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16 de nov de 2015

O Messianismo Político: a errada busca da redenção pelo Estado

Por Thomas Magnum

É interessante o fato de todas as vezes que um país atravessa crises políticas o povo desperta interesses por dois campos de conhecimento que são importantes para o gerenciamento de um país: Administração pública e Economia. Em face de como somos afetados diretamente pelos problemas ocorridos nesses âmbitos há uma valorização e demanda por conhecer melhor essas áreas. Por isso temos uma grande procura por sites de notícias voltados para política e economia, um acompanhamento maior de noticiários voltados a esses campos e os problemas que envolvem ambos e também a venda e compra de periódicos voltados as áreas de negócios, política e economia em geral ou com alguma segmentação específica atendendo a um mercado plural e repartido que busca informação desesperadamente e claro à medida que busca essa informação gera acréscimos ao mercado, notícia é mercadoria, é produto.

Não há como estudar política e ignorar economia, o produto interno bruto de uma nação é algo de interesse massivo, se não na teoria o é na prática. Entendendo um pouco sobre dívidas externas e desvios de verbas de empresas públicas somos levados a deduzir logicamente que isso refletirá em cortes financeiros em outros setores como saúde, educação e segurança. Ao termos hoje ferramentas como redes sociais e aplicativos que nos fornecem notícias dos mais variados campos do saber e dos mais distantes lugares do globo, ainda alimentamos – principalmente no atual estado deplorável do nosso país – um amor ao Estado e uma subserviência, que remetem a uma estadolatria ou idolatria ao Estado. O sentimento paternalista e dependente do povo para com o Estado o leva a um “natural” culto ao Estado. Chamamos isso de Messianismo Político, i.e. uma esperança posta num partido, candidato ou político e tal esperança o coloca como uma serpente hasteada no deserto. Colocando num indivíduo o sentimento de redenção pelo Estado, político ou partido.

Gostaria de citar aqui dois livros que ao meu ver são importantes para uma compreensão mais larga do que estou tentando dizer nesse artigo, o primeiro foi escrito por David Koysis que tem por título Visões e Ilusões Políticas publicado no Brasil pelas Edições Vida Nova. O segundo escrito pelo jurista e cientista político Bruno Garschagen – Pare de Acreditar no Governo – publicado pela Editora Record. A leitura desses dois livros com certeza trará ao leitor interessado no que está acontecendo no país uma relação e reflexo do culto ao Estado. A tese de Koysis demonstra de forma clara que toda ideologia política tem um aparato religioso, logo, é idólatra. O livro de Garschagen defende através de uma história política do Brasil que o país ama o Estado e ama a intervenção numa medida desproporcional, exacerbada, exagerada no que tange ao crescimento econômico, a educação, família e religião - estadolatria. A leitura desses livros irá levar o leitor a uma compreensão mais aprofundada sobre o assunto que estamos tratando.

O messianismo político não é somente algo estreitamente ligado a esquerda, mas, também à direita. Ao avaliarmos tamanho aquecimento no embate político no Brasil e a ânsia por uma posição política que não tenha em sua sigla o termo “Socialista” é grande. Ao ver o surgimento do Partido Novo e de outras propostas ligadas ao conservadorismo no Brasil que dista, diga-se de passagem, do pensamento de conservadores por quem tenho respeito como Edmund Burke, Russell Kirk, Roger Scruton, Theodore Dalrymple, só para citar alguns. Diante do clamor popular por uma solução do problema da crise financeira no Brasil é necessário sublinhar que tal situação é resultado de uma crise moral, espiritual. Desvalorização da família, da sexualidade sadia heterossexual, da importância do casamento entre homem e mulher, da formação educacional clássica, da importância da religião para uma sociedade salutar, da defesa de uma moral judaico-cristã descrita na Bíblia e ensinada pelo cristianismo a mais de dois mil anos. Esse é sem dúvida um tipo de conservadorismo com pressupostos cristãos baseados na Bíblia. Toda ideologia está baseada em pressupostos, o pensamento e o julgamento humano está calcado em pressupostos,  a questão é: tais pressupostos estão corretos? A moral cristã não é apenas um discurso moralista, a moral cristã é baseada no caráter do Deus santo do cristianismo.

É preocupante ver cristãos levantando bandeiras partidárias e aclamando políticos e candidatos como um “messias político”. Não devemos nos esquecer é claro dos mandatos da criação – cultural, social e espiritual, mas, o que acontece é que muitos não tem compreendido que o envolvimento com a cultura deve ser para proclamação da glória de Deus (1 Co 10.31), muitos cristãos que começaram a se envolver no engajamento com a cultura correm o perigo de serem envolvidos pela cultura e abrasados pela ideologia. Devemos evitar extremos tanto de uma postura apolítica e antipolítica como uma politização da fé. Devemos esconder a Palavra em nosso coração como diz o salmista para não pecar contra Deus em nossos posicionamentos aparentemente “evangélicos”, precisamos entender que moralismo é ismo e não práxis cristã. Devemos ter cuidado para não defendermos uma bandeira partidária ou uma escola ideológica. Ao que parece diante de um cenário político acalorado no Brasil incorremos em um risco de intoxicação política e de esquecermos da Esperança. Quando os escritores bíblicos usam a palavra Esperança não é para um provável acontecimento, mas, algo que ocorrera certamente, “Cristo em vós, a Esperança da Glória” disse Paulo. Lembremos que a Esperança é escatológica e nos trará a gloriosa cidade reservada para nós como nos disse o Senhor em João 14, como nos ensina Apocalipse 21 e 22 a Nova Jerusalém. Ali se cumprirá o telos, a completude do ethos cristão, a redenção total do nosso corpo corruptível, o mortal será revestido do imortal. O plano histórico-redentivo que nos mostram as Escrituras desde o Gênesis será cumprido totalmente, nossa Esperança, está reservada para nós. Isso não quer dizer que não devemos estar e pensar sobre engajamento cultural, a igreja deve pensar sobre isso e tem refletido desde a Reforma  de forma intensa. 

Podemos aqui pontuar o movimento neocalvinista holandês com Kuyper, Dooyeweerd, Bavick, Cornelius Van Til, Clark, Schaeffer e tantos outros que tem perpetuado nossa herança teológica. Mas, o que não podemos perder de vista é que mesmo chamados para um engajamento em cumprimento dos mandatos da criação, a Bíblia também nos diz que somos forasteiros, peregrinos, que para nós está reservada uma pátria nos céus e que o povo de Deus só tem um Messias, a reforma gritou entre os cinco solas “Solus Christus!”, o que significa isso para um cristão reformado? Que Cristo e somente ele é o Salvador da Igreja, que Somente Cristo é o único mediador entre Deus e os homens que somente em Cristo está a nossa Esperança, porque Ele em nós, isso sim é a Esperança da Glória. Como igreja de Deus, povo chamado, eleito, justificado e santificado e, como nos diz o texto sagrado, glorificado. Note o tempo verbal, tenhamos cuidado para não esperar da terra pecadora e ainda não purificada pelo Senhor aquilo que só teremos na terra restaurada.

Podemos ler sobre política, aprofundar-nos em estudos voltados a cultura, mas, não podemos perder de vista o que nos está reservado. Não podemos ter um pensamento reducionista sobre a doutrina bíblica da redenção. Cristo e somente ele é o redentor da igreja, somente ele é a pedra angular, somente ele é o verbo, a luz, o caminho e a vida. Somente Cristo é a ressurreição, somente Cristo é a rocha, somente Cristo é o Rei dos reis e Senhor dos Senhores.

Amados, exorto-vos, como a peregrinos e forasteiros, que vos abstenhais das concupiscências da carne, as quais combatem contra a alma;

1 Pedro 2.11

Portanto, meus amados irmãos, sede firmes e constantes, sempre abundantes na obra do Senhor, sabendo que o vosso trabalho não é vão no Senhor.

1 Coríntios 15.58

Aquele que testifica estas coisas diz: Certamente cedo venho. Amém; vem, Senhor Jesus.

Apocalipse 22.20

Ao único Deus, nosso Salvador, por Jesus Cristo nosso Senhor, glória, majestade, domínio e poder, antes de todos os séculos, e agora e para todo sempre. Amém.

Judas 25

Ora, àquele que é poderoso para vos confirmar, segundo o meu evangelho e a pregação de Jesus Cristo, conforme a revelação do mistério guardado em silêncio desde os tempos eternos, mas agora manifesto e, por meio das Escrituras proféticas, segundo o mandamento do Deus eterno, dado a conhecer a todas as nações para a obediência da fé; ao único Deus sábio seja dada glória por Jesus Cristo para todo o sempre. Amém.

Romanos 16.25-27

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