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14 de jan de 2015

A Prática da Meditação Cristã e os Puritanos

Por Thomas Magnum

Quando nos colocamos sobre esse rico tema das Escrituras estamos diante de um vasto material sobre a meditação cristã. Temos também muita coisa escrita na história da igreja pelos puritanos. Como já foi dito por um conhecido pregador reformado: “ muitos falam e citam os puritanos, mas, poucos querem viver como eles”. Os puritanos davam muita importância a meditação, juntamente com a leitura das Escrituras e a oração. Na verdade, a oração no prisma puritano rega o crescimento e maturidade cristã.

O salmista disse que o justo tem o seu prazer na lei do Senhor, e na sua lei medita de dia e de noite. Esse meditar nos remete ao contemplar o celestial, ao ruminar como as ovelhas, ao elevar os pensamentos as verdades eternas. Como disse Stephen Charnock “à meditação é empregada para um objetivo mais excelente, ela instrui e conduz à vontade as afeições eternas”. Os puritanos diziam que a meditação desperta as afeições eternas. Essa meditação nos leva ao constrangimento da eterna e soberana vontade de Deus, Paulo diz em Romanos 12:

Portanto, irmãos, rogo-lhes pelas misericórdias de Deus que se ofereçam em sacrifício vivo, santo e agradável a Deus; este é o culto racional de vocês.

O teólogo reformado John Murray destaca em seu comentário de Romanos, que são as misericórdias de Deus que nos constrangem a uma vida santa, é a reflexão não obra grandiosa de Cristo por nós que nos eleva a contemplação espiritual. Na agitação dos nossos afazeres diários muitas vezes até lemos as escrituras, mas, estamos meditando? Temos elevado nossa mente às coisas que são de cima? Lemos em Colossenses:

Portanto, já que vocês ressuscitaram com Cristo, procurem as coisas que são do alto, onde Cristo está assentado à direita de Deus. Colossenses 3.1

Veja que esse procurar é buscar as coisas celestes, e isso é feito pela meditação. Vale frisarmos que a meditação cristã não é o mesmo que a meditação transcendental que visa esvaziar a mente, a meditação cristã não esvazia, ela preenche, ela ocupa as mentes com as verdades celestes, mostradas nas escrituras. George Swinnock diz que a meditação é “uma seria aplicação da mente a algum assunto sagrado, até que as afeições sejam aquecidas e despertadas, e a resolução elevada e fortalecida através disso, contra quilo que é mal, e por aquilo que é bom”. Portanto entendemos que a prática da verdadeira piedade só é possível com a prática da meditação espiritual nas Escrituras. Então a meditação tem atuação importantíssima de duas faculdades da alma, a memória e a vontade. A primeira envolve uma convocação mental que envolve as verdades teológicas das Escrituras Sagradas, é a mente cativa a Cristo. A segunda envolve o depósito do coração, quando Jesus ensinou: Onde estiver seu tesouro aí estará seu coração (tradução livre).

Portanto ao falarmos de meditação, não estamos defendendo o simples pensar nas coisas espirituais ou transcendentais, a base da meditação e contemplação cristã são as Sagradas Escrituras. A meditação não deve ser baseada simplesmente em pensamentos que são fruto da imaginação, mas, uma reflexão piedosa na pessoa de Jesus e em nosso relacionamento com Ele por sua Palavra. Como diz Richard Baxter, a imaginação não deve ser mutilada na meditação, mas, alimentada por sólidas bases Escriturísticas.

Os Cinco solas e a meditação cristã

Ao trilharmos por essa vertente devemos compreender que os solas da reforma nos remetem a uma vida cristã salutar e frutífera, e podemos aplicar a verdade dos cinco solas a nossa pauta. Na meditação devemos refletir nisso também que de imediato nos levará e nos equipará a aplicarmos nossa mente nas verdades do Espírito de Deus.

Sola Scriptura – Como dito anteriormente somente a Escritura Sagrada é nossa base para meditação cristã, pois o justo tem o seu prazer na lei do Senhor, e na sua lei medita de dia e de noite. Salmos 1.2

Solus Christus – Somente Cristo é o nosso Senhor, Ele é nosso mediador e nosso salvador. Porque há um só Deus, e um só Mediador entre Deus e os homens, Jesus Cristo homem. 1 Timóteo 2.5

Sola Gratia – Somente pela graça de Deus desfrutamos as bênçãos espirituais, e devemos avaliar nossa posição, saber quem somos, de onde viemos, o que Deus fez em nós. Somente pela graça de Deus. E todos nós recebemos também da sua plenitude, e graça por graça. João 1.16

Sola Fide – Somente pela fé podemos agradar a Deus, somente pela fé fomos salvos, somente pela fé podemos nos achegar a grande Deus. Ora, sem fé é impossível agradar-lhe; porque é necessário que aquele que se aproxima de Deus creia que ele existe, e que é galardoador dos que o buscam. Hebreus 11.6

Porque pela graça sois salvos, por meio da fé; e isto não vem de vós, é dom de Deus.

Efésios 2.8

Soli Deo Gloria – Nossa devoção, adoração, piedade deve somente ao soberano Deus, para sua glória e louvor. Não adoramos a Deus para evangelizar, não adoramos a Deus porque precisamos de bênçãos de suas mãos, adoramos porque Ele é digno de Glória pelo que Ele é, e não somente pelo que Ele faz. Ao único Deus sábio, Salvador nosso, seja glória e majestade, domínio e poder, agora, e para todo o sempre. Amém. Judas 1.25


O que procuramos através desse artigo não é somente meditar no meditar, nem pensar no pensar. O objetivo de meditarmos nas Escrituras é nos elevar a um caminho excelente de vida piedosa e devoção. Que a meditação bíblica seja constante em nossas vidas. Muitas vezes somos tentados a um exaustivo estudo teológico, mas negligenciamos uma vida de oração e meditação, o conhecimento teológico não pode ser mecânico, como simples conteúdo científico, mas o conhecimento da Escritura cresce em nosso coração quando o regamos com a meditação e o desfrutamos na oração. Que nosso amado Senhor aplique essa verdade aos nossos corações.