1509725595914942

25 de nov de 2014

Nós somos Igreja e nós não temos um mercado em potencial

Por Daniel Clós Cesar

Não muito tempo atrás, um pastor me perguntou o que eu achava de fazer uma pesquisa na região em torno da igreja para descobrir o que os vizinhos esperavam de uma instituição religiosa. O objetivo muito claro deste pastor era simples, ainda que não explicito. Saber o que seus clientes em potencial queriam, para que pudesse lhes oferecer um serviço sob medida, para que então eles passassem a consumir o produto dele e não mais o da concorrência.

A ideia não é apenas perversa, ela também claramente aponta uma falta de confiança em Deus de que Ele dará o crescimento quando e como Ele desejar, uma falta de maturidade espiritual pois, delega a pessoas que não conhecem a Cristo e não são nascidas no Espírito para dizer a igreja como ela deve agir; e por fim, uma falta de compromisso com a Palavra, buscando um compromisso profundo com o homem. Minha opinião na época foi de que, ir ao cemitério ouvir os mortos, não é uma prática cristã protestante.

Quando Jeosafá, rei de Judá, juntou-se a Acabe, rei de Israel, para enfrentar Ramote de Gileade, pediu ao rei de Israel que a Palavra fosse consultada, então foram chamados 400 profetas de Israel, e todos foram unânimes: “Sobe, porque Deus a entregará na mão do rei”. Jeosafá pede ao rei de Israel que traga um profeta verdadeiro do Senhor, afinal, profetas não profetizam benção, conforme ensinou Jeremias, profetizam guerras e destruição, mal e peste, não paz (Jeremias 28.8). Acabe, contrariado com o tal profeta que “nunca profetiza de mim o que é bom, senão sempre o mal” (2 Crônicas 18.7) manda vir o profeta Micaías, e esta é sua profecia:

“Vi a todo o Israel disperso pelos montes, como ovelhas que não têm pastor; e disse o SENHOR: Estes não têm senhor; torne cada um em paz para sua casa.” (2 Crônicas 18.16)

Acabe rejeitando as palavras do profeta o manda ao cárcere, segue para a batalha e lá é morto por uma flecha lançada a esmo.

O que você pode esperar de uma igreja onde seu pastor consulta os mortos? O que você pode esperar de uma congregação onde os homens e não Deus dizem como as coisas devem ser feitas, o que deve ser pregado, como deve ser pregado e como deve ser prestado o culto a Deus?

O cristianismo obteve uma grande vitória no século XVI com a Reforma Protestante. A constante reforma pregada pelos primeiros reformadores “ecclesia reformata, semper reformanda secundo verbum Dei” (“A igreja reformada, sendo sempre reformada de acordo com a Palavra de Deus”) é abandonada por um adágio do catolicismo romano medieval “semper idem” (“Sempre o mesmo”).

Se homens morreram para que o Evangelho fosse pregado em sua constante renovação que só é possível pela atuação sobrenatural do Espírito Santo, os pastores contemporâneos, em uma confusão que chamam de “renovação” ou “avivamento”, buscam seu suporte “teológico” nos cemitérios do mundo para “renovar” e “avivar” suas pregações, as mantendo sempre como a mesma coisa, comida fria e insípida para pessoas que não tem condições nem mesmo de comer, pois estão mortas em seus pecados e delitos.

Não há exposição da Palavra nas igrejas, a pregação segue o ritmo de declínio moral e espiritual secular. Pastores estão preocupados com a reunião para jovens solteiros, jantar para os casais, pipoca com cinema para os adolescentes e esquecem que a sua preocupação deveria ser passar horas e mais horas debruçados sobre a Palavra de Deus para quem sabe, apenas quem sabe, compreender o que Deus tem para a sua igreja no próximo sermão a ser pregado. E então, renovados pela Palavra, a expor para os ouvintes que, pelo ouvir a Palavra de Deus recebessem a Fé necessária para a Salvação.

No entanto, os pregadores amoldam a Palavra de Deus para disseminar seus conhecimentos, a Palavra não muda suas pregações, elas são sempre as mesmas, suas mentes não mudam pela Palavra, são absolutamente “semper idem”. Versículos são usados para ilustrar um ponto de vista, não para renovar mentes. E quando ocorre alguma “renovação”, trata-se apenas de uma inovação secular no meio da igreja, trata-se de uma secularização do culto, uma “atualização” descabida da liturgia que tem como único objetivo dar mais conforto e interatividade a pessoas de outro século, de outra época... o que esquecem esses pastores, é que os pecados deles são os mesmos de Adão.

Não precisamos fazer pesquisas no bairro e perguntar a pessoas que não conhecem a Deus o que elas esperam de Deus. Não precisamos promover eventos que atraiam as pessoas a igreja como peixes em um cercado, para que então lancemos uma rede de “bençãos” que os deixaram num emaranhado de promessas que nunca serão cumpridas, isto é no mínimo desonestidade, e se formos mais severos na aplicação da Palavra, é passível de morte os que tais coisas praticam. Precisamos sim lançar uma rede onde os fios são a própria Palavra de Deus, e os nós que os unem são a verdade, o arrependimento e a conversão.

O Evangelho ultrapassou dois mil anos em pleno crescimento sem nenhuma necessidade de inovação humana. Todas as inovações mostraram-se tempos mais tarde ser um fracasso, tanto que foram abandonadas e substituídas por outras que alguém julgou ser melhor... todas elas sem exceção mostraram que apenas uma pregação simples, mas centrada unicamente na Palavra, expondo-a dia após dia, geraram ovelhas saudáveis e sadias, que geraram mais ovelhas, e mais ovelhas, e mais ovelhas...

Sola Scriptura. Soli Deo Gloria.

Nenhum comentário: