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10 de jan de 2015

A Predestinação deve ser ensinada

Por François Turretini

As razões são: 

1) Cristo e os apóstolos frequentemente a ensinavam (como transparece dos evangelhos - Mt 11.20,25; 13.11; 25.34; Lc 10.20; 12.32; Jo 8.47; 15.16 e em outras partes - e das Epístolas de Paulo a totalidade de Rm 9 e Rm 8.29,30; Ef 1.4,5,11; 2Tm 1.9; lTs 5.9; 2Ts2.13). Não se expressavam de outra forma Pedro, Tiago e João quando falavam reiteradamente desse mistério, sempre que se lhes propiciava alguma ocasião. Ora, se lhes era próprio ensiná-la, por que nos é impróprio ensiná-la? Por que Deus ensinaria aquilo sobre o que seria preferível (arrêton) guardar silêncio (ameinon)? Por que ele quis proclamar aquelas coisas que seria preferível fossem ignoradas? Porventura desejamos ser mais prudentes do que Deus ou prescrever-lhe regras?

2) Essa é uma das principais doutrinas evangélicas e que constituem os fundamentos da fé. Não pode ser ignorada sem grave injúria à igreja e aos crentes, pois ela é a fonte de nossa gratidão a Deus, a raiz da humildade, o fundamento e mui sólida âncora da confiança em todas as tentações, o esteio da mais doce consolação e mui poderoso aguilhão (incitamentum) à piedade e à santidade.

3) A importunação dos adversários (que têm corrompido esse cume primordial da fé com erros letais e calúnias infames com os quais costumam cumular nossa doutrina) nos impõe a necessidade de manuseá-la, para que a verdade seja nitidamente exibida e isentada das falsíssimas e mui iníquas incriminações maldosamente impostas pelos homens. Como se introduzíssemos uma necessidade fatal e estóica; como se, com ela, extinguíssemos toda a religião da mente humana, mitigando-a no leito da segurança e profanação, ou arremessando-a no abismo do desespero; como se convertêssemos Deus num ser cruel, hipócrita e autor do pecado - recuso-me a prosseguir. Ora, como todas essas coisas são completamente falsas, temos o dever de inquestionavelmente refutá-las mediante uma sóbria e saudável exibição dessa doutrina com base na Palavra de Deus.
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Extraído do primeiro volume do Compêndio de Teologia e Apologética

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