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30 de set de 2015

Refutando mais 5 argumentos contrários à denúncia de hereges

Por Thiago Oliveira

Já havia escrito um texto refutando 5 argumentos daqueles que são contra as denúncias feitas aos falsos mestres, isto é, os que são hereges (leia aqui). Geralmente, usa-se muito o “não julgueis” ou “não toque no ungido”, todavia, há outros que também são bastante usados. Alguns meses depois, notei que além dos que já tinha refutado, outros 5 se mostraram recorrentes, e, a eles volto a minha atenção neste breve texto.

1) Ore ao invés de criticar

É impressionante notar que quando confrontamos algum pastor midiático ou celebridade gospel, os fãs fazem de tudo em defesa dos mesmos. Porém, algumas coisas se tornam muito difíceis de defender, por isso, os fãs sabendo que algo é indefensável, usam como argumento que deveríamos apenas orar ao invés de criticar. Ok! Nada nos impede de orar, de pedir a Deus misericórdia por líderes que estão dando claros sinais de apostasia. Alguns poucos homens que fizeram mal a sã doutrina acabaram sendo tocados por Deus e se arrependeram dos caminhos tortuosos que traçaram, no entanto, é um grupo ínfimo na história da igreja. Via de regra, um herege que apostatou da fé, desce a sepultura como tal e por ser um “filho do Diabo”, oração não irá resolver muita coisa.

Ademais, uma coisa não anula – necessariamente – a outra. Podemos orar, principalmente pedindo a orientação de Deus para que nossa crítica seja feita sob o escopo da piedade. Criticar por criticar é algo que não nos serve como modelo. Nossa crítica deve ser alicerçada da Escritura e endereçada a todo aquele que claramente expõe (em nome de Deus) um ensino contrário ao que a Bíblia ensina. E também, devemos orar para que futuramente não venhamos a cometer o mesmo erro pelo qual tecemos a nossa crítica. Logo, orar e criticar biblicamente algo heterodoxo não são atividades excludentes.

2) O tempo que se perde criticando deveria ser gasto “ganhando almas”

Primeiro, ganhar almas é um termo equivocado. Precisamos evangelizar o homem em sua integralidade. Mas, o foco da crítica é que o tempo que se perde criticando algo deveria ser usado para a evangelização. Claro que evangelizar é importante, todavia, ninguém evangeliza 24 horas por dia. Em Eclesiastes 3 já diz que há tempo para todas as coisas. Nem mesmo o maior evangelista de todos os tempos devotou todos os minutos da sua vida para o evangelismo. Se o crítico é alguém que não faz outra coisa além de criticar, temos um problema, mas se o crítico é alguém engajado na obra de Deus e que exerce o seu papel no corpo, então, novamente, temos um caso de dois elementos não excludentes.

Muitas vezes, as pessoas que são contrárias as denúncias endereçadas aos hereges, ficam comparando o ministério de quem critica com o que está sendo criticado. Frases do tipo: “pelo menos ele ganhou muitas vidas para Jesus, e você, fez o que?” são frequentemente utilizadas para descredenciar a pessoa que critica. Mas, se a crítica tem fundamento na Palavra, pouco, ou melhor, nada interessa quem fez mais ou menos. Afinal, as obras podem ser realizadas com a motivação errada e desagradar a Deus. Agostinho já dizia que todos os vícios resultam em más obras, com exceção do orgulho e da auto complacência. Estes dois procuram produzir boas obras. O parâmetro deve ser sempre a Escritura e não as obras (quem faz mais ou quem fez menos).

3) Um líder não deveria criticar outro líder

Há quem diga que um líder não pode criticar outro líder. Dizem que é até falta de ética. Mas, temos exemplos bíblicos que fazem essa afirmação cair por terra. Paulo, quando ainda não havia se tornado o maior missionário da história da Igreja, repreendeu Pedro, um dos mais proeminentes apóstolos, e um dos líderes principais da cristandade. Lendo Gálatas 2.11-14 vemos que a repreensão de Paulo se deu na frente de todos. Por que Paulo o criticou abertamente? Porque Pedro não agia conforme a verdade do evangelho (v.14).

João tratou com Diótrefes em carta endereçada a Igreja. Diótrefes era um líder (3 joão 9), e nem por isso foi poupado da crítica. Em carta, o apóstolo João diz que irá mencionar aos irmãos todas as más ações daquele homem que procedia erroneamente em sua liderança. Além destes exemplos pontuais, temos um texto prescritivo (que nos serve de norma) para quando um presbítero – equivalente a pastor – cometer um delito seja ele moral ou doutrinário. Assim lemos em 1 Timóteo 5.20:

“Quanto aos que vivem no pecado, repreende-os na presença de todos, para que outros também tenham temor”. (grifo meu).

Mesmo sendo um texto que trata a nível de igreja local, podemos transplantar o princípio da repreensão, pois, na nossa era de pastores midiáticos, aquilo que é falso ou pecaminoso, e que vem a público, seja por TV, rádio ou internet, deve ser publicamente rebatido.

4) A crítica pública é uma vergonha para o Evangelho

Talvez este seja o argumento que mais me tire do sério. O Evangelho é vendido, vilipendiado, distorcido e etc. Mas é a crítica a diluição da verdade bíblica que envergonha o Evangelho? As pessoas não sentem vergonha de verem pastores fantasiados nos púlpitos, nem se escandalizam com falsos apóstolos que fazem bazar de suas velhas roupas ditas ungidas, todavia, ficam magoadas quando os profetas de Deus ousadamente se levantam e dizem “Está errado!”.

Em 1 João 4 diz que os falsos profetas falam como quem é do mundo, por isso o mundo os ouve (v.5). Mas, aqueles que pertencem ao SENHOR Jesus, estes não se deixam enganar. E como nos diz o apóstolo, sabemos quem tem o espírito da verdade e quem tem o espírito do erro. Os da verdade ouvem a Deus, se firmam na Palavra, os do erro emprenham pelas palavras enganosas dos falsos mestres e desprezam a Palavra revelada (v.6).

5) Essas críticas causam divisão no Corpo de Cristo

Esta é uma inversão diabólica. O que divide é a falsa doutrina e não a crítica a ela. Não podemos chamar de irmãos aqueles que pregam algo que diverge do Evangelho. Nossos irmãos que estão em Cristo, partilham do mesmo ensinamento. A heresia é quem divide, e quando a criticamos, é com o propósito de deixar claro onde está a verdade. Os que são da verdade, como vimos no ponto anterior, continuarão unidos no mesmo ensino e propósito, os que pertencem à mentira serão desmembrados, por obstinação, preferindo seguir outro evangelho, que o apóstolo Paulo chama de maldito (Gálatas 1.8).

A fidelidade à Palavra revelada é evidência de pertencimento ao Corpo de Cristo. Óbvio que aqui tratamos dos pontos principais da fé. Não podemos dizer que quem batiza por imersão está em Cristo e quem batiza por aspersão está fora (ou vice-versa). Mas temos base bíblica suficiente para afirmar que quem nega a Trindade ou a divindade de Cristo, por exemplo, não pertencem a Igreja do Senhor, pois desprezam a sua mensagem. O Evangelho é o esquadro que diz quem está alinhado e quem está desalinhado. Ele estabelece o que é ortodoxo e o que não é.

Bem, chegamos ao fim da lista e devemos clamar para que Deus tenha misericórdia da Igreja e levante profetas em nossa geração que não estão dispostos a diluir a mensagem do Evangelho, a fim de agradar aos homens, e nem para se promover à custa da religião cristã.

Soli Deo Gloria

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