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26 de dez de 2016

A Maravilha do Natal

Por Hugo Wagner Silveira Melo

Essa é uma época do ano quando, querendo ou não, somos levados a pensar no nascimento de Cristo. Eu desejaria que houvesse outros dias mais de Natal ao ano. Pois seriamos mais vezes levados a refletir sobre o Cristo que nasceu na Manjedoura. Charles H. Spurgeon falando sobre Natal diz:

“Posto que é legitimo e digno de elogio meditar na encarnação do Senhor em qualquer dia do ano, não está no poder das superstições de outros homens converter tal meditação imprópria no dia de hoje (Natal). Então, sem importar a data, devemos dá graças a Deus pelo dom de Seu Filho amado”. [1]

“O dia de Natal é realmente uma benção para nós... No entanto, ainda que não sigamos os passos de outras pessoas, não vejo dano algum em pensarmos na encarnação e no nascimento do Senhor Jesus”[2]

O evento do qual Spurgeon esta falado é totalmente bíblico. Nós celebramos o Natal porque não podemos erradicar a partir de nossa consciência a nossa profunda consciência da diferença entre o sagrado e o profano.  Quando Deus apareceu a Moisés na sarça ardente, o fundamento de que era anteriormente comum de repente se tornou raro. Agora era terra santa - espaço sagrado. Aonde Deus toca, torna-se lugar santo. Nunca houve um lugar mais santo do que a cidade de Belém, onde nasceu o Redentor. Como relatar a profecia: “E tu, Belém Efrata, posto que pequena entre os milhares de Judá, de ti me sairá o que governará em Israel, e cujas saídas são desde os tempos antigos, desde os dias da eternidade.” (Mq 5:2)

A palavra Belém quer dizer “casa de pão”; Efrata significa “Fecundidade” ou “abundância”. Ele teria que nascer em Belém Efrata, pois seria o alimento de seu povo, pois dali seria dado ao homem o pão da vida. Como também nos faria fecundos: Jesus é que nos faz fecundos. “Quem está em mim, e eu nele, esse dá muito fruto” (João 15:5) Gloriosa Belém Efrata! Fértil casa de pão – a casa de abundante provisão para o povo de Deus! Nossos pobres corações infrutíferos e famintos, nunca produziram nenhum fruto, nenhuma flor e nem o pão que nos saciaria. É o seu nascimento que enriquece o solo de nossos corações, que alimenta a nossa alma faminta. Esse é o maravilhoso natal.

Passo a listar três razões pelas quais considero maravilhoso o nascimento de Cristo:

Em Primeiro Lugar, porque Declara a Fidelidade De Deus

Toda a história da Bíblia constrói um clímax, pré-anuncia o nascimento do Messias naquele estábulo a mais de dois mil anos atrás, essa historia, nos mostra a progressão da revelação de Deus quanto ao seu ato redentivo. 

Adão e Eva mal tinha digerido o fruto proibido quando Deus pronunciou a promessa de uma descendência que feriria o calcanhar da serpente (Gn 3.15). Em seguida, Deus escolheu a família de Abraão, para servir como um canal de bênção para todas as nações através do seu descendente, Cristo (Gl 3.16). Em cerca de mil anos antes do nascimento de Cristo; Deus escolheu Davi para ser rei sobre Israel. Não só o Messias será um descendente de Abraão, mas também um descendente do rei Davi, ele seria conhecido como a raiz Davi, no qual reinaria no trono por toda eternidade.

 Os profetas anunciavam a vinda do Messias; Aquele que seria a semente da mulher; O Emanuel – Deus conosco; O cabeça do pacto; Aquele que existia desde os tempos eternos: O Leão da tribo de Judá, cujo o seu Rugido ecoa até hoje; a grande Luz para os que andavam nas trevas e o Maravilhoso Tudo isso preparando o terreno para a chegada do Messias e para o cumprimento da promessa. Como bem falou Martyn Lloyd-Jones:

“Aqui esta o Grande cumprimento. E por isso vocês podem dar-se conta de que todos os profetas e salmistas do Velho Testamento viram isto. Eles olhavam para o futuro; sabiam que este evento iria cumprir todas as promessas...”[3]

O nascimento de Cristo nesse mundo é o cumprimento de todas as promessas de Deus. Quando Mateus abre seu Evangelho, ele apresenta Jesus como o filho de Abraão e filho de Davi, a organização da genealogia de Jesus estão em três séries de catorze gerações, cada uma desde Abraão até Davi, de Davi até o exílio, e desde o exílio até Jesus. Lucas, da mesma forma, mostra que, em Jesus, a uma infinidade de promessas feitas no passado que têm encontrado o seu cumprimento. João, finalmente, retrata Jesus como o verbo pré-existente de Deus que se fez carne e tabernaculou conosco.
Esta é a matriz messiânica tecida pelos escritores bíblicos sobre a história redentiva. Para aqueles que têm abraçado a mensagem do Natal - que Jesus é o restaurador e salvador do seu povo nascido de uma virgem por obra do Espirito Santo, essa é a história da redenção. Neste evento, vemos que Cristo cumpre o texto do antigo pacto. Ele cumpre as suas verdades e doutrinas.  Ele cumpre as suas cerimônias e rituais. Ele cumpre as suas promessas e profecias. Ele é o ponto central da história. E nesse sentido, vemos a fidelidade de Deus.
A Segunda razão pelo qual o nascimento de Cristo é maravilhoso: porque revela o Poder de Deus
Martyn Lloyd-Jones nos mostra que esse é o sentido do natal, é Deus revelar o seu poder:
“Deveria ser evidente por si mesmo que o que se anuncia é inteiramente de Deus. É o anuncio do que Deus fez, faz, e fará. Essa é a essência disso tudo... Deus fez. Deus manifestará o seu PODER. É disso que trata o natal”. [4]
O anjo declara a Maria: "O Espírito Santo virá sobre ti, e o poder do Altíssimo te encobrirá; portanto, a criança que vai nascer será chamado santo - o Filho de Deus "(Lc 1:35). Essa criança que nasceu normal, foi fruto da ação sobrenatural do Espirito em sua concepção, isso porque veio do seio do Pai. O nome do Altíssimo é o superlativo do termo grego para a altura. Em outras palavras, Deus é o mais alto: "Eis que o céu e o céu dos céus não te podem conter" (1 Rs 8:27.). Esta é a vinda do próprio Deus em forma humana. Esta é a chegada do unigênito do Pai, a humanização e a manifestação da onipotência Divina. 
Maria ficou perplexa por causa de tão grande revelação sobre aquele que haveria de nascer dela. Aquele filho que seria gerado em seu ventre é ao mesmo tempo filho do eterno de Deus. Essa criança que haveria de nascer de Maria tinha a procedência e todas as propriedades da natureza Divina, assim como haveria de ser um homem completo com todas as propriedades essenciais que um ser humano possui.
Sobre as duas naturezas de Cristo, Paulo nos ensina escrevendo aos Gálatas: “Mas vindo a plenitude dos tempos, Deus enviou seu filho, nascido de mulher, nascido sob a lei” (Gl 4.4). Em Cristo, temos o criador e criatura, a força e fraqueza, o eterno e o temporal, a imutabilidade e mutabilidade, independência e dependência, o infinito e o finito. Em Cristo a natureza humana e a natureza divina estão unidas, mantendo-se distinta. Sua natureza humana absorver Sua natureza divina e sua natureza divina absorver Sua natureza humana. Ele é totalmente Deus e totalmente homem em uma pessoa. Isso é maravilhoso demais! Talvez você pergunte, por quê? Eu responderia dizendo que essa é a nossa única esperança de salvação. Se não houvesse a união das duas naturezas numa só pessoa, a pessoa Divina do verbo não poderia ser representante de pecadores. Pois se o salvador tivesse somente a natureza Divina, ele não poderia sofrer as penalidades divinas no lugar do pecador; Mas também o redentor deveria ser homem em todas as coisas. É isso, que o escritor aos hebreus nos diz: “Por isso convinha que, em todas as coisas, se tornasse semelhante aos irmãos”... (Hb 2.17). só assim, sendo homem, Cristo seria capaz de ser o nosso substituto. Como Deus, Cristo é capaz de suportar os nossos pecados sem ser corrompidos com eles. Se Ele tivesse sido um mero homem - embora um homem perfeito - Ele não podia ter assumido a imputação do nosso pecado sem ser corrompido por ele. Se Jesus fosse somente um homem, ele não poderia realizar ao nosso favor e nem em nosso lugar a obra para a qual veio. O redentor deveria ser verdadeiro Deus e verdadeiro homem para ser um poderoso salvador.
A Terceira e ultima razão por que o natal é maravilhoso: porque revela a Graça de Deus
Aqui Deus revela o proposito final do seu pacto da redenção e da graça; E o alvo final desse pacto é o Cristo. Natal é o anuncio da maravilhosa obra de Deus, é Deus descendo para salvar graciosamente o seu povo. O anjo declara a José: "Ela dará à luz um filho; e lhe porás o nome de Jesus, porque ele salvará o seu povo dos seus pecados" (Mt.1:21). Note que, Cristo salva o seu povo dos seus pecados. Por quê? Porque os nossos pecados nos afastam de Deus. Os nossos pecados ofendem a Deus. Como resultado, estamos sob a condenação Divina. Cristo salva o seu povo  dos seus pecados. Como? "Ele levou os nossos pecados em seu corpo sobre o madeiro..." (1 Ped. 2:24). Isso é substituição. Seu sangue satisfaz as santas exigências de Deus e por isso o natal é maravilhoso, porque é o derramar do perdão gracioso de Deus sobre pessoas indignas. É Deus nos dando aquilo que não merecemos. Isso é graça!
Vemos essa verdade na genealogia de Cristo. Abraão está listado nela; E o mesmo mentiu sobre a identidade da sua esposa, a fim de salvar sua própria pele. Jacó está listado; Ele foi um enganador, enganou seu próprio pai, enquanto ele estava deitado em seu leito de morte e também o seu próprio irmão. Davi está listado; Ele foi chamado o homem segundo Deus, o mesmo foi um adúltero e assassino. Ele tirou a vida de um homem, que teria de bom grado dado a sua. Rute está na lista; Ela é fruto de uma relação ilícita entre Ló e uma de suas filhas; Ela é uma moabita – de uma nação sob maldição! Quanta vergonha e desgraça! O que todas essas pessoas têm em comum conosco?  Uma natureza pecadora e totalmente necessitada da graça salvadora de Deus. Por isso Cristo veio, para salvar o seu povo dos seus pecados.
O nascimento de Jesus Cristo trouxe ao homem o evangelho da graça de Deus; É chamado de o “evangelho da graça” por que alcança o pecador num estado de miséria e de desmerecimento; por que anuncia a redenção sem que o pecador tenha que fazer coisa alguma, sendo uma obra exclusiva de Deus; E por isso Ele sendo Deus, tomou a forma de servo; Sendo o Criador, tornou-se uma criatura; Ele não tinha pecado, mas se fez pecado por nós; Ele era o prazer do Pai, mas Ele se tornou o objeto da ira Divina. Por que Ele fez isso? Ele fez tudo isso, a fim de salvar o seu povo dos seus pecados. Essa é a maravilha do Natal! 

BIBLIOGRAFIA

[1] Charles Haddon SPURGEON, “A Alegria Nascida em Belém” Ed. Projeto Spurgeon – Edição 24 de Dezembro de 1871, Newington, Londres. p.4

[2] Charles Haddon SPURGEON, “A Encarnação e o sofrimento de Cristo” Ed. Projeto Spurgeon – Edição 23 de Dezembro de 1855, Em New Park Street Chapel, Southark – Londres.. p.1

[3] Martyn Lloyd-Jones, “Sermões Natalinos” Exposição do Magnificat, Ed. PES - Bryntirion Press, 1ª Edição em Português 2009, p.67


[4] Martyn Lloyd-Jones, “Sermões Natalinos” Exposição do Magnificat, Ed. PES - Bryntirion Press, 1ª Edição em Português 2009, p.33

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