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20 de jun. de 2015

A dupla purificação da piedade: Justificação e Santificação

Por Joel Beeke

Segundo Calvino, os crentes recebem de Cristo, pela fé, a “dupla graça” da justificação e santificação, as quais, juntas, provém uma dupla purificação. A justificação oferece pureza imputada; e a santificação, pureza atual.
Calvino define justificação como “a aceitação com que Deus nos recebe em seu favor como homens justos”. Ele segue dizendo que “posto que Deus nos justifica pela intercessão de Cristo, ele nos absolve não pela confirmação de nossa própria inocência, e sim pela imputação da justiça, para que, não sendo justos em nós mesmos, fôssemos reputados como tais em Cristo”. A justificação inclui a remissão dos pecados e o direito à vida eterna.

16 de jun. de 2015

Vivificados Para a Morte

Por Thomas Magnum

“Assim, façam morrer tudo o que pertence à natureza terrena de vocês: imoralidade sexual, impureza, paixão, desejos maus e a ganância, que é idolatria.”

Colossenses 3.5

“O que é central na mensagem cristã das boas-novas, o Evangelho para o mundo? Uma coisa somente, a morte redentora do Senhor Jesus Cristo”.

Francis Schaeffer

Ao lidarmos com a morte estamos tratando de algum tipo de separação, algum tipo de distanciamento necessário por algum motivo - seja ele evidente ou não. A morte física é a separação da nossa parte imaterial da nossa parte material; a morte espiritual é a separação de nosso ser interior, nossa alma, de Deus. Esse distanciamento de Deus nos destituiu da sua glória. Na sua glória existe vida e morte, a majestade e julgamento, o poder e a graça, santidade e luz. Mas as Escrituras não tratam apenas dos tipos de morte citadas acima, tratam também da morte do cristão, da mortificação de nossa natureza caída. E não é só isso, mas, como dizia Francis Schaeffer, trata da centralidade da morte.

10 de jun. de 2015

A Questão Ética no Ciberespaço

Por Thomas Magnum

Ao transcorrermos sobre o campo da ética devemos ter em mente algumas questões importantes. A ética é o correto procedimento nas mais variadas camadas de conhecimento e cultura. De fato vivemos um momento ímpar no ocidente em relação à ética, tendo em vista a ascensão da modernidade e a proliferação do relativismo. Uma sociedade relativizada é responsável por sua destruição cultural, social, histórica e moral. É imprescindível refletirmos sobre a ética nos meios massivos, por isso é importante que uma população consciente de sua cidadania e responsabilidade ética seja recíproca aos observatórios da mídia, eles são responsáveis por apontar os erros e manipulações dos conglomerados, e das investidas antiéticas das empresas de comunicação. Como também seus pontos positivos e suas contribuições, podemos citar como exemplo o observatório da imprensa que a mais de dez anos sob a chefia de seu fundador, o jornalista Alberto Dines, é responsável por um trabalho formidável e de utilidade pública.

9 de mar. de 2015

Quando a graça de Deus nos fortalece


Por Denis Monteiro

A história de Sansão é muito bela, ela mostra como a graça de Deus atua na vida do redimido pecador. O escritor de Juízes não omitiu em nenhum momento quem era realmente Sansão, ele foi um homem que não cumpriu com o seu voto e cada momento de sua vida sempre transgredia a Lei de Deus. O Rev. Valdeci enumera algumas de suas fraquezas: Sansão era imediatista, era iracundo e não sabia perder, era inconsequente e altamente vingativo.¹ 

Todas essas características dadas a Sansão mostram como ele claramente pecava, mas mesmo pecando, Deus sempre agia graciosamente na vida dele. 

20 de fev. de 2015

Nada de Cinza

Por Kevin DeYoung

Não há nada de cinza a respeito de um seguidor de Cristo ver 50 Tons de Cinza. A questão é preta ou branca. Não vá. Não assista. Não leia. Não alugue.

Eu não quero sequer falar sobre isso. Outro blogueiro e eu andamos em círculos por várias semanas pensando em como poderíamos escrever uma resenha crítica satírica alfinetando aqueles que acham que precisamos ver esse filme para sermos relevantes. Não conseguimos. Não há forma de fazer um humor forte o suficiente para condenar filme tão vil.

E não, eu não fui ver o filme. Nem sequer assisti o trailer. Também não li uma única página do livro. Ler sobre a premissa na Wikipedia e no IMDb por alguns minutos me convenceu de que eu não precisava saber mais. O sexo é um presente maravilhoso de Deus mas, assim como todos os presentes de Deus ele pode ser aberto em um contexto errado e reembalado em um pacote feio. Violência contra mulheres não é aceitável só porque ela é aberta à sugestão, e o sexo não é aberto a todas as permutações, até mesmo em um relacionamento adulto. Consentimento mútuo não cria uma filosofia moral.

Sexo é um assunto privado para ser compartilhado na privacidade e santidade do leito matrimonial (Hebreus 13.4). Sexo, assim como Deus designou, não é para atores que fingem (ou não) que estão fazendo “amor”. O ato da união conjugal é o que casais casados fazem a portas fechadas, não o que discípulos de Jesus Cristo pagam dinheiro para assistir em uma tela do tamanho de suas casas.

Como já disse antes, precisamos ser criteriosos no que colocamos em frente aos nossos olhos, sendo homens e mulheres sentados em lugares celestiais (Colossenses 3.1-2). Se 50 Tons de Cinza é um problema, qual é o padrão de aceitação para o resto da sexualidade livremente consumida? Veja bem, a consciência do pecado não é por si só o problema. A Bíblia é cheia de relatos de imoralidade. Seria simplista e moralmente insustentável – até mesmo antibíblico – sugerir que você não pode assistir ou ler sobre um pecado sem pecar. Mas a Bíblia nunca se deleita em sua descrição do pecado. Ela nunca pinta o vício com as cores da virtude. Ela nunca se entretém com o mal (senão para zombá-lo). A Bíblia nunca cauteriza a consciência tornando o pecado normal e a justiça estranha.

Cristãos não deveriam tentar “redimir” 50 Tons de Cinza. Não devemos achar bonitinho e divulgar uma nova série de sermões chamada “50 Tons de Graça”. Não devemos envergonhar a arte ou a santidade ao pensarmos que, de alguma forma, algo tão escuso como 50 Tons vale a pena ser visto ou analisado. De acordo com a lógica de Paulo, é possível expor um pecado e mantê-lo escondido ao mesmo tempo (Efésios 5.11-12). “Um bom homem se envergonha ao falar do que várias pessoas não se envergonham de fazer” (Matthew Henry).

Alguns filmes não merecem uma análise sofisticada. Eles merecem um sóbrio repúdio. Se a igreja não pode estender graça a pecadores sexuais, nós perdemos o coração do evangelho. E se nós não podemos falar que as pessoas devem ficar longe de 50 Tons de Cinza, perdemos a cabeça.
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Fonte: Reforma21

10 de fev. de 2015

Que Diferença a Suficiência das Escrituras Faz na Sua Vida?

Por Kevin DeYoung
Primamos muito pela doutrina da suficiência das Escrituras. Mas, que diferença faz a suficiência das Escrituras na sua vida cristã? Deixe-me propor quatro maneiras que deveriam fazer uma enorme diferença.
Primeiro, com a suficiência das Escrituras mantemos a tradição em seu lugar. A tradição certamente tem um lugar na compreensão da palavra de Deus e na formulação da convicções doutrinárias da Igreja. A diversidade mais facilmente esquecida hoje é a diversidade dos mortos. Devemos aprender com os grandes mestres que vieram antes de nós.Devemos permanecer firmes sobre os credos ecumênicos da igreja. E, para aqueles de nós em tradições confessionais – como luteranos, anglicanos, presbiterianos e reformados – temos que nos comprometer a apoiar nossos padrões confessionais de forma séria, cuidadosa e com integridade. Mas mesmo esses grandes credos, catecismos e confissões são valiosos apenas enquanto resumem o que é ensinado nasEscrituras. Nenhum texto secundário e feito pelo homem pode substituir ou ser autorizado a subverter a nossa lealdade e conhecimento da Bíblia.
A suficiência das Escrituras fortalece o grito da Reforma de sola Scriptura, ou “Somente a Escritura”. Isso não significa que devemos tentar abordar a Bíblia sem a ajuda de bons professores, recursos escolares e fórmulas doutrinárias testadas. “Somente” não significa “por si só” (nuda Scriptura), mas que a Escritura somente é a autoridade final. Tudo deve ser testado contra a palavra de Deus. A tradição não tem um papel de igualdade com a Bíblia em saber a verdade. Em vez disso, a tradição tem um papel de confirmação, iluminação e apoio. Não podemos aceitar inovações doutrinárias, como a infalibilidade papal, o purgatório, a concepção imaculada ou a veneração de Maria, porque essas doutrinas não podem ser encontradas na Palavra de Deus e contradizem o que é revelado nas Escrituras. Embora possamos respeitar os nossos amigos católicos e ser gratos por muitos aspectos da sua fé e testemunho social, não devemos vacilar em nossa fidelidade à sola Scriptura. Está implícito na compreensão bíblica da sua própria suficiência.
Segundo, porque a Escritura é suficiente, não acrescentaremos ou retiraremos da palavra de Deus. Ao nos achegarmos àBíblia, devemos sempre lembrar que estamos lendo um livro pactual. E documentos pactuais normalmente concluem comum a maldição de inscrição pactual. Vemos essa maldição em Deuteronômio 4:2 e 12:32, onde os israelitas são advertidos contra acrescentar à lei mosaica ou retirar qualquer coisa dela(cf. Provérbios 30.5-6). Da mesma forma, vemos o mesmo tipos de maldição na conclusão do Novo Testamento em Apocalipse22.18-19 – “Eu, a todo aquele que ouve as palavras da profecia deste livro, testifico: Se alguém lhes fizer qualquer acréscimo, Deus lhe acrescentará os flagelos escritos neste livro; e, se alguém tirar qualquer coisa das palavras do livro desta profecia, Deus tirará a sua parte da árvore da vida, da cidade santa e das coisas que se acham escritas neste livro”. Esta forte admoestação, no final de toda a Bíblia, é um lembrete forte de que não devemos acrescentar nada à Escritura – para torná-la melhor, mais segura ou mais de acordo com as nossas suposições – e não devemos retirar nada dela, mesmo se a experiência, revistas acadêmicas ou o humor da cultura insistir que devemos.
Terceiro, visto que a Bíblia é suficiente, podemos esperar que a palavra de Deus seja relevante em todos os aspectos da vida. Deus nos deu tudo o que precisamos para a vida e a piedade (2 Pedro1.3) porque a Escritura é suficiente para nos tornar sábios para a salvação e santos para o Senhor (2 Timóteo 3.14-17). Se aprendermos a ler a Bíblia para baixo (em nossos corações), do outro lado (o enredo da Escritura), para fora (para o fim da história)e para cima (para a glória de Deus, na face de Cristo), descobriremos que cada parte da Bíblia é proveitosa para nós. Afirmar a suficiência das Escrituras não é sugerir que a Bíblia nos diz tudo o que queremos saber sobre tudo, mas que ela nos diz tudo o que precisamos saber sobre o que mais importa. A Escritura não oferece informações completas sobre todos os assuntos, mas em todas as disciplinas que ela trata, só diz o que é verdadeiro. E, em sua verdade, temos conhecimento suficiente para abandonar o pecado, encontrar o Salvador, tomar boas decisões, se Deus quiser,e chegar à raiz dos nossos problemas mais profundos.
Quarto, a doutrina da suficiência das Escrituras nos convida a abrir nossas Bíblias para ouvir a voz de Deus. Não muito tempo atrás, eu estava em um grupo de aconselhamento da denominação onde nos foi dito para encontrarmos nossas “normas”como uma comunidade. Quando sugeri que a nossa primeira norma deveria ser testar tudo à luz da palavra de Deus, foi-medito – e isto é uma citação exata – que “não estamos aqui para abrir nossas Bíblias”. O objetivo do grupo, aparentemente, era que nós ouvíssemos nossos corações e uns aos outros, mas nem tanto de forma que ouvíssemos a Deus. Mais tarde, na mesma reunião denominacional, um pastor da América do Sul abordou todo o corpo. Ao perceber uma propaganda na parte de trás sobre um evento em que iríamos “descobrir” a visão deDeus para a nossa denominação, o homem disse: “Descobrir? Espero que vocês encontrem o que estão procurando. E tentem não demorar muito”. Foi uma alfinetada bem colocada em relação à tendência na Igreja Americana de planejar, e sonhar,e esquematizar, e projetar uma visão, e se envolver em discernimento mútuo, tudo enquanto, ao mesmo tempo, a clara voz de Deus permanece negligenciada em nosso colo.
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11 de dez. de 2014

A Ideia Bíblica de Santidade e Santificação

Por Louis Berkhof

NO ANTIGO TESTAMENTO

Na Escritura, a qualidade da santidade aplica-se primeira¬mente a Deus, e, aplicada a ele, sua idéia fundamental é a de inacessibilidade. Esta se baseia no fato de que Deus é divino e, portanto, absolutamente distinto das criaturas. Neste sentido, a santidade não é apenas um atributo em coordenação com os demais em Deus. Ele é santo em sua graça bem como em sua justiça, em seu amor bem como em sua ira. Estritamente falando, a santidade só vem a ser um atributo no sentido ético posterior da palavra. O sentido ético do termo desenvolveu-se do sentido de majestade.

Este desenvolvimento parte da idéia de que um ser pecador está mais agudamente cônscio da majestade de Deus, do que um ser sem pecado. O pecador fica ciente da sua impureza quando esta é contrastada com a majestosa pureza de Deus, cf. Is 6. Otto  fala da santidade no sentido original, como numinosa,  e se propõe denominar a reação típica a isto "sentimento de criaturidade, ou consciência de ser criatura", uma desvalorização do ego, reduzindo-o à nulidade, ao passo que fala da reação à santidade no sentido ético derivado como um "sentimento de profanidade". Assim é que se desenvolve a idéia da santidade como pureza majestosa ou sublimidade ética. Esta pureza é um princípio ativo em Deus, que necessariamente se afirma a si próprio e defende a sua honra. Isto explica o fato de que a santidade é apresentada na Escritura também como a luz da glória divina transformada num fogo devorador, Is 5.24; 10.17; 33.14,15.

Em contraste com a santidade de Deus, o homem se sente não meramente insignificante, mas positivamente impuro e pecaminoso, e, como tal, como objeto da ira de Deus. Deus revelou no Antigo Testamento a sua santidade de várias maneiras. Ele o fez com terríveis juízos sobre os inimigos de Israel, Ex 15.11,12. Também o fez separando para si um povo, que ele retirou do mundo, Êx 19.4-6; Ez 20.39-44. Tomando e retirando este povo do mundo impuro e ímpio, ele protestou contra esse mundo e seu pecado. Além disso, ele o fez repetidamente, poupando o seu povo infiel, porque não queria que o mundo não santo se regozijasse com aquilo que poderia considerar fracasso em sua obra, Os 11.9.

Num sentido derivado, a idéia de santidade também é aplicada a coisas e pessoas que são colocadas numa relação especial com Deus. A terra de Canaã, a cidade de Jerusalém, o monte-templo, o tabernáculo e o templo, os sábados e as festas solenes de Israel - todas estas coisas são chamadas santas, visto serem consagradas a Deus e introduzidas no resplendor da sua augusta santidade. Similarmente, os profetas, os levitas e os sacerdotes são chamados santos na qualidade de pessoas que foram separadas para o serviço especial do Senhor. Israel tinha os seus lugares sagrados, as suas épocas sagradas, os seus ritos sagrados e as suas pessoas sagradas. Contudo, esta ainda não é a idéia ética da santidade. Uma pessoa podia ser sagrada e, todavia, estar inteiramente vazia da graça de Deus em seu coração. Na antiga dispensação, como também na nova, a santidade ética resulta da influência renovadora e santificante do Espírito Santo. Deve-se lembrar, porém, que mesmo quando a concepção de santidade é completamente espiritualizada, sempre expressa uma relação. Nunca a idéia de santidade é a de bondade moral, considerada em si mesma, mas sempre é a idéia de bondade ética vista em relação com Deus.

NO NOVO TESTAMENTO

Ao passarmos do Antigo Testamento para o Novo, damo-nos conta de uma notável diferença. Enquanto no Antigo Testamento não há nem um só atributo de Deus que sequer lembre alguma semelhança com a proeminência dada a sua santidade, no Novo Testamento raramente se atribui santidade a Deus. Exceto nalgumas citações do Antigo Testamento, somente nos escritos de João a santidade é atribuída a Deus, Jo 17.11; lJo 2.20; Ap 6.10. Com toda a probabilidade, a explicação para isso está no fato de que a santidade, no Novo Testamento, projeta-se como a característica especial do Espírito Santo, por quem os crentes são santificados, são qualificados para o serviço e são conduzidos ao seu destino eterno, 2Ts 2.13; Tt 3.5.


A palavra hagios é empregada em conexão com o Espírito de Deus cerca de cem vezes. Contudo, a concepção de santidade e de santificação no Novo Testamento não é diferente da que se vê no Antigo Testamento. Tanto naquele como neste a santidade, num sentido derivado, é atribuída ao homem. Num e no outro a santidade ética não é mera retidão moral, e nunca a santificação é mero melhoramento moral. Há confusão destas duas coisas atualmente, quando falam em salvação pelo caráter. Um homem pode gabar-se de um grande melhoramento moral, e, todavia, não ter nenhuma experiência da santificação. A Bíblia não insiste no progresso moral puro e simples, mas no progresso moral em relação com Deus, em atenção a Deus e com vistas ao serviço de Deus. Ela insiste na santificação. Justamente neste ponto, muita pregação ética dos dias atuais é completamente enganosa; e o corretivo para isto está na apresentação da verdadeira doutrina da santificação. Pode-se definir a santificação como a graciosa e contínua operação do Espírito Santo pela qual ele liberta o pecador justificado da corrupção do pecado, renova toda a sua natureza à imagem de Deus, e o capacita a praticar boas obras.
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Texto condensado da Teologia Sistemática de Berkhof, p. 488 e 489.

5 de dez. de 2014

A Busca da Santidade

Por John Stott

Muitos dos segredos da santidade nos são revelados nas páginas da Bíblia. De fato, um dos objetivos principais da Escritura é mostrar ao povo de Deus como levar uma vida que lhe seja digna e que lhe agrade. Porém um dos aspectos mais negligenciados na busca da santidade é a parte que compete à mente, conquanto o próprio Jesus tenha posto o assunto fora de qualquer dúvida quando prometeu: “conhecereis a verdade, e a verdade vos libertará”. É mediante a sua verdade que Cristo nos liberta da escravidão do pecado. De que forma? Onde se encontra o poder libertador da verdade?

Para começarmos, precisamos ter um quadro bem claro do tipo de pessoa que Deus pretende que sejamos. Temos de conhecer a lei moral de Deus e os mandamentos. Como o expressou John Owen: “o bem que a mente não é capaz de descobrir, a vontade não pode escolher, nem as afeições podem se apegar”.. Portanto, “na Escritura o engano da mente comumente se apresenta como o princípio de todo pecado”.

O melhor exemplo disso pode-se encontrar na vida terrena do nosso Salvador. Por três vezes o diabo aproximou-se dele e o tentou no deserto da Judéia. Nas três vezes Ele reconheceu ser má a sugestão que lhe fizera Satanás e contrária à vontade de Deus. Três vezes Ele se opôs à tentação com a palavra gegraptai: “está escrito”. Jesus não deu margem a qualquer discussão ou argumentação. A questão já estava decidida, logo de partida, em sua mente. Pois a Escritura estabelecera o que é certo. Este claro conhecimento bíblico da vontade de Deus é o segredo básico de uma vida reta.

Não basta sabermos o que deveríamos ser, entretanto. Temos de ir mais além, resolvendo, em nossas mentes, a alcançá-la. A batalha é quase sempre ganha na mente. É pela renovação de nossa mente que nosso caráter e comportamento se transformam. Assim é que, seguidamente, a Escritura nos exorta a uma disciplina mental nesse sentido. “Tudo o que é verdadeiro”, diz ela, “tudo o que respeitável, tudo o que é justo, tudo o que é de boa fama, se alguma virtude há e se algum louvor existe, seja isso o que ocupe o vosso pensamento”.

De novo: Se fostes ressuscitados juntamente com Cristo, buscai as coisas lá do alto, onde Cristo vive, assentado à direita de Deus. Pensai nas coisas lá do alto, não nas que são aqui da terra; porque morrestes, e a vossa vida está oculta juntamente com Cristo, em Deus.

De novo ainda: “Os que se inclinam para a carne cogitam das coisas da carne; mas os que se inclinam para o Espírito, das coisas do Espírito. Porque o pendor da carne dá para a morte, mas o do Espírito, para a vida e paz”.

O autocontrole é, antes de tudo, o controle da mente. O que semeamos em nossas mentes, colhemos em nossas ações. “Ler É Viver” foi o lema de uma recente campanha publicitária. É um testemunho do fato de que a vida não consiste apenas em trabalhar, comer, dormir. A mente tem de ser também alimentada. E o tipo de comida que nossas mentes receberem determinará que tipo de pessoa seremos. Mentes sadias têm um apetite sadio. Temos de satisfazê-las com alimento saudável, e não com drogas e venenos intelectuais perigosos.

Há, entretanto, uma outra espécie de disciplina mental a que somos convocados no Novo Testamento. Temos que considerar não somente o que deveríamos ser, mas também o que, pela graça de Deus, já somos. Devemos constantemente nos lembrar do que Deus já fez por nós, e dizer a nós mesmos: “Deus uniu-me com Cristo em sua morte e ressurreição, e assim acabou com a minha velha vida e me deu uma vida completamente nova em Cristo. Adotou-me em sua família e me fez seu filho. Pôs em mim seu Espírito Santo, fazendo de meu corpo seu templo. Também tornou-se seu herdeiro e prometeu-me um destino eterno, consigo, no céu. Isto é o que Ele fez para mim e em mim. Isto é o que sou em Cristo”.

Paulo não se cansa de nos incitar a que deixemos nossas mentes pensar nessas coisas. “Quero que saibais”, ele escreve. “Porque não quero, irmãos, que ignoreis...”E cerca de dez vezes em suas cartas aos Romanos e Coríntios ele profere esta pergunta incrédula: “Não sabeis...” “Não sabeis que todos os que fomos batizados em Cristo Jesus , fomos batizados na sua morte?” Não sabeis que daquele a quem vos ofereceis como servos para obediência, desse mesmo a quem obedeceis sois servos...? “Não sabeis que sois santuários de Deus, e que o Espírito de Deus habita em vós?” “Não sabeis que os vossos corpos são membros de Cristo?

A intenção do apóstolo nesta enxurrada de perguntas não é apenas fazer-nos sentir envergonhados por nossa ignorância. É antes fazer com que nos dizem respeito, as quais de fato nos são bem conhecidas; e que falemos entre nós sobre elas até o ponto em que se apoderem de nossas mentes e moldem o nosso caráter. Não se trata do otimismo de autoconfiança de Norman Vicent Peale, cujo método procura conseguir que façamos de conta que somos algo que não somos. O método de Paulo é nos lembrar do que realmente somos, porque assim nos fez Deus em Cristo.


Fonte: Crer é também pensar, John Stott. (via monergismo.com)

1 de dez. de 2014

Santidade pelo poder do Espírito

Por Kevin DeYoung

Faz todo sentido pensarmos que o Espírito Santo desempenha papel primordial em nos tornar santos. De acordo com 1 Pe.1.2, somos “salvos de acordo com o pré-conhecimento de Deus Pai, pela obra santificadora do Espírito”, para que sejamos obedientes a Jesus Cristo e borrifados por seu sangue. A santificação, nesse sentido, possui dois sentidos. O Espírito nos separa em Cristo para que sejamos purificados por seu sangue (santificação definitiva), e ele opera em nós para que possamos ser obedientes a Jesus Cristo (santificação progressiva). Através do Espírito recebemos uma nova posição e somos infundidos com novo poder. Ou, para utilizar a linguagem paulina, já que não estamos mais na carne e sim no Espírito, pelo mesmo Espírito devemos mortificar os feitos da carne (Romanos 8.9-13).

Mas voltando à pergunta prática: como é que o Espírito, de fato, opera em nós, tornando-nos santos? Uma das formas é nos fortalecendo com poder em “o íntimo de nosso ser” (Ef 3.16). A obra do Espírito está frequentemente associada a poder (Atos 1.8; Rm 15.19; 1Co 2.4; 1Ts 1.5). Esse poder pode se manifestar em sinais e maravilhas, em dons espirituais para edificar o corpo, e na capacidade de gerar fruto espiritual. O mesmo Espírito que esteve presente na criação e fez com que você nascesse de novo, está agindo para capacitar o íntimo de seu ser (ou seja, sua vontade ou coração) para que você possa resistir aos pecados que não conseguia resistir anteriormente e para fazer coisas boas que, de outra sorte, seriam impossíveis à você. Cristãos derrotistas não lutam contra os pecados porque concluem que “nasceram assim”, ou “jamais mudarão”, ou “não possuem fé suficiente”, e, por isso, não estão sendo humildes. Eles desonram o Espírito Santo que nos capacita com poder sobrenatural.

Mas isso não é tudo que o Espírito faz para nos santificar. O Espírito é poder, mas também é uma luz. Ele brilha nas trevas de nosso coração e nos traz convicção de pecado (João 16.7-11). Ele é uma lâmpada a iluminar a Palavra de Deus, ensinando-nos o que é verdade, fazendo com que isso nos salte aos olhos como precioso (1Co 2.6-16). E o Espírito acende os refletores sobre Cristo, para que possamos enxergar a glória Dele e sermos transformados (João 16.14). É por isso que 2 Coríntios 3.18 afirma: “E todos nós, que com a face descoberta contemplamos a glória do Senhor, segundo a sua imagem estamos sendo transformados com glória cada vez maior, a qual vem do Senhor, que é o Espírito”. Assim como Moisés teve a sua face transformada quando contemplou a glória do Senhor no Monte Sinai (Ex 34.29; conf. 2Co 3.7), assim seremos transformados quando, pelo Espírito, contemplarmos a glória de Deus na face de Cristo.

Resumindo, então, o Espírito é para nós uma luz de três formas diferentes: (1) Ele expõe o pecado para que possamos reconhece-lo e voltar-lhe as costas; (2) ele ilumina a Palavra para que consigamos entender seu significado e captar suas implicações; (3) ele remove o véu para que possamos contemplar a glória de Cristo e nos tornarmos semelhantes àquele que contemplamos. Ou, em outras palavras, o Espírito santifica ao revelar o pecado, revelar a verdade e revelar a glória. Quando fechamos os olhos para essa luz, a Bíblia chama essa ação de resistir (At 7.51), ou apagar (1Ts 5.19) ou entristecer o Espírito (Ef 4.30). Pode haver pequenas nuanças entre estes três termos, mas todos fazem alusão a situações onde não aceitamos a obra santificadora do Espírito em nossa vida. Se cedermos ao pecado ou desistirmos da justiça, a culpa não é do poder do Espírito, mas sim de nossa pelas trevas do mal e não pela luz do Espírito (João 3.19-20).
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Fonte: Extraído do capítulo 5 do livro "Brecha em nossa Santidade". Editora Fiel, 2013. 

29 de nov. de 2014

David Brainerd: Um Coração Quebrantado

Por Jonathan Edwards



Em algum tempo, no começo do inverno de 1738, agradou a Deus, em um sábado pela manhã, quando eu partia para cumprir meus deveres secretos, dar-me, de repente, um tal senso de meu perigo e da sua ira que fiquei admirado, e logo desapareceram minhas confortáveis disposições anteriores. Diante da visão que tive de meu pecado e vileza, fiquei muito aflito durante todo aquele dia, temendo que a vingança de Deus em breve me alcançaria. Senti-me muito abatido, mantendo-me solitário; cheguei a invejar a felicidade das aves e dos quadrúpedes, pois não estavam sujeitos àquela miséria eterna, como evidentemente eu via que estava sujeito. E assim ia vivendo dia a dia, freqüentemente em grande aflição. As vezes parecia que montanhas obstruíam minhas esperanças de misericórdia e a obra de conversão parecia tão grande que pensei que nunca seria o objeto dela. No entanto, costumava orar, clamar a Deus e realizar outros deveres com grande ardor; assim esperava, por alguns meios, melhorar a minha situação.

Por centenas de vezes renunciei a todas as pretensões de qualquer valor em meus deveres, ao mesmo tempo em que os realizava; e com freqüência confessei a Deus que eu nada merecia pelos melhores deles, a não ser a condenação eterna; ainda assim tinha uma esperança secreta de recomendar-me a Deus mediante os meus deveres religiosos. Quando orava emotivamente e meu coração, em alguma medida, parecia enternecer-se, esperava que, por causa disso, Deus teria piedade de mim. Nessas ocasiões, havia alguma aparência de bondade em minhas orações, e eu parecia estar lamentando pelo pecado. Em alguma medida aventurava-me na misericórdia de Deus em Cristo, como eu pensava, ainda que o pensamento preponderante, o alicerce de minha esperança, era alguma imaginação de bondade em meu enternecimento de coração, no calor de meus afetos e na extraordinária dilatação de minhas orações.

Havia momentos em que a porta me parecia tão estreita que eu via como impossível entrar; mas noutras ocasiões lisonjeava-me, dizendo que não era assim tão difícil, e esperava que, por meio da diligência e da vigilância, acabaria conseguindo. Algumas vezes, depois de muito tempo em devoções e em forte emoção, achava que tinha dado um bom passo na direção do céu e imaginava que Deus fora afetado assim como eu, e ouviria tais sinceros clamores, como eu os chamava. E assim, por várias vezes, quando me retirava para oração secreta, em grande aflição, eu voltava confortado; e desta forma procurava curar a mim mesmo com meus deveres.

Certa ocasião, em fevereiro de 1739, separei um dia para jejum e oração secretos, e passei aquele dia em clamores quase incessantes a Deus, pedindo misericórdia, para que Ele me abrisse os olhos para a malignidade do pecado e para o caminho da vida, por meio de Jesus Cristo. Naquele dia, Deus agradou-se em fazer para mim notáveis descobertas em meu coração. No entanto, continuei confiando na prática dos meus deveres, embora não tivessem nenhuma virtude em si, não havendo neles qualquer relação com a glória de Deus, nem tal princípio em meu coração. Contudo, aprouve a Deus, naquele dia, fazer de meus esforços um meio para mostrar-me, em alguma medida, minha debilidade.

Algumas vezes eu era grandemente encorajado e imaginava que Deus me amava e se agradava de mim, e pensava que em breve estaria completamente reconciliado com Deus. Mas tudo isto estava fundamentado em mera presunção, surgindo da ampliação nos meus deveres, ou do calor das afeições, ou de alguma boa resolução, ou coisas similares. E quando, às vezes, grande aflição começava a surgir baseada na visão da minha vileza e incapacidade de livrar a mim mesmo de um Deus soberano, então costumava adiar a descoberta como algo que não podia suportar. Lembro-me que, certa vez, fui tomado por uma terrível dor de aflição de alma; a idéia de renunciar a mim mesmo, permanecendo nu diante de Deus, despido de toda bondade, foi tão temível para mim que estive pronto a dizer, como Félix disse a Paulo: "Por agora podes retirar-te" (Atos 24.25).

Assim, embora diariamente anelasse por uma maior convicção de pecado, supondo que tinha de perceber mais do meu temível estado para que pudesse remediá-lo, quando as descobertas do meu ímpio coração foram feitas, a visão era tão aterradora, e mostrava-me tão cristalinamente minha exposição à condenação, que não podia suportá-la. Eu constantemente esforçava-me por obter quaisquer qualificações que imaginava que outros obtiveram antes de receberem a Cristo, a fim de recomendar-me ao seu favor. De outras vezes, sentia o poder de um coração empedernido e supunha que o mesmo tinha de ser amolecido antes que Cristo me aceitasse; e quando sentia quaisquer enternecimentos de coração, então esperava que daquela vez a obra estivesse quase feita. E, portanto, quando a minha aflição permanecia, eu costumava murmurar contra a maneira como Deus lidava comigo, e pensava que quando outros sentiam seus corações favoravelmente amolecidos, Deus mostrava-lhes sua misericórdia para com eles; mas a minha aflição ainda permanecia.

Às vezes ficava desleixado e preguiçoso, sem quaisquer grandes convicções de pecado, e isso por considerável período de tempo; mas depois de tal período, algumas vezes as convicções me assediavam mais violentamente. Lembro-me de certa noite em particular, quando caminhava solitariamente, que delineou-se diante de mim uma tal visão de meu pecado, que temi que o solo se abrisse debaixo de meus pés e se tornasse a minha sepultura, mandando minha alma rapidamente ao inferno, antes que eu pudesse chegar em casa. Forçado a recolher-me ao leito para que outras pessoas não viessem a descobrir minha aflição de alma, o que eu muito temia, não ousei dormir, pois pensava que seria uma grande maravilha se eu não amanhecesse no inferno. Embora minha aflição às vezes fosse tão grande, todavia eu temia muito a perda de convicções, e de retroceder a um estado de segurança carnal e à minha anterior insensibilidade da ira iminente. Isto fazia-me extramente rigoroso em meu comportamento, temendo entravar a atuação do Santo Espírito de Deus.

Quando, a qualquer momento, eu examinava minhas próprias convicções, julgando-as consideravelmente fortes, acostumei-me a confiar nelas. Mas essa confiança, bem como a esperança de em breve fazer alguns avanços notáveis na direção do meu livramento, tranquilizava minha mente e logo tornava-me insensível e remisso. Mas de novo, quando notava que as minhas convicções estavam fenecendo, julgando que estavam prestes a abandonar-me, imediatamente me alarmava e afligia. Algumas vezes esperava dar uma larga passada, avançando muito na direção da conversão, por meio de alguma oportunidade ou meio particular que tinha em vista.

Os muitos desapontamentos, as grandes aflições e perplexidades que experimentei deixavam-me em uma horrenda disposição de conflito com o Todo-Poderoso; e com veemência e hostilidade interiores achava falhas em suas maneiras de tratar com a humanidade. Meu coração iníquo por muitas vezes desejava algum outro caminho de salvação que não fosse por Jesus Cristo. Tal como um mar tempestuoso, com meus pensamentos confusos, eu costumava planejar maneiras de escapar da ira de Deus por alguns outros meios. Eu traçava projetos estranhos, repletos de ateísmo, planejando desapontar os desígnios e decretos divinos a meu respeito ou de escapar de sua atenção e ocultar-me dEle.

Mas ao refletir vi que estes projetos eram vãos e não me serviriam, e que eu nada poderia criar para meu próprio alívio; isso jogava minha mente na mais horrenda atitude, desejando que Deus não existisse, ou desejando que houvesse algum outro deus que pudesse controlá-Lo. Tais pensamentos e desejos eram as inclinações secretas do meu coração, por muitas vezes atuando antes que pudesse dar-me conta delas. Infelizmente, porém, elas eram minhas, embora ficasse aterrorizado quando meditava a respeito delas. E quando refletia, afligia-me pensar que meu coração estivesse tão cheio de inimizade contra Deus; e estremecia, temendo que sua vingança subitamente caísse sobre mim.

Antes costumava imaginar que meu coração não era tão mau quanto as Escrituras e alguns outros livros o descreviam. Algumas vezes, esforçava-me dolorosamente para moldar uma boa disposição, uma disposição humilde e submissa; e esperava houvesse alguma bondade em mim. Mas, de súbito, a idéia da rigidez da lei ou da soberania de Deus irritava tanto a corrupção do meu coração, o qual eu tanto vigiara e esperava ter trazido à uma boa disposição, que tal corrupção rompia todas as algemas, e explodia por todos os lados, como dilúvios de águas quando desmoronam uma represa.

Sensível à necessidade de profunda humilhação a fim de ter uma aproximação salvadora, empenhava-me por produzir em meu próprio coração as convicções exigidas por tal humilhação, como, por exemplo, a convicção de que Deus seria justo se me rejeitasse para sempre, e que se Ele concedesse misericórdia a mim, seria pura graça, embora primeiro eu tivesse de estar aflito por muitos anos e muito atarefado em meu dever, e que Deus de modo algum estava obrigado a ter piedade de mim, por todas as minhas obras, clamores e lágrimas passadas.

Eu me esforçava ao máximo para trazer-me a uma firme crença nessas coisas e a um assentimento delas de todo o coração. E esperava que agora eu estaria livre de mim mesmo, verdadeiramente humilhado, e prostrado diante da soberania divina. Estava inclinado a dizer a Deus, em minhas orações, que agora tinha exatamente essas disposições de alma que Ele requeria, com base nas quais Ele mostrara misericórdia para com outros, e alicerçado nisto implorar e pleitear misericórdia para mim. Porém, quando não achava alívio e continuava oprimido pelo pecado e pelos temores da ira, minha alma entrava em tumulto, e meu coração rebelava-se contra Deus, como se Ele estivesse me tratando duramente.

Mas então minha consciência insurgia-se, fazendo-me lembrar de minha última confissão a Deus de que Ele era justo ao me condenar. E isso, dando-me uma boa visão da maldade de meu coração, jogava-me novamente em aflição; desejava ter vigiado mais de perto meu coração, impedindo-o de rebelar-se contra a maneira como Deus estava me tratando. E até mesmo chegava a desejar não ter pedido misericórdia com base em minha humilhação, porque, desse modo, perdera toda a minha aparente bondade. Assim, por muitas vezes inutilmente imaginava que estava humilhado e preparado para a misericórdia salvadora.

28 de nov. de 2014

Os Crentes Devem Sentir-se Culpados o Tempo Todo?

Por Kevin DeYoung

Imagino que existem inúmeros crentes que raramente sentem o aguilhão da consciência ou as tristezas do arrependimento. Mas também conheço muitos, muitos crentes (incluindo eu mesmo) que facilmente se sentem infelizes por coisas que não fazem ou fazem-nas menos do que perfeitamente. De fato, estou convencido de que a maioria dos cristãos sérios vivem quase constantemente com um baixo senso de culpa.

Como nos sentimos culpados? Deixe enumerar algumas maneiras.

Poderíamos orar mais.
Não somos bastante ousados em evangelizar.
Gostamos demais de esportes.
Assistimos freqüentemente a filmes e à televisão.
Nosso tempo devocional é curto e esporádico.
Não contribuímos de modo suficiente.
Compramos um novo móvel.
Não lemos muito para nossos filhos.
Nosso filhos comem Cheetos e batatas fritas.
Reciclamos pouco.
Precisamos perder alguns quilos.
Poderíamos usar melhor nosso tempo.
Poderíamos viver em um lugar mais difícil ou em uma casa menor.

O que fazemos por trás de todos esses cenários de culpa? Não sentimos aquele tipo de remorso paralisante por causa dessas coisas. Mas essas imperfeições podem ter um efeito cumulativo pelo qual até o crente maduro pode sentir-se como alguém que está desapontado a Deus e, talvez, um mero cristão.

Eis a parte delicada: às vezes devemos nos sentir culpados, porque às vezes somos culpados de pecado. Além disso, a complacência na vida cristã é um perigo real, especialmente na América.

Mas, apesar disso, não creio que Deus nos redimiu pelo sangue de seu Filho para que nos sintamos como fracassos permanentes. Depois do Pentecostes, Pedro e João pareciam torturados por temor introspectivo e repugnante de si mesmos? Paulo se mostrou constantemente preocupado com o fato de que poderia fazer mais? Admiravelmente, Paulo disse em certo momento: “De nada me argúi a consciência” (1 Co 4.4). E acrescentou logo: “Nem por isso me dou por justificado, pois quem me julga é o Senhor”. Parece que Paulo dormia toda noite com uma consciência limpa. Então, por que tantos crentes se sentem culpados o tempo todo?

1. Não recebemos completamente as boas-novas do evangelho. Esquecemos que fomos vivificados com Cristo. Fomos ressuscitados com ele. Fomos salvos somente pela fé. E isso é um dom de Deus, e não um resultado de obras (Ef 2.4-8). Podemos ficar com tanto medo do antinomianismo – um perigo legítimo –, que receamos falar profusamente sobre a graça de Deus. Mas, se nunca fomos acusados de ser antinomianos, talvez o evangelho não nos foi apresentado em toda a sua glória extraordinária (Rm 6.1).

2. Os cristãos tendem a motivar os outros por culpa e não por graça. Em vez de instarmos nossos irmãos a serem o que realmente são em Cristo, nós os ordenamos a fazerem mais para Cristo (quanto à motivação correta, ver Rm 6.5-14). Por isso, vemos a semelhança com Cristo como algo em que estamos realmente fracassando, quando deveríamos vê-la como algo que já possuímos e no qual precisamos crescer.

3. A maior parte de nosso baixo nível de culpa se enquadra na ambígua categoria de “não fiz o suficiente”. Examine a lista que apresentamos. Nenhum dos itens é necessariamente pecaminoso. Dizem respeito a possíveis infrações, percepções e maneiras como gostaríamos de fazer mais. Essas são as áreas mais difíceis de lidarmos porque, por exemplo, nenhum crente jamais confessará que tem orado de modo suficiente. Assim, é sempre fácil nos sentirmos horríveis quanto à oração (ou à evangelização, ou a contribuir, ou a qualquer outra disciplina cristã). Precisamos ter cuidado para não insistirmos em algum padrão de prática quando a Bíblia insiste apenas em um princípio geral.

Quero dar um exemplo. Todo crente tem de contribuir generosamente, para as necessidades dos santos (2 Co 9.6-11; Rm 12.13). Podemos insistir nisso com absoluta certeza. Mas, como é essa generosidade, quanto devemos dar, quanto devemos reter – essas coisas não estão delimitadas por alguma fórmula, nem podem ser exigidas por compulsão (2 Co 9.7). Portanto, se queremos que as pessoas sejam mais generosas, faremos bem se seguirmos o exemplo de Paulo em 2 Coríntios e enfatizarmos as bênçãos da generosidade e a sua motivação alicerçada no evangelho, em vez de envergonharmos os outros que não contribuem muito.

4. Quando somos verdadeiramente culpados de pecado, é imperativo que nos arrependamos e recebamos misericórdia de Deus. Paulo tinha uma consciência limpa não porque nunca pecava, e sim porque, eu imagino, buscava imediatamente o Senhor, quando sabia que havia errado, e descansava no “nenhuma condenação” do evangelho (Rm 8.1). Se confessarmos os nossos pecados, disse João, Deus é fiel e justo para nos perdoar e nos purificar de toda injustiça (1 Jo 1.9). Deus não nos salvou para nos sentirmos miseráveis o tempo todo. Ele nos salvou para que vivamos na alegria de nossa salvação. Portanto, quando pecamos – e todos pecamos (1 Rs 8.46; 1 Jo 1.8) –,confessamos o pecado, somos purificados e prosseguimos.

Isso enfatiza um dos grandes perigos da culpa constante: aprendemos a ignorar nossa consciência. Se pecamos verdadeiramente, precisamos arrepender-nos e rogar ao Senhor que nos ajude a mudar. Mas, se não estamos pecando, se não somos tão maduros como deveríamos ser, nem tão disciplinados como outros crentes, nem estamos fazendo escolhas diferentes que talvez sejam aceitáveis, mas não extraordinárias, não nos devemos sentir culpados. Devemos nos sentir desafiados, estimulados, inspirados, mas não culpados.

Como pastor, isso significa que não espero que todos em minha igreja sintam-se apavorados a respeito de tudo que prego. Afinal de contas, é justo que todos obedeçamos aos mandamentos de Deus. Não perfeitamente, não sem alguns motivos incertos, nem tão plenamente como deveríamos, mas com fidelidade e obediência que agrada a Deus. A pregação fiel não exige que os cristãos sinceros sintam-se miseráveis o tempo todo. De fato, a melhor pregação deve fazer que os cristãos sinceros vejam mais de Cristo e experimentem mais de sua graça.
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19 de nov. de 2014

Santificados Pela Verdade

Por Thiago Oliveira

 TEXTO BASE: JOÃO 17. 17-21 (NVI)

17. Santifica-os na verdade; a tua palavra é a verdade.
18. Assim como me enviaste ao mundo, eu os enviei ao mundo.
19. Em favor deles eu me santifico, para que também eles sejam santificados pela verdade.
20-21. "Minha oração não é apenas por eles. Rogo também por aqueles que crerão em mim, por meio da mensagem deles, para que todos sejam um, Pai, como tu estás em mim e eu em ti. Que eles também estejam em nós, para que o mundo creia que tu me enviaste.

INTRODUÇÃO

Jesus ali no cenáculo com os 12, em seus últimos momentos antes de padecer na cruz, instruiu os seus discípulos. Ele falou acerca das aflições que estes enfrentariam, contudo, falou que deveriam manter o bom ânimo, pois a vitória já estava garantida por meio dEle (Jo 16.33). Terminada a instrução, Cristo faria uma oração por aqueles a quem o Pai lhes deu de presente. E todos aqueles que foram entregues a Cristo, tiveram a revelação necessária sobre Deus e guardaram a Palavra (Jo 17.6).

Esta oração é uma intercessão para a consagração de todo aquele que foi dado ao Filho, pelo Pai. É um texto que deixa evidente a doutrina da eleição e que nos traz o entendimento de que aqueles que pertencem a Deus, tem a Sua Palavra retida e não se desviam daquilo que aprenderam em Cristo, por meio da revelação do unigênito do Pai (Jo 14.23 e 1Jo 2.24).

Nesta oração de Cristo que visa a consagração dos que são seus, vamos focar no aspecto da santificação que ocorre em cada cristão firmado na Palavra. Dando atenção ao versículo 17 e os que se seguem e estão mais próximos desta linda declaração do Salvador: “Santifica-os na verdade, a tua palavra é a verdade”.

EXPLANAÇÃO

17. Jesus, como o Sumo Sacerdote Eterno (Hb 4.14) roga ao Pai que não tire os seus discípulos do mundo. É da vontade do Senhor que fiquemos aqui e aguardemos o dia em que Ele virá em definitivo, como apontam as Escrituras. Temos que habitar num mundo que é hostil a nossa fé e a nossa pregação. Não podia ser diferente: Uma vez que não somos daqui e estamos apenas de passagem, os olhares tortuosos e desconfiados são comuns. Nossos hábitos, são estranhos para os mundanos. Ademais, a fé que professamos, denuncia os pecados de toda a humanidade, revelando aquilo que eles gostariam de ocultar. Por isso, não espere muita coisa boa vinda dos resolutos pecadores que habitam esta terra. 

Para não esmorecer ou não apostatar (i.é. abandonar a fé), Cristo roga a Deus-Pai para que este nos torne santos através da Sua Palavra. E aqui devemos entender que não há santidade caso a Igreja viva aquém ou além do conteúdo bíblico. Ser santificado na Verdade é ter o coração e a mente cativos para viver progressivamente mais e mais alinhados com a Lei de Deus. E assim, como o Salmista poderemos dizer com regozijo: “A minha alma consome-se de perene desejo das tuas ordenanças (Sl 119.20)”.

Jesus sabia que não mais estaria com os discípulos. Todavia, ele havia revelado a vontade de Deus (Jo 17.6). Os doze, precisariam reter esta revelação, pois ela é imprescindível no processo santificador. Não existe um outro caminho para a Igreja se santificar, apenas alicerçada na Palavra da Verdade é que a Igreja pode ser chamada de santa. Somente as Escrituras: eis o lema dos reformadores que ecoa até os nossos dias. Tirem as Escrituras da liturgia e vejam a desgraça que assolará a Igreja. Diminuam a exposição do texto bíblico em nossos cultos e vejam nascer uma gama de crentes supersticiosos e carnais.

Antes do advento da Reforma Protestante, a Bíblia estava tão perto e ao mesmo tempo tão longe do povo. Lutero tratou de traduzi-la para o idioma popular. Incentivou a leitura particular e pública. Aproveitou o recente surgimento da imprensa e povoou a Alemanha com Bíblias. Calvino, outro notório reformador, numa cidade com cerca de 10 mil pessoas, através da exposição das Escrituras, chegando a pregar até 15 vezes por semana (livro após livro, versículo por versículo) viu uma cidade libertina, que regulamentava a prostituição e tinha uma lei que permitia os homens a possuírem amantes, ser santificada paulatinamente. Este é o efeito que a Bíblia faz no coração daqueles a quem o Pai decide se revelar. “Depois das trevas, a luz” (Post Tenebras Lux), este passou a ser o slogan da cidade de Genebra. E de lá, a luz se espalhou por toda a Europa. Até hoje, muitos consideram João Calvino insuperável no que tange a interpretação e o ensino da Bíblia. Ele, Zuínglio, Knox e o próprio Lutero, não tinham em si nada de bom. Eles, os reformadores do século XVI, também precisaram ser “santificados pela verdade”. Louvado seja Deus!

18. Nossa missão permanente no mundo é semelhante a que Cristo realizou. Ele foi o Enviado de Deus-Pai e nós somos os enviados do Deus-Filho. Jesus veio como portador do Evangelho, ele é o anunciador da Boa-Nova, semelhantemente, os seus discípulos, também são enviados ao mundo portando a mesma mensagem redentora. Foi assim que a partir de um grupo composto de doze homens, sendo um deles traidor, que a Palavra chegou até nós e tem iluminado às nações. Milhões e milhões de pessoas foram incorporadas ao Reino graças a mensagem bíblica que foi apregoada pelos quatro cantos da terra.

A missão do colégio apostólico era dar prosseguimento ao ministério terreno de Jesus. Enquanto o Cristo ficou restrito ao perímetro que hoje chamamos de Palestina, os seus discípulos, santificados na Verdade, tinham que continuar levando o Evangelho ao restante do mundo, expandindo assim as fronteiras do Reino de Deus. Portadores da revelação e privilegiados por conviverem intimamente com o Senhor, tais homens, estavam gabaritados para deixar registrado a Palavra que receberam. Por isso, ao formarem o cânon, encerraram a revelação. Tudo que precisamos saber a respeito da vontade de Deus está registrado na Bíblia. Ela é totalmente inspirada e útil para a correção e instrução para justiça (2Tm 3.16). Pedro nos diz que as Escrituras não procedem de interpretação pessoal e assegura que homens santos falaram da parte de Deus (2Pd 1.20-21).

Uma Igreja santa tem que ser portadora de uma voz profética. Contudo, temos que deixar claro que nenhuma profecia pode contradizer ou complementar aquilo que está escrito na Palavra. Ser profeta no contexto do Novo Testamento, e também na era presente, é ser alguém dotado de capacidade interpretativa do texto escriturístico. Depois de Cristo, nada mais acerca do Pai é revelado (Hb 1.1-2). Ele trouxe a revelação completa e necessária para os homens. Depois que subiu aos Céus, Cristo deixou para nós o Espírito Santo, e este vem operando no mundo através da Igreja, e tudo que faz, o faz em conformidade com a Palavra escrita de Deus. Alguns ficam tristes quando ouvem que a revelação cessou. Esta tristeza é, com o perdão da palavra, uma tolice. A revelação não é um fim em si mesma. A revelação serve para levar os homens a conhecerem a Cristo como sendo o único Deus verdadeiro. Por isso que as Escrituras cumprem esse papel muito bem, sem necessidade de nada a mais. No texto sagrado temos registrado aquilo que apontava para Cristo no Antigo Testamento até ser cumprido no Novo Testamento, quando o Verbo se fez carne e habitou entre nós (Jo 1.1). Na Bíblia temos a autoridade final e exclusiva acerca do Deus Redentor. Que a Igreja preencha o mundo com esta Verdade.
 
19. Para que os discípulos estivessem hábeis para realização da Grande Comissão, foi preciso que Jesus se entregasse como sacrifício ao Pai. Ele pede ao Pai que os santifique na Verdade, e para isso, entrega-se voluntariamente como um sacrifício vivo e agradável a Deus. Os doze não podiam sacrificar a si mesmos e nem aplacar a Ira de um Deus Santo. Alguém tinha que fazer isso por eles, e esse alguém é o Filho Unigênito. Por não ter pecado, Cristo estava apto a ser o cordeiro imolado que expiaria o pecado definitivamente e assim cumpriria as palavras de João Batista: “Eis o cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo (Jo 1.29)”.

Jesus é a oferta ao mesmo tempo que é sacerdote. Ele consagra a si mesmo e se prepara para experimentar toda a Ira divina. Todo o espetáculo visivelmente horrendo da cruz não se compara ao peso de ter os pecados de todos os seus eleitos em seus ombros. Ele foi moído pelas nossas iniquidades (Is 53.5). Mas foi este castigo que nos outorgou a santidade necessária para não sermos fulminados diante da presença de Deus. Quando o Altíssimo olha do seu trono para nós, ele não mais vê pecadores réprobos. Quando Deus nos olha, Ele nos enxerga lavados pelo sangue do Cordeiro. Quando lemos no Apocalipse o relato da vitória da Igreja sobre os poderes malignos, o texto bíblico revela que a vitória se deu pelo “sangue do Cordeiro e pela palavra do testemunho que deram; diante da morte, não amaram a própria vida (Ap 12.11).

Aqueles homens, falhos e ignorantes, foram salvos e santificados pela Verdade e deram um testemunho fiel até na hora da morte. Tirando Judas, o traidor, e João, o apóstolo amado, todos os demais foram martirizados por serem testemunhas da Palavra. Ser salvo e separado para a obra de Cristo não implica numa vida folgada e tranquila. Em muitos casos, e não são raros, ser vocacionado por Deus é perder muitas das benesses que este mundo oferece. Mas devemos lembrar de uma coisa: Se nós não somos daqui, a nossa herança também não pertence à presente era. No porvir haveremos de ser co-herdeiros com Cristo em seu Reino Glorioso. Lá no porvir... Não agora...

20-21. Até aqui estávamos tomando por aplicação as palavras de Jesus aos doze, mas agora ele está falando diretamente a nosso respeito. Todos os que crerão na mensagem apostólica engloba você e eu. A Igreja foi edificada neste alicerce (Ef 2.20). O ensino dos apóstolos, tendo Cristo por pedra angular, é a base da fé evangélica. Não precisa entender de engenharia para saber que só existe um fundamento e não podemos por um alicerce acima de outro. É por isso que devemos repudiar toda e qualquer revelação que se fundamente em outros preceitos que não sejam os bíblicos.

Por mais estranho ou absurdo que pareça ao mundo, temos que nos portar como detentores exclusivos da Verdade. Não existem várias verdades. Não me venha com “minha verdade é essa” e a “sua verdade é aquela”. Assim como 1+1 são 2 para todos os povos e em todas as épocas. Assim como a cor do céu é a mesma sob cada habitante neste planeta. Queiram ou não, entendam ou não, a Bíblia é a única verdade e o que está em desacordo com a sua mensagem é engano.

Guiados pela Verdade, os apóstolos vão levando a mensagem de Cristo e o Espírito Santo vai incumbir-se de converter pecadores e fazê-los professarem o senhorio de Jesus sobre as suas vidas. Assim a Igreja vai tomando forma e o corpo é composto de membros que unidos na mesma fé, tornam-se semelhantes a união mística da Trindade. Não existe contradição entre a Palavra do Deus-Pai, do Deus-Filho e do Deus-Espírito Santo. De igual modo, não deve existir contradições na mensagem da qual a Igreja é portadora. A unidade dogmática está presente nesta solicitação de Cristo pela Igreja Universal. Precisamos voltar ao Evangelho Bíblico e apregoar o lema reformado que diz: Somente as Escrituras (Sola Scriptura). Precisamos extirpar do meio de nossas congregações tudo aquilo que se diz fazer parte de uma revelação, mas que, não está em sintonia com a Palavra que nos foi entregue pelo próprio Filho de Deus.

CONCLUSÃO

Estamos no mês da Reforma* que aconteceu há quase meio milênio. Naquele tempo de escuridão, século XVI, homens audaciosos, impelidos pela Verdade bíblica, lutaram (muitos morreram) por uma Igreja que portasse uma doutrina pura. Enfrentaram papas, reis e duques, pondo a vida em risco, por acreditarem piamente que nada deve se colocar acima e nem no mesmo patamar da Palavra de Deus. E assim, fechos de luz foram clareando corações e mentes, antes obscurecidos pela superstição e pelo paganismo. Em nossos dias existem homens que se intitulam portadores de uma revelação especial. Eles oferecem curas milagrosas e prometem o fim do sofrimento. Lembremos que os santos que escreveram a Sagrada Bíblia não foram privados de sofrer. Por acaso, achamos que somos melhores do que eles?

Lutero, certa feita, disse: “Qualquer ensinamento que não se enquadre nas Escrituras deve ser rejeitado, mesmo que faça chover milagres todos os dias”. E Paulo em Gálatas 1.8 corrobora com o reformador alemão. Uma palavra que vá de encontro com o ensino apostólico é maldita, mesmo se proceder de um ser angelical. Jesus se sacrificou para nos santificar na Verdade, por isso, cuidado com o tipo de Evangelho que consumimos. A Igreja precisa se manter alerta e fazer valer o que talvez seja o lema da Reforma que mais negligenciamos, que diz: A igreja reformada deve continuar se reformando (Ecclesia Reformata et Semper Reformanda Est). Ressalto que o agente reformador da Igreja é o Espírito Santo, e este, como já foi dito, trabalha sempre de acordo com o que inspirou e registrou nas Escrituras. Que Ele nos santifique na Verdade e que nós sejamos cativos ao Seu ensino.

APLICAÇÂO

1) Qual o lugar que a Bíblia tem ocupado em minha vida?
2) Sinto Deus falar diretamente comigo quando leio a Bíblia? 
3) Porque não posso negligenciar a leitura bíblica?
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* Este sermão foi pregado no dia 19/10/2014 na Igreja Evangélica Livre em Paulista-PE.