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4 de abr de 2015

Cristo é a nossa Páscoa

Por Thomas Magnum

Todos os anos quando entro em um supermercado ou quando vejo algumas propagandas na TV sobre a páscoa, penso como a sociedade moderna é consumidora de ideais e crenças puramente mercantilistas e elitistas. Ovos de páscoa, chocolates, coelhos, são os principais ícones da “nova páscoa”. O verdadeiro sentido da páscoa tem sido a cada ano enterrado e desprezado pelo homem moderno
.
Por conta de tamanha segmentação de mercado, que abrange todos os públicos possíveis, iremos ainda que brevemente examinarmos alguns textos bíblicos sobre o sentido da páscoa cristã, o que é a páscoa? O que a Bíblia nos ensina sobre ela? Qual o significado da páscoa para a igreja de Cristo?

A Páscoa no Antigo Testamento

Êxodo 12.1-3,7,11-14,29-30

O Senhor disse a Moisés e a Arão, no Egito: Este deverá ser o primeiro mês do ano para vocês. Digam a toda a comunidade de Israel que no décimo dia deste mês todo homem deverá separar um cordeiro ou um cabrito, para a sua família, um para cada casa. Passem, então, um pouco do sangue nas laterais e nas vigas superiores das portas das casas nas quais vocês comerão o animal. Ao comerem, estejam prontos para sair: cinto no lugar, sandálias nos pés e cajado na mão. Comam apressadamente. Esta é a Páscoa do Senhor. Naquela mesma noite passarei pelo Egito e matarei todos os primogênitos, tanto dos homens como dos animais, e executarei juízo sobre todos os deuses do Egito. Eu sou o Senhor! O sangue será um sinal para indicar as casas em que vocês estiverem; quando eu vir o sangue, passarei adiante. A praga de destruição não os atingirá quando eu ferir o Egito. Este dia será um memorial que vocês e todos os seus descendentes o comemorarão como festa ao Senhor. Comemorem-no como decreto perpétuo. Então, à meia-noite, o Senhor matou todos os primogênitos do Egito, desde o filho mais velho do faraó, herdeiro do trono, até o filho mais velho do prisioneiro que estava no calabouço, e também todas as primeiras crias do gado. No meio da noite o faraó, todos os seus conselheiros e todos os egípcios se levantaram. E houve grande pranto no Egito, pois não havia casa que não houvesse um morto.

Nessas passagens encontramos o registro Bíblico da instituição da páscoa. A palavra Páscoa vem do hebraico Pesah ou passagem que no assunto em tela poderíamos destacar dois significados:

1-     A celebração da festa do calendário judaico.
2-     A vítima do sacrifício, o cordeiro pascal que era imolado.

Tudo o que vemos no antigo testamento sobre a páscoa aponta para Cristo. Ele é o Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo (Jo 1.29). Paulo diz que Cristo é nosso Cordeiro pascal (I Co 5.7). Vemos também a ira de Deus manifestada aos ímpios. As casas que tinham o sangue do cordeiro aspergido nas ombreiras das portas estavam protegidas da morte, o texto nos diz:

O sangue será um sinal para indicar as casas em que vocês estiverem; quando eu vir o sangue, passarei adiante. A praga de destruição não os atingirá quando eu ferir o Egito. Êxodo 12.13

O Anjo passaria e as casas que estivessem com sangue nos vergas estariam protegidas, Deus estava agindo em favor do seu povo, povo que Ele escolheu. Todos os primogênitos dos egípcios seriam mortos. Deus estava tirando seu povo do Egito, a providência de Deus trazia libertação a Israel. Com isso temos o Evangelho revelado, o sangue do cordeiro imolado simbolizava o Sangue de Cristo. Aquele cordeiro que era comido pelo povo de Deus representava Cristo e sua vida em nós. A eficácia expiação. Cheung comenta:

"A realidade é na morte expiatória de Cristo. Consequentemente, o sangue do cordeiro pascal é um tipo e sombra do sangue de Jesus Cristo. O efeito do primeiro é um retrato dos efeitos do último"¹.

Calvino ao comentar I Coríntios 5.7 nos diz:

"O Cordeiro, pois, era sacrificado a cada ano, e a festa costumava vir imediatamente depois, e durava por sete dias sucessivos. Cristo, diz Paulo, é nossa Páscoa. Ele foi sacrificado uma vez por todas, e, nessa condição, que o efeito de seu único sacrifício dure para sempre. Nesse interim, o que devemos fazer é comer, e que não seja apenas uma vez por ano, mas perenemente"². 

A Páscoa no Novo Testamento

Com isso, podemos ver que a páscoa cristã não é baseada nos antigos ritos judaicos, não sacrificamos mais animais, pois Cristo ofereceu um sacrifício perfeito e eterno.

Por essa razão, Cristo é o mediador de uma nova aliança para que os que são chamados recebam a promessa da herança eterna, visto que ele morreu como resgate pelas transgressões cometidas sob a primeira aliança. Hebreus 9.15

Mas, visto que vive para sempre, Jesus tem um sacerdócio permanente. Hebreus 7.24

Portanto, irmãos, temos plena confiança para entrar no Santo dos Santos pelo sangue de Jesus. Hebreus 10.19

Essa páscoa agora vivida pelos cristãos reflete uma vida santificada, sem fermento como diz o texto de I Co 5.7. Quando Paulo fala aqui do fermento não está mais se referindo ao problema do incesto em Corinto, mas a uma vida purificada continuamente. Por isso a festa que seguia o sacrifício do cordeiro durava sete dias, isso deve ser observado pelos cristãos como sombra da sua perseverança e continuidade de uma vida santificada a Cristo, o Cordeiro Pascal.

Encontramos na confissão de fé de Westminster no capitulo VIII, sobre Cristo o mediador:

O Senhor Jesus, pela sua perfeita obediência e pelo sacrifício de si mesmo, sacrifício que pelo Eterno Espírito, Ele ofereceu a Deus uma só vez, satisfez plenamente à justiça do Pai. E para todos aqueles que o Pai lhe deu adquiriu não só a reconciliação, como também uma herança perdurável no Reino dos Céus.

Rm 5.19,25-26; Hb 10.14; Ef 1. 11, 14; Cl 1.20; II Co 5. 18, 20; João 17.2; Hb 9.12,15.

A metáfora utilizada por Paulo aqui para fermento velho é a mesma referida para o velho homem. Quando os Hebreus foram libertos da morte no Egito, aspergiram sangue do cordeiro nas ombreiras das portas, depois desse fato, eles comeram a refeição pascal em família. Um dos requisitos era que não houvesse qualquer fermento na casa. Nem mesmo o pão consumido na refeição devia ser levedado. Podemos ver aqui, que o fermento representa o pecado, como diz Wiersbe: É pequeno mais é poderoso; trabalha em oculto; faz a massa “inchar” e se espalha. A igreja deve se livrar de todo velho fermento, tudo que se referia a nosso antigo modo de vida quando andávamos sem Cristo³. Com isso não queremos dizer que o cristão deve se isolar do mundo, o crente não é chamado para ser isolado, mas, separado.

Cristo é nosso Cordeiro, que nos salvou dos nossos pecados, que santificou um povo para Si. Se vivemos pelo Espírito, andemos também pelo Espírito. Gálatas 5.25

Cristo é a nossa Páscoa!

1-      O Sangue da Páscoa, Cheug (disponível no site monergismo.com)
2-      Comentário I Coríntios, João Calvino.
3-      Comentário Bíblico Expositivo, Warren W. Wiersbe. 

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