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1 de dez. de 2016

Entrevista com Igor Miguel - Igreja, Missão e Missionalidade



É com prazer que publicamos mais uma entrevista. Agora com o pastor Igor Miguel, que é casado com a Juliana, pai do João, cristão reformado, teólogo, pedagogo e mestre em letras (língua hebraica) pela FFLCH/USP. Trabalhou por 6 anos com crianças e adolescentes vulneráveis como educador e consultor educacional em projetos sociais. Especialista em educação cognitiva na SERVED, uma organização internacional que trabalha com educação em contexto de crise, principalmente no Oriente Médio. Vice-presidente da AKET (Associação Kuyper de Estudos Transdisciplinares) e pastor na Igreja Esperança em Belo Horizonte - MG. Igor também escreve no seu blog Pensar...  

Quem realizou a entrevista foi o pastor e nosso articulista Thomas Magnum. A entrevista trata sobre o papel da Igreja na Missão. Desejamos que este conteúdo seja enriquecedor e promova edificação e instrução para toda a Igreja brasileira.

Igor, o assunto missionalidade ou igreja missional tem tomado boas proporções no Brasil, principalmente por pensadores calvinistas. O que se quer dizer com igreja missional? E qual é a diferença de uma abordagem missional para uma missionária?

Missionalidade é um modo de se fazer missão. A elaboração de um termo novo é adequado quando serve para identificar uma ênfase necessária ou a especificidade de um modo particular de se fazer missão. Sabemos que o Evangelho não muda, mas as exigências contextuais mudam drasticamente. Particularmente, o que se evidencia, é que em contextos urbanos pós-cristãos e secularizados, ambientes culturais em que evangélicos são rotulados por causa de maus exemplos (como no caso da imagem produzida pelo neopentecostalismo) ou ambientes em que a pregação pública do Evangelho é restrita por forças legais, o modo missional de testemunhar o Evangelho de Cristo pode ser muito eficaz.

Há muitos livros sobre o conceito de missionalidade. Mas, uma síntese conceitual que me ajuda a me localizar é que missionalidade é uma missão encarnacional. Ou seja, ela se inspira no movimento que o Verbo de Deus fez: o Logos tornou-se gente para se fazer conhecido aos que salvava (Jo 1:14). A missionalidade é um modo de dar testemunho, o que exige a presença da igreja de maneira intencional na vida ordinária e nas relações humanas corriqueiras. Diferente de modelos de evangelização em que não-cristãos são atraídos à igreja, nesse caso, a igreja torna-se uma plataforma missional quando equipa e educa cristãos a darem testemunho de Cristo nas relações concretas com a sociedade, no ambiente das relações familiares, comunitárias, no trabalho ou na vida cultural. Muito poderiam objetar a esta altura: “mas a evangelização sempre foi assim, não?” De certa maneira, mas há uma diferença, quando intencionalmente nos engajamos em relações humanas para que de maneira orgânica e relacional nossas vidas legitimam o poder transformador do Evangelho.

Missionalidade exige um profundo conhecimento da vida humana, exige penetração cultural sem mundanismo. Como Keller afirma com frequência em seu livro “Igreja Centrada”: um cristão missional é alguém que é igual e diferente ao mesmo tempo. Isto significa que um cristão não pode ser um “alien” em termos culturais amplos. Ou seja, não deve criar barreiras culturais desnecessárias. Por outro lado, seu modo de ver a vida, de lidar com o sofrimento, com as relações humanas, de encarar o trabalho e a cultura, dão testemunho de que ele é de outra “cidade”. E, é precisamente aí, que o testemunho cristão emerge, pois desta maneira ele quebra caricaturas sobre o que significa ser cristão e abre portas para o testemunho verbal da boa-nova de Cristo. Por superação de barreiras culturais desnecessárias entende-se que o cristão deve frequentar espaços comuns, ter conversas em linguagem comum (evitar o “evangeliquês”), praticar esportes, ter hobbys, ir aos teatros, ouvir boa música (não somente música gospel) e ter repertório cultural para criar pontos de contato com a cultura onde está inserido. Claro que esta relação com a cultura não é acrítica, ao contrário, cristãos tem um modo particular de lidar com a cultura e tais contextos. E, é esta particularidade que alavanca e oportuniza o testemunho do Evangelho.

Ao tratar sobre missionalidade, qual é a ligação que tal assunto tem com cosmovisão cristã?

A cosmovisão cristã implica um “imaginário social”, pra usar um termo do filósofo Charles Taylor. O cristão imagina a existência a partir da narrativa bíblica criação-queda-redenção. Uma cosmovisão cristã madura e bem-educada fornece critérios, competências culturais e sabedoria para interagir com um ambiente sem ser absorvido por ele. Ao mesmo tempo que consegue discernir os ídolos culturais e denunciá-los com a mensagem do Evangelho. Por outro lado, se entendemos cosmovisão como uma “mentalidade”, sabemos que nossa sociedade pós-moderna não quer apenas “coerência lógica”, ela aspira por narrativas plausíveis, visões de boa vida e sentido. Concordo com James K.A. Smith, filósofo cristão do Calvin College, de que cristãos precisam viver e oferecer, mais do que uma mentalidade, mas uma narrativa alternativa e melhor em lugar das inúmeras narrativas reducionistas das sociedades secularizadas. Temos que ter a capacidade de oferecer uma história definitiva que conduz os homens a seu florescimento, libertação e pautada em virtudes como: fé, esperança e amor.

Autores como Tim Keller - que escreveu Igreja Centrada - e Michael Goheen - que escreveu Igreja Missional - tem contribuído muito para formação de pensadores para missões urbanas. Como devemos encarar esse desafio urbano em nosso atual contexto de igreja no Brasil. Essa urbanidade da missão, de fato a um tipo de contextualização?

A missão urbana não é um luxo ou uma “modinha” misssiológica. É um desafio real e crescente na missão contemporânea. Keller traz dados importantes da ONU sobre a crescente urbanização do mundo. Nas próximas décadas a tendência é que tenhamos mais da metade da população mundial morando em algum grande centro urbano. Ou seja, o cenário futuro da missão é que ela será predominantemente urbana.  Entretanto, a missão urbana exige preparação, há um fluxo muito intenso de diversidade cultural, forças migratórias, trocas simbólicas, efervescência política e social. A cidade é complexa, o que exige uma abordagem missionária igualmente complexa. É fundamental ao missionário e ao cristão urbano um entendimento mais preciso das mazelas da cidade: solidão, individualismo, narcisismo, hedonismo, pobreza e violência. Em contrapartida, o cristão urbano tem que reconhecer as riquezas da cidade: produção cultural, engajamento científico, produção de bens intelectuais, poder de sinergismo humano por causas sociais e políticas legítimas, e influência.

A igreja precisa promover treinamento missional para que cristãos criem relacionamentos significativos, se interessem autenticamente pelas pessoas a seu redor, e que superem as forças de isolamento social que impedem os vínculos necessários para o testemunho evangélico.  Cristãos precisam ser treinados a acolher perguntas honestas para darem respostas honestas aos problemas levantados a respeito da vida, cultura, Deus e espiritualidade.

Claro, este é o lado da penetração cultural da igreja, em contrapartida, a igreja local tem um papel fundamental quando se envolve em alto compromisso em manter seu púlpito cristocêntrico e sermões contextualizados.  Ou seja, o membro da igreja deve se sentir seguro em levar um amigo cético ou de uma outra religião para um culto.  Deve ter certeza que uma linguagem “inclusiva” será utilizada, que a mensagem será transmitida de tal modo que o cristão seja edificado e o não-cristão evangelizado simultaneamente. Claro, isto exige a noção, que Kevin Vanhoozer propõe do “pastor como teólogo público”. Um pastor que fala em resposta às demandas de sua cultura sem alterar a verdade evangélica.

Existem limites para contextualização da missão?

Sem dúvida! A contextualização não pode ser fundada em uma “ortodoxia generosa” como propõem protagonistas do movimento chamado “igreja emergente” ou similares. No afã de nos tornarmos relevantes corremos o risco de nos secularizarmos ou de sermos assimilados por aspectos culturais estranhos ao Evangelho. Este, na verdade, é o grande desafio da contextualização. Algumas igrejas, por receio de serem “mundanizadas”, escolheram o caminho do isolamento cultural (como se isso fosse possível), o que ironicamente conduzirá essa igreja à irrelevância por sua incapacidade de comunicar antigas e importantes verdades em uma linguagem compreensível e que alcance as questões mais profundas da vida humana. Por outro lado, não podemos permitir que sejamos acometidos por uma ansiedade que nos leve a abrirmos precedentes que acabam comprometendo, em não raros casos, o núcleo da verdade evangélica.

Temos visto no Brasil um reflorescer do pensamento voltado para a integralidade da missão, vemos também que o que tem estado presente nesse reflorescimento é um relacionamento ideológico que não era presente em 1974 por exemplo quando muito se discutia sobre missão integral. Como você vê essa questão da ideologia sendo mesclada com a teologia cristã da missão e quais são os perigos e talvez pontos positivos dessa abordagem?

Indico os diversos textos escritos pelo teólogo Guilherme de Carvalho sobre o tema, suas críticas são importantes e não podem ser desprezadas no atual debate sobre a relação entre ideologia e a teologia da missão integral. O livro Ortodoxia Integral, do filósofo Pedro Dulci, também traz uma importante e atual contribuição para a reflexão.

Sendo muito direto: a missão cristã é “proto-ideológica”, ou seja, antes do conceito moderno da possibilidade de controle histórico da realidade, seja por livre iniciativa racional ou monopólio estatal-coletivista, o cristianismo já estava em missão pelo mundo. O que não significa que a missão cristã seja apolítica. Obviamente que não! Afirmamos um Senhor que é soberano sobre toda realidade, e que Cristo, crucificado e ressuscitado, subverteu todos os poderes deste século assumindo “todo poder nos céus e na terra”. Por esta razão, cristãos impulsionados pela Grande Comissão anunciam que não há área neutra e que todos os homens são convidados, uma vez regenerados e justificados, a se tornarem membros do Reino de Deus. A missão cristã deve ser integral no sentido de que a totalidade de Cristo atinge a totalidade da vida humana, bem nos termos do Pacto de Lausanne. Porém, o velho debate tem sido em termos metodológicos, ou seja, de que maneira podemos fazer uma missão que seja integral? Pra muita gente, Cristo se restringe à esfera confessional, seu senhorio e sua obra parecem perder força quando chegam à esfera pública. A tentação é tão grande para alguns, que parecem não encontrar recursos na fé evangélica para atuarem na dimensão da pobreza, da vulnerabilidade, nos direitos humanos e em políticas públicas. O que fazem então? Optam por uma ideologia e uma metodologia secular com raízes na noção de autonomia humana (neste ponto nem a direita ou a esquerda são inocentes), e assim, acabam comprando parcial ou totalmente o pacote progressista como referência missiológica.

Temos que reconhecer que muitos irmãos que estão no espectro progressista possuem sensibilidades que não podem ser desprezadas: a profunda desigualdade social, alguns abusos antiéticos por parte de corporações financeiras, relações abusivas inspiradas em racismo, o machismo, a misoginia, os índices altíssimos de jovens negros mortos em comunidades vulneráveis, a exclusão e a objetificação da mulher. Reconheço, me preocupo e até me envolvo pessoalmente com algumas dessas pautas. (É importante mencionar que nem todos esses problemas são adequadamente qualificados por militantes ou adeptos a ideologias à esquerda). De qualquer forma, meu questionamento não se dirige à pauta, mas à metodologia. Quando sirvo o pobre com alguma ajuda financeira, ou criando oportunidades, ou quando trabalho no campo da ciência para a promoção da pesquisa a partir de uma mentalidade cristã, ou ainda, quando me engajo no campo político, a glória não pode ser de Darwin, Howkings ou Marx, deve ser de Cristo. Para isso, preciso me valer de uma metodologia baseada no radical senhorio de Jesus, e todas as implicações inerentes a uma vida sob seu governo. Claro que, pra muita gente, isso seria confundido com movimentos que se apropriaram de nomes como Kuyper e Dooyeweerd e que propõem uma espécie de “dominação” teonomista da realidade. Nenhum dos autores mencionados concordariam com tal experimento. Cristãos operam no mundo, sem pretensões triunfalistas, ao mesmo tempo que evitam o quietismo anabatista.

Temos realmente uma necessidade de lermos a missão por uma ótica das ciências sociais?

Orientados pelas Escrituras, temos que ler a missão por uma ótica radicalmente centrada no conhecimento do Deus Trino pelo drama messiânico de Jesus Cristo: encarnação, nascimento, vida, sofrimento, crucificação, sepultamento, ressurreição, ascensão e retorno. E, os desdobramentos da missão de Deus na história da Igreja. Temos as Escrituras e de maneira secundária a tradição cristã como fonte para esse conhecimento. Essa seria a matriz de uma sabedoria cristã que pode fundamentar e orientar a missiologia cristã. Por outro lado, dependendo da área em que a missão cristã está engajada, as diversas ciências, por graça comum, podem fornecer importantes ferramentas e informações sobre fenômenos ou comportamentos, que podem ser úteis para o missionário. Mas, isso é muito diferente de produzir ou ler a missão a partir de um determinado campo científico. O contrário seria verdadeiro: a partir da matriz que inspira a missão cristã já mencionada, ler as ciências (seja social, biológica, psicológica etc) inclusive para discernir o que deve ser acolhido com ações de graças, criticado ou rejeitado.

Você tem estado envolvido com trabalhos em comunidades carentes. Ao olharmos para as críticas de pensadores mais voltados para a teologia calvinista clássica, vemos um calor na crítica a missão integral, mas, talvez, não tanto calor em desenvolver trabalhos relevantes em relação ao problema da pobreza. Como a igreja deve lidar com isso e como você analisa esse fato de reformados não estarem tão preocupados com a práxis cristã?

Engraçado, nesses 6 anos diretamente envolvido com comunidades vulneráveis, particularmente crianças e adolescentes, e em contato e conhecendo vários projetos nessa direção aqui no Brasil e em outros lugares no mundo, como África, América Central e Oriente Médio, o que tenho percebido, ironicamente, é que os mais engajados com vulneráveis não são nem gente com uma missiologia mais à esquerda, e tampouco calvinistas, mas o pentecostal ou o evangelical no sentido mais simples do termo. Essa é a ironia da década, a meu ver. E, eles não estão ali por razões ideológicas, ou porque possuem uma missiologia sofisticada, simplesmente entendem que precisam servir tais comunidades com o evangelho e com o serviço de misericórdia. Claro que existem excelentes trabalhos nos dois grupos mencionados, de fato, conheço projetos sociais de gente inspirada em missiologias mais progressistas, como há igrejas calvinistas que possuem comprometimento social. Mas, precisamos reconhecer que, sem entrar no mérito da eficiência, é fato que a maioria das iniciativas nessa área são de gente que vive uma fé evangélica simples e com a Bíblia na mão, muitos pentecostais históricos. Talvez o que a igreja mais necessite neste momento seja exatamente isso: que ela seja mais evangélica. Nestes termos, entendo que nossos irmãos reformados possuem a lenha, mas eles podem ter o fogo, a disposição evangélica de conectar o que se crê com o que se deve fazer. Em contrapartida, nossos irmãos evangelicais podem ser mais profundos e mais competentes, superando a tentação do anti-intelectualismo. E, nossos irmãos ainda hipnotizados ou ideologicamente intoxicados, podem abraçar e redescobrir o frescor da velha e boa evangelicalidade. Todos nós somos passíveis de extremos, manter-se no centro dessa conversa exige muita energia, eventualmente escorregaremos, mas precisamos sempre regular nossas intenções a partir da centralidade do Evangelho e da suficiência da obra de Cristo, sem quem, nenhuma missão é possível.

29 de jun. de 2016

O Espírito Santo e as Missões

Por Ronaldo Lidório

Neste artigo pensaremos juntos sobre a relação do Espírito Santo com a obra missionária, a clara ligação entre Sua manifestação em Atos 2 e Atos 13 e a promoção da evangelização aos de perto e aos de longe.

Se olharmos o panorama mundial da Igreja evangélica perceberemos que o crescimento evangélico foi 1.5 % maior que o Islã na ultima década. O Evangelho já alcançou 22.000 povos nestes últimos 2 milênios. Temos a Bíblia traduzida hoje em 2.212 idiomas. As grandes nações que resistiam o Evangelho estão sendo fortemente atingidas pela Palavra, como é o caso da Índia e China, que em breve deverão hospedar a maior Igreja nacional sobre a terra. Um movimento missionário apoiado pela Dawn Ministry plantou mais de 10.000 igrejas-lares no Norte da Índia na última década, em uma das áreas tradicionalmente mais fechadas para a evangelização. No Brasil menos evangelizado como o sertão nordestino, o norte ribeirinho e indígena, e o sul católico e espírita, vemos grandes mudanças na última década, com nascimento de novas igrejas, crescimento da liderança local e um contínuo despertar pela evangelização. No Brasil urbano a Igreja cresceu 267% nos últimos 10 anos. Apesar dos diversos problemas relativos ao crescimento e algumas questões de sincretismo que são preocupantes no panorama geral, vemos que o Evangelho tem entrado nos condomínios de luxo de São Paulo e nos vilarejos mais distantes do sertão, colocando a Palavra frente a frente com aquele que jamais a ouvira antes. Há um forte e crescente processo de evangelização no Brasil.

Duas perguntas poderiam surgir perante este quadro: qual a relação entre a expansão do Evangelho e a pessoa do Espírito Santo? E quais os critérios para uma Igreja, cheia do Espírito, envolver-se com a expansão do Evangelho do Reino?

Em uma macro-visão creio que esta relação poderia ser observada em três áreas distintas, porém, inter-relacionadas: a essência da pessoa do Espírito e Sua função na Igreja de Cristo; a essência da pessoa do Espírito e Sua função na conversão dos perdidos; e por fim a clara ligação entre os avivamentos históricos e o avanço missionário.

A essência da pessoa do Espírito e sua função na Igreja de Cristo

Em Lucas 24 Jesus promete enviar-nos um consolador, que é o Espírito Santo, e que viria sobre a Igreja em Atos 2 de forma mais permanente. Ali a Igreja seria revestida de poder. O termo grego utilizado para 'consolador' é 'parakletos' e literalmente significa 'estar ao lado'. É um termo composto por duas partículas: a preposição 'para' - ao lado de - e 'kletos' do verbo 'kaleo' que significa chamar. Portanto vemos aqui a pessoa do Espírito, cumprimento da promessa, habitando a Igreja, estando ao seu lado para o propósito de Deus.

Segundo John Knox a essência da função do Espírito Santo é estar ao lado da Igreja de Cristo, fazê-la possuir a Face de Cristo e espalhar o Nome de Cristo. Nesta percepção, O Espírito Santo trabalha para fazer a Igreja mais parecida com seu Senhor e fazer o nome do Senhor da Igreja conhecido na terra.

A essência da pessoa do Espírito e sua função na conversão dos perdidos

Cremos que é o Espírito Santo quem convence o homem do seu pecado.

O homem natural sabe que é pecador porém apenas com a intervenção do Espírito ele passa a se sentir perdido. Há uma clara, e funcional, diferença entre sentir-se pecador e sentir-se perdido. Nem todo homem convicto de seu pecado possui consciência de que está perdido, portanto, necessitado de redenção. Se o Espírito Santo não convencer o homem do pecado e do juízo, nossa exposição da verdade de Cristo não passará de mera apologia humana.

A Igreja plantada mais rapidamente em todo o Novo Testamento foi plantada por Paulo em Tessalônica. Ali o apóstolo pregava a Palavra aos sábados nas sinagogas e durante a semana na praça e o fez durante 3 semanas, nascendo ali uma Igreja. Em 1º Tess. 1:5 Paulo nos diz que o nosso evangelho não chegou até vos tão somente em palavra (logia, palavra humana) mas sobretudo em poder (dinamis, poder de Deus), no Espírito Santo e em plena convicção (pleroforia, convicção de que lidamos com a verdade).

O Espírito Santo é destacado aqui como um dos três elementos que propiciou o plantio da igreja em Tessalônica. Sua função na conversão dos perdidos, em conduzir o homem à convicção de que é pecador e está perdido, sem Deus, em despertar neste homem a sede pelo Evangelho e atraí-lo a Jesus é clara. Sem a ação do Espírito Santo a evangelização não passaria de apologia humana, de explicações espirituais, de palavras lançadas ao vento, sem público, sem conversões, sem transformação.

Os avivamentos históricos e os movimentos missionários

Se observarmos os ciclos de avivamentos perceberemos que a proclamação da Palavra torna-se uma consequência natural desta ação do Espírito. Vejamos.

Fruto de um avivamento, a partir de 1730 John Wesley durante 50 anos pregou cerca de 3 sermões por dia, a maior parte ao ar livre, tendo percorrido 175.000 km a cavalo pregando 40.000 sermões ao longo de sua vida.

Fruto de um avivamento, em 1727 a Igreja moraviana passa a enviar missionários para todo o mundo conhecido da época, chegando ao longo de 100 anos enviar mais de 3.600 missionários para diversos países.

Fruto de um avivamento, em 1784, após ler a biografia do missionário David Brainard, o estudante Wiliam Carey foi chamado por Deus para alcançar os Indianos. Após uma vida de trabalho conseguiu traduzir a Palavra de Deus para mais de 20 línguas locais e sua influência permanece ainda hoje.

Fruto de um avivamento, em 1806, Adoniram Judson tem uma forte experiência com Deus e se propõe a servir a Cristo, indo depois para a Birmânia, onde é encarcerado e perseguido durante décadas, mas deixa aquele país com 300 igrejas plantadas e mais de 70 pastores. Hoje, Myamar, a antiga Birmânia, possui mais de 2 milhões de cristãos.

Fruto de um avivamento, em 1882 Moody pregou na Universidade de Cambridge e 7 homens se dispuseram ao Senhor para a obra missionária e impactaram o mundo da época. Foram chamados "os 7 de Cambridge", que incluía Charles Studd (sua biografia publicada no Brasil chama-se "O homem que obedecia"). Foi para a África, percorreu 17 países e pregou a mais de meio milhão de pessoas. Fundou A Missão de Evangelização Mundial (WEC International) que conta hoje com mais de 2.000 missionários no mundo.

Fruto de um avivamento, em 1855 Deus falou ao coração de um jovem franzino e não muito saudável para se dispor ao trabalho transcultural em um país idólatra e selvagem. Vários irmãos de sua igreja tentavam dissuadi-lo dizendo: "para que ir tão longe se aqui na América do Norte há tanto o que fazer?" Ele preferiu ouvir a Deus e foi. Seu nome é Simonton (1833-1867) que veio ao nosso país e fundou a Igreja Presbiteriana do Brasil.

Fruto de um avivamento, em 1950, no Wheaton College cerca de 500 jovens foram chamados para a obra missionária ao redor do mundo. E obedeceram. Dentre eles estava Jim Elliot que foi morto tentando alcançar a tribo Auca na Amazônia em 1956. A partir de seu martírio houve um grande avanço missionário em todo o mundo indígena, sobretudo no Equador. Outro que ali também se dispôes para a obra missionária foi o Dr Russel Shedd que é tremendamente usado por Deus em nosso país até o dia de hoje.

Tendo em mente, nesta macroestrutura, os três níveis de relação entre o Espírito Santo e as Missões, podemos observar alguns valores bíblicos sobre este tema, revelados em Atos 2, durante o Pentecoste.

O Pentecoste e as Missões

O Espírito Santo é a pessoa central no capítulo 2 de Atos e Lucas é justamente o autor sinóptico que mais fala sobre Ele utilizando expressões como "ungido" pelo Espírito, ou "poder" do Espírito ou ainda "dirigido" pelo Espírito (Lc 3:21; 4:1, 14, 18) demonstrado que na teologia Lucana o Espírito Santo era realmente o 'Parakletos' que viria.

O Pentecoste, dentre todas as festas judaicas, era, segundo Julius, o evento mais frequentado e acontecia sob clima de reencontros já que judeus que moravam em terras distantes empreendiam nesta época do ano longas jornadas para ali estar no quinquagésimo dia após a páscoa.

Chegamos ao momento do Pentecoste. Fenômenos estranhos aos de fora e incomuns à Igreja aconteceram neste momento e a Palavra os resume falando sobre um som como "vento impetuoso" (no grego 'echos', usado para o estrondo do mar); "línguas como de fogo" que pousavam sobre cada um, "ficaram cheios do Espírito Santo" e começaram a falar "em outras línguas". Lucas fecha a descrição do cenário com a expressão no verso 4: "segundo o Espírito lhes concedia".

Outras línguas. O texto no versículo 4 utiliza o termos eterais glossais para afirmar que eles falaram em outras glosse, línguas, expressão usada para línguas humanas, idiomas. Mas, a fim de não deixar dúvidas, no versículo 8, o texto nos diz que cada um ouviu em sua "própria língua" usando aqui o termo dialekto que se refere aos dialetos ali presentes. As línguas faladas, e ouvidas, portanto eram línguas humanas e não línguas angelicais, neste texto em particular, no Pentecoste. Mas onde ocorreu o milagre? Naquele que falou ou nos ouvidos dos que ouviram? É possivel que tenha sido nos ouvidos dos que ouviram pois a mensagem, pregada, foi compreendida idia dialekto - no próprio dialeto de cada um. O certo, porém, é que Deus atuou sobrenaturalmente a fim de que a mensagem do Cristo vivo fosse compreendida, clara e nitidamente, por todos os ouvintes.

Em meio a este momento atordoante (vento, fogo, som, línguas) o improvável acontece. Aquilo que seria apenas uma festa espiritual interna para 120 pessoas chega até as ruas. O caráter missiológico do evangelho é exposto. O Senhor com certeza já queria demonstrar desde os primeiros minutos da chegada definitiva do Espírito sobre a Igreja que este poder ? dinamis de Deus - não havia sido derramado apenas para um culto cristão restrito, a alegria íntima dos salvos ou confirmação da fé dos mártires.

O plano de Deus incluía o mundo de perto e de longe em todas as gerações vindouras e nada melhor do que aquele momento do Pentecoste quando 14 nações, ali presentes e, no meio desta balbúrdia da manifestação de Deus, cada uma - miraculosamente - passou a ouvir o Evangelho em sua própria língua.

Era o Espírito Santo mostrando já na sua chegada para o que viria: conduzir a Igreja a fazer Cristo conhecido na terra. Em um só momento Deus fez cumprir não apenas o "recebereis poder" mas também o "sereis minhas testemunhas". A Igreja revestida nasceu com uma missão: testemunhar de Jesus.

Daí muitos se convertem e a Igreja passa de 120 crentes para 3.000, e depois 5.000. Não sabemos o resultado daqueles representantes de 14 povos voltando para suas terras com o Evangelho vivo e claro, em sua própria língua, mas podemos imaginar o quanto o Evangelho se espalhou pelo mundo a partir deste episódio. Certamente o primeiro grande movimento de impacto transcultural da Igreja revestida.

No verso 37 lemos que, após o sermão de Pedro, em que anuncia Cristo, "ouvindo eles estas coisas, compugiu-se-lhes o coração" e o termo usado aqui para compungir vem de katanusso, usado para uma "forte ferroada" ou ainda uma dor profunda que faz a alma chorar". A Palavra afirma que "naquele dia foram acrescentadas quase três mil almas". O Espírito Santo usando o cenário do Pentecoste para alcançar homens de perto e de longe.

Podemos retirar daqui algumas conclusões bem claras. Uma delas é que a presença do Espírito Santo leva a mensagem para as ruas, para fora do salão e alcança apenas pelos quais o sangue de Cristo foi derramado. Desta forma é questionável a maturidade espiritual de qualquer comunidade cristã que se contente tão somente em contemplar a presença do Senhor. A presença do Espírito, de forma genuína, incomoda a Igreja a sair de seus templos e bancos. A Não se contentar tão somente com uma experiência cúltica aos domingos. A procurar, com testemunho Santo e uso da Palavra de Deus, fazer Cristo conhecido aos que estão ao seu redor.

Havia naquele lugar, ouvindo a Palavra de Deus através de uma Igreja revestida de Poder pelo Espírito Santo, homens de várias nações distantes, judaizantes, além de judeus de perto, que moravam do outro lado da rua. De terras distantes, o texto, Atos 2: 9 a 11, registra que havia "nós, partos, medos, e elamitas; e os que habitamos a Mesopotâmia, a Judéia e a Capadócia, o Ponto e a Ásia, a Frígia e a Panfília, o Egito e as partes da Líbia próximas a Cirene, e forasteiros romanos, tanto judeus como prosélitos, cretenses e árabes-ouvímo-los em nossas línguas, falar das grandezas de Deus". Uma Igreja revestida do Espírito deve abrir seus olhos também para os que estão longe, além-barreiras, além-fronteiras, nos lugares improváveis, onde Cristo gostaria que fôssemos.

Que efeitos objetivos na construção do caráter da Igreja produziu a presença marcante e transformadora do Espírito?

A ação do Espirito Santo não produz uma Igreja enclausurada

Esta Igreja cheia do Espírito Santo passa a crescer onde está e em Atos 8 o Senhor a dispersa por todos os cantos da terra. E diz a Palavra que, "os que eram dispersos iam por toda parte pregando a Palavra". Vicedon nos ensina que uma Igreja cheia do Espírito é uma igreja missionária, proclamadora do Evangelho, conduzida para as ruas.

A ação do Espírito Santo não produz uma Igreja segmentada

Após a ação do Espírito sobre os 120, depois 3.000, depois 5.000, não houve segmentação, divisão, grupinhos na comunidade. Certamente eles eram diferentes. Alguns preferiam adorar a Deus no templo, outros de casa em casa. Alguns mais formais, judeus e judaizantes, outros bem informais, gentios. Alguns haviam caminhado com Jesus. Outros não o conheceram tão de perto. Mas esta Igreja possuía um só coração e alma, como resultado direto do Espírito Santo. Competições, segmentações, grupinhos, portanto, são uma clara demonstração de carnalidade e necessidade de busca de quebrantamento e entrega a ação do Espírito na vida da Igreja.

A ação do Espírito Santo não produz uma Igreja autocentrada

Certamente uma Igreja que havia experimentado o poder de Deus, de forma tão próxima e visível, seria impactada pelo sobrenatural. Porém, quando a ação sobrenatural é conduzida pelo Espírito Santo a única pessoa que se destaca é Jesus, a única pessoa exaltada é Jesus, a única que aparece com louvores é Jesus. Esta Igreja que experimentou o Espírito no Pentecoste passa, de forma paradoxal, a falar menos de sua própria experiência e mais da pessoa de Cristo. O egocentrismo eclesiástico não é compatível com as marcas do Espírito.

Creio, assim, que nossa herança provinda do Pentecoste precisa nos levar a sermos uma Igreja nas ruas (não enclausurada), uma Igreja Cristocêntrica com amor e tolerância entre os irmãos (não segmentada ou partidária), uma Igreja cuja bandeira é Cristo, não ela mesma (não egocêntrica), e por fim uma Igreja proclamadora, que fala de Cristo perto e longe. Que as marcas do Pentecostes continuem a se manifestar entre nós.

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Fonte: guiame.com.br

3 de nov. de 2015

Qual é o seu modelo de evangelismo?

Por Thiago Oliveira

A evangelização é uma obra que foi pensada e ordenada por Deus. Ele, segundo seu beneplácito conta com cooperadores para realizar a tarefa de reconciliar os homens consigo mesmo através da pessoa e da obra de Cristo. O objetivo final, como o de todas as coisas, é a glória do próprio Deus. Por isso que o evangelismo deve ser teocêntrico. Evangelizar nada mais é do que tornar a glória de Deus manifesta e fazer com que pecadores reconheçam seu pecado e pequenez, voltando-se para o SENHOR e depois de transformados pela fé e pelo arrependimento, tais pecadores adoram e louvam a glória divina. Esta é a missão da igreja.

8 de jul. de 2015

Seis Benefícios da Evangelização para o Discipulado

Por Brian Parks

“A evangelização mudou a minha vida”. John, meu taxista, disse-me isso enquanto dirigíamos pela autoestrada de Orlando até a conferência da qual eu estava participando. A nossa conversa mudou para o assunto da fé assim que ele descobriu que eu não estava em Orlando para ir à Disney World, como a maioria dos seus passageiros.

6 de mai. de 2015

A Importância do Ensino Sobre Missões

Por Thomas Magnum

Ao falarmos de consciência missionária na igreja local geralmente temos a rápida associação do funcionamento de um departamento ou conselho missionário realizando o trabalho de coleta de dados, contato com missionários, atualização de informações para a igreja, reuniões com o departamento de missões da denominação ou a realização de cultos que tem algum momento de reflexão sobre a realidade do campo. A leitura de cartas de missionários e também a promoção de eventos voltados para a obra missionária como seminários, simpósios, congressos, conferências. Todas as questões citadas são de grande relevância ao trabalho de conscientização missionária para a igreja local, mas será que devemos limitar nosso trabalho com a igreja local a esses tópicos? 

1 de mai. de 2015

Os Povos Não Alcançados ao Nosso Alcance

Por Thomas Magnum

"Deus Chama seu povo para participar de Sua Missão".

Christopher Wright

Gosto muito de acompanhar pesquisas, sejam elas no campo científico, estudantil, comportamental, mercado etc. No entanto quando acompanho pesquisas de cunho missiológico não o faço por mera curiosidade, mas pela grande importância e urgência do trabalho missionário. As pesquisas servem para nortear o trabalho missionário no que se refere a carência dos povos, e considero muito importante a catalogação de povos não alcançados para que as denominações evangélicas e agências missionárias envolvidas na causa do mestre possam ter de forma palpável material de comparação e dados importantes para o campo de pesquisa dos missiólogos. 

22 de fev. de 2015

Fazei Tudo Para Glória de Deus (Carta de Campina Grande)


Na noite de encerramento do 17º Encontro para a Consciência Cristã, nesta terça-feira (17), a VINACC, entidade organizadora do evento, lançou a “Carta de Campina Grande – Consciência Cristã 2015”. Na missiva, elaborada por uma comissão de grandes nomes da fé cristã no país, é reafirmado e reconfirmado compromisso com o genuíno Evangelho de Cristo, sua defesa e sua pregação por todo o Brasil e todo o mundo, para a glória do nome de Deus.

Confira a carta na íntegra:

Nossos dias têm sido marcados por momentos críticos. Lamentavelmente, o Brasil tem experimentado, nos últimos anos, uma curva ascendente de escândalos, que nos fazem ruborizar de vergonha. Para nossa tristeza, as primeiras páginas dos jornais têm estampado — quase que diariamente — escândalos políticos de primeira linha. Como se não bastasse isso, a corrupção dos e nos poderes da República nos mostram que a nação encontra-se em avançado estado de “metástase”.

Junta-se a tudo isso o problema da violência, que no Brasil tornou-se endêmica. Segundo a ONU, nosso país possui onze das trinta cidades mais violentas do mundo, isso sem falar no consumo de drogas, no descaso do poder público com a saúde da população, educação, transporte e bem estar social. E, para piorar essa situação, a igreja brasileira não tem cumprido o seu papel como sal da terra e luz do mundo. Pelo contrário, de norte a sul e de leste a oeste multiplicam-se os desvios teológicos e heresias hediondas de um lado, como a esterilidade de um saber teológico desvinculado da santificação e da prática de outro, coisas que, de forma acintosa, causam incontáveis males ao povo de Deus.

Ademais, nos últimos anos, ferozes “lobos” têm tido livre tráfego em nossos arraiais, promovendo dissenções mediante ensinamentos falsos que afrontam a Palavra de Deus e induzem uma parte do povo de Deus ao erro, haja vista as práticas e comportamentos sincréticos que ora são verificados em muitas igrejas, nas quais pastores desprovidos de piedade, amor e misericórdia comercializam o Evangelho, assim como alertaram os apóstolos Paulo e Pedro (cf. 2 Co 2.17; 2 Pe 2.1-3).

Diante do exposto nós, da Visão Nacional para a Consciência Cristã (VINACC), entidade organizadora do 17º Encontro para a Consciência Cristã, decide:

Lutar pela unidade da igreja brasileira através da absoluta lealdade às verdades transformadoras do evangelho, para a glória de Deus.

Cremos na santa Igreja, na existência de um só Corpo, um só Espírito, um só Senhor, uma só fé, um só batismo, um só Deus. Cremos na unidade da Igreja, como também na comunhão dos santos. Cremos que essa unidade é obra exclusiva de Deus, e que nós, pelos nossos próprios esforços, não podemos produzi-la. Cremos que a unidade só é possível em torno da verdade, e que uma igreja que relativiza as Escrituras, negando as verdades fundamentais da fé cristã, não pode ser considerada parte do Corpo de Cristo. Cremos que a unidade da Igreja é bíblica e deve ser desejada e vivida pelos salvos.

Cremos que somos chamados por Jesus Cristo a preservar a unidade do Corpo, não tratando como prioridade aquilo que as Escrituras consideram secundário. Pelo contrário, somos chamados por nosso Senhor para andarmos em amor, em humildade e em verdade, obedecendo à Palavra de Deus e glorificando ao Senhor através da nossa união.

Pregar exclusivamente o Evangelho, nada além do Evangelho

Reconhecemos que a Igreja foi chamada para proclamar o Evangelho em sua inteireza. Por isso, nos recusamos a vinculá-lo a ideologias políticas ou a agendas de ambições pessoais. Cremos que o Evangelho deve ser proclamado nos termos e ênfases do Evangelho, segundo a Palavra de Deus, e não de acordo com as circunstâncias mutáveis da sociedade. Proclamamos o Evangelho em sua totalidade, sem omitir seus aspectos essenciais, como a justiça e a santidade de Deus, a culpa do ser humano, a salvação somente pela fé, a ressurreição dos mortos, o julgamento final, o céu e o inferno. Proclamamos o Evangelho a todas as pessoas, independentemente de raça, nacionalidade, sexo, religião ou condição social.

Cremos que todas as pessoas precisam ouvir o Evangelho — em sua própria língua e cultura, de forma contextualizada — e ter a oportunidade de ser discipuladas, a fim de que também estejam aptas para fazer discípulos, formando igrejas locais autóctones, comprometidas com o pleno ensino do Reino de Deus, fazendo da proclamação do Evangelho um estilo de vida.

Denunciar o pecado, proclamar a justiça, lutando pela transformação de vidas, a fim de que Deus seja glorificado

Reconhecemos que somos chamados por Cristo para defender a vida, a verdade, a equidade, a família e a justiça. Acreditamos que a Igreja glorifica a Deus quando se posiciona contra o pecado — em suas mais variadas vertentes —, denunciando de forma profética as arbitrariedades cometidas por políticos, os quais, através de leis anticristãs, promovem a morte, a desconstrução da família, a miséria e relativizam o pecado.

Entendemos que é a missão bíblica da Igreja pregar o Evangelho a toda criatura, para que, no arrependimento e fé de muitos, haja inclusive um impacto social. Desse modo, a Igreja deve ser a voz da consciência da sociedade, a fim de apresentar aos que nos governam os princípios e verdades contidos nas Escrituras. Afirmamos, ainda, o nosso compromisso com a ética, com a decência.

E, por amor a Cristo, repudiamos todo e qualquer tipo manipulação religiosa e política feita em nome de Deus. Cremos ainda que é nosso dever, diante de Deus e da sociedade, exercer a nossa cidadania com responsabilidade e compromisso, convergindo a vocação que temos recebido do Senhor para colocar ordem no caos. Assim, “tudo quanto fizerdes, fazei de coração, como se fizésseis ao Senhor e não aos homens” (Cl 3:23).

Edificar e fortalecer nossas igrejas locais para que sejam exemplos vivos e concretos das verdades do evangelho do Reino em todas as suas dimensões.

Deus será glorificado quando Seus atributos forem visualizados, claramente, na vida de discípulos de Cristo que vivenciam a transformação do evangelho no meio de uma geração degradada e corrompida.

Glorificar a Deus em todas as áreas da vida

Com sincero arrependimento afirmamos, como corpo de Cristo, que rejeitamos todo tipo de idolatria, seja de práticas, pessoas ou instituições, reconhecendo que a honra pertence exclusivamente a Deus e a ninguém mais. Como discípulos de Cristo, assumimos o compromisso de honrar o nome de Deus nas esferas da ética pessoal, da família, da igreja, do trabalho, da cultura e da cidadania, refletindo a glória de Deus em tudo o que fazemos, em todo o tempo e em todos os lugares.

Portanto, confiantes na graça de Deus, assumimos este compromisso diante do Todo-poderoso e de Seu povo, a fim de vermos em nossa nação um poderoso progresso do Evangelho. Façamos, pois, a nossa parte, convictos de que, no fim, o Senhor Jesus Cristo será glorificado em nossa nação.

Pr. Euder Faber Guedes Ferreira (presidente da VINACC)

Comissão relatora:

Pr. Aurivan Marinho
Pr. Elias Medeiros
Pr. Renato Vargens
Pr. Russell Shedd
Pr. Ciro Sanches Zibordi
Prof. Adauto Lourenço
Pr. José Bernardo
Pr. Jorge Noda

2 de fev. de 2015

Três Ingredientes para uma Cultura Evangelística na Igreja

 Por Mike McKinley

Eu estou convencido de que é melhor que a sua igreja tenha uma cultura evangelística do que apenas uma série de programas evangelísticos.

Em uma igreja com uma abordagem evangelística orientada por programas, compartilhar o evangelho pode se tornar algo mais para certas pessoas em certos momentos, como quando a equipe de evangelismo sai para fazer visitações.

Mas em uma igreja com uma cultura evangelística, cada membro é encorajado a desempenhar um papel dentro do esforço geral da igreja, para alcançar pessoas à sua volta com a mensagem da salvação em Jesus. Evangelismo se torna parte da vida de todo crente.

Se você está procurando criar uma cultura evangelística na sua igreja local, aqui estão três ingredientes que podem ajudar.

1. O Evangelho: o Combustível para uma Cultura Evangelística

A mensagem do evangelho é o combustível que alimenta uma cultura evangelística em uma igreja. Todos nós naturalmente compartilhamos coisas que animam os nossos corações. Se os Philadelphia Eagles algum dia ganhassem o Super Bowl (eu sei...), você não conseguiria me fazer parar de falar sobre isso. Da mesma maneira, se queremos criar culturas em nossa igreja onde é natural que os membros falem sobre a mensagem do evangelho a não-cristãos, então precisamos ajudar os nossos membros a se apaixonarem profundamente pelo evangelho.

Isso significa que eles precisam entender a mensagem do evangelho. Significa também que a beleza da mensagem do evangelho deve ser colocada em evidência semana após semana nas nossas igrejas. Quando cristãos compreendem verdadeiramente a profundidade do seu pecado, a maravilhosa santidade de Deus, a perfeição de Cristo, a profundidade de seu sofrimento por eles, o poder da ressurreição e o dom da vida eterna para todos os que se arrependem e creem, as nossas afeições por Cristo crescerão.

A mensagem do evangelho também liberta cristãos de motivações que podem levá-los a não gostar de evangelismo. O evangelho diz que nós não temos que evangelizar para ganhar o amor de Deus. Nossa posição na família de Deus não depende do quão frequentemente compartilhamos o evangelho. Em vez disso, podemos ter certeza do amor de Deus, o que nos liberta da esmagadora preocupação com a opinião das pessoas à nossa volta, o que nos faz ter medo de falar sobre Jesus.

2. Oração: o Poder de uma Cultura Evangelística

Segundo, uma igreja que está compartilhando o evangelho deve ser comprometida com a oração. O evangelismo parece ser uma tarefa sem muita esperança. Nós estamos chamando pessoas espiritualmente mortas a abraçar a vida. Como equiparemos e encorajaremos pessoas para esse trabalho? Isso parece absolutamente inútil.

É por isso que uma cultura evangelística deve começar com uma cultura de oração. Na oração, os cristãos vão ao Senhor com uma confissão da sua insuficiência para a tarefa do evangelismo e da suficiente força de Deus. Somente Deus pode fazer as sementes que plantamos brotarem para a vida eterna em nossos ouvintes, então devemos começar com a oração.

Na nossa igreja, isso acontece especialmente nas noites de domingo. Nós nos reunimos como congregação para orar para que o Senhor espalhe o seu evangelho através de nós. As pessoas compartilham conversas sobre o evangelho que tiveram durante a semana anterior ou oportunidades que elas esperam ter na semana que virá.

Esse momento de oração serve para alguns propósitos. Em primeiro lugar, ele é um comprometimento dessas coisas ao Senhor, que normalmente faz com que peçamos antes que recebamos (Tg 4.2).

Em segundo lugar, ele envolve toda a igreja no trabalho de compartilhar o evangelho. Não é um fardo ou um projeto que empreendemos sozinhos, mas temos irmãos e irmãs para orar e nos encorajar.

Em terceiro lugar, esse compartilhamento deixa claro que evangelismo é trabalho de cristãos "normais". As pessoas que pedem por oração normalmente não são pastores, presbíteros ou evangelistas talentosos. São apenas crentes que abraçaram o seu chamado de compartilhar as boas novas com as pessoas à sua volta.

Por último, esse momento de oração dá às pessoas um bom ponto para começar a alcançar os seus vizinhos e colegas de trabalho. Se as pessoas estão nervosas ou incertas quanto a compartilhar as boas novas, nós as encorajamos a começar com oração. Elas podem orar para que o Senhor dê a elas oportunidades, e que ele traga à atenção delas pessoas que precisam do evangelho. Esse é um primeiro passo muito menos intimidador do que sair correndo com um folheto na mão.

3. Treinamento: o modelo para uma Cultura Evangelística.

Um terceiro ingrediente é treinamento, o modelo para uma cultura evangelística. Lembre-se de que o objetivo é que as nossas igrejas tenham culturas evangelísticas em vez de meros programas evangelísticos. Mas isso não significa que não haja lugar para que a liderança organize e equipe pessoas para compartilhar o evangelho. Na verdade, um amor pelo evangelho e oração podem não ser o suficiente para motivar cristãos a um estilo de vida de evangelismo.

Embora o evangelismo venha naturalmente para algumas pessoas na sua congregação, haverá muitas outras que amam o evangelho e oram fielmente, mas ainda assim precisam ser equipadas para compartilhar o evangelho. Aqui estão algumas maneiras através das quais a liderança poderá equipar a congregação.

Recomende bons livros sobre o tema. "Evangelização e a Soberania de Deus" de J.I. Packer e "Speaking of Jesus" de Mack Stiles são dois dos meus favoritos. Leia esses livros com as pessoas que você está discipulando, dê a pessoas que irão lê-los ou disponibilize-os na livraria da sua igreja.

Leve as pessoas com você quando tiver uma chance de compartilhar o evangelho. Quando sou convidado para dar uma palestra evangelística, eu levo comigo um jovem da minha igreja. É uma boa oportunidade para mostrar a eles como compartilhar as boas novas.

Fale a incrédulos em seus sermões. Os seus membros crescerão ao ouvir você envolver pessoas que não conhecem Jesus com as reivindicações do evangelho. Tome tempo para considerar cuidadosamente as perguntas ou objeções que um incrédulo possa ter quanto à mensagem do seu sermão, e então fale sobre essas questões.

Organize reuniões evangelísticas onde as pessoas possam trazer amigos e receber ajuda para compartilhar o evangelho. Se a sua igreja pode hospedar um café evangelístico ou um programa como Explorando o Cristianismo, você dará oportunidade para os seus membros convidarem os amigos e observarem como eles também podem compartilhar o evangelho.

Melhor do que o melhor programa

Não existe um programa que possa criar uma cultura evangelística na sua igreja. Em vez disso, ela vai exigir que a liderança ensine, dê o exemplo e ore até que os membros da igreja percebam que compartilhar o evangelho é seu privilégio e responsabilidade. Uma igreja com tal cultura será muito mais frutífera e eficaz do que uma igreja com os mais eficazes programas e estratégias.
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Fonte: Ministério Fiel

20 de jan. de 2015

Sobre Linguagem e Comunicação: Transmitindo o Evangelho da Graça

Por Thomas Magnum

O Evangelho é boa nova, boa notícia e isso nos leva a uma reflexão sobre a atual comunicação do Evangelho que tem sido extremamente prejudicada não somente pelas distorções doutrinais como pela mundanização do discurso, no sentido de obscurecimento da integralidade da mensagem. Dentro do campo de estudos da comunicação identificamos três pontos fundamentais: o emissor, o receptor e o diálogo. Evidentemente que o diálogo só poderá ser estabelecido quando a mensagem do emissor for inteligível ao receptor, dentro da inteligibilidade do receptor consequentemente ocorrerá à resposta a mensagem recebida tornando assim eficaz a comunicação dos indivíduos. Quando a mensagem contem entraves em sua transmissão ocorre o que chamamos de ruído, ela não chega com inteireza, clareza e eficazmente ao receptor.

Vivemos na era da explosão comunicacional e os meios de difusão da mensagem são multiformes. Essa convergência e pluriformidade de conteúdo e mensagem sofrem com isso interferências que são dissociadas do real significado da palavra, do discurso. Ao examinarmos casos breves nas Escrituras Sagradas podemos trabalhar em cima de exemplos práticos muito uteis a nossa reflexão aqui sobre a linguagem e a comunicação do Evangelho numa perspectiva missional para a igreja.

Podemos traçar uma linha do Gênesis ao Apocalipse quando falamos da comunicação da mensagem de Deus, afinal, foi o próprio Deus que iniciou o processo de comunicação com o homem na criação de Adão, Deus se relacionava com ele e lhe deu instruções e mandamentos como lemos no início do Gênesis. Mas, devemos notar que a comunicação era algo consideravelmente relevante para o Senhor na criação do homem que ele lhe deu uma mulher, o desenvolvimento dos nossos relacionamentos estão estreitamente ligados a um processo comunicacional, não apenas de palavras, mas, de sentimentos e fisicamente também. A comunicação não se restringe a um tipo de linguagem apenas, ela pode ser verbal e não verbal. Tomemos alguns exemplos: ao lermos a saga o Senhor dos Anéis de J.R.R. Tolkien ou mesmo as Crônicas de Nárnia de C.S. Lewis temos ali um tipo de linguagem verbal e não verbal também. Quando o escritor relata uma cachoeira, ou um rio que passa pelo cenário descrito por ele, ou mesmo um vento, o autor nos leva nesse momento a uma linguagem auditiva, imaginamos o barulho das águas ou do vento. Ao descrever Nárnia tomada de neve por causa da feiticeira branca, ou a mesa sendo quebrada na ressurreição de Aslam, Lewis nos leva a uma linguagem visual e auditiva, ao tratar de tempo frio ou quente um autor nos leva a uma linguagem sensitiva. Então a comunicação é pluriforme. Quando assistimos um filme em 3D somos levados a uma variável de comunicação visual, auditiva, sensitiva e até tátil, isso é muito interessante porque relacionasse a integralidade de nossos instrumentos de conhecimento, pelos nossos sentidos.

Então quando um pai proíbe seu filho de colocar o dedo numa tomada, expressando isso abaixando-se diante dele e dizendo: “não coloque o dedo ali, você pode morrer” esse tipo de linguagem inicial poderá ser intensificado de outras formas, quando o garotinho olha para o pai e vê que ele não está vendo e pensa em colocar o dedo na tomada, e então como por um susto quando levanta a cabeça pega seu pai olhando para ele, ele entende que há uma desaprovação do pai ao que ele pretende fazer, porque já ouve uma ordem para que ele não fizesse isso. A comunicação no segundo caso foi não verbal, mas, ouve comunicação e foi eficaz.

Quando lidamos com nosso ponto focal que aqui é nossa comunicação do Evangelho, de fato, a pregação ocupa um lugar ímpar, segundo a tradição reformada é um sacramento e ocupa lugar central no culto a Deus. Posto isso, é importante tratarmos aqui também em um ponto interessante numa perspectiva missional, isso desenvolvido a partir de concepção Kayperiana da soberania das esferas. Em seu excelente livro Igreja Centrada de Timothy Keller ele nos diz:

A igreja missional confirmará que todos os cristãos são missionários em todas as áreas da vida.

Portanto ao olharmos nosso legado na história da reforma, Deus era glorificado e isso era ensinado como desdobramento do mandato cultural, social e espiritual em todas as esferas – Política, artes, música, educação – não há uma ruptura entre o secular e o sagrado, tudo pertence a Deus, ele é Senhor do mundo e tudo que nele há. Fator interessante relacionado a isso é o ensino dos reformadores sobre a graça comum, evidente que ao falarmos de revelação geral, não atribuímos totalidade salvífica a ela, mas totalidade condenatória, a revelação especial veio revelar a completude da revelação para a salvação através dos méritos de Cristo na cruz. Mas o interessante é que os cristãos abandonaram outras esferas, um exemplo disso é que muitas pessoas acham que estar engajado na obra de Deus é somente ser pastor, missionário, dirigente de louvor, diácono qualquer outra atribuição ligada diretamente à igreja e ao trabalho eclesial.

Ouvimos aqui ou ali alguém dizer que seu curso na faculdade é secular, e tratamos disso com uma dicotomia que as escrituras não apresentam. Quando os reformadores tratavam da questão vocacional e isso é bem interessante, eles não atribuíam o termo vocação somente como o catolicismo fazia aos padres, monges e freiras. Diziam que ser médico é uma vocação, ser sapateiro é uma vocação, ser pastor é uma vocação. Isso está ligado a doutrina pregada por Lutero e Calvino sobre o sacerdócio de todos os crentes. E essas vocações exercidas para glória de Deus comunicam o Evangelho da Graça. Como diz Nancy Pearcey em seu livro Verdade Absoluta: existe uma forma cristã de sociologia, de filosofia, de artes, de medicina, de agronomia, de história. Isso está ligado a nossa cosmovisão, nossa perspectiva cristã e essas coisas consequentemente desembocarão num processo comunicacional do evangelho.  Com essa perspectiva proclamamos o reino de Deus, que não é Senhor somente da igreja, mas, de toda a criação.

Ao fazermos uma leitura correta do Reino de Deus nas Escrituras notaremos a importância do entendimento da soberania das esferas. Existe uma autoridade sobre a família, que é uma esfera. Uma autoridade sobre o estado que é uma esfera. Uma autoridade sobre a igreja que é uma esfera, mas, todas as esferas são regidas por Deus. Uma esfera é independente da outra em um sentido governamental, mas, em outro sentido todas elas estão sob o mesmo Rei e mesma lei, a lei de Deus e no governo de Deus. E essa pluriformidade nos leva a entender que nisso há graça, há favor de Deus, há reino de Deus, há vidas transformadas pelo poder do Evangelho da Graça, graça invencível. Precisamos no Brasil amadurecer nosso entendimento de comunicação da graça, porque não é graça barata, é graça por Cristo. Então nossa linguagem deve alcançar não apenas nosso gueto, mas deve ser universal. A língua utilizada no Novo Testamento foi o Grego Koyné, a língua do mercado, a língua do povo, a língua de compra e venda do império na época. Nossa comunicação do evangelho não deve estar carregada de termos teológicos incompreensíveis, porque isso não transmite graça, sejamos compreensíveis, essa é a tarefa de uma igreja missional, ela comunica o evangelho a sua cultura, sem perder a ortodoxia e a firmeza teológica, mas, de forma eficaz, quem nos mostra isso é a Palavra de Deus, os profetas do Antigo Testamento falavam a língua do povo, temos que falar a língua do povo. Uma arte cristã comunica devoção a Deus, podemos destacar aqui os quadros de Rembrandt. Música cristã comunica fé, podemos mencionar Sebastian Bach. Ciência cristã comunica cristianismo, podemos citar Blaise Pascal. Filosofia cristã comunica as verdades de Deus podemos citar Agostinho. Política cristã comunica a glória de Deus, podemos citar Jhohannes Althusius.  

Mas não paramos aqui, algo que é preciso que atentemos é que muitas vezes no afã da comunicação imediata e eufórica, estamos respondendo questões que não foram perguntadas, aí a comunicação fica truncada. Em um processo proclamação de uma verdade é necessário sermos entendidos. E muitas vezes caímos num abismo semântico, na América Latina temos um fator muito interessante com música, e como disse Ziel Machado em uma palestra, “é possível sabermos como está o coração de um jovem, pela música que ele escuta”, note que esse processo deve-se a uma comunicação de via dupla, a mensagem comunica, ele recebe e emprega o que foi assimilado. Outro grande problema nosso é que não ouvimos, apenas despejamos nossa mensagem, mas, não atentamos para a necessidade expressiva do outro, aí muitas vezes a comunicação fica truncada também. Quando Paulo foi ao Areópago sua mensagem é proferida segundo a realidade daqueles homens, quando Jesus falou a parábola do semeador os ouvintes sabiam do que ele estava falando, quando o Senhor chamou os discípulos para serem pescadores de homens, eles identificaram, eles decodificaram a mensagem de Cristo. Isso é importante, a igreja deve responder a essas questões (1 Pe 3.15). Então tanto na comunicação verbal, como na não verbal devemos buscar a excelência, pois fomos dotados dos mais variados tipos de linguagens, e elas devem ser empregadas para a mensagem gloriosa do Evangelho. 

Em todas as esferas, em suas linguagens peculiares, deve-se comunicar o Evangelho da Graça, o Evangelho de Deus. Como dissemos no início o Evangelho é boas novas, devemos mostrar quais são as notícias ruins, para que falemos das boas. As boas notícias devem ser apregoadas em todas as esferas da vida. Boas notícias nos falam de comunicação, de linguagem. E nossa linguagem pode variar, mas, a fonte é a mesma – Jesus Cristo – O VERBO DE DEUS.