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23 de out de 2014

Os Pilantrópicos da Fé e a Síndrome de Estocolmo

Por Thiago Azevedo

A pilantropia[1] da fé é um movimento moderno que surgiu no início do século XX nos Estados unidos com o advento do neopentecostalismo. Como o Brasil, em muitos casos, tem recebido uma descarga cultural dos EUA ao longo dos tempos, não demoraria muito para que o neopentecostalismo aterrissasse em solo brasileiro. Esta descarga ocorre com certa frequência. Basta olhar os programas que figuram na telinha da TV brasileira como sucesso. Estes, nada mais são que franquias de programas que nasceram nos EUA, tais como:  The voice, Master chefe, Mega Senha, bem como uma gama das pegadinhas que se vê em programas diversos que tem por função entreter o povo.Todos estes proveem do ambiente norte-americano. Tudo isso e mais um pouco é fruto de criatividade – se é que pode ser chamada assim – alheia e dos dotes intelectuais daqueles que habitam na Terra do Tio Sam.

Este dado seria a comprovação que o Brasil, o país do futebol, – agora não se sabe se ainda pode ser chamado assim – não possui nenhuma criatividade televisiva, ao menos no presente momento.  Ou seja, tudo que se assiste no Brasil é imitação de outros países, sobretudo, dos EUA. Uma comprovação deste fato é a crescente das vendas dos pacotes das empresas de TV por assinatura no país, isso nem sempre é a solução, mas funciona como um paliativo eficaz para quem gosta de assistir uma boa programação. Inclusive, estes pacotes também estão repletos de programas norte-americanos, o que enfatiza ainda mais a alegação da descarga estadunidense em solo brasileiro.

É desta descarga e deste desague que ocorre em solos brasileiros que muitos dos costumes estranhos à fé alcançaram-nos, dentre estes, a pilantropia da fé. O movimento da pilantropia da fé adentrou o solo brasileiro a partir dos sucessivos desagues e descargas, das mais diversas localidades do mundo, que a caixa receptora chamada Brasil recebe. Estes têm influenciado, com peso, a cultura religiosa do país. Por exemplo, um grande mal que veio da Colômbia com seu pioneiro Castellanos Dominguez chamado G 12 desgraçou a fé dos brasileiros – esta que já não andava muito boa. Foi com este mal introduzido em solos brasileiros que começou as mais estranhas manifestações em ambientes eclesiásticos: cair no espirito, regressão, batalha espiritual etc. Isso sem falar no complexo megalomaníaco que os adeptos deste movimento possuem, Basta ver seus suntuosos templos por ai. Neste vácuo, o movimento é fortalecido pela exacerbada ênfase no lucro.

Os pilantrópicos usam e abusam de suas versatilidades mecanizadas para angariar recursos para suas instituições pilantrópicas. Mas, ao passo que os pilantrópicos tomam vulto – como uma pandemia – seus seguidores também crescem e aparecem. O contingente de fiéis que seguem estes pilantrópicos é cada vez maior, como explicar? Primeiro a própria bíblia já mostra em Os 4:6, mas há outra explicação e esta remonta justamente a questão da síndrome de Estocolmo. Esta síndrome fora criada por um psicólogo e criminólogo chamado Neils Bejerot, que investigou o assalto do Kreditbanken em Norrmalmstorg na Suécia. Este assalto perdurou por cinco dias e contou com algo inusitado até o momento neste tipo de crime, a saber, o comportamento dos reféns. No caso, os reféns se apegarem aos criminosos. Isso mesmo! Algumas pessoas quando são expostas a situações de risco e de pressão psicológica por um período de tempo longo acabam que se apegando aos seus opressores. Segundo alguns psicólogos, a presente síndrome se dá pela junção de um estresse físico emocional intenso e a convivência com quem provoca este estresse.  Quando a história se finda de forma positiva, isto é, com a prisão dos criminosos, algumas pessoas, ainda acometidas deste mal, prestam até depoimento a favor dos criminosos, isso pelo fato de acreditar que são bons.

O caso mais conhecido desta síndrome em uma personagem é na história do conto francês que virou o filme “A bela e a fera”, onde a mocinha se apaixona pelo monstro. Pois bem, há muitos fiéis que se apaixonam pelos monstros chamados pilantrópicos da fé que lhe extorquem cada vez mais. Estes fiéis ao invés de reprimi-los, cada vez mais se apaixonam por tais monstros. Esta é a combinação explosiva, mais que positiva, para que cada vez mais o movimento da pilantropia da fé não pare de crescer. Geralmente os pilantrópicos pervertem doutrinas bíblicas, mudam textos bíblicos, dizem que estão recebendo novas revelações... E tudo isso para cativar cada vez mais seus reféns de essência bestial. Assim como um animal não tem a plena noção de que está sendo conduzido ao abate, estas pessoas se portam como os reféns do Kreditbanken na Suécia. A saber, amam seus algozes mesmo com armas apontadas para suas frontes. E muitos destes, ainda defendem os pilantrópicos se preciso for numa audiência pública. Tudo isso poderia ser resolvido com apenas uma questão: qual árvore se alimenta de seu próprio fruto? A resposta é nenhuma. A função da árvore é alimentar e não se auto alimentar como fazem os pilantrópicos da fé com suas pilantropias que cada vez mais comem seus próprios frutos (dinheiro) enquanto os fiéis estão privados destes.

Portanto, cuidado com o movimento da pilantropia. Cuidado com a síndrome de Estocolmo que anda acometendo o povo cristão, estes fatores têm contribuído muito para que os pilantrópicos  desenvolvam suas pilantropias. Estes fazem isso sempre travestidos de amor e carinho, mas na realidade são bandidos perigosos que destroem e trucidam vidas sem o menor indício de arrependimento. São feras que se esfaimados não pensam duas vezes em devorar suas presas para saciar suas necessidades. Postura bem distinta tomou o pastor dos pastores chamado Jesus Cristo ao tecer a seguinte frase: “Eu sou o bom pastor; o bom pastor dá a sua vida pelas ovelhas” Jo 10:11 (grifo meu).

O bom pastor dá a vida pelas ovelhas e não tira ou disseca suas vidas. O bom pastor cuida e não malvada. O bom pastor prover e não extorque. O bom pastor dá o alimento e não se alimenta com as carnes e o sangue de suas ovelhas. O bom pastor é aquele que visualiza todas as ovelhas como sendo iguais, caso contrário, Ele não tinha ido atrás apenas de uma deixando as outras 99 expostas ao mesmo risco da que se perdeu Lc 15:4. O bom pastor se enquadra com o exemplo da árvore perfeitamente, ou seja, ele alimenta tão somente. Conclui-se que há indícios que mostram quem é verdadeiramente o bom pastor e quem é o pilantrópico da fé que dissemina sua pilantropia por toda parte. Esteja atento!


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[1] Neologismo que vem da raíz “Pilantra” que quer dizer desonesto e que faz um joguete com a palavra Filantropia.