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7 de abr de 2015

É possível amar Jesus e não querer compromisso com a sua Igreja?

Por Wallace Jaguaribe

Esta dúvida, certamente, não é o que podemos chamar de uma novidade, mas ainda passa na cabeça de muita gente. As pessoas confundem igreja/instituição com igreja/povo de Deus. Outros valorizam a igreja/povo de Deus e menosprezam a igreja/local. E há os que criaram uma aversão tão grande as instituições que organizaram um grupo sem nome, e terminaram por criar o que não queriam: a igreja sem nome.

O fato é que a igreja é a comunidade dos que foram escolhidos antes da fundação do mundo, regenerados pelo Espírito Santo para serem santos e irrepreensíveis perante Deus. Estes, externamente, confessam Jesus como seu Senhor e salvador. Esta igreja tem um aspecto interno, invisível aos olhos humanos, mas visível por Deus, que é a sinceridade do seu coração, a veracidade de sua conversão. Este aspecto só é plenamente conhecido por Deus, pois “o Senhor não vê como vê o homem, pois o homem vê o que está diante dos olhos, porém o Senhor olha para o coração”. (1 Samuel 16:7).

Todavia, esta igreja também possui um aspecto local. Um grupo de salvos em Cristo Jesus deve se reunir – “Não deixemos de congregar-nos, como é costume de alguns; antes, façamos admoestações e tanto mais quanto vedes que o Dia se aproxima” (Hebreus 10:25). E só podemos nos reunir em uma lugar específico, geograficamente falando. Assim, Jesus enviou cartas para igrejas locais: Éfeso, Esmirna, Pérgamo, Tiatira, Sardes, Filadélfia e Laudiceia (Apocalipse 2-3). O apóstolo Paulo ordenou que se elegessem presbíteros em cada igreja local – “Por esta causa, te deixei em Creta, para que pusesses em ordem as coisas restantes, bem como, em cada cidade, constituísses presbíteros, conforme te prescrevi:” (Tito 1:5).  Esta determinação implica que a igreja local tem valor e é nela que devemos congregar e servir.

O problema é que na igreja local, ou visível, congregam crentes genuínos e similares – trigo e joio. Ora, se os verdadeiros crentes enfrentam problemas para vencer sua natureza pecaminosa, imaginem quando, numa mesma comunidade, ainda têm de enfrentar os falsos crentes. Certamente os machucões espirituais, emocionais e, às vezes, até físicos e econômicos, ocorrem. Então, alguns optam por não congregar. Afirmam que podem servir a Deus sem se envolverem com a igreja. Mas, isto é possível?

Bem, como já disse, congregar em uma igreja local é um dever do cristão, observem: “Não deixemos de congregar-nos, como é costume de alguns; antes, façamos admoestações e tanto mais quanto vedes que o Dia se aproxima” (Hebreus 10:25). Esta é uma ordem, um mandamento e não uma opção.  O alvo deste comando é suprir uma necessidade dos filhos de Deus – o crescimento, amadurecimento e edificação mútua até cada um chegar à estatura de Cristo  - observem a maneira como o apóstolo Paulo fala sobre este assunto “E ele mesmo concedeu uns para apóstolos, outros para profetas, outros para evangelistas e outros para pastores e mestres, com vistas ao aperfeiçoamento dos santos para o desempenho do seu serviço, para a edificação do corpo de Cristo, até que todos cheguemos à unidade da fé e do pleno conhecimento do Filho de Deus, à perfeita varonilidade, à medida da estatura da plenitude de Cristo.” (Efésios 4:11-13).

Sabemos que estamos numa invasão de abertura de igrejas (denominações), muitas resultando de líderes rebeldes, de mercenários, de lobos vorazes. O resultado  é o descrédito da igreja – alvo pretendido pelo inimigo. No entanto, Jesus afirmou que as portas do inferno não resistiriam à sua igreja, e, embora, estas palavras tenham sido dirigidas à sua igreja universal, ele também se dirigiu à igrejas locais que representavam sua Igreja da sua primeira à sua segunda vinda. Elogiou as igrejas locais com apreciações como: “Conheço as tuas obras, tanto o teu labor como a tua perseverança, e que não podes suportar homens maus, e que puseste à prova os que a si mesmos se declaram apóstolos e não são, e os achaste mentirosos;  e tens perseverança, e suportaste provas por causa do meu nome, e não te deixaste esmorecer” (apocalipse 2:2-3)... “Quem tem ouvidos, ouça o que o Espírito diz às igrejas”. A igreja de Cristo está nas igrejas, mas nem todas as igrejas são a Igreja de Cristo. Mas, isto não nos dá o direito de nos afastarmos da igreja local porque ela também é instituição.

Quem ama Jesus Cristo ama a sua Igreja, compromete-se e sacrifica-se por ela. Embora, fisicamente, seja possível amar o irmão primogênito e rejeitar seus outros irmãos, espiritualmente isto não é possível. Quem ama Cristo, ama sua Igreja, quem ama a Igreja sacrifica-se por ela. Creio que, em parte, por isso o apóstolo Paulo afirmou “ Eu de boa vontade me gastarei e ainda me deixarei gastar em prol da vossa alma. Se mais vos amo, serei menos amado?”(2 Cor. 12:15). Observe o amor à Igreja, naquela ocasião manifesta como igreja local, era evidenciado no envolvimento, ainda que desgastante. 

Quem ama Jesus cuida de sua Igreja. Foi isto que Jesus disse a Pedro nas seguintes palavras: “Simão, filho de João, amas-me mais do que estes outros? Ele respondeu: Sim, Senhor, tu sabes que te amo. Ele lhe disse: Apascenta os meus cordeiros. Tornou a perguntar-lhe pela segunda vez: Simão, filho de João, tu me amas? Ele lhe respondeu: Sim, Senhor, tu sabes que te amo. Disse-lhe Jesus: Pastoreia as minhas ovelhas. Pela terceira vez Jesus lhe perguntou: Simão, filho de João, tu me amas? Pedro entristeceu-se por ele lhe ter dito, pela terceira vez: Tu me amas? E respondeu-lhe: Senhor, tu sabes todas as coisas, tu sabes que eu te amo. Jesus lhe disse: Apascenta as minhas ovelhas.” (João 21:15-17). Sei que estas palavras foram ditas a Pedro, mas ela expõe claramente que tipo de cuidado, zelo, envolvimento, Jesus quer que tenhamos com sua Igreja. Sim, não é possível amar Jesus e não amar, com consequente envolvimento, à sua igreja.

As feridas, os machucões, os desencantos, as decepções, e coisas semelhantes a estas podem vir, porque a Igreja está em processo de edificação. E as aves do isolamento, acompanhamento de longe, insensibilidade, também podem descer em sua mente procurando fazer um ninho. Creia, resista à tentação, enxote estas aves da sua mente e faça o seguinte: “não deixe de congregar, (não deixe de se envolver, de participar, de cooperar) como é costume de alguns”.

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