino ele seria demovido imediatamente, e ainda assim Deus faz isso todos os dias. Então, podemos perguntar: “Que tipo de Deus é você?”.

A cruz é a solução para um mega problema teológico, a saber: Como Deus pode ser Deus e perdoar pecados? Jesus veio para vindicar a Deus pela salvação de pessoas como você e eu. A salvação é uma coisa grandemente e gloriosamente teocêntrica.

Jesus retornará para receber glória. Por que ele voltará? Jesus está voltando, e deixe-me te dizer por que ele está voltando e o que você pode fazer quando ele voltar, para que você esteja pronto e o faça. 2 Tessalonicenses 1.8-10: “Os que não obedecem ao evangelho de nosso Senhor Jesus (…) sofrerão penalidade de eterna destruição, banidos da face do Senhor e da glória do seu poder, quando ele vier para ser glorificado nos seus santos e ser admirado em todos os que creram, naquele dia”. Você consegue ver essas duas coisas? Ele está vindo para ser glorificado (magnificado) em seus santos e para ser admirado. Se você não começar isso agora, você não será capaz de fazê-lo quando ele voltar.
Esta conferência existe para acender um fogo em seus ossos e para iniciar um incêndio em suas mentes e em seus corações, a fim de prepará-los para encontrar o Rei Jesus, de maneira que vocês continuem por toda a eternidade fazendo o que ele criou vocês para fazerem; a saber, admirá-lo e magnificá-lo.

13 de nov. de 2014

Salvação pela fé, mediante a graça somente

Por Augustus Nicodemus Lopes

1. Todas as pessoas são carentes de salvação, pois todas elas, sem qualquer exceção, são pecadoras. Isto significa que elas, em maior ou menor grau, quebraram a lei de Deus e se tornaram culpadas diante dele. Esta lei está gravada na consciência de todos, disposta nas coisas criadas e reveladas claramente nas Escrituras - a Bíblia. Ninguém consegue viver consistentemente nem com seu próprio conceito de moralidade, quanto mais diante dos padrões de Deus. Como Criador, Deus tem o direito de legislar e determinar o que é certo e errado e de julgar a cada um de acordo com isto.

2. Ninguém é bom o suficiente diante de Deus para obter sua própria salvação ou de fazer boas obras que o qualifiquem para tal. O pecado de tal maneira afetou a natureza do ser humano que sua vontade é inclinada ao mal, seu entendimento é obscurecido quanto às coisas de Deus e sua fé não consegue se firmar em Deus somente. Sem ajuda externa - a qual só pode vir do próprio Deus - pessoa alguma pode obter ou receber a salvação da condenação e do castigo que seus próprios pecados merecem.

3. Deus enviou Seu Filho Jesus Cristo ao mundo para morrer por pecadores, de forma que eles pudessem obter esta salvação a qual, de outra forma, seria inalcançável. Jesus Cristo, por determinação e desígnio de Deus, morreu na cruz como sacrifício completo, perfeito, único, suficiente e eficaz pelos pecados. Ele ressuscitou física e literalmente de entre os mortos ao terceiro dia, vencendo a morte e o inferno, e subiu aos céus. Assim, somente em Jesus Cristo as pessoas podem encontrar a salvação da culpa e condenação de seus pecados. E fora dele, não há qualquer possibilidade de salvação, diante dos pontos 1 e 2 expostos acima.

4. As pessoas tomam conhecimento da pessoa e da obra de Cristo mediante o Evangelho, o qual é pregado ao mundo todo. Sem o conhecimento do Evangelho, é impossível para as pessoas se salvarem. Cristo é a luz do mundo, o caminho, a verdade e a vida, e ninguém pode ir ao Pai senão por ele. Este Evangelho está claramente exposto na Bíblia, e é por ouvir a Palavra que vem a fé em Jesus Cristo. Com respeito àqueles que nunca ouviram falar de Cristo, o Deus justo haverá de tratá-los sem cometer injustiça e em conformidade com a luz que receberam, quer da sua própria consciência, quer da natureza. Todavia, não poderão alegar desconhecer a lei de Deus.

5. Mediante a fé em Jesus Cristo, como seu único e suficiente Salvador, as pessoas, quem quer que sejam, de qualquer país ou cultura, sem distinção alguma de raça, sexo, posição social ou educação, são perdoadas completamente de seus pecados, aceitas por Deus como filhos e recebem o Espírito de Deus como selo e penhor desta salvação, iniciando assim uma nova vida neste mundo. Nesta nova vida, elas demonstram arrependimento pelas obras más cometidas, humildade e constante penitência diante de Deus, aliadas a uma grande alegria e gratidão a Ele por tão grande e completa salvação. A certeza que eles têm aqui nesta vida de terem sido salvos da condenação eterna não decorre de seus méritos ou obras - os quais eles não possuem - mas da graça e do favor de Deus. Por isto falam desta salvação não em termos arrogantes, mas humildemente, como pessoas que foram misericordiosamente salvas do justo castigo que mereciam.

6. A fé salvadora não é uma força emocional mística. Antes, é a confiança que parte de um coração regenerado por Deus em todas as suas promessas, principalmente aquela de vida eterna na pessoa de Jesus Cristo, Seu Filho. Esta confiança envolve uma compreensão básica do que o Evangelho nos diz sobre Cristo e sua morte e ressurreição e um assentimento intelectual a estes fatos. Como nem esta compreensão e nem mesmo a fé têm origem na capacidade humana, afetada como está pelo pecado, segue-se que a salvação, tendo custado um alto preço que foi a morte de Cristo, é dada gratuitamente por Deus. Ela não depende de obras, mérito, esforço ou qualquer outra coisa que tenha origem no ser humano. É puramente pela graça, mediante a fé.

4 de nov. de 2014

Jesus salva; fé, não

Por Scott Swain

Jesus é o “agente” da salvação. Fé é o “instrumento” da salvação. Nós não devemos confundir os dois.

Jesus é o agente que alcanças todas as graças salvíficas por nós e em nós.  Jesus “salva”, “justifica”, “santifica” e “glorifica” seu povo em cumprimento do soberano propósito do seu Pai e por meio do poder do Espírito. Seu nome é “Jesus” porque ele salva seu povo dos seus pecados (Mt 1.21).

Fé é o instrumento que recebe Jesus o salvador (Jo 1.12). Fé é o meio fraco e indefeso pelo qual Jesus concede suas bênçãos salvadoras para pobres e miseráveis pecadores como eu e você (Rm 4.16-21). Fé não é a obediência que Jesus exige quando nós ficamos aquém de suas exigências mais difíceis. Fé é uma alternativa para as exigências de Jesus (Rm 4.4-5). De fato, fé é a raiz da qual toda obediência grata a Jesus nasce (Gl 5.6). Mas Jesus é o solo que nutre essa raiz e a água vivificante que a leva a dar fruto (Ef 3.17).

Quando a fé se tornar o agente da salvação, nos depararemos com vários problemas. Nós começaremos a imaginar se e quando realmente cremos, e se estamos crendo com sinceridade suficiente, força suficiente e consistência suficiente.

Quando Jesus torna-se o instrumento da salvação, também nos deparamos com sérios problemas. Em vez de confiar nele para completar a boa obra que ele iniciou em nós (Fp 1.6) e guardar sua Palavra para cumpri-la (Jr 1.12), nós começamos a pensar nele como um espectador passivo da nossa salvação, alguém que precisamos manipular por meio de atividades religiosas para que ele desperte e nos dê o que precisamos ou o que achamos que precisamos.

Jesus e fé andam lado a lado. Mas eles o fazem em ordem e relacionamento definidos. Confunda essa ordem e relacionamento e você – assim como aqueles que escutam sua confusão – terão sérios problemas espirituais. Entenda corretamente e você começará a pensar e falar muito mais sobre Jesus e seus atos salvíficos e muito menos sobre fé. E isso é algo bom: porque Jesus é um salvador espetacular e somente ele – não sua fé – é digno de sua confiança.
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Fonte: Reforma 21

2 de nov. de 2014

A Segurança Eterna da Salvação em Cristo

Por Thomas Magnum

"As minhas ovelhas ouvem a minha voz, e eu as conheço, e elas me seguem; eu lhes dou a vida eterna, e jamais perecerão; e ninguém as arrebatará da minha mão."
João 10.27,28

Uma grande verdade das Escrituras é a segurança eterna dos santos, nesse texto do evangelho de João, lemos essa maravilhosa promessa da parte do Senhor. Embora tal ponto seja controvertido para muitos arminianos, que afirmam que o calvinismo toma por base a lógica do seu sistema de pensamento e dogmatiza sua dedução com pressupostos infundados, esse argumento prova por si mesmo que não é isso que o calvinismo diz. Iremos nos ater nesse texto de João e em alguns outros da Escritura para mostrar que a perseverança dos santos é um ensino genuinamente bíblico e que o Senhor Jesus nos ensinou com tamanha clareza que é impossível contradizer isso.

Ao examinarmos outros textos do Novo Testamento notaremos que o ensino da perseverança dos santos é transmitido de forma abundante por Paulo como também pelos apóstolos. O arminianismo assegura que um crente pode perder sua salvação, seu livre arbítrio pode ser usado para a rejeição da fé. No entanto o pensamento calvinista nos mostra com maior substancialidade bíblica e teológica que a doutrina da segurança eterna é ensinada nas escrituras de forma clara e enfática.

E os que predestinou, a eles também chamou; e os que chamou, a eles também justificou; e os que justificou, a eles também glorificou. Romanos 8.30

Paulo nos diz aqui que o Deus que predestina, chama, e o que chama, justifica, o que justifica, glorifica. Note que o tempo verbal aqui demonstra um ato já realizado, Deus glorificou seus eleitos, essa passagem nos mostra que a segurança de nossa salvação não depende da força que seguramos a mão de Deus, mas em sua mão que nos sustenta. Paulo continua:

Portanto, que poderemos dizer diante dessas coisas? Se Deus é por nós, quem será contra nós? Aquele que não poupou nem o próprio Filho, mas, pelo contrário, o entregou por todos nós, como não nos dará também com ele todas as coisas? Quem trará alguma acusação contra os escolhidos de Deus? É Deus quem os justifica; quem os condenará? Cristo Jesus é quem morreu, ou, pelo contrário, quem ressuscitou dentre os mortos, o qual está à direita de Deus e também intercede por nós. Quem nos separará do amor de Cristo? Será tribulação, ou angústia, ou perseguição, ou fome, ou privação, ou perigo, ou espada? Como está escrito: Por amor de ti somos entregues à morte todos os dias; fomos considerados como ovelhas para o matadouro, Mas em todas essas coisas somos mais que vencedores, por meio daquele que nos amou. Pois tenho certeza de que nem morte, nem vida, nem anjos, nem autoridades celestiais, nem coisas do presente nem do futuro, nem poderes, nem altura, nem profundidade, nem qualquer outra criatura poderá nos separar do amor de Deus, que está em Cristo Jesus, nosso Senhor. Romanos 8.31-39

Aqui nós podemos tirar alguns pontos interessantes sobre nossa segurança em Cristo.

1. O Sacrifico de Cristo é suficiente para nos sustentar e santificar e glorificar, Ele nos dará todas as coisas.

2. Em Cristo temos a justificação dos nossos pecados. Ninguém condenará os eleitos, ninguém terá triunfo sobre nossa salvação, para nos tirar da presença de Deus.

3. E que nada nos separará do amor de Cristo, nenhuma circunstância ou adversidade.

4. Cristo nos torna mais que vencedores.

No Evangelho de João

Podemos constatar isso em outras passagens, vejamos:

Mas aquele que beber da água que eu lhe der nunca terá sede, porque a água que eu lhe der se fará nele uma fonte de água que salte para a vida eterna.
João 4.14

Na verdade, na verdade vos digo que quem ouve a minha palavra, e crê naquele que me enviou, tem a vida eterna, e não entrará em condenação, mas passou da morte para a vida. João 5.24

Todo o que o Pai me dá virá a mim; e o que vem a mim de maneira nenhuma o lançarei fora. Porque eu desci do céu, não para fazer a minha vontade, mas a vontade daquele que me enviou. João 6.37-38

Porquanto a vontade daquele que me enviou é esta: Que todo aquele que vê o Filho, e crê nele, tenha a vida eterna; e eu o ressuscitarei no último dia. João 6.40

Eu sou o pão vivo que desceu do céu; se alguém comer deste pão, viverá para sempre; e o pão que eu der é a minha carne, que eu darei pela vida do mundo. João 6.51

Eu sou o pão da vida. João 6.48

Podemos ver com esses textos que a vida eterna depende unicamente de Deus, não do homem, temos a expressa confirmação disso em João 1.13.

Os quais não nasceram do sangue, nem da vontade da carne, nem da vontade do homem, mas de Deus. João 1.13

Quem nos garante a vida eterna é o próprio Cristo, quanto aos afirmam que a salvação poderá ser perdida, estão invalidando as promessas e os decretos de Deus, Que mediante a fé estais guardados na virtude de Deus para a salvação, já prestes para se revelar no último tempo. 1 Pedro 1.5

Estou convencido de que aquele que começou boa obra em vocês vai completá-la até o dia de Cristo Jesus. [1] Nos diz ainda o profeta Jeremias:

E farei com eles uma aliança eterna de não me desviar de fazer-lhes o bem; e porei o meu temor nos seus corações, para que nunca se apartem de mim.
Jeremias 32.40

Voltemos agora para nosso texto base.

As minhas ovelhas ouvem a minha voz, e eu as conheço, e elas me seguem; eu lhes dou a vida eterna, e jamais perecerão; e ninguém as arrebatará da minha mão. João 10.27,28

 D.A. Carson comenta essa passagem:

"Jesus, então, dá vida eterna para suas próprias ovelhas. Em termos de metáfora das ovelhas, Jesus já disse que Ele dá para elas vida plena (v.10); agora Ele afirma claramente que essa vida é sua própria vida eterna, frequentemente oculta no evangelho sob as figuras de água, luz, bom pastor. A consequência de Ele conhecer suas ovelhas e de lhes dar a vida eterna é que elas jamais perecerão [...] Mesmo assim, o foco não é o poder da vida em si mesmo, mas o poder de Jesus: ninguém as poderá arrancar da minha mão, nem lobo (v.12), nem ladrões, nem os assaltantes (vv.1, 8), nem ninguém. Pensar de outra forma acarretaria a conclusão que Jesus tinha fracassado na explicita atribuição dada a ele pelo Pai, de preservar a todos que foram dados a Ele. A segurança definitiva das ovelhas de Jesus baseia-se no bom pastor". [2]

Fica evidente nessa passagem que a atribuição para a segurança da fé, depende do pastor, operando eficazmente em suas ovelhas. Note que no texto de Paulo a Bíblia nos diz que nada nos separaria de Cristo, na fala de Jesus no evangelho de João nos diz que ninguém nos separaria dele.

A confissão de Fé de Westminster

I. Os que Deus aceitou em seu Bem-amado, os que ele chamou eficazmente e santificou pelo seu Espírito, não podem decair do estado da graça, nem total, nem finalmente; mas, com toda a certeza hão de perseverar nesse estado até o fim e serão eternamente salvos.

Fl. 1. 6; Jo 10. 28-29; I Pe. 1.5, 9.

II. Esta perseverança dos santos não depende do livre arbítrio deles, mas da imutabilidade do decreto da eleição, procedente do livre e imutável amor de Deus Pai, da eficácia do mérito e intercessão de Jesus Cristo, da permanência do Espírito e da semente de Deus neles e da natureza do pacto da graça; de todas estas coisas vêm a sua certeza e infalibilidade.

II Tm. 2.19; Jr. 31.3; Jo 17.11, 24; Hb 7.25; Lc. 22.32; Rm. 8.33, 34, 38-39; Jo 14.16-17; I João 2.27 e 3:9; Jr. 32.40; II Ts. 3.3; I Jo 2.19; João 10.28. [3]

Essa certeza é que nos move a uma vida santa na presença do Senhor, buscamos a santidade não para sermos salvos, mas, porque fomos salvos e temos o profundo desejo gerado em nós pelo Espirito Santo de sermos mais parecidos com Cristo.

Como diz o Hino de H.M. Wright, 423, do hinário Salmos e Hinos:

Segurança do Crente

Oh! Quão preciosa e Rica promessa
De Jesus Cristo, celeste Rei!
Ao que confia na sua graça
Diz Ele: “Nunca te deixarei!”
Oh! Não temas! Oh, não temas!
Pois Eu contigo sempre serei.
Oh, não temas! Oh, não temas!
Porque Eu nunca te deixarei!
________________________________ 
[1] Filipenses 1.6- Bíblia Sagrada
[2] O Comentário de João, D.A. Carson- Ed. Vida Nova
[3] A Confissão de Fé de Westminster – Ed. Cultura Cristã.

30 de out. de 2014

Graça Irresistível

Por Luciana Barbosa

Você algum dia deve ter pensado e se perguntado: Nem todos os que ouvem o convite do evangelho, aceitam e chegam à salvação, Por que? A princípio destacaremos duas correntes de pensamento que respondem a esse questionamento.

Uma corrente vai dizer: O Espírito chama internamente todos aqueles que são externamente chamados pelo convite do Evangelho. Ele faz tudo que pode para trazer cada pecador à salvação. Sendo o homem livre, pode resistir de modo efetivo a essa chamada do Espírito. O Espírito não pode regenerar o pecador antes que ele creia. A fé (que é a contribuição do homem para a salvação) precede e torna possível o novo nascimento. Desta forma, o livre arbítrio limita o Espírito na aplicação da obra salvadora de Cristo. O Espírito Santo só pode atrair a Cristo aqueles que O permitem atuar neles. Até que o pecador responda, o Espírito não pode dar a vida. A graça de Deus, portanto, não é invencível; ela pode ser, e de fato é, frequentemente, resistida e impedida pelo homem (Arminianismo ou semipelagianismo).

A outra corrente vai dizer: Além da chamada externa à salvação, que é feita de modo geral a todos que ouvem o evangelho, o Espírito Santo estende aos eleitos uma chamada especial interna, a qual inevitavelmente os traz à salvação. A chamada externa (que é feita indistintamente a todos) pode ser, e, comumente é, rejeitada; ao passo que a chamada interna (que é feita somente aos eleitos) não pode ser rejeitada. Ela sempre resulta na conversão. Por meio desta chamada especial o Espírito atrai irresistivelmente pecadores a Cristo. Ele não é limitado em Sua obra de aplicação da salvação pela vontade do homem, nem depende, para o Seu sucesso, da cooperação humana. O Espírito graciosamente leva o pecador eleito a cooperar, a crer, a arrepender-se, a vir livre e voluntariamente a Cristo. A graça de Deus, portanto, é invencível. Nunca deixa de resultar na salvação daqueles a quem ela é estendida, ou seja, graça irresistível (Calvinismo).

Vejamos algumas razões porque devemos concordar com a graça irresistível:

Antes de tudo é importante saber o que se entende por “graça irresistível”. Existem pessoas – equivocadas - que acreditam que essa “graça irresistível” é como se Deus não desse outra escolha e o obrigasse, mesmo contra sua vontade, ao arrependimento. Entretanto, na verdade, graça irresistível não significa isso. Graça Irresistível significa que Deus, através da Sua graça, retira as escamas dos nossos olhos, retira os tampões dos nossos ouvidos, e assim conseguindo ver a maravilhosa, excelente, excelsa, magnífica graça e amor de Deus e podemos ouvir o maravilhoso evangelho do Seu filho, a saber, Jesus Cristo, e desse modo, não temos outra escolha a não ser abraçar esse Deus que é maravilhoso e agora viver para sempre glorificando. Isso é o que significa graça irresistível.

Imagine comigo um cego e um morto. Ambos num encontro com Jesus. O cego sendo curado passa a ver. Ele não fez nada, não mereceu e não comprou a cura. Simplesmente Jesus venceu sua doença e incapacidade física. Ele não teve como resistir a cura. Tudo agora que ele podia fazer era ver e se alegrar nisso. Agora ele poderia ver a verdade e contemplar Jesus. Duvido que ele pedisse para ser cego novamente. Agora vamos ao morto. Esse mais semelhante a nós. Ele não faz absolutamente nada para viver. Não percebe Jesus chegando. Nada. E de repente está de pé, respirando e com sangue correndo nas veias. Nova vida, nova chance. Sem merecer, pedir e muito menos querer. Jesus simplesmente venceu a morte e o trouxe a vida. Graça! Não o imagino triste ou pedindo para ser um morto de volta.

Para Deus e sobre nossa salvação graça não é somente aquilo que recebemos sem comprar. É aquilo que recebemos sem comprar, merecer, conseguir, roubar ou achar. Ela faz tudo! Ela me achou, me alcançou, me chamou e salvou. Graça não é um evento isolado, é uma corrente diária que flui do alto para nós. Ela continua me achando, alcançando, chamando, salvando, sustentando, consolando, alegrando, fortificando e amando. Não por mim, mas para a glória de Deus que decidiu concedê-la a mim. A graça vence todos os meus problemas e pecados porque ela me venceu primeiro.

ALGUMAS BASES BÍBLICAS DA GRAÇA IRRESISTÍVEL

A condição dos seres humanos naturais é descrita com palavras devastadoras em Efésios 2.1-2: “ Ele vos deu vida, estando vós mortos nos vossos delitos e pecados, nos quais andastes outrora, segundo o curso deste mundo, segundo o príncipe da potestade do ar, do espírito que agora atua nos filhos da desobediência”. Nossa condição natural não é somente enfermidade espiritual- uma doença que pode ser curada com algum esforço nosso. Não, nossa condição é de morte espiritual. E como um morto pode responder favoravelmente a um chamado ou convite do evangelho?

João 1.12-13: "Mas, a todos quantos o receberam, deu-lhes o poder de serem feitos filhos de Deus, aos que crêem no seu nome; os quais não nasceram do sangue, nem da vontade da carne, nem da vontade do homem, mas de Deus."

João 3.3-8: "Jesus respondeu, e disse-lhe: Na verdade, na verdade te digo que aquele que não nascer de novo, não pode ver o reino de Deus. Disse-lhe Nicodemos: Como pode um homem nascer, sendo velho? Pode, porventura, tornar a entrar no ventre de sua mãe, e nascer? Jesus respondeu: Na verdade, na verdade te digo que aquele que não nascer da água e do Espírito, não pode entrar no reino de Deus. O que é nascido da carne é carne, e o que é nascido do Espírito é espírito. Não te maravilhes de te ter dito: Necessário vos é nascer de novo. O vento assopra onde quer, e ouves a sua voz, mas não sabes de onde vem, nem para onde vai; assim é todo aquele que é nascido do Espírito."

João 5.21,25: "Pois, assim como o Pai ressuscita os mortos, e os vivifica, assim também o Filho vivifica aqueles que quer [...] Em verdade, em verdade vos digo que vem a hora, e agora é, em que os mortos ouvirão a voz do Filho de Deus, e os que a ouvirem viverão."

João 6.37,44,45: "Todo o que o Pai me dá virá a mim; e o que vem a mim de maneira nenhuma o lançarei fora [...] Ninguém pode vir a mim, se o Pai que me enviou o não trouxer; e eu o ressuscitarei no último dia. Está escrito nos profetas: E serão todos ensinados por Deus. Portanto, todo aquele que do Pai ouviu e aprendeu vem a mim."

Romanos 9.18-24: "Logo, pois, compadece-se de quem quer, e endurece a quem quer. Dir-me-ás então: Por que se queixa ele ainda? Porquanto, quem tem resistido à sua vontade? Mas, ó homem, quem és tu, que a Deus replicas? Porventura a coisa formada dirá ao que a formou: Por que me fizeste assim?1 Ou não tem o oleiro poder sobre o barro, para da mesma massa fazer um vaso para honra e outro para desonra? E que direis se Deus, querendo mostrar a sua ira, e dar a conhecer o seu poder, suportou com muita paciência os vasos da ira, preparados para a perdição; para que também desse a conhecer as riquezas da sua glória nos vasos de misericórdia, que para glória já dantes preparou, os quais somos nós, a quem também chamou, não só dentre os judeus, mas também dentre os gentios?"

I Coríntios 4.7: "Porque, quem te faz diferente? E que tens tu que não tenhas recebido? E, se o recebeste, por que te glorias, como se não o houveras recebido?"

II Coríntios 3.5-6: "Não que sejamos capazes, por nós, de pensar alguma coisa, como de nós mesmos; mas a nossa capacidade vem de Deus, o qual nos fez também capazes de ser ministros de um novo testamento, não da letra, mas do espírito; porque a letra mata e o espírito vivifica."

Permita-me uma ilustração. Suponhamos que você esteja se afogando e seus amigos estejam na praia a uma distância em que você possa ser ouvido. Você não sabe nadar. Desejando respeitar sua integridade pessoal, e querendo capacitá-lo a ajudar-se o máximo possível, um de seus amigos na praia, um excelente nadador, grita dizendo que você nade imediatamente para a praia. O conselho, mesmo que dado com boa intenção, é mais que inútil, uma vez que você não sabe nadar. O que você precisa desesperadamente é que seu amigo se lance às águas e leve-o a praia com poderosas braçadas, para que sua vida seja salva. O que você precisa nesse instante não é só de um conselho, um bom conselho, você precisa ser resgatado!

Essa é nossa condição natural; somos pecadores perdidos, mortos no pecado e não podemos reviver a nós mesmos. Nossos ouvidos estão surdos ao convite do evangelho, nossos olhos estão cegos à sua luz, precisamos de um milagre que só o Espirito Santo tem o poder para nos conceder tão maravilhosa graça.

Diante de tudo isso que foi dito, o que pensarmos então sobre o APELO após as pregações:

A prática do Apelo afronta a incapacidade do homem de ir a Deus

A doutrina da depravação total é inequívoca. Efésios 2.1 nos ensina que o homem está “morto em seus delitos e pecados”. Isto é, um homem morto espiritualmente não possui a capacidade de ir a Deus ou até manifestar desejo por Deus, a não ser que este o queira e o convença mediante o Espírito Santo do pecado do juízo e da justiça. Além disso, as Escrituras também ensinam que “Ninguém pode ir a Cristo se o Pai, não o enviar.” Em outras palavras isso significa que nenhum homem pode ou tem poder para ir até Cristo por vontade própria.

A prática do apelo geralmente é feita num clima sensacionalista, manipulativo e extremamente emocional

É comum ao final dos sermões encontrarmos os pregadores num clima extremamente emotivo convidando os ouvintes a decidirem por Cristo. Em momentos como esses, o que importa é sensibilizar o pecador levando-o a decidir por Cristo.

Caro leitor, uma decisão movida por emoções não aponta de forma efetiva para uma conversão a Cristo. Na verdade, a maioria daqueles que responderam um apelo para aceitar Jesus, não permaneceram na Igreja, na verdade, acredita-se que 90% daqueles que com lágrimas disseram sim a Cristo, não continuaram a trilhar a estrada da fé.

O apelo contradiz o que a Bíblia dá como a ordem na salvação

João 3.3 nos ensina que se o homem não nascer de novo, não pode ver o reino de Deus. Regeneração antecipa conversão. É o novo nascimento que habilita o homem a confiar e crer em Cristo, portanto, querer que o homem decida por Cristo antes de ser convencido pelo Espírito Santo dos seus pecados, bem como regenerado pelo Senhor afronta as verdades bíblicas.

Sola Gratia, Soli deo gloria!
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Referências:

Piper, John; Graça Irresistível.
Hoekema, Anthony; Salvos Pela Graça 3°edição.
Vargens, Renato; 3 Motivos Básicos Porque Não faço Apelo para Salvação.