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29 de fev de 2016

Cristo: Nosso Formoso Ajudador

Por Thiago Oliveira

Texto Base

1 João 2:1-6

1. Meus filhinhos, escrevo-lhes estas coisas para que vocês não pequem. Se, porém, alguém pecar, temos um intercessor junto ao Pai, Jesus Cristo, o Justo.

2. Ele é a propiciação pelos nossos pecados, e não somente pelos nossos, mas também pelos pecados de todo o mundo.

3. Sabemos que o conhecemos, se obedecemos aos seus mandamentos.

4. Aquele que diz: "Eu o conheço", mas não obedece aos seus mandamentos, é mentiroso, e a verdade não está nele.

5. Mas, se alguém obedece à sua palavra, nele verdadeiramente o amor de Deus está aperfeiçoado. Desta forma sabemos que estamos nele:

6. aquele que afirma que permanece nele, deve andar como ele andou.

Introdução

João, provavelmente era muito idoso ao escrever esta epístola. Ele usa um tom muito terno para falar com a igreja. O termo “meus filhinhos” demonstra o amor e o afeto que este homem nutria pela igreja do Senhor. E após demonstrar a universalidade do pecado e seus efeitos nocivos (Capítulo 1), diz que seu objetivo é fazer com que os irmãos não pequem. A pergunta que surge é: Mas como? Se todos somos pecadores e se dissermos que não temos pecado estaremos mentindo, como não pecar?

Aqui veremos a nossa incapacidade de vencermos sozinhos e de uma maneira bastante clara, entenderemos qual o papel de Cristo e como ele atua em nós depois que o conhecemos e nos convertemos a sua pessoa. A singularidade do Evangelho, uma religião da graça, fica evidente nos versículos que se seguem.

O Papel de Cristo (1-2)

Alguns cristãos não entendem a graça. Vivem uma vida de legalismo e incerteza, pois, acham que por terem pecado, perdem a salvação e precisam fazer algo por conta própria afim de reverter esta situação e não serem pegos de surpresa quando Cristo voltar para apanhar os que são seus. Não é isto que diz a Escritura. A salvação pertence ao Senhor (Jn 2.9). Se Cristo nos resgatou e nos salvou por sua graça, não há nada que nos tire de suas mãos. Você só perde aquilo que está sob a sua responsabilidade, não é o caso da salvação. Jesus quando verteu seu sangue na cruz, cobriu nossos pecados passados, presentes e futuros. O que você fez de errado e o que ainda fará repousa no perdão de um salvador que é misericordioso e que não deixou a sua obra expiatória , isto é, quando tomou para a si a punição que nós deveríamos cumprir, incompleta.

Todavia, também a quem não compreenda a graça e aja de uma forma leviana, achando que por termos o perdão dos nossos pecados, a nossa consciência não deve pesar ao infligirmos às leis de Deus. Quem assim procede não compreendeu o evangelho e possivelmente é alguém que não foi regenerado pelo Espírito Santo. Temendo esse entendimento errôneo, o apóstolo João diz “escrevo-lhes estas coisas para que vocês não pequem”. Mas e se pecarmos? Evidente que pecaremos, e quando isto acontecer, o nosso Salvador entra em ação na função de parakletos.

O que em algumas versões leva o termo de “advogado” e em outras “intercessor” é a palavra grega parakletos. Em seu uso comum, ela indica alguém que se coloca do lado de outrem com a finalidade de ajudar. Essa ajuda pode vir em forma de consolo ou sustento, mas aqui, a ideia é de alguém que se lança em defesa de uma pessoa. Por isso que os tradutores em língua portuguesa traduziram esta palavra como “advogado”. Ora, este é o papel de quem advoga, defender a causa do seu cliente. Nesse caso, Jesus comparece diante de Deus Pai e fala em nosso favor, para que assim, o Supremo Juiz tenha misericórdia de nós, pobres pecadores. Mas Cristo só defenderá os pecadores arrependidos que vão até ele implorando para que ele tome nosso caso em suas mãos e interceda em favor de nós. O Messias não é do tipo “advogado de porta de cadeia”. Precisamos ir até a sua presença e rogar pelo perdão. Se nosso coração não estiver contrito e o pecado não nos entristece, não teremos a mediação do nosso Parakletos diante d’Aquele que é Senhor e Juiz. Mas se nos arrependermos e confessarmos, o Salmista nos diz: “um coração quebrantado e contrito, ó Deus, não desprezarás” Salmos 51:17. Assim temos a certeza de que o Senhor será conosco.

E qual o argumento de Cristo ao interceder ao nosso favor? Ele apela para a sua própria justiça. Como ele é justo e foi obediente em todas as coisas, ele tem as credenciais para nos conferir justiça. Se somos absorvidos no tribunal celestial, é graças a Jesus Cristo, o justo. Por isso ele deve ser magnificado e exaltado em nossas vidas. Se passarmos 24 horas do dia, sete dias por semana, agradecendo ao nosso Salvador, ainda seria muito pouco se comparado a grande obra que ele fez pelos que são seus. O Evangelho não é uma religião de obras, pois, “Pela graça sois salvos, mediante a fé, e isso não vem de vós, é dom de Deus, não vem de obras para que ninguém se glorie”. Efésios 2.8-9. Toda glória seja dada ao Cordeiro Santo, Filho de Deus, nosso SENHOR!

A outra função de Cristo é a de aplacar a Ira de Deus e nos reconciliar com Ele. Por isso que o apóstolo João nos diz que ele é a nossa propiciação. Este termo remete ao sacrifício feito no Templo. O sumo-sacerdote sacrificava um animal que tomava o lugar do homem pecador e o sangue do sacrificado era aspergido no propiciatório. Ali a Ira de Deus era apaziguada, ou para ser mais literal, desviada. E porque motivo Deus se ira? Pelo pecado! Uma coisa que deve ficar muito clara para todo cristão é que um Deus Santo não pode conviver com o pecado. Sua ira não é uma cólera sem motivo, mas sim, algo que visa à preservação de sua santidade. A santidade divina jamais deverá ser maculada, e por isso todo o pecador seria fulminado diante de Deus. E por que não somos? Porque Jesus desviou para si a Ira de Deus. Ele sentiu na pele e fez isso por amor. Cristo torna vívido aquele versículo que diz “As misericórdias do Senhor são a causa de não sermos consumidos, porque as suas misericórdias não têm fim” Lamentações 3:22.

E o sacrifício de Cristo é universal. Não ficou restrito aos judeus. Ele é a propiciação “pelos pecados de todo o mundo”. Como diz em Apocalipse 5:9: "Tu és digno de receber o livro e de abrir os seus selos, pois foste morto, e com teu sangue compraste para Deus homens de toda tribo, língua, povo e nação”.

A Santificação que Opera em Nós (3-6)

Após tratar sobre a remissão, João falará daquilo que a sucede, a saber, a santificação. Se Cristo nos perdoa, intercede ao nosso favor e apazigua a ira divina, nos reconciliando com o Pai, ele também faz brotar em nós santidade, moldando o nosso caráter ao dele. Por isso que a obediência aos mandamentos do Senhor é uma clara evidência da nossa salvação. Não somos salvos por termos realizado boas obras, mas a Escritura é clara quando afirma que somos salvos para tal (vide Efésios 2:10). Se os mandamentos são um reflexo do caráter santo de Deus, nós só cumpriremos estes mandamentos se este divino caráter estiver sendo formado em nós. Por isso, aquele que conhece a Deus deve ser alguém marcado com o zelo pela obediência a Palavra de Deus.

A fé cristã não se resume a um assentimento teórico. Precisamos vivenciar a nossa fé e com um bom testemunho a graça de Deus vai sendo manifesta através de nossas vidas. Quem se diz conhecedor da Palavra e não a pratica, está mentindo, e não possui a verdade. Quem obedece a Palavra tem o amor de Deus aperfeiçoado em si e demonstra que é alguém que faz parte do rebanho do Supremo Pastor.

“Aquele que afirma que permanece nele, deve andar como ele andou”. A força dessas palavras deve nos impelir a olharmos para nós mesmos e fazer uma avaliação. Será que temos levado o evangelho a sério? Trazemos conosco o nome de cristãos e nos damos conta da responsabilidade que esta nomenclatura representa? Um cristão é um “pequeno Cristo”, um seguidor que caminha na direção em que seu Mestre aponta. Mas e o pecado? Ele não nos impede de seguir a Cristo? Sim! Contudo, somos o que Lutero sabiamente chamou de “pecadores e justos”. Embora ainda tenhamos a nossa natureza carnal, os que Cristo comprou com seu sangue foram declarados justos e herdaram a sua justiça. Assim, não teremos mais uma vida desregrada, pecando de maneira indiscriminada e sem pesar. O pecado irá nos rondar, vez ou outra cairemos, mas diferente do tempo em que não conhecíamos a Cristo, estamos sob processo de santificação.

Certa feita, determinado pregador ilustrou da seguinte maneira a santificação: Imaginemos um carro que corta diversos lugares pela estrada. Com frequência, seus pneus estouram e precisam ser trocados, mas o motorista apenas remenda-os. Digamos que isso ocorre a cada 2 mil quilômetros. Este seria o carro do pecador que não se arrependeu de seus atos e não se entregou a Cristo. Já o convertido, que está sendo santificado dia após dia, este tem um percurso mais tranquilo. Seu pneu será trocado a cada 40 mil quilômetros, pois, quando estourar, será trocado por um novo. A troca de pneus é uma ilustração do ato de pecar. Alguém santificado é alguém que peca, mas com uma menor intensidade e gravidade que um incrédulo. Perfeição? Esta será obtida apenas na Glória, quando de fato nos tornaremos santos de uma maneira que nos será impossível pecar.

Nosso anseio é vislumbrar uma Igreja em que os santos valorizem o nome que carregam. Que saibam lidar com a graça, não tendendo para o legalismo e nem para a libertinagem. Que sejam seguros do que fez por ela o seu Formoso Ajudador. Entregando-se voluntariamente “para santificá-la, tendo-a purificado pelo lavar da água mediante a palavra, e apresentá-la a si mesmo como igreja gloriosa, sem mancha nem ruga ou coisa semelhante, mas santa e inculpável”. Efésios 5:26,27

Aplicações

Compreendo que a graça não pode ser barateada e nem acrescida por obra alguma? Quando se acrescenta algo ao evangelho, mesmo tendo uma boa intenção, o evangelho acaba se corrompendo. Focalizemos a pessoa e a obra de Cristo e tenhamos total confiança nele.

Estou ciente de que como cristão preciso ostentar uma conduta que evidencie que passo por um processo de santificação? Tenho me portado como um santo neste mundo?

Será que ainda trago comigo pecados da minha vida pregressa? Por que não consigo deixa-los e vez ou outra eles voltam à tona? Talvez o que falta seja uma fé que repousa naquele que é o nosso parakletos, único capaz de nos tornar justos. Que hoje seja um tempo de contrição e confissão. 

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