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8 de abr de 2016

Uma Preciosa Exortação à Igreja (1 Jo 2.12-17)

Por Thiago Oliveira

12. Filhinhos, eu lhes escrevo porque os seus pecados foram perdoados, graças ao nome de Jesus.

13. Pais, eu lhes escrevo porque vocês conhecem aquele que é desde o princípio. Jovens, eu lhes escrevo porque venceram o Maligno.

14. Filhinhos, eu lhes escrevi porque vocês conhecem o Pai. Pais, eu lhes escrevi porque vocês conhecem aquele que é desde o princípio. Jovens, eu lhes escrevi, porque vocês são fortes, e em vocês a Palavra de Deus permanece e vocês venceram o Maligno.

15. Não amem o mundo nem o que nele há. Se alguém amar o mundo, o amor do Pai não está nele.

16. Pois tudo o que há no mundo — a cobiça da carne, a cobiça dos olhos e a ostentação dos bens — não provém do Pai, mas do mundo.

17. O mundo e a sua cobiça passam, mas aquele que faz a vontade de Deus permanece para sempre.

Introdução

Após o apóstolo João falar do mandamento do amor e advertir os crentes de que a ausência do amor é a ausência de luz, ele passa a falar sobre o mundanismo. João vai se dirigir a toda a Igreja. Ele não segmenta a sua fala a um grupo, mas exorta toda a congregação dos santos. Uma das coisas que vale a pena ressaltar é o caráter multi-geracional do Corpo de Cristo. A Igreja é composta de crianças, jovens, adultos e idosos. Quando fala que escreveu aos seus filhos no versículo 12, João usa uma linguagem fraterna, que lhe é particular. Ele, por ser idoso, considerava as ovelhas de seu rebanho filhos, e por elas tinha um afeto paternal. Após o termo generalizado, no versículo 14 ele parece falar com os filhos dos pais mencionados no versículo anterior. Podemos deduzir que sua fala alcançava aos jovens, citados diretamente nos versículos 13 e 14, mas também crianças, que podem preencher o espaço existente entre os “pais e filhos” a quem o apóstolo se dirige.

Antes de exortar a Igreja para que ela não seja seduzida pelo sistema maligno que assola o mundo desde a Queda, João a encoraja e lhe faz lembrar as bênçãos que vem do Senhor Jesus para sua amada noiva. Ele enfatiza que escreveu, justamente porque a escrita é um registro de algo que é dito. Louvado seja Deus que inspirou tais homens santos e deixou registrada as suas Palavras, assim, nós hoje temos acesso a este banquete espiritual e podemos desfrutar deste maná.

Bênçãos em Cristo (12-14)

Ao dirigir-se ao Corpo de Cristo e falar alguns motivos de ter escrito a sua epístola, João fala das bênçãos que o Senhor Jesus concede a sua igreja. A primeira delas é o perdão dos pecados. Isto se dá por graça e graças ao nome de Jesus. Ao falar do “nome”, o apóstolo tenciona falar daquilo que ele representa, que é a pessoa e o ofício de Cristo como sendo o enviado de Deus para salvar a humanidade do pecado e da morte. Esta é a dádiva maior que herdamos de Cristo. Ser perdoado é não ter mais empecilho ao nos relacionarmos com Deus. Está escrito: “Mas as suas maldades separaram vocês do seu Deus; os seus pecados esconderam de vocês o rosto dele, e por isso ele não os ouvirá”. Isaías 59:2. Todavia, quando perdoados, nossos pecados são lançados fora e estamos livres e podemos atender ao convite feito pelo autor do livro de Hebreus: “Sendo assim, aproximemo-nos de Deus com um coração sincero e com plena convicção de fé, tendo os corações aspergidos para nos purificar de uma consciência culpada e tendo os nossos corpos lavados com água pura”. Hebreus 10:22. Maravilhoso é saber que antes erámos inimigos do SENHOR por causa de nossa rebeldia para com suas santas ordenanças, mas que purificados por Cristo somos íntimos do Deus triúno e podemos gozar de sua presença e infinita bondade.

A segunda benção é o conhecimento de Deus. Este se dá por meio da revelação. O Soberano se revelou aos homens e num sentido geral fez-se conhecido através da natureza (Rm 1.20). Mas aos seus filhos Deus se revela de uma forma especial. Pois, através do Espírito que habita em nós, temos discernimento daquilo que é espiritual e o que antes enxergávamos embaçado, agora vemos com nitidez. Obviamente que o nosso conhecimento de Deus não é exaustivo, pois muita coisa ainda é mistério para nós, todavia, conhecemos o suficiente para nos prestarmos em adoração diante do nosso Senhor, sabendo que Ele é o único e verdadeiro Deus, e fora dEle não há outro. Este conhecimento não é apenas teórico, ele é também relacional. Conhecemos a Cristo de andarmos com Ele. Ao dirigir-se aos pais, isto é, aos mais velhos, o apóstolo apela para que eles transmitam este conhecimento para os mais jovens. A fé precisa dos pais precisa ser transmitida aos filhos. Isto se dá em casa, no ambiente familiar. Temos um grande problema em nossa geração: os pais terceirizam a educação de suas crianças. E aqui inclui-se também a terceirização da instrução bíblica. Que os pais não esqueçam do provérbio que diz: “Educa a criança no caminho em que deve andar; e até quando envelhecer não se desviará dele”. Provérbios 22:6.

A terceira benção, é a vitória sobre o maligno. O apóstolo endereça aos jovens esta fala, pois, na juventude as mais diversas tentações nos assolam. O mundo parece mais sedutor para aquele que está no auge de seu vigor físico. Os que estão na flor da idade têm muitos atrativos. E são nestes atrativos que muitos são fisgados e sucumbem aos desejos pecaminosos, entregando-se as paixões da mocidade. No entanto, João assevera que mesmo jovem, o crente tem a vitória decretada sobre as hostes do mal, e sua vitória não está na sua força física ou capacidade intelectual. O jovem que vence o maligno é aquele que tem a Palavra de Deus.

Muitas igrejas tem negligenciado a doutrinação de sua juventude. Para atrair os jovens apostam em entretenimento, e muitos estão dentro das igrejas sem ter um conhecimento substancial da Palavra. Não é o entretenimento que deve “prender” os jovens na igreja. Eles precisar ter consciência de que o mais importante na vida cristã é ouvir e assim aprender mais do Evangelho, para praticar em seu cotidiano. Não levar a sério a pregação da Palavra para os jovens é uma característica daquilo que João irá falar em seguida.

Cuidado com o mundanismo (15-17)

O mundo, no contexto da passagem, é o sistema de valores que opera entre pessoas pecadoras que tem Satanás como seu mentor. João novamente faz o uso de contraste e numa afirmação categórica diz que aquele que ama o mundo não tem o amor do Pai celestial. Não existe um meio termo: ou se deseja a Deus e as coisas que são do alto, ou se deseja as coisas terrenas, transformando-as em ídolos.

As coisas do mundo são resumidas em uma lista com termos abrangentes. A saber temos: i) a concupiscência da carne, ii) a concupiscência dos olhos e iii) a soberba da vida. Os desejos da carne são desejos perversos, uma cobiça que fere o décimo mandamento. Muitas vezes este desejo é ativado pelos olhos, que quando fitam determinada coisa, faz o interior desejar o objeto que está sendo olhado. Daí vem a ganância e a vontade de ter passando por cima de qualquer coisa. Esse “ter” resulta em orgulho. O homem olha para o que já fez e já acumulou para si nesta vida e se engrandece por isso. Precisamos ter muito cuidado com isso.

Infelizmente, alguns líderes evangélicos tem dado ênfase a um estilo de vida materialista e o consumismo tem invadido as igrejas com uma infinidade de produtos com o selo “gospel”, concebido e voltado para o público evangélico, que já tem sido explorado pelo mercado como um bom nicho para se investir. John Stott, como presidente do Grupo de Trabalho sobre Teologia e Educação da Comissão de Lausanne para Evangelização Mundial, foi um dos responsáveis por elaborar, em Outubro de 1980, o Compromisso Evangélico Com Um Estilo de Vida Simples. Em sua obra, Discípulo Radical, ele afirma que a simplicidade é uma característica essencial de um discípulo de Jesus. Esse estilo de vida simples está associado a uma postura de mordomia, que é o cuidado com os recursos que Deus colocou sobre a nossa responsabilidade. O cristão não precisa se isolar do mundo. Ele não tem que viver como um monge, longe de tudo e todos. O apóstolo João não adverte para que deixemos o mundo, sua advertência é dirigida ao amor ao mundo.

Sim, podemos ter posses. Não é errado possuir bens e até mesmo investir para que eles frutifiquem. O errado é colocar neles todo o sentido par a vida. Por que quando alguns homens de negócio quando perdem seu patrimônio cometem suicídio? Porque fizeram de suas posses um fim em si mesmo, quando na verdade, se temos algo, este algo deve servir para nosso desfrute e para a ajuda ao nosso semelhante. Compartilhar é uma benção! Quando alguém é cristão e é rico, este faz de sua riqueza seja usada para fins nobres. Há muitos que investiram e investem suas fortunas em missões e obras sociais. Não são os dias daqui que importam para nós, por isso que o conselho do apóstolo Paulo é o de que devemos pensar nas coisas que são de cima (Cl 3.2). Aqui tudo é corruptível e passageiro, portanto, focados na Eternidade, sejamos desapegados a este mundo. Esta é uma marca dos verdadeiros membros do Corpo de Cristo.

Aplicações

1. Devo estar ciente de que em Cristo Jesus, nas regiões celestiais, eu sou abençoado. As coisas mais preciosas já me foram dadas. Sendo assim, devo descansar no meu Senhor e com gratidão prestar um culto sincero e jubiloso durante todo o meu viver.

2. Não posso depositar a minha esperança nas coisas do mundo, pois, se eu fizer isto, serei um idólatra e não tenho o amor do Pai. É necessário desapegar do materialismo e adotar um estilo de vida simples.

3. Preciso ser um bom mordomo dos recursos que graciosamente recebi dos céus. Administrar bem os recursos desta terra é cultuar a Deus e prestar-Lhe serviço. 

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