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13 de out de 2015

O Sentido da Vida

Por Dorisvan Cunha
SER HUMANO significa estar em constante busca por sentido. Dentro de cada um de nós existe uma grande sede por felicidade. Somos passageiros! Nossa vida aqui é um mero piscar de olhos, e enquanto viajantes nesta estação, precisamos encontrar uma âncora definitiva onde possamos depositar os anelos de nossa alma. Todos nascem com esse forte desejo e não podemos fingir que ele não existe. Sim, ele está lá, nas profundezas do nosso ser. A eternidade está dentro de nós.
O interessante é que, como observa C.S.Lewis, “ninguém nasce com desejos que não possam ser satisfeitos. Por exemplo, um bebê sente fome: existe o alimento. Um pati­nho gosta de nadar: existe a água. O homem sente o de­sejo sexual: existe o sexo. Mas, e se descubro em mim um dese­jo que nenhuma experiência deste mundo pode satis­fazer, qual será a explicação? A mais provável é que fui criado para um outro mundo.”[1] Essa é a verdade sobre a humanidade: Fomos feitos para outro mundo e, é somente quando tomamos consciência deste fato que encontramos o Sentido final da nossa história.

Honestamente, se vivêssemos em um planeta sem a mínima possibilidade de ingerência sobrenatural, eu não veria boas razões para acordar de manhã. Sim! Se minha existência se limitasse a esta inquietante dimensão de vida, eu já teria declarado falência existencial, e entre todos os homens, seria o mais infeliz. Isso porque desde há muito constatei que não há esperança na humanidade. Seus melhores projetos acabam e se extinguem. Suas melhores expectativas tornam ao pó. Por isso o salmista nos adverte a não colocar nossa esperança nos filhos dos homens, em quem não há salvação. Sai-lhes o espírito, e eles tornam ao pó; nesse mesmo dia, perecem todos os seus desígnios.[2] 

O salmista está nos ensinando que a fonte do nosso consolo deve estar para além dessa sôfrega contextura existencial. Por isso, creio plenamente que o que temos por aqui são apenas anúncios de uma realidade maior, daquela estrada superior, onde os rios celestiais de fato correm e onde o sol verdadeiramente brilha em todo o seu fulgor. É para lá que estamos indo.
Mas, infelizmente, enquanto caminhamos, tentamos fazer desta ordem aqui de baixo, o sentido último da existência. E, como disse Agostinho, facilmente nos atiramos à beleza das formas que ELE criou,[3] nos esquecendo assim, que a formosura das coisas criadas são apenas belas figuras daquilo que realmente almejamos. Esse é o nosso dilema: trocamos O SENTIDO FINAL, pelos mecanismos que apontam para Ele e, quando isso acontece, nos tornamos adoradores de ídolos que nos decepcionam: e o resultado é o desespero.
Isso tudo me leva a crer que, se queremos encontrar sentido para vida, devemos, primeiramente, tomar consciência da perecibilidade desta dimensão e começar a mirar nos valores da eternidade. É olhando para lá que nossa vida faz sentido.
Mas, antes de tudo, devemos saber que o que dá sentido à eternidade, não é uma mera coisa ou uma poeira cósmica impessoal. É antes uma Pessoa eterna, cheia de amor, que na plenitude do tempo invadiu nosso planeta, tomou para si uma natureza humana e sentiu a nossa tragédia. Graças à entranhável misericórdia de nosso Deus e Pai, pelo qual nos visitou o sol nascente das alturas e alumiou este submundo escuridão, trazendo esperança e paz duradoura aos que estavam na região da sombra da morte.[4]
Sim, nascido de uma jovem humilde, Ele veio aqui “conhecer” nossa agonia e comunicar significado definitivo a um mundo exausto e moribundo. Através de sua morte e ressurreição, fez raiar o Sol da Justiça, iniciando assim uma nova era no desenrolar da história humana: a era da paz e da esperança de um dia melhor. Nele nossa orfandade cósmica morreu. Por meio Dele nossa trajetória humana não terminará em um túmulo gelado, posto que Ele mesmo venceu a morte e nos deu a esperança da vida eterna.”[5]
Cristo é o Sentido do mundo. Ele é a razão da nossa vida.
Vivamos, pois e lutemos: nós temos esperança.
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[1] C. S. Lewis. Cristianismo Puro e Simples, p. 77.
[2] Salmo 146.3-4
[3] Confissões, p.103.
[4] Lucas 1.78-79
[5] 1 Co 15

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