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9 de mar de 2015

Quando a graça de Deus nos fortalece


Por Denis Monteiro

A história de Sansão é muito bela, ela mostra como a graça de Deus atua na vida do redimido pecador. O escritor de Juízes não omitiu em nenhum momento quem era realmente Sansão, ele foi um homem que não cumpriu com o seu voto e cada momento de sua vida sempre transgredia a Lei de Deus. O Rev. Valdeci enumera algumas de suas fraquezas: Sansão era imediatista, era iracundo e não sabia perder, era inconsequente e altamente vingativo.¹ 

Todas essas características dadas a Sansão mostram como ele claramente pecava, mas mesmo pecando, Deus sempre agia graciosamente na vida dele. 


A primeira menção da graça de Deus em sua vida foi Deus usar a fraqueza de Sansão para cumprir o Seu propósito. O texto de Juízes 14.4 nos mostra: Mas seu pai e sua mãe não sabiam que isto vinha do Senhor; pois buscava ocasião contra os filisteus; porquanto naquele tempo os filisteus dominavam sobre Israel.” Versículos anteriores nos mostram que Sansão se apaixonou por uma filisteia, aliança proibida na Lei de Deus: “[não] te aparentarás com elas; não darás tuas filhas a seus filhos, e não tomarás suas filhas para teus filhos; Pois fariam desviar teus filhos de mim, para que servissem a outros deuses; e a ira do Senhor se acenderia contra vós, e depressa vos consumiria” (Dt 7.3,4); Porque, se de algum modo vos desviardes, e vos apegardes ao restante destas nações que ainda ficou entre vós, e com elas vos aparentardes, e vós a elas entrardes, e elas a vós, sabei certamente que o Senhor vosso Deus não continuará a expulsar estas nações de diante de vós, mas elas vos serão por laço e rede, e açoite às vossas ilhargas, e espinhos aos vossos olhos; até que pereçais desta boa terra que vos deu o Senhor vosso Deus” (Js 23.12,13). 

Estas passagens acima nos mostram claramente a proibição de Deus ao casamento misto, e a pergunta que nos surge é: Como Deus usa o pecado, uma transgressão à Sua Lei, para cumprir o Seu propósito? Primeiramente devemos entender que Deus controla todas as coisas, até mesmo as nossas ações pecaminosas (cf. Gn 45.5-8; 2Sm 17.14; 1Rs 12.15; Is 63.17), segundo, todas as vezes que a Escritura mostra Deus controlando as ações pecaminosas, o pecador nunca age contrário a vontade de Deus como que se o mesmo não quisesse pecar, até porque o pecado está no ser humano desde a sua concepção. Logo, mesmo sendo controlado por Deus, a vontade do pecador é sempre pecar. Portanto, todas as ações de Deus sempre foram para a Sua glória, mesmo que nós não consigamos entender plenamente, mas devemos ter em mente que “todas as coisas cooperam bem”. A soberania de Deus sobre as ações pecaminosas dos homens, como os textos acima nos mostram que podem ser consideradas como protótipos daquilo que viria sobre o Seu Único Filho, Jesus Cristo. Deus controlou as ações pecaminosas dos homens para que Cristo morresse na cruz e libertasse seu povo de seu pecado (Mt 1.21). 

Sendo assim, vemos a graça de Deus agindo por meio da fraqueza deste homem. Em meio a sua estupidez, Deus agiu graciosamente com ele para que o Seu plano O glorificasse. A graça de Deus nisso é que Deus usa não apenas como somos, mas também quem somos. A graça de Deus supera as nossas fraquezas. 

A graça de Deus é revelada não só no propósito do próprio Deus, mas nos sinais que Deus concede a Sansão. Em todas as ocasiões que Sansão estava em apuros, o Espirito do Senhor, de tal maneira, se apoderava dele para matar os seus inimigos (cf. Jz 14.6, 19; 15.14). Como por exemplo, no templo de Dagom, Sansão foi capturado pelos filisteus, teve seus olhos vazados e apresentados em espetáculo diante de todos como um troféu da vitória sobre Israel. Diante desta situação, Sansão clama a Deus e pede força “só desta vez” para que ele matasse os filisteus como vingança por apenas um olho (16.28), e Deus concedeu graça a Sansão, o qual abraçou as duas colunas do templo e fez força até que derrubasse toda a casa sobre os filisteus e sobre ele mesmo, e nesta noite, pela graça de Deus, Sansão matou mais filisteus do que em toda a sua vida (v.29,30).

Esses enchimentos com o Espirito Santo poderia ser padrão de seu ofício se Sansão permanecesse fiel a Deus, cumprindo, por exemplo, seu voto (Jz 13.5). Mas Deus, por sua graça, concedia esporadicamente Seu Espirito a este pecador para cumprir o Seu plano. Sendo assim, podemos ver por intermédio deste homem o que Deus poderia fazer realmente. Portanto, devemos deixar a nossa vida de pecado e encher-nos do Espirito Santo para que o nosso falar, o nosso lar e o nosso envolvimento com a sociedade seja guiado por intermédio da ação divina (Ef 5.18 – 6. 1-9). 

O que aprendemos com isso

Não são as nossas boas obras que nos aproximam de Deus, e nem nossas más obras que nos afastam de Deus. A concepção evangélica popular é de que Deus se afasta de seus filhos. Bom, não é isso que a história de Sansão nos mostra, pelo contrário, é nós que nos afastamos de Deus. Pois, Ele sabe que “somos pó” (Sl 103.14) e, além do mais, Deus provou seu amor para conosco enviando Seu Filho a morrer por nós, sendo nós ainda pecadores (Rm 5.8). Dessa forma o cristão deve recobrar o ânimo, pela história de Sansão, de que Deus é gracioso e que nos usa até por meio de nossas fragilidades. 

Mesmo que as nossas fraquezas não nos afaste de Deus, elas fazem com que Deus nos prive de receber (e desfrutar) a totalidade do que Deus tem preparado para nós. Mas o arrependimento é o caminho para que Deus aja em nós por meio de Sua graça, como mostrei acima quando Sansão estava no templo de Dagom. Portanto, mesmo que Deus opere em nós tanto o querer como o efetuar, nós temos que desenvolver a nossa salvação com temor e tremor (Fp 2.12,13). 

Somente a graça de Deus tem o poder de transformar o pecador, esta graça fez com que tal juiz entrasse para a galeria dos “heróis da fé” (Hb 11.32). E é essa mesma graça é eficiente para triunfar sobre as maiores fraquezas dos servos de Deus em todas as épocas, usando a nossa fraqueza para atingir o propósito divino e superar essa fraqueza se arrependendo.

E tal graça é belamente cantada: 

          Maravilhosa graça, maior que o meu pecar
          Como poder cantá-la? Como hei de começar?
          Pois alivia a alma, e vivo em toda a calma
          Pela maravilhosa graça de Jesus

          Graça quão maravilhosa graça
          Como o firmamento é sem fim
          É maravilhosa, é tão grandiosa
          Tão sublime e doce para mim
          É maior que a minha vida inútil
          É maior que o meu pecado vil
          O nome de Jesus engrandecei e glória dai

          Maravilhosa graça, traz vida perenal
          Por Cristo perdoado, vou à mansão real
          Sei que hoje sou liberto, vivo de Deus bem perto
          Pela maravilhosa graça de Jesus

          Graça quão maravilhosa graça
          Como o firmamento, é sem fim
          É maravilhosa, é tão grandiosa
          Tão sublime e doce para mim
          É maior que a minha vida inútil
          É maior que o meu pecado vil
          O nome de Jesus engrandecei e glória dai 
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Nota:
SANTOS, Valdeci da Silva. O triunfo da graça na vida prática. São Paulo: Cultura Cristã, 2011. pp 89-93

Fonte: Bereianos

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