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10 de out de 2014

Do que está cheia a nossa boca?


Por Fred Lins

Então a nossa boca se encheu de riso e a nossa língua de cântico; então se dizia entre os gentios: Grandes coisas fez o Senhor a estes. (Salmo 126.2)

Este é um dos textos em que profundamente sou tocado, quando leio, principalmente quando recordo os atos que o povo de Israel (Judá) cometeu contra o seu Deus. As inúmeras vezes que eles foram exortados pelos profetas e os constantes atos pecaminosos e desonrosos. A manifestação do cuidado e de toda proteção de Deus parece que não tinham sido suficientes para eles, resultando na ida deste mesmo povo a uma das páginas mais tristes de toda história de Israel (neste contexto, povo de Judá): O cativeiro babilônico. Após setenta anos de muito sofrimento, mas também de muito reconhecimento do quanto Deus se manifestou e foi benevolente, o salmista compõe esta pérola. 

Convido-te e não somente ler, mas meditar (ruminar) na Graça e na bondade que todos os dias Deus dispensa sobre nós.

“Então a nossa boca se encheu de riso e a nossa língua de cântico”

Ler este texto e nos reportamos para o contexto pós-exílio nos faz refletir sobre essa expressão e nos leva a seguinte pergunta: De que a nossa boca está cheia? Lucas no capítulo 6, no final do verso 45, vai dizer que a boca fala daquilo que está cheio o coração. Como nós temos chegado diante de Deus? Qual tem sido - diante das pessoas que nós conhecemos - a nossa postura? De gratidão? Entendo que a vida é cheia de altos e baixos, decepções, incertezas, dúvidas, frustrações e tantas outras variáveis, todavia, em todas as coisas Deus nos conserva, nos conduz, e nos providencia todo necessário, logo não posso ter em meus lábios e na minha língua outra atitude que não seja louvar a Deus por seus grandes feitos.

O salmista fala de uma realidade em que na sua boca não existe espaço para outra coisa que não seja cantar ao Senhor e alegrar-se. Olhe para trás e veja como Deus tem providenciado e abençoado de tal maneira a sua vida. É maravilhoso aos nossos olhos! Deus cuida de nós não porque merecemos, e sim por que ele é bom. Sua bondade tem que ser vista por nós com alegria. E por falar em alegria, não me refiro ao sentimento exterior, mas a gratidão em Deus de estar contente e conformado em todas as coisas, em toda e qualquer situação. Faço referência a mais profunda de todas as epístolas, conhecida como a epístola da alegria: Filipenses. O contexto no qual Paulo está inserido e escreve a tal epístola é desolador, desanimador, tenso e completamente deprimente, mesmo assim, Paulo fala do termo “alegria” 16 vezes em apenas quatro capítulos. Que o mesmo sentimento queime o nosso coração, expurgue de nós os ídolos, e nos faça provar verdadeiramente de tal sentimento (Fp 4.13).

Apesar de todas as atitudes imorais, idólatras e ingratas que os filhos de Israel haviam praticado contra Deus, fatos estes que o levaram ao cativeiro, este povo manifestava a consciência de que Deus tinha e estava manifestando a Sua ira sobre eles. Isto fica muito claro no contexto do livro de Esdras. O propósito de Deus estava claro: promover restauração. A ação de Deus e a sua punição por pecados antes cometidos havia de tal forma alcançado êxito, pois os demais povos (gentios) falavam e anunciavam entre si percebendo a ação sobrenatural do Deus e Senhor todo poderoso:

"se dizia entre os gentios: Grandes coisas fez o Senhor a estes."

O povo gentio entende-se por pessoas que não gozam da presença de Deus, da Sua comunhão, da oportunidade de ser sua morada. Mas o que me surpreende é que até eles (gentios) olham para tudo o que Deus tem feito e mesmo não aliançados com o SENHOR dizem: "Deus tem feito grandes coisas". Meu irmão, Deus já tem feito grandes coisas em você? Ele tem sido o teu refúgio? Ele tem te protegido e guiado? Glorifique a Deus por tudo isso e lembre-se: há certos momentos para desânimo, tristeza e até desencorajamento, mas nunca seja ingrato. Agradeça e glorifique a Deus em todos os momentos (I Ts 5.18).