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29 de dez de 2014

Santidade e Justiça

Por Herman Bavinck

A santidade e a justiça de Deus caminham de mãos dadas com a Sua bondade e com a Sua Graça. Deus é chamado o Santo não apenas porque Ele é exaltado sobre todas as Suas criaturas, mas especialmente porque Ele é separado de tudo o que é pecaminoso e impuro no mundo. Portanto, Ele exige que Seu povo, que pela Sua livre Graça Ele escolheu para que fosse Seu, seja santo, e Ele se santifica a Si mesmo nesse povo através de Cristo (Ef 5.26,27),pois apesar de Cristo ter santificado a Si mesmo por Seu povo e em lugar dele, esse povo pode ser santificado na verdade (Jo 17.19). E a retidão e justiça de Deus estão intimamente relacionadas com a Sua santidade, pois, sendo o Santo, Ele não pode ser amigo do pecado. Ele abomina o pecado (SI 45.7; Jó 34.10), levanta-se contra ele (Rm 1.18), é zeloso de Sua honra (Ex 20.5) e, portanto, não pode inocentar o culpado (Ex 25.5,7). 

Sua natureza santa requer também que, fora de Si mesmo, no mundo de Suas criaturas, Ele mantenha a justiça e, de forma imparcial, retribua a cada um segundo as Suas obras (Rm 2.2-11; 2Co 5.10). Hoje em dia há aqueles que tentam fazer com que outras pessoas acreditem que Deus não se importa com os pensamentos e atos pecaminosos do homem. Mas o Deus vivo e verdadeiro que as Escrituras nos apresentam pensa muito diferente sobre isso. Sua ira contra o pecado é terrível, e Ele pune o pecador tanto temporal-mente quanto eternamente por meio de um justo julgamento (Dt 27.26; Gl 3.10).

Mas Ele não apenas pune os incrédulos de acordo com Sua justiça. É um ensino notável das Escrituras que de acordo com essa mesma justiça Ele conceda salvação aos santos. De fato, esses santos são pecadores também, e em nada são melhores do que os outros. Mas enquanto o incrédulo oculta os seus pecados ou os encobre, os santos os reconhecem e confessam. Essa é a distinção entre eles. Apesar de serem pessoalmente culpados e impuros, eles estão do lado de Deus e contra o mundo. Eles podem, portanto, apelar à promessa do pacto da Graça, à verdade da Palavra de Deus, à justiça que Deus realizou em Cristo.

Em termos dessa justiça nós podemos dizer, corajosa e reverentemente, que Deus é obrigado a perdoar os pecados de Seu povo e dar-lhe vida eterna. E se Deus deixa que Seu povo espere por Ele e prova sua fé por um longo tempo, segue-se que em sua perfeita redenção a integridade e a fideli­dade de Deus são demonstradas mais gloriosamente.
O Senhor aperfeiçoará aque­les que pertencem a Seu povo, pois Sua misericórdia dura para sempre (SI 138.8). O Senhor é mi­sericordioso e gracioso, longânimo e abundante em bondade e verdade.
Uns confiam em carros, ou­tros, em cavalos; nós, porém, nos gloriaremos em o nome do Se­nhor, nosso Deus. Esse Deus é o nosso Deus para todo o sempre; Ele será o nosso guia até à morte(SI 48.14). Ele é um Deus abençoador glorioso (ITm 6.15; Ef1.17). E feliz é o povo cujo Deus é o Senhor (SI 33.12).
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Fonte: O Calvinismo

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