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6 de fev de 2015

Esperança para vencer o Niilismo

Por Thiago Oliveira

O niilismo está quase que onipresente em nossa cultura. Ele é a concepção de um mundo que não faz sentido, de uma vida que nada mais é do que o caminhar para a morte e da inexistência de valores morais absolutos. Diante dessa visão pessimista o que fazer? Responder com mais pessimismo?

O Cristianismo é um corpo doutrinário que nos deve trazer esperança. As Escrituras demonstram uma história que tem começo, meio e fim. Faz sentido! Por mais que a nossa volta o mundo pareça desmoronar, crer que Deus é soberano e tem o mundo em suas mãos é sem dúvida uma ideia reconfortante (ao menos deveria ser, pois pior é não encontrarmos sentido para tanto sofrimento). Nas palavras de Piper [2012]: “Quando o mundo está desmoronando, precisamos da segurança de que Deus reina em tudo.”

O pensador Francis Shaeffer, tratando sobre a arte, vai dividir o enredo da história humana em dois temas: o menor, que abarca as imperfeições da vida material e a rebeldia do homem com relação a Deus. E o tema maior, que abrange a plenitude de sentido e o propósito da vida. Este tema maior é subdividido pelo cristianismo em metafísica e moral. Deus existe e intervém no mundo. Esta cosmovisão pode ser alargada e não ficar restrita ao campo das artes. O pessimismo que vemos retratado em quadros, na literatura ou nas telas do cinema é reflexo da ênfase no tema menor. Obviamente que ele existe e temos que admitir: tudo nesta vida é imperfeito e incompleto. Todavia, como cristãos devemos portar a mensagem da revelação e testemunharmos que a vida não é só isso, como diz o apóstolo Paulo: “Cristo é a esperança da glória” (Cl 1.27).

Ainda, de acordo com Paulo, o Evangelho não é mais um discurso, um outro ponto de vista ou uma teoria inovadora. O Evangelho é poder do Espírito (vide 1Ts 1.5). O termo poder (dynamis) que ele emprega em diversos momentos para descrever a Palavra de Deus é a raíz para dinamite. Pois é bem isto, o Evangelho é dinamite capaz de matar o velho homem e a sua natureza pecaminosa. Foi assim com os tessalonicenses. Eles ao receberem a Palavra, através do ministério paulino, testemunharam por toda a Macedônia e Acaia (vide 1Ts 1.7). Quando Silas e Paulo estiveram em Tessalônica, os incrédulos judeus os prenderam dizendo que eles eram os responsáveis por alvoroçar o mundo (vide Atos 17). E de fato eles tinham razão, com a chegada da mensagem cristã, através do poder do Espírito (ao lermos Atos 16.9 vemos que a evangelização da Macedônia foi uma ação impelida pelo Espírito Santo), aquela sociedade foi transformada.

Este é o papel da Igreja de Cristo. Alvoroçar o mundo. Impelidos pelo Espírito, buscando as melhores estratégias para inserir-se na cultura para em seguida julgá-la pelo crivo bíblico, como presume Tim Keller. O pensamento de Herman Dooyeweerd, filósofo calvinista holandês, que está sendo descoberto recentemente no Brasil pode ser muito útil no cumprimento desta missão.

Dooyeweerd trabalha com o conceito da soberania das esferas. A grosso modo, podemos dizer que cada instituição (esfera) foi criada por Deus com sua regência limitada e específica. Tomemos por exemplo a Escola: Ela é responsável por ministrar o conhecimento, mas não é sua atribuição usurpar a autoridade familiar. Cada esfera, seja a família, a escola, a empresa, a Igreja, o Estado, são independentes. Não podemos confundir independência com autonomia, uma vez que cada uma dessas instituições está abaixo da soberania divina.

Dentro dessa perspectiva da soberania das esferas, podemos lutar por uma sociedade mais justa e que reflita um maior bem estar para os homens. Este seria um legado importante para as gerações futuras. Além de ser o cumprimento da nossa missão. Somos promotores do Reino de Cristo e este engloba todas as esferas do mundo. Porque d’Ele, por Ele e para Ele são todas as coisas (Romanos 11.36).

Mas aí vem a questão dos resultados. Será que vai dar certo? Haverá conversões? A justiça vai aumentar, de fato? Ora, este mundo jaz do maligno, não deveríamos perder tempo com isso...Alto lá! Esse tipo de argumento parece uma espécie de niilismo cristão. Algumas coisas devem ser observadas: 1) Não trabalhamos com foco em resultados, cumprimos o nosso dever para com Deus, por isso prosseguimos sendo atalaias da justiça. 2) Deus é o responsável por iluminar corações e mentes. Nós apenas pregamos, o Espírito Santo é quem converte. 3) E por fim, já foi citado no parágrafo anterior, mas vale ressaltar que “porque d’Ele, por Ele e para Ele são todas as coisas” (Romanos 11.36).

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Referências

DOOYEWEERD. Herman, Estado e Soberania. Edições Vida Nova. São Paulo-SP, 2014.

SCHAEFFER. Francis A, A arte e a Bíblia. Editora Ultimato, Viçosa-MG, 2010.

PIPER. John, Doce e Amarga Providência. Editora Hagnos, São Paulo-SP, 2012.

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