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16 de mar de 2016

O Que a Minha Salvação Tem a Ver Com o Lulopetismo?

Por Pedro Pamplona*

O vocábulo “Lulopetismo” está em grande uso no Brasil. Há tempos ele foi criado, mas diante dos fatos recentes a palavra ganhou notoriedade. Já está, inclusive, na Wikipédia. A junção dos nomes de Lula e do Partido dos Trabalhadores traz a ideia de uma devoção ao partido por meio do seu principal representante. E é isso mesmo que acontece em nosso país. Hoje vemos um grande dualismo. Os petistas estão cada vez mais envolvidos pelo lulopetismo, enquanto o resto dos brasileiros estão cada vez mais enojados disso. Mas o que falar de nós que fomos salvos, ou melhor, regenerados para uma nova vida, coração e cosmovisão? Sim, cristãos regenerados estão se deixando envolver por esse culto político-religioso. A pergunta enfim é essa: o que minha salvação tem a ver com o lulopetismo?

O lulopetismo não é só uma opção política

Infelizmente essa visão ultrapassa as urnas. A devoção ao partido através de Lula transcende o ambiente eleitoral. Ele está impresso nos corações dos adeptos. O PT é tratado como uma religião e Lula como o salvador. Algumas semelhanças são nítidas e não podem ser negadas. Primeiro, as palavras de Lula são tratadas como verdades quase que absolutas. Para os lulopetistas não importa o que diz a justiça, a polícia, o povo, a mídia ou a oposição, Lula é infalível. Segundo, as promessas de Lula são objeto de uma fé extremamente forte por parte dos adeptos. Os lulopetistas creem de toda alma, mente e coração que o mundo será melhor através dele e de suas promessas. E terceiro, os lulopetistas são apologetas incríveis. Estão prontos a defender todos os argumentos contrários e incrédulos. Eles realmente construíram uma religião social. E o pior, uma religião cega, carente de verdades e bases racionais e históricas. Uma religião construída pelo culto marxista à personalidade. O que isso tem a ver com a fé para qual fomos regenerados? Nada!

O lulopetismo parte de uma antropologia mentirosa

Como eu citei, o lulopetismo é um culto marxista. E assim tem sua base filosófica no marxismo cultural. O que diz essa base sobre o homem e a religião? Vou deixar meu amigo Thiago Oliveira responder:

o marxismo tem características de religião. Uma religião secularizada – é bem verdade – pois tem sua base no materialismo. Marx era estudioso e admirador do materialismo de Epicuro. Este filósofo grego acreditava que o mundo era composto de átomos que do vazio (espaço) se movem verticalmente para baixo. É o desvio do movimento dos átomos que dá origem as coisas. O homem, fruto desse desvio, é um combinado de átomos pesados e leves, que formam respectivamente o corpo e a alma. Os epicuristas entendiam que a alma é mortal e não eterna, uma vez que todo composto atômico é dissolúvel. Epicuro rejeitava a ideia da eternidade dos corpos celestes, e pretendia livrar os homens das amarras da superstição religiosa. Embora não seja um determinismo, pois o desvio dos átomos aponta para uma gama de possibilidades não determinadas, o atomismo epicureu mantém as suas bases mecanicistas, sendo o homem e toda realidade material fruto da casualidade do movimento atômico. O jovem Marx manteve essa base ontológica para fundamentar o seu materialismo histórico. André Bieler esclarece assim o conceito materialista marxiano: “[...] conforme as suas concepções, é o material que precede e determina o espiritual, e não o contrário, como o ensina a ética cristã. [1]

Em outras palavras, o homem é fruto do acaso e busca sua realização e religião a partir do materialismo. O que isso tema ver com a fé para qual fomos regenerados? Nada!

O lulopetismo chega a uma soteriologia mentirosa

O Marxismo assume que o homem cria a religião para consolar a si mesmo diante das situações sociais opressoras. De novo, o materialismo é a gênese da religião. Isso é exatamente o que Marx fez e Gramsci melhorou. Eles criaram uma soterilogia (salvação) baseada no materialismo e na fuga dessa opressão social. Para eles a salvação está no fim da luta de classes e da relação opressor x oprimidos. E claro, eles definiram quem está de cada lado. E claro, eles querem acabar com a classe opressora. Mais uma vez Thiago Oliveira comenta muito bem:

Marx, junto com Engels, criou uma soteriologia ao anunciar o fim da opressão quando o proletariado se rebelar contra a burguesia e tomar o poder político e econômico, controlando os modos de produção e a máquina estatal. É um enredo religioso-escatológico […] Ora, isso frustra os marxistas que pregam o Reino dos Céus na terra, algo que não funcionará enquanto o pecado dominar o coração humano. [2]

Se pararmos para pensar, todo cristão lulopetisma está numa situação de soteriologias incompatíveis. Ele crê no reino de Deus descrito nas Escrituras e partindo do princípio do “já e ainda não” ou crê no ideal terreno do marxismo? Pergunto de novo: o que isso tem a ver com a fé para qual fomos regenerados? Nada!

Nem as manifestações de ontem [DOMINGO] me impressionaram mais do que a cegueira ideológica dos crentes da seita Lulopetista, esforçando-se com textões, comentários a torto e a direito e memes mentirosos para desqualificar a movimentação popular. Pior ainda, cristãos fazendo isso e igualando-se, na teimosia, aos “fascistas” que tanto temem (e com isso, dando infelizmente uma bela e inadvertida mãozinha a eles). Uma vergonha. [3]

Nossa regeneração é para uma renovação da mente

Romanos 12:2 nos lembra que a salvação, através da regeneração, é uma mudança de mente. Crer em Deus é crer de acordo com a cosmovisão revelada por Deus. E isso exclui o lulopetismo. As promessas de Deus a respeito da regeneração no antigo testamento falam que Deus imprimirá suas leis (intelectuais e práticas) na mente e nos corações do seu povo (DT 30:6, Jr 31:33, Ez 36:26-27). Fomos regenerados para uma antropologia e soteriologia cristãs. O lulopetismo não faz parte da agenda da nossa salvação. Ele não se encontra em lugar nenhum na pós-regeneração da ordo salutis. Um culto cego marxista ao PT por meio de Lula é uma religião idólatra. E para que não haja reclamações. Termino ampliando essa afirmação. O culto cego de qualquer ideologia secular a qualquer partido político por meio de qualquer personalidade divinizada é uma religião idólatra. Deixemos isso em nome de Jesus, o único pelo qual fomos regenerados para uma viva esperança eterna.

Se sabeis que ele é justo, sabeis que todo aquele que pratica a justiça é nascido dele.” 

1 João 2:29

P.S. Estou dizendo que todos o que se dizem crentes e que apresentam marcas do lulopetismo não são regenerados? Não. Estou dizendo que esse regenerados estão em pecado nessa área. E como todos os outros pecado há esperança no arrependimento por meio de Jesus.
 ________
[2]Ibid
[3]Perfil no Facebook do Guilherme de Carvalho

2 comentários:

Carina Cardoso disse...

É bom enfatizar que o pecado não está em possuir e defender uma tese política, e sim em "idolatrar" um partido ou figura política, seja Lula ou qualquer outra figura. Ser Cristãos não nos proíbe de nos envolver com o tema, ao contrário, nos convoca a utilizar nosso ´poder voto e governos para estabelecer justiça e verdade em nossa nação. Ou seja, pecado é idolatrar e não pensar criticamente sobre nosso sistema político. Excelente texto!

Tatiane Marques disse...

Excelente análise expressa nesse texto! Parabéns Deus abençoe!