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22 de abr de 2015

Quando o costume fala mais alto

Por Richardson Gomes

É muito comum, nas nossas igrejas evangélicas, notarmos práticas que não tem um menor respaldo bíblico. E quando se condena algumas dessas tais práticas, a primeira coisa que dizem é: “Mas isso está lá em…” e em seguida, citam alguma passagem bíblica que justifica (pelo menos à consciência deles) o ato. O problema é acharmos que respaldo bíblico é simplesmente quando encontramos referência bíblica. Referência bíblica não é o mesmo que respaldo bíblico. Por exemplo: encontramos referências de adultério na Bíblia como em Oséias 7:4 e nem por isso devemos tomar como respaldo bíblico para que se torne aceitável diante de Deus um adultério na igreja.

Jesus, porém, respondendo, disse-lhes: Errais, não conhecendo as Escrituras, nem o poder de Deus. (Mateus 22.29)

A maioria dos crentes não estuda mais o contexto, não estuda mais a Bíblia na dependência do Espírito Santo. No máximo, estuda-se apenas para confirmar como certas as suas convicções e práticas. Não estão mais abertos para mudanças constantes, para se reformarem a cada dia à luz das Escrituras. Infelizmente, enquanto não houver um zelo pela Palavra de Deus, práticas como línguas balbuciadas sem sentido (e aqui, vale lembrar que falo da glossolalia), unção de tudo quanto é coisa, reteté, cai-cai, gritos, danças proféticas, apelos, aplausos, profecias, revelações, aparições de anjos, transfigurações, histeria coletiva, viagens a outras dimensões (como céu e inferno), decretos humanos, baladas gospel, dentre outras, vão continuar.

De sorte que a fé é pelo ouvir, e o ouvir pela palavra de Deus. (Romanos 10:17)

E quando essas práticas são condenadas, a primeira coisa que nos exortam a ter é fé. Como se fé fosse separada daquilo revelado na Bíblia. Rejeitando o ensino que nos diz que a fé nos é plantada quando ouvimos a Palavra de Deus (Rm 10:17). Precisamos entender que “Toda a Escritura é divinamente inspirada, e proveitosa para ensinar, para redarguir, para corrigir, para instruir em justiça;” (2Tm 3:16) e que ela deve ser nossa única regra de fé e prática. É somente ela! Somente a Escritura que nos leva a ouvir os propósitos de Deus e a Sua vontade. Somente a Escritura que nos ajuda a viver de forma que glorifique a Deus. Somente pela Escritura que temos acesso ao Verbo vivo de Deus, Jesus Cristo, para que possamos ser salvos. Ela sim é, unicamente, a voz de Deus. Não podemos nunca deixar com que algo fale mais alto que ela, pois é a Palavra de Deus. E quando o costume, a tradição, as experiências e qualquer outra coisa vão de encontro à Escritura, devemos rejeitar. Como Lutero disse: Qualquer ensinamento que não se enquadre nas Escrituras deve ser rejeitado, mesmo que faça chover milagres todos os dias.

Nossa fé deve estar totalmente baseada na Bíblia. Antes de termos crido em Jesus, precisávamos ouvir quem Ele é, o que Ele fez e faz. Para que eu creia ou não em algo preciso, com muita devoção, humildade e fervor, meditar na Palavra de Deus para ouvir se aquilo que se prega/pratica deve ser tido como correto ou não. Preciso conhecer para crer e não crer para conhecer. Até quando você deixa de crer em algo que é antibíblico, mas assim o faz simplesmente porque os outros também não creem; você está crendo pelo costume e não pela Bíblia! E não está “descrendo” pela fé, e, portanto, está pecando. (Rm 14:23). Estude as Escrituras! Queira ouvir a voz de Deus e não a voz do seu próprio coração, pois é enganoso (Jr 17:9). Decida, a partir de agora, que tudo que não estiver na Bíblia deve ser rejeitado.

Se não posso encontrar minhas experiências na Bíblia, é porque elas não vêm de Deus, mas do diabo.

Lutero

Você tem meditado em suas próprias práticas? E nas práticas de sua igreja? O que você faz tem respaldo bíblico? Olhe para a Bíblia! As práticas que foram citadas acima, dentre outras, são defendidas por pessoas que têm no coração um espaço muito maior para suas experiências do que para a Palavra. Elas nos dizem para ter fé, mas de que fé estão falando? Seria uma fé humana ou aquela que Cristo nos deu? Muitos costumam taxar os tradicionais ou reformados como “aqueles que não creem”. Porém, a fé que eles dizem ter não está fundamenta pelas Escrituras Sagradas. Com isso, somente posso concluir que, mesmo que elas creiam em todas aquelas práticas, o que elas menos têm é .

Sola Scriptura!

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