Nessas
últimas semanas fui surpreendido na internet com dois vídeos curiosos que
transbordavam arrogância em nome de Deus pela tela do meu notebook. Em um deles
o “apóstolo” Agenor Duque testava seu próprio caráter diante de Deus e
amaldiçoava seus críticos (Veja).
No outro o cantor Thalles Roberto fazia algo parecido. De boné, óculos escuro, cheio de anéis de ouro nos dedos, chamando seus
críticos de fariseus na maior arrogância, batendo no peito e dizendo que é homem de Deus e
fazendo uma pose estranha no final pra mostrar os anéis, Thalles falou sobre
seus projetos e pediu para descurtirem a página dele, caso não gostassem do seu
trabalho (Veja).
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1 de jun. de 2015
Jonathan Edwards e a Arrogância Espiritual
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Thiago Oliveira
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09:07
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29 de nov. de 2014
David Brainerd: Um Coração Quebrantado
Por Jonathan Edwards
Em algum tempo, no começo do inverno de 1738, agradou a Deus, em um sábado pela manhã, quando eu partia para cumprir meus deveres secretos, dar-me, de repente, um tal senso de meu perigo e da sua ira que fiquei admirado, e logo desapareceram minhas confortáveis disposições anteriores. Diante da visão que tive de meu pecado e vileza, fiquei muito aflito durante todo aquele dia, temendo que a vingança de Deus em breve me alcançaria. Senti-me muito abatido, mantendo-me solitário; cheguei a invejar a felicidade das aves e dos quadrúpedes, pois não estavam sujeitos àquela miséria eterna, como evidentemente eu via que estava sujeito. E assim ia vivendo dia a dia, freqüentemente em grande aflição. As vezes parecia que montanhas obstruíam minhas esperanças de misericórdia e a obra de conversão parecia tão grande que pensei que nunca seria o objeto dela. No entanto, costumava orar, clamar a Deus e realizar outros deveres com grande ardor; assim esperava, por alguns meios, melhorar a minha situação.
Por centenas de vezes renunciei a todas as pretensões de qualquer valor em meus deveres, ao mesmo tempo em que os realizava; e com freqüência confessei a Deus que eu nada merecia pelos melhores deles, a não ser a condenação eterna; ainda assim tinha uma esperança secreta de recomendar-me a Deus mediante os meus deveres religiosos. Quando orava emotivamente e meu coração, em alguma medida, parecia enternecer-se, esperava que, por causa disso, Deus teria piedade de mim. Nessas ocasiões, havia alguma aparência de bondade em minhas orações, e eu parecia estar lamentando pelo pecado. Em alguma medida aventurava-me na misericórdia de Deus em Cristo, como eu pensava, ainda que o pensamento preponderante, o alicerce de minha esperança, era alguma imaginação de bondade em meu enternecimento de coração, no calor de meus afetos e na extraordinária dilatação de minhas orações.
Havia momentos em que a porta me parecia tão estreita que eu via como impossível entrar; mas noutras ocasiões lisonjeava-me, dizendo que não era assim tão difícil, e esperava que, por meio da diligência e da vigilância, acabaria conseguindo. Algumas vezes, depois de muito tempo em devoções e em forte emoção, achava que tinha dado um bom passo na direção do céu e imaginava que Deus fora afetado assim como eu, e ouviria tais sinceros clamores, como eu os chamava. E assim, por várias vezes, quando me retirava para oração secreta, em grande aflição, eu voltava confortado; e desta forma procurava curar a mim mesmo com meus deveres.
Certa ocasião, em fevereiro de 1739, separei um dia para jejum e oração secretos, e passei aquele dia em clamores quase incessantes a Deus, pedindo misericórdia, para que Ele me abrisse os olhos para a malignidade do pecado e para o caminho da vida, por meio de Jesus Cristo. Naquele dia, Deus agradou-se em fazer para mim notáveis descobertas em meu coração. No entanto, continuei confiando na prática dos meus deveres, embora não tivessem nenhuma virtude em si, não havendo neles qualquer relação com a glória de Deus, nem tal princípio em meu coração. Contudo, aprouve a Deus, naquele dia, fazer de meus esforços um meio para mostrar-me, em alguma medida, minha debilidade.
Algumas vezes eu era grandemente encorajado e imaginava que Deus me amava e se agradava de mim, e pensava que em breve estaria completamente reconciliado com Deus. Mas tudo isto estava fundamentado em mera presunção, surgindo da ampliação nos meus deveres, ou do calor das afeições, ou de alguma boa resolução, ou coisas similares. E quando, às vezes, grande aflição começava a surgir baseada na visão da minha vileza e incapacidade de livrar a mim mesmo de um Deus soberano, então costumava adiar a descoberta como algo que não podia suportar. Lembro-me que, certa vez, fui tomado por uma terrível dor de aflição de alma; a idéia de renunciar a mim mesmo, permanecendo nu diante de Deus, despido de toda bondade, foi tão temível para mim que estive pronto a dizer, como Félix disse a Paulo: "Por agora podes retirar-te" (Atos 24.25).
Assim, embora diariamente anelasse por uma maior convicção de pecado, supondo que tinha de perceber mais do meu temível estado para que pudesse remediá-lo, quando as descobertas do meu ímpio coração foram feitas, a visão era tão aterradora, e mostrava-me tão cristalinamente minha exposição à condenação, que não podia suportá-la. Eu constantemente esforçava-me por obter quaisquer qualificações que imaginava que outros obtiveram antes de receberem a Cristo, a fim de recomendar-me ao seu favor. De outras vezes, sentia o poder de um coração empedernido e supunha que o mesmo tinha de ser amolecido antes que Cristo me aceitasse; e quando sentia quaisquer enternecimentos de coração, então esperava que daquela vez a obra estivesse quase feita. E, portanto, quando a minha aflição permanecia, eu costumava murmurar contra a maneira como Deus lidava comigo, e pensava que quando outros sentiam seus corações favoravelmente amolecidos, Deus mostrava-lhes sua misericórdia para com eles; mas a minha aflição ainda permanecia.
Às vezes ficava desleixado e preguiçoso, sem quaisquer grandes convicções de pecado, e isso por considerável período de tempo; mas depois de tal período, algumas vezes as convicções me assediavam mais violentamente. Lembro-me de certa noite em particular, quando caminhava solitariamente, que delineou-se diante de mim uma tal visão de meu pecado, que temi que o solo se abrisse debaixo de meus pés e se tornasse a minha sepultura, mandando minha alma rapidamente ao inferno, antes que eu pudesse chegar em casa. Forçado a recolher-me ao leito para que outras pessoas não viessem a descobrir minha aflição de alma, o que eu muito temia, não ousei dormir, pois pensava que seria uma grande maravilha se eu não amanhecesse no inferno. Embora minha aflição às vezes fosse tão grande, todavia eu temia muito a perda de convicções, e de retroceder a um estado de segurança carnal e à minha anterior insensibilidade da ira iminente. Isto fazia-me extramente rigoroso em meu comportamento, temendo entravar a atuação do Santo Espírito de Deus.
Quando, a qualquer momento, eu examinava minhas próprias convicções, julgando-as consideravelmente fortes, acostumei-me a confiar nelas. Mas essa confiança, bem como a esperança de em breve fazer alguns avanços notáveis na direção do meu livramento, tranquilizava minha mente e logo tornava-me insensível e remisso. Mas de novo, quando notava que as minhas convicções estavam fenecendo, julgando que estavam prestes a abandonar-me, imediatamente me alarmava e afligia. Algumas vezes esperava dar uma larga passada, avançando muito na direção da conversão, por meio de alguma oportunidade ou meio particular que tinha em vista.
Os muitos desapontamentos, as grandes aflições e perplexidades que experimentei deixavam-me em uma horrenda disposição de conflito com o Todo-Poderoso; e com veemência e hostilidade interiores achava falhas em suas maneiras de tratar com a humanidade. Meu coração iníquo por muitas vezes desejava algum outro caminho de salvação que não fosse por Jesus Cristo. Tal como um mar tempestuoso, com meus pensamentos confusos, eu costumava planejar maneiras de escapar da ira de Deus por alguns outros meios. Eu traçava projetos estranhos, repletos de ateísmo, planejando desapontar os desígnios e decretos divinos a meu respeito ou de escapar de sua atenção e ocultar-me dEle.
Mas ao refletir vi que estes projetos eram vãos e não me serviriam, e que eu nada poderia criar para meu próprio alívio; isso jogava minha mente na mais horrenda atitude, desejando que Deus não existisse, ou desejando que houvesse algum outro deus que pudesse controlá-Lo. Tais pensamentos e desejos eram as inclinações secretas do meu coração, por muitas vezes atuando antes que pudesse dar-me conta delas. Infelizmente, porém, elas eram minhas, embora ficasse aterrorizado quando meditava a respeito delas. E quando refletia, afligia-me pensar que meu coração estivesse tão cheio de inimizade contra Deus; e estremecia, temendo que sua vingança subitamente caísse sobre mim.
Antes costumava imaginar que meu coração não era tão mau quanto as Escrituras e alguns outros livros o descreviam. Algumas vezes, esforçava-me dolorosamente para moldar uma boa disposição, uma disposição humilde e submissa; e esperava houvesse alguma bondade em mim. Mas, de súbito, a idéia da rigidez da lei ou da soberania de Deus irritava tanto a corrupção do meu coração, o qual eu tanto vigiara e esperava ter trazido à uma boa disposição, que tal corrupção rompia todas as algemas, e explodia por todos os lados, como dilúvios de águas quando desmoronam uma represa.
Sensível à necessidade de profunda humilhação a fim de ter uma aproximação salvadora, empenhava-me por produzir em meu próprio coração as convicções exigidas por tal humilhação, como, por exemplo, a convicção de que Deus seria justo se me rejeitasse para sempre, e que se Ele concedesse misericórdia a mim, seria pura graça, embora primeiro eu tivesse de estar aflito por muitos anos e muito atarefado em meu dever, e que Deus de modo algum estava obrigado a ter piedade de mim, por todas as minhas obras, clamores e lágrimas passadas.
Eu me esforçava ao máximo para trazer-me a uma firme crença nessas coisas e a um assentimento delas de todo o coração. E esperava que agora eu estaria livre de mim mesmo, verdadeiramente humilhado, e prostrado diante da soberania divina. Estava inclinado a dizer a Deus, em minhas orações, que agora tinha exatamente essas disposições de alma que Ele requeria, com base nas quais Ele mostrara misericórdia para com outros, e alicerçado nisto implorar e pleitear misericórdia para mim. Porém, quando não achava alívio e continuava oprimido pelo pecado e pelos temores da ira, minha alma entrava em tumulto, e meu coração rebelava-se contra Deus, como se Ele estivesse me tratando duramente.
Mas então minha consciência insurgia-se, fazendo-me lembrar de minha última confissão a Deus de que Ele era justo ao me condenar. E isso, dando-me uma boa visão da maldade de meu coração, jogava-me novamente em aflição; desejava ter vigiado mais de perto meu coração, impedindo-o de rebelar-se contra a maneira como Deus estava me tratando. E até mesmo chegava a desejar não ter pedido misericórdia com base em minha humilhação, porque, desse modo, perdera toda a minha aparente bondade. Assim, por muitas vezes inutilmente imaginava que estava humilhado e preparado para a misericórdia salvadora.
22 de nov. de 2014
A Sabedoria de Deus na Morte Substitutiva de Cristo
Por Jonathan Edwards
“Para que, pela igreja, a
multiforme sabedoria de Deus se torne conhecida, agora, dos principados e
potestades nos lugares celestiais”
Efésios
3.10
A sabedoria revelada na
salvação por meio de Jesus Cristo está muito além da sabedoria dos anjos. Nesse
texto, ela é citada como um meio de revelar o plano Deus para a nossa salvação,
a fim de que os anjos possam ver e conhecer o quão grande e multiforme é a
sabedoria de Deus; de forma que a sabedoria divina seja exposta diante dos
olhos dos anjos para que eles a admirem. Essa sabedoria é mencionada como um
tipo de sabedoria que eles jamais haviam visto, nem sequer em Deus, muito menos
neles mesmos. Afim de que, agora, quatro mil anos após a criação, a multiforme
sabedoria de Deus pudesse se fazer conhecida. Durante todo esse tempo, os anjos
haviam observado a face de Deus e estudado as obras de Sua criação. Apesar
disso, até esse dia, eles jamais haviam visto algo semelhante. Jamais haviam
compreendido o quanto a sabedoria de Deus é multiforme, da forma como eles a
compreendem agora, por meio da igreja!…
1. Consideremos a escolha da
pessoa DO nosso Redentor. Quando Deus designou a redenção da humanidade, Sua
grande sabedoria revelou-se no fato de que Ele mesmo determinou que o Seu Único
Filho fosse a pessoa que executaria essa tarefa. Ele era o redentor escolhido
pelo próprio Deus e, por essa razão, é chamado nas Escrituras de “O Escolhido
de Deus” (Is 42.1). A sabedoria na escolha dessa Pessoa se manifesta no fato
dEle ser, em todos os aspectos, a pessoa mais apropriada para executar essa
tarefa. Era necessário que a pessoa do redentor fosse uma pessoa divina.
Ninguém, senão um ser divino era competente o suficiente para essa grande obra.
Ela era totalmente inadequada para qualquer outra criatura. Era imprescindível
que o redentor dos pecadores fosse infinitamente santo em si mesmo. Ninguém
poderia remover a infinita maldade do pecado, senão alguém que fosse infinitamente
separado do pecado e contra o pecado. E em relação a esse aspecto, Cristo é a
pessoa mais adequada para ser o redentor.
Para que a pessoa fosse
competente o suficiente para realizar essa tarefa, era imprescindível que ela
fosse uma pessoa infinitamente digna e excelente e pudesse ser merecedora de
infinitas bênçãos. E em relação a esse aspecto, o Filho de Deus é pessoa mais
adequada. Era necessário que essa pessoa fosse alguém com sabedoria e poder
infinitos, pois essa era uma obra tão difícil que exigia alguém com esses
atributos. E em relação a esse aspecto, Cristo é a pessoa mais adequada para
ser o redentor.
Era imprescindível que essa
pessoa fosse muito amada por Deus Pai para que Ele concedesse um valor infinito
ao acordo feito entre os dois, devido a Sua estima por essa pessoa, de modo que
o amor do Pai por essa pessoa pudesse equilibrar a ofensa e a provocação
causada pelos nossos pecados. E em relação a esse aspecto, Cristo é a pessoa
mais adequada para ser o redentor. Somos aceitos pelo Pai, “no Amado” (Ef 1.6).
Era imprescindível que essa
pessoa fosse alguém com autoridade absoluta para agir por si mesmo; alguém que
não fosse um sevo ou um súdito, pois alguém que não pudesse agir por sua
própria autoridade não teria valor algum. Aquele que fosse um servo e não
pudesse fazer nada além do que aquilo que era obrigado a fazer não seria digno
para essa tarefa. E aquele que não possuía coisa alguma que não fosse
absolutamente sua não poderia pagar o preço da redenção de outro. E em relação
a esse aspecto, Cristo é a pessoa mais adequada para ser o redentor. Ninguém,
senão um ser divino poderia ser adequado para ser esse redentor. Essa pessoa
deveria ser alguém que possuísse misericórdia e graça infinitas, pois nenhuma
outra pessoa, senão alguém como Ele, poderia realizar uma obra tão difícil em
prol de uma criatura tão indigna quanto o homem. E em relação a esse aspecto,
Cristo é a pessoa mais adequada para ser o redentor.
Era imprescindível que essa
pessoa possuísse verdade e fidelidade perfeitas e imutáveis. Caso contrário,
não seria uma pessoa adequada, de quem poderíamos depender para realizar
tamanha tarefa. E em relação a esse aspecto, Cristo é a pessoa mais adequada
para ser o redentor.
A sabedoria de Deus em
escolher Seu Filho Eterno se manifesta não somente no fato dEle ser a pessoa
mais adequada, mas também no fato dEle ser a única Pessoa adequada dentre
todas, quer criadas ou não. Nenhum ser criado – quer fosse homem, quer fosse
anjo – era adequado para realizar essa tarefa… Isso revela a sabedoria divina
em saber que Cristo era a pessoa adequada. Nenhum outro, senão Aquele que
possui a sabedoria divina poderia conhecer esse fato. Nenhum outro, senão
Aquele que possui a sabedoria divina poderia pensar em Cristo para ser o
redentor dos pecadores. Pois, visto que Cristo também é Deus, Ele é uma das
Pessoas contra Quem o homem pecou e que foi ofendida pelo pecado de rebelião do
homem. Quem, senão o Deus infinitamente sábio poderia pensar em Cristo para ser
o redentor de pecadores que haviam pecado contra Ele, os quais eram Seus
inimigos e mereciam o mal infinito de Suas mãos? Quem poderia pensar nEle como
Aquele que colocaria o Seu coração no homem e teria amor e compaixão infinitos
por ele, exibindo sabedoria, poder e merecimento infinitos pela redenção do
homem? Mas podemos ir além disso.
2. Consideremos a MANEIRA
COMO essa Pessoa IRIA NOS substituir. Após escolher a pessoa para ser o nosso
Redentor, o passo seguinte da sabedoria divina seria escolher a maneira pela
qual essa pessoa realizaria a obra da redenção. Se Deus tivesse revelado quem
realizaria essa obra e não tivesse revelado nada além disso, nenhuma outra
criatura poderia imaginar a maneira pela qual essa pessoa realizaria essa obra.
E se Deus tivesse dito a elas que o Seu Filho Unigênito seria o Redentor, e que
somente Ele era pessoa adequada e suficientemente competente para essa tarefa,
mas tivesse pedido às Suas criaturas que planejassem a maneira como essa
Pessoa, adequada e competente, deveria proceder, poderíamos imaginar que toda a
sabedoria humana criada seria considerada um esforço inútil para fazer tal
suposição.
A primeira coisa que deveria
ser feita seria transformar esse Filho de Deus em nosso Representante e Fiador,
de modo que Ele fosse um substituto no lugar do pecador. Mas qual das
inteligências criadas poderia conceber algo como: o Filho de Deus, eterno e
infinitamente amado, sendo o substituto no lugar dos pecadores? O Filho de Deus
no lugar de um pecador, de um rebelde, de um objeto da ira de Deus? Quem poderia
pensar numa pessoa que possui glória infinita representando vermes pecadores,
os quais se tornaram infinitamente provocadores e abomináveis por causa de seu
pecado? Pois se o Filho de Deus fosse o substituto do pecador,
conseqüentemente, o pecado do pecador deveria ser lançado sobre Ele. Ele
precisaria levar a culpa do pecador sobre Si. Teria de submeter-Se à mesma Lei
à qual o homem estava sujeito, tanto no que se refere aos mandamentos, quanto
no se refere às punições. Quem poderia pensar em semelhante coisa com relação
ao Filho de Deus? Mas podemos ir além disso.
3. Consideremos a encarnação
de Jesus Cristo. O passo seguinte da sabedoria de Deus para planejar a forma
como Cristo realizaria a obra da redenção dos pecadores seria determinar a Sua
encarnação. Imagine se Deus tivesse revelado para as mentes criadas que Seu
Filho Unigênito seria a Pessoa escolhida para realizar a obra da redenção; que
Ele havia sido designado para ser o Substituto do pecador e levar suas as
dívidas e a sua culpa sobre Si mesmo, e não houvesse revelado nada além disso;
mas deixasse que essas mentes criadas adivinhassem o restante do plano. Não
haveria probabilidade alguma de que, mesmo após essa revelação, elas pudessem
imaginar a maneira pela qual essa Pessoa realizaria a obra da redenção. Pois,
para que o Filho de Deus fosse o substituto no lugar do pecador, Ele teria de
tomar para Si a dívida que pertencia ao pecador e viver aqui, em perfeita
obediência à Lei de Deus. Mas seria pouco provável que alguma criatura conseguisse
imaginar uma forma de tornar isso possível. Como uma Pessoa que é o próprio
Jeová eterno poderia se tornar um servo, ficar sujeito à Lei e viver em
perfeita obediência, inclusive no que se refere às leis dos homens?
Além disso, se o Filho de
Deus fosse o substituto no lugar do pecador, Ele teria de se sujeitar a receber
a punição que o pecado do homem merecia, pois essa era a obrigação do pecador.
Quem imaginaria que isso seria possível? Pois, como uma Pessoa divina, que é
infinitamente feliz e imutável em Sua essência, poderia sofrer dor e tormentos?
Como Alguém que é o objeto do amor precioso e infinito de Deus poderia sofrer a
ira de Seu próprio Pai? Não podemos imaginar que a sabedoria criada pudesse
encontrar uma maneira de superar essas dificuldades. Entretanto, a sabedoria
divina descobriu um meio, a saber, pela encarnação do Filho de Deus. O Verbo
deveria tornar-se carne; ser Deus e homem em uma única Pessoa. Mas qual mente
criada poderia conceber isso como possível?…
Mas, e se Deus tivesse revelado
que isso seria possível, e que isso realmente aconteceria, mas deixasse que
elas descobrissem o modo como isso seria feito. Podemos imaginar que elas
ficariam embaraçadas e confusas para pensar em um modo de unir um homem ao
eterno Filho de Deus, de forma que Eles fossem uma só Pessoa; pois essa Pessoa
teria de ser verdadeiramente homem em todos os aspectos e, ao mesmo tempo, ser
o mesmo Filho de Deus, que estava com Deus desde a eternidade. Esse é um grande
mistério para nós. Por meio da encarnação, Aquele que é infinito, onipotente e
imutável tornou-se, até certo ponto, um homem finito, frágil; sujeito às nossas
fraquezas, emoções e calamidades, mas sem pecado! Desse modo, o grande Deus, o
soberano dos céus e da terra, passou a ser um verme da terra. “Mas eu sou verme
e não homem” (Sl 22.6). Por meio dessa união, Aquele que é eterno e
auto-existente nasceu de uma mulher! Aquele que é o Espírito não criado
vestiu-se de carne e sangue como um de nós! Aquele que é independente,
auto-suficiente e todo-suficiente passou a ter necessidade de alimento e de
roupas. Ele fez-se pobre e não tinha onde reclinar a cabeça (Mt 8.20); chegou a
ter necessidade da caridade dos homens e foi mantido por ela! Conceber como
isso poderia acontecer é algo que está muito além de nossa capacidade mental!
Isso é um grande milagre e um mistério para nós, mas não é um mistério para a
sabedoria divina.
4. O próximo Aspecto a ser
considerado é a vida de Cristo neste mundo. A sabedoria de Deus se manifesta na
condição de vida, na obra e nos interesses de Cristo.
(1) Sua condição de vida. Se
Deus tivesse revelado que Seu próprio Filho se encarnaria e viveria neste mundo
com uma natureza humana; e se Ele tivesse deixado que o homem designasse a
condição de vida mais adequada a Ele; a sabedoria humana teria designado que
Ele se manifestasse ao mundo da forma mais magnífica, com uma aparência
exterior extraordinária, cheio de honra, autoridade e com um poder muito
superior aos dos reis da terra; reinando sobre todas as Nações, com esplendor e
pompa visíveis. Isso foi o que a sabedoria humana havia concluído antes de
Cristo vir ao mundo. Os sábios, os grandes dentre os judeus, os escribas e
fariseus, os quais são chamados de “poderosos deste século” (1 Co 2.6-8),
esperavam que o Messias se manifestasse dessa maneira. Mas a sabedoria de Deus
escolheu exatamente o contrário. Ela determinou que, quando o Filho de Deus
fosse se tornar homem, Ele deveria começar Sua vida em uma estrebaria; habitar
neste mundo como um anônimo, durante muitos anos, com uma família de classe
baixa, e ter uma condição de vida simples; que fosse pobre e não tivesse onde
reclinar a cabeça; que vivesse da caridade de alguns de Seus discípulos; que
crescesse como um “renovo perante ele e como raiz de uma terra seca” (Is 53.2);
que não clamasse, nem gritasse, nem fizesse ouvir a sua voz na praça (Is 42.2);
que fosse para Sião de modo humilde, montado em um jumento, num jumentinho,
cria de jumenta (Zc 9.9; Mt 21.5); que fosse desprezado e o mais rejeitado
entre os homens; homem de dores e que sabia o que era padecer (Is 53.3).
E agora que a determinação
divina se fez conhecida, podemos concluir, com segurança, que essa era a
maneira mais adequada, e que não seria apropriado que Deus se manifestasse em
carne com pompa terrena, riquezas e majestade. Não! Essas coisas são
infinitamente inferiores e desprezíveis para que o Filho de Deus as desejasse
ou valorizasse. Se os homens tivessem recebido uma proposta como essa, eles
prontamente a rejeitariam, considerando-a tola e inadequada para o Filho de
Deus. Mas “a loucura de Deus é mais sábia do que os homens; e a fraqueza de
Deus é mais forte do que os homens” (1 Co 1.25). Deus resolveu reduzir a nada a
sabedoria deste mundo, bem como a sabedoria dos poderosos desta época (1 Co 2.6).
E assim, Cristo, por manifestar-Se visivelmente ao mundo em uma condição de
vida simples e pobre, desprezou todas as riquezas e glórias humanas e nos
ensinou a desprezá-las. E se convém a homens insignificantes desprezar essas
coisas, quanto mais convinha ao Filho de Deus! Pela encarnação, Cristo nos
ensinou a sermos humildes de coração. Se Ele, que é infinitamente sublime e
magnífico, foi tão humilde, quanto mais nós, que somos tão desprezíveis,
deveríamos ser humildes.
(2) A sabedoria de Deus se
manifesta na obra de Cristo e nos interesses que Ele tinha. Essa sabedoria se
manifesta principalmente no fato de que Ele deveria obedecer a Lei de Deus com
perfeição, mesmo diante de tentações tão grandes; precisaria passar por conflitos
contra os poderes da terra e do inferno e superá-los no caminho da obediência,
por nossa causa; e teria de sujeitar-Se não somente à Lei Moral, mas também às
leis cerimoniais, que eram um jugo pesado de servidão. Cristo cumpriu o Seu
ministério público até o fim, entregando-nos as instruções e as doutrinas
divinas. A sabedoria de Deus se manifesta no fato de Ele ter nos dado uma
Pessoa divina para ser o nosso Profeta e Mestre. Aquele que é a própria
sabedoria e Palavra de Deus; que existia desde a eternidade no seio do Pai. Sua
palavra possui maior autoridade e influência do que do que a palavra
pronunciada pela boca de um profeta comum. E como foi sábio determinar que uma
mesma pessoa fosse o nosso Mestre e Redentor, de modo que Sua relação conosco e
Seus ofícios como Redentor pudessem tornar Suas instruções mais valiosas e
agradáveis para nós. Estamos sempre dispostos a prestar atenção àquilo que as
pessoas que nos são preciosas nos dizem. O nosso amor por elas faz com que nos
deleitemos com sua conversa. Por essa razão, foi sábio da parte de Deus
determinar que Aquele que fez muito para se tornar estimado por nós fosse
apontado como o nosso grande Profeta, para nos entregar as doutrinas divinas.
5. O próximo ASPECTO a ser
considerado é a morte de Cristo. Esse meio para salvar pobres pecadores não
poderia ser escolhido de outra maneira, senão pela sabedoria divina. Quando
esse meio de salvação foi revelado, sem dúvida foi uma grande surpresa para
todas as hostes celestiais; e elas nunca se cansarão de se maravilhar com isso.
Quão espantoso é o fato de que Aquele que é eternamente bendito e infinitamente
feliz em Sua essência tenha suportado os maiores sofrimentos que jamais foram
suportados na terra! Que Alguém que é o Supremo Senhor e Juiz tenha sido levado
a um tribunal de vermes mortais e condenado! Que Alguém que é o Deus Vivo e a
fonte da vida tenha sido levado à morte! Que Alguém que criou o mundo e deu
vida a todas as Suas criaturas tenha sido morto por suas próprias criaturas!
Que Alguém com infinita majestade e glória – o objeto do amor, dos louvores e
da adoração dos anjos – tenha sido escarnecido e desprezado pelos homens mais
perversos. Que Alguém que é infinitamente bom e é amor em Si mesmo tenha
sofrido a maior de todas as crueldades. Que Alguém que é infinitamente amado
pelo Pai tenha sido deixado em agonia indizível sob a ira de Seu próprio Pai.
Que Aquele que é o Rei dos céus, que tem os céus por Seu trono e a terra por
estrado de Seus pés, tenha sido encerrado na prisão de um sepulcro. Como tudo
isso é espantoso! Apesar disso, esse foi o meio que a sabedoria de Deus
determinou como o meio de salvação dos pecadores; o qual não é inadequado, nem
desonroso para Cristo.
6. A última OBRA realizada
para obter salvação para os pecadores FOI a exaltação de Cristo. A sabedoria de
Deus considerou necessário, ou melhor, mais propício que a mesma Pessoa que
morreu na cruz se sentasse à destra de Deus, no Seu próprio trono, como o
supremo governador do mundo; e que tivesse poder absoluto sobre todas as coisas
concernentes à salvação do homem; e que fosse o Juiz do mundo. Isso era
necessário porque era imprescindível que a mesma Pessoa que adquiriu a salvação
pudesse concedê-la gratuitamente; pois não era adequado que Deus tratasse com
as criaturas caídas de um outro modo misericordioso que não fosse por meio de
um mediador. Isto é extraordinário para o fortalecimento da fé e conforto dos
santos: que todas as coisas, nos céus e na terra, fossem entregues nas mãos
Daquele que suportou tantas adversidades para adquirir a salvação dos
pecadores; que Aquele que lhes adquiriu a vida eterna pudesse concedê-la a
eles; que a mesma Pessoa que os amou tanto, ao ponto de derramar Seu precioso
sangue por eles, fosse o seu Juiz no dia final.
Este é um outro fato espantoso:
que Aquele que era homem e também Deus, que foi um servo e morreu como um
malfeitor, viesse a ser o Soberano Senhor dos céus e da terra, dos anjos e dos
homens; o absoluto doador da vida e da morte eterna; o supremo Juiz de todos os
seres inteligentes criados, por toda a eternidade; e que Lhe tenha sido
entregue todo o poder de governo de Deus Pai, não somente como Deus, nem
somente como alguém que possui a natureza humana, mas como Deus-homem.
E assim como é espantoso que
Alguém que é verdadeiramente divino tenha se humilhado de tal maneira, ao ponto
de tornar-se um servo e sofrer como um malfeitor. E como também é espantoso que
Aquele que é Deus-homem, não unicamente humano, seja exaltado com o poder e a
honra do grande Deus dos céus e da terra. No entanto, milagres como esses
revelam a infinita sabedoria divina, planejada e executada, a fim de nos
conceder a salvação.
___________________________
Extraído de “The Wisdom of
God Displayed in the Way of Salvation” (A Sabedoria de Deus Demonstrada no Meio
de Salvação) in The Works of Jonathan Edwards (A Obra de Jonathan Edwards), V.
2, reeditado por Banner of Thuth Trust.
Traduzido por: Waléria
Coicev
Copyright© Editora FIEL
2009.
Postado por
Thiago Oliveira
às
19:00
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Cristologia,
Edwards,
Sã Doutrina
12 de nov. de 2014
Só Conhecimento não Basta
Por
Jhonatan Edwards
Não importa quanto as
pessoas possam saber sobre Deus e a Bíblia, isto não é um sinal certo de
salvação. O diabo antes de sua queda, era uma das mais brilhantes estrelas da
manhã, uma labareda de fogo, um que excedia em força e sabedoria. (Isaías
14:12, Ezequiel 28:12-19).
Aparentemente, como um dos
principais anjos, Satanás conhecia muito sobre Deus. Agora que ele está caído,
seu pecado não tem destruído suas memórias de antes. O pecado destrói a
natureza espiritual, mas não as habilidades naturais, tais como a memória. Que
os anjos caídos têm muitas habilidades naturais pode ser visto em muitos versos
da Bíblia, por exemplo, Efésios 6:12. "Porque não temos que lutar contra a
carne e o sangue, mas, sim, contra os principados, contra as potestades, contra
os príncipes das trevas deste século, contra as hostes espirituais da maldade,
nos lugares celestiais". No mesmo modo, a Bíblia diz que Satanás é
"mais astuto" do que os outros seres criados. (Gênesis 3:1, também 2
Coríntios 11:3, Atos 13:10) Portanto, podemos ver que o Diabo sempre teve
grandes habilidades mentais e que é capaz de conhecer muito sobre Deus, sobre o
mundo visível e invisível, e sobre muitas outras coisas.
Visto que sua ocupação no
princípio era ser um anjo principal diante de Deus, é somente natural que
compreender estas coisas sempre tenha sido de primeira importância para ele, e
que todas suas atividades tenham a ver com estas áreas de pensamentos,
sentimentos e conhecimento. Porque era sua ocupação original ser um dos anjos
diante da própria face de Deus e porque o pecado não destrói a memória, é claro
que Satanás conhece muito mais sobre Deus do que qualquer outro ser criado.
Depois da queda, podemos ver de suas atividades como a tentação, etc., (Mateus
4:3) que ele tem gastado seu tempo para aumentar seu conhecimento e suas
aplicações práticas. Que o seu conhecimento é grande pode ser visto em quão
enganador ele é quando tenta as pessoas. A astúcia de suas mentiras mostra quão
sagaz ele é. Certamente não poderia manejar tão bem suas ludibriações sem um
conhecimento real e verdadeiro dos fatos.
Este conhecimento de Deus e
de Suas obras é desde o princípio. Satanás existia desde a criação, como Jó
38:4-7 mostra: "Onde estavas tu, quando eu fundava a terra? Faze-mo saber,
se tens inteligência... Quando as estrelas da alva juntas alegremente cantavam,
e todos os filhos de Deus jubilavam?" Assim, ele deve conhecer muito sobre
a maneira como Deus criou o mundo, e como Ele governa todos os eventos do
universo. Além do mais, Satanás viu como Deus desenvolveu Seu plano de redenção
no mundo; e não como um inocente espectador, mas como um inimigo ativo da graça
de Deus. Ele viu Deus trabalhar nas vidas de Adão e Eva, em Noé, Abraão, e
Davi. Ele deve ter tomando um especial interesse na vida de Jesus Cristo, o
Salvador dos homens, a Palavra de Deus encarnada. Quão próximo prestou atenção
a Cristo? Quão cuidadosamente ele observou Seus milagres e ouviu Suas palavras?
Isto é o porque Satanás se pôs contra a obra de Cristo, e foi para o seu
tormento e angústia que Satanás assistiu a obra de Cristo desvelada com
sucesso.
Satanás, então, conhece
muito sobre Deus e sobre a obra de Deus. Ele conhece o céu em primeira mão. Ele
conhece o inferno também, com conhecimento pessoal como sua principal
residência, e tem experimentado seus tormentos por todos estes milhares de
anos. Ele deve ter um grande conhecimento da Bíblia: pelo menos, podemos ver
que ele conhecia o suficiente para ver se conseguia tentar nosso Salvador. Além
do mais, ele tem tido anos de estudo dos corações dos homens, seus campo de
batalha onde ele luta contra nosso Redentor. Quanto labores, esforços, e
cuidados o Diabo usou através dos séculos a medida que ludibriava os homens.
Somente um ser com seu conhecimento e experiência sobre a obra de Deus, e sobre
o coração do homem, portanto, poderia imitar a verdadeira religião e
transformar-se em um anjo de luz. (2 Coríntios 11:14) Portanto, podemos ver que
não há nenhuma quantidade de conhecimento sobre Deus e religião que poderia
provar que uma pessoa tem sido salva de seu pecado. Um homem pode falar sobre a
Bíblia, Deus, e a Trindade.
Ele pode ser capaz de pregar
um sermão sobre Jesus Cristo e tudo que Ele fez. Imaginem, alguns podem ser
capazes de falar sobre o caminho da salvação e a obra do Espírito Santo nos
corações dos pecadores, talvez até mesmo mostrar a outros como se tornarem
Cristãos. Todas estas coisas podem edificar a igreja e iluminar o mundo,
todavia, não é uma prova certa da graça de Deus no coração de uma pessoa.
Pode também ser visto que as
pessoas meramente concordarem com a Bíblia não é um sinal certo de salvação.
Tiago 2:19 mostra que os demônios realmente, verdadeiramente, creem na verdade.
Da mesma forma que eles creem que há um só Deus, eles concordam com toda a
verdade da Bíblia. O diabo não é um herético: todos os artigos de sua fé estão
firmemente estabelecidos na verdade.
Deve ser entendido que,
quando a Bíblia fala sobre crer que Jesus é o Filho de Deus, como uma prova da
graça de Deus no coração, a Bíblia tenciona dizer não um mero concordar com a
verdade, mas outro tipo de crença. "Todo aquele que crê que Jesus é o
Cristo, é nascido de Deus; e todo aquele que ama ao que o gerou também ama ao
que dele é nascido". (1 João 5:1) Este outro tipo de conhecimento é
chamado "a fé dos eleitos de Deus, e o conhecimento da verdade, que é
segundo a piedade". (Tito 1:1) Há um acreditar espiritual na verdade, o
que será explicado mais tarde.
11 de nov. de 2014
A diferença da ação do Espírito no Homem Natural e no Salvo
As convicções que os homens naturais podem ter acerca do seu pecado e miséria não é esta luz espiritual e divina. Os homens em condição natural podem ter convicções da culpa que está sobre eles, da ira de Deus e do perigo da vingança divina. Tais convicções são provenientes da luz da verdade. O fato de alguns pecadores terem uma maior convicção da culpa e miséria que outros é porque alguns têm mais luz ou compreensão da verdade que outros. Esta luz e convicção podem ser do Espírito de Deus.
O Espírito convence os homens do pecado, mas, não obstante, a natureza está muito mais envolvida nesse processo do que na comunicação da luz espiritual e divina que são mencionadas na doutrina. Somente através do Espírito de Deus como princípio natural auxiliar, e não como novo princípio inspirador. A graça comum difere da especial no ponto em que influencia só pela ajuda da natureza, e não pela doação da graça ou concessão de qualquer coisa acima da natureza. A luz que é obtida é completamente natural, ou de nenhum tipo superior a que a mera natureza atinge, por mais que esse modo seja ou seria obtido se os homens permanecessem completamente sozinhos; ou, em outras palavras, a graça comum só ajuda as faculdades da alma a fazer isso mais completamente do que fazem por natureza, assim como pela mera natureza a consciência ou a razão natural tornará o homem sensível da culpa, e o acusará e o condenará quando ele se desviar. A consciência é um princípio natural para os homens.
O trabalho que o faz naturalmente ou por si mesmo é dar uma compreensão do certo e do errado, e sugerir à mente a relação em que há entre o certo e o errado e o castigo. O Espírito de Deus, nessas convicções que os homens não-regenerados às vezes têm, ajudam a consciência a fazer esta obra em maior medida do se a fizessem sós. Ele ajuda a consciência contra as coisas que tendem a entorpecer e obstruir seu exercício. Mas na obra renovadora e santificadora do Espírito Santo, essas coisas são feitas na alma que está acima da natureza, e na qual não há nada por natureza do tipo igual. Essas coisas são compelidas a existir habitualmente na alma, e de acordo com tal constituição ou lei declarada que põe tal fundamento para o exercício em um curso continuado como é chamado de princípio de natureza. Não só os princípios permanentes são ajudados a fazer o seu trabalho de forma mais livre e completa, mas os princípios que foram totalmente destruídos pela queda são restabelecidos. A partir daí, a mente manifesta habitualmente esses atos que o domínio do pecado a tinha tornado tão completamente desprovida quanto um corpo morto o é de atos vitais.
O Espírito de Deus age em alguns casos de maneira muito diferente de como age em outros. Ele pode agir na mente do homem natural, mas age na mente do santo como princípio vital residente. Ele age na mente dos indivíduos não-regenerados como agente ocasional extrínseco, pois agindo neles, não se une a eles. Não obstante todas as influências divinas que eles possuam, ainda são sensuais "e não têm o Espírito" (Jd 19). Mas Ele se une com a mente de um santo, toma-o por seu templo, atua nele e o influencia como novo princípio sobrenatural de vida e ação. Há esta diferença, de que o Espírito de Deus, agindo na alma do homem pie doso, manifesta-se e comunica-se na sua natureza formal. A santidade é a natureza formal do Espírito de Deus. O Espírito Santo opera na mente do santo, unindo-se a ele, vivendo nele, manifestando sua natureza no exercício de suas faculdades. O Espírito de Deus pode agir numa criatura, e, contudo, não se comunicar agindo. O Espírito de Deus pode agir nas criaturas inanimadas como "o Espírito de Deus se movia sobre a face das águas" no princípio da criação. Assim, o Espírito de Deus pode agir na mente dos homens de muitas maneiras e se comunicar não mais do que quando Ele age em uma criatura inanimada. Por exemplo, Ele pode instigar-lhes pensamentos, ajudar a razão e o entendimento natural, ou auxiliar outros princípios naturais — e isto sem qualquer união com a alma —, mas pode agir, por assim dizer, em um objeto externo. Mas assim como Ele age em suas influências santas e operações espirituais, Ele age de certo modo a comunicar-se peculiarmente, de forma que, por isso, o assunto é denominado espiritual.
Esta luz espiritual e divina não consiste em impressão feita na imaginação. Não é impressão na mente, como se a pessoa visse algo com os olhos físicos. Não é imaginação ou ideia de uma luz ou glória externa, ou beleza de forma ou semblante, ou lustre ou brilho visível de um objeto. A imaginação pode ser fortemente impressionada por tais coisas, mas esta não é a luz espiritual. Na realidade, quando a mente faz uma descoberta vivida de coisas espirituais e é muito afetada pelo poder da luz divina, pode-se, e muito provável e comum, afetar em demasia a imaginação, de forma que a impressão de uma beleza ou brilho externo pode acompanhar essas descobertas espirituais. Mas a luz espiritual não é essa impressão na imaginação, mas algo sumamente diferente. Os homens naturais podem ter impressões vividas em sua imaginação, e não podemos determinar a não ser que o Diabo, que se transforma em anjo de luz, possa causar imaginações de uma beleza exterior ou glória visível, de sons e falas e outras coisas semelhantes. Mas estas coisas são de natureza imensamente inferior à luz espiritual.
29 de set. de 2014
O Deleite de Deus na Redenção
"Deus se deleita na obra salvífica de Cristo como um fim supremo da criação"
A obra da redenção realizada por Jesus Cristo é de tal maneira referida como conseqüência da graça e do amor de Deus pelos homens que não pode ser coerente com a ideia de que ele procura lhes comunicar o bem apenas de modo subordinado. Expressões como as de João 3.16 ("Porque Deus amou ao mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para que todo o que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna"). 1 João 4.9,10: ("Nisto se manifestou o amor de Deus em nós: em haver Deus enviado o seu Filho unigênito ao mundo, para vivermos por meio dele. Nisto consiste o amor: não em que nós tenhamos amado a Deus, mas em que ele nos amou e enviou o seu Filho como propiciação pelos nossos pecados"). Bem como Efésios 2.4: ("Mas Deus, sendo rico em misericórdia, por causa do grande amor com que nos amou"), apresentam outra ideia. Caso, porém, isso se desse apenas em razão de um fim ulterior, inteiramente distinto do nosso bem, todo amor seria concretizado e manifestado nesse objeto supremo, estritamente falando, e não no fato de que ele nos amou, ou que teve por nós a mais alta consideração. Se o nosso bem ou interesse não é considerado de modo supremo, mas apenas subordinado, é, em si mesmo, tido como nada para Deus.
As Escrituras sempre mostram que as grandes coisas que Cristo fez e sofreu foram, no sentido mais direto e estrito, decorrentes do seu imenso amor por nós. O apóstolo Paulo expressa esse fato da seguinte maneira em Gálatas 2.20: "Vivo pela fé no Filho de Deus, que me amou e a si mesmo se entregou por mim". Efésios 5.25: "Maridos, amai vossa mulher, como também Cristo amou a igreja e a si mesmo se entregou por ela". O próprio Cristo diz em João 17.19: "E a favor deles eu me santifico a mim mesmo". E as Escrituras mostram Cristo descansando na salvação e na glória do seu povo, quando estas são obtidas depois de terem sido buscadas acima de todas as coisas, como tendo alcançado o seu objetivo, recebido o prêmio pretendido e desfrutado o trabalho da sua alma no qual ele se satisfaz, como recompensa desse labor e das agonias extremas. Isaías 53.10,11: "Todavia, ao SENHOR agradou moê-lo, fazendo-o enfermar; quando der ele a sua alma como oferta pelo pecado, verá a sua posteridade e prolongará os seus dias; e a vontade do SENHOR prosperará nas suas mãos. Ele verá o fruto do penoso trabalho de sua alma e ficará satisfeito; o meu Servo, o Justo, com o seu conhecimento, justificará a muitos, porque as iniquidades deles levará sobre si". Ele vê o trabalho da sua alma ao ver sua descendência, os filhos gerados por esse trabalho. Isso implica que Cristo se deleita, de modo absolutamente verdadeiro e próprio, em obter a salvação da sua igreja não apenas como um meio, mas como aquilo no que ele se regozija e se satisfaz, mais direta e particularmente.
Esse fato pode ser comprovado pelas passagens das Escrituras de acordo com as quais Cristo se regozija ao obter esse fruto de seu trabalho e aquisição, como o noivo quando recebe sua noiva. Isaías 62.5: "Como o noivo se alegra da noiva, assim de ti se alegrará o teu Deus". E quão enfáticas e veementes quanto ao seu propósito são as expressões em Sofonias 3.17: "O SENHOR, teu Deus, está no meio de ti, poderoso para salvar-te; ele se deleitará em ti com alegria; renovar-te-á no seu amor, regozijar-se-á em ti com júbilo". Pode-se dizer o mesmo de Provérbios 8.30,31 ("Então, eu estava com ele e era seu arquiteto, dia após dia, eu era as suas delícias, folgando perante ele em todo o tempo; regozijando-me no seu mundo habitável e achando as minhas delícias com os filhos dos homens") e das passagens que falam dos santos como a herança de Deus, suas jóias e propriedade peculiar, afirmações amplamente corroboradas em João 12.23-32:
Respondeu-lhes Jesus: É chegada a hora de ser glorificado o Filho do homem. Em verdade, em verdade vos digo: se o grão de trigo, caindo na terra, não morrer, fica ele só; mas, se morrer, produz muito fruto. Quem ama a sua vida perde-a; mas aquele que odeia a sua vida neste mundo preserva-la-á para a vida eterna. Se alguém me serve, siga-me, e, onde eu estou, ali estará também o meu servo. E, se alguém me servir, o Pai o honrará. Agora, está angustiada a minha alma, e que direi eu? Pai, salva-me desta hora? Mas precisamente com este propósito vim para esta hora. Pai, glorifica o teu nome. Então, veio uma voz do céu: Eu já o glorifiquei e ainda o glorificarei. A multidão, pois, que ali estava, tendo ouvido a voz, dizia ter havido um trovão. Outros diziam: Foi um anjo que lhe falou. Então, explicou Jesus: Não foi por mim que veio esta voz, e sim por vossa causa. Chegou o momento de ser julgado este mundo, e agora o seu príncipe será expulso. E eu, quando for levantado da terra, atrairei todos a mim mesmo".
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