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2 de mai de 2015

Guardai-vos das distrações

Por Morgana Mendonça dos Santos

Na caminhada cristã, tenho observado como existem distrações e/ou adições irrelevantes no culto ao Senhor. Com alguns convites para pregar em várias denominações tenho observado o andamento do culto solene em várias igrejas. E sempre lembrando de uma frase que um dia escutei de um piedoso professor: "O culto ao Senhor deve ser a manifestação do Sagrado".

Na Confissão de fé de Westminster, no capítulo XXI o assunto do culto religioso é mencionado dessa forma: "A luz da natureza mostra que há um Deus, que tem domínio e soberania sobre tudo, que é bom e faz bem a todos, e que, portanto, deve ser temido, amado, louvado, invocado, crido e servido de todo o coração, de toda a alma e de todas as forças; mas, a forma aceitável de adorar o verdadeiro Deus é instituído por Ele mesmo, e é tão limitado pela sua própria vontade revelada, que ele não pode ser adorado segundo as imaginações e invenções dos homens, ou sugestões de Satanás, nem sob qualquer representação visível, ou de qualquer outro modo não prescrito nas Santas Escrituras"

Não devemos desprezar a arte, entendemos que existe a linguagem universal. Hoje com facilidade a música, a arte e o esporte tem sido uma estratégia para que missionários cheguem a países fechados com o intuito de pregar o Evangelho. No entanto, a questão muitas vezes é confundida, pois, fazer teatro não é evangelizar. Como dançar não é pregar o evangelho. Como já mencionei alhures, essas coisas em si tem um valor, mas não podemos reduzir o evangelho a esse nível.

Apenas farei três observações que julgo ser necessárias:

1) O teatro no lugar da exposição da Palavra.

Há uns dias atrás soube que numa conferência missionária o momento da exposição da Palavra foi trocado por uma apresentação de uma peça. Não duvido que tenha igrejas usando esse mesmo método. O culto solene tem um propósito e não há respaldo para distrações ao público. O entretenimento é trágico, pois, não pode ser cômica a profanação do Sagrado. O que temos visto já chegou no topo do bizarro e da vergonha do evangelho. Enquanto já temos "pastores" vestidos de Chapolin para pregar, descobrimos pastores abrindo boates gospel com cerveja sem álcool e muita paquera. Quando pensamos que já vimos de tudo descobrimos que os nossos retiros espirituais estão cheios de stand up comedy. Enfim, o que devemos saber é que o culto é do Senhor. Logo, deve ser como Ele ordenou. Paulo aconselhou o jovem Timóteo, em seu ministério, dizendo: 

"Toda Escritura é divinamente inspirada e proveitosa para ensinar, para repreender, para corrigir, para instruir em justiça; para que o homem de Deus seja perfeito, e perfeitamente preparado para toda boa obra". 2 Timóteo 3.16-17

Toda Escritura é divinamente inspirada, ou seja, é suficiente para o culto e somente Ela deve ser apresentada de forma expositiva e didática. Qual seria o motivo de preencher um tempo com aquilo que não é inspirado nem suficiente? A correção, instrução, preparo e exortação provém da Palavra e nada mais.

2) As peças teatrais não são bíblicas.

Acredito que esse prejuízo tem sido devastador. Inúmeras peças de teatro tem ensinado sobre Deus, seu caráter e seus atributos de uma forma completamente deturpada. A minha observação parte de um princípio da reforma: somente a Escritura deve ser pregada e ensinada. Somente a Escritura deve ser cantada. Somente a Escritura deveria dirigir um grupo de teatro e suas peças. Não seria mais proveitoso uma peça bíblica? O que temos visto sendo apresentado nas igrejas são peças onde o homem tem toda a autonomia e Deus é fraco e limitado. Existem várias peças que de forma antropocêntrica demonstram e ensinam a igreja uma divindade patética e frágil. Vi uma peça certa vez que me deixou tonta. Deus havia criado uma jovem e ela se envolveu com vários pecados. Mesmo querendo se livrar deles ela não poderia, pois, havia sido amarrada. Mesmo Deus fazendo de tudo para ela se soltar, Ele não conseguiria, pois estava preso numa jaula invisível que os demônios o haviam colocado. Que tipo de "deus" é esse? Que não tem poder sobre o homem nem tampouco sobre demônios? E as peças que os demônios crucificam Jesus na cruz? É isso mesmo que a Escritura ensina? Deus viu o mal que os demônios estavam fazendo e reverteu em bem naquela cruz? Não! Definitivamente Deus que é onipotente, onipresente, onisciente e soberano, que é espírito não pode ser encenado de forma tão incoerente assim. Na verdade, Deus não pode ser representado, não temos respaldo para isso, pois fere o segundo mandamento (Ex 20.4-5). Cristo estava na cruz voluntariamente e se deu por nós (Ef 5.2). Deus assim o fez derramando Sua santa ira sobre Ele e, somente assim, ficou satisfeito (Is 53.10).

3) O estrelismo dos integrantes (atores)

Muitos dos integrantes não fazem parte da EBD por conta das longas horas de ensaio. Procurar os jovens do ministério de teatro em discipulado ou escola bíblica dominical é um desafio constante, é inevitável observamos que a maioria deles estão tão cheios de si, que se acham super preparados. Percebemos isso de forma simples, antes da apresentação da maioria das peças, tem sempre um jovenzinho pegando o microfone para contar a igreja o significado da peça, usando na sequência textos bíblicos que muitas vezes não fazem sentido algum. O que falta mesmo em muitos desses grupos de teatro é o estudo da Escritura de forma aprofundada. A teologia no sentido exclusivo da Palavra, saber quem Deus é e conhecer Seus atributos, pois, em muitas peças isso é reduzido ou negado de forma brutal. As longas horas de ensaio poderiam ser divididas também para o ensinamento das Escrituras, aconselhamento bíblico. Percebemos o estrelismo, o ego inflado de muitos, que por conta dos aplausos, recebem a glória para si, deixando assim o ministério tomar o lugar de Deus, tratando como um ídolo amoroso. Precisamos redefinir o sentido e o propósito do teatro nos cultos solenes e fora da igreja. Os apelos são dos mais variados após cada peça de teatro, tornando o teatro um meio para todo aquele que crê. Teatro não é evangelismo, isto é, não consiste na pregação do Evangelho, portanto, não pode ser confundido com os meios de graça. E quem disse que a palavra pregada necessita do elemento "apelo" no final, ou seja, grupos de teatros? Guardai-vos dos ídolos e das distrações!

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