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31 de out de 2014

A Audácia de Martinho Lutero

 Por Thiago Oliveira 


A menos que vocês provem para mim pela Escritura e pela razão que eu estou enganado, eu não posso e não me retratarei. Minha consciência é cativa à Palavra de Deus. Ir contra a minha consciência não é correto nem seguro. Aqui permaneço eu. Não há nada mais que eu possa fazer. Que Deus me ajude. Amém.

Lutero falou isso na Dieta de Worms, em resposta ao pedido de retratação. O clero o pressionava diante do Imperador, dos príncipes e senhores feudais. Ele deveria renegar seus escritos, todo o ataque proferido a uma Igreja rica politica-sócio e economicamente, mas que à luz das Escrituras era miserável, cega e nua. Sua resposta curta e objetiva deixava claro a todos os presentes que os valores da Bíblia são inegociáveis e se fosse necessário pagar com a própria vida, aquele audacioso monge agostiniano teria se sacrificado.

O sangue de Martinho Lutero não banhou o solo e seu corpo não foi consumido pelas chamas da inquisição. Recebeu guarida de um príncipe alemão e na sua clausura dedicou-se a fazer algo precioso: traduziu a Bíblia para um idioma nacional, no caso o germânico. Queria que o povo se libertasse através da Palavra. Foi assim com ele. Lendo os evangelhos e as cartas paulinas, deu-se conta de que a Igreja estava mergulhada em heresia. Era preciso fazer algo, e com certa urgência.

Ao fixar as 95 teses na porta da Catedral de Wittenberg, Lutero não tinha a intenção de provocar mais um grande cisma. O objetivo era renovar a Sé de Roma e não sair dela. Mas quem estava na lama decidiu se sujar ainda mais. Como não se teve um acordo, um dos efeitos da Reforma Protestante foi o racha com o catolicismo romano. O valente Lutero não retrocedeu. Sabia que Deus estava à frente desse processo e não o abandonaria a própria sorte. Homens como Wicliff e Huss tentaram, todavia, coube ao monge alemão a árdua e honrosa tarefa de reconduzir a adoração a Cristo no seio da igreja eleita.

Não era apenas um ataque as práticas católicas. Atacava-se uma teologia falaciosa que reduzia o sacrifício vicário de nosso Senhor Jesus Cristo à uma transação financeira. Bastava pagar pela indulgencia, assinada pelo próprio Papa. Vendia-se a salvação a preço de banana. Taí o grande mal: ensino errado, desembocando na ignorância de boa parte dos cristãos que por comprarem aquele pedaço de papel, achavam que um ente querido teria seus dias de sofrimento abreviados no purgatório.

Só a Escritura: Lutero defendeu que o único ensino é o que tem base bíblica. Se lá está escrito, então há respaldo. Só a Graça: Na Bíblia, a doutrina da graça expressava que nenhuma obra leva o homem a Deus. A salvação é imerecida, pois todos estavam debaixo do domínio do pecado. Só a fé: Este é o meio escolhido por Deus para salvar a humanidade. O justo viverá pela fé, essa foi a palavra que abriu a mente de Lutero. Só Cristo: Ele é o único mediador, o Papa não tinha o poder de perdoar pecados. Só a Deus, glória: A Reforma tira os holofotes da Igreja e exalta a Trindade. Deus elege os seus, Cristo os redime e o Espírito Santo sela. Não há espaço para vanglória humana.

Quase quinhentos anos se passaram, 497 para ser mais exato. Muita coisa aconteceu. A Igreja institucional passou por momentos de avivamento e pureza e depois mergulhou novamente em práticas e ensinamentos asquerosos. Por isso devemos atentar para o lema: “Igreja Reformada sempre reformando.” É certo que nem todos que dizem “Senhor, Senhor” entrarão no Reino dos Céus. É certo que o joio cresce com o trigo. É certo que Ele virá e fará a separação. Estarão com Ele aqueles que perseveraram como Igreja. Lá estarão os reformadores, que não mais precisarão reformar coisa alguma, apenas descansarão eternamente, e a luz de Cristo resplandecerá entre todos. Amém.