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27 de nov de 2014

A Sistematização da Teologia na História da Igreja

Por Thiago Oliveira

Sistemático é aquilo que segue um sistema, uma ordenação, um método. A Teologia Sistemática pode ser definida como a ciência que procura oferecer uma apresentação ordenada do que a Bíblia ensina sobre Deus, Sua Obra e Sua relação para com o universo. Sistematizar o conteúdo bíblico é um norteador que potencializa a assimilação dos valores do Reino. E como a nossa espiritualidade deve estar ligada a ortodoxia, nada melhor do que algo que nos facilite entender o que o Senhor tem nos falado através da Sua Palavra.

Como a Teologia Sistemática atua com um padrão unificador da mensagem canônica, ela se torna didaticamente mais acessível do que a Teologia Bíblica e a Histórica. Embora Orígenes (218) tenha sido o primeiro a sistematizar o conteúdo canônico em sua obra “Dos Princípios”, gostaria de destacar três grandes nomes dessa ciência: Agostinho de Hipona, Anselmo de Cantuária e João Calvino, como representantes de três importantes períodos da história da Igreja (Patrístico, Medieval, Reformado).

Agostinho de Hipona é um gigante da Teologia e da Filosofia, um homem a quem Deus usou para a edificação da Igreja e que muito influenciou o pensamento ocidental. Agostinho, oriundo do século IV e tendo vivido também uma parte do V, tinha uma vida mergulhada na luxúria até ser convertido pelo poder do Evangelho pregado por Ambrósio. Sua mãe muito orou para que o filho abandonasse todos os seus pecados, e teve graciosamente suas preces atendidas.

Nas suas “Confissões”, Agostinho relata o doloroso processo de santificação. Não foi fácil abandonar o velho homem. Mas, Cristo completou a boa obra e fez deste pecador um santo remido pelo sangue do Cordeiro. Após sua conversão, trabalhou como um pastor dedicado ao rebanho do Senhor, tornou-se Bispo de Hipona (atual Argélia.África) e escreveu uma vasta obra. Dentre elas, a mais influente, principalmente no pensamento reformado no século XVI é: “Da Trindade”. Este livro antecede as Institutas de Calvino no que diz respeito a exposição doutrinária ortodoxa. Ele aborda a natureza divina, defendendo o trinitarianismo em oposição a doutrina ariana e também a natureza humana, alegando que o homem é um ser depravado que carece da graça divina para se salvar, se opondo ao pelagianismo, que defendia o livre-arbítrio.

Quem estudou, mesmo que superficialmente a teologia reformada, sabe o quanto Lutero e Calvino beberam das obras de Agostinho. Principalmente o reformador de Genebra, que apela para o pensamento agostiniano inúmeras vezes.

Já no período medieval, Anselmo, arcebispo da Cantuária, foi o grande sistematizador deste período. Discípulo do agostianismo e considerado por muitos o pai da escolástica, tem uma obra notável sobre a expiação: “Por que Cristo se Tornou Homem?”. Ele respondeu sua própria pergunta, argumentando que a encarnação e expiação de nosso Senhor Jesus Cristo foram necessárias por causa da justiça de Deus. Sua grande compreensão sobre estas verdades tornaram-se parte da herança confessional das Igrejas Reformadas. Escreveu outras obras como “Monologion” e “Proslogion”, “sobre a natureza de Deus” (argumento ontológico) e “De Concordia”, sobre a predestinação.

Todavia, João Calvino com a sua já citada obra “As Institutas da Religião Cristã” é considerado o teólogo que melhor sistematizou o conteúdo ortodoxo bíblico em todos os tempos. Principalmente as doutrinas da graça. É tanto que qualquer cristão que seja favorável ao monergismo, irá se identificar como calvinista.

Bem, a primeira edição das “Institutas” data de 1536, quando o reformador de Genebra tinha apenas 26 anos de idade e 2 anos que havia se convertido ao protestantismo. Ao todo, as “Institutas” de Calvino passaram por cinco edições. Sua obra, tanto as “Institutas” como seu catecismo, seus comentários sobre a maioria dos livros da Bíblia, sermões, folhetos, cartas, etc. têm exercido grande influência desde o período da Reforma até hoje. As Confissões e Catecismos da Fé Reformada, que foram produzidos pelas igrejas a partir de então, tiveram nos escritos de Calvino, em larga escala, grande fonte de embasamento teológico.

Em 1559, as “Institutas” ganham a sua edição definitiva, dividida em 4 livros:

Livro 1:O Conhecimento de Deus, o Criador.
Livro 2: O Conhecimento de Deus, o Redentor em Cristo.
Livro 3: A Aplicação da Redenção (o modo como recebemos a graça de Cristo).
Livro 4: A Igreja e os Sacramentos (os meios externos pelos quais Deus nos convida à comunidade de Cristo e nos mantém nela).

É a partir da obra de Calvino e dos credos e catecismos reformados que a Teologia Reformada foi ganhando a forma que tem hoje, logicamente que me refiro ao círculo protestante. Os loci (do latim, área restrita) clássicos da Teologia Sistemática são:

a) Prolegomênos: estuda os princípios básicos da fé cristã de maneira introdutória.
b) Teontologia: o estudo sobre Deus e Seus atributos.
c) Bibliologia: investiga a origem e a formação do cânon, tratando-o como livro inspirado que é a palavra revelada de Deus.
d) Cristologia: estudo sobre a natureza de Cristo e sua obra.
e) Pneumatologia: estudo da pessoa e do ministério do Espírito Santo.
f) Antropologia: neste caso, estuda o homem numa perspectiva teológica.
g) Soteriologia: estuda os aspectos da salvação em Cristo Jesus.
h) Eclesiologia: este é o ramo da Teologia que trata da doutrina e organização da igreja.
i) Escatologia: trata dos últimos tempos que antecederá o retorno de Cristo.
j) Hamartiologia: estudo da origem e dos efeitos do pecado.
k) Angelologia: o ramo da Teologia que estuda os anjos.
l) Demonologia: o estudo sistemático sobre os demônios.
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REFERÊNCIAS
HANKO, Herman. Retratos de Santos Fiéis. Dublin. Firelandy Missions.2013.

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