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27 de jan. de 2016

Três Razões para o Marido Amar a Sua Mulher

Por Luciana Barbosa

Do mesmo modo vocês, maridos, sejam sábios no convívio com suas mulheres e tratem-nas com honra, como parte mais frágil e co-herdeiras do dom da graça da vida, de forma que não sejam interrompidas as suas orações.”

1 Pedro 3.7

Antes de adentrarmos no assunto propriamente dito, gostaria de deixar claro para o leitor que a intenção não é defender o feminismo, antes mostrar o que a Bíblia diz sobre esta. Este artigo é fruto de uma série de palestras em alusão a festividade dos homens (da igreja em que congrego) que teve por tema: Homens perseguindo a masculinidade bíblica. Vejamos agora estas três razões de o porquê que o homem deve honrar sua mulher:

1. Porque ela é a parte mais frágil

Quando Pedro diz que esta é a parte, isso mostra a figura de vaso, então devemos ter em mente que ambos, homem e mulher são vasos, no entanto, a mulher é o vaso mais frágil, no sentido de estrutura, sentimentalmente, etc. Por isso, a necessidade de proteção, cuidado, zelo.

2. Ela é herdeira da mesma graça da vida

Ambos desfrutam das mesmas bênçãos espirituais, isto é, espiritualmente são iguais; em Cristo são iguais em importância, pois tanto ele quanto ela, ambos necessitam da graça de Deus. Na economia do casamento homem e mulher são iguais, porém exercem funções diferentes.

3. Para que as orações não sejam impedidas

Perceba o quanto é importante a maneira como se trata a esposa, pois, a Bíblia nos diz que se o marido não agir assim com a mesma, Deus não houve suas orações. Veja isso no mesmo texto de Pedro no versículo doze:

Porque os olhos do Senhor estão sobre os justos e os seus ouvidos estão atentos à sua oração, mas o rosto do Senhor volta-se contra os que praticam o mal".

Deus se interessa em observar o relacionamento do homem e sua mulher e, quando uma liderança é autoritativa ao ponto de gerar conflito no lar, cortando a relação entre ambos, rompem-se as orações do homem para com Deus. Não adianta adorar a Deus estando em conflito com sua esposa, pois Deus não ouve suas orações, é a Bíblia que nos diz.

A vida no lar deve levar os outros a glorificar a Deus, pois o culto constante de louvor a Deus é a forma como o homem trata sua esposa. O que estou querendo dizer é: Não adianta querer ser espiritual se você grita ou maltrata sua esposa. Lembre-se que a figura do casamento entre o homem e a mulher é a representação de Cristo e a igreja, sendo assim, antes de fazer qualquer coisa para sua esposa pergunte a si mesmo: Cristo faria isso? Falaria isso? Agiria dessa forma?

O padrão para o homem não é outro se não Cristo. O homem bíblico imita a Cristo!

“Maridos, amem suas mulheres, assim como Cristo amou a igreja e entregou-se a si mesmo por ela para santificá-la, tendo-a purificado pelo lavar da água mediante a palavra, e apresentá-la a si mesmo como igreja gloriosa, sem mancha nem ruga ou coisa semelhante, mas santa e inculpável”.

Efésios 5:25-27

25 de jan. de 2016

Graça Numa Sociedade Corrompida

Por Thomas Magnum*

Ao declinarmo-nos sobre a literatura do Antigo Testamento veremos que suas lições são preciosas para a vida comum e que não somente a lei foi importante para a religião judaica, mas, para o desenvolvimento da cultura ocidental que foi muito influenciada pela cosmovisão judaico-cristã. Ao partirmos do primeiro livro de Moisés – o Gênesis – notamos a magnífica construção teológica, literária e histórica desse livro que encabeça o grande tomo da revelação de Deus para os homens.

O valor dos ensinos bíblicos para o desenvolvimento da humanidade tanto nos âmbitos sociais, culturais; no que concerne ao estabelecimento de leis cívicas, sociais e políticas, também em outras esferas como a adoração do povo de Deus e a instituição da família como célula mater da sociedade nos fornecem um espectro que serve como compêndio instrutivo para entendermos o que Deus disse em sua revelação e qual é a sua vontade para a sociedade. Ao lermos Gênesis 1.26-31 temos então o que chamamos em teologia de mandatos da criação, são eles – cultural, social e espiritual.  Com base nesses mandatos dados ao primeiro casal no paraíso e compreendendo a grande linha interpretativa da Bíblia que podemos dizer que transcorre partindo da criação, depois a queda, redenção e consumação de todas as coisas.

Ao lermos que o pecado entrou no mundo e com isso a degeneração moral e espiritual do primeiro casal como representantes da raça servem como o ponto inicial para compreendermos o que o livro procura mostrar: que Deus criou o homem, que o homem pecou e foi destituído da glória de Deus, que Deus providenciou a redenção do homem e que Deus é quem guia a história com seu plano da promessa até culminar em Cristo no Novo Testamento, é importante saber que, em Gênesis 3.15 temos o proto-evangelho, a promessa da semente da mulher que seria a salvação prometida por Deus – Cristo Jesus.

Então ao lermos a narrativa bíblica nos capítulos seguintes, temos a descendência de Adão e Eva em seus filhos Caim e Sete (Pois Abel foi morto por seu irmão), vemos que o pecado continuou a multiplicar-se na semente de Caim. Ao chegarmos ao sexto capítulo do Gênesis lemos que [...] viu o Senhor que a maldade do homem se multiplicara sobre a terra e que toda a imaginação dos pensamentos de seu coração era só má continuamente[i]. E aqui propriamente chegaremos ao ponto de nossa reflexão, lemos neste capítulo a história de Noé e sua família obedecendo à ordem de Deus em construírem uma arca porque viria um grande dilúvio. Evidentemente meu ponto aqui caro leitor não é discutir sobre as possibilidades cientificas do dilúvio ou se ele foi territorial ou mundial, tomo por linha interpretativa que o dilúvio de fato aconteceu, é um fato. Com isso partimos para as manifestações da graça divina nesse capítulo da história humana. Comumente somos levados a acreditar que a graça de Deus só foi demonstrada no Novo Testamento, isso não procede, a graça é demonstrada ativamente desde a queda do primeiro casal. Ao chegarmos à história de Noé lemos que Noé, porém, achou graça aos olhos do Senhor [ii]Noé achou graça não só a despeito do pecado, mas também por causa de sua integridade (v.9) [iii]. Bruce K. Waltke nos diz que

Esta afirmação aparece em forma de clímax no final do relato dos descendentes de Adão. Noé representa um novo começo, uma inversão que foi antecipada em 5.29. Noé acha graça diante de Deus, não a despeito do seu pecado, mas em virtude da sua retidão (ver 6.9). O narrador deixa o seu auditório compreender que a retidão de Noé não é propriamente sua, mas um dom da graça de Deus, justamente como foi o dom da soberana graça que no coração de Eva foi posta a inimizade contra a serpente. Deus opera em Noé, como faz em todos os santos, tanto o querer quanto o realizar, segundo o seu beneplácito (Fp 2.13) [iv]

Notemos que a causa do juízo de Deus enviando o dilúvio era o pecado dos homem como vimos descrito no capítulo 6 e versículo 5 de Gênesis, no entanto encontramos em meio a essa manifestação da ira santa de Deus para com o pecado e consequentemente com pecadores a graça sendo manifestada através de Noé. Por Noé ter achado graça diante de Deus, agora foi alcançado por esse favor divino sua família seria preservada do juízo de Deus sobre a terra. Deus agraciou a família de Noé, não porque eram dignos, mas, porque a misericórdia divina assim o quis.

Ao lermos com atenção toda a narrativa de Gênesis veremos que há um contraste entre a queda do homem, sua degradação moral que desemboca nas instituições que ele está envolvido, na sociedade, na família, em seus negócios, e a graça de Deus que o beneficia, que o restaura, que o levanta para cumprir a promessa descrita no início do livro como vimos acima. Noé era um tipo de Cristo, a tipologia aqui é clara, como sua família foi salva por meio dele, os homens são salvos por meio de Cristo. Cristo é o cabeça da família, do seu povo que salvou dos seus pecados (Mt 1.21; Ef 5.25).

Ao lermos Gênesis, o texto nos diz com clareza a situação do mundo – A terra, porém, estava corrompida diante da face de Deus; e encheu-se a terra de violência.

E viu Deus a terra, e eis que estava corrompida; porque toda a carne havia corrompido o seu caminho sobre a terra [v]. Temos um caos moral devastador instalado, será que nos lembra algo? Será que nosso tempo é totalmente distante dessa realidade de pecado? Será que somos diferentes daqueles que viviam no tempo de Noé? Nos diz o apóstolo Pedro

Os quais noutro tempo foram rebeldes, quando a longanimidade de Deus esperava nos dias de Noé, enquanto se preparava a arca; na qual poucas (isto é, oito) almas se salvaram pela água; Que também, como uma verdadeira figura, agora vos salva, o batismo, não do despojamento da imundícia da carne, mas da indagação de uma boa consciência para com Deus, pela ressurreição de Jesus Cristo[vi].

O anúncio da graça ainda é ouvido, através de Cristo e somente dele o homem pode sair do caos espiritual, a ressurreição de Jesus nos proporciona esse batismo com água, nos dá graça, vida, paz e misericórdia. Em Noé temos a figura, em Cristo temos a manifestação perfeita e cabal da graça, Cristo é a pura manifestação da graça, o verbo feito carne, a porta. Cristo é a arca de Deus. Sua vida nos é comunicada na cruz e na ressurreição. Por isso a igreja é a comunidade da cruz, porque na cruz e no túmulo vazio recebemos redenção e justificação. Graça para uma sociedade corrompida somente em Cristo, a proclamação continua vindo agora da igreja semelhante a Noé que pregou a justiça de Deus, proclamamos a salvação e o juízo vindouro sobre toda carne que se volta contra o altíssimo:

E não perdoou ao mundo antigo, mas guardou a Noé, a oitava pessoa, o pregoeiro da justiça, ao trazer o dilúvio sobre o mundo dos ímpios[vii].
            
Diante da emergente situação de nosso país, diante da imensa problemática em vários setores da sociedade, diante da crise econômica, educacional, na saúde e até na religião a mensagem ainda é proclamada aos ouvidos do mundo caído, nos disse o Senhor no Santo Evangelho de Mateus:

O céu e a terra passarão, mas as minhas palavras não hão de passar. Mas daquele dia e hora ninguém sabe, nem os anjos do céu, mas unicamente meu Pai. E, como foi nos dias de Noé, assim será também a vinda do Filho do homem.

Porquanto, assim como, nos dias anteriores ao dilúvio, comiam, bebiam, casavam e davam-se em casamento, até ao dia em que Noé entrou na arca, E não o perceberam, até que veio o dilúvio, e os levou a todos, assim será também a vinda do Filho do homem [viii].

Nos vale a advertência das Escrituras Sagradas, Cristo é nossa arca, há graça, há vida, há ressurreição.
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[i] Bíblia Sagrada Corrigida Fiel, Gênesis 6.5.
[ii] Ibd. 6.8.
[iii] Bíblia de Genebra, cit. Comentário. Ed. Cultura Cristã, p.21.
[iv] Waltke, Bruce K. Gênesis. Ed. Cultura Cristã, 2010, p.143.
[v] Gênesis 6.11,12.
[vi] 1 Pedro 3.20,21.
[vii] 2 Pedro 2.5
[viii]  Mateus 24.35-39



* Publicado Originalmente na Revista Olhar Cristão.

22 de jan. de 2016

Calvino e as Relações de Trabalho

Por André Biéler

A ética calvinista do trabalho.

Como toda ética do reformador, a ética do trabalho baseira-se, portanto, na visão bíblica das realidades sociais. É uma ética teológica, que pode confirmar, mas não necessariamente, a ética natural, de uma humanidade atualmente desnaturada. A ética evangélica destina-se a servir de referência aos seres humanos para ajudá-los a discernir o bem do mal, porque bem e mal lhes são igualmente naturais, um como o outro.

A dignidade do trabalho humano, quando em conformidade com o desígnio de Deus, atém-se ao fato de que é, de certa forma, o prolongamento do trabalho que o próprio Deus empreende para a manutenção de suas criaturas. É a resposta à vocação que este Deus lhes dirige para que elas se utilizem das riquezas da criação, postas por ele, gratuitamente, à disposição delas. A despeito dessa eminente dignidade, a obra humana permanece, porém, obra profana. Não poderia aspirar à sua sagração. Quem a executa assume toda a responsabilidade perante Deus e perante os homens.

Todavia, por causa de sua natureza desnaturada, o homem despreocupa-se da glória de Deus e, por conseguinte, do bem de seu próximo. Crê poder dispor de seu trabalho como bem lhe parece, de forma autônoma e egoísta. Pode mesmo fazer dele seu Deus. E pensa, naturalmente, que pode dispor igualmente, como bem lhe apraz, do trabalho alheio e, particularmente, dos frutos do trabalho daqueles que por ele são remunerados. Assim, desligado da ordem de Deus que lhe confere seu sentido e sua dignidade, esse trabalho pode transformar-se em servidão, maldição, e tornar-se, para si mesmo e para os outros, fonte de sofrimentos e lágrimas. Degrada-se o ponto de não ser considerado mais que simples mercadoria, como o destacarão os economistas do século XIX.

O que se faz mister, portanto, para que o trabalho recupere seu sentido original? Urge que seja novamente considerado como serviço e reconhecido como tal, com sua dignidade. E para tanto, faz-se preciso que o homem restaure sua situação perante Deus. Faz-se necessário que se associe de novo, pessoalmente, à obra espiritual que Deus persegue incansavelmente no mundo, para o bem de todas as suas criaturas. E é preciso que associe igualmente a essa obra divina seu próprio trabalho e o dos outros.

Paradoxalmente, para isso acontecer, o homem deve parar momentaneamente de trabalhar, a fim de readquirir nova comunhão com Deus. É necessário que silencie diante dele, para escutá-lo. Esse é o significado do Deus (Gênesis, c. 20). É o dia da santificação, a saber, da marcha espiritual, pela qual cada indivíduo é convidado a reencontrar sua verdadeira identidade de criatura de Deus, motivada e estimulada por seu amor.

Assim, o repouso humano não possui valor em si mesmo. Se proporciona ao trabalhador um descanso físico e psicológico desejado, necessário, isso é uma feliz consequência, mas um efeito secundário. Não é o reencontrar-se com Deus, com a comunidade dos crentes, retornar às fontes e reencontrar, assim, o sentido da sua vida inteira, e particularmente de seu trabalho. “Os fiéis”, escreve Calvino, “devem repousar de seus próprios trabalhos, a fim de permitir que Deus opere neles.” E “agir é, pois, aderir em todas as coisas à ação de Deus”.

Ora, essa tomada de posição do homem diante de Deus só é possível pela mediação de Cristo. Para que reconquiste o justo sentido de sua existência e de seu trabalho, o homem deve entrar na comunhão com Deus pelo caminho que lhe abre Cristo. É necessário, pois, passar pelo arrependimento e deixar-se santificar, restaurar, pelo espírito de Deus. E essa santificação opera-se na comunidade dos fiéis, na comunhão com aqueles que buscam em conjunto a renovação da sua existência. Assim, somente dessa forma o trabalho cotidiano pode readquirir seu significado e reencontrar sua qualificação. Só desse modo pode tornar a ser uma obra em conformidade com o desígnio de Deus e restabelecer entre os homens relações sociais justas. Eis porque o mandamento bíblico da santificação do dia do repouso faz menção às relações do trabalho, ao relacionamento entre senhores e súditos, isto é, em termos modernos, entre patrões e operários, entre empregadores e empregados, entre os que fornecem o capital da empresa e os que executam o trabalho. A espiritualidade cristã, quando autêntica, não é, pois, fuga da interioridade. É contemplação do agir de Deus, que quer ser, claramente, o árbitro das relações humanas no trabalho, na cidade e, também, nas trocas comerciais e financeiras. Aliás, como também em todos os demais domínios da vida. (Mas estes não constituem objetos das reflexões desta obra.)

Pode-se, por isso, dizer, com toda justiça, que Calvino conferiu ao trabalho sua dignidade. Mas, é um equívoco censurá-lo por haver instituído a religião do trabalho. Se protestantes, ou mesmo sociedades de origem calvinista, vieram a ceder a essa extravagância, como se pode constatar por vezes (examinar-se-á esse assunto), é porque adotaram ideologias profanas que, como o liberalismo integral ou o marxismo, consideram o trabalho sem levar em conta o sentido que Deus lhe empresta. Fazem dele um valor em si, autônomo, apartado de suas raízes espirituais e da ética que delas deriva, detentoras de seu verdadeiro significado. Acrescentamos que esse sentido do trabalho não é estático, mas dinâmico. A vocação de Deus não enclausura o cristão em atividade imutável. Ao contrário, é apelo para enfrentar, de maneira flexível, as situações novas. Porque Deus, que convoca o homem ao trabalho, age sempre no contexto de uma história concreta e evolutiva, que obriga cada indivíduo a adaptar-se às circunstâncias.

A ociosidade, o desemprego e os lucros abusivos.

Já que o trabalho, sob a ótica calvinista, é obra pela qual o homem se realiza correspondendo à vocação que Deus lhe dirige, a ociosidade é vício que corrompe a humanidade. O repúdio ao trabalho, assim como a preguiça, significa para o homem a negativa de corresponder à expectativa de Deus, uma forma de ruptura com ele. “A bênção do Senhor”, escreve Calvino, “está nas mãos daquele que trabalha. É certo que a preguiça e a ociosidade são malditas por Deus.”

É por isso que Calvino denuncia a culpa dos que obtêm suas posses do trabalho alheio, sem proporcionar à comunidade trabalho pessoal, serviço real (remunerado ou não). Descreve esses “ociosos e inúteis que vivem do suor alheio e, portanto, não prestam contribuição alguma para ajudar o gênero humano”.

Eis nos novamente bem distantes tanto dos usos da sociedade feudal anterior à Reforma quanto dos que prevaleceram em seguida nas sociedades onde floresceu o capitalismo primitivo ou selvagem. Que nessas sociedades alguns trabalham demasiadamente, enquanto outros são conduzidos ao repouso forçado, eis um indício grave do esquecimento da ética cristã ou do desprezo por ela. É por isso que, pelas mesmas razões teológicas relacionadas com o valor do trabalho, o desemprego não pode ser tolerado, nem admitido, como uma fatalidade do ponto de vista desta ética. Já que o trabalho é essa obra indispensável, pela qual o homem se realiza na obediência a Deus, o desemprego é uma calamidade social que deve ser combatida com o máximo vigor. Privar o homem do seu trabalho é verdadeiro crime. É, de certa forma, subtrair-lhe um pouco a vida. “Se bem que recebamos nosso alimento da mão de Deus”, escreve Calvino, “ele nos ordenou trabalhar, O trabalho é eliminado? Então a vida humana é aviltada.” “Sabemos que toda a renda de todos os artesãos e operários decorre de poder ganhar a vida…”. “Então, já que Deus lhes depositou assim a vida em suas mãos, isto é, no seu trabalho, privá-los dos bens necessários é como degolá-los.”

A ética reformada do trabalho ordena, portanto, ação social eficaz para prevenir o desemprego e intervir em benefícios de suas vítimas.

Tal ética estava na origem das múltiplas intervenções de Calvino e de seus colegas na luta contra esse flagelo. Para eles não estava em discussão abandonar-se à filosofia do “laisser-faire”, que prevaleceu mais tarde na ideologia profana do liberalismo integral e dos economistas sem imaginação. Preconizavam a intervenção moderadora do legislador para melhor distribuição de bens em função da conjuntura. Não imaginavam, tampouco, que o Estado devesse assumir a função econômica: isso equivaleria a subtrair aos indivíduos suas responsabilidades e iniciativas, inerentes à sua vocação, preocupada com o próprio trabalho e com o alheio. E a ociosidade, que a ética cristã combate, não pode ser encorajada, também, por uma lassidão social tolerante demais para com os preguiçosos.

Sempre em função de seu significado espiritual e ético, o trabalho de cada indivíduo deve ser respeitado e não é lícito dele retirar lucro abusivo. “Deus nos ensina”, escreve ainda Calvino, “que nos cabe tratar com tal humanidade os que cultivam a terra para nós, que eles não sejam onerados imoderadamente, mas possam prosseguir no seu trabalho e nele tenham oportunidade de dar graças a Deus.” Deus quer “corrigir a crueldade que existe nos ricos, os quais empregam pessoas pobres, mas não as recompensam pelo seu trabalho”.

Então, se a liberdade é indispensável ao exercício da vocação para o trabalho, que Deus dirige a toda pessoa humana, essa liberdade não pode ser considerada isoladamente, independente da busca de justa solidariedade entre os parceiros sociais, todos os atores da economia.

Sabe-se com que vigor Calvino se esforçou para pôr em prática o ensino espiritual e ético que ele ministrava cotidianamente. Interveio constantemente junto às autoridades, tanto para eliminar a ociosidade quanto para combater o desemprego, que se tornava ameaçador quando os refugiados estrangeiros afluíram para a cidade de Genebra. Foi em razão de suas insistências que o Pequeno Conselho, um dos conselhos da cidade, estimulou a criação de novas indústrias, como a tecelagem, depois as manufaturas de tecidos de seda para criar assim novos postos de trabalho e absorver o desemprego.

O conceito reformado do salário.

É sempre a partir de considerações teológicas particulares que Calvino define uma ética concreta. E assim é, mais notadamente ainda, a propósito do salário.
    
O salário humano retira seu significado de uma analogia com a recompensa que Deus concede ao homem por suas obras. De fato, ela depende unicamente de seu amor. Tudo o que recebe um ser humano é devido à graça de Deus. É ele que provê gratuitamente a sustentação da vida, por pura misericórdia. “Falando com propriedade”, escreve Calvino, “Deus nada deve a ninguém.” “Qualquer obrigação de que nos desincubamos, Deus não está absolutamente obrigado a pagar-nos salário algum.”

Na sua bondade, porém, Deus não abandona suas criaturas sem lhes dar o que lhes é necessário para viver. Remunera suas obras, não por obrigação, mas por amor. “Por sua bondade gratuita, oferece-nos salário”, escreve ainda o reformador, “aluga nosso trabalho, o qual lhe é devido mesmo sem a remuneração.”
    
O salário humano concedido a todo o trabalhador é, portanto, a expressão tangível do salário gratuito e imerecido com que Deus privilegia a obra de cada indivíduo. Assim, por mais profano que seja, o salário se reporta à obra de Deus. Expressa de forma visível a intervenção de Deus em favor da frágil existência humana. Além disso, porque esse salário é o sinal da graça de Deus, não pode ser considerado como favor, que o dono do trabalho possa dispor como bem lhe aprouver. Dando ao trabalhador a remuneração de seu trabalho, o dono nada mais faz que transferir ao próximo aquilo a que este tem direito da parte de Deus.

Por causa desse significado espiritual e ético conferido ao salário, o produto do trabalho não pertence, portanto, mais ao patrão que ao operário, ambos sócios na atividade comum. Em conjunto, recebem o produto como a recompensa providencial de seu esforço. Patrões e empregados são, em conjunto e igualmente, devedores de Deus segundo os dons que receberam e puseram em atividade, sem mérito maior para uns ou outros. Devem, portanto, repartir esses frutos de comum acordo, livremente, mas levando em conta a contribuição inicial a responsabilidade de cada um. Disso decorre que não se trata simplesmente de regular-se pela lei da oferta e da procura, sem qualquer outra consideração ética. E mesmo que tal ética jamais haja sido aplicada à letra, é sua orientação espiritual que importa observar. A negociação, aqui como em qualquer lugar, deve ocorrer. A negociação é um princípio social superior, que deriva diretamente do fato de que nenhum ator econômico é, sozinho, dono do que produz em conjunto com os outros. O produto permanece sinal concreto da graça de Deus, um dom a partilhar.

Contra a exploração dos trabalhadores.

Por certo Calvino não ignora as regras do mercado. Mas, precisamente estas, não podem ser as únicas que devem ser levadas em conta. Devem ser complementadas e corrigidas de acordo com essas referências espirituais e éticas. Impõe-se especialmente levar em consideração as necessidades e a dignidade de todos os parceiros. É que a avidez ameaça sempre perverter as relações sociais, particularmente quando a conjuntura é adversa para os trabalhadores mais fracos.
    
“Eis como muitas vezes procedem os ricos”, escreve Calvino. “Espreitam as ocasiões favoráveis para reduzir à metade os salários dos pobres, quando estes não têm onde empregar-se. Estes estão desprovidos de tudo, dirá o rico, tê-los-ei por um pedaço de pão, porque precisam, embora contra a vontade, se renderem a mim. Dar-lhes-ei meio salário e têm de contentar-se. Quando, pois, usamos de tal maldade, conquanto não tenhamos negado salário, há sempre crueldade, e lesamos um pobre.”
   
Destarte, em matéria de remuneração, o que é justo sob o aspecto da ética está, muitas vezes distante do que é a norma no mundo econômico.
   
Sem que, nem por isso, recomende a revolução dos assalariados explorados, o reformador constata que Deus está atento às reclamações dos trabalhadores espoliados: ele não se esquece dos empregadores que abusam deles. De fato, “com que maior violência se pode deparar”, escreve, “do que fazer morrer de fome e de miséria os que nos fornecem o pão com o seu trabalho? E, apesar disso, essa maldade tão absurda é muito comum. É que existem muitas pessoas que possuem temperamento tirânico e pensam que a humanidade foi feita somente para eles. São Tiago afirma que o salário grita, porque tudo o que os homens retêm em seu poder, ou por fraude, ou por violência ou força, clama vingança aos gritos. Faz-se imperioso observar o que acrescenta: o grito dos pobres chega até os ouvidos de Deus, a fim de que saibamos que as maldades, que lhes são feitas, não ficarão impunes”.

Ainda nessa matéria, Calvino interveio junto aos seus colegas para que a ética da justa remuneração fosse aplicada na sua cidade. Àquela época, como na maioria dos países vizinhos, a população atravessava período difícil, caracterizado por alta generalizada do custo de vida. Os salários não acompanhavam essa elevação. Os assalariados menos aquinhoados, o proletariado, entraram em agitação. Em 1559, o Conselho, para prevenir qualquer rebelião, proibiu a reunião de trabalhadores, suprimindo seu direito a associação. Advieram perturbações sociais, entre os gráficos principalmente. Sob a iniciativa dos pastores, o Conselho, de comum acordo com os representantes da profissão, tomou medidas para regulamentar a atividade gráfica. Graças a essa intervenção e à ponderação dos interessados, Genebra evitou as greves que perturbaram Lion e Paris naqueles tempos. Essa paz social, obtida mediante a negociação entre todas as partes, contribuiu para a recuperação da economia de Genebra e para seu desenvolvimento rápido em comparação com as economias vizinhas.

Legitimidade do comércio, das trocas e da divisão do trabalho.

Enquanto a sociedade medieval menosprezava o comércio, o Cristianismo reformado o reabilitou inspirando-se, uma vez mais, no ensinamento bíblico. Já que Deus convocava cada indivíduo para uma missão particular, explica Calvino, torna-o dessa forma dependente do trabalho e dos serviços alheios. Assim, pois, cada indivíduo tem necessidade de usufruir das outras atividades humanas. Certa divisão do trabalho está, portanto, em conformidade com o desígnio de Deus. Ela manifesta a interdependência de suas criaturas e acentua a utilidade dos vínculos que a atividade econômica tece na sociedade. Cada indivíduo é dependente dos outros. Desse modo expressa-se a solidariedade que liga os homens entre si. E tal solidariedade implica troca permanente entre os indivíduos, reciprocidade de serviços. O comércio, por consequência, é o corolário da vocação individual para um trabalho particular. As trocas são por conseguinte indispensáveis para que se realize a ordem social harmoniosa que Deus quer ver reinar entre os homens. Nenhum deles pode bastar-se.

É pouco provável, porém, que Calvino tenha aplicado essas observações, tais quais foram feitas, à divisão industrial do trabalho que não conheceu, levada ao exagero, como o foi, a partir do século XIX. É que tal divisão, que reduziu o homem a simples máquina, destruiu a própria natureza do trabalho criador, individual, resposta a uma vocação personalizada.

Como todas as outras atividades humanas, as trocas somente são úteis se estão em conformidade com a vontade de Deus, à ética cristã. Mas o homem desnaturado inclina-se a falsear esse tipo de relações econômicas. A fraude e a desonestidade insinuam-se nas trocas e desnaturam-nas. “Quando não mais se pode comprar nem vender”, diz Calvino, “a companhia dos homens é como que destruída.”

Ora, os autores de tal subversão são acima de tudo os especuladores e os açambarcadores, já numerosos no século XVI, que, por todos meios artificiais, entravam a circulação dos bens e dos produtos, causando-lhes a raridade e aumentando destarte os lucros.
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Fonte: A Força Oculta dos Protestantes. Ed. Cultura Cristã. P. 124-131. 

20 de jan. de 2016

Jesus e o Sola Scriptura

Por Thiago Oliveira

Sola Scriptura tornou-se o lema mais conhecido da Reforma Protestante. Dele derivam outros quatro “solas”, todavia focaremos apenas neste e na sua relevância. No século 16, quando a Reforma eclodiu, a Igreja Católica Romana colocava a tradição em pé de igualdade com o texto sagrado. Assim, uma doutrina que não tivesse respaldo bíblico poderia ser aceita desde que tradicionalmente fosse adotada pelos pais da igreja, por resoluções conciliares e decretos papais. Lutero, Zuínglio, Calvino, Knox e antes deles Wycliffe e Huss, foram vozes que denunciaram esse preceito e com todas as letras declararam que somente a partir das Escrituras é que as doutrinas devem ser estabelecidas, pois, esta é a forma mais segura de se saber sobre Deus e sobre nós mesmos, afinal de contas, Deus se revelou desta maneira.  
      
A Bíblia é o nosso livro revelacional. Tudo o que sabemos sobre o evangelho de Jesus Cristo está em suas páginas. Ela fala do Salvador desde o Gênesis até o Apocalipse. O que chamamos de Antigo Testamento apresenta o Cristo como uma profecia, uma promessa, uma esperança de salvação. Já no Novo Testamento temos o cumprimento de todo o prenúncio veterotestamentário. Toda a Bíblia é inspirada e nos serve como fonte de revelação para que sejamos edificados mediante o seu conteúdo. A Escritura precisa assumir o seu lugar central em nossas vidas. Infelizmente, ela tem sido periférica até mesmo em nossos cultos, mas o lema da Reforma não foi escolhido à toa, acredito que Sola Scriptura tenha sido orquestrado pelo próprio Deus para lembrar ao seu povo de que este é o povo do livro, detentor da Palavra revelada. Desde então, em cada geração, homens tem sido levantados para bradar estas palavras latinas e defender a autoridade única da Bíblia em nos conduzir até o SENHOR dos senhores. Os homens são conduzidos à fé através da Palavra e este é o método ordinário que Deus usa para chamar os seus eleitos para Si.

Alguns cristãos cometem o equívoco de achar que os dois testamentos bíblicos são concorrentes e que o Novo tornou o Antigo obsoleto. É como se este último fosse apenas um registro do que Deus havia dito e feito para os judeus. Isso está bem longe da verdade. O Antigo Testamento é tão vívido e tão atual que é constantemente citado no Novo. C.S. Lewis, certa feita, disse que o Novo Testamento é uma colcha de retalhos feita com citações do Antigo, de tanto que Jesus e os apóstolos o citam. Até partes em que pensamos que Cristo e seus discípulos apresentaram algo novo, na verdade o que eles fizeram foi aprofundar um conceito que já estava presente no cânon hebraico. Vejamos o quanto Jesus fez uso do Antigo Testamento, que era a Escritura compilada de sua época.

- Lendo Isaías em Nazaré

Ainda no começo de seu ministério Jesus parte para Nazaré, cidade em que foi criado, onde residiam familiares e amigos. Num sábado, vai até a sinagoga e segundo o registro de Lucas (4.14-30) lê Isaías 58.6 e 61.1,2. Ao terminar de ler, devolve o rolo ao assistente e quando todos têm os olhos fitos nele, exclama: “hoje se cumpriu a Escritura que vocês acabaram de ouvir”. O texto do profeta era uma profecia messiânica, ou seja, após ler o que estava escrito (Sola Scriptura) a respeito do Cristo, Jesus afirmou ser ele o prometido a Israel. Muitos ficaram intrigados, a grande maioria rejeitou a sua mensagem, mas ele fez o que era de costume: ia até a sinagoga e através de um manuscrito do Antigo Testamento começava a ensinar que aquilo era um testemunho sobre si mesmo. Mais adiante, ao ser perseguido por causa de sua pregação, Jesus diz aos judeus: “Se vocês cressem em Moisés, creriam em mim, pois ele escreveu a meu respeito. Visto, porém, que não creem no que ele escreveu, como crerão no que eu digo? (Jo 5.46,47)”. É no Pentateuco, isto é, nos cinco primeiros livros da Bíblia que Jesus vai afirmar que estão as bases para que creiamos nele. Isso corrobora ou não com o Sola Scritura?

- Citando Deuteronômio na Tentação

Antes de ter chegado a Nazaré, o Filho de Deus havia sido tentado no deserto (ver Lc 4.1-13) e lá, diante de todas as armadilhas falaciosas de Satanás, defendeu-se usando por três vezes o livro de Deuteronômio. Na primeira resposta que deu, usou Dt 8.3, depois rebateu outra mentira diabólica com Dt. 6.13 e por fim utilizou Dt 6.16. O Diabo foi derrotado pela Palavra. Jesus poderia ter derrotado o seu adversário de qualquer outra forma, mas quis demonstrar o poderio do texto sagrado frente às tentações que o nosso vil tentador lança sobre nós. Será que nós deveríamos almejar vencer portando outra arma que não seja a Escritura?

- Ética com base no Gênesis

Quando indagado acerca do divórcio (ver Mt 19), a resposta de Jesus foi baseada em Gn 2.24. Assim, fundamentado em um princípio da Escritura, afirmou que não competia aos homens separar aquilo que tinha sido Deus quem havia juntado. O casamento tem uma base moral, é realizado mediante juramento. Logo, trata-se de uma questão ética. Os princípios éticos que devem nortear os cristãos são os encontrados na Bíblia, por isso dizemos que ela é nossa regra de fé e prática. Jesus foi abordado e questionado com argumentos que derivavam da tradição humana e respondeu com um princípio bíblico. Estamos imitando o nosso Mestre?

- Agindo sem ferir a Escritura

Jesus e os doze colhiam espigas num dia de sábado e foram repreendidos pelos fariseus (ver Mt 12). A acusação era de que eles estavam fazendo algo ilícito. A resposta dada por Jesus é novamente embasada na Escritura. Ele responde fazendo uma pergunta “Vocês não leram o que fez Davi quando ele os seus companheiros estavam com fome?”. A referência está em 1 Samuel 21 quando o Rei Davi e seus homens comeram os pães que eram destinados apenas aos sacerdotes. Obviamente os fariseus tinham lido, pois, esta era uma parte importante do seu trabalho de intérpretes da lei. Jesus estava agindo sem ferir a Escritura e diante da acusação mostrou que sua atitude era respaldada com um exemplo que vem da Bíblia. Será que em nosso meio há esta convicção? Será que nossos atos coadunam com o que está na Bíblia?

- Caminhando e Expondo o Texto Sagrado

Após morrer e ressuscitar, Jesus aborda dois discípulos que estavam caminhando na estrada para Emaús. Entristecidos e confusos, os dois discutiam enquanto andavam. Jesus se aproximou sem que eles o reconhecessem e perguntou o que estava se passando (ver Lc 24.14-35). Eles estranharam a pergunta, pois, era de conhecimento de todos o que havia acontecido com Jesus de Nazaré, mas responderam. Eles começaram a relatar os fatos e até disseram que a tumba estava vazia e que as mulheres e os apóstolos confirmavam isso, porém estavam tão atordoados que não conseguiam ligar os fatos. Cristo, ainda sem ser reconhecido, tratou de confortá-los e elucidou que tudo aquilo era cumprimento do que estava registrado no Antigo Testamento. “E começando por Moisés e todos os profetas, explicou-lhes o que constava a respeito dele em todas as Escrituras”. Isso é algo magnífico. A Palavra encarnada explicava a palavra revelada e registrada na lei e nos profetas. A Bíblia é a testemunha mais segura da pessoa e da obra de Cristo, e o próprio fazia uso com maestria desse testemunho. Quando falamos sobre Jesus em nossa evangelização, adotamos a Escritura como fonte suprema de revelação ou procuramos fontes nada confiantes para testemunharmos do Evangelho?

Finalizo esse texto enfatizando que terminei com uma pergunta em todos os tópicos acima. Se alguém não reparou, peço que releia novamente, agora com mais atenção, e procure responder todas elas. É importante que as respostas retratem uma alta estima pela Bíblia. Acredito que tenha ficado muito claro o papel central das Escrituras na vida do cristão. Vimos que o próprio Cristo deu um imenso destaque ao texto sagrado. Não poderia ser diferente, a Bíblia é o livro que foi escrito para revelar as boas novas de salvação e Cristo é a o salvador do mundo.

Soli Deo Gloria

20 de dez. de 2015

Jesus: Verbo, Luz e Natal!

Por Thiago Oliveira

*Texto Base: João 1.1-14

Introdução

João começa o seu Evangelho de um modo diferente. O nascimento de Jesus não é relatado como em Mateus e Lucas, que narram os fatos tal como aconteceram. João fala sobre o mesmo assunto, porém elabora uma sentença teológica e nos diz que o Verbo se fez carne e habitou entre nós (v.14). A expressão que foi traduzida como o Verbo, ou Palavra em algumas versões, é um termo grego muito abrangente: logos. O que o apóstolo intencionou ao se utilizar dessa expressão? O que estava querendo ensinar aos seus leitores?

19 de dez. de 2015

O Imensurável Amor de Deus

Por Hugo Wagner

As Escrituras frequentemente testemunham a respeito do amor de Deus. Elas falam dele como o Deus de amor (2 Co 13.11) e declaram que Ele é amor (1 Jo 4.8,16). João descreve Deus como sendo amor. Amor é a essência de Deus. Como podemos definir esse amor de Deus? Por que ele é tido como imensurável?

Segundo Berkhof o amor de Deus pode ser definido como a perfeição de Deus pela qual Ele é movido eternamente à sua própria comunicação. De forma mais detalhada, Paulo Anglada, em seu Livro, Soli Deo Gloria define: “O amor trata-se de um atributo essencial do seu caráter como ser moral, que caracteriza as suas relações internas e externas." Interna para consigo mesmo; e externamente para com as suas criaturas, que ele se manifesta por meio da sua bondade, longanimidade, misericórdia e graça". 

18 de dez. de 2015

A Onisciência de Deus

Por Gordon Clark

Não somente o livre arbítrio é incapaz de livrar Deus da culpabilidade, e a permissão é incapaz de coexistir com a onipotência, mas o posicionamento arminiano também não consegue firmar uma posição lógica para a onisciência. Uma ilustração romantista-arminiana é a do observador posicionado num penhasco. Na estrada abaixo, à esquerda do observador, um carro dirige-se para o oeste. À direita do observador, um carro vindo do sul. Ele pode ver e saber que haverá uma colisão no cruzamento logo abaixo dele, mas a sua presciência, segundo reza o argumento, não causa o acidente. Deus, semelhantemente supõe-se, tem conhecimento do futuro sem, entretanto, causá-lo.

16 de dez. de 2015

Maravilhosa Graça

Por Luciana Barbosa

E, quando vós estáveis mortos nos pecados, e na incircuncisão da vossa carne, vos vivificou juntamente com ele, perdoando-vos todas as ofensas, havendo riscado a cédula que era contra nós nas suas ordenanças, a qual de alguma maneira nos era contrária, e a tirou do meio de nós, cravando-a na cruz. E, despojando os principados e potestades, os expôs publicamente e deles triunfou em si mesmo.”

Colossenses 2:13-15

Escutando o sermão do pastor na igreja nesse texto de Paulo aos colossenses, num domingo à noite, me senti mais uma vez constrangida por essa tamanha e maravilhosa graça que me alcançou. Glória a Deus! Tantas vezes falamos da graça de Deus, agradecemos por ela, mas será que temos a real noção e entendimento do que seja a graça de fato? Sabemos qual a sua devida importância para nossa salvação? Podemos começar vendo o conceito de graça e sua extensão em nossas vidas.

15 de dez. de 2015

Música, Arte, Beleza e o Sagrado

 
Por Thomas Magnum*
“Toda arte que eu faço, todo som entoado, não é mais que uma grande vontade de Te conhecer”.

Marcos Almeida

Quando comecei meus estudos musicais, ainda adolescente, ficava impressionado com a seriedade que amigos não cristãos levavam seus estudos, e a disciplina e a rotina tanto nas tarefas de teoria musical, exercícios de leituras de partituras, como no estudo prático do instrumento. Lembro-me que tive uma professora de ética profissional no antigo Centro de Criatividade Musical do Recife, onde estudei guitarra, ela dizia que o músico deve valorizar seu trabalho, deve dedicar-se aos estudos com afinco e seriedade, deve ser um pesquisador, deve amar aquilo que faz. Essas palavras ficaram em minha mente durante muitos anos. Tive professores cristãos e não cristãos, mas, o que também me chamava atenção é que havia alguns que estudavam apenas para se sustentarem e outros que, além disso, tinham uma paixão perceptível naquilo que faziam.