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30 de jan de 2015

Palavra de Deus: Amo, logo medito

Por Fred Lins

Oh! quanto amo a tua lei! É a minha meditação em todo o dia.
Tu, pelos teus mandamentos, me fazes mais sábio do que os meus inimigos; pois estão sempre comigo.
 Tenho mais entendimento do que todos os meus mestres, porque os teus testemunhos são a minha meditação.
Sou mais prudente que os antigos; porque guardo os teus preceitos.
Desviei os meus pés de todo caminho mau, para guardar a tua palavra.
 Não me apartei dos teus juízos, pois tu me ensinaste.
 Oh! quão doces são as tuas palavras ao meu paladar, mais doces do que o mel à minha boca.
Pelos teus mandamentos alcancei entendimento; por isso odeio todo falso caminho.

Sl 119.97-104

Em tempos que o nominalismo, perde-se a capacidade de perceber a ação de Deus por meio da sua essência, pois, o homem a ofusca pela necessidade arrogante de si mesmo. Falar da Palavra de Deus torna-se desagradável, provoca coceira nos ouvidos (I Tm 4.3b) e reduz a Igreja a um balcão medíocre de pedidos, onde, Deus atende e simplesmente peço o que quero (fast-food da fé). Apesar de todo contexto desfavorável que constatamos na Igreja contemporânea é possível perceber a ação de Deus preservando a sua Palavra e movendo o coração de homens e mulheres em favor de amar e meditar todos os dias de maneira contínua em seus decretos e juízos.

O salmo 119 é o maior capítulo da Bíblia: Possui 176 versículos, divididos em 22 grupos, grupos estes iniciados pelas letras do alfabeto hebraico (um salmo acróstico), cada grupo possuindo assim 8 versículos. Em uma métrica perfeita, não percebida em nossas versões e traduções. Este maravilhoso texto é exemplo de profunda celebração e exaltação aos decretos divinos (Bíblia). Em todo capítulo - das mais variadas maneiras - o salmista usa diversos sinônimos e os emprega de maneira muito peculiar deixando assim o exemplo de amor e dedicação ao livro que revela quem é Deus e os seus propósitos.

A porção acima destacada (versículos 97-104) mostra pelo menos cinco razões pelas quais vale a pena amar e meditar nas sagradas letras. O salmista inicia o seu poema fazendo uma declaração de amor ao texto sagrado, deixando muito claro que é impossível amar essa palavra sem que isso redunde em meditação, haja vista, que Aquele que tem os mandamentos de Deus e os guarda este é o que o ama (Jo 14.21). Amar a Deus tem como resultado amor e devoção a sua palavra que, por conseguinte modo leva-nos a meditar (extrair verdades espirituais). Esta é maravilhosa equação:

Meditação = Amar a Deus + Amar a sua Palavra

A meditação, produz em nós, segundo o texto, cinco reações, vejamos cada uma delas:

1.    Mais sabedoria - Tu, pelos teus mandamentos, me fazes mais sábio do que os meus inimigos; pois estão sempre comigo (v.98).

É inquestionável pensar em sabedoria e rapidamente não vir a nossa mente Salomão. A sabedoria que foi uma característica notadamente dada por Deus a Salomão (II Cr 9.23) surtiu maravilhosos efeitos nele e em parte dos seus 40 anos de reinado. A evidência dessa maravilhosa sabedoria consegue ser percebida em todas as atitudes de uma vida aliançada a Deus e tem como início o temor a Deus (Pv 9.10a).

2.    Mais entendimento - Tenho mais entendimento do que todos os meus mestres, porque os teus testemunhos são a minha meditação (v.99).

A origem deste termo tem uma relação direta com o uso da razão, da mente, da consciência, da inteligência... Existe uma relação menos conflituosa do que a maneira como este conflito é pintado e que há muito tempo, desde idade média, vem sendo debatido: Fé x Razão. Na realidade há menos conflitos entre estas duas realidades e há mais similaridades que possamos imaginar. O entendimento da Escritura passa pela mente, mas necessita de fé para ser compreendida, não consiste na eliminação de uma destas verdades para validação da outra, mas uma relação de profunda cumplicidade entre dois termos que se harmonizam para uma compreensão correta e sadia das sagradas letras.

3.    Mais prudênciaSou mais prudente que os velhos; pois guardo os teus preceitos (v.100).

O termo que traduz de maneira mais aproximada a palavra prudência seria percepção correta. E na realidade é isso que a palavra de Deus tem a capacidade de nos oferecer. Ela nos empresta o olhar divino e nos ensina a andar sobre uma nova percepção, um novo olhar, uma nova capacidade de entendimento (além da razão, mas sem excluí-la). Traduz a mesma ideia que Jesus deixa aos seus discípulos quando na grande missão expõe o seguinte: Eis que vos envio como ovelhas ao meio de lobos; portanto, sede prudente como as serpentes e inofensivos como as pombas. (Mt 10.16).

4.    Livramento - Desviei os meus pés de todo caminho mau, para guardar a tua palavra (v.101).

Quando Jesus está ensinando os seus discípulos orar e os ensina a oração do Pai Nosso, trabalha a ideia de livramento na mesma perspectiva deste salmo, que tem o sentido de empurrar, puxar, tirar a força. O nosso desejo enquanto natureza é pecaminoso, o que pensamos e fazemos é contaminado pelo pecado e por nossas concupiscências, ou seja, não há bem em nós, mas o livramento de Deus nos condiciona a andar em seus preceitos e obedecer a sua Lei, não por nós, mas pela manifestação da sua bondade, Graça e misericórdia.

5.    Firmeza através do ensinamento - Não me apartei dos teus juízos, pois tu me ensinaste (v.102).

Uma das melhores coisas que Deus nos permite experimentar é o conhecimento, e me refiro a conhecimento macro, geral, científico. O conhecimento é libertador, é edificante, é envolvente, tal como o conhecimento de Deus que também é libertador. E conhecereis a verdade, e a verdade vos libertará. (Jo 8.32). Grande parte do contexto de fé que vivenciamos tem abdicado do ensino, negligenciado a doutrina e cedido aos pressupostos da pós-modernidade, do conhecimento pessoal e intuitivo.
O salmista encerra esta série com duas maravilhosas declarações: declarando que o sabor da palavra de Deus é doce, é agradável, é palatável. De fato só é possível dizer isso quando por essa palavra se é transformado, liberto. Somente assim tais verdades fazem sentido e tornam-se doces como mel e não amargos como fel. A segunda declaração está com o afastamento do caminho mal que vem também como resultado do conhecimento e entendimento adquirido por essa palavra.
Que o nosso Deus conceda a sua Igreja - por meio do seu Santo Espírito - a preservação e direção que são providenciados por meio da sua verdade e seus estatutos e que ela seja a nossa luz e lâmpada em meio ao mundo enegrecido pelo pecado e turvado pelas transgressões.

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