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20 de abr de 2016

Estamos na Última Hora: Cuidado com os Enganadores

Por Thiago Oliveira

Texto Base: 1 João 2:18-29

18. Filhinhos, esta é a última hora; e, assim como vocês ouviram que o anticristo está vindo, já agora muitos anticristos têm surgido. Por isso sabemos que esta é a última hora.

19. Eles saíram do nosso meio, mas na realidade não eram dos nossos, pois, se fossem dos nossos, teriam permanecido conosco; o fato de terem saído mostra que nenhum deles era dos nossos.

20. Mas vocês têm uma unção que procede do Santo, e todos vocês têm conhecimento.

21. Não lhes escrevo porque não conhecem a verdade, mas porque vocês a conhecem e porque nenhuma mentira procede da verdade.

22. Quem é o mentiroso, senão aquele que nega que Jesus é o Cristo? Este é o anticristo: aquele que nega o Pai e o Filho.

23. Todo o que nega o Filho também não tem o Pai; quem confessa publicamente o Filho tem também o Pai.

24. Quanto a vocês, cuidem para que aquilo que ouviram desde o princípio permaneça em vocês. Se o que ouviram desde o princípio permanecer em vocês, vocês também permanecerão no Filho e no Pai.

25. E esta é a promessa que ele nos fez: a vida eterna.

26. Escrevo-lhes estas coisas a respeito daqueles que os querem enganar.

27. Quanto a vocês, a unção que receberam dele permanece em vocês, e não precisam que alguém os ensine; mas, como a unção dele recebida, que é verdadeira e não falsa, os ensina acerca de todas as coisas, permaneçam nele como ele os ensinou.

28. Filhinhos, agora permaneçam nele para que, quando ele se manifestar, tenhamos confiança e não sejamos envergonhados diante dele na sua vinda.

29. Se vocês sabem que ele é justo, saibam também que todo aquele que pratica a justiça é nascido dele.

Introdução

Algo que não foi dito ainda durante estas exposições da primeira epístola de João é que o gnosticismo era uma heresia que vinha sido combatida pelos apóstolos e mestres da igreja primitiva. Os adeptos desta “religião de mistério” criam que através do conhecimento chegariam a Deus. Todavia era um conhecimento advindo não do estudo, mas sim de experiências místicas e imersões no campo do sobrenatural. Deixei para falar neste momento em que o apóstolo João trata dos falsos mestres. João não diz em seu texto que eles são gnósticos, mas é possível presumir isso ao olhar o contexto histórico que compreende o período em que a carta foi escrita.

Soma-se aos gnósticos os judeus que negavam a divindade de Jesus e que não o reconheciam como o Messias enviado por Deus. Estas eram as ameaças a sã doutrina, as duas correntes que mais traziam prejuízo a Igreja. Aqui veremos que a Igreja precisa se manter fiel no ensino da Escritura e se preparar para enfrentar os falsos mestres e os que têm o espírito do anticristo. Eles serão vencidos desde que os santos que integram o Corpo de Cristo retenham o conhecimento da verdade.

Vivendo na última hora (18-19)

Na linguagem do apóstolo, a igreja primitiva já estava vivendo a “última hora”, sendo assim, não seria exagero afirmar que vivemos no “último minuto”. Esta cronologia regressiva aponta para o momento culminante da história, o evento que encerrará o tempo presente e dará início a eternidade. Tudo que Deus revelou por meio de sua Palavra foi cumprido em Cristo. A esperança final e expectativa da Igreja é que se cumpra o retorno daquele que já veio e há de vir novamente, mas dessa vez virá entronizado e julgará os vivos e os mortos (At 10.42 e 2Tm 4.1). A segunda vinda de Cristo é o evento que deve ser aguardado por toda geração de cristãos. É salutar vivermos na perspectiva de sermos a geração que verá o “grande dia” chegar.

O anticristo é um termo presente apenas nos escritos joaninos, todavia, levando em consideração outras nomenclaturas, temos registros sobre ele em outras passagens da Escritura (Dn 11.36-37, MT 24.15 e 2Ts 2.3). Este representa não apenas um oponente do Senhor Jesus, mas alguém que deseja ocupar o seu lugar. Por isso, podemos presumir que sua oposição pode de início não ser aberta, e sim velada. O anticristo pode seduzir a muitos, pois ele tem o espírito do Enganador, e se colocar como alguém que está dando continuidade ao que Cristo iniciou. Ele será manifesto próximo ao retorno do Senhor, e terá obtido prestígio e veneração entre os que são do mundo. Será adorado como uma divindade e quando estiver estabelecido seu trono na terra, realizará uma ferrenha perseguição a Igreja, o que culminará em martírio dos crentes e apostasia, pois aqueles que são apenas cristãos nominais, diante da perseguição vão demonstrar sua verdadeira faceta de ímpios.

Só que antes que este anticristo final apareça, seu espírito já opera no mundo por meio de seus representantes infiltrados dentro da Igreja. João adverte que nas fileiras da própria Igreja encontramos alguns de seus algozes. Os falsos mestres e enganadores, os homens que desejam controlar o rebanho do Senhor por jactância e ambição estão entre estes anticristos. Estes vão se revelar com o tempo e voluntariamente abandonarão a Igreja para trilhar o que pensam ser seu próprio caminho, mas na verdade é o caminho de Satanás. João diz que mesmo eles tendo saídos do meio da congregação, nunca pertenceram a Jesus, de fato. Aqui fica um alerta: Ser membro de uma igreja não é sinal de pertencer a Cristo, muitos estão no lado oposto da batalha, são agentes do anticristo fingindo ser cristãos.

Unção e Conhecimento (20-23)

A Igreja é portadora da unção do Cristo. Ele é o ungido e foi ele quem nos ungiu com seu “óleo precioso da unção”. Este é um termo que é mal empregado em muitos arraiais evangélicos. Há quem fale em diversas “unções”. Lembro-me de uma música que falava assim “recebe a cura, recebe a unção. Unção de ousadia, unção de conquista, unção de multiplicação”. Isto é fruto de desconhecimento bíblico. A unção aqui é ter o Espírito Santo e com isso a clara distinção entre os que são separados por Cristo e os que são do mundo. Jesus foi ungido pelo Espírito Santo (At 10.38) e nos ungiu com o mesmo Espírito (At 1.8 e 2.4). Este Espírito é nosso selo, a marca que demonstra de quem somos propriedade (Ef 1.13).

Os mestres gnósticos afirmavam ter recebido uma unção especial, se achavam diferenciados. De acordo com a heresia da gnosis, existiam dois tipos de cristãos: os incipientes e os iluminados por um conhecimento que estava encoberto para os demais cristãos. Isso vai de encontro à ortodoxia bíblica. A única distinção visível nas Escrituras é entre crentes e incrédulos, eleitos e não eleitos, salvos e não salvos. Dentre os crentes não existe divisão. Todos estão sob a tutela do mesmo Espírito, n’Ele batizados na mesma fé (1Co 12:13 e Ef 4:4). Por isso, João afirma que o conhecimento da verdade está atrelado a verdadeira unção no Espírito, marca de todo o cristão. É o Espírito Santo quem livra o crente do engano, fazendo com que ele não abrace o conteúdo herético dos falsos mestres.

A heresia se manifesta na negação do senhorio de Jesus Cristo. Não existe nenhum caminho para se chegar a Deus que não seja Cristo, ele é a única via (Jo 14.6), o único mediador entre o Pai celeste e os homens (1Tm 2.5). Quando algum ensino se desvia do que diz o Evangelho em busca de outras alternativas de crescimento espiritual ou salvação, ele deve ser prontamente rejeitado pelos que têm o Espírito Santo. Como afirma o apóstolo, a mentira não procede da verdade, sendo assim, os que estão firmes nas verdades reveladas na Palavra de Deus, inspiradas pelo Espírito, não irão sucumbir aos falsos ensinamentos e não negarão o senhorio de Jesus.

Firmeza no que já se conhece (24-27)

Para que se permaneça unido com Deus, o cristão deve se apegar aquilo que já foi transmitido e que ele já conhece como sendo palavra divina. A inovação doutrinária é um câncer que tem matado a comunhão de muitas igrejas com o Senhor. O apóstolo João afirma que não devemos buscar novidades, mas sim ter um alicerce na pregação apostólica (o que foi ouvido desde o princípio), pois esta é o fundamento da Igreja, que tem em Cristo a sua pedra angular (Ef 2.20). Não é à toa quando se diz que a pregação expositiva é uma marca distintiva de uma igreja saudável. E quando a Igreja permanece firme na Palavra, ela tem a garantia que veio do próprio Senhor e que está presente na Escritura. Jesus prometeu vida eterna para os membros do seu Corpo.

Diante daquilo que já é conhecido e tendo a unção do Espírito, a igreja está apta para enxotar de seu meio os enganadores. Não é necessário que alguém traga ensinamento novo. O apóstolo Paulo adverte que qualquer outra revelação que não se enquadre com o conteúdo da pregação apostólica deve ser considerada maldita (Gl 1.8). Diante da ameaça dos que querem enganar a Igreja com palavras persuasivas que estão em desacordo com a Escritura, sejamos intransigentes, isto é, não toleremos os falsos ensinamentos fazendo concessões. Quando se trata de ortodoxia - o correto ensino doutrinário - não pode haver espaço para a flexibilidade. Para erva-daninha não se coloca remédio, se coloca veneno. Nesse caso, a Palavra da Verdade mata a erva-daninha chamada heresia.

Aptos para o dia do Juízo (28-29)

Finalizando o capítulo 2, João associa a firmeza doutrinária a aptidão para comparecer disnte do SENHOR no dia do juízo. Aqueles que titubearam na ortodoxia serão envergonhados perante aquele que é Justo. Justiça aqui é equivalente à retidão ou santidade.  Podemos afirmar que todo aquele que tem consciência de quem Deus é, irá procurar viver de modo que O agrade. Por isso, os que demonstram frutos de justiça, isto é, andam de maneira íntegra, seguindo retamente os preceitos do Senhor sem adulterá-los com falsos ensinamentos, dão prova de que são nascidos de Deus.

O cristão precisa ter confiança e não medo do juízo vindouro, pois, está seguro em Cristo. Este nos justificou para que andemos como Ele andou, fazendo a vontade do Pai e recebendo a dádiva da vida eterna quando Ele voltar.

Aplicações

1. Preciso viver na expectativa da volta de Cristo, ansiando estar com ele no Reino dos céus. Não há nenhum prazer neste mundo que se compare ao gozo de desfrutar das bênçãos celestiais no lugar que Jesus tem preparado para os seus.

2. Não posso dar ouvidos aos falsos ensinamentos, e devo confrontar todo e qualquer ensino com a Palavra da Verdade. Conhecimento de Deus e da palavra revelada é marca indelével de um cristão.

3. Não devo temer o dia do juízo, mas sim confiar de que meus passos andarão por caminhos retos, não por algo de bom que exista em mim, mas porque Aquele que me guia é a luz que me faz enxergar o chão em que piso e a cidade celestial que já desponta no horizonte.

Louvado seja Deus!  

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