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21 de set de 2016

Fale (ou escreva) o que é bom para a edificação: minha vindicação

Por Alan Rennê Alexandrino

Na chamada parte prática da Epístola aos Efésios o apóstolo Paulo, dentre vários mandamentos, apresentou o seguinte aos cristãos efésios: “Não saia da vossa boca nenhuma palavra torpe, e sim unicamente a que for boa para edificação, conforme a necessidade, e, assim, transmita graça aos que ouvem” (4.29). Nos versículos anteriores Paulo aplica a sua doutrina afirmando que os efésios deveriam andar de modo diferente dos gentios, isto é, daqueles que não conhecem a Deus. Como? Eis a resposta: “na vaidade dos seus próprios pensamentos, obscurecidos de entendimento, alheios à vida de Deus por causa da ignorância em que vivem, pela dureza do seu coração, os quais, tendo-se tornado insensíveis, se entregaram à dissolução para, com avidez, cometerem toda sorte de impureza” (v. 17). De acordo com ele, não foi dessa maneira que os efésios aprenderam. Seus leitores deveriam se despojar do velho homem, “que se corrompe segundo as concupiscências do engano, e vos renoveis no espírito do vosso entendimento, e vos revistais do novo homem, criado segundo Deus, em justiça e retidão procedentes da verdade” (vv. 22-24).

A partir daí o apóstolo apresenta os seguintes imperativos:

1. Deixem a mentira e falem a verdade uns aos outros, pois somos membros uns dos outros (v. 25);

2. Irem-se sem pecar. Não permitam que o sol se ponha sobre sua ira (v. 26);

3. Não deem lugar ao diabo (v. 27);

4. Aquele que furtava pare com essa prática. Comece a trabalhar, fazendo com as próprias mãos o que é bom, para também ter condições de socorrer aqueles que estão em necessidade (v. 28);

5. Não falem palavras torpes, mas apenas aquelas que contribuírem para a edificação mútua (v. 29);

6. Não entristeçam o Espírito de Deus, pois vocês foram selados nele para o dia da redenção (v. 30);

7. Lancem fora toda amargura, cólera, ira, gritaria, blasfêmias, bem como toda malícia (v. 31);

e 8. Sejam benignos uns com os outros, perdoando-se uns aos outros, segundo o que o próprio Deus, em Cristo, fez (v. 32).

Convém voltar nossa atenção para o versículo 29, onde Paulo fala do conteúdo das nossas palavras. Em primeiro lugar, Paulo nos proíbe falar aquilo que é “torpe”. A palavra grega utilizada aqui é σαπρς – saprós, que significa literalmente, de acordo com o Friberg Lexicon: “deteriorado, podre, apodrecido ou decomposto”.[1] Ainda de acordo com o mesmo léxico, o termo também pode significar, de modo mais geral “inútil, sem valor, impróprio”.[2] De acordo com outro léxico, o Thayer’s Greek Lexicon, o termo foi usado pelo filósofo grego Aristófanes, no 5º século antes de Cristo, para falar daquilo que foi “corrompido pela idade e já não é mais apto para uso”.[3] De modo geral, o termo fala daquilo que é de “qualidade pobre, má, inadequado para o uso e indigno”.[4] É interessante notar que este léxico também destaca que a palavra é oposta a καλς – kalós, que significa “bom, excelente em sua natureza e características”.[5]

Sendo assim, o apóstolo Paulo, ao nos proibir de falarmos aquilo que é torpe não está pensando apenas em palavras chulas, imorais e vergonhosas. Ele tem em mente qualquer tipo de palavra má, ímpia e pecaminosa. Isso inclui, por exemplo, a maledicência e a fofoca, que são pecados através dos quais o nome de alguém é difamado, caluniado etc. Jerry Bridges, em seu fantástico livro PECADOS INTOCÁVEIS, aplica o versículo 29, dizendo o seguinte:

“Ao examinarmos Efésios 4.29, observamos que não devemos permitir que nenhuma conversa corrupta saia de nossa boca. Essa conversa não se limita a palavrões e obscenidades. Inclui todos os tipos de conversas negativas que mencionei anteriormente. Note a proibição absoluta de Paulo. Nada de palavra destruidora. Nenhuma sequer. Isso significa nada de fofoca, nada de sarcasmo, nada de críticas, nada de palavras grosseiras. Todas essas conversas malignas que geralmente destroem outra pessoa têm de estar fora de nossas conversas”[6].

Em vez de palavras más, nossa palavra deve ser “unicamente a que for boa para edificação, conforme a necessidade, e, assim, transmita graça aos que ouvem”. Primeiramente, Paulo diz que aquilo que falamos deve ser bom para edificação. O que significa “edificar”? Seria uma palavra edificante apenas aquela que traz enlevo à nossa alma, que desperta bons sentimentos em nossos corações, que produz em nós boas sensações? Há alguma possibilidade de uma palavra edificante suscitar uma resposta de oposição ao pregador/escritor? Além disso, há alguma desarmonia ou incompatibilidade entre a palavra boa para a edificação e a veemência, a firmeza das convicções e a ousadia no falar?

O termo grego para edificação é οκοδομ - oikodomê, que fala de uma construção, um edifício cuja construção avança rumo ao seu acabamento. Novamente evocando o Thayer’s Greek Lexicon, o termo fala “da ação de alguém que promove o crescimento de outrem na sabedoria, piedade, santidade e felicidade cristãs”.[7] Comentando Efésios 4.29, o reformador João Calvino diz que interpreta a ordem de Paulo “como sendo o progresso de nossa edificação, pois edificar é progredir, avançar”.[8] Assim, a edificação busca que o outro avance, cresça, vá adiante, progrida na fé cristã.

É interessante que versículos antes o apóstolo Paulo fala do ofício pastoral e sua relação com a edificação dos crentes: “E ele mesmo concedeu uns para apóstolos, outros para profetas, outros para evangelistas e outros para pastores e mestres, com vistas ao aperfeiçoamento dos santos para o desempenho do seu serviço, para a edificação do corpo de Cristo” (4.11-12). Assim, o objetivo do Senhor Jesus ao conceder pastores e mestres à sua Igreja é o aperfeiçoamento dos santos e a edificação do corpo de Cristo. Logo em seguida, ele acrescenta um alvo positivo e outro negativo. O alvo positivo é até que “cheguemos à unidade da fé e do pleno conhecimento do Filho de Deus, à perfeita varonilidade, à medida da estatura da plenitude de Cristo” (v. 13). Já o alvo negativo é: “para que não mais sejamos como meninos, agitados de um lado para outro e levados ao redor por todo vento de doutrina, pela artimanha dos homens, pela astúcia com que induzem ao erro” (v. 14).

Com isto em mente, com qual objetivo pastores e mestres devem trabalhar? O que eles devem pretender ao pregarem, ensinarem, falarem e escreverem? Pelo princípio de 4.29, aquilo que edifica as pessoas de acordo com a necessidade. De acordo com 4.12, isso significa que, de um lado, que suas ovelhas se tornam cada vez mais parecidos com o Senhor Jesus Cristo. De outro, que elas não sejam suscetíveis aos maus ensinamentos dos falsos mestres. Paulo deixa claro que parte da natureza do ministério pastoral é ser combativo, veemente, firme e ousado frente à enxurrada de falsos mestres que estão em operação. Ele tem seus olhos postos na atuação de falsos mestres que podem enganar os cristãos. D. Martyn Lloyd-Jones, em sua exposição dessa passagem nos diz que, “de todos os perigos, nenhum é maior do que ‘o engano dos homens’ e a astúcia com que eles enganam fraudulosamente’”.[9]

Esse perigo é reforçado quando observamos o ensinamento geral das Escrituras a respeito das falsas doutrinas e da postura combativa que o pastor deve adotar, a fim de repelir o erro. Nesse sentido, precisamos lembrar que o apóstolo Paulo, escrevendo a Timóteo, afirma que a linguagem dos falsos mestres “corrói como câncer” (2Timóteo 2.17). Escrevendo a Tito, Paulo fala daqueles que eram “insubordinados, palradores frívolos e enganadores” (1.10). A palavra de Paulo a Tito a respeito desses homens foi: É preciso fazê-los calar, porque andam pervertendo casas inteiras, ensinando o que não devem, por torpe ganância” (1.11). No versículo 13, Paulo continua: “Portanto, repreende-os severamente, para que sejam sadios na fé”. Pela regra de Efésios 4.29, Tito deveria falar de modo que contribuísse para a edificação conforme a necessidade. Há alguma incompatibilidade entre esse princípio e as ordens dadas por Paulo em sua carta pastoral? De modo nenhum! No caso específico, Tito estaria contribuindo com a edificação das outras pessoas a partir do momento em que fizesse os falsos mestres calarem e os repreendesse severamente. Fazê-los calar e repreendê-los severamente não é incompatível com a boa palavra que coopera para a edificação dos outros. Antes, é algo que está incluído. Pela regra de Efésios 4.12-14, ao silenciar e repreender os falsos mestres, Tito estaria cooperando para a edificação dos santos, para que eles não fossem enganados pela astúcia dos falsos mestres.

Nesse sentido, podemos pensar também em como o princípio de Efésios 4.29 se aplica ao ministério daquele que é conhecido como o último profeta do Antigo Testamento, João Batista. O ensino de João Batista compreendia o chamado ao arrependimento: “Arrependei-vos, porque está próximo o reino dos céus” (Mateus 3.2; conferir Marcos 1.4). No entanto, ao se dirigir aos muitos fariseus e saduceus que iam até ele para serem batizados, o discurso de João Batista adquiria um tom ainda mais forte: “Raça de víboras, quem vos induziu a fugir da ira vindoura? Produzi, pois, frutos dignos de arrependimento; e não comeceis a dizer entre vós mesmos: Temos por pai a Abraão; porque eu vos afirmo que destas pedras Deus pode suscitar filhos a Abraão. Já está posto o machado à raiz das árvores; toda árvore, pois, que não produz bom fruto é cortada e lançada ao fogo” (Mateus 3.7-10). É bom observar que, de acordo com Lucas, esse discurso também era dirigido às multidões, e não apenas aos fariseus e saduceus (Lucas 3.7). Qual foi mesmo o fim de João Batista, por ter ele se pronunciado contra o pecado de Herodes? Todos sabemos. Seria ele o tipo de profeta benquisto? Por qual razão ele não era benquisto? Teria ele errado ao falar como falou? Teria ele agido contra o princípio da edificação? Eu creio que a resposta é óbvia.

E Jesus? Ah, com Jesus é diferente. Afinal de contas, ele disse: “Vinde a mim, todos os que estais cansados e sobrecarregados, e eu vos aliviarei. Tomai sobre vós o meu jugo e aprendei de mim, porque sou manso e humilde de coração; e achareis descanso para a vossa alma. Porque o meu jugo é suave, e o meu fardo é leve” (Mateus 11.28-30). Palavras doces, não é mesmo? Certamente, tratam-se de palavras edificantes. No entanto, este mesmo Jesus, em diversas ocasiões, endureceu o seu discurso, foi veemente, ousado e intolerante em seus pronunciamentos. O que dizer do escandaloso discurso registrado em Mateus 23.13-36, no qual, por sete vezes Jesus se dirigiu aos escribas e fariseus, dizendo: “Ai de vós, escribas e fariseus, hipócritas”? O que dizer das duras expressões usadas para adjetivar os escribas e fariseus, como por exemplo, “Ai de vós, escribas e fariseus, hipócritas, porque rodeais o mar e a terra para fazer um prosélito; e, uma vez feito, o tornais filho do inferno duas vezes mais do que vós!” (Mateus 23.15)? Não é possível deixar de perceber que, aqui, Jesus chamou os escribas e fariseus de “filhos do inferno”! Ele também os chamou de “insensatos e cegos!” (v. 17), “guias cegos” (vv. 16,24), “sepulcros caiados, que, por fora, se mostram belos, mas interiormente estão cheios de ossos de mortos e de toda imundícia!” (v. 27), “serpentes, raça de víboras!” (v. 33), condenados do inferno (v. 33). O que dizer de tais palavras de nosso Senhor? Foram elas ditas para edificação? Elas serviram ao propósito de edificar os santos e, assim, livrá-los dos falsos mestres que enganam com todo tipo de astúcia? Certamente, que sim!

Temos ainda o famoso sermão sobre o Pão que desceu do céu, registrado em João 6. Qual foi a reação dos judeus que ouviram as palavras de Jesus naquela ocasião? Eis: “Muitos dos seus discípulos, tendo ouvido tais palavras, disseram: Duro é este discurso; quem o pode ouvir?” (João 6.60). As palavras de Jesus, disseram os judeus, foram duras. De acordo com eles, tal discurso era insuportável. No versículo 66 está escrito: “À vista disso, muitos dos seus discípulos o abandonaram e já não andavam com ele”. Tudo ia bem até Jesus adotar um tom ousado e veemente em suas palavras. Ele era “edificante” até pregar o sermão de João 6. Mas, teria Jesus falhado em dizer palavras propícias à edificação daquelas pessoas, uma vez que elas não gostaram, na verdade, não suportaram aquele discurso? Ou será que, sim, Jesus disse palavras edificantes e a culpa estava, na realidade, nos corações dos ouvintes? Eu acredito firmemente que as palavras de Pedro respondem a estes questionamentos: “Respondeu-lhe Simão Pedro: Senhor, para quem iremos? Tu tens as palavras da vida eterna” (v. 68). Pedro reconhece que aquele duro discurso, aquele discurso intolerável para muitas pessoas era, na verdade, constituído de palavras de vida. Aquele discurso intolerável era, sim, um discurso edificante.

Não é incomum a existência de uma tensão em razão do discurso mais duro e combativo de ministros do evangelho. Isso ocorre mesmo dentro das igrejas cristãs. Isso ocorreu com Paulo e uma igreja local plantada por ele. Em 2Coríntios 10.10 Paulo reproduz o que era dito pelos crentes da igreja de Corinto a respeito daquilo que ele escrevia: “As cartas, com efeito, dizem, são graves e fortes; mas a presença pessoal dele é fraca, e a palavra, desprezível”. O contraste entre “as cartas graves e fortes” e a “palavra desprezível” é digno de nota. Era como se dissessem que havia uma diferença entre o Paulo no púlpito e o Paulo escritor. Escrevendo ele era ousado, forte, impetuoso, intolerante. E isso não agradava os coríntios. E como os coríntios julgavam a Paulo? Ele mesmo responde no versículo 2: “nos julgam como se andássemos em disposições de mundano proceder”. Será que, naquilo que escrevia, Paulo não atentava para a edificação dos coríntios? Não é este o caso. A carta inteira, então, é uma defesa de Paulo, da corretude do seu procedimento. O que mais chama a minha atenção é o fato de que temos aqui crentes que eram filhos na fé de Paulo, e que o julgavam dessa forma. Não é de admirar, pois, que o mesmo ocorra com pastores cujas igrejas não foram plantadas por eles.

Eu poderia falar também do que era experimentado pelos profetas do Antigo Testamento. Limito-me, todavia, a Jeremias, chamado para falar contra os pecados do povo de Deus. No capítulo 20 do seu livro nós nos deparamos com uma triste ocorrência. Somos apresentados a um homem chamado Pasur, filho do sacerdote Imer. O versículo 1 diz que Pasur “ouviu a Jeremias profetizando estas coisas”. Que coisas? Precisamos voltar ao verso 15 do capítulo 19: “Assim diz o SENHOR dos Exércitos, o Deus de Israel: Eis que trarei sobre esta cidade e sobre todas as suas vilas todo o mal que pronunciei contra ela, porque endureceram a cerviz, para não ouvirem as minhas palavras”. Jeremias proferira uma profecia de juízo, um anúncio de castigo da parte de Deus. O que Pasur fez? Como ele reagiu? Como ele tratou a Jeremias? Eis a resposta: “Então, feriu Pasur ao profeta Jeremias e o meteu no tronco que estava na porta superior de Benjamim, na Casa do SENHOR. No dia seguinte, Pasur tirou a Jeremias do tronco” (v. 2). Isso é simplesmente inimaginável! Um profeta espancado, amarrado a um tronco e deixado ao relento noturno! E por quê? Pela fidelidade a Deus! E Jeremias lamenta a sua situação diante do Senhor: “Persuadiste-me, ó SENHOR, e persuadido fiquei; mais forte foste do que eu e prevaleceste; sirvo de escárnio todo o dia; cada um deles zomba de mim” (v. 7). Ele era escarnecido. Ele era zombado. E por quê? Pela fidelidade a Deus! Mais à frente, do versículo 14 ao 18, o lamento de Jeremias ganha contornos ainda mais doloridos.

O que se requer, então, dos cristãos em relação aos seus ministros nesse sentido? Compreensão, simpatia, empatia e boa vontade. Pastores precisam ser combativos. Paulo deixou isso bem claro aos presbíteros de Éfeso (Atos 20.17-35). Lobos vorazes que não poupam o rebanho penetram na igreja (v. 29). E, em nossos dias, isso acontece por meio da televisão e também da internet. Muitas vezes, do meio da própria liderança homens se levantam falando coisas pervertidas para arrastar os discípulos atrás deles (v. 30). Pastores precisam vigiar, estar atentos (v. 31). Eles precisam enfrentar tais lobos. E, ao fazerem isso, eles estão lutando pela edificação dos crentes. É uma tarefa dolorosa. É angustiante. É desgastante ter de lutar contra o erro, que muitas vezes se apresenta de modo sutil. Hebreus 13.17 diz que os crentes devem obedecer aos seus guias/líderes/ministros, pois eles velam por suas almas. E mais, os ministros prestarão contas pelas almas dos crentes. Meu coração acelera quando penso em que, um dia, eu estarei diante de Deus e prestarei contas pelas almas das pessoas que passaram pelos meus cuidados. E se eu não tiver vigiado atentamente contra os lobos? Se eu não tiver calado os falsos mestres? E se eu não os tiver combatido e repreendido? O que será de mim? Além disso, Hebreus 13.17 também diz que os crentes devem se submeter aos seus pastores, para que, no exercício do seu ministério eles façam isso com alegria e não gemendo. Será que quando uma ovelha se volta contra o ensino do seu pastor e o rejeita isso não faz com que ele gema?

Ainda evocando a Paulo, ele diz a Timóteo que “devem ser considerados merecedores de dobrados honorários os presbíteros que presidem bem, com especialidade os que se afadigam na palavra e no ensino” (1Timóteo 5.17). Afadigar-se na palavra e no ensino... Fadiga é o resultado natural do pastorado. Essa fadiga pode ser aumentada, dependendo da resposta ao ministério do pastor. Mas, o pastor, que se afadiga na palavra e no ensino, que se esforça por fazer os falsos mestres calarem, que os repreende, que os combate, que vigia contra os lobos, e, em tudo isso, ele busca a edificação da igreja, o que ele merece? Paulo diz: “dobrados honorários” ou “duplicada honra”, como diz a versão Corrigida Fiel. Encerro com as palavras de um pastor, Jonathan Edwards, que, no passado, foi alvo de incompreensão, e que falando sobre a excelência do ministro cristão, fez o seguinte apelo aos crentes:

E aqui me dirijo especialmente ao povo de Deus, cujas almas em breve estarão sob os cuidados dEle, mas agora está solenemente sendo separado para a obra do ministério.

Se de fato, vocês ouviram, é a excelência apropriada de um ministro do Evangelho ser como uma lâmpada que arde e alumia, então é dever de vocês orarem seriamente pelo seu ministro, a fim de que ele se encha com a luz divina e com o poder do Espírito Santo. Pois aqui vocês estarão orando por algo que é para o vosso próprio benefício. Pois se o ministro de vocês queimar e iluminar, será para a vida e luz de vocês. Aquilo que foi exposto, que é a principal excelência de um ministro, a fim de se tornar um ministro a maior bênção de todas as coisas que Deus sempre dá a um povo.

E como é dever de vocês, orar pedindo que seu ministro seja tornado uma bênção tal para vocês, então devem fazer a sua parte para que seja assim, apoiando-o, e colocando-o na melhor das circunstâncias, com uma mente livre dos cuidados do mundo, e a pressão das demandas e dificuldades exteriores, para que ele se dedique inteiramente à sua obra. E por todas as formas devidas de respeito, e gentileza, e ajuda, vocês devem encorajar seu coração, e fortalecer suas mãos. E tomar cuidado a fim de que não façam nada para obscurecer e apagar a luz que brilha no meio de vocês, e abafar e apagar a chama, ao lançar terra e sujeira sobre ela; ao ter o ministro de vocês a necessidade de se envolver em preocupações mundanas, pela indigência com que o tratarem; e ao desencorajarem seu coração pelo desrespeito e rudeza.
E, particularmente, quando o ministro de vocês se mostrar uma lâmpada que queima, ao queimar com o zelo apropriado contra toda e qualquer impiedade que talvez esteja acontecendo no meio do seu povo, e manifeste esse zelo ao testemunhar apropriadamente contra isso na pregação da Palavra, ou por um exercício fiel da disciplina da casa de Deus, em vez de receber isso com gratidão, e o apoiando nisso, como vocês devem, não levantem outro fogo, de natureza de oposição contra isso, qual seja, o fogo de suas paixões ímpias, se manifestando ao reprová-lo por sua fidelidade. Aqui vocês irão agir de inconformidade com o povo cristão, e se mostrarem muito ingratos para com seu ministro, e para Cristo, que lhes deu um ministro tão fiel. E irão também, enquanto vocês lutam contra ele, e contra Cristo, lutar mais eficientemente contra suas próprias almas.

Se Cristo deu a vocês um ministro que é uma lâmpada que arde e alumia, tomem cuidado para que vocês não odeiem a luz, porque suas obras são reprovadas por ela. Mas amem e se regozijem na sua luz; e isso não somente por um tempo, como os ouvintes apóstatas de João Batista; e venham à luz. Que o seu auxílio frequente seja o seu ministro para os assuntos da alma, e em relação a qualquer dificuldade espiritual. E estejam abertos à luz e desejosos de recebê-la. E sejam obedientes a ela. E assim andem como os filhos da luz, e sigam o seu ministro assim como ele é seguidor de Cristo, isto é, quando ele é uma lâmpada que arde e alumia. Se vocês continuarem a fazer isso, seus caminhos serão como o caminho dos justos, que brilha mais e mais até ser o dia perfeito, e o fim do curso de vocês será naquelas regiões de alegria da infinita luz do Altíssimo, onde vocês brilharão com o vosso ministro, e vocês com Cristo, como o sol, no reino de nosso Pai celeste.[10]

Em Cristo, Senhor nosso,

Alan

***

REFERÊNCIAS:

[1] BibleWorks 10.
[2] Ibid.
[3] Ibid.
[4] Ibid.
[5] Ibid.
[6] Jerry Bridges. Pecados Intocáveis. São Paulo: Vida Nova, 2013. p. 154.
[7] BibleWorks 10.
[8] João Calvino. Efésios. São José dos Campos: Fiel, 2007. p. 117.
[9] D. Martyn Lloyd-Jones. A Unidade Cristã: Exposição sobre Efésios 4.1-16. São Paulo: PES, 1994. p. 199.
[10] Jonathan Edwards. A Verdadeira Excelência do Ministro Cristão. Niterói, RJ: Interferência, 2012. pp. 47-50.

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