1509725595914942
Mostrando postagens com marcador Ortodoxia. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Ortodoxia. Mostrar todas as postagens

10 de ago. de 2016

A Importância do Credo Niceno

Por Thiago Oliveira

Cremos em um só Deus, Pai Onipotente, criador de todas as coisas visíveis e invisíveis; e em um só Senhor Jesus Cristo, o Filho de Deus, gerado pelo Pai, unigênito, isto é, da substância do Pai, Deus de Deus, Luz de Luz, Deus verdadeiro de Deus verdadeiro, gerado não feito, de uma só substância com o Pai, pelo qual foram feitas todas as coisas, as que estão no céu e as que estão na terra; o qual, por nós homens e por nossa salvação, desceu, se encarnou e se fez homem, e sofreu e ressuscitou ao terceiro dia, subiu ao céu, e novamente deve vir para julgar os vivos e os mortos; e no Espírito Santo. E a quantos dizem: “Ele era quando não era”, e “Antes de nascer, Ele não era”, ou que “foi feito do não existente”, bem como a quantos alegam ser o Filho de Deus “de outra substância ou essência”, ou “feito”, ou “mutável”, ou “alterável” a todos estes a igreja católica e apostólica anematiza. [1]

Quando finda a perseguição ao cristianismo e este passa a ter a simpatia do Império, surge uma controvérsia que abala a ortodoxia: o Arianismo. Esta doutrina herética, formulada por Ário, presbítero em Alexandria, negava que Cristo fosse eterno e dizia ainda que Deus e Jesus não tinham a mesma substância, ou seja, para Ário, Cristo não era divino. Em uma de suas cartas ao Bispo Eusébio da Nicomédia, Ário defende sua doutrina:

“Nós pensamos e afirmamos que o Filho não é ingênito, nem participa absolutamente do ingênito, nem derivou d’alguma substância, mas que por sua própria vontade e decisão existiu antes dos tempos e eras, inteiramente Deus, unigênito e imutável. Mas antes de ter sido gerado ou criado ou nomeado, ele não existia, pois ele não era ingênito”.

Nessa época, o imperador Constantino queria consolidar o seu império tendo o cristianismo, e não o paganismo, por base. Assim sendo, convocou os bispos do Império, aproximadamente 300, e os reuniu num concílio realizado na cidade de Nicéia, na Ásia Menor (325 d.C.). A controvérsia não tardou em ser resolvida, pois, os bispos do Ocidente, aceitavam a sentença de Tertuliano “Uma substância, três naturezas”, emitida um século antes.

O Arianismo foi condenado, e conforme escrito na declaração de fé, considerado anátema (i.e. maldito). É nítido que a consubstancialidade entre Deus e Jesus Cristo são asseguradas no credo niceno. Tanto Ário como Eusébio da Nicomédia, foram expulsos de suas cidades e excomungados por heresia. Mas a doutrina havia sido muito difundida entre os povos germânicos. Nas chamadas “Invasões Bárbaras”, Ostrogodos e Visigodos, por exemplo, já chegaram cristianizados a Roma, todavia, eram adeptos do arianismo.

O texto do Credo foi depois reformulado em dois concílios, Calcedônia (451 d.C.) e Espanha (589 d.C.). Assim ficou o seu texto:

Creio em um Deus, Pai Todo-poderoso, Criador do céu e da terra, e de todas as coisas visíveis e invisíveis; e em um Senhor Jesus Cristo, o unigênito Filho de Deus, gerado pelo Pai antes de todos os séculos, Deus de Deus, Luz da Luz, verdadeiro Deus de verdadeiro Deus, gerado não feito, de uma só substância com o Pai; pelo qual todas as coisas foram feitas; o qual por nós homens e por nossa salvação, desceu dos céus, foi feito carne pelo Espírito Santo da Virgem Maria, e foi feito homem; e foi crucificado por nós sob o poder de Pôncio Pilatos. Ele padeceu e foi sepultado; e no terceiro dia ressuscitou conforme as Escrituras; e subiu ao céu e assentou-se à direita do Pai, e de novo há de vir com glória para julgar os vivos e os mortos, e seu reino não terá fim. E no Espírito Santo, Senhor e Vivificador, que procede do Pai e do Filho, que com o Pai e o Filho conjuntamente é adorado e glorificado, que falou através dos profetas. Creio na Igreja una, universal e apostólica, reconheço um só batismo para remissão dos pecados; e aguardo a ressurreição dos mortos e da vida do mundo vindouro.

Mesmo após a sua modificação, vemos que a crença na triunidade Divina permanece intacta, ressaltando que Cristo é não-criado, mas é verdadeiro Deus, criador de todas as demais coisas. Atualmente, algumas seitas que se denominam cristãs, negam que Jesus Cristo seja igual a Deus Pai. Tais seitas são chamadas de unitaristas, por negarem o conceito da Trindade. As Testemunhas de Jeová são as mais conhecidas. Outras, como o kardecismo dizem que Cristo é um ser evoluído e o mormonismo afirma que Cristo não é Deus, é uma criatura dele, irmão de Lúcifer e dos homens. Estas são formulações heréticas, e quem as professa não pode ser considerado cristão, pois, a Trindade é dogma central da fé cristã.

A Igreja Evangélica Voz da Verdade, fundada em Santo André - SP, ganhou fama em todo o Brasil, por causa do seu conjunto musical, bastante influente nas rádios evangélicas, isso nos anos de 1990. Logo, suas músicas começaram a ser cantadas em várias igrejas, até que suas ideias unicistas foram descobertas e denunciadas por diversos pastores e teólogos ortodoxos. Tal episódio nos serve de alerta. As heresias não morrem, elas se reinventam. Vestem uma roupa nova para atrair novos adeptos. A importância de conhecermos o Credo de Nicéia, a história da igreja em si, sobretudo a era patrística, é que nos auxiliará em defesa da sã doutrina contra os falsos ensinos.
______

[1] Primeira formulação do Credo Niceno, citado em GONZALES, Justo. Uma História Ilustrada do Cristianismo, vol. 2, A era dos gigantes. São Paulo: Vida Nova, 1985, p. 97.

5 de jul. de 2016

Aos Adeptos da TMI: Um Alerta do Passado

Por Thiago Oliveira

Considero o Pacto de Lausanne um documento ortodoxo e de grande valia para o segmento evangelical. Todavia, lamento que o conceito de missão integral tenha sido capturado por cristãos ditos progressistas que têm um alinhamento político-ideológico com os setores da esquerda. Isto fere a própria tradição de Lausanne, pois em Junho de 1980 a Consulta de Pattaya se posicionou contrária ao marxismo, vendo-o como um sistema concorrente do cristianismo e, em seu bojo, anticristão. Na ocasião, pastores do leste europeu - bloco socialista liderado pela extinta URSS - escreveram aos irmãos ocidentais:

"Nosso temor é que a igreja de outros países fiquem alheias aos problemas do marxismo e insensíveis ao fato de que, ao nosso ver, elas estão colaborando com pessoas desta filosofia que nos oprime. Assim como procuramos ser sensíveis à preocupação de tais cristãos com a verdadeira justiça social em favor dos pobres, também pedimos que as igrejas de outros países compreendam como nós nos sentimos quando elas mantém conversações com os marxistas. (...) Poderiam as prioridades marxistas virem a ser reordenadas de tal maneira que o interesse pela justiça social no setor baixo-econômico tivesse preeminência sobre a eliminação da religião?"

O relatório extraído desta consulta foi publicado com o título “Evangelho e o Marxista”, e o trecho supracitado se encontra na página 35. Nessa consulta, também estavam pastores e líderes latino-americanos que falavam acerca da pobreza e de uma possível práxis conjunta entre evangélicos e marxistas para diminuir as injustiças sociais. Tais líderes são os pioneiros da conhecida Teologia da Missão Integral (TMI). Nota-se que aqueles cristãos que viviam oprimidos pela imposição do marxismo, no leste europeu, ficaram preocupados com o resultado desta proximidade, mesmo sabendo que a pauta para tal aproximação era nobre (o cuidado com os pobres). Hoje, diante de alguns fatores, podemos dizer que eles estavam certos ao fazer determinada ressalva, pois, vemos muitos proponentes da TMI convivendo com ideias e com pessoas oriundas do pensamento marxista sem fazer as devidas críticas ou, ao menos, estabelecer as diferenciações de suas pautas.

Recentemente, a revista Cristianismo Hoje, em sua edição de número 52 trouxe como matéria de capa o seguinte assunto: "Missão Integral, Missão de Deus". A matéria é propagandista e diz que a TMI já contribuiu e tende a contribuir muito para a igreja brasileira. O texto evoca os princípios do Pacto de Lausanne e salienta que evangelização e ação social devem andar de maneira conjunta. Ela ainda dá a entender que as críticas feitas a TMI que a associam as ideias marxistas são infundadas. O pastor americano Timothy Carriker, disse que fazer tal associação é algo "tão absurdo que eu tenho muita dificuldade de levar a sério". Mas como não entender se um dos seus principais expoentes diz que para interpretar a Bíblia usa os óculos que possuem os postulados marxistas da mais-valia e da luta de classes? Essa é uma fala do Ariovaldo Ramos registrada em vídeo[1]. O mesmo Ariovaldo que escreveu e leu o manifesto pró-governo com a cobertura da mídia oficial do Partido dos Trabalhadores. [2] Obviamente que ele não representa todos os proponentes da TMI, mas, no mínimo, dada a importância do Ariovaldo, isso evidencia que muitos vão seguindo pelo mesmo caminho. Sendo assim, qual a dificuldade de entender quem tece uma crítica sobre o abraço da TMI aos pressupostos de Marx?

Como se não bastasse, vemos por aqui cantor esquerdista que vai palestrar numa ONG que é influenciada pela TMI[3], além de outras pautas progressistas que ferem a Escritura e que são defendidas por quem hoje se diz adepto da missão integral. A coisa é tão séria que decidiram não relançar o documento de Pattaya, alegando que a conjuntura sócio-política mudou. Mas algo que esqueceram de refletir é que ainda existem cristãos em países socialistas que são perseguidos e mortos. A Coréia do Norte há anos encabeça a lista dos países perseguidores do evangelho. Como diz o documento: "Os marxistas estão plenamente convencidos de seu ateísmo e, consequentemente, uma boa parte de seu pensamento está destinada a erigir-se em antítese do cristianismo" (p.11, grifo meu).

Que as dezenas de milhares de cristãos mortos e torturados[4] por governos pautados em princípios marxistas possam gritar para que alguns dos proponentes da TMI acordem para o fato de que não podem conciliar o ethos evangélico com os escritos de Marx, Engels e os que lhes sucederam. Que eles sejam sensíveis ao que seus “irmãos do passado” levantaram e, atentem para não colaborar com uma ideia que oprime seus “irmãos de agora” em outras partes do mundo. Cito novamente o documento de Pattaya: "O marxismo é uma filosofia e um programa. Como um todo, é fundamental e incontornavelmente ateu. Por esta razão, notamos no conceito 'marxista cristão' uma contradição de termos" (p.22, grifo meu).

Por fim, acredito que a missão cristã deve ser holística (ou integral, como queiram), e deve alcançar o homem todo. Mas, infelizmente, o termo foi maculado com uma aproximação irresponsável entre o evangelho e uma corrente ideológica. Eu, por hora o tenho abandonado. Faço minhas as palavras do Kevin Vanhoozer: "Os pastores precisam vacinar o corpo de Cristo contra toxinas idólatras, infecções ideológicas e outras formas de ensinamento falso"[5]. Quando fazem o oposto disso, o prejuízo doutrinário não pode ser maquiado pelas boas ações e intenções.

22 de jun. de 2016

Credo In Deun: Nossa Confissão e Doutrina Evangélica

Por Thomas Magnum

Porque com o coração se crê para a justiça
e com a boca se confessa a respeito da salvação.

Apóstolo Paulo. Romanos 10.10

Crer em Deus é pertencer a Ele.

Alister Macgrath

Muito já escreveu sobre o credo apostólico. Sua importância é sem sombra de dúvidas, grandiosa para uma realidade religiosa no Brasil, cada dia mais deísta e inconfecional ou anticonfecional, pragmática e apática no que se refere à doutrina.

De fato, muitos alimentam a ideia de que a doutrina obscurece a vida espiritual, mas, ao contrário deste quase adágio, doutrina é vida, é solidez num mundo líquido. Doutrina é vitalidade para uma era notoriamente letárgica no que se diz a respeito do que é ser cristão. Numa geração em que a confissão da fé é incompreendida e confundida com mistificações assombrosas e teatralizações frias de uma ortodoxia morta.

A ortodoxia não se resume apenas ao correto ensino. Como o rio que regava o Éden (Gênesis 2.10), a doutrina rega a prática cristã (Ortopraxia) e as afeições religiosas (Ortopatia). A doutrina é o resultante sistemático da revelação, da progressividade da atuação divina no drama do mundo criado. Temos então no credo uma consubstancialidade evangélica, uma importância dinâmica no curso do crer e proferir. Do pensar e do falar. Do abraçar e do avançar. O credo tem um caráter evangélico kerigmático, isto é, proclamador, missionário. E oferece para demanda do coração uma resposta para uma religião imersa na fé no Deus-Trindade.

Esse texto não tem por objetivo tratar da historicidade do credo, muito menos, versar sobre as possíveis datas para sua conclusão histórica. A nossa reflexão se dará sobre a confissão, sobre o crer e sobre o resultado do crer; afinal, o crer não é estéril, não é apático ou imóvel. Nossa modesta escrita pretende contribuir para uma teologia evangélica credal, confessional, missional e estar fundamentada numa tríplice estrutura para fé: ortodoxia, ortopraxia e ortopatia.

Credo in Deun

Importante para nós, sob ótica cristocêntrica, o inicio do credo, ou melhor, a primeira palavra do credo:

Esse Credo, no início do Símbolo, significa em primeiro lugar, apenas e tão somente, o ato de reconhecimento – na forma de conhecimentos decisivos alcançados pela revelação de Deus – da realidade de Deus em seu relacionamento com o homem[i].

O Creio derivado da fé na revelação é o resultado da equação credal. A fé resulta no Credo in Deun. Não há credo sem fé. Não há ortodoxia sem graça, sem revelação cristocêntrica, sem redenção histórica do perdido. Não há credo sem morte, não há credo sem ressurreição. Isso deve nos constranger a uma confessionalidade credal intensa e vigorosa: creio! Creio não por mim, creio, por Ele. Creio pela mediação de Cristo, creio pela obra do Espírito. Creio In Deun, essa confissão é trinitária, pactual e missionária. Creio somente por meio do Deus Triúno e no Deus Triúno. O solus Christus só é possível pelo sola gratia. Não detendo o poder da Trindade na economia da salvação, mas, adorando-o na expansão que causa essa obra. Onde o Deus salvador opera em nós, por meio dEle mesmo para nos levar a Ele mesmo, ou seja, Ele é a fonte, o meio e a finalidade da salvação. Por isso, a economia da salvação pertence somente a Ele. Esse fato me faz adorar: Credo In Deun!

O ato do credo é o ato de confissão da fé apostólica

A fé descrita no credo é confessional e emblemática para a doutrina cristã.

1. A Fé como aceitação (Jo 1.12)
2. A Fé como confiança (Hb 11.1)
3. A Fé como compromisso (Cl 1.4)
4. A Fé como obediência (Rm 1.5)

Aqui está uma amostra da fé credal, da confissão que resulta do que crê o coração.

Mas que diz? A palavra está junto de ti, na tua boca e no teu coração; esta é a palavra da fé, que pregamos, A saber: Se com a tua boca confessares ao Senhor Jesus, e em teu coração creres que Deus o ressuscitou dentre os mortos, serás salvo. Visto que com o coração se crê para a justiça, e com a boca se faz confissão para a salvação. Porque a Escritura diz: Todo aquele que nele crer não será confundido. (Romanos 10:8-11)


A confissão da fé que o coração esboça é credo. O credo é a divina proclamação da eterna obra trinitária no tempo e no espaço, num povo salvo, que confessa a obra salvífica, que pela providência se consumou na cruz, em Cristo.

Ter Fé não significa apenas ter uma nova ideia. Significa reconhecer em nossa mente quem é Deus, quais são seus atributos e corresponder a ele em nosso coração[ii].

Deus – O Centro da Fé Credal

- A fé credal é uma confissão, um ato proclamador, testemunhador, espiritual e de adoração a Deus. Por isso o Credo inicia-se com “Creio em Deus”.

- Temos então no credo uma fé depositada não no simples documento confessional, mas, no que ele professa e quem ele professa, o Deus Triúno.

- O credo começa dizendo “creio em Deus”, a questão aqui é de extrema importância para o entendimento do credo como documento trinitário.

Diz-nos Franklin Ferreira:

O fato é que o Credo dos Apóstolos começando com “Creio”, exige de nós uma resposta pessoal; o Credo exige de nós uma aderência ao que está sendo ensinado, uma confiança em seu ensino. Mas a recitação do Credo lembra que somos chamados a expor de forma pública a nossa fé. Ao recitar o Credo, o cristão oferece uma confissão de fé pública: “Porque com o coração se crê para a justiça e com a boca se confessa a respeito da salvação” (Rm 10.10). Então, o Credo lembra que há uma dimensão pública da nossa fé. Nós somos chamados – todos nós, não somente pastores, missionários, teólogos e seminaristas, mas toda a comunidade cristã – a estarmos aptos a expressar na Escritura. Em outras palavras, o que se crê é o que se confessa[iii].

Qual a importância do Credo na comunidade de fé? Quero apontar alguns pontos que tenho pensado a respeito.

1. Confissão doutrinária no Deus Triúno;
2. Parte integrante de uma adoração trinitária;
3. Proclamação do Evangelho aos pecadores.

Sobre essas questões devemos observar que não há confissão sem doutrina, o que há é confusão. A adoração a Deus como Trindade ainda é em muitos círculos evangélicos incompreendida e na prática, muitas vezes o que existe é um monismo ou modalismo na adoração, que se assim o for, resulta em idolatria, se está adorando um Deus diferente do que está revelado nas Escrituras. E por fim, em relação a missões Barth diz algo interessante: “O Credo finalmente mostra a Igreja comprometida com o trabalho missionário, encaminhada em direção ao mundo que não está ainda congregado junto à Igreja, encarando-o com responsabilidade e apelo[iv]. O credo impele a Igreja a ser kerigmática, a ser arauto do rei.

O Credo e o Primeiro Mandamento

Que relação teria o Credo com o primeiro mandamento? Toda, absolutamente. O Credo invoca o verdadeiro Deus, o Deus único, o Deus que se auto-revelou. O Deus que é redentor. Vejamos os primeiros versículos do decálogo: Então falou Deus todas estas palavras, dizendo: Eu sou o Senhor teu Deus, que te tirei da terra do Egito, da casa da servidão. Não terás outros deuses diante de mim (Êxodo 20:1-3). Que ligação credal temos aqui? Deus! Credo In Deun! Sou o Senhor teu Deus! Qual é a reivindicação dessa fala divina? Creia! E não é somente essa a analogia teológica da fé credal expressa do Credo Apostólico. Vejamos que o prefácio do decálogo e o primeiro mandamento nos dizem muita coisa. Te tirei da terra do Egito, é expresso no prefácio dos mandamentos a redenção que Deus concedeu a seu povo escolhido. O que expressa o Credo na segunda parte, sobre o Deus redentor?

Em Jesus Cristo, ao único Filho, nosso Senhor, que foi concebido pelo poder do Espírito Santo, nasceu da Virgem Maria, padeceu sob Pôncio Pilatos, foi crucificado, morto e sepultado; desceu à mansão dos mortos; ressuscitou ao terceiro dia; subiu aos céus; está sentado à direita de Deus Pai Todo-Poderoso, donde há de vir a julgar os vivos e os mortos[v].

O que temos no Credo aqui? Redenção. O requer ainda o mandamento? Não terás outros deuses diante de mim. O que nos diz o Credo? Credo In Deun? Que Deus? Aquele que se revelou nas Escrituras.

O Credo e o segundo mandamento

“Não farás para ti imagem de escultura, nem alguma semelhança do que há em cima nos céus, nem em baixo na terra, nem nas águas debaixo da terra.
Não te encurvarás a elas nem as servirás; porque eu, o Senhor teu Deus, sou Deus zeloso, que visito a iniqüidade dos pais nos filhos, até a terceira e quarta geração daqueles que me odeiam. E faço misericórdia a milhares dos que me amam e aos que guardam os meus mandamentos” (Êxodo 20:4-6)

Observemos que o Credo professa, confessa e testemunha do Deus Triúno, que se revelou na história da redenção, descrita na Bíblia. Não terás outros deuses implica em algumas questões importantes apontadas pelo catecismo maior de Westminster, nosso dever e nosso pecado diante do mandamento. Devemos repudiar a idolatria em todas as espécies. Por que motivo? Porque Creio em Deus – Pai, Filho e Espírito Santo.

Conclusão

A confissão credal, é monoteísta, trinitária e pactual. A fé em Deus resulta em confissão. Com o coração se crê e com a boca se confessa para a salvação. A confissão é para a salvação e decorrente da salvação – Fala o que convém a sã doutrina (Tt 2.1). Não há credo verdadeiro, sem doutrina sã. “Creio” é resultado da fé que obedece, que aceita o corpus da revelação, que confessa o Senhorio do Deus eterno Triúno. Credo In Deun é condição sine qua non para o ethos e a práxis cristã.

Credo In Deun! Amém.



[i]  Barth, Karl. Credo, comentários ao credo dos Apóstolos. São Paulo. 2003, ed. Novo Século, p.20.

[ii]  Macgrath, Alister. Creio – Um estudo sobre as verdades essenciais da fé cristã no Credo Apostólico. São Paulo. 2013, ed. Vida Nova, p. 25.

[iii]  Ferreira, Franklin. O Credo dos Apóstolos. Doutrinas Fundamentais da Fé Cristã. São José dos Campos, SP. 2015, ed. Fiel.

[iv] Barth, Karl. Credo, comentários ao credo dos Apóstolos. São Paulo. 2003, ed. Novo Século, p. 24,25.

[v] Extraído do livro: O Credo dos Apóstolos. Doutrinas Fundamentais da Fé Cristã. Franklin Ferreira, p.22.

17 de jun. de 2016

A perigosa interpretação de Mateus 24.36 feita pelo Pr. Marcos Granconato

Por Thiago Oliveira

Recentemente deu-se uma polêmica envolvendo o pastor batista Marcos Granconato, devido a um vídeo em que o mesmo fala que Jesus não é onisciente quando se considerado as relações intratrinitárias, limitando sua onisciência às relações extratrinitárias. Em outras palavras, Granconato disse que Jesus só seria onisciente na relação da Trindade com as coisas criadas, pois, segundo o mesmo diz em sua mensagem, Deus-Pai guardou certas coisas apenas para si. Alguns o acusaram de heresia, já outros foram mais brandos, discordando de sua posição, todavia não o chamando de herege. O fato é que o Granconato foi infeliz em afirmações, ditas ao expor o difícil texto de Mateus 24.36, que diz o seguinte: “Mas a respeito daquele dia e hora ninguém sabe, nem os anjos dos céus, nem o Filho, senão o Pai”. Mais à frente voltarei a esse texto, mas antes gostaria de dizer o porquê considero o ensino do Marcos Granconato perigoso.

Dizer que Deus-Pai guarda coisas para si que não são reveladas ao Deus-Filho, inferioriza Jesus.  Ele não poderia ser uma divindade da mesma “estatura” do Pai, já que não seria onisciente por completo, sendo que a onisciência é um atributo divino. Mas, a máxima cunhada por Tertuliano, que foi reafirmada pela ortodoxia cristã diz “uma substância, três pessoas”. Por substância, devemos entender que é o elo incomum entre o Pai, o Filho e o Espírito Santo, no qual se baseia a unidade da Trindade. É devido à substância ser a mesma que não ocorre uma divisão entre as três pessoas da Deidade, gerando uma unidade na diversidade. Assim, Pai, Filho e Espírito Santo desempenham papéis diferentes no plano de salvação (Trindade econômica), sem que haja a perda dessa unidade.

Após Tertuliano, talvez Agostinho de Hipona tenha sido o teólogo que mais contribuiu com a doutrina trinitária, principalmente na tradição ocidental. Ele então afirma que não se pode subordinar (ontologicamente) as pessoas da Trindade. Na eternidade eles são iguais em atributos, poder e glória. Portanto, se afirmarmos, como fez o Granconato, que Deus-Pai retém algum conhecimento para si, logo, caímos no equívoco da subordinação eterna. Contudo, como defende Berkhof[1], a natureza divina é indivisível, isto é, seus atributos estão presentes de maneira igual entre todas as pessoas da Trindade. Franklin Ferreira até recomenda rejeitarmos a prática de enumerar os membros da Deidade (e.g. Jesus é a segunda pessoa da Trindade) e diz que a razão para não fazermos isso está na indivisibilidade da natureza divina, inexistindo subordinação entre elas. Logo, embora sendo três personas distintas, elas não se somam[2].

Granconato, frente ao que já foi exposto, ainda pode argumentar que isso não resolve a dificuldade presente no texto de Mateus 24.36. O que é verdade. Mas o ponto aqui deveria ser o seguinte: no afã de responder esse mistério, é válido prejudicar a doutrina trinitariana? Pois, se a Trindade é o cerne da adoração cristã, não podemos ter uma compreensão equivocada da mesma. Embora reconhecendo que o assunto é complexo, podemos subir “nos ombros de gigantes” e falar sobre a Trindade sem que a plena igualdade de seus membros seja distorcida. [3]

Para interpretarmos Mateus 24.36, a teoria da kenosis não seria a melhor resposta, como alguns deram ao Granconato em debates nas redes sociais. Pois, dizer que Cristo se esvazia, no sentido de deixar de ter seus atributos, seria o mesmo que afirmar que ele não mais teria a substância que concede unicidade à Trindade. O esvaziamento a que a Escritura se refere (vide Fp 2.6-8) não é referente a atributos, mas sim a posição de Cristo, que sendo igual a Deus-Pai em soberania e glória, encarna, e num estado de humilhação se coloca em condição de subserviência.

Então, para sermos coerentes com a doutrina reformada da unipersonalidade de Cristo, presente nas confissões e catecismos, que dizem existir no Salvador duas naturezas, divina e humana, na mesma pessoa, isto é, não são duas pessoas, mas apenas uma que comporta concomitantemente o status divino-humano, devemos observar a contribuição do extra-calvinisticum[4]. A contribuição em questão, que foi o ponto de discordância entre calvinistas e luteranos, diz, em suma, que os atributos divinos não devem ser limitados pela encarnação. Embora haja completa divindade no Verbo encarnado, pois a natureza divina se uniu a natureza humana numa mesma pessoa, seus atributos não estão confinados na carne, eles estão presentes dentro e fora do corpo de Cristo. Por isso que quando Cristo morre na cruz, a divindade não morreu, pois, a natureza divina não participa da fraqueza humana. Assim como também, as limitações da natureza humana não alcançam os atributos divinos. Por isso que Cristo foi limitado circunstancialmente, mesmo que na sua eterna essência ele nunca tenha deixado de lado a sua onisciência. Esta é uma posição que se enquadra com os postulados de Calcedônia e que faz jus ao fato de Cristo responder que não sabia o futuro, todavia sem deixar de ser onisciente.

Para ficar mais claro, tomemos outro atributo como exemplo: a onipresença. Quando Jesus, em sua forma corpórea deslocava-se de um lugar para o outro, não seria ele, como membro da Trindade, um ser onipresente?  O conceito extra-calvinisticum vai dizer que mesmo ele ascendendo aos céus corporalmente, e estando à destra do Pai, se faz presente na ceia. Logo, a encarnação não pode delimitar a divindade de Cristo. Vejamos o que nos diz o Catecismo de Heidelberg:

Pergunta 47- “Mas não está Cristo conosco até o fim do mundo, como nos prometeu?”

Resposta - “Cristo é verdadeiro Deus e verdadeiro homem; quanto à sua natureza humana, agora já não está na terra; mas, quanto à sua divindade, majestade, graça e espírito, em nenhum momento está ausente de nós.”

Pergunta 48 – “Se a sua humanidade não está onde quer que esteja a sua divindade, então não estão as duas naturezas de Cristo separadas uma da outra?”

Resposta - “Certamente não. Visto que a divindade não está limitada e está presente em toda parte, fica evidente que a divindade de Cristo está certamente além dos limites da humanidade que ele tomou, mas ao mesmo tempo sua divindade está em e pessoalmente permanece unida à sua humanidade.”

Como bem observa o Dr. Heber Campos[5]Segundo o pensamento reformado, o Logos está no Cristo total, mas a natureza divina do Logos extrapola os limites físicos da natureza humana”. Pois, o infinito não cabe no finito. Se esta não é uma resposta totalmente  satisfatória, é de longe a melhor resposta para lhe dar com a dificuldade em questão, pelo simples fato de não trazer prejuízo a cristologia, e nem desembocar numa concepção equivocada da Trindade.

Concluo dizendo que entendo a complexidade do assunto e que todo teólogo está sujeito a dar suas “escorregadas”. O pastor Marcos Granconato é alguém teologicamente gabaritado e que possui anos e anos de labor ministerial, contudo, não está imune aos erros. No entanto, acredito que ele tenha escolhido muito mal a sua resposta frente a uma questão difícil. Talvez, diante da dificuldade de expor o texto, seria melhor apenas dizer que a questão da união hipostática é um mistério inefável, para usar palavras do próprio Calvino. E não negar a ontológica onisciência do divino Logos, como preferiu. Não apenas por sua imagem, mas por zelo pela sã doutrina, cairia bem uma revisão de sua concepção, reconhecendo que seu ensino abre um precedente muito perigoso que pode resultar em noções heréticas da doutrina trinitária. 

***
P.S. Gostaria de esclarecer três coisas: A primeira delas é que optei por fazer um texto breve, por achar mais propício devido à densidade do assunto. A segunda é que o Granconato é um irmão em Cristo, não o trato como um adversário. E por fim, não tenho a mínima intenção de gerar um debate cheio de desdobramentos, portanto, esse texto será o único em que exponho o que outros autores já expuseram com maestria. Destaco aqui o Dr. Heber Campos e suas obras sobre a união hipostática das naturezas de Cristo. 


[1] BERKHOF, Louis. Teologia Sistemática. Ed. Cultura Cristã, p.84.

[2] Franklin Ferreira usa como referência a obra de Basílio de Cesaréia para defender a plena igualdade entre a trindade. Veja em: https://www.youtube.com/watch?v=bfmLE6SjpLI.

[3] Mesmo havendo alguns teólogos renomados que defendem uma subordinação ontológica, como o Wayne Grudem e Bruce Ware, isso não pode ser tomado como argumento favorável. John Stott, um dos mais eminentes e profícuos teólogos do século XX, defendeu o aniquilacionismo, e nem por isso a ideia ortodoxa do castigo eterno foi flexibilizada apenas porque o Stott ensinou o oposto.

[4] Um ótimo texto sobre o Extra-Calvinisticum escrito pelo Rev. Alan Rennê Alexandrino está disponível em http://www.teologiabrasileira.com.br/teologiadet.asp?codigo=370.

[5] CAMPOS, Heber Carlos de. A União das Naturezas do Redentor. Ed. Cultura Cristã, p.284. 

20 de jan. de 2016

Jesus e o Sola Scriptura

Por Thiago Oliveira

Sola Scriptura tornou-se o lema mais conhecido da Reforma Protestante. Dele derivam outros quatro “solas”, todavia focaremos apenas neste e na sua relevância. No século 16, quando a Reforma eclodiu, a Igreja Católica Romana colocava a tradição em pé de igualdade com o texto sagrado. Assim, uma doutrina que não tivesse respaldo bíblico poderia ser aceita desde que tradicionalmente fosse adotada pelos pais da igreja, por resoluções conciliares e decretos papais. Lutero, Zuínglio, Calvino, Knox e antes deles Wycliffe e Huss, foram vozes que denunciaram esse preceito e com todas as letras declararam que somente a partir das Escrituras é que as doutrinas devem ser estabelecidas, pois, esta é a forma mais segura de se saber sobre Deus e sobre nós mesmos, afinal de contas, Deus se revelou desta maneira.  
      
A Bíblia é o nosso livro revelacional. Tudo o que sabemos sobre o evangelho de Jesus Cristo está em suas páginas. Ela fala do Salvador desde o Gênesis até o Apocalipse. O que chamamos de Antigo Testamento apresenta o Cristo como uma profecia, uma promessa, uma esperança de salvação. Já no Novo Testamento temos o cumprimento de todo o prenúncio veterotestamentário. Toda a Bíblia é inspirada e nos serve como fonte de revelação para que sejamos edificados mediante o seu conteúdo. A Escritura precisa assumir o seu lugar central em nossas vidas. Infelizmente, ela tem sido periférica até mesmo em nossos cultos, mas o lema da Reforma não foi escolhido à toa, acredito que Sola Scriptura tenha sido orquestrado pelo próprio Deus para lembrar ao seu povo de que este é o povo do livro, detentor da Palavra revelada. Desde então, em cada geração, homens tem sido levantados para bradar estas palavras latinas e defender a autoridade única da Bíblia em nos conduzir até o SENHOR dos senhores. Os homens são conduzidos à fé através da Palavra e este é o método ordinário que Deus usa para chamar os seus eleitos para Si.

Alguns cristãos cometem o equívoco de achar que os dois testamentos bíblicos são concorrentes e que o Novo tornou o Antigo obsoleto. É como se este último fosse apenas um registro do que Deus havia dito e feito para os judeus. Isso está bem longe da verdade. O Antigo Testamento é tão vívido e tão atual que é constantemente citado no Novo. C.S. Lewis, certa feita, disse que o Novo Testamento é uma colcha de retalhos feita com citações do Antigo, de tanto que Jesus e os apóstolos o citam. Até partes em que pensamos que Cristo e seus discípulos apresentaram algo novo, na verdade o que eles fizeram foi aprofundar um conceito que já estava presente no cânon hebraico. Vejamos o quanto Jesus fez uso do Antigo Testamento, que era a Escritura compilada de sua época.

- Lendo Isaías em Nazaré

Ainda no começo de seu ministério Jesus parte para Nazaré, cidade em que foi criado, onde residiam familiares e amigos. Num sábado, vai até a sinagoga e segundo o registro de Lucas (4.14-30) lê Isaías 58.6 e 61.1,2. Ao terminar de ler, devolve o rolo ao assistente e quando todos têm os olhos fitos nele, exclama: “hoje se cumpriu a Escritura que vocês acabaram de ouvir”. O texto do profeta era uma profecia messiânica, ou seja, após ler o que estava escrito (Sola Scriptura) a respeito do Cristo, Jesus afirmou ser ele o prometido a Israel. Muitos ficaram intrigados, a grande maioria rejeitou a sua mensagem, mas ele fez o que era de costume: ia até a sinagoga e através de um manuscrito do Antigo Testamento começava a ensinar que aquilo era um testemunho sobre si mesmo. Mais adiante, ao ser perseguido por causa de sua pregação, Jesus diz aos judeus: “Se vocês cressem em Moisés, creriam em mim, pois ele escreveu a meu respeito. Visto, porém, que não creem no que ele escreveu, como crerão no que eu digo? (Jo 5.46,47)”. É no Pentateuco, isto é, nos cinco primeiros livros da Bíblia que Jesus vai afirmar que estão as bases para que creiamos nele. Isso corrobora ou não com o Sola Scritura?

- Citando Deuteronômio na Tentação

Antes de ter chegado a Nazaré, o Filho de Deus havia sido tentado no deserto (ver Lc 4.1-13) e lá, diante de todas as armadilhas falaciosas de Satanás, defendeu-se usando por três vezes o livro de Deuteronômio. Na primeira resposta que deu, usou Dt 8.3, depois rebateu outra mentira diabólica com Dt. 6.13 e por fim utilizou Dt 6.16. O Diabo foi derrotado pela Palavra. Jesus poderia ter derrotado o seu adversário de qualquer outra forma, mas quis demonstrar o poderio do texto sagrado frente às tentações que o nosso vil tentador lança sobre nós. Será que nós deveríamos almejar vencer portando outra arma que não seja a Escritura?

- Ética com base no Gênesis

Quando indagado acerca do divórcio (ver Mt 19), a resposta de Jesus foi baseada em Gn 2.24. Assim, fundamentado em um princípio da Escritura, afirmou que não competia aos homens separar aquilo que tinha sido Deus quem havia juntado. O casamento tem uma base moral, é realizado mediante juramento. Logo, trata-se de uma questão ética. Os princípios éticos que devem nortear os cristãos são os encontrados na Bíblia, por isso dizemos que ela é nossa regra de fé e prática. Jesus foi abordado e questionado com argumentos que derivavam da tradição humana e respondeu com um princípio bíblico. Estamos imitando o nosso Mestre?

- Agindo sem ferir a Escritura

Jesus e os doze colhiam espigas num dia de sábado e foram repreendidos pelos fariseus (ver Mt 12). A acusação era de que eles estavam fazendo algo ilícito. A resposta dada por Jesus é novamente embasada na Escritura. Ele responde fazendo uma pergunta “Vocês não leram o que fez Davi quando ele os seus companheiros estavam com fome?”. A referência está em 1 Samuel 21 quando o Rei Davi e seus homens comeram os pães que eram destinados apenas aos sacerdotes. Obviamente os fariseus tinham lido, pois, esta era uma parte importante do seu trabalho de intérpretes da lei. Jesus estava agindo sem ferir a Escritura e diante da acusação mostrou que sua atitude era respaldada com um exemplo que vem da Bíblia. Será que em nosso meio há esta convicção? Será que nossos atos coadunam com o que está na Bíblia?

- Caminhando e Expondo o Texto Sagrado

Após morrer e ressuscitar, Jesus aborda dois discípulos que estavam caminhando na estrada para Emaús. Entristecidos e confusos, os dois discutiam enquanto andavam. Jesus se aproximou sem que eles o reconhecessem e perguntou o que estava se passando (ver Lc 24.14-35). Eles estranharam a pergunta, pois, era de conhecimento de todos o que havia acontecido com Jesus de Nazaré, mas responderam. Eles começaram a relatar os fatos e até disseram que a tumba estava vazia e que as mulheres e os apóstolos confirmavam isso, porém estavam tão atordoados que não conseguiam ligar os fatos. Cristo, ainda sem ser reconhecido, tratou de confortá-los e elucidou que tudo aquilo era cumprimento do que estava registrado no Antigo Testamento. “E começando por Moisés e todos os profetas, explicou-lhes o que constava a respeito dele em todas as Escrituras”. Isso é algo magnífico. A Palavra encarnada explicava a palavra revelada e registrada na lei e nos profetas. A Bíblia é a testemunha mais segura da pessoa e da obra de Cristo, e o próprio fazia uso com maestria desse testemunho. Quando falamos sobre Jesus em nossa evangelização, adotamos a Escritura como fonte suprema de revelação ou procuramos fontes nada confiantes para testemunharmos do Evangelho?

Finalizo esse texto enfatizando que terminei com uma pergunta em todos os tópicos acima. Se alguém não reparou, peço que releia novamente, agora com mais atenção, e procure responder todas elas. É importante que as respostas retratem uma alta estima pela Bíblia. Acredito que tenha ficado muito claro o papel central das Escrituras na vida do cristão. Vimos que o próprio Cristo deu um imenso destaque ao texto sagrado. Não poderia ser diferente, a Bíblia é o livro que foi escrito para revelar as boas novas de salvação e Cristo é a o salvador do mundo.

Soli Deo Gloria

8 de out. de 2015

Qual é o verdadeiro Jesus?

Por Thiago Azevedo

Muito embora um só Jesus exista, nem todos sabem vê-lo como é, filósofo, poeta ou comunista, ou mesmo hippie já se disse até”.

Esta é uma pequena porção da música cantada pelo grupo Vencedores por Cristo no álbum “Nada Melhor” (1973). A pequena porção da letra nos mostra a complexidade hermenêutica que gira em torno desta personagem histórica e divina chamada Jesus de Nazaré. Jesus já foi narrado como sendo apenas um profeta, um filósofo, um comunista, e até mesmo um hippie. Existe uma corrente que mostra Jesus como sendo um mero andarilho que, fugindo da morte da cruz, foi em direção à índia e lá viveu e morreu. Neste local, existe não só seguidores deste “Cristo”, mas a cama em que Jesus morreu e a casa em que viveu etc. Aqui temos um “Cristo” que renuncia sua morte para viver uma vida eremita, nesse tipo de cristianismo não há o principal fundamento doutrinário da morte na cruz do Salvador do mundo.

1 de set. de 2015

Erros que o Ciro Sanches Zibordi e os arminianos devem evitar

Por Thiago Oliveira

O respeitável Pr. Ciro Sanches publicou ontem, em seu blog, um texto que tem o seguinte título: Romanos 9 é a criptonita dos defensores do livre-arbítrio? (leia aqui). Sua abordagem é uma tentativa de fazer com que a doutrina arminiana do livre-arbítrio não seja vilipendiada toda vez que um calvinista apelar para o pensamento paulino contido no capítulo nono da Epístola aos Romanos. Confesso que é uma empreitada um tanto quanto inútil essa do Pr. Ciro, todavia, já que ele se propôs a executá-la, acabei cedendo a indicação de um amigo para escrever algo em resposta ao artigo supracitado.

11 de ago. de 2015

Reformados, Fariseus ou Gnósticos?

Por Thiago Oliveira

Os fariseus e os gnósticos foram inimigos de Cristo e de sua Igreja. Os primeiros, nos anos do ministério de Jesus foram os que mais tentaram calar o Salvador e tramaram inúmeras vezes tirar-lhe a vida. Também perseguiram os primeiros cristãos em Jerusalém, e não contentes com a dispersão destes de Jerusalém, mandavam seus lacaios para fechar as recém-formadas congregações. Um destes foi Paulo, convertido na estrada de Damasco quando estava indo perseguir os cristãos. Já os gnósticos, estes eram dissimulados e, infiltrados nas igrejas, destilavam o veneno da sua heresia, contaminando o rebanho do Senhor e ensinando aquilo que era oposto ao evangelho pregado pelos apóstolos. Paulo os rebateu algumas vezes em suas epístolas, sobretudo, escrevendo aos colossenses.

30 de jul. de 2015

Tenham Compaixão daqueles que Duvidam*

Por Samuel Alves

A igreja local tem sua tarefa militante, que defender e recomendar o evangelho. Judas escreve sua carta alertando aos crentes para que defendam a fé que nos foi dada. Esta defesa é um processo de demolição; uma demolição de argumentos contra a verdade bíblica. Precisamos refutar todas as heresias que circundam à igreja. Ao falar deste combate, Oliphint[1] afirma:

25 de jul. de 2015

O que é Salvação pela Fé Somente?

Por Augustus Nicodemus

Procurei resumir abaixo o que entendo ser o ensino bíblico acerca deste assunto, que é o mais importante e urgente para nossas vidas, e sobre o qual existe tanta confusão até mesmo entre os evangélicos.

1. Todas as pessoas são carentes de salvação, pois todas elas, sem qualquer exceção, são pecadoras. Isto significa que elas, em maior ou menor grau, quebraram a lei de Deus e se tornaram culpadas diante dele. Esta lei está gravada na consciência de todos, disposta nas coisas criadas e reveladas claramente nas Escrituras - a Bíblia. Ninguém consegue viver consistentemente nem com seu próprio conceito de moralidade, quanto mais diante dos padrões de Deus. Como Criador, Deus tem o direito de legislar e determinar o que é certo e errado e de julgar a cada um de acordo com isto.

21 de jul. de 2015

Thalles é o menor problema da Igreja Brasileira


Por Richardson Gomes

Esses dias o feed do Facebook da maioria dos evangélicos brasileiros foi tomado por críticas e mais críticas ao cantor Thalles Roberto, devido a sua decisão de "ir" para o mundo cantar para ser "luz", depois de receber uma "revelação" direta de "deus", vulgo seu próprio ego. Não vou aqui perder tempo falando sobre sua arrogância, prepotência, sua cosmovisão totalmente errada, suas loucuras e histerias ou sobre o mal cheiro que sinto quando este homem abre a boca. Isso muitos já estão fazendo.